Tuesday, July 31, 2012

C4SS - “Scandal?” The FDA’s Just Doing Its Job

http://c4ss.org/content/11299
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PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
“Scandal?” The FDA’s Just Doing Its Job
“Escândalo?” A FDA Está Apenas Fazendo o Trabalho Dela
Carson: Protecting big business from real accountability
Carson: Proteção às grandes empresas para que não sejam responsabilizadas de verdade
Posted by Kevin Carson on Jul 24, 2012 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 24 de julho de 2012 em Commentary
It’s gradually emerged in recent months that the Food and Drug Administration not only spied on its employees, but did so on a massive scale — collecting tens of thousands of employee emails to one another, as well as to journalists, members of Congress and congressional staff workers. The FDA also intercepted draft statements to the Office of Special Counsel, which investigates complaints of whistleblower harassment and reprisal. This monitoring, authorized by the agency’s chief counsel, was clearly a deliberate policy of the highest levels of FDA leadership.
Veio-se a saber gradualmente, em meses recentes, que a Administração de Alimentos e Medicamentos - FDA não apenas espionou seus empregados, como o fez em escala maciça — coletando dezenas de milhares de emails de empregados uns para os outros, bem como para jornalistas e para membros e funcionários do Congresso. A FDA também interceptou versões preliminares de denúncias dirigidas à Secretaria de Advocacia Especial, que investiga reclamações de assédio e represália a denunciantes. Esse monitoramento, autorizado pelo principal advogado do órgão, era claramente uma política deliberada dos mais altos níveis da direção da FDA.
So what problem was all the surveillance directed against? Embezzling? Sexual harassment? No. The FDA was out to punish whistleblowers for talking out of school about dangerous radiation levels in medical imaging devices approved by FDA for mammograms and colonoscopies.
Assim, pois, para que problema estava direcionada a vigilância toda? Apropriação indébita? Assédio sexual? Não. A FDA estava a fim de punir denunciantes por falarem fora das regras acerca de perigosos níveis de radiação em dispositivos de imagiologia médica aprovados pela FDA para mamogramas e colonoscopias.
That’s right. FDA leadership was out to prevent employees from talking to members of Congress — which the civics books tell us safeguards the public safety and welfare by, among other things, creating regulatory agencies like the FDA — about the very kinds of concerns the FDA was allegedly created to address.
Isso mesmo. A direção da FDA estava a fim de impedir empregados de falar a membros do Congresso — que, dizem-nos os livros cívicos, protege a segurança e o bem-estar do público mediante, entre outras coisas, criar órgãos regulamentadores como a FDA — acerca exatamente dos tipos de preocupação para lidar com os quais a FDA teria sido criada.
If you think this is just a case of post-Reagan “regulatory capture,” by corporate money, of an agency originally created for idealistic purposes back in Art Schlesinger Jr’s Golden Age — well, think again. The regulatory state hasn’t been “captured” by the regulated industries; it was created by them.
Se você acha que isso é apenas um caso pós-Reagan de “captura da atividade de regulamentação,” por dinheiro corporativo, de um órgão originalmente criado para propósitos idealistas na Era Dourada de Art Schlesinger Jr — pense outra vez. O estado regulamentador não foi “capturado” pelas indústrias regulamentadas; ele foi criado por elas.
According to New Left historian Gabriel Kolko, in The Triumph of Conservatism, Progressive Era regulatory measures like the FDA were created primarily to serve the corporate economy’s need for stability.
De acordo com o historiador da Nova Esquerda Gabriel Kolko, em O Triunfo do Conservadorismo, órgãos regulamentadores da Era Progressista tais como a FDA foram criados precipuamente para servir à necessidade de estabilidade da economia corporativa.
In the standard narrative, industry responded to problems of excess capacity and overproduction by creating cartels — the Trust movement of the turn of the 20th century — to restrict ouptut and set prices in each industry. And that much is really true.
Segundo a narrativa convencional, a indústria reagiu a problemas de excesso de capacidade e superprodução mediante criar cartéis — o movimento Truste da virada do século 20 — para restringir a produção e estabelecer preços em cada indústria. E essa parte é realmente verdade.
But in the dominant narrative, Progressive Era legislation was an idealistic response to the trusts — an attempt by the state, under Great Trustbuster Teddy Roosevelt, to rein in corporate excesses in the public interest. This part of the standard narrative is almost entirely false.
