Friday, June 15, 2012

C4SS - Democracy? Consent of the Governed? Buncombe!

ENGLISH
PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
Democracy? Consent of the Governed? Buncombe!
Democracia? Consentimento dos Governados? Balela!
Carson: Consent, conschment(*).
Carson: Consentimento, conchentimento(*).
(*) The author kindly answered my question about it: “Actually it's an English slang or idiom, where a word is repeated a second time with an "sh" sound to indicate contempt or dismissal: "rules, schmules!" "rights, schmights!" [Actually, the sound, in the examples above, is ‘shm’.]
(*) O autor gentilmente esclareceu minha dúvida quanto à palavra: “Na verdade, é uma gíria ou expressão idiomática em inglês, consistente em uma palavra ser repetida uma segunda vez com um som "sh" para indicar desprezo ou desqualificação: "regras, shmegras!" "direitos, shmreitos!" [Na verdade, o som, nos exemplos citados, é ‘shm’.]
Posted by Kevin Carson on Jun 13, 2012 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 13 de junho de 2012 em Commentary
Per official democratic ideology — the ideology inculcated by politicians’ speeches, election day rhetoric, and high school civics classes — the people are sovereign. The government — our “public servants” — is agent of the popular will, and the public is the principal.
De acordo com a ideologia democrática oficial — a ideologia inculcada por discursos políticos, retórica de dia de eleição e aulas de educação cívica nas escolas — o povo é soberano. O governo — nossos “funcionários públicos” — é agente da vontade popular, e o público é o delegante.
But if you look at how people actually view the state’s authority on an emotional level — and how it views us — that doctrine turns out to be 99 and 44/100% buncombe. The attitude that’s actually encouraged among the general public, and that probably prevailed among a majority at least until recently, was described by Paul Goodman in Like a Conquered Province:
Se, porém, você atentar para como o povo realmente vê a autoridade do estado em nível emocional — e como o estado nos vê — essa doutrina se revela como 99,44% balela. A atitude realmente estimulada entre o público em geral, e que provavelmente prevaleceu entre a maioria das pessoas pelo menos até recentemente, foi descrita por Paul Goodman em Como uma Província Conquistada:
“We elect an administration and it, through the intelligence service, secret diplomacy, briefings by the Department of Defense and other agencies, comes into inside information that enables it alone to understand the situation …. [T]here is a permanent group of selfless and wise public servants, experts, and impartial reporters who understand the technology, strategy, and diplomacy that we cannot understand; therefore we must perforce do what they advise.”
“Elegemos uma administração e ela, por meio do serviço de inteligência, de diplomacia secreta, de instruções/informações do Departamento de Defesa e outros órgãos, adquire informação privilegiada que capacita só a ela entender a situação …. [H]á um grupo permanente de abnegados e sábios funcionários públicos, especialistas e repórteres imparciais que entendem a tecnologia, a estratégia e a diplomacia que nós não temos como entender; em decorrência, temos de forçosamente fazer o que eles recomendam.”
We’ve seen this view expressed, on a much more vulgar level, in the public reaction to Bradley Manning’s so-called “treason” in allegedly leaking hundreds of thousands of State Department cables two years ago. This comment reported by Marja Erwin is typical:
Vimos esse ponto de vista exposto, em nível muito mais vulgar, na reação do público à assim chamada “traição” de Bradley Manning ao ele alegadamente vazar, há dois anos, centenas de milhares de telegramas do Departamento de Estado. Este comentário relatado por Marja Erwin é típico:
“you are so right, americans do have hatred for traitors like you. it only makes sense. to think that the government should have no secrets and everyone have access to all infomation is absurd. your arguments about government is also absurd. dont you ever think about the ramifications of what you write about?”
“você está bem certo, os estadunidenses têm ódio de traidores como você. o que faz todo sentido. achar que o governo não deveria ter segredos e todo mundo deveria ter acesso à informação é absurdo. seus argumentos acerca do governo também são absurdos. você nunca pensa nas consequências imprevisíveis dos assuntos acerca dos quais escreve?”
The perspective of the state’s functionaries is similar. In 2004 former Clinton “National Security” Advisor Sandy Berger warned, regarding waning public support for the Iraq war: “We have too much at stake … to lose the American people.” So regardless of what the civics textbooks say, our “public servants” view the state as having interests in its own right — interests to which the allegedly sovereign public must acquiesce because the state knows better.
A perspectiva dos funcionários do estado é similar. Em 2004 o antigo Assessor de “Segurança Nacional” de Clinton, Sandy Berger, advertiu, a respeito de decrescente apoio do público à guerra no Iraque: “Temos demasiado em jogo … para perder o povo estadunidense.” Assim, pois, independentemente do que os livros de educação cívica dizem, nossos “funcionários públicos” veem o estado como tendo interesses próprios — interesses ao qual o público alegadamente soberano aquiesce, porque o estado é mais competente para tratar do assunto.
That’s essentially the view articulated by Samuel Huntington in The Crisis of Democracy in the early 1970s. During the postwar decades, the United States had been able to act as “hegemonic power in a system of world order” only because of a domestic power structure in which the country “was governed by the president acting with the support and cooperation of key individuals and groups in the Executive office, the federal bureaucracy, Congress, and the more important businesses, banks, law firms, foundations, and media, which constitute the private establishment.”
