Friday, June 29, 2012

C4SS - So Long as Government Exists, a Governing Class is Inevitable

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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
So Long as Government Exists, a Governing Class is Inevitable
Enquanto Existir Governo Será Inevitável uma Classe Governante
Carson on the recurring class theme in social change.
Carson acerca do tema recorrente das classes na mudança social.
Posted by Kevin Carson on May 23, 2012 in Feature Articles
Afixado por Kevin Carson em 23 de maio de 2012 em Feature Articles
It was inevitable, argued English liberal Oliver Brett in his 1921 work A Defence of Liberty, that so-called “state socialism” would become simply another class society — this time with the state bureaucracy in the position of privilege. “So long as Government exists at all” — so went his brilliant quip on the principle — “a governing class is inevitable.” Just as everyone who attended Eton — regardless of their class of origin or what rustic access they originally spoke — “bore the stamp of Eton,” everyone who exercises state power bears the stamp of that power. Government molds everyone who wields its authority into a governing type.
Era inevitável, argumentou o liberal inglês Oliver Brett em sua obra de 1921 Defesa da Liberdade, o assim chamado “socialismo de estado” tornar-se simplesmente outra sociedade de classes — desta vez com a burocracia do estado em posição de privilégio. “Enquanto existir o governo” — assim continuava sua brilhante ironia a respeito do princípio — “será inevitável uma classe governante.” Do mesmo modo que todo mundo que frequentava Eton — independentemente de sua classe de origem ou do rústico sotaque que falasse originalmente — “trazia a marca de Eton,” todos os que exercem o poder do estado exibem a marca desse poder. O governo molda todos os que brandem sua autoridade, criando assim um tipo governante.
What’s more, Brett argued, it was questionable whether the state bureaucracy would really be a new ruling class at all:
Mais do que isso, argumentava Brett: era questionável se a burocracia do estado constituía de fato uma classe dominante nova:
“English history is full of the chameleon qualities of the rich. How quickly the feudal Baron is metamorphosed into the landed aristocrat, and the landed aristocrat into the mine owner and the railway director. We find often the same family names cast for these varied parts across the centuries. And these people will control the new bureaucracy. They know which way the wind is blowing, and they are preparing for the change of direction.”
“A história inglesa está cheia das qualidades camaleônicas dos ricos. Com que rapidez o barão feudal se metamorfoseia no aristocrata latifundiário, e o aristocrata latifundiário no dono de mina e no diretor de ferrovia. A miúdo encontramos os mesmos nomes de família nesses diferentes papéis ao longo dos séculos. E essas pessoas controlarão a nova burocracia. Elas sabem de que lado sopra o vento, e se preparam para a mudança de direção.”
Brett was part of a larger current, in the early years of the 20th century, of writers who applied Pareto’s “circulation of elites” theory to the state socialist movement. It included writers on the Left, like Robert Michels and William English Walling, who drew pessimistic conclusions from the socialist parties’ growing tendencies toward authoritarianism and collusion with the state and capital.
Brett era parte de uma corrente maior, nos primeiros anos do século 20, de escritores que aplicaram a teoria de Pareto da “circulação das elites” ao movimento socialista de estado. Ela incluía escritores da Esquerda, como Robert Michels e William English Walling, que tiravam conclusões pessimistas das crescentes tendências dos partidos socialistas para o autoritarismo e para conluio com o estado e o capital.
Michels argued that genuine majority or rank-and-file control of a large hierarchical institution was impossible, because it would be subverted by the “Iron Law of Oligarchy”: Representatives or delegates would transform their full-time inside control over information and agenda-setting to reduce the de jure authority of those they represented into a mere rubber-stamping function.
Michels argumentava que controle, por genuína maioria ou pelas bases de uma grande instituição hierárquica, era impossível, porque seria subvertida pela “Lei Férrea da Oligarquia”: Representantes ou delegados metamorfoseariam seu controle interno de tempo integral da informação e do estabelecimento de agendas, de modo a reduzir a autoridade de jure daqueles a quem representavam a mera função de endosso.
Walling argued (as did the Distributist Hilaire Belloc in “The Servile State”) that state socialist parties like the Social Democrats and Fabians were being coopted into the service of capital. Democratic socialist movements would by and large give up on the herculean political task of actually seizing control of industry, and would instead choose to leave the industry in capitalist hands while regulating it “in the popular interest.”