Nessa narrativa dominante, porém, a legislação da Era Progressista foi uma reação idealista aos trustes — tentativa do estado, sob a batuta do Grande Demolidor de Trustes Teddy Roosevelt, de conter excessos corporativos a bem do interesse público. Essa parte da narrativa convencional é quase inteiramente falsa.
In fact the trust movement was a failure. Private, voluntary trusts are vulnerable to defection for all the Prisoner’s Dilemma reasons game theorists talk about, and tend to break down in price wars. And because the big players in a cartel are so highly leveraged from mergers and acquisitions, and burdened with liabilities from watered stock, they’re vulnerable to competition from upstarts operating with lower overhead. So the Trusts began losing market share as soon as they were organized
Na verdade o movimento truste foi um fracasso. Trustes privados, voluntários, são vulneráveis a defecção por todos os motivos do Dilema do Prisioneiro dos quais falam os especialistas em teoria dos jogos, e tendem a decompor-se em guerras de preços. E pelo fato de os grandes agentes de um cartel serem tão altamente alavancados por causa de fusões e aquisições, e onerados com obrigações decorrentes de ações com valor inflado, eles são vulneráveis a competição de novatos funcionando com overhead menor. Assim os Trustes começaram a perder fatia de mercado tão logo organizados.
Progressive Era regulations were an attempt to organize non-defectable cartels under the aegis of the government. Quality and safety regulations like the Meat Inspection and Pure Food and Drug Acts operate exactly like an industry Quality Code, only without possibility of competitive injury by defectors. And since they apply a common set of quality standards across the board, they effectively remove safety, health and quality standards as competitive issues between firms.
As regulamentações da Era Progressista foram uma tentativa de organizar cartéis insuscetíveis a defecção sob a égide do governo. Regulamentações de qualidade e de segurança como a Lei de Inspeção da Carne e a de Alimentos e Medicamentos Puros funcionam exatamente como um Código de Qualidade, apenas que sem a possibilidade de danos competitivos causados por desertores. E como se aplicam a um conjunto comum de padrões de qualidade de alto a baixo, na prática excluem padrões de segurança, saúde e qualidade como fatores de competição entre firmas.
At the same time, Progressive Era antitrust regulations actually made stable trusts — i.e., cartelized oligopoly markets based on administered pricing — feasible for the first time. Antitrust legislation outlawed price wars by making it “unfair competition” to set prices below actual production cost.
Ao mesmo tempo, as regulamentações antitruste da Era Progressista em realidade tornaram viáveis, pela primeira vez, trustes estáveis — isto é, mercados oligopolistas cartelizados baseados em preços administrados. A legislação antitruste tirou da legalidade as guerras de preços por meio de tornar “competição desleal” fixar preços abaixo do custo real de produção.
On top of everything else, government regulatory standards protect regulated industries against attempts by outside actors and “loose cannons” to subject them to more stringent liability standards. As Kolko pointed out, the minimalist federal regulatory state preempted state and local regulations from holding industry to higher safety standards. A recent illustration of this principle is federal telecomm legislation, which prohibits state and local regulation of cell phone tower radiation as a safety hazard.
Por cima de tudo o mais, os padrões regulamentadores do governo protegem as indústrias regulamentadas de tentativas de agentes externos e de “fazedores de gol contra” de sujeitá-las a padrões mais rigorosos de responsabilidade. Como Kolko destacou, o estado regulamentador federal minimalista esvaziou antecipadamente as regulamentações estaduais e locais, impedindo-as de impor à indústria padrões mais altos de segurança. Recente ilustração desse princípio é a legislação federal de telecomunicações, a qual proíbe à regulamentação estadual e local considerar radiação de torres de telefones celulares possível risco para a segurança.
Government regulations also tend to become de facto health and safety ceilings as well as floors. Because they’re presumably based on “sound science,” they effectively preempt more stringent traditional common law standards of liability. How many times have you seen a corporate PR announcement using “in compliance with all regulatory standards” as an official seal of approval?
As regulamentações do governo também tendem a tornar-se na prática tetos, tanto quanto pisos, de saúde e segurança. Por estarem presumivelmente baseadas em “ciência fidedigna,” elas na prática esvaziam preventivamente padrões de responsabilidade tradicionais mais rigorosos da lei consuetudinária. Quantas vezes você já viu um anúncio de relações públicas corporativas usando “em conformidade com todos os padrões regulamentares” como selo oficial de aprovação?
