Monday, April 9, 2012

The Anti-Empire Report - Putting Syria in some perspective

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The Anti-Empire Report
O Relatório Anti-Império
April 6, 2012
6 de abril de 2012
by William Blum
por William Blum
Putting Syria in some perspective
Para pôr a Síria em alguma perspectiva
The Holy Triumvirate — The United States, NATO, and the European Union — or an approved segment thereof, can usually get what they want. They wanted Saddam Hussein out, and soon he was swinging from a rope. They wanted the Taliban ousted from power, and, using overwhelming force, that was achieved rather quickly. They wanted Moammar Gaddafi's rule to come to an end, and before very long he suffered a horrible death. Jean-Bertrand Aristide was democratically elected, but this black man who didn't know his place was sent into distant exile by the United States and France in 2004. Iraq and Libya were the two most modern, educated and secular states in the Middle East; now all four of these countries could qualify as failed states.
O Santo Triunvirato — Estados Unidos, OTAN e União Europeia — ou um segmento aprovado dele usualmente consegue o que quer. Quis a derrubada de Saddam Hussein, e logo este estava balançando na ponta de uma corda. Quis o Talibã alijado do poder e, usando força esmagadora, isso foi conseguido muito rapidamente. Quis que o governo de Moammar Gaddafi tivesse fim e não demorou para que ele tivesse morte horrível. Jean-Bertrand Aristide foi eleito democraticamente, mas esse homem preto que não conhecia seu lugar foi mandado para exílio distante por Estados Unidos e França em 2004. Iraque e Líbia eram os estados mais modernos, instruídos e seculares do Oriente Médio; agora todos esses quatro países podem qualificar-se como estados fracassados.
These are some of the examples from the past decade of how the Holy Triumvirate recognizes no higher power and believes, literally, that they can do whatever they want in the world, to whomever they want, for as long as they want, and call it whatever they want, like "humanitarian intervention". The 19th- and 20th-century colonialist-imperialist mentality is alive and well in the West.
Esses são alguns dos exemplos da década passada de como o Santo Triunvirato não reconhece poderio mais alto e acredita, literalmente, que pode fazer o que desejar no mundo, a quem quiser, e dar a isso o nome que desejar, tal como "intervenção humanitária". A mentalidade colonialista-imperialisa dos séculos 19 e 20 está viva e muito bem obrigado no Ocidente.
Next on their agenda: the removal of Bashar al-Assad of Syria. As with Gaddafi, the ground is being laid with continual news reports — from CNN to al Jazeera — of Assad's alleged barbarity, presented as both uncompromising and unprovoked. After months of this media onslaught who can doubt that what's happening in Syria is yet another of those cherished Arab Spring "popular uprisings" against a "brutal dictator" who must be overthrown? And that the Assad government is overwhelmingly the cause of the violence.
O próximo da agenda: remoção de Bashar al-Assad da Síria. Como ocorreu com Gaddafi, o terreno está sendo pavimentado com contínuos relatos noticiosos — da CNN à al Jazeera — acerca da alegada barbaridade de Assad, apresentada como tanto intransigente quanto não provocada. Depois de meses de ataque impiedoso da mídia quem poderá duvidar de que o que está acontecendo na Síria é mais outro daqueles queridos "levantes populares" da Primavera Árabe contra um "brutal ditador" que precisa ser deposto? E de que o governo Assad é indubitavelmente a causa da violência.
Assad actually appears to have a large measure of popularity, not only in Syria, but elsewhere in the Middle East. This includes not just fellow Alawites, but Syria's two million Christians and no small number of Sunnis. Gaddafi had at least as much support in Libya and elsewhere in Africa. The difference between the two cases, at least so far, is that the Holy Triumvirate bombed and machine-gunned Libya daily for seven months, unceasingly, crushing the pro-government forces, as well as Gaddafi himself, and effecting the Triumvirate's treasured "regime change". Now, rampant chaos, anarchy, looting and shooting, revenge murders, tribal war, militia war, religious war, civil war, the most awful racism against the black population, loss of their cherished welfare state, and possible dismemberment of the country into several mini-states are the new daily life for the Libyan people. The capital city of Tripoli is "wallowing in four months of uncollected garbage" because the landfill is controlled by a faction that doesn't want the trash of another faction.1 Just imagine what has happened to the country's infrastructure. This may be what Syria has to look forward to if the Triumvirate gets its way, although the Masters of the Universe undoubtedly believe that the people of Libya should be grateful to them for their "liberation".
