Friday, April 27, 2012

Americas South and North - On Argentinian Nationalization of Oil Production

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Americas South and North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic.
Um Olhar Voltado para História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico.
On Argentinian Nationalization of Oil Production
Da Nacionalização Argentina da Produção de Petróleo
April 20, 2012
20 de abril de 2012
Earlier this week, Argentina made headlines the world over after President Cristina Kirchner nationalized the oil company YPF, an Argentine company controlled by the Spanish company Repsol. The move caused significant ripples throughout the international business world. The European Union lambasted Argentina for the move, which could damage the traditional “special ties” between Spain and Argentina. Spain has already begun to mobilize international support in opposition to Argentina’s move even while Spanish companies reconsider investment in Argentina as a means to spur growth and help the Spanish economy stabilize. Even Mexico and Brazil, who nationalized their oil industries in the 1930s and the 1950s, respectively, have become critical of the move (although Venezuela was quick to condemn British and Spanish criticisms of the move, even while Bolivia remained circumspect and  Colombia tried to use the situation to its own advantage). Mexican President Felipe Calderon criticized Argentina’s efforts, while some media figures in Brazil are critical of the move even while government officials spoke about respecting Argentina’s sovereignty. (And as I mentioned here, Míriam Leitão is far from an impartial or reasonable analyst on the issue of nationalized vs. privatized companies, given her frequent role as a standard-bearer for neoliberal policies.)
Mais cedo esta semana a Argentina ganhou manchetes pelo mundo depois de a Presidente Cristina Kirchner nacionalizar a empresa de petróleo YPF, companhia argentina controlada pela firma espanhola Repsol. A decisão causou significativas reverberações no mundo de negócios internacional. A União Europeia criticou a Argentina pela medida, que poderia causar danos aos tradicionais “laços especiais” entre Espanha e Argentina. A Espanha já começou a mobilizar apoio internacional em oposição à medida da Argentina ao mesmo tempo em que empresas espanholas reconsideram investimentos na Argentina como meio de fomentar crescimento e ajudar a economia espanhola a estabilizar-se. Até México e Brasil, que nacionalizaram suas indústrias de petróleo nos anos 1930 e 1950, respectivamente, criticaram a medida (embora a Venezuela tenha sido rápida em condenar as críticas britânicas e espanholas a respeito da medida, enquanto a Bolívia permaneceu circunspecta e a  Colômbia tentou usar a situação para vantagem própria). O Presidente mexicano Felipe Calderon criticou os esforços da Argentina, enquanto algumas figuras da mídia do Brasil criticam a medida apesar de autoridades do governo falarem em respeitar a soberania da Argentina. (E como mencionei aqui, Míriam Leitão está longe de ser analista imparcial ou razoável da questão de empresas nacionalizadas versus privatizadas, dado o frequente papel dela como porta-bandeira das políticas neoliberais.)
However, not all are critical of the move, and Mark Weisbrot provides some reason in an echo chamber of indignity in the international community.
Entretanto, nem todo mundo critica a medida, e  Mark Weisbrot aporta alguma sanidade numa câmara de eco de indignidade generalizada da comunidade internacional.
The Argentinian government’s decision to renationalise the oil and gas company YPF has been greeted with howls of outrage, threats, forecasts of rage and ruin, and a rude bit of name-calling in the international press. We have heard all this before.
A decisão de renacionalizar a companhia de petróleo e gás YPF, pelo governo argentino, foi recebida com uivos de indignação, ameaças, previsões de devastação e ruína, e rude parcela de uso de nomes na imprensa internacional. Todos já ouvimos esse tipo de coisa antes.
When the government defaulted on its debt at the end of 2001 and then devalued its currency a few weeks later, it was all doom-mongering in the media. The devaluation would cause inflation to spin out of control, the country would face balance of payments crises from not being able to borrow, the economy would spiral downward into deeper recession. Then, between 2002 and 2011, Argentina’s real GDP grew by about 90%, the fastest in the hemisphere. Employment is now at record levels, and both poverty and extreme poverty have been reduced by two-thirds. Social spending, adjusted for inflation, has nearly tripled. All this is probably why Cristina Kirchner was re-elected last October in a landslide victory.
