Thursday, May 17, 2012

C4SS - The Theory and Practice of Oligarchical Collectivism — Newly Revised!

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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
The Theory and Practice of Oligarchical Collectivism — Newly Revised!
Teoria e Prática do Coletivismo Oligárquico — Recém-Revisada!
Posted by Kevin Carson on Apr 25, 2012 in Feature Articles
Afixado por Kevin Carson em 25 de abril de 2012 em Artigos em Destaque
People raise the question of whether the network revolution, in one area of our common life or another, will be coopted by the old forces of hierarchy. Will the old institutions manage to hang onto life by incorporating network elements, and thus survive the transition to the new society — with themselves in charge of it?
As pessoas suscitam a questão de se a revolução das redes, em uma área ou outra de nossa vida cotidiana, será cooptada pelas velhas forças da hierarquia. Será que as velhas instituições conseguirão prolongar sua vida mediante incorporarem elementos de rede, sobrevivendo assim à transição para a nova sociedade — com elas próprias no comando?
That’s what Christopher Hill and Immanuel Wallerstein argued the landed nobility of the late Middle Ages did. They reinvented themselves as agrarian capitalists, survived the transition, and coopted emerging market forms and the bourgeoisie into the successor system. The new system was defined, despite its market elements, by its structural continuities with the Medieval system. This system, in which feudal privilege and property relations coexisted with market clearing prices, was called “capitalism.”
Foi isso, dizem Christopher Hill e Immanuel Wallerstein, que a nobreza fundiária da Idade Média tardia fez. Reiventou-se, tomando a forma de capitalistas agrários, sobreviveu à transição, e cooptou, no sistema sucessor, formas de mercado em surgimento e a burguesia. O novo sistema foi definido, a despeito de seus elementos de mercado, por suas continuidades estruturais em relação ao sistema medieval. Esse sistema, no qual privilégios e relações de propriedade feudais coexistiam com preços de equilíbrio de mercado, foi chamado de “capitalismo.”
So are the old hierarchies doing the same thing with network organization? They’ve certainly tried. The first wave of micromanufacturing, which dates back to the Japanese development of affordable small-scale CNC tools suitable for small shops, was incorporated into a corporate framework: Actual production was outsourced to small job-shops in Honduras, Vietnam or China, but corporations retained control of the product and distributed it at astronomical brand-name markups through their control of marketing, finance and “intellectual property.”
Ora, estarão as velhas hierarquias fazendo o mesmo em relação às organizações em rede? Certamente têm tentado. A primeira onda de microfabricação, que remonta ao desenvolvimento japonês de ferramentas de controle numérico computarizado - CNC de pequena escala adequadas para pequenas oficinas, foi incorporada a um arcabouço cooperativo: A produção efetiva foi deslocada para pequenas oficinas em Honduras, Vietnã ou China, mas as corporações retiveram o controle do produto e distribuíram-no com sobrepreços de nome de marca astronômicos por meio de seu controle da comercialização, do financiamento e da “propriedade intelectual.”
More recently, assorted “Enterprise 2.0″ or “Wikified firm” fads have become all the rage in business, and the military has tried to replicate the agility of networked movements like Al Qaeda within its own ranks through “Fourth Generation Warfare” doctrines.
Mais recentemente, modismos “Enterprise 2.0″ ou “firma Wikificada” irromperam nas atividades comerciais, e a instituição militar tentou imitar a agilidade de movimentos em rede como a Al Qaeda dentro de suas próprias fileiras por meio de doutrinas de “Guerra de Quarta Geração - 4GW.”
The latest example of this sort of thing in the news is the so-called “99% Spring,” in which the previously(?) mainstream liberal organization MoveOn.org plays a central role. A lot of people see the 99% Spring as an attempt by establishment liberalism to coopt the Occupy movement, and reshape it in its own image. The perceived danger is that MoveOn will impose all the conventional features of an establishment Left movement on Occupy — official spokespersons, lists of demands, electoral slates, etc. — just as establishment Left leaders have been pushing the movement to do since the beginning. Or worse yet, it will become the militant arm of the Coffee Party.