Assad na verdade parece gozar de grande medida de popularidade, não apenas na Síria, mas em outras partes do Oriente Médio. Incluindo não apenas irmãos de fé alawitas, mas também os dois milhões de cristãos da Síria e não pequeno número de sunitas. Gaddafi tinha pelo menos apoio igual na Líbia e em outras partes da África. A diferença entre os dois casos, pelo menos até agora, é que o Santo Triunvirato bombardeou e metralhou a Líbia diariamente durante sete meses, sem cessar, esmagando as forças favoráveis ao governo, bem como o próprio Gaddafi, e efetuando a "mudança de regime" tão apreciada pelo Triunvirato. Agora, desabridos caos, anarquia, pilhagem e tiroteios, assassínios por vingança, guerra tribal, guerra de milícias, guerra religiosa e guerra civil, o mais pavoroso racismo contra a população preta, perda de seu querido estado do bem-estar social, e possível desmembramento do país em diversos miniestados são a nova vida diária para o povo líbio. A capital, Trípoli, "chafurda em quatro meses de lixo não recolhido" porque o aterro sanitário é controlado por uma facção que não deseja o lixo de outra facção.1 Façam ideia do que aconteceu com a infraestrutura do país. Esse tipo de coisa é o que a Síria tem a esperar se o Triunvirato conseguir o que deseja, embora os Senhores do Universo indubitavelmente acreditem que o povo da Líbia deveria estar agradecido a eles por sua "libertação".
As to the current violence in Syria, we must consider the numerous reports of forces providing military support to the Syrian rebels — the UK, France, the US, Turkey, Israel, Qatar, the Gulf states, and everyone's favorite champion of freedom and democracy, Saudi Arabia; with Syria claiming to have captured some 14 French soldiers; plus individual jihadists and mercenaries from Lebanon, Jordan, Iraq, Libya, et al, joining the anti-government forces, their number including al-Qaeda veterans of Iraq and Afghanistan who are likely behind the car bombs in an attempt to create chaos and destabilize the country. This may mark the third time the United States has been on the same side as al-Qaeda, adding to Afghanistan and Libya.
No tocante à atual violência na Síria, temos de considerar as numerosas notícias acerca de forças de apoio militar aos rebeldes sírios — o Reino Unido, França, Estados Unidos, Turquia, Israel, Catar, os estados do Golfo e o paladino da liberdade e da democracia de todo mundo, a Arábia Saudita; a Síria, asseverando ter capturado 14 soldados franceses; mais jihadistas individuais e mercenários de Líbano, Jordânia, Iraque, Líbia et al, juntando-se às forças contrárias ao governo, incluindo seu número veteranos da al-Qaeda do Iraque e do Afeganistão que provavelmente estão por trás dos carros-bombas numa tentativa de criar caos e desestabilizar o país. Poderá ser a terceira vez que os Estados Unidos ficam do mesmo lado que a al-Qaeda, somando-se a Afeganistão e Líbia.
Stratfor, the private and conservative American intelligence firm with high-level connections, reported that "most of the opposition's more serious claims have turned out to be grossly exaggerated or simply untrue." Opposition groups including the Syrian National Council, the Free Syrian Army and the London-based Syrian Observatory for Human Rights began disseminating "claims that regime forces besieged Homs and imposed a 72-hour deadline for Syrian defectors to surrender themselves and their weapons or face a potential massacre." That news made international headlines. Stratfor's investigation, however, found "no signs of a massacre," and declared that "opposition forces have an interest in portraying an impending massacre, hoping to mimic the conditions that propelled a foreign military intervention in Libya." Stratfor added that any suggestions of massacres are unlikely because the Syrian "regime has calibrated its crackdowns to avoid just such a scenario. Regime forces have been careful to avoid the high casualty numbers that could lead to an intervention based on humanitarian grounds."2
Stratfor, a privada e conservadora firma de inteligência estadunidense com conexões de alto nível, informou que "veio-se a saber que a maior parte das alegações mais sérias da oposição são muito exageradas ou simplesmente inverídicas." Grupos de oposição, incluindo o Conselho Nacional Sírio, o Exército Síria Livre e o Observatório de Direitos Humanos Sírio sediado em Londres começaram a disseminar "afirmações de que forças do regime sitiaram Homs e impuseram prazo-limite de 72 horas para desertores sírios renderem-se e entregar armas ou enfrentar massacre em potencial." Essa notícia ganhou manchetes internacionais. A investigação da Stratfor, porém, não "descobriu indícios de massacre," e declarou que "forças de oposição têm interesse em retratar massacre iminente, esperando imitar as condições que propeliram intervenção militar estrangeira na Líbia." A Stratfor acrescentou que quaisquer sugestões de massacres são improváveis porque o "regime Sírio dosou sua repressão exatamente para impedir que se configure esse cenário. As forças do regime têm sido cuidadosas em evitar os altos números de baixas que pudessem levar a intervenção baseada em motivos humanitários."2