Esse é essencialmente o ponto de vista expressado por Samuel Huntington em A Crise da Democracia no início dos anos 1970. Ao longo das décadas do pós-guerra os Estados Unidos só conseguiram atuar como “poder hegemônico num sistema de ordem mundial” por causa de uma estrutura doméstica de poder na qual o país “era governado pelo presidente atuando com apoio e cooperação de indivíduos e grupos decisivos no Executivo, na burocracia federal, no Congresso e nas mais importantes empresas, bancos, escritórios de advocacia, fundações e mídia, que constituem o establishment privado.”
This should all be enough to disabuse us of the idea that “government by the consent of the governed” is anything but a fairy tale. As Erwin says, “if the government keeps secrets from the public, it cannot have consent, and therefore cannot have legitimacy, and it is incoherent to claim ‘treason’ when someone reveals its secrets to the public.”
Isso tudo deveria ser o suficiente para nos convencer da inverdade da ideia de o “governo pelo consentimento dos governados” ser qualquer coisa mais do que um conto da carochinha. Como diz Erwin, “se o governo mantém segredos fora do alcance do público, não tem como obter consentimento, e portanto não pode ter legitimidade, e é incoerente ao invocar ‘traição’ quando alguém revela os segredos dele ao público.”
Whatever the official ideology of democracy, most people’s emotional framing of their relationship to the state is colored by their childhood socialization in relation to parental authority. Developmental psychologists tell us that children are actually socialized to view government as an extension of parental authority. The President is first viewed as a sort of Mommy or Daddy, with the American people as the family. Gradually actors like Congress, the courts, and so forth enter the picture — at first understood as simply “helpers” to the President, and only later as constitutional checks to presidential authority. But the aura of parental authority persists, on a subliminal level, even then.
Qualquer seja a ideologia oficial da democracia, o arcabouço emocional da maioria das pessoas no tocante a seu relacionamento com o estado está colorido por sua socialização de infância em relação à autoridade dos pais. Os psicólogos desenvolvimentistas dizem-nos que as crianças são, em realidade, socializadas para ver o governo como uma extensão da autoridade paterna. O Presidente é visto em primeiro lugar como uma espécie de Mamãe ou Papai, com o povo estadunidense como família. Gradualmente atores tais como o Congresso, os tribunais e assim por diante entram no cenário — de início entendidos como apenas “auxiliares” do Presidente, e só mais tarde como limitadores constitucionais da autoridade presidencial. Contudo a aura de autoridade dos pais persiste, em nível subliminar, mesmo então.
According to Alice Miller that general attitude toward authority into which children are first socialized in the family, and which is later extended to the state, is decidedly unhealthy. Miller (Thou Shalt Not Be Aware) refers to this value system, which punishes critical evaluation of authority in terms of one’s own judgment, as “poisonous pedagogy.” Without this authoritarian enculturation,
De acordo com Alice Miller essa atitude geral em relação à autoridade, na qual as crianças são socializadas, inicialmente dentro da família, e a qual é mais tarde estendida para o estado, decididamente não é saudável. Miller (Não Serás Consciente) refere-se a esse sistema de valores, que pune a avaliação crítica da autoridade pela pessoa ao esta pensar com a própria cabeça, como “pedagogia venenosa.” Sem essa aculturação autoritária,
“… [i]t would be inconceivable … for politicians mouthing empty cliches to attain the highest positions of power by democratic means. But since voters, who as children would normally have been capable of seeing through these cliches with the aid of their feelings, were specifically forbidden to do so in their early years, they lose this ability as adults. …
“… [s]eria inconcebível … os políticos repetirem da boca para fora clichês vazios de conteúdo para atingirem os mais altos cargos de poder por meios democráticos. Visto, porém, os eleitores - os quais seriam normalmente capazes, enquanto crianças, de não se deixarem embair por aqueles clichês, graças à ajuda de seus sentimentos - terem sido especificamene proibidos de fazê-lo em seus primeiros anos de vida, perdem essa capacidade como adultos. …
“Our whole system of raising and educating children provides the power-hungry with a ready-made railway network they can use to reach the destination of their choice. They need only push the buttons that parents and educators have already installed.”
“Todo o nosso sistema de educar e instruir crianças oferece aos sedentos de poder uma malha de trilhos pronta de antemão que eles podem usar para atingir os objetivos que desejem. Só precisam apertar os botões que pais e educadores já instalaram.”
The only framework within which genuine democracy can exist is voluntary association of equals, in which we are all recognized as ends rather than means, and our right to informed consent on matters that affect us is respected. You’ll never find that within the state.
O único arcabouço dentro do qual a genuína democracia pode existir é a associação voluntária de iguais, na qual todos nós somos reconhecidos como fins e não como meios, e onde respeitado nosso direito de consentimento bem-informado em assuntos que nos afetam. Você nunca encontrará isso dentro do estado.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É mutualista e anarquista individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


No comments:

Post a Comment