O mais recente exemplo desse tipo de coisa no noticiário é a assim chamada “Primavera dos 99%,” na qual a anteriormente(?) organização liberal da corrente majoritária MoveOn.org desempenha papel fundamental. Muitas pessoas veem a Primavera dos 99% como tentativa do liberalismo do establishment para cooptar o movimento Occupy, e redelineá-lo à sua própria imagem. O perigo percebido é a MoveOn vir a impor todas as características convencionais de um movimento de Esquerda do establishment ao Occupy — porta-vozes oficiais, listas de exigências, chapas eleitorais etc. — bem ao modo de como os líderes da Esquerda do establishment vêm pressionando para que o movimento faça desde o começo. Ou pior, este se tornará o braço militante do Partido do Café.
The thing is, though, all these attempts to put new wine in old bottles are failing because hierarchies are really lousy at copying networks.
O problema é que todas essas tentativas para colocar vinho novo em odres velhos estão fracassando porque as hierarquias são na verdade muito incompetentes em copiar redes.
They’re failing in manufacturing because digital machine tools are becoming several orders of magnitude cheaper than those used in the first wave of micromanufacturing; the marketing machinery is irrelevant to a garage factory marketing its wares to an urban neighborhood on a demand-pull basis, the financing is superfluous when any handful of people with the shop skills and a few grand can set up a micro-factory, and branding and other “intellectual property” claims are becoming unenforceable.
Elas estão fracassando na área de fabrico porque as máquinas operatrizes digitais estão-se tornando várias ordens de grandeza mais baratas do que as usadas na primeira onda da microfabricação; o aparato de marketing é irrelevante para a fábrica de garagem que comercializa seus produtos num bairro urbano na base de pedidos por pressão de procura, o financiamento é supérfulo quando qualquer punhado de pessoas com capacidade de trabalho em oficina e poucos mil dólares poderem montar uma microfábrica, e exigências de marca registrada e de outras formas de “propriedade intelectual” são cada vez mais difíceis de fazer cumprir.
Enterprise 2.0 and 4GW are failing precisely because it’s hierarchies who are trying trying to coopt the network technologies. Hierarchies are extremely bad at using such technologies because their particular efficiencies disintegrate under the power interests of managers and bureaucrats. Despite the best intentions of business gurus and the scholars at West Point and TRADOC, the potential of networks is systematically sabotaged by middle managers and field grade officers.
Enterprise 2.0 e 4GW estão fracassando precisamente por serem hierarquias quem está tentando cooptar as tecnologias de rede. As hierarquias são extremamente incompetentes no uso de tais tecnologias porque as eficiências específicas destas desintegram-se sob os interesses de poder de gerentes e burocratas. A despeito das melhores intenções dos gurus empresariais e dos acadêmicos de West Point e do TRADOC, o potencial das redes é sistematicamente sabotado por gerentes de nível intermediário e oficiais de patente intermediária.
But they’re failing most of all because they’re superfluous in an age of cheap technology, and they can’t effectively suppress the competition.
Estão fracassando mais, porém, por serem supérfluas numa época de tecnologia barata, pois não conseguem suprimir de modo eficaz a competição.
See, all the power of all these hierarchies, historically, has depended on scarcity and on the high capital outlay requirements for getting anything done. When the basic capital equipment for manufacturing, communication, or fighting a war is extremely expensive, and only a hierarchy can afford the capital outlays, then opportunities for doing these things will be scarce and mediated by hierarchies.
Vejam, todo o poder de todas essas hierarquias, historicamente, dependeu de escassez e do imperativo de alto desembolso de capital para fazer as coisas. Quando o capital de equipamento fixo para fabricação, comunicação ou para combater numa guerra é extremamente dispendioso, e apenas uma hierarquia tenha como arcar com os desembolsos de capital, as oportunidades para fazer essas coisas serão escassas e mediadas por hierarquias.