Reva Bhalla, Stratfor's Director of Analysis, reported in a December 2011 email on a meeting she attended at the Pentagon about Syria: "After a couple hours of talking, they said without saying that SOF [Special Operation Forces] teams (presumably from US, UK, France, Jordan, Turkey) are already on the ground focused on recce [reconnaissance] missions and training opposition forces." We know of Bhalla's comments thanks to the 5 million Stratfor emails obtained by the Internet hacker group Anonymous in December and passed on to Wikileaks.3
Reva Bhalla, Diretora de Análise da Stratfor, informou, num email de dezembro de 2011 acerca de uma reunião da qual participara no Pentágono a respeito da Síria: "Depois de poucas horas de conversa, eles disseram sem dizer que as equipes das SOF [Forças de Operações Especiais] (presumivelmente de Estados Unidos, Reino Unido, França, Jordânia e Turquia) já estão no local concentradas em missões de recce [reconhecimento] e treinamento de forças de oposição." Ficamos sabendo do comentário de Bhalla graças aos 5 milhões de emails da Stratfor obtidos pelo grupo hacker da internet Anonymous em dezembro e entregues ao Wikileaks.3
Human Rights Watch has reported that both Syrian government security forces and Syria's armed rebels have committed serious human rights abuses, including kidnapings, torture, and executions. But only the Holy Triumvirate can get away with the sanctions they love to impose. Assad's wife is now banned from traveling to EU countries and any assets she may have there are frozen. Same for Assad's mother, sister and sister-in-law, as well as eight of his government ministers. Assad himself received the same treatment last May.4 Because the Triumvirate can.
A Human Rights Watch relatou que tanto as forças de segurança do governo sírio quanto os rebeldes armados da Síria cometeram sérios abusos de direitos humanos, incluindo sequestros, tortura e execuções. Apenas, porém, o Santo Triunvirato consegue ficar impune das sanções que tanto gosta de impor aos outros. A mulher de Assad está agora proibida de viajar para países da União Europeia e quaisquer ativos que ela possa ter ali estão congelados. O mesmo para a mãe de Assad, para sua irmã e cunhada, bem como oito ministros de seu governo. O próprio Assad recebeu o mesmo tratamento em maio passado.4 Porque o Triunvirato pode.
On March 25, the US and Turkish governments announced that they were discussing sending non-lethal aid to the Syrian opposition, implying quite clearly that until then they had not been engaged in such activity.5 But according to a US embassy cable, revealed by Wikileaks, since at least 2006 the United States has been funding political opposition groups in Syria as well as the London-based satellite TV channel, Barada TV, run by Syrian exiles, that beams anti-government programming into the country. The cable further stated that Syrian authorities "would undoubtedly view any U.S. funds going to illegal political groups as tantamount to supporting regime change."
Em 25 de março os governantes dos Estados Unidos e da Turquia anunciaram estarem discutindo acerca do envio de ajuda não letal à oposição síria, implicando bastante claramente não terem estado, até então, envolvidos em tal atividade.5 De acordo, porém, com um telegrama da embaixada dos Estados Unidos, revelado pelo Wikileaks, até pelo menos 2006 os Estados Unidos haviam vindo financiando grupos de oposição política na Síria bem como o canal de TV por satélite sediado em Londres, TV Barada, gerido por exilados sírios, que transmite programação antigovernamental para dentro do país. O telegrama disse ainda que as autoridades sírias "indubitavelmene veriam quaisquer fundos dos Estados Unidos canalizados para grupos políticos ilegais como equivalente a apoio a mudança de regime."
Regime change in Syria has been on the neo-conservative wish list since at least 2002 when John Bolton, Undersecretary of State under George W. Bush, came up with a project to simultaneously break up Libya and Syria. He called the two states along with Cuba "The Axis Of Evil". On a FOX News appearance in 2011 Bolton said that the United States should have overthrown the Syrian government right after they overthrew Saddam Hussein. Amongst Syria's crimes have been their close relations with Iran, Hezbollah (in Lebanon), the Palestinian resistance, and Russia, and their failure to conclude a peace treaty with Israel, unlike Jordan and Egypt; all this constituting evidence to the Holy Triumvirate of Syria, like Aristide, being "uppity".