Worse yet, sometimes when a company even voluntarily meets and advertises a higher standard of safety, competitors seek government action to suppress “product disparagement.” By even voluntarily advertising your food as GMO-free, or testing your meat for Mad Cow Disease more frequently than the USDA requires, you’re implying that the product of your competitors — which adheres to those regulations based on “sound science” — isn’t perfectly fine.
Pior ainda, por vezes, quando uma empresa, mesmo voluntariamente, observa e divulga padrão mais elevado de segurança, os competidores buscam ação do governo para que este impeça “descrédito do produto.” Ao você, mesmo voluntariamente, divulgar seu alimento como livre de organismos geneticamente modificados, ou testar sua carne quanto à Doença da Vaca Louca mais frequentemente do que exigido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, estará sugerindo que o produto de seus competidores — que cumprem aquelas regulamentações baseadas em “ciência fidedigna” — não está perfeitamente correto.
So the primary effect of the regulatory state was to create an economy of oligopoly cartels, in which a handful of producers in each industry meet the same dumbed-down minimal health and safety standards, and compete almost entirely in terms of image rather than price or quality.
Portanto o principal efeito do estado regulamentador foi criar uma economia de cartéis oligopolistas, nos quais um punhado de produtores em cada indústria observa os mesmos padrões de saúde mínimos nivelados por baixo, e compete quase inteiramente em termos de imagem em vez de preço e qualidade.
The FDA’s “scandal” is just the latest example of the regulatory state doing exactly what it was designed to do: Protect big business from real accountability.
O “escândalo” da FDA é apenas o exemplo mais recente do estado regulamentador fazendo exatamente aquilo para o que ele foi concebido para fazer: Proteger as grandes empresas de responsabilização real.
Citations to this article:
Citações deste artigo:
Kevin Carson, The Predictable Scandal at the FDA, Counterpunch, 07/26/12
Kevin Carson, O Previsível Escândalo da FDA, Counterpunch, 07/26/12
Kevin Carson, “Scandal?” The FDA’s Just Doing Its Job, Citizen of Laconia [New Hampshire], 07/25/12
Kevin Carson, “Escândalo?” A FDA Está Apenas Fazendo o Trabalho Dela, Citizen of Laconia [New Hampshire], 07/25/12
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


Monday, July 30, 2012

Americas South and North - Get to Know a Brazilian - Clarice Lispector

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PORTUGUÊS
Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Um Olhar Voltado para Questões da Terra do Fogo ao Ártico
Get to Know a Brazilian – Clarice Lispector
Conheça um Brasileiro – Clarice Lispector
July 29, 2012
29 de julho de 2012
This week, Get to Know a Brazilian takes a look at Clarice Lispector, a unique voice in  Brazilian literature with an ineffable style.
Esta semana, Conheça um Brasileiro é acerca de Clarice Lispector, voz incomparável na literatura brasileira, com estilo inefável.
Photo - Clarice Lispector (1920-1977), one of Brazil’s most important writers in the 20th century and one of the few Brazilian women who has gained national and international fame for her writings.
Foto - Clarice Lispector (1920-1977), um dos mais importantes escritores do Brasil no século 20 e uma das poucas mulheres brasileiras a ganhar fama nacional e internacional por suas obras.
Clarice Lispector, was born Chaia Pinkhasnova Lispector to a Jewish family in the Ukraine. Facing Antisemitic persecution during the Russian Civil War, her family relocated to Brazil, where relatives of her mother lived, when Lispector was just an infant. Upon arriving in Brazil, the entire family changed their names to sound more Brazilian, and so “Chaia” became “Clarice.” The family settled in the Brazilian northeast, where Lispector’s mother died when Clarice was just short of 10 years old. In an attempt to find better job opportunities, her father relocated the family to Rio de Janeiro, then the capital of Brazil. There, Lispector’s abilities became apparent, and she entered the prestigious National Law School (although the Law School itself was founded in the 1880s, it had recently become part of the relatively-new University of Brazil, which had only formed in 1920 and was one of the first universities in Brazil). While a student, she began writing, with her first story, “Triunfo” (“Triumph”) being published in May of 1940; three months later, her father also passed away. While in law school, she continued to write, serving as a journalist for several newspapers; this experience would lead to some of her later writings for newspapers, in which she provided insights and analysis on Brazilian culture in a much more direct and specific way than her more allegorical and philosophical novels and stories did. Eventually, her weekly columns for the nationally-syndicated Jornal do Brasil made her a household name in Brazil, bringing her style to an audience much broader than the literary circles dedicated to her fiction.