Walling argumentava (como fez o distributivista Hilaire Belloc em “O Estado Servil”) que partidos socialistas de estado como os Social-Democratas e os Fabianos estavam sendo cooptados para o serviço do capital. Movimentos socialistas democráticos em sua maioria desistiriam da tarefa política hercúlea de assumir controle efetivo da indústria e, em vez disso, prefeririam deixar a indústria em mãos capitalistas enquanto regulamentando-a “de acordo com o interesse popular.”
In practice, those “progressive” regulations would serve mainly to stabilize the economy in the long-term interests of big business, and use a minimalist welfare state and labor regulations to clean up the worst (and most politically destabilizing) forms of destitution left by the capitalists. As Belloc put it, if only the Fabians’ lust to manage and regiment the underclass were satisfied, they would be quite accommodating about capitalist ownership. So the de facto role of the “democratic socialist” state would be to oversee the economy on behalf of big business.
Na prática, essas regulamentações “progressistas” serviriam principalmente para estabilizar a economia em acordo com os interesses de longo prazo das grandes empresas, e para usar um estado do bem-estar social minimalista e regulamentações do trabalho para acabar com as piores (e mais desestabilizadoras politicamente) formas de destituição deixadas pelos capitalistas. No modo de expressar de Belloc, se tão-somente a sede dos Fabianos para gerir e enquadrar a classe inferior fosse saciada, eles seriam bastante cordatos quanto à propriedade capitalista. Portanto o papel de facto do estado “socialista democrático” seria de supervisar a economia em benefício das grandes empresas.
The historic continuity of the ruling class is another theme that has appeared in many guises. Immanuel Wallerstein and Christopher Hill, both Marxists, argued that a significant minority of the landed ruling class under the late Medieval political economy managed to reinvent itself as agrarian capitalists and negotiate the transition to capitalism, where they survived in such forms as the Whig landed oligarchy in Great Britain. The persistence of bastard feudal forms of concentrated land ownership, through such expedients as large-scale enclosure of the Open Fields, common pasture and waste, and the mercantile system of state finance and chartered monopoly, ensured a great deal of structural continuity between the medieval and early capitalist systems.
A continuidade histórica da classe dominante é outro tema que tem aparecido de várias formas. Immanuel Wallerstein e Christopher Hill, ambos marxistas, argumentaram que significativa minoria da classe dominante latifundiária na economia política medieval deu um jeito de reinventar-se como capitalistas agrários e negociar a transição para o capitalismo, onde sobreviveu assumindo formas tais como a oligarquia latifundiária Whig na Grã-Bretanha. A persistência de formas feudais bastardas de propriedade concentrada da terra, por meio de expedientes tais como cercar em larga escala os Campos Abertos, as pastagens e o lixo comunitários, bem como o sistema mercantil de finança estatal e concessão de monopólio asseguraram em grande parte continuidade estrutural entre os sistemas medieval e capitalista inicial.
A similar continuity bridged agrarian and industrial capitalism, as silent partners in the landed classes provided much of the capital for industrialization and the most successful capitalists bought titles or married into noble families. That continuity between the European landed nobilities and industrial capitalists in the modern era was the thesis of Arno Mayer’s book The Persistence of the Old Regime.
Continuidade semelhante compatibilizou capitalismo agrário e industrial, na medida em que parceiros silentes das classes latifundiárias proporcionaram grande parte do capital para industrialização e os capitalistas mais bem-sucedidos compraram títulos ou casaram-se dentro de famílias nobres. Essa continuidade entre a nobreza latifundiária europeia e os capitalistas industriais na era moderna foi a tese do livro de Arno Mayer A Persistência do Antigo Regime.
Wallerstein, like Brett, feared either that the giant finance-capitalists would manage to install themselves as the new ruling class in control of the postcapitalist state, or that the bureaucratic apparatus would use its control over the economy to live in privilege. The same has been true of left-libertarian critics like Emma Goldman and the post-Trotskyist Frankfurt School, who used terms like “bureaucratic state capitalism” and “bureaucratic collectivism” to dismiss the USSR as a new form of class society.
