Friday, March 2, 2012

The Refuge Media Project - An End to Impunity in the Southern Cone?


The Refuge Media Project
Projeto Mídia de Refúgio
Caring for Survivals of Torture
Para Cuidar dos Sobreviventes da Tortura
A Forum Sponsored by The Refuge Media Project
Fórum Patrocinado pelo Projeto Mídia de Refúgio
Ending Impunity in Latin America
Medidas para Fim da Impunidade na América Latina
2011 OCTOBER 29
29 DE OUTUBRO DE 2011
by Ben Achtenberg
Por Ben Achtenberg
An End to Impunity
in the Southern Cone?
Fim da Impunidade no Cone Sul?
“A wave against impunity by dictatorships of decades is sweeping Latin America’s southern Cone.” That’s the lead sentence of Miami Herald article by Frances Robles and Kyle Younker, one of the few sources in the U.S. press to put together the pieces and recognize the potentially profound significance of recent decisions in Latin America.
“Uma onda contra a impunidade de ditaduras de décadas está varrendo o cone sul da América Latina.” Essa a sentença de início de parágrafo deum artigo do Arauto de Miami de Frances Robles e Kyle Younker, uma das poucas fontes, na imprensa dos Estados Unidos, a compor as peças e reconhecer a potencialmente profunda importância de recentes decisões na América Latina.
Twelve Argentine ex-military officers, including Alfredo Astizoften referred to as the “blond angel of death” (photo below), were sentenced to life in prison for “disappearing” thousand of citizens during the country’s “dirty war.”
Doze ex-oficiais militares argentinos, inclusiveAlfredo Astiz, amiúde chamado de “anjo louro da morte” (foto abaixo), foram sentenciados a prisão perpétua por “fazer desaparecer” milhares de cidadãos durante a “guerra suja” do país.
Uruguay’s Congress voted to cancel the amnesty law which, until now, has prevented prosecutions for crimes under its military dictatorship.
O Congresso do Uruguai votou no sentido de ser cancelada a lei de anistia que, até agora, impediu processos por crimes cometidos durante a ditadura militar.
Brazil’s Senate created a truth commission to look into the crimes of its military dictatorship of 1964-1985. A similar bill has already been approved by its lower house (although the country’s Supreme Court has so far ruled in favor of amnesty.)
O Senado do Brasil criou uma comissão da verdade para tentar obter informações acerca dos crimes da ditadura militar de 1964-1985. Projeto de lei semelhante já foi aprovado pela Câmara (embora o Supremo Tribunal do país tenha, até agora, decidido em favor da anistia.)
In each case, dictators and military leaders responsible for murder, torture and other crimes had demanded – and won – impunity from prosecution and punishment as the price of relinquishing power without further bloodshed. Many people may, at the time, have considered this a price worth paying in order to “move on” (to use our own President Obama’s phrase when declining to pursue prosecutions against members of the Bush administration.)
Em cada um desses casos, ditadores e líderes militares responsáveis por assassínio, tortura e outros crimes haviam exigido – e conseguido – impunidade em relação a processo e punição como preço para abrir mão do poder sem derramamento de sangue adicional. Muitas pessoas poderão, à época, ter considerado isso preço que valia a pena pagar para “ir em frente” (para usar a frase de nosso próprio Presidente Obama quando declinando de mover processos contra membros da administração Bush.)
The social consequences of this “culture of impunity,” however, have been tragic, particularly for victims and their families. We have read and been told many stories of people encountering their own torturers in the street, or the former police officers they saw take their teenaged children away, never to be seen again. Impunity has vastly complicated efforts to account for victims of the dictatorships, to recover bodies for burial, and in other ways to come to peace with the past. It has interfered with efforts to identify children who were stolen as babies and adopted by military families – something particularly associated with the Argentine “dirty war,” but that also occurred in Uruguay and elsewhere.
As consequências sociais dessa “cultura de impunidade,” porém, têm sido trágicas, particularmente para as vítimas e suas famíias. Lemos e nos foram contadas muitas histórias de pessoas encontrando seus próprios torturadores na rua, ou encontrando os ex-policiais que viram levar seus filhos adolescentes embora, para nunca mais ser vistos. A impunidade tem complicado vastamente esforços para serem dadas explicações a vítimas das ditaduras, para recuperar corpos para funeral, e em outras maneiras de ser feita paz com o passado. Tem interferido com esforços para identificar crianças roubadas enquanto bebês e adotadas por famílias de militares – algo particularmente associado à “guerra suja” argentina, mas também algo ocorrido no Uruguai e em outros lugares.
“It gives me happiness and peace to know that justice has been served,”said Pedro Sandoval, 33, who five years ago learned that he was the child of “disappeared” leftists. Captive pregnant mothers were sometimes kept alive only until they gave birth and their children could be placed with military families.
            “My grandparents have been fighting for this for a long time,’’Sandoval said. His true identity was confirmed through a DNA database trying to match the babies stolen from places like the Mechanics School to their real families. Raised by a military officer, Sandoval stopped using the name he had all his life: Alejandro Adrián Rei.

