Tuesday, May 1, 2012

Americas South and North - Who's 'Left' in Latin America?

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Um Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
Who’s “Left” in Latin America?
Quem é de “Esquerda” na América Latina?
April 23, 2012
23 de abril de 2012
Over at the Washington Post, Juan Forero has an article up declaring the “Radical Left at crossroads in Latin America.” It’s not a particularly innovative or informative article, using Argentina’s move to nationalize oil production as a platform say that the left has centralized power but is now falling apart. Naturally, in an article dealing with the “left” in the entire region, it  and relies on a definition of “populism” that has become de rigueur but that effectively perpetuates anachronistic Cold War understandings of the region in which you’re either with the US, or you’re an existential threat to some obscure definition of democracy. Indeed, substitute “populism” for “communism,” and you pretty much get Cold War rhetoric on the region as one homogeneous unit: it’s decreasingly democratic; there’s limited freedom of expression; it’s economies are doomed. All of these characterizations gloss over major differences between countries’ international, economic policies, ignores regional competition and diplomacy, simplifies complex domestic processes, and disregards any cultural, social, or demographic variations that might prompt different responses from governments (“leftist” or otherwise) from one country to the next. Greg Weeks calls it ”simplistic,” and that’s probably being charitable.
No Washington Post Juan Forero escreve artigo declarando  “Esquerda Radical em encruzilhada na América Latina.” Não é artigo particularmente inovador ou informativo, usando a medida da Argentina de nacionalização da produção de petróleo como plataforma para dizer que a esquerda tem poder centralizado mas está agora caindo aos pedaços. Naturalmente, um artigo que lida com a “esquerda” na região inteira alicerça-se numa definição de “populismo” que se tornou de rigueur mas que, na prática, perpetua entendimentos anacrônicos acerca da região, do tempo da Guerra Fria, segundo os quais ou você está do lado dos Estados Unidos ou você é uma ameaça existencial a alguma obscura definição de democracia. Na verdade, substitua “comunismo” por “populismo,” e obterá retórica bastante típica da Guerra Fria na qual a região é vista como unidade homogênea: torna-se cada vez menos democrática; há limitada liberdade de expressão; suas economias estão condenadas. Todas essas caracterizações negligenciam diferenças importantes entre as políticas econômicas e internacionais dos países, ignoram a competição e a diplomacia regional, simplificam complexos processos domésticos, e passam por alto quaisquer variações culturais, sociais ou demográficas que possam desencadear reações diferentes dos governos (“esquerdistas” ou não) de um país para outro. Greg Weeks chama-as de  ”simplistas,” e provavelmente está sendo brando.
One of the biggest problems here is that, simply put, I don’t buy characterizations of people like Correa, Chávez, or Morales as “radical left,” for many reasons. First, a truly “radical” left, would seek truly revolutionary action that overthrew social, political, and economic structures suddenly and violently, both in terms of acts of violence and as a more abstract sudden and intense transformation. And that simply doesn’t apply to the “leftism” of Chávez, Correa, and Morales. Yes, they are trying to transform their societies in significant ways, and yes, they have the state institutions of violence (militaries, police forces, etc.) at their disposal (even if those forces aren’t always willing to work with them). But there is no real concerted effort at revolutionary struggle through armed violence; the Venezuelan elites or Ecuadoran journalists can complain that they are persecuted and limited in their freedoms, but any reasoned analysis of the situation on the ground makes clear that Chávez, Correa, Morales, or any other “radical left” leader is not the head of armed guerrilla movements or state officials who are just mowing down their revolutionary “enemies” in the way that, say, Che Guevara himself admitted to doing in the wake of the Cuban Revolution.
Um dos maiores problemas, no caso, é, dito de maneira simples, não compro caracterizações de pessoas como Correa, Chávez ou  Morales como sendo de “esquerda radical,” por muitos motivos. Primeiro, uma esquerda verdadeiramente “radical” procuraria ação revolucionária verdadeira que derrubasse estruturas sociais, políticas e econômicas súbita e violentamente, tanto em termos de atos de violência quanto de uma mais abstrata súbita e intensa transformação.  E isso simplesmente não se aplica ao “esquerdismo” de Chávez, Correa e Morales. Sim, eles estão tentando transformar suas sociedades de maneiras significativas e sim, eles têm as instituições estatais de violência (militares, polícia etc.) à sua disposição (mesmo quando essas forças nem sempre estejam dispostas a trabalhar junto com eles). Não há, porém, real esforço concertado de luta revolucionária por meio de violência armada; as elites venezuelanas ou os jornalistas equatorianos podem reclamar acerca de serem perseguidos e limitados em suas formas de liberdade, mas qualquer análise racional da situação concreta deixa claro que Chávez, Correa, Morales ou qualquer outro líder da “esquerda radical” não é o cabeça de movimentos guerrilheiros armados ou autoridade do estado simplesmente avançando em direção a seus “inimigos” revolucionários da maneira que, digamos, Che Guevara ele próprio admitiu estar fazendo na esteira da revolução cubana.
Additionally, the personalist politics of Chávez most obviously (and Morales and Correa to a lesser extent) aren’t exactly a feature only of leftist ideologies. One can certainly argue (rightly, I think) that power has become centralized to a degree uncharacteristic in the rest of the region, but I’m just not convinced that this is somehow automatically more “leftist” than governments in Argentina, Brazil, or elsewhere that have tried to effect very real social and economic transformations even while not relying on the degree of personalist authority present in a figure like Chavez.
