Sunday, March 4, 2012

Haiti Chery - MINUSTAH's Gang Rapes

Haiti Chery
Haiti Chery
Dancing With Our Gods
Dançando Com Nossos Deuses
MINUSTAH's Gang Rapes
Estupros Coletivos da MINUSTAH
By Michaëlle Desrosiers and Franck Seguy
Por Michaëlle Desrosiers e Franck Seguy
A l'Encontre (French)
A l'Encontre (francês)
Translated from the French by Dady Chery for Haiti Chery
Traduzido do francês por Dady Chery para Haiti Chery

[Na página de link citado acima há link para o original em francês, T]
Port-Salut, small coastal town in southern Haiti, known for lovely beaches and radiant landscapes deserving of postcards.
Port-Salut, pequena cidade costeira no sul do Haiti, destaca-se por suas lindas praias e paisagens esplendorosas, dignas de cartões postais.
Since one week, a new element has been added to her reputation: it is the place where at least four Uruguayan soldiers of the misnamed UN Mission for Stabilization in Haiti (MINUSTAH) hid out and gang-raped an 18-year old Haitian boy.
Há uma semana novo elemento acrescentou-se a sua reputação: é o lugar onde pelo menos quatro soldados uruguaios da inadequadamente denominada Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) esconderam e estupraram coletivamente Johnny Jean, um jovem de 18 anos.
If the act was perpetrated on Thursday July 28th, 2011, it was not until the end of August that it began to occupy the headlines. Part of the reason for this was because a video of the crime was broadcast on the internet. The soldiers themselves filmed this video and used it later as a   movie, projecting it as a way to boast of their prowess. Worse, they did so in front of local teenagers, all friends of the victim. And it is precisely one of these teenagers who captured with his mobile phone some of the video footage that was released online by Haiti Press Network (HPN).
O ato, embora perpetrado em 28 de julho, só ganhou as manchetes no fim de agosto. Em parte por um vídeo do crime ter sido veiculado na internet. Os próprios soldados fizeram o vídeo e usaram-no posteriormente como filme, projetando-o como forma de vangloriarem-se da proeza. Pior, exibiram-no na frente de adolescentes locais, todos amigos da vítima. E foi precisamente um desses adolescentes que captou, com seu celular, parte da metragem de vídeo divulgada online pela Rede de Imprensa do Haiti (HPN). 
The video appeared on the web for only a few hours. It is unclear if its removal was a diplomatic move by the Uruguayan government or by the UN itself. You Tube justified this withdrawal by noting its policy of not promoting hatred, since many comments (over 4000) were strongly condenming the UN’s barbarity.
O vídeo ficou na web só por algumas horas. Não está claro se sua remoção deveu-se a manobra diplomática do governo uruguaio ou das próprias Nações Unidas. O YouTube justificou sua remoção mediante ressaltar sua política de não promover ódio, visto que muitos comentários (mais de 4.000) condenaram em termos candentes a barbárie das Nações Unidas.
It took the deployment of MINUSTAH soldiers to ruin Port-Salut’s reputation as a haven of peace. In 1995, for example, the city had only 40 police officers. Although the size of the national police has grown, by 2004 Port-Salut had seven police officers. It was almost impossible to record an incident there more serious than the theft of a goat or a few sacs of potatoes.
Foi preciso haver o espraiamento dos soldados da MINUSTAH para arruinar a reputação de Port-Salut como remanso de paz. Em 1995, por exemplo, a cidade contava com apenas 40 policiais. Embora o tamanho da polícia nacional tenha aumentado, em 2004 Port-Salut tinha sete policiais. Era quase impossível registrar-se ali incidente mais sério do que o furto de uma cabra ou de alguns sacos de batatas. 
Yet, paradoxically, since 2004, with the new occupation of the country by MINUSTAH, it became necessary to deploy a military contingent to (de)stabilize Port-Salut. Since nature abhors a vacuum and, as we well know, idleness is the mother of all vices, the military had to exercise what little brains it had to find some reason to justify its presence.
Contudo, paradoxalmente, desde 2004, com a nova ocupação do país pela MINUSTAH, foi preciso espraiar um contingente militar para (des)estabilizar Port-Salut. Visto que a natureza detesta o vácuo e, como sabemos muito bem, o ócio é a mãe de todos os vícios, os militares tinham que exercitar o pouco cérebro que tivessem para encontrar algum motivo para justificar sua presença. 