Quando o governo deu calote na dívida no final de 2001 e depois desvalorizou a moeda poucas semanas depois, só houve, na mídia, previsão de desgraça. A desvalorização levaria a inflação a disparar fora de controle, o país enfrentaria crises de balanço de pagamentos por não ter condições de contrair empréstimos, a economia mergulharia em espiral descendente entrando em recessão ainda mais profunda. Então, entre 2002 e 2011, o PIB real da Argentina cresceu em cerca de 90%, o mais rápido do hemisfério. O emprego hoje atinge níveis recordes, e tanto a pobreza quanto a extrema pobreza foram reduzidas em dois terços. Os gastos sociais, ajustados pela inflação, praticamente triplicaram. Por causa de tudo isso é que provavelmente Cristina Kirchner foi reeleita em outubro último com vitória esmagadora.
Of course this success story is rarely told, mostly because it involved reversing many of the failed neoliberal policies – that were backed by Washington and its International Monetary Fund – that brought the country to ruin in its worst recession of 1998-2002. Now the government is reversing another failed neoliberal policy of the 1990s: the privatisation of its oil and gas industry, which should never have happened in the first place.
Claro que essa história de sucesso é raramente contada, especialmente pelo fato de ela ter envolvido a reversão de muitas das fracassadas políticas neoliberais – que eram apoiadas por Washington e seu Fundo Monetário Internacional – que levaram o país a sua pior recessão de 1998-2002. Agora o governo está revertendo outra política neoliberal fracassada dos anos 1990: a privatização de sua indústria de petróleo e gás, que para começo de conversa nunca deveria ter sido implementada.
Weisbrot goes on to point out that YPF’s failure to provide supply to meet the demand of the growing country is a very real problem both for daily lived experiences of Argentines and for broader macroeconomic issues facing Argentina. In many ways, then, the nationalization was the right thing for Argentina’s domestic economy, providing a more equal balance of trade.
Weisbrot continua, destacando que o fracasso da YPF de garantir suprimento capaz de atender à demanda do país em crescimento é problema muito real tanto para as experiências vividas diariamente pelos argentinos quanto para questões macroeconômicas mais amplas que a  Argentina enfrenta. De vários modos, pois, a nacionalização foi a coisa certa para a economia doméstica da Argentina, proporcionando um balanço comercial mais igualitário.
And it’s not like Kirchner nationalized a company that had a rich history of private investment. YPF had been a national industry in Argentina until the 1990s, when ex-president Carlos Menem (like his Brazilian counterpart, Fernando Henrique Cardoso) went on a privatization binge, selling state properties, utilities, and resources left and right with a neoliberal zeal that characterized much of Latin America in the 1990s. While leaders like Menem, Cardoso, Peru’s Alberto Fujimori, and others thought neoliberalism would be the economic savior of the region, it had become clear by the end of the decade that the policies not only failed to improve Latin American economies or the region’s standing in the global community; they also exacerbated very real social problems and inequalities in the countries that implemented them. In this context, a series of center-left leaders like Lula, Nestor Kirchner (Cristina’s late husband), Evo Morales, and others ended up winning election in the 2000s based on public discontent with the neoliberal policies of the right in Latin America.  So in many ways, Argentina’s nationalization of YPF is simply returning to conditions that worked far more favorably for the Argentine economy up until the 1990s, abandoning what Weisbrot rightfully calls the “failed neoliberal policies” of the late-20th century.
