Wednesday, May 23, 2012

C4SS - Free Trade? Free Your Mind!

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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
Free Trade? Free Your Mind
Livre Mercado? Abram os Olhos!
Carson v. Sanders and Somin.
Carson contra Sanders e Somin.
Posted by Kevin Carson on May 4, 2012 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 4 de maio de 2012 em Commentary
On Tuesday’s (May 2) “The Ed Show” on MSNBC, US Senator Bernie Sanders (I-VT) reiterated, as he has so often, that what he insists on calling “unfettered free trade” has destroyed jobs in Vermont. At his official website he blames such “unfettered free trade policies” for our shrinking middle class, job loss, and ever-widening gap between the rich and poor.
No “Programa do Ed” (2 de maio) do MSNBC o Senador dos Estados Unidos Bernie Sanders (I-VT) reiterou, como amiúde tem feito, que o que ele insiste em chamar de “livre comércio sem entraves” destruiu empregos em Vermont. Em seu site oficial ele culpa tais “políticas de livre comércio irrestrito” pelo encolhimento de nossa classe média, perda de empregos e pelo fosso cada vez maior entre os ricos e os pobres.
Meanwhile, The Volokh Conspiracy’s Ilya Somin writes (in a commenting at Bleeding Heart Libertarians): “I think US trade policy (which has done a lot to promote free trade, which even most left-wing economists see as beneficial to the poor) … generally [does] a lot more good than harm.”
Ao mesmo tempo, Ilya Somin, de A Conspiração Volokh, escreve (num comentário no Libertários de Coração Terno): “Acho que a política comercial dos Estados Unidos (que fez muito para promover o livre comércio, o que até os economistas mais esquerdistas veem como benéfico para os pobres)  … geralmente [provoca] muito mais bem do que mal.”
This common conflation of “free trade” with the existing policies of the U.S. government, coming from seemingly opposite ends of the American political spectrum, bears some remark — especially considering U.S trade policies are nearly the reverse of free trade.
Essa identificação comum entre “livre comércio” e as políticas existentes do governo dos Estados Unidos, vinda de extremos aparentemente opostos do espectro político estadunidense, merece algumas observações — especialmente ao considerar-se que as políticas comerciais dos Estados Unidos são praticamente o inverso de livre comércio.
The “unfettered free trade” Sanders accuses of destroying jobs and polarizing wealth is actually highly fettered, corporate-administered trade. The majority of so-called “international trade” is in fact the transfer of finished and unfinished goods between national subsidiaries of transnational corporations — actually an internal process within the administrative bureaucracies of giant global corporations. And the so-called “free trade” polices promoted by the American state are highly authoritarian regulations that enforce these corporate bureaucracies’ stranglehold on world trade.
O “livre comércio sem entraves” que Sanders acusa de destruir empregos e polarizar a riqueza é na realidade comércio altamente restrito administrado pelas corporações. A maioria do assim chamado “comércio internacional” é na verdade transferência de bens acabados e não acabados entre subsidiárias nacionais de corporações transnacionais — na verdade um processo interno às burocracias administrativas de corporações globais gigantescas. E as assim chamadas políticas de “livre comércio” promovidas pelo estado estadunidense são regulamentações altamente autoritárias que potenciam a gravata que essas burocracias corporativas aplicam no pescoço do comércio internacional.
Contra Somin, not only does U.S. trade policy not “do a lot to promote free trade,” it does the opposite. The centerpiece of American “free trade” agreements, far from simple tariff reduction, is the imposition of “intellectual property” monopolies through which corporate bureaucracies maintain control over international trade.
Contra Somin, a política comercial dos Estados Unidos não apenas não “faz muito para promover o livro comércio” como faz o oposto. O âmago dos acordos estadunidenses de “livre comércio,” longe de constituir na simples redução de tarifas, é a imposição de monopólios de “propriedade intelectual” por meio dos quais as burocracias corporativas mantêm controle do comércio internacional.
As I’ve frequently pointed out, “intellectual property” serves the same protectionist function for the global corporate economy that tariffs did for national industrial economies a century ago. Patents and copyrights — just like tariffs — restrict who is allowed to sell a given good in a particular market.
Como tenho frequentemente destacado, a “propriedade intelectual” desempenha a mesma função protecionista em relação à economia corporativa global que as tarifas desempenharam em relação às economias industriais nacionais de há um século. Patentes e copyrights — do mesmo modo que tarifas — restringem quem tem permissão para vender determinado bem em determinado mercado.
It’s this monopoly which enables one transnational corporation’s headquarters to outsource actual production to Shenzhen job shops while retaining control of marketing and “intellectual property,” charging a $200 brand-name markup for sneakers that cost $5 to make. It does this by making it illegal for those same job shops to produce identical shoes, minus “the Swoosh,” and market them domestically for $10.
É esse monopólio que permite à sede de uma corporação transnacional terceirizar a produção real para fabriquetas de Shenzhen mantendo ao mesmo tempo controle da comercialização e da “propriedade intelectual,” cobrando sobrepreço de marca de $200 dólares por tênis com custo de produção de $5 dólares. Faz isso tornando ilegal para aquelas mesmas fabriquetas produzirem calçados idênticos, exceto o logotipo “Swoosh,” e comercializá-los domesticamente por $10 dólares.