Gradually, they introduced child prostitution and the “cambiar” – a practice of the exchange of food for services like the purchase of hallucinogenic and / or illegal products such as tobacco, alcohol, marijuana… All this appeared in a report published by the National Network for Human rights (Réseau National de Défense des Droits Humains, RNDDH) on Monday, September 4, 2011[1]
Gradualmente introduziram a prostituição infantil e o “cambiar”  – prática de troca de comida por serviços tais como compra de produtos alucinógenos e/ou ilegais tais como tabaco, álcool, maconha... Tudo isso apareceu num relatório publicado pela Rede Nacional de Defesa dos Direitos Humanos (Réseau National de Défense des Droits Humains, RNDDH) na segunda-feira, 4 de setembro de 2011 [1]. 
The boy’s rape should be viewed in this context. Indeed, to earn their daily living, many teenage sons and daughters of poor peasants like this boy forge close relationships with UN soldiers deployed across the country. The boy in Port Salut had befriended a soldier called Poncho from the Uruguayan contingent. This soldier apparently did not partake in the act. He was not   even able to help the boy. The rapists had locked the room in which they did their criminal act to prevent the boy’s screams from reaching the ears of his “friend” Poncho.
O estupro do jovem deve ser visto em seu contexto. Com efeito, para assegurar seu sustento diário, muitos filhos e filhas adolescentes de pessoas pobres do campo como aquele rapaz estabelecem relacionamentos estreitos com soldados das Nações Unidas espraiados pelo país. O jovem de Port-Salut havia feito amizade com um soldado chamado Poncho, do contingente uruguaio. Soldado que, aparentemente, não tomou parte no ato. E que nem teve como ajudar o rapaz. Os estupradores trancaram o cômodo no qual praticaram seu ato criminoso para impedir que os gritos do rapaz chegassem aos ouvidos de seu “amigo” Poncho.
The opulence in which the UN soldiers installed in Haiti live is shocking, to say the least. They settle into the best hotels in the cities; they strut on the beach on the weekdays as on the weekends, even more so in Port-Salut where the beaches are especially beautiful. In addition, they buy the young ones, prostitute them and… rape them.
A opulência na qual vivem os soldados das Nações Unidas acantoados no Haiti é de causar estupefação, para dizer o mínimo. Instalam-se nos melhores hotéis das cidades; pavoneiam-se na praia tanto nos dias de semana quanto nos fins de semana, especialmente em Port-Salut onde as praias são particularemente lindas. Além disso, compram os jovens, prostituem-nos e... estupram-nos. 
Not only do these soldiers enjoy an absolute impunity that has no place for respect of the law or any show of manners – but also their status as UN soldiers places them above the Haitian courts.
Esses militares não apenas se beneficiam de impunidade absoluta, que não deixa lugar para respeito pela lei ou por qualquer exibição de bons modos – como também sua condição de soldados das Nações Unidas os situa acima dos tribunais haitianos. 
An even greater insult to the poor local police and other Haitian officials is the high salary of these soldiers. To compare: a soldier in Uruguay normally gets a monthly salary equivalent to US $ 400. In MINUSTAH, he gets $ 6,000. Though it is true that the Uruguayan government deducts a good part of this salary, MINUSTAH’s Uruguayan soldiers still have enough money and authority to believe they can permit themselves everything in Haiti.
Insulto ainda maior em relação à pobre polícia local e outras autoridades haitianas é o alto salário desses soldados. Para comparar: um soldado, no Uruguai, normalmente ganha salário mensal equivalente a $400 dólares dos Estados Unidos. Na MINUSTAH, ganha $6.000 dólares. Embora seja verdade que o governo uruguaio deduz boa parte desse salário, os soldados uruguaios da MINUSTAH ainda têm dinheiro e autoridade bastantes para acreditar que podem permitir-se tudo no Haiti. 
In general, they save enough to buy a nice apartment and… take it easy when they return to their country. One might wonder whether the Uruguayan government’s prompt complaint against its own troops in Haiti was not principally meant to preserve within MINUSTAH an economically viable Uruguayan presence for the benefit of Uruguay. This dedication to the Uruguayan government was also involved in the attempts to promote the idea that the rape perpetrated against the boy was an exceptional incident of which only four Uruguayan soldiers were guilty and not the modus operandi of the occupying forces. This is why it is always worthwhile to refresh one’s memory.