Wallerstein, como Brett, temia ou que os capitalistas da finança gigante conseguissem instalar-se como nova classe dominante no controle do estado pós-capitalista, ou que o aparato burocrático viesse a usar seu controle da economia para viver em privilégio. O mesmo tem sido verdade acerca de críticos libertários de esquerda como Emma Goldman e a escola pós-trotskista de Frankfurt, que usaram expressões tais como “capitalismo burocrático de estado” e “coletivismo burocrático” para desqualificar a URSS enquanto nova forma de sociedade de classes.
If there’s anything to such analyses — and I believe there is — we should take a long, hard look at whether state socialism (i.e., a system in which genuine working class political and economic power is exercised through the state) is even possible.
Se há qualquer sentido nessas análises — e acredito que há — deveríamos verificar de modo extenso e rigoroso se o socialismo de estado (isto é, um sistema no qual poder político e econômico genuíno da classe trabalhadora é exercido por meio do estado) é sequer possível.
Murray Bookchin, in his multivolume work The Third Revolution, presented a historical typology of revolution in which, in the course of a revolution, popular struggle by working people themselves gave birth to all sorts of decentralist, self-managed, liberatory institutions like soviets and workers committees. But in every case, once a revolutionary party had firmly established itself in the capital and purged the state of its rivals, it proceeded either to suppress working class organs of self-management or to coopt them as top-down transmission belts for state policy.
Murray Bookchin, em sua obra de vários volumes A Terceira Revolução, apresentou uma tipologia histórica da revolução na qual, no curso de uma revolução, a luta popular pelos próprios trabalhadores resultou em todo tipo de instituições descentralistas, autogeridas, liberatórias como os sovietes e as comissões de trabalhadores. Em todos os casos, porém, uma vez um partido revolucionário tendo-se estabelecido firmemente no capital e purgado o estado de seus rivais, tratou de ou suprimir órgãos de autogestão da classe trabalhadora, ou de cooptá-los como correias de transmissão de cima para baixo da política do estado.
That’s what happened when Lenin liquidated the other parties of the Left in his governing coalition, suppressed the Workers’ Opposition, and put down the Kronstadt mutiny. It’s what happened in Spain, when the Communist-dominated government in Madrid set up its own Soviet-trained OGPU unit and showed its willingness to lose to Franco in preference to tolerating anarchists in Catalonia.
Foi o que aconteceu quando Lenin liquidou os outros partidos da Esquerda em sua coalizão de governo, suprimiu a Oposição Trabalhadora, e reprimiu o motim de Kronstadt. Foi o que aconteceu na Espanha, quando o governo dominado pelos comunistas em Madri estabeleceu sua própria unidade OGPU treinada pelos sovietes e deixou clara sua disposição de ceder a Franco em vez de tolerar anarquistas na Catalunha.
In essence, it’s the cyclical phenomenon described by Orwell’s fictional “Emanuel Goldstein”: The high and middle eternally jockeying for power over the low, with the middle in each revolution enlisting the help of the low long enough to oust the old ruling class and set themselves up as the new one.
Em essência, é o fenômeno cíclico descrito pelo ficcional “Emanuel Goldstein” de Orwell: Os altos e os médios eternamente competindo pelo poder sobre os baixos, com os médios, em cada revolução, obtendo a ajuda suficiente dos baixos para derrubar a velha classe dominante e estabelecerem-se como a nova.
Since the rise of the state as an instrument of economic exploitation on behalf of a ruling class, there have been endless attempts to achieve justice through revolutionary seizure of the state — each one ending in failure and disillusionment. Ending injustice and exploitation through machinery which is purpose-built for injustice and exploitation is doomed. To repeat Brett’s observation: “So long as government exists, a governing class is inevitable.”
Desde a ascensão do estado como instrumento de exploração econômica a serviço de uma classe dominante houve infindáveis tentativas de obtenção de justiça por meio de tomada revolucionária do estado — cada uma das quais terminando em fracasso e desilusão. Acabar com injustiça e exploração por meio de instrumento criado com o objetivo de injustiça e exploração é algo fadado ao fracasso. Para repetir a observação de Brett: “Enquanto existir governo, será inevitável uma classe governante.”
So maybe we need to do it different this time.
Assim, talvez precisemos fazer alguma coisa diferente desta vez.
Citations to this article:
Citações deste artigo:
Kevin Carson, So Long as Government Exists, a Governing Class is Inevitable, Infoshop News, 23/05/2012
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.



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