When doing these things no longer requires enormous capital outlays, and when network technology enables people to cooperate outside hierarchies with zero or near-zero transaction costs, the entire material basis for the old hierarchies is obliterated. They may try to suppress competition through “intellectual property” swindles or by using the regulatory state to criminalize independent production — just as the lord of a medieval manor prohibited using a handmill to grind one’s own corn.
Quando fazer essas coisas não mais requer enormes desembolsos de capital, e quando a tecnologia de rede permite às pessoas cooperarem fora das hierarquias com custos de transação zero ou próximos de zero, toda a base material das velhas hierarquias é obliterada. Elas poderão tentar suprimir a competição por meio de tramoias de “propriedade intelectual” ou mediante usarem o estado regulamentador para criminar a produção independente — do mesmo modo que um lorde de uma herdade medieval proibia o uso de um moedor manual para alguém moer seu próprio milho.
But it was a lot easier to suppress ownership of handmills in a village than it is to enforce patent, copyright and trademark monopolies against micromanufacturers and hackers. Networks are many times more efficient than hierarchies at exploiting the advantages of new technologies, because a real network is a lot more agile and resilient than a stupid bureaucrat’s or pointy-haired boss’s attempt at playing network.
É porém muito mais fácil impedir a posse de moedores manuais numa vila do que fazer microfabricantes e hackers dobrarem-se a monopólios de patente, copyright e marca registrada. As redes são muitas vezes mais eficientes do que as hierarquias na exploração das vantagens das novas tecnologias, porque uma rede real é muito mais ágil e resiliente do que a tentativa de burocratas estúpidos e chefes incompetentes de lidarem com redes.
So what about the 99% Spring? I have no doubt it’s MoveOn’s baby, and they’d like to do all the things I said earlier, with Van Jones as the public face of the movement. But because of the realities I’ve described, they can’t do it.
E quanto à Primavera dos 99%? Não tenho dúvida de tratar-se de cria da MoveOn, e esta gostaria de fazer todas as coisas de que falei antes, com Van Jones como a face pública do movimento. Por causa, contudo, das realidades que venho de descrever, não consegue fazê-lo.
Occupy is a networked, leaderless movement. It’s a brand that anyone can adopt for their own purposes, and a platform that any local node can plug into on a modular basis for its own purposes. The basic symbols of 99% and 1%, the basic organizational techniques, are out there for anyone to use. Anyone who hates Wall Street and the big banks, who resents the polarization of wealth and the privileges of the plutocracy, and who wants to put an end to the unholy alliance between big business and big government — whatever their specific agenda — can adopt the symbols and tactics of Occupy without asking anyone’s permission. The symbols and slogans, and the knowledge of technique, are a free good. The network communication technologies are already owned by anyone with a smart phone. The only “entry barrier” is the willingness to link up and start cooperating, and put to use the pool of knowledge and technique that’s already free for the taking.
O Occupy é um movimento de rede, sem líderes. É uma marca que qualquer um pode adotar para seus próprios propósitos, e uma plataforma na qual qualquer nó local pode plugar-se de forma modular para suas próprias finalidades. Os símbolos básicos de 99% e 1%, as técnicas organizacionais básicas, lá estão para qualquer um usar. Qualquer um que odeie Wall Street e os grandes bancos, que guarde ressentimento da polarização da riqueza e dos privilégios da plutocracia, e que deseje pôr fim à aliança de conveniência entre as grandes empresas e o governo hipertrofiado — qualquer seja a agenda específica desse alguém — poderá adotar os símbolos e as táticas do Occupy sem pedir permissão a ninguém. Os símbolos e slogans, e o conhecimento da técnica, são bens grátis. As tecnologias de comunicação em rede já são de propriedade de qualquer pessoa que use um smart phone. A única “barreira ao ingresso” é a disposição de ligar-se e começar a cooperar, e de pôr em uso o repositório de conhecimento e técnica já acessível de graça.