Em geral, economizam o bastante para comprar um belo apartamento e... viver vida mansa ao voltar ao país deles. É de perguntar se a pronta atitude de denúncia do governo uruguaio em relação a seus próprios soldados não terá visado principalmente a preservar dentro da MINUSTAH uma presença uruguaia economicamente viável em benefício do Uruguai. Essa atitude dedicada do governo uruguaio também busca igualmente passar a ideia de que o estupro perpetrado contra o jovem foi incidente excepcional, do qual culpados apenas quatro soldados uruguaios, e não o modus operandi das forças de ocupação. Eis porque é sempre válido refrescar a memória.
This is not MINUSTAH’s first gang rape
Não é o primeiro estupro coletivo da MINUSTAH
First it should be noted that this is not MINUSTAH’s first gang rape. Indeed, less than one year after MINUSTAH’s arrival in Haiti, specifically February 18, 2005, three Pakistani soldiers from the mission raped a young girl.
Deve-se notar, em primeiro lugar, não ser esse o primeiro estupro coletivo da MINUSTAH. Em verdade, menos de um ano depois da chegada da MINUSTAH ao Haiti, especificamente em 18 de fevereiro de 2005, três soldados paquistaneses da missão estupraram uma menina pequena. 
Although this was a criminal act that certainly raised the ire of many, especially women’s organizations, this was apparently more acceptable than the gang rape of a male. So far this case has gone unpunished and was filed away.
Embora se tenha tratado de ato criminoso que certamente suscitou a ira de muita gente, especialmente de organizações de mulheres, foi algo aparentemente mais aceitável do que o estupro coletivo de uma pessoa do sexo masculino. Até o momento o caso continua sem que haja punição e foi arquivado. 
Today, in gang raping a young boy, MINUSTAH tackled head-on a morality that is Christian, macho, dominant, and very strong in Haiti. The Christians were quick to scream about the abomination, and the lawyers and other opinion makers about the undoing of the boy’s dignity and identity. In other words, he ceased to be a man on being raped by four armed men – which means in the macho culture that he ceased to exist.
No caso atual, ao estuprar coletivamente um jovem, a MINUSTAH entrou em rota de colisão com a moralidade cristã, machista, dominante, e muito forte no Haiti. Os cristãos foram rápidos em mostrar a abominação, e advogados e outros formadores de opinião denunciaram a destituição da dignidade e da identidade do jovem. Em outras palavras, ele deixara de ser homem ao ser estuprado por quatro homems armados. O que, na cultura machista, significa que deixou de existir.
It is noteworthy that the boy came from the lower classes of Haiti’s peasantry. His education level illuminates this reality very well. At 18, Johnny is still in junior high school (5eme). He could not attend school during the 2010-2011 academic year, for lack of money. He is his mother’s fourth son, and his brothers, to speak more correctly, half-brothers, are not from the same father. The different surnames in the RNDDH report attest to this important fact.
É digno de nota o rapaz ter vindo das classes mais baixas de habitantes do campo do Haiti. Seu nível de instrução espelha muito bem essa realidade. Com 18 anos de idade, Johnny ainda está no ginásio (5eme). Não teve como frequentar a escola no ano acadêmico 2010-2011, por falta de dinheiro. É o quarto filho de sua mãe, e seus irmãos, melhor dito seus meios-irmãos, não são filhos do mesmo pai. Os diferentes sobrenomes no relatório da RNDDH atestam esse importante fato.
To produce several sons by different fathers is the result of two closely linked phenomena encountered in Haiti’s lower classes: paternal abandonment and its corollary, serial monogamy. The mother of an abandoned child hooks up with another man so as to survive along with her child. A new child born from this connection is again abandoned by the father. She starts again with a third man in the same way, finding enough to survive with her “fatherless children.” In the process, she produces several children by different fathers, with different surnames, of course, if they are “lucky” enough to be legally acknowledged by their fathers.
