Tuesday, June 5, 2012

Americas South and North - Today in Insufferable Middle-Class Snobbery in Latin America

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Um Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Today In Insufferable Middle-Class Snobbery in Latin America
Hoje, Intolerável Esnobismo de Classe Média na América Latina
May 1, 2012
1o. de Maio de 2012
Com os recentes crescimento e estabilidade econômicos do Brasil, a classe média brasileira aumentou consideravelmente, mesmo considerando-se que a definição de “classe média” mudou e começou a incluir diferentes grupos antes excluídos.
However, some of the more entrenched members of the Brazilian middle class are not taking these changes well:
Entretanto, alguns dos membros mais tradicionalmente instalados da classe média brasileira não estão aceitando bem essas mudanças:
As any Brazilian, I’m very proud of the new middle class and of the eight million compatriots who arrived to the consumer society in recent times. Consumption for all! But, listen up, everybody, including the old middle class. The fact that one can pay for commercial flights in seventeen installments is democratic. More people flying, more people engaged in tourism, I’m not even bothered by the super-crowded airports. But, come now, could we change the menu? Or am I going to have to eat breakfast bars for the rest of my life? Did anybody ask if the old middle class likes breakfast bars? I don’t like them. Could I perhaps have a cheese sandwich and some orange juice?
Como qualquer brasileiro, me orgulho muito da nova classe média e dos oito milhões de conterrâneos que chegaram à sociedade de consumo nos últimos tempos. Consumo para todos! Mas, vejam bem, para todos, o que inclui a antiga classe média. É democrático o fato de voos comerciais poderem ser pagos em 17 vezes. Mais gente viajando, mais gente fazendo turismo, nem me incomodo com os aeroportos superlotados. Mas, vem cá, dá para variar o cardápio? Ou vou ser obrigado a comer barrinha de cereal para o resto da vida? Alguém já perguntou se a velha classe média gosta de barrinha de cereal? Eu não gosto. Dá para sair um sanduíche de queijo com suco de laranja?
Yes, when I think of the true plight still facing millions of Brazilians, I think of all of those people who have enjoyed the fruits of their middle-class status who suddenly find themselves having to eat breakfast bars on their flights.
Sim, quando penso nos reais problemas ainda enfrentados por milhões de brasileiros, penso em todas essas pessoas que tradicionalmente vieram fruindo dos frutos de sua condição de classe média e que, subitamente, se descobrem tendo de comer barrinhas de cereal em seus voos.
I’d like to say the post gets better, but you would need a very odd definition of “better” for that to be the case.
Gostaria de dizer que o texto fica ainda melhor, mas seria necessária uma definição bastante pitoresca de “melhor” para isso poder ser dito.
Now, the government recruits me: Credit! Credit! Credit! And I don’t want to buy a plasma TV, nor a second cell phone, nor do I want to spend my holiday in Porto Seguro. In all honesty, I am thinking of selling my freezer, my microwave, and my answering machine. I have become a stranger in my own land. I am from the old middle class.
Agora, o governo me alicia: Crédito! Crédito! Crédito! E eu não quero comprar uma TV de plasma, nem um segundo telefone celular, nem quero passar férias em Porto Seguro. Na verdade, estou pensando em vender o meu freezer, o meu forno de microondas e a minha secretária eletrônica. Tornei-me um estranho no ninho. Sou da velha classe média.
I’d like to say I’m shocked at the sheer and apparently-unashamed narcissism of the “old middle class,” but I regularly heard this kind of rumbling from its members in Rio de Janeiro, São Paulo, and Brasília in my time there. There’s definitely a generational pseudo-conflict between those whose families were members of the emerging middle classes in the first half of the twentieth and those who have only recently enjoyed the fruits of their labor and an improved economy. However, it’s definitely a lopsided conflict, as the “old” generation is clearly the one with the problem. As the Christian Science Monitor article commented,
Gostaria de dizer estar chocado com o completo e aparentemente descarado narcisismo da “velha classe média,” mas regularmente ouvi esse tipo de resmungo dos membros dela no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília em meus tempos lá. Decididamente existe um pseudoconflito de gerações entre aqueles cujas famílias pertenciam à classe média em surgimento na primeira metade do século vinte e aqueles que só recentemente vieram a gozar dos frutos de seu trabalho e de uma economia melhorada. Entretanto, trata-se decididamente de um conflito assimétrico, visto que a geração “velha” é claramente a que tem problema. Como comentou o artigo do Monitor da Ciência Cristã,
The traditional middle class sometimes looks down at what is now the new middle class, and some in the traditional middle class would consider themselves “culturally superior” to the new middle class: more American, tech-savvy, and literate than a more Brazilian pop-culture, newer to technology, and less well-read (or with little access to books). A traditional middle-class teenager, for example, might look down on a new middle-class teenager for liking sertanejo (Brazilian country music), rather than say, White Stripes.
A classe média tradicional por vezes desdenha daquela que é hoje a nova classe média, e algumas pessoas da classe média tradicional consideram-se “culturalmente superiores” às da nova classe média: mais americanas, mais tecnicamente proficientes e mais cultas em comparação com uma cultura brasileira mais pop, de acesso mais recente à tecnologia, e menos lida (ou com pouco acesso a livros). Um adolescente da classe média tradicional, por exemplo, poderá ter opinião desdenhosa a respeito de um adolescente da nova classe média por este gostar de música sertaneja em vez de, por exemplo, da White Stripes.
That may seem a bit extreme. Enter Xexéo’s post, which seems hell-bent on reifying exactly those understandings of generational difference in Brazil’s middle class by starting off:
Isso poderá ser um pouco exagerado. Vejam a postagem de Xexéo, que parece decidida a exatamente retificar esse entendimento de uma diferença de gerações na classe média brasileira, ao disparar:
I don’t like axé [a popular style of music from the Northeast, one of the historically poorer parts of the country]. Nor pagode. Nor even university sertanejo. Therefore, it doesn’t hurt to ask: could you play something else?
Não gosto de axé. Nem de pagode. Nem mesmo de sertanejo universitário. Por isso, não custa nada perguntar: dá para tocar outra coisa?
Certainly, there are other components of middle class cultures and mentalities beyond this kind of narcissistic snobbery. And Xexéo’s post is so lacking in subtlety in its simplicity, selfishness, and whiny tone, it almost comes off as parody. But the sentiments within it still echoes the sincere attitudes of many of Brazil’s “old” middle class who have become increasingly disturbed by the fact that people they once thought were “below them” are now their socio-economic equals.
Certamente há outros componentes de culturas e mentalidades de classe média além desse tipo de esnobismo narcisista. E a postagem de Xexéo carece tanto de sutileza em seu simplismo, egoísmo e tom lamuriento que quase se parece com uma paródia. Mas os sentimentos dentro dela ainda assim refletem as atitudes sinceras de muitas pessoas da “velha” classe média do Brasil que se sentem cada vez mais incomodadas com o fato de aqueles a quem elas no passado viam como “abaixo delas” serem agora socioeconomicamente iguais.

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