Ademais, as políticas personalistas de Chávez muito obviamente (e Morales e Correa em menor medida) não são exatamente características de ideologias de esquerda. Certamente alguém poderá argumentar (corretamente, acho eu) que o poder tornou-se centralizado em grau não característico no restante da região, mas não estou convencido de que isso seja de algum modo automaticamente mais “esquerdista” do que governos de Argentina, Brasil ou outros lugares que tentaram efetuar transformações sociais e econômicas muito reais mesmo quando não recorrendo ao grau de autoridade personalista presente numa figura como Chávez.
This question of personalism and what might happen after the supposed “radical left” is out of office in Latin America led  Boz to express concern that
Essa questão do personalismo e do que poderia acontecer depois de a suposta “esquerda radical” deixar o poder na América Latina levou Boz a expressar preocupação com que
To the extent you can talk about these leaders as a unified group (and there are plenty of reasons that they are different in spite of the nationalization discussion), one common factor is that after years in power, all of these allegedly leftist leaders appear to be more focused on their own personal power than improving their countries or advancing a specific agenda. It’s notable that not a single leader from this recent movement has groomed a successor who wasn’t a family relation.
Na medida em que você possa falar acerca desses líderes como grupo unificado (e há bastantes motivos pelos quais eles são diferentes, a despeito da discussão de nacionalização), um fator comum é que, depois de anos no poder, todos esses líderes alegadamente esquerdistas parecem mais concentrados em seu próprio poder pessoal do que em melhorar seus países ou fazer avançar alguma agenda específica. É notável nem um só desses líderes desse movimento recente ter preparado sucessor que não fosse  membro da família.
However, I would ask in reply (and sincerely): where does Lula and Brazil fit? Yes, current President Dilma Rousseff was Lula’s chief of staff and his choice as the PT’s candidate, but the Lula-Dilma succession (and the case of Brazil more generally) would seem to be a major hole in this trend. Certainly, by many metrics, Lula and Dilma are not nearly as “leftist” as Morales, Correa, or Chávez, but I think one can pretty easily argue that they are certainly and significantly left of center in many regards, especially in terms of social and cultural policies. This is doubly true if we rely on the US’s metric of what constitutes “left” in Latin America, given that media outlets regularly refer to what today is one of Brazil’s most conservative parties, the Partido Social Democrático Brasileiro (PSDB) as “center-left.” If the PSDB is “center-left,” then the PT would certainly be “left.”
Entretanto, eu perguntaria, em resposta (e sinceramente): onde se encaixam Lula e o Brasil? Sim, a atual presidente Dilma Rousseff foi chefe de gabinete de Lula e escolha dele como candidata do PT, mas a sucessão Lula-Dilma (e o caso do Brasil, de maneira mais geral) pareceria uma lacuna importante nessa tendência. Certamente, por muitos critérios, Lula e Dilma não são nem de longe tão “esquerdistas” quanto Morales, Correa ou Chávez, mas acredito que se possa bastante facilmente argumentar serem eles certa e significativamente de esquerda ou centro sob diversos aspectos, especialmente em termos de políticas sociais e culturais. Isso será duplamente verdade se recorrermos ao critério dos Estados Unidos acerca do que constitui a “esquerda” na América Latina, dado que veículos de mídia sistematicamente se referem àquele que é hoje um dos mais conservadores partidos do Brasil, o Partido Social Democrático Brasileiro (PSDB) como de “centro-esquerda.” Se o PSDB é de “centro-esquerda,”então o PT certamente será de “esquerda.”
And if we’re not going to count the PT, or Lugo in Paraguay, or Mujica in Uruguay, or the Concertación in Chile (which was in power until 2010), why not? Again, I mean all of this sincerely, and it points towards the challenges scholars have in understanding and discussing the “left” in Latin America generally.
E se não formos levar em conta o PT, ou Lugo no Paraguai, ou Mujica no Uruguai, ou a Concertación no Chile (que esteve no poder até 2010), por que não? Repetindo, digo tudo isso sinceramente, e isso aponta para os desafios que os eruditos têm em entender e discutir a “esquerda” de maneira generalizada na América Latina.
And these questions aren’t just germane to understanding the “left” in Latin America; they also matter in terms of defining and analyzing the “center” and “right” as well. I fully agree with Boz  that there is a real ideological uncertainty (if not emptiness) in both the Latin American lefts and rights. And the questions do not have any simple or definitive answers (though I hope to post on some possible ways to think about answers/definitions later this week). But one thing the Washington Post article does remind us is that many mainstream reports on politics and political leaders in Latin America continue to rely on simplistic and outdated narratives that only conceal the complexities at play in politics throughout the region.
E essas perguntas não são relevantes apenas para compreeder-se a “esquerda” na América Latina; são pertinentes também em termos de definir e analisar também “centro” e “direita.” Concordo inteiramente com Boz quanto a existir real incerteza ideológica (se não vacuidade) tanto nas esquerdas quanto nas direitas latino-americanas. E as perguntas não têm quaisquer respostas simples ou definitivas (embora eu espere afixar alguns modos possíveis de pensar acerca de perguntas/definições mais tarde esta semana). Uma coisa, porém, da qual o artigo do Washington Post nos faz lembrar é que muitos relatos de grande mídia acerca de política e líderes políticos da América Latina continuam a recorrer a narrativas simplistas e superadas que só ocultam as complexidades em jogo na política em toda a região.

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