Ter vários filhos de pais diferentes é resultado de dois fenômenos estreitamente relacionados encontradiços nas classes haitianas mais baixas: abandono paterno e seu corolário, monogamia serial. A mãe de um filho abandonado amiga-se com outro homem para poder sobreviver com seu filho. Um novo filho nascido dessa conexão é de novo abandonado pelo pai. Ela recomeça com um terceiro homem do mesmo modo, buscando sobreviver com seus “filhos sem pai.” No processo, tem vários filhos de diferentes pais, com sobrenomes diferentes, naturalmente se tiverem “sorte” suficiente para ser legalmente reconhecidos por seus pais.
MINUSTAH has systematically aimed its abuses at the poor. Its rapes, murders, and assaults are directed against those in run-down areas like Cite Soleil [2], helpless young women and men.
A MINUSTAH tem dirigido sua violência sistematicamente para os mais pobres. Seus estupros, assassínios e agressões são dirigidos para aqueles que moram em áreas miseráveis tais como Cidade Sol [2], mulheres jovens e homens jovens indefesos.
In this regard, RNDDH reports the well-known case of the hanging of 16-year old minor Gerald Jean-Gilles on a Nepalese military base in the north of country, at Carenage, Cap-Haitien (second largest city). MINUSTAH did everything to pass off this crime as a suicide. Except that suicide is a relatively foreign concept in Haiti. Like the boy in Port Salut, Gerald Jean-Gilles was engaging in “cambiar” with UN soldiers, that is to say he rendered small services to them in exchange for food.
A respeito a RNDDH relata o caso bem conhecido do enforcamento do menor de 16 anos Gerald Jean-Gilles numa base militar nepalesa no norte do país, em Carenage, Cap-Haitien (segunda maior cidade). A MINUSTAH fez tudo para que o crime parecesse suicídio. Exceto que suicídio é um conceito relativamente forasteiro no Haiti. Como o jovem de Port-Salut, Gerald Jean-Gilles estava-se envolvendo em “cambiar” com soldados das Nações Unidas, isto é, ele prestava pequenos serviços a eles em troca de comida.
Thus, like a true occupation force, MINUSTAH uses rape as a weapon of war. It humiliates, exploits, and demeans those who are most peaceful, those who come into contact with it so as to survive, or simply because they are poor; those whose complexion is very dark because their skin has been burned by Haiti’s scorching sun; those who have the misfortune to live in Cite Soleil and other “no-go zones.”
Assim, pois, como verdadeira força de ocupação, a MINUSTAH usa o estupro como arma de guerra. Humilha, explora e avilta aqueles que são mais pacíficos, aqueles que entram em contato com ela para sobreviver, ou simplesmente por serem pobres; aqueles cuja epiderme é muito escura porque sua pele foi queimada pelo sol escorchante do Haiti; aqueles que têm o infortúnio de viver em Cidade Sol e outras zonas “perigosas.”
In exclusively attacking those who are poorest, MINUSTAH, as an occupation force, introduces a different relationship compared to its predecessors in the practice of military invasions on Haitian soil. Indeed, under the official U.S. occupation of Haiti (1915-1934), innovative on Haitian soil, the entire racist U.S. arsenal was unleashed against mulattoes, rich blacks and poor blacks alike. This forced those who initially supported the invasion to ally themselves to the anti-occupation struggle. Although in its most “peaceful” form this consisted of written propaganda, it goes without saying that this contribution strengthened the struggle and gave renewed vigor to the Cacos revolutionaries, previously treated as vagrants by the invaders as well as by the ruling class of mostly mulattoes.
Ao atacar exclusivamente aqueles que são os mais pobres, a MINUSTAH, como força de ocupação, cria um relacionamento diferente comparativamente a suas predecessoras na prática de invasões militares do solo haitiano. De fato, na ocupação oficial do Haiti pelos Estados Unidos (1915-1934), inovação no solo haitiano, todo o arsenal racista dos Estados Unidos foi lançado contra os mulatos, os pretos ricos e os pretos pobres indistintamente. Isso forçou aqueles que inicialmente haviam apoiado a invasão a aliar-se à luta contra a ocupação. Embora em sua forma mais “pacífica” isso consistisse em propaganda escrita, não é preciso dizer que essa contribuição fortaleceu a luta e deu renovado vigor aos revolucionários Cacos, antes tratados como vagabundos tanto pelos invasores quanto pela classe dominante composta majoritariamente de mulatos.