Clarice Lispector nasceu Chaia Pinkhasnova Lispector, de família judaica na Ucrânia. Enfrentando perseguição antissemita durante a Guerra Civil Russa, a família dela mudou-se para o Brasil, onde moravam parentes de sua mãe, quando Lispector era apenas menina. Ao chegar ao Brasil, a família inteira mudou o nome para soar mais brasileiro, e assim “Chaia” tornou-se “Clarice.” A família fixou-se no nordeste do Brasil, onde a mãe morreu quando Clarice tinha menos de 10 anos de idade. Numa tentativa de encontrar melhores oportunidades de trabalho, o pai dela levou a família para morar no Rio de Janeiro, então capital do Brasil. No Rio, as habilidades de Lispector tornaram-se visíveis, e ela ingressou na prestigiosa Faculdade Nacional de Direito (embora a Faculdade de Direito tivesse sido fundada nos anos 1880, havia-se recentemente tornado parte da relativamente nova Universidade do Brasil, que só se formou em 1920 e foi uma das primeiras universidades do Brasil.) Enquanto estudante, ela começou a escrever, com seu primeiro conto, “Triunfo” (“Triumph”) publicado em maio de 1940; três meses depois, o pai dela também faleceu. Enquanto na faculdade de direito, continuou a escrever, trabalhando como jornalista para diversos jornais; essa experiência levaria a alguns de seus escritos posteriores para jornais, nos quais ela proporcionou insights e análises da cultura brasileira de modo muito mais direto e específico do que em seus romances e contos mais alegóricos e filosóficos. Finalmente, suas colunas semanais para o nacionalmente redifundido Jornal do Brasil tornou-a nome conhecido no Brasil, levando seu estilo a um público muito mais amplo do que os círculos literários devotados à ficção dela.
In 1943, Lispector made a splash with her debut novel, Perto do Coração Selvagem (translated as Near to the Wild Heart). The book won awards and garnered immediate praise in Brazil; the story itself, a stream-of-conscious account of young Joana’s life. The book pointed to the styles and themes that would come to dominate Lispector’s fiction – a usage of language unique in Brazilian literature, a complex use of philosophy, psychology, and allegory, and a focus on women’s perspectives on the world. Indeed, it was this latter component that made Lispector unique in a literary world that men dominated. Her writing only added to her striking nature in Brazil; as translator Gregory Rabassa put it, she was a woman “who looked like Marlene Dietrich and wrote like Virginia Woolf.” Although there is much that distinguishes Lispector from Woolf, their unique styles and characterizations of fictional women makes the comparison apt.
Em 1943 Lispector causou sensação com seu romance de início literário público, Perto do Coração Selvagem (traduzido como Near to the Wild Heart). O livro ganhou prêmios e ganhou elogios imediatos no Brasil; a história descreve, usando o modelo narrativo conhecido como fluxo de consciência, a vida da jovem Joana. O livro prenunciava os estilos e temas que viriam a dominar a ficção de Lispector – uso de linguagem sem par na literatura brasileira, uso complexo de filosofia, psicologia e alegoria, e foco nas perspectivas das mulheres acerca do mundo. Na verdade, foi esse último componente que tornou Lispector única num mundo literário que os homens dominavam. Sua obra só se somou a sua natureza notável no Brasil; nas palavras do tradutor Gregory Rabassa, ela era uma mulher “com a aparência de Marlene Dietrich que escrevia como Virginia Woolf.” Embora muita coisa distinga Lispector de Woolf, os estilos e caracterizações únicos, por elas, de mulheres ficcionais tornam a comparação pertinente.
In spite of the success of Perto do Coração Selvagem, Lispector’s career was not one of a constant upward trajectory. She married diplomat Maury Gurgel Valente in 1943, and was soon living in Italy, where she tended Brazilian troops in a hospital in Italy (Brazil joined the Allied forces in World War II and actually sent troops to fight in Italy, where her husband was stationed). Lispector continued to live in Europe after the war, going with her husband as he was transferred to different posts; although she continued writing, she found much about life in Europe to be stifling. Eventually, she moved to Washington D.C., where her husband was stationed. Though she continued to write for Brazilian journals, she found the diplomatic life increasingly dissatisfying, and in 1959, she returned to Brazil.