                                      
— quote from the Miami Herald article
“Fico satisfeito e em paz em saber que a justiça foi feita,” disse Pedro Sandoval, 33 anos, que há cinco anos soube ser filho de esquerdistas “desaparecidos.” Mulheres grávidas presas por vezes foram mantidas vivas apenas até  terem seus bebês e estes serem alocados a famílias de militares.
            “Meus avós lutaram por isto por muito tempo,’’ disse Sandoval. Sua verdadeira identidade foi confirmada por meio de base de dados de DNA que tentou fazer corresponder os bebês furtados de lugares como a Escola de Mecânica com suas famílias verdadeiras. Criado por oficial militar, Sandoval parou de usar o nome que teve por toda a vida: Alejandro Adrián Rei.
                                      — citação do artigo do Arauto de Miami.
Perhaps most importantly, the culture of impunity has made it difficult or impossible for many in these societies – including those too young to have experienced the dictatorship – to believe in their power to prevent such atrocities in the future: if no one ever has to pay a price for their crimes, who’s to say it won’t happen again.
Talvez o mais importante, a cultura da impunidade tem tornado difícil ou impossível para muitas pessoas nessas sociedades – inclusive para aqueles jovens demais para terem tido a experiência da ditadura – acreditar em seu poder de impedir atrocidades da espécie no futuro: se ninguém tem jamais de pagar por seus crimes, quem é que pode se arvorar em dizer que não acontecerá de novo.
The Miami Herald article credits the new moves, in part, to a new generation of leaders who were themselves the victims of the dictatorial regimes. For example, President José Mujica of Uruguay was held in solitary confinement for years, and Brazilian President Dilma Rousseff was imprisoned and tortured.
O artigo do Arauto de Miami credita os novos desdobramentos, em parte, a uma nova geração de líderes que foi ela própria vítima de regimes ditatoriais. Por exemplo, o Presidente José Mujica do Uruguai foi mantido em solitária durante anos, e a Presidente do Brasil Dilma Rousseff foi presa e torturada.
Argentina, where some of the worst abuses occurred, has been in the lead in confronting its past. It repealed its amnesty law in 2005 and, since then, has convicted 262 people (including the recent 12) and charged over 800 more. Fourteen more cases are currently being tried and 10 more are scheduled.
A Argentina, onde alguns do piores abusos ocorreram, tem estado na liderança no tocante a enfrentar seu passado. Revogou a lei de anistia em 2005 e, desde então, já colocou na cadeia 262 pessoas (inclusive os recentes 12) e já acusou mais de 800 outras. Outros quatorze casos estão atualmente sendo julgados e outros 10 estão cronogramados.
“When we went to see the prosecutors after the amnesty laws were passed [in the 1980s], they told us that no ex-members of the military junta would go to trial. Now look at us. Who’s not going to trial now?” said Rosa Roisinblit, vice-president of the Abuelas de la Plaza de Mayor Association. “It gives me great satisfaction that those who committed crimes are finally paying for them.”
                                     — Miami Herald
“Quando nos encontramos com os promotores depois de as leis de anistia terem sido aprovadas [nos anos 1980], eles nos disseram que nenhum ex-membro da junta militar iria a julgamento. Agora vejam. Quem não irá a julgamento agora?” disse Rosa Roisinblit, vice-presidente da Associação das Prefeitas da Praça de Maio. “Sinto-me muito satisfeita por aqueles que cometeram crimes estarem finalmente pagando por eles.”
                                     — Miami Herald
[Note on photos above: among other crimes, Alfredo Astiz, the "blond angel of death, specialized in infiltrating human rights NGOs, and was accused of kidnapping the founder of the "Mothers of the Plaza de Mayo," which fought for many years — and is still fighting — to recover information about the fates of their children and grandchildren.]
[Nota acerca das fotos acima: entre outros crimes,Alfredo Astiz, o "anjo louro da morte, especializado em inflitração em ONGs de direitos humanos, foi acusado de sequestrar a fundadora das "Mães da Praça de Maio," que lutou durante muitos anos — e continua lutando — para recuperar informação acerca do destino de seus filhos e netos.]


No comments:

Post a Comment