So MINUSTAH has been more vigilant, one might say, in almost exclusively attacking those who are most despised, humbled, and impoverished. Thus, it assures itself a sickening legitimacy with the Haitian grandonarco-bourgeoisie and the petty bourgeoisie from which it recruits most of its local civilian personnel. MINUSTAH can strut, rape, hang, contaminate, and lie to its heart’s content in complete calm, since its interests are one and the same as those of Haiti’s “respectable citizens.”
Assim a MINUSTAH tem sido mais atenta, poder-se-ia dizer, em atacar quase exclusivamente aqueles que são mais desprezados, humilhados e empobrecidos. Dessa forma ela garante para si uma repugnante legitimidade junto à burguesia grandonárquica haitiana e a pequena burguesia da qual recruta a maior parte de seu pessoal civil local. A MINUSTAH pode pavonear-se, estuprar, enforcar, contaminar e mentir o quanto quiser com completa tranquilidade, pois seus interesses são idênticos aos dos “cidadãos respeitáveis” do Haiti.
Speaking of lying, the gang rape of this young man was not the last of MINUSTAH’s actions denounced by the people of Port-Salut. Indeed, during the same month of August, a local organization denounced in a press release the “poor behavior” of the Uruguayan contingent. In response, MINUSTAH investigated itself. This investigation, of course, resulted in the total and   categorical denial of the facts and concluded that these were “allegations of misconduct without any foundation.”
Por falar em mentir, o estupro coletivo desse jovem não foi a última das ações da MINUSTAH denunciadas pelo povo de Port-Salut. Na verdade, durante o mesmo mês de agosto, uma organização local denunciou, num comunicado de imprensa, o “comportamento deplorável” do contingente uruguaio. Em reação a MINUSTAH investigou-se a si própria. Essa investigação, obviamente, resultou na total e categórica negação dos fatos e concluiu aquelas terem sido “alegações de conduta imprópria sem qualquer fundamento.”
Among the complaints against the soldiers:
Entre as reclamações referentes aos soldados:
“Child prostitution, voyeurism, environmental pollution, use of marijuana in the presence of minors, behavior that is demeaning, derogatory, insulting, disrespectful, and unfair to the citizens of Port-Salut” [4].
“Prostituição infantil, voyeurismo, poluição ambiental, uso de maconha na presença de menores, comportamento aviltador, detrativo, insultuoso, desrespeitoso e iníquo em relação aos cidadãos de Port-Salut” [4].
An interesting thing is that a few days before the gang-rape video of the 18-year-old boy was broadcast on the Internet, the UN force had supposedly concluded this alleged investigation and was on the verge of accusing the organization CREDOP of defamation. However, the rape and its diffusion on the Internet showed not only that the soldiers violated and humiliated the young man but that they took a very filthy pleasure in it. The astonishing fact in all this is that in his demand for apologies after the video and its aftermath, Chilean MINUSTAH chief Mariano Fernandes neglected to apologize for the false report of the investigation released a month   earlier.
Interessante ponto é que poucos dias antes do vídeo referente ao estupro coletivo do garoto de 18 anos ser divulgado na Internet, a força das Nações Unidas havia pretensamente concluído sua alegada investigação e estava a pique de acusar a organização CREDOP de difamação. Contudo, o estupro e sua difusão na Internet não apenas mostraram que os soldados violaram e humilharam o jovem mas também obtiveram disso prazer muito obsceno. O fato espantoso em tudo isso é que, em seu pedido de desculpas depois do vídeo e sua esteira, o chefe chileno da MINUSTAH Mariano Fernandes não pediu desculpas pelo falso relatório da investigação, divulgado um mês antes.
If once again MINUSTAH occupies the headlines in the Haitian news, at a time when everyone is more concerned about formation of a new government or the reopening of classes, it is not even because
Se mais uma vez a MINUSTAH ocupa as manchetes no noticiário haitiano, num momento no qual todo mundo está mais preocupado com a formação de um novo governo ou com o reinício das aulas, não é sequer porque
“A new study demonstrated its involvement in the criminal transmission of cholera” [5]
“Novo estudo revela seu envolvimento na transmissão criminosa do cólera” [5]
– an epidemic, which to this day, has already killed over 5,000 Haitians. It is also not because of a new discharge of fecal matter in the country’s rivers [6], as it has been wont to do since October 2010.
