Wednesday, June 27, 2012

Americas South and North - More than Victims on the International Day in Support of Victims of Torture

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Um Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
More than Victims on the International Day in Support of Victims of Torture
Mais do que Vítimas no Dia Internacional de Apoio a Vítimas de Tortura
June 26, 2012
26 de junho de 2012
Today, June 26, is what the UN recognizes as the International Day in Support of Victims of Torture. If you’ve followed this blog for a while, or even a couple of months, you’ll have noticed that we write a lot on torture, political violence, and human rights violations in Latin America. The region has certainly seen its share of these atrocities.
Hoje, 26 de junho, é aquele que as Nações Unidas reconhecem como Dia Internacional de Apoio a Vítimas de Tortura. Se você tiver acompanhado este blog por algum tempo, ou mesmo alguns meses, terá notado que escrevemos muito acerca de tortura, violência política e violações de direitos humanos na América Latina. A região certamente já teve seu quinhão dessas atrocidades.
The UN’s website says, “Torture seeks to annihilate the victim’s personality and denies the inherent dignity of the human being.” This reminds me of a similar phrase I read in a 1990 publication of the mental health team for one of Chile’s most well-known human rights groups, the Corporation for the Defense of the Rights of the People (CODEPU): “All torture is psychological torture.” This simple phrase, while to some people may seem self-evident, broke down the dichotomy between physical torture and psychological torture and maintained that long after the physicial pain of torture has left the body, the psychological wounds remain.  We see this throughout Latin America as individuals and societies try to make sense of the violent past, even as state violence and discrimination against marginalized groups persist. Yet we can also see glimpses of hope and healing as well.
O website das Nações Unidas diz: “A tortura busca aniquilar a personalidade da vítima e nega a dignidade inerente do ser humano.” Isso me lembra de uma frase similar que li numa publicação de 1990 acerca da equipe de saúde mental de um dos mais conhecidos grupos de direitos humanos, a Corporação para Defesa dos Direitos das Pessoas (CODEPU):  “Toda tortura é tortura psicológica.” Essa simples frase, embora para algumas pessoas possa parecer evidente, desfez a dicotomia entre tortura física e tortura psicológica e defendeu que muito depois da dor física da tortura ter deixado o corpo, as feridas psicológicas continuam. Vemos isso em toda a América Latina, com indivíduos e sociedades tentando encontrar inteligibilidade no passado violento, enquanto a violência e a discriminação de grupos marginalizados, por parte do estado, persistem. No entanto, podemos também ver vislumbres de esperança e regeneração.
This past week, I conducted interviews with former political prisoners of Pinochet’s dictatorship in Chile. These men and women had been tortured, held for over a year in prison, and one woman gave birth in prison and kept her daughter with her until her release a year and a half later. It was obvious that each of them had come to terms with the experience of violence in different ways and to varying degrees, and the memory of it–mainly the psychological aspects–still haunts them.  Yet they are determined not to remain “victims.” They do not deny that terrible things happened to them, and they do not wish to forget completely. In fact, they told me their stories so more people could learn about that part of Chile’s past. They just don’t want the dictatorship to have the power to keep them in an intransigent state of suffering.
Na semana passada conduzi entrevistas com ex-prisioneiros da ditadura de Pinochet no Chile. Esses homens e mulheres haviam sido torturados, mantidos por mais de ano em prisão, e uma mulher deu à luz na prisão e manteve sua filha consigo até sua libertação ano e meio depois. Ficou óbvio que cada uma dessas pessoas havia encontrado alguma fórmula de convivência com a experiência de violência, de diferentes maneiras e em graus variados, e a memória respectiva – principalmente os aspectos psicológicos – ainda as persegue. No entanto, elas estão decididas a não permanecer sendo “vítimas.” Elas não negam ter acontecido coisas terríveis com elas, e não desejam esquecer completamente. Na verdade, elas contaram-me suas histórias a fim de mais pessoas poderem saber dessa parte do passado do Chile. Só não querem que a ditadura tenha o poder de mantê-las em intransigente estado de sofrimento.
So while we think of “victims of torture,” we should not pity them the way we pity a helpless animal, because that is the last thing these former militants, at least, would want (and I am speaking in the context of Latin America). We should, instead, realize how strong they are as they manage their own memories in everyday life. And we shouldn’t forget that the tortured have been given the immense responsibility of speaking for the executed and disappeared, who, for a long time, were held up as the greatest martyrs while survivors of torture shouldered the burden of marginalization, exile, and memory.
Então, embora pensemos nas “vítimas da tortura,” não deveríamos apiedar-nos delas da maneira como nos apiedamos de um animal indefeso, porque essa é a última coisa que esses antigos militantes, pelo menos, desejariam (e estou falando no contexto da América Latina). Deveríamos, em vez disso, compreender o quanto essas pessoas são fortes ao administrarem suas próprias memórias na vida diária. E não deveríamos esquecer-nos de que aos torturados foi legada a imensa responsabilidade de falar pelos executados e desaparecidos os quais, por longo tempo, foram exalçados como os maiores mártires enquanto os sobreviventes da tortura carregavam o fardo da marginalização, do exílio e da memória.
In short, the victims of torture are much, much more than victims.
Em suma, as vítimas da tortura são muito, muito mais do que vítimas.

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