A despeito do sucesso de Perto do Coração Selvagem, a carreira de Lispector não foi de trajetória ascendente constante. Casou-se com o diplomata Maury Gurgel Valente em 1943, e logo estava morando na Itália, onde cuidou de soldados brasileiros num hospital da Itália (o Brasil juntou-se às forças dos Aliados na Segunda Guerra Mundial e com efeito enviou tropas para lutar na Itália, onde o marido dela estava lotado). Lispector continuou a morar na Europa depois da guerra, acompanhando o marido à medida que ele era transferido para diferentes postos; embora continuasse a escrever, começou a sentir muito da vida na Europa estultificante. Finalmente, mudou-se para Washington D.C., onde o marido estava lotado. Embora continuasse a escrever em publicações brasileiras, começou a achar a vida diplomática cada vez mais insatisfatória e, em 1959, voltou ao Brasil.
Photo - The first edition of Clarice Lispector’s first novel, Perto do Coração Selvagem, published in 1943.
Foto - A primeira edição do primeiro romance de Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem, publicado em 1943.
In Brazil, she returned to writing and publishing. In 1960, her first collection of stories, Laços de Família (Family Ties) was published. After several rejections, her novel A Maçã no Escuro (The Apple in the Dark) was published, and its focus on stream of consciousness rather than plot reinforced both Lispector’s style and her status as a unique voice in Brazilian literature. In 1964, she published perhaps one of her most famous works, A paixão segundo G.H. (The Passion According to G.H.), which focused on a well-off woman in Rio de Janeiro but which dealt with much broader philosophical and psychological issues; indeed, this work is perhaps the best example of why Lispector’s work is difficult to peg sometimes, being simultaneously not-remotely-Brazilian yet completely-Brazilian. In many of her stories and novels, Brazil as a setting is mentioned simply in passing, and Brazilian identity is not key to many of her characters the way it is in other authors’ works; at the same time, the ways in which she played with the Portuguese language and the philosophical and psychological tones of her work fit well within the broader tones of other 20th-century Brazilian authors.
No Brasil, voltou a escrever e a publicar. Em 1960, sua primeira coleção de contos, Laços de Família (Family Ties), foi publicada. Depois de diversas rejeições, o romance dela A Maçã no Escuro (The Apple in the Dark) foi publicado, e seu foco em fluxo de consciência em vez de em trama reforçou tanto o estilo de Lispector quanto sua condição de voz sem par na literatura brasileira. Em 1964, publicou talvez uma de suas mais famosas obras, A paixão segundo G.H. (The Passion According to G.H.), focada numa mulher afluente no Rio de Janeiro, mas lidando com questões filosóficas e psicológicas muito mais amplas; na verdade, essa obra é talvez o melhor exemplo de por que a obra de Lispector é por vezes difícil de classificar, sendo simultaneamente nem remotamente brasileira e no entanto completamente brasileira. Em muitos dos contos e romances dela, o Brasil como cenário é mencionado simplesmente de passagem, e a identidade brasileira não é essencial para muitos de seus personagens do modo como o é nas obras de outros autores; ao mesmo tempo, as maneiras pelas quais ela jogou com a língua portuguesa e os meandros filosóficos e psicológicos de sua obra encaixam-se bem dentro dos tons mais amplos de outros autores brasileiros do século 20.
By the mid-1960s, as Brazil’s military dictatorship cemented its rule, Lispector began to write weekly columns for the Jornal do Brasil and the weekly magazine Manchete while continuing to write fiction; many of these columns were posthumously collected in A Descoberta do Mundo (literally, The Discovery of the World, but translated into English as Selected Crónicas). She also published two children’s books: O Mistério do Coelho Pensante (The Mystery of the Thinking Rabbit) and A mulher que matou os peixes (The woman who killed the fish). At the same time, she never gave up writing novels and short stories. Although Lispector’s fiction never dealt directly with the increasing repression of the military regime, she herself joined other artists, writers, musicians, and hundreds of thousands of others in protesting the growing repression of 1968. The following year, she published another novel, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (An Apprenticeship or The Book of Delights). These works continued to expand upon and push the boundaries of several of the themes developed in her earlier works. In 1973, Água Viva  (Living Water) was released; it would be the last full-length novel she wrote that was published in her lifetime.  A few short story collections were also published in the early-1970s, including Onde estivestes de noite (Where Were You at Night) and A via-crucis do corpo (The Stations of the Body) in 1974. Her final work, the novella A hora da estrela (The Hour of the Star), was released in 1977 (and turned into a film in 1986); focusing on the character of Macabéa, it continued her trajectory of embracing woman characters, even while the work’s focus on poverty and class issues pointed to new paths in Lispector’s work. Sadly, she was never able to further expand these new topics; shortly after A hora da estrela hit the shelves, Lispector fell ill and went into a hospital, where, shortly before she could turn 57, she died from inoperable ovarian cancer.