Mudança de regime na Síria vem constituindo a lista de desejos dos neoconservadores desde pelo menos 2002 quando John Bolton, Subsecretário de Estado no governo George W. Bush, elaborou um projeto para fragmentar tanto a Líbia quanto a Síria. Ele chamava os dois estados, juntamente com Cuba, de "O Eixo do Mal". Aparecendo no Noticiário FOX em 2011, Bolton disse que os Estados Unidos deveriam ter derrubado o governo sírio logo depois de terem derrubado Saddam Hussein. Entre os crimes cometidos pela Síria contavam-se suas estreitas relações com o Irã, com o Hezbollah (no Libano), com a resistência palestina, e com a Rússia, e o fracasso do país em concluir tratado de paz com Israel, à diferença de Jordânia e Egito; constituindo tudo isso evidência, para o Santo Triunvirato, de a Síria, do mesmo modo que Aristide, ser "soberba".
The clinical megalomania of the Holy Triumvirate can scarcely be exaggerated. And never prosecuted.
Dificilmente poder-se-á exagerar o grau da megalomania clínica do Santo Triunvirato. E nunca poder-se-á mover processo contra ela.
A closing word from Cui Tiankai, Chinese vice foreign minister for United States affairs:
Uma palavra de encerramento dita por Cui Tiankai, vice-ministro chinês do exterior para assuntos de Estados Unidos:
The US has the strongest military in the world and spends more than any other country. But the US always feels unsafe or insecure about other countries. ... I suggest the United States spend more time thinking about how to make other countries feel less worried about the United States.6
Os Estados Unidos têm a mais forte instituição militar do mundo e gastam mais do que qualquer outro país. Os Estados Unidos, porém, sempre se sentem desprotegidos ou inseguros diante dos outros países. ... Sugiro que os Estados Unidos gastem mais tempo pensando em como fazerem os outros países sentirem-se menos preocupados com os Estados Unidos.6
Notes
Notas
1. Washington Post, April 1, 2012
1. Washington Post, 1o. de abril de 2012
2. Huffington Post, December 19, 2011
2. Huffington Post, 19 de dezembro de 2011
4. Washington Post, March 24, 2012
4. Washington Post, 24 de março de 2012
5. Ibid., March 26, 2012
5. Ibid., 26 de março de 2012
6. Ibid., January 10, 2012
6. Ibid., 10 de janeiro de 2012
http://www.foreignpolicyjournal.com/writers/
William Blum left the State Department in 1967, abandoning his aspiration of becoming a Foreign Service Officer, because of his opposition to what the United States was doing in Vietnam. He then became one of the founders and editors of the Washington Free Press Mr.  Blum has been a freelance journalist in the United States, Europe, and South America and was one of the recipients   of Project Censored’s awards for “exemplary journalism” in 1999. He is the author of numerous books, including:
Freeing the World to Death: essays on the American EmpireKilling Hope: U.S. Military and C.I.A. Interventions Since World War II, and Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower. Mr. Blum writes a free monthly newsletter, the Anti-Empire Report, which you may subscribe to by contacting him at via e-mail. Visit his website at: www.killinghope.org. Contact him at: bblum@aol.com. Read articles by William Blum.
http://www.foreignpolicyjournal.com/writers/
William Blum deixou o Departamento de Estado em 1967, abandonando sua aspiração   de tornar-se Autoridade de Serviço Exterior por causa de sua oposição ao que os Estados Unidos estavam fazendo no Vietnã. Tornou-se então um dos fundadores e editores do Imprensa Livre de Washington. O Sr. Blum atuado como jornalista autônomo em Estados Unidos, Europa e América do Sul e foi um dos recebedores dos prêmios de Projetos Censurados de “jornalismo exemplar” em 1999. É autor de numerosos livros, incluindo: A Libertação do Mundo para a Morte: ensaios acerca do Império EstadunidenseAssassínio da Esperança: Intervenções da Instituição Militar dos Estados Unidos e da C.I.A. desde a Segunda Guerra Mundial, e Estado Sem Escrúpulos: Guia Referente à Única Superpotência do Mundo. O Sr. Blum escreve um boletim mensal grátis, o Relatório Anti-Império, que você pode subscrever entrando em contato com ele via email. Visite o website dele em: www.killinghope.org. Entre em contato com ele via: bblum@aol.com. Leia artigos de William Blum
William Blum is the author of:
William Blum é autor de:
- Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War 2
- A Morte da Esperança: A Instituição Militar dos Estados Unidos e as Intervenções da CIA Desde a Segunda Guerra Mundial
- Rogue State: A Guide to the World's Only Superpower
- Estado Sem Escrúpulos: Guia Para a Única Superpotência do Mundo
- West-Bloc Dissident: A Cold War Memoir
- Dissidente do Bloco Ocidental: Uma Memória da Guerra Fria
Freeing the World to Death: Essays on the American Empire
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