- epidemia que, até o momento, já matou mais de 5.000 haitianos. Nem é por nova descarga de matéria fecal nos rios do país [6], que vem ocorrendo desde outubro de 2010.
Those of good faith who have so far not been moved must eventually understand that MINUSTAH is not a very angelic mission. On the contrary! One could even say that it is profoundly “evil”! Its misdeeds are as grotesque and scandalous as its impunity and the admissions more or less covered-up by the international community [7].
Aquelas pessoas de boa fé que até agora não se comoveram precisam finalmente entender que a MINUSTAH não é uma missão muito angelical. Pelo contrário! Pode-se dizer que é profundamente “maligna”! Suas ofensas são tão grotescas e escandalosas quanto sua impunidade e quanto os reconhecimentos mais ou menos encobertos da comunidade internacional [7].
MINUSTAH is sexist and racist. It is openly at war against the masses. Its active participation in the supression of protests throughout the country, and especially those concerning the struggle for a minimum-wage increase are a vibrant testimony.
A MINUSTAH é sexista e racista. Está abertamente em guerra com as massas. Sua participação ativa na repressão a protestos em todo o país, e especialmente naqueles relacionados com a luta por aumento do salário mínimo, são vibrante testemunho disso.
In this respect, the same RNDDH report indicates:
A esse respeito, o mesmo relatório da RNDDH sugere:
“On May 12, 2011, Gena Widerson, a 14-year old student (7eme) at the Classic College of Verrettes, Artibonite Department, was injured by two projectiles fired by MINUSTAH soldiers. This incident occurred when students of the Lycée Jacques Stephen Alexis organized a protest against the removal of one teacher. 
 “Em 12 de maio de 2011, Gena Widerson, estudante de 14 anos (7eme) no Colégio Classic de Verrettes, Departamento de Artibonite, foi ferida por dois projéteis lançados por soldados da MINUSTAH. Esse incidente ocorreu quando alunos do Liceu Jacques Stephen Alexis organizaram protesto contra o afastamento de um professor. “
In fact, the repression against any hint of class or popular struggle is systematic on the part of the UN mission.
Com efeito, a repressão contra qualquer sinal de luta de classes ou popular é sistemática por parte da missão das Nações Unidas.
To silence, humiliate, rape, and prostitute: this is MINUSTAH’s creed.
Silenciar, humilhar, estuprar e prostituir: esse é o credo da MINUSTAH.
Below is an excerpt of some cases of rape, robbery, beatings, murder and illegal and arbitrary arrests perpetrated by MINUSTAH and recounted in the report of RNDDH:
Abaixo, excerto de alguns casos de estupro, assalto a mão armada, espancamentos, assassínio e detenções ilegais e arbitrárias perpetrados pela MINUSTAH e descritos no relatório da RNDDH:
1. On February 18, 2005, three MINUSTAH Pakistani soldiers in Gonaives raped a young girl;
1. Em 18 de fevereiro de 2005 três soldados paquistaneses da MINUSTAH estupraram uma menina pequena;
2. On March 20, 2005, Tele Contact radio journalist Robenson Laraque was fatally wounded by bullets fired by MINUSTAH soldiers who had replaced the military from the old police station in Petit-Goave;
2. Em 20 de março de 2005, o jornalista da rádio TeleContact Robenson Laraque foi fatalmente ferido por balas disparadas por soldados da MINUSTAH que haviam substituído os militares da velha delegacia de Petit-Goave;
3. On 26 November 2005, at Carrefour Trois Mains, on Airport Road, a young woman was forced to fellate a Jordanian soldier before being raped and sodomized by him;
3. Em 26 de novembro de 2005, no Carrefour Trois Mains, na Estrada Aeroporto, uma jovem mulher foi forçada a chupar o pênis de um soldado jordaniano antes de ser estuprada e sodomizada por ele;
4. On December 20, 2006, Stephane Durogene, student (3eme) at the Center for Economic Education and Classic (CFCE) was injured in his left eye by projectiles fired by MINUSTAH soldiers as he passed close to the police station in Delmas 62;
4. Em 20 de dezembro de 2006, Stephane Durogene, estudante (3eme) do Centro de Formação Clássica e Econômica (CFCE) foi ferido no olho esquerdo por projéteis lançados por soldados da MINUSTAH ao ele passar perto da delegacia de polícia de Delmas 62;