Em meado anos 1960, à medida que a ditadura militar do Brasil consolidava seu domínio, Lispector começou a escrever colunas semanais para o Jornal do Brasil e a revista semanal Manchete enquanto continuava a escrever ficção; muitas dessas colunas foram coletadas postumamente em A Descoberta do Mundo (literalmente, The Discovery of the World, mas traduzida para o inglês como Selected Crónicas). Também publicou dois livros para crianças: O Mistério do Coelho Pensante (The Mystery of the Thinking Rabbit) e A mulher que matou os peixes (The woman who killed the fish). Ao mesmo tempo, nunca desistiu de escrever romances e contos. Embora a ficção de Lispector nunca tenha lidado diretamente com a crescente repressão do regime militar, ela própria juntou-se a outros artistas, escritores, músicos e centenas de milhares de outras pessoas protestando contra a crescente repressão de 1968. No ano seguinte, publicou outro romance, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (An Apprenticeship or The Book of Delights). Essas obras continuaram a expandir e a alargar as fronteiras de diversos dos temas desenvolvidos nas primeiras obras dela. Em 1973, Água Viva  (Living Water) foi lançado; seria o último romance de porte escrito por ela publicado ainda durante sua vida. Algumas pequenas coleções de contos foram também publicadas no início dos anos 1970, inclusive Onde estivestes de noite (Where Were You at Night) e A via-crucis do corpo (The Stations of the Body) em 1974. A obra final dela, o romance curto A hora da estrela (The Hour of the Star), foi lançado em 1977 (e transformado em filme em 1986); focado na personagem Macabéa, continuou a trajetória dela de adotar personagens femininos, mesmo quando o foco da obra em questões de pobreza e de classe despontava novos caminhos na obra de Lispector. Infelizmente, ela nunca pôde expandir mais esses novos tópicos; pouco depois de A hora da estrela chegar às prateleiras, Lispector sentiu-se mal e foi para um hospital onde, pouco antes de completar 57 anos, morreu de câncer ovariano inoperável.
After her death, Lispector continued to garner praise and a devoted following in Brazil, and several of her unpublished and unfinished writings were published. However, outside of her adopted country, she remained little-known. Fortunately, a recent wave of translations of her work into English has brought her works to a broader audience, and her use of internal voices/dialogues and women’s experiences to deal with more universal themes makes her work more accessible to international audiences than the works of other Brazilian authors (notably, Guimarães Rosa, whose Joyce-ean experimentation with Portuguese and with narrative structure makes his work particularly difficult to translate). For those interested in her fiction, while Family Ties is a good sampling of her work, I strongly recommend The Passion According to G.H. or Near to the Savage Heart as good starting points to fully get a sense of the complexity and richness of her style; her Selected Crónicas are also spectacular, though they provide a different experience than her fiction.
Depois de morta, Lispector continuou a receber elogios e a angariar dedicados admiradores no Brasil, e diversas de suas obras inacabadas foram publicadas. Entretanto, fora de seu país de adoção, ela continuou pouco conhecida. Felizmente, recente onda de traduções da obra dela para o inglês levou seus escritos para plateia mais ampla, e o uso, por ela, de vozes/diálogos internos e experiências de mulheres para lidar com temas mais universais tornam sua obra mais acessível a públicos internacionais do que as obras de outros autores brasileiros (especialmente Guimarães Rosa, cuja experimentação joyceana com a língua portuguesa e com a estrutura narrativa torna sua obra particularmente difícil de traduzir). Para os interessados na ficção, embora Family Ties seja boa amostra da obra dela, recomendo enfaticamente The Passion According to G.H. ou Near to the Savage Heart como bons pontos de partida para captação plena do sentido da complexidade e riqueza de seu estilo; suas Selected Crónicas são também espetaculares, embora proporcionem uma experiência diversa da de ficção.
Previous figures featured in this series include arguably Brazil’s greatest writer, Machado de Assis, and black activist Abdias do Nascimento.
Figuras anteriores desta série incluem o defensavelmente maior escritor do Brasil, Machado de Assis, e o ativista preto Abdias do Nascimento.



Sunday, July 29, 2012

C4SS - The London Olympics: Capitalism in Action

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PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
The London Olympics: Capitalism in Action
Os Jogos Olímpicos de Londres: Capitalismo em Ação
Carson: Exactly what we're fighting against.