So MoveOn, as a node — even if it’s a really big one — is free to make its own use of the Occupy brand and platform for its own agenda. They can do this just like the anarchists, the Greens, the Paulistas, and all the other movements in the leadersless Occupy network. More power to them! Let a hundred flowers bloom! But they can’t own the movement’s identity, any more than someone who uses material with a Creative Commons license can copyright it and enclose it against the other users.
Portanto o MoveOn, enquanto nó — mesmo um grande nó — é livre para fazer seu próprio uso da marca e plataforma Occupy para efeito de sua própria agenda. Pode fazer isso tanto quanto os anarquistas, os Verdes, os Paulistas e todos os outros movimentos da rede sem líder Occupy. Mais poder para eles! Que cem flores desabrochem! Ele não consegue, entretanto, ter a posse da identidade do movimento, tanto quanto alguém que use material de licença Creative Commons não conseguirá fazer copyright dele e fechá-lo tornando-o inacessível aos outros usuários.
So let MoveOn do their thing. They can’t own Occupy, they can’t speak for it, and they can’t stop the rest of us from doing theirs. They’re just — can only be — one more voice added to the chorus.
Portanto, deixemos que o MoveOn atue. Ele não tem como possuir o Occupy, não tem como falar por ele, e não tem como impedir nós outros de atuar de nosso modo. Ele é apenas — e é tudo o que consegue ser — mais uma voz acrescentada ao coro.
Emmanuel Goldstein, in the fictional world of Orwell’s 1984, wrote a book called The Theory and Practice of Oligarchical Collectivism. He portrayed history as an eternal struggle between the High, the Middle, and the Low. The typical pattern of a revolution was for the Middle to contest control of the dominant institutions with the High, and to enlist the help of the Low under a popular banner. Once they seized control, the Middle became the new High and took their own turn at oppressing the Low.
Emmanuel Goldstein, no mundo ficcional do 1984 de Orwell, escreveu um livro chamado A Teoria e a Prática do Coletivismo Oligárquico. Retratou a história como luta eterna entre os Altos, os Médios e os Baixos. O padrão típico de uma revolução consistia em os Médios contestarem o controle das instituições dominantes pelos Altos, e conseguirem a ajuda dos Baixos por meio de bandeiras populares. Uma vez adquirido o controle, os Médios tornavam-se os novos Altos e passavam a, por sua vez, oprimir os Baixos.
All that was true — Pareto’s rotation of elites, Michels’ Iron Law of Oligarchy — so long as hierarchical institutions were universally accepted as the sole means of organizing large-scale cooperative effort. So long as that was true — because large institutions are simply not amenable to direct control by the many — every new revolution was a case of “Meet the new boss, same as the old boss.”
Tudo isso era verdade — o rodízio das elites de Pareto, a Lei Férrea da Oligarquia de Michels — enquanto as instituições hierárquicas eram universalmente aceitas como o único meio de organizar esforço cooperativo de larga escala. Enquanto isso foi verdade — pelo fato de as grandes instituições simplesmente não serem passíveis de controle direto pelos muitos — toda nova revolução era um caso de “Apresento-lhe o novo chefe, igualzinho ao antigo chefe.”
But now that hierarchies are becoming superfluous to organizing cooperative effort, and their attempts at doing so are nothing but an embarrassment, we can throw that 5000-year-old rule book in the garbage where it belongs. This is a revolution that can’t be coopted by the old hierarchies, because the material basis of their power is being destroyed.
Agora, porém, que as hierarquias estão-se tornando supérfluas para a organização do esforço cooperativo, e suas tentativas de fazê-lo só conseguem dar vexame, podemos jogar esse manual de regras de jogo de 5.000 anos de idade no lixo, que é seu lugar próprio. Esta é uma revolução que não pode ser cooptada pelas antigas hierarquias, porque a base material do poder delas está sendo destruída.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária , e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


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