5. On November 3, 2007, 111 Sri Lankan officials were implicated in cases of abuse and exploitation of minors;
5. Em 3 de novembro de 2007, 111 autoridades de Sri Lanka foram implicadas em casos de violência e exploração de menores;
6. On May 29, 2008, police officer Jacques Luckner, assigned to the Cite Soleil police station, was molested by MINUSTAH soldiers;
6. Em 29 de maio de 2008 o policial Jacques Luckner, designado para a delegacia de Cidade Sol, foi molestado por soldados da MINUSTAH;
7. On August 6, 2008, MINUSTAH soldiers beat two policemen Donson Bien-Aimee and Ronald Denis, both assigned to the Cite Soleil police station. These acts were perpetrated against the victims despite the fact that they had clearly identified themselves;
7. Em 6 de agosto de 2008, soldados da MINUSTAH espancaram os dois policiais Donson Bien-Aimee e Ronald Denis, ambos designados para a delegacia de Cidade Sol. Esses atos foram perpetrados contra as vítimas a despeito do fato de elas terem-se identificado claramente;
8. On August 18, 2010, Gerald Jean Gilles, an orphan and  minor of 16 years old, was found hanging from an almond tree on the Nepalese base of MINUSTAH in Carenage, Cape Haitian. This boy frequented the based and rendered small services to MINUSTAH agents;
8. Em 18 de agosto de 2010, Gerald Jean Gilles, órfão e menor, com 16 anos, foi encontrado enforcado pendente de uma amendoeira na base nepalesa da MINUSTAH em Carenage, Cape Haitian. O garoto frequentava a base e prestava pequenos serviços a agentes da MINUSTAH;
9. In mid-October 2010, the Nepalese MINUSTAH soldiers in Mirebalais were involved in the emergence and spread of cholera in Haiti due to release of their human wastes into the rivers Boukan Kanni and Jenbe, causing considerable loss of life;
9. Em meado outubro de 2010 os soldados nepaleses da MINUSTAH em Mirebalais envolveram-se no surgimento e na disseminação do cólera no Haiti devido a liberação de seus dejetos humanos nos rios Boukan Kanni e Jenbe, causando considerável perda de vidas;
10. On May 12, 2011, Gena Widerson, a 14-year old student (7eme) at the College Classic Verrettes, Artibonite Department, was injured by two projectiles fired by MINUSTAH soldiers. This incident occurred when students of the Lycée Jacques Stephen Alexis organized a protest against the removal of one teacher.
10. Em 12 de maio de 2011, Gena Winderson, estudante de 14 anos (7eme) no Colégio Classic  Verretes, Departamento de Artibonite, foi ferida por dois projéteis lançados por soldados da MINUSTAH. O incidente ocorreu quando estudantes do Liceu Jacques Stephen Alexis organizaram protesto contra o afastamento de um professor.
These facts are not exhaustive. However, in all the above cases, RNDDH brings into focus the responsibility of MINUSTAH and consequently, that of the UN, because it is unacceptable that soldiers belonging to the UN force were operating outside of any rule of accountability and engaging in nefarious activities of all kinds while under cover of immunity conferred by the UN.
Esses fatos não são exaustivos. Entretanto, em todos os casos acima, a RNDDH coloca em foco a responsabilidade da MINUSTAH e, consequentemente, das Nações Unidas, pois é inaceitável que soldados pertencentes à força das Nações Unidas operem fora de qualquer norma de prestação de contas e se engajem em atividades execráveis de todos os tipos sob a capa de impunidade oferecida pelas Nações Unidas
[1] Following the uproar caused by this case, RNDDH traveled to Port-Salut to conduct an investigation. This report was published by several Haitian media.  The version cited in this article is published online by haiticonnexion.
[1] Subsequentemente ao clamor suscitado por esse caso, a RNDDH foi a Port-Salut para conduzir investigação. Este relatório foi publicado por diversos órgãos de mídia haitianos. A versão citada neste artigo está publicada online em haiticonnexion.
[2] The largest Haitian slum where, during summer 2005, MINUSTAH entered and killed dozens of people including pregnant women and children.
[2] A maior favela onde, durante o verão de 2005, a MINUSTAH entrou e matou dezenas de pessoas inclusive mulheres grávidas e crianças.