Carson: Exatamente aquilo contra o que lutamos.
Posted by Kevin Carson on Jul 25, 2012 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 25 de julho de 2012 em Commentary
In a recent article for Reason, Ira Stoll praised the 2012 Olympics — not only in the body but the title itself — as a “Triumph of Capitalism” (July 23, 2012).  He’s entirely correct — but not for the reason he thinks.
Em recente artigo para Reason, Ira Stoll elogiou os Jogos Olímpicos de Londres de 2012 — não apenas no corpo do texto mas no próprio título — como “Triunfo do Capitalismo” (23 de julho de 2012).  Ele está inteiramente correto — mas não pelo motivo que supõe.
Stoll’s characterization of the Olympics as “capitalist” seems to reflect their funding “largely not from governments but from the private sector.” Oh, and also the fact that “private property” rights (of a sort) are being traded:
A caracterização por Stoll dos Jogos Olímpicos como “capitalistas” parece refletir o financiamento deles “em grande parte não pelos governos, e sim pelo setor privado.” Oh, e também o fato de direitos de “propriedade privada” (em certa medida) estarem sendo transacionados:
“NBC (not a Cuban or North Korean television company but an American one) agreed to pay a reported $4.38 billion for the rights to broadcast four Olympics, a sum that is itself made possible by NBC’s sale of commercial sponsorship time to advertisers. Even ‘broadcast’ is now a misnomer, as the games are streamed on the Internet and available on cable channels.”
“A NBC (não uma empresa de televisão cubana ou norte-coreana, e sim estadunidense) concordou em pagar, segundo se informa, $4,38 biliões de dólares pelos direitos de transmissão de quatro Jogos Olímpicos, soma que se torna possível pela venda, pela NBC, de tempo de patrocínio comercial para anunciantes. Até mesmo ‘transmissão’ é agora termo inadequado, visto que os jogos podem ser vistos em tempo real na Internet e nos canais de televisão por cabo.”
Stoll is typical of the kind of “libertarian” for whom “private property rights” and large “private” revenue streams — whatever their source or legitimacy — are the be-all and end-all.
Stoll é típico da espécie de “libertário” para a qual “direitos de propriedade privada” e grandes fluxos de receita “privada” — qualquer sejam suas fontes ou legitimidade — são tudo o que importa.
If you define “capitalism” simply as an economy in which most activities are carried out by private corporations and serve as sources of profit for them, then Stoll’s entirely correct. And if, like me and the other left-wing market anarchists at Center for a Stateless Society, you define “capitalism” as a system in which the state subsidizes big business, protects it from competition, and enforces the artificial property rights and artificial scarcity rents from which it derives its profit, the Olympics also fits the bill.
Se você definir “capitalismo” simplesmente como uma economia na qual a maioria das atividades é desenvolvida por corporações privadas e serve como fonte de lucro para elas, então Stoll está inteiramente correto. E se, como eu e os outros anarquistas de mercado esquerdistas do Centro por uma Sociedade sem Estado, você definir “capitalismo” como um sistema no qual o estado subsidia as grandes empresas, protege-as da competição e atua como guardião de direitos de propriedade artificiais e de rentismo decorrente da escassez artificial de onde elas derivam seu lucro, os Jogos Olímpicos também satisfazem à definição.
Whatever amount of private funding the Olympics gets, it also gets a pretty hefty chunk of change from taxpayers; and the core functions and infrastructure on which private investment piggybacks are mostly government-funded.
Qualquer seja a quantidade de financiamento privado que os Jogos Olímpicos obtenham, obtêm também muito dinheiro proveniente dos contribuintes; e as funções e a infraestrutura fundamentais que servem de base para o investimento privado são financiadas principalmente pelo governo.
The Olympic Delivery Authority (ODA) is a statutory corporation, accountable to the Department for Culture Media and Sport, created to oversee development of the Olympic Park and associated transport infrastructure. The ODA’s budget — in the billions of pounds — comes from a funding package agreed on by the Mayor and City of London. Of course this state funding (from both tax revenue and the National Lottery) doesn’t preclude the fact — no doubt comforting to Mr. Stoll — that it passes through some corporate hands along the way. The actual work is carried out by a private contractor — namely CLM, a parasitic consortium of CH2M Hill, Laing O’Rourke and Mace.