E não se trata de Kirchner ter nacionalizado uma empresa com rica história de investimento privado. A YPF havia sido indústria nacional na Argentina até os anos 1990, quando o ex-presidente Carlos Menem (como sua contraparte brasileira Fernando Henrique Cardoso) entrou num paroxismo de privatizações, vendendo propriedades, empresas de serviços públicos e recursos do estado, à esquerda e à direita, com zelo neoliberal que caracterizou muito da América Latina nos anos 1990. Embora líderes como Menem, Cardoso, Alberto Fujimori do Peru e outros achassem que o neoliberalismo seria o salvador econômico da região, no final da década havia ficado claro que essas políticas não apenas haviam fracassado em melhorar as economias da América Latina ou a condição da região na comunidade global; elas também exacerbaram problemas e desigualdades sociais muito reais nos países que as implementaram. Nesse contexto, uma série de líderes de centro-esquerda como Lula, Nestor Kirchner (falecido marido de Cristina), Evo Morales e outros acabaram vencendo a eleição nos anos 2000 com base no descontentamento público com as políticas neoliberais da direita na América Latina. Assim, de vários modos, a nacionalização da YPF pela Argentina é simplesmente retorno a condições que haviam funcionado muito mais positivamente para a economia argentina até os anos 1990, com abandono do que Weisbrot corretamente chama de “políticas neoliberais fracassadas” do final do século 20.
Weisbrot wraps up by pointing out that
Weisbrot encerra destacando que
Argentina is catching up with its neighbours and the world, and reversing past mistakes in this area. As for their detractors, they are in a weak position to be throwing stones. The ratings agencies threatening to downgrade Argentina – should anyone take them seriously after they gave AAA ratings to worthless mortgage-backed junk during the housing bubble, and then pretended that the US government could actually default? And as for the threats from the European Union and the rightwing government of Spain – what have they done right lately, with Europe caught in its second recession in three years, nearly halfway through a lost decade, and with 24% unemployment in Spain?
A Argentina está tirando o atraso em relação a seus vizinhos e ao mundo, e revertendo equívocos do passado nessa área. No tocante a seus detratores, eles se encontram em posição débil para jogar pedras. As agências de classificação de risco que ameaçam rebaixar a Argentina – deveria alguém levá-las a sério depois de elas terem atribuído nível AAA a títulos podres baseados em hipotecas durante a bolha habitacional, e depois fingido que o governo dos Estados Unidos poderia efetivamente dar o calote? Quanto às ameaças da União Europeia e do governo direitista da Espanha – o que fizeram eles de certo nos últimos tempos, com a Europa apanhada em sua segunda recessão em três anos, cerca de metade do caminho de uma década perdida, e com o desemprego de 24% na Espanha?
I think this is exactly right. While European leaders can lash out against the growing importance and autonomy of Latin American nations with regards to resources, and while neoliberals can continue to decry the injustices of nationalizing industries, they do so as increasingly impotent and diminished authorities on the global economy in the 21st century. And it’s not like threats not to invest in Argentina are really powerful tools of coercion; many multinationals and European countries have avoided investment in Argentina in the decade since the 2001 economic collapse (brought about, of course, by aggressive neoliberal policies). And yet Argentina’s economy has done remarkably well. It’s not in Kirchner’s interest to kowtow to foreign private companies; it’s her job to make sure she implements policies that ensure her country’s economy has the best chance at long-term success. Nationalizing YPF is part of those policies, and those who speak out against it do so from an increasingly anachronistic and out-of-touch understanding of the global economy in the 21st century.
Penso ser isso exatamente correto. Embora os líderes europeus possam criticar a crescente importância e autonomia das nações da América Latina no tocante a recursos, e embora os neoliberais possam continuar a criticar as injustiças de nacionalizar as indústrias, eles o fazem como autoridades cada vez mais impotentes e apoucadas da economia global do século 21. E ameaças de não investir na Argentina não são instrumentos realmente poderosos de coerção; muitas multinacionais e países europeus evitaram investir na Argentina na década desde o colapso econômico de 2001 (causado, obviamente, por políticas neoliberais agressivas). E no entanto a economia argentina tem-se comportado notavelmente bem. Não é do interesse de Kirchner prosternar-se diante de companhias privadas estrangeiras; é dever dela assegurar a implementação de políticas que assegurem a economia de seu país ter a melhor probabilidade de sucesso no longo prazo. Nacionalizar a YPF é parte dessas políticas, e aqueles que falam contra isso o fazem a partir de entendimento cada vez mais anacrônico e alienado da economia global do século 21.

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