[3] The grandonarco-bourgoiesie refers to economic and political practices of the bourgeois-gran dons of Haiti. This concept of grand dons-bourgeois or bourgeois-grand dons (grandonboujwa in Haitian Creole) was coined by Jean Anil Louis-Juste specifically to describe Haitian capitalism. In Haiti, it is difficult to identify a single bourgeois who is not also a landowner (Grandon in Creole). However, these lands are not included in capitalist production, but are worked by peasants and rural workers who pay rent to the Grandon. As for the bourgeois, they are found especially in the business of import-export. So they are not just grandon or just bourgeois. Hence the designation grandons bourgeois. We talk about grandonarco-bourgeoisie to draw attention to the fact that the bourgeois Haitian grandons basically function like a family where very few people control most of the economy and national wealth.
[3] A expressão burguesia grandonárquica refere-se às práticas econômicas e políticas dos burgueses proprietários de terras do Haiti. Esse conceito de proprietários de terra burgueses ou burgueses proprietários de terras (em crioulo haitiano, grandonboujwa) foi cunhada por Jean Anil Louis-Juste especificamente para descrever o capitalismo haitiano. No Haiti, é difícil identificar um único burguês que não seja também proprietário de terras (em crioulo, Grandon). Entretanto, essas terras não estão incluídas na produção capitalista, e sim são trabalhadas por pessoas do campo e trabalhadores rurais que pagam arrendamento [rent] ao Grandon. Quanto aos burgueses, são encontrados especialmente na atividade de importação-exportação. Portanto eles não são apenas proprietários de terras ou apenas burgueses. Daí a designação burgueses proprietários de terras. Usamos a expressão grandonarco-bourgeoisie [burguesia grandonárquica] para chamar a atenção para o fato de os latifundiários burgueses haitianos basicamente funcionarem como uma família onde muito poucas pessoas controlam a maior parte da economia e da riqueza nacional.
[4] Haiti: Port-Salut denounces abuses by MINUSTAH Uruguayan soldiers, published by on 11/08/2011.
[4] Haiti: Port-Salut denuncia violência de soldados uruguaios da MINUSTAH, publicado por em 11/08/2011.
[5] Haiti-Cholera: study confirms Nepalese origin, published by on 24/08/2011.
5] Haiti-Cólera: estudo confirma origem nepalesa, publicado por em 24/08/2011.
[6] Haiti: discharge of faecal matter, MINUSTAH recurrence, published by on Wednesday, August 10, 2011.
[6] Haiti: descarga de matéria fecal, recorrência da MINUSTAH, publicado por na quarta-feira, 10 de agosto de 2011.
[7] We borrow this concept from the sorely missed late Jean Anil John Louis Juste, shot dead by bullets on 12 January 2010 some three hours before the earthquake. The use of the concept to describe the so-called international community set in motion to destroy the communist ideal represented by the Communist International, already at the Congress of Bretton Woods, derives its relevance in the memory of the struggle of teacher and activist Louis-Juste for the emancipation of Haiti, not only from UN troops but also from capitalistic and neocolonialist relationships of dependence. It is not trivial to recall that in 2009 he was actively sought out by the occupation forces for allying himself to the struggle to raise the minimum wage of Haitian workers to 200 gourdes, or US $ 5 per day.
[7] Tomamos de empréstimo este conceito do tristemente saudoso falecido Jean Anil John Louis Juste, morto por balas em 12 de janeiro de 2010 cerca de três horas antes do terremoto. O uso do conceito para descrever a assim chamada comunidade internacional posta em ação para destruir o ideal comunista representado pela Internacional Comunista, já no Congresso de Bretton Woods, deriva sua relevância da memória da luta do professor e ativista Louis-Juste pela emancipação do Haiti, não apenas das tropas das Nações Unidas mas também das relações capitalistas e neocolonialistas de dependência. Não é trivial lembrar que, em 2009, ele foi ativamente procurado pelas forças de ocupação por aliar-se à luta para aumento do salário mínimo dos trabalhadores haitianos para 200 gourdes, ou $5 dólares dos Estados Unidos por dia.
Sources:  A l’Encontre (French) | Haiti Chery (English, Images)
Fontes:  A l’Encontre (French) | Haiti Chery (English, Images)
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