A Autoridade Executiva Olímpica (ODA) é uma empresa pública, subordinada ao Departamento de Cultura, Mídia e Esporte, criada para supervisar a construção do Parque Olímpico e a respectiva infraestrutura de transportes. O orçamento da ODA — na casa dos biliões de libras — vem de um pacote de financiamento acordado com o Prefeito e a Cidade de Londres. Obviamente esse financiamento estatal (oriundo tanto da receita tributária quanto da Loteria Nacional) não inviabiliza o fato — sem dúvida confortador para o Sr. Stoll — de os fundos passarem por algumas mãos corporativas ao longo do caminho. O trabalho concreto é feito por um empreiteiro privado — isto é, o CLM, consórcio parasitário de CH2M Hill, Laing O’Rourke e Mace.
Stoll’s account of the money shelled out for “broadcast rights” is also quite telling as to what he means by “capitalism.” All those billions NBC is paying are an investment with what amounts to a state-guaranteed return. The London Olympics are one of the most heavily copyright- and trademark-protected events in human history. “Broadcast rights” are absolutely meaningless, unless you presuppose a state-granted monopoly on the right to distribute information. And you can bet your bottom dollar all that streaming content on the Internet will be proprietary, as well.
A descrição de Stoll do dinheiro desembolsado para “direitos de transmissão” é também bastante reveladora do que ele entende por “capitalismo.” Todos aqueles biliões que a NBC está pagando são investimento no que equivale a um empreendimento com retorno garantido pelo estado. Os Jogos Olímpicos de Londres são um dos eventos da história humana mais fortemente protegidos por copyright e marca registrada. “Direitos de transmissão” são algo absolutamente sem sentido, a menos que você pressuponha um monopólio concedido pelo estado outorgando direito de distribuir informação. E você pode apostar até o último tostão que toda aquela transmissão em tempo real na Internet também será patenteada.
The “intellectual property” stupidity goes beyond the point of self-parody. Like Rupert Murdoch, who’s befuddled by any technology since 1970, the Olympics Committee actually thinks it can regulate the terms on which people link to them. See, you can’t link to their website (this website right here: http://london2012.com) if you say anything unkind about them. Their “intellectual property” is apparently retroactive to include all prior cultural or historical references to the Olympics; they even went after a restaurant called Olympic Gyros.
A estupidez da “propriedade intelectual” vai além do ponto de paródia de si própria. Do mesmo modo que Rupert Murdoch, que se atrapalha diante de qualquer tecnologia desde 1970, o Comitê Olímpico acredita que de fato pode regulamentar os termos segundo os quais as pessoas vinculam-se a ele. Veja, você não poderá vincular nada ao website dele (este website aqui mesmo: http://london2012.com) se disser qualquer coisa pouco cortês a respeito dele. A “propriedade intelectual” dele é aparentemente retroativa a ponto de incluir todas as referências culturais ou históricas anteriores aos Jogos Olímpicos; ele até foi atrás de um restaurante chamado Olympic Gyros.
And of course the Olympics are surrounded by the kind of police statism run amok for which London has become famous over the past two decades: Rooftop SAM launchers, Twitter censorship, public surveillance cameras, and armored riot cops on the ready. You’d think there was a WTO or G-8 meeting.
E obviamente os Jogos Olímpicos estão cercados pelo tipo de estatismo policial sem peias pelo qual Londres tornou-se famosa nas duas últimas décadas: lançadores de mísseis terra-ar nos telhados, censura do Twitter, câmeras de vigilância do público, e policiais de choque blindados de prontidão. Você pensaria tratar-se de uma reunião da Organização Mundial do Comércio ou do G-8.
So if your idea of “capitalism” is not the free market, but a system in which the state socializes costs and risks and privatizes profit, me and the market anarchist comrades at C4SS are entirely in agreement. The only difference is that what Stoll is praising so effusively is exactly what we’re fighting against.
Portanto, se sua ideia de “capitalismo” não for a de livre mercado, e sim a de um sistema no qual o estado socializa custos e riscos e privatiza o lucro, eu e os parceiros anarquistas de mercado do C4SS estamos inteiramente de acordo. A única diferença é que o que Stoll elogia tão efusivamente é exatamente aquilo contra o que lutamos.
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Kevin Carson, The London Olympics: Capitalism in Action, Baltic Review, 07/26/12
Kevin Carson, The London Olympics: Capitalism in Action, Baltic Review, 07/26/12
Kevin Carson, The London Olympics: Capitalism in Action, Citizen of Laconia [New Hampshire], 07/26/12
Kevin Carson, The London Olympics: Capitalism in Action, Citizen of Laconia [New Hampshire], 07/26/12
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.