These monopolies prevent competition from passing along cost savings from innovation to the consumer, so that state privileged corporations can instead enclose it as a source of rent. Patents on dual-purpose technology enable Western TNCs to secure lockdown on the latest generation of production technology and prevent the emergence of indigenous competition in the Third World.
Esses monopólios impedem a competição de passar para o consumidor economias de custos decorrentes da inovação, de tal modo que as corporações privilegiadas pelo estado, elas sim, é que podem enclausurar essas economias como fonte de renda. Patentes de tecnologia de duplo uso - civil e militar - permitem que as transnacionais ocidentais assegurem o congelamento da última geração de tecnologia de produção e impeçam o surgimento de competição nativa no Terceiro Mundo.
Because of this highly statist system of global “intellectual property” law, the great majority of TNC profits are royalties on copyright or embedded patent rents on the intangible value of physical goods. The most profitable industries in the global economy are either heavily dependent on IP (entertainment and software), heavily subsidized by home governments (armaments and agribusiness), or both (biotech, electronics, pharma).
Por causa desse sistema altamente estatista de lei mundial de “propriedade intelectual,” a grande maioria dos lucros das companhias transnacionais é formada por rendas auferidas de copyright ou patentes embutidas sobre o valor intangível de bens físicos. As indústrias mais lucrativas da economia global são ou altamente dependentes de IP [propriedade intelectual] (entretenimento e software), altamente subsidiadas por governos domésticos (armamentos e agronegócio), ou ambos (biotecnologia, eletrônica, farmacêuticos).
The global corporate economy, and the “intellectual property” regime at the heart of it, are almost as dependent as was the Soviet nomenklatura’s system of power on totalitarian information controls. “Digital Rights Management,” anti-circumvention laws, website seizures without due process, ubiquitous surveillance, etc., constitute a level of police statism equivalent to that of the Drug War. It’s no coincidence that offenders against this information control regime, like the old Samizdat publishers, are known by the state as “pirates.”
A economia corporativa global, e o regime de  “propriedade intelectual” em seu cerne, são quase tão totalmente dependentes de controles totalitários da informação quanto o era o sistema de poder da nomenklatura soviética. “Gestão de Direitos Digitais,” leis contra o aproveitamento de brechas tecnológicas, confiscos de sites sem o devido processo legal, controle/escuta/fiscalização onipresente etc. constituem um nível de estatismo policial equivalente ao da Guerra às Drogas. Não é coincidência os ofensores desse regime de controle da informação, de modo semelhante aos antigos publicadores que praticavam samizdat, serem conhecidos pelo estado como “piratas.”
Then there’s the highly profitable category of extractive industries. You don’t even want to think about the massive evictions and population clearances, state preemption of vacant land, and slave labor that’s gone into colonial mining operations around the world.
E há em seguida a altamente lucrativa categoria das indústrias extrativas. Não dá nem vontade de pensar nos despejos maciços e na mudanças forçadas de residência de populações, na preempção, pelo estado, de terra desocupada, e do trabalho escravo tendo lugar em operações coloniais de mineração em todo o mundo.
In agriculture, you’ve got Washington and World Bank technocrats colluding with local governments and landed oligarchies to enclose formerly peasant-occupied and -cultivated land for cash crop production, using GM seeds with terminator genes from Monsanto and working on contract for Cargill and ADM to raise feed for McCattle — while the peasants formerly feeding themselves on their own land are either driven to working as agricultural day-laborers or starve in the gutters and shantytowns of Nairobi and Calcutta.
Em agricultura, tem-se os tecnocratas de Washington e do Banco Mundial em conluio com governos locais e oligarquias fundiárias para enclausurar terra antes ocupada por camponeses, e por eles cultivada, tornando-a produtora de culturas comerciais, usando sementes da Monsanto geneticamente modificadas com genes esterilizadores inseridos, e trabalho mediante contrato com a Cargill e a ADM para produzir alimentos para animais para a McCattle — enquanto os camponeses que alimentavam-se a si próprios mediante cultivo da própria terra são ou empurrados para trabalhar como trabalhadores agrícolas diaristas ou morrem de inanição nas sarjetas e favelas de Nairóbi e Calcutá.
When supposed political adversaries share common vocabularies and conceptual frameworks, you know something’s up. The implication is that “both sides” in our mainstream political narrative, far from being either mutually exclusive or mutually exhaustive, span the ideological spectrum from L-O and share probably 80% of their assumptions in common. That’s because the “two sides” in the American political system are really two wings of the same establishment — the “right” and “left” boundaries of what’s acceptable to our corporate-state ruling elite. Maybe it’s time to look at the man behind the curtain.
Quando pretensos adversários políticos compartem vocabulários e arcabouços conceptuais comuns, a gente percebe que há algo errado. A implicação é que “ambos os lados” de nossa narrativa política majoritária, longe de serem mutuamente exclusivos ou mutuamente exaustivos, cobrem o espectro ideológico L-O(*) e compartem provavelmente 80% de suas assunções em comum. Isso porque os “dois lados” do sistema político estadunidense são realmente duas asas do mesmo establishment — os limites de “direita” e “esquerda” do que é aceitável para a elite dirigente de nosso estado capitalista. Talvez seja hora de olhar para o homem atrás da cortina(**).

(*) Ver a explicação de Thomas Knapp nos comentários, abaixo do texto original: ‘Minha assunção é a de que, se o espectro ideológico cobre de A a Z, essa parte dele cobre de L a O.’

(**) Ver http://aneweric.com/index.php/pay-no-attention-to-that-man-behind-the-curtain?blog=1 Essa cena de O Mágico de Oz é curiosa porque o homem atrás da cortina, como vocês sabem, é o homem que opera a máquina de efeitos especiais que cria o Grande e Poderoso Oz. Na realidade, o Grande e Poderoso Mágico de Oz é meramente um homem atrás de uma cortina. Desmascarado, ele diz a Dorothy e aos amigos dela para ‘ignorarem o homem atrás da cortina’, pois atentar para o homem atrás da cortina é ficar sabendo que o pretensamente poderoso mágico é apenas um homem comum.  
Citations to this article:
Citações deste artigo:
- Kevin Carson, Free Trade? Free Your Mind!, Dimapur, India Morung Express, 05/05/12
- Kevin Carson, Free Trade? Free Your Mind!, Dimapur, India Morung Express, 05/05/2012
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é integrante sênior do Centro por uma Sociedade sem Estado  (c4ss.org) e titular da Cadeira Karl Hess do Centro.  É anarquista mutualista e individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária , e A Revolução Industrial Gestada em Casa:  Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade  e diversos periódicos e blogs na internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


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