Friday, February 17, 2012

C4SS - From Arab Spring to Fall Revolution?

ENGLISH
PORTUGUÊS
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
na construção da consciência da alternativa anarquista de mercado
From Arab Spring to Fall Revolution?
Da Primavera Árabe à Revolução do Outono?
Posted by Kevin Carson on Sep 30, 2011 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 30 de setembro de 2011 em Comentário
In Summer 2010, Wikileaks published tens of thousands of classified US State Department cables, much to the outrage and chagrin of the American national security establishment and its Amen Corner.  The documents included embarrassing details on internal corruption in a number of Arab regimes, and helped spark a “Facebook/Twitter Revolution” in Tunisia ending in the overthrow of the government.  From there these grassroots revolutions, in which social networking technologies played an important role, spread to Egypt and Libya, bringing down those regimes.  The fires are still burning in Bahrain, Yemen and Syria.
No verão de 2010 o Wikileaks publicou dezenas de milhares de telegramas do Departamento de Estado dos Estados Unidos, para muita indignação e vexame da elite de segurança nacional dos Estados Unidos e seus adoradores fervorosos. Os documentos incluíram embaraçosos detalhes de corrupção interna em diversos regimes árabes, e ajudaram a provocar uma “Revolução Facebook/Twitter” na Tunísia que acabou em derrubada do governo. Dali essas revoluções de base, nas quais as tecnologias de redes sociais desempenharam importante papel, disseminaram-se para Egito e Líbia, derrubando os respectivos regimes. As chamas ainda estão acesas em Bahrain, Iêmen e Síria.
The Arab Spring is just an intensification of a process that began in the ’90s, chronicled by Rand Corporation analysts John Arquill and David Ronfeldt:  A fundamental shift, resulting from the rise of networked organization, in the balance of power between ordinary people and hierarchical institutions like states and corporations.
A Primavera Árabe é apenas a intensificação de um processo que começou nos anos 1990, historiado pelos analistas da Rand Corporation John Arquill e David Ronfeldt: Uma mudança fundamental - resultante da ascensão da organização em rede - no equilíbrio do poder entre as pessoas comuns e instituições hierárquicas como estados e corporações.
As global security analyst John Robb of Global Guerrillas blog, in a forthcoming interview for Interesting Times magazine, puts it:  “Open source movements just replaced a bunch of governments in the Arab world.”  Prominent open source coder and theorist Eric Raymond’s “Bazaar” model — the networked organizational model not only of the Linux developer community, but of the anti-globalization movement, the file-sharing movement, and Fourth Generation Warfare movements like al Qaeda — is also the basis of the Arab Spring.
No dizer do analista de segurança global John Robb no blog Guerrilheiros Globais, numa entrevista no prelo da revista Tempos Interessantes: “Os movimentos de código aberto acabam de substituir uma penca de governos do mundo árabe.” O modelo “Bazar” do preeminente erudito codificador aberto e teórico Eric Raymond — o modelo em rede não apenas da comunidade desenvolvedora Linux, mas do movimento antiglobalização, do movimento de partilha de arquivos e dos movimentos de Guerra de Quarta Geração tais como a al Qaeda — é também a base da Primavera Árabe.
This model of networked resistance is going global, expanding into Europe, Israel and Wall Street.  The Israeli security establishment warned last summer, with considerable dismay, that there was no effective action the Israeli state could take if the Palestinians began a new, nonviolent Intifada on the Arab Spring model.  That’s just what they’ve done, in alliance with Israeli human rights and economic justice activists, with tent cities springing up all over the country.  And Occupy Wall Street?  Well, that’s several columns in itself.
Esse modelo de resistência em rede está-se tornando global, expandindo-se pela Europa, Israel e Wall Street. A elite israelense advertiu, no verão passado, com considerável desânimo, não existir ação eficaz que o estado israelense pudesse desenvolver se os palestinos dessem início a uma nova Intifada não violenta nos moldes do modelo da Primavera Árabe. É precisamente o que eles fizeram, em aliança com ativistas israelenses de direitos humanos e de justiça econômica, com cidades de tendas espalhando-se por todo o país. E o Ocupem Wall Street? Bem, esse é diversas colunas, em si próprio.
This movement is already arguably bigger than the last comparable phenomenon, the global wave of protests in the late 1960s including the Summer of Love, the French general strike and the Prague Spring.  It’s the work primarily of a generation disillusioned with conventional politics and the futility of attempting “reform” through a state dominated by corrupt institutional interests. They’re instead turning toward self-organization and direct action.  Marta Solanas, a 27-year-old Spanish woman, describes the movement as the result of a crisis of legitimacy:  “We’re the first generation to say that voting is worthless.”  Two slogans are relevant here:  “Building the structure of the new society in the shell of the old,” and “Be the change you want to see.”
Esse movimento já é possivelmente maior do que o último fenômeno comparável, a onda global de protestos no final dos anos 1960 que incluiu o Verão do Amor, a greve geral francesa e a Primavera de Praga. É obra precipuamente de uma geração desiludida com política convencional e com a futilidade de tentar “reforma” por meio de um estado dominado por interesses institucionais desonestos. Que, em vez de reforma, se volta para auto-organização e para ação direta. Marta Solanas, mulher espanhola de 27 anos de idade, descreve o movimento como resultado de uma crise de legitimidade: “Somos a primeira geração a dizer que votar não vale nada.” Dois slogans são relevantes no caso: “Construir a estrutura de uma nova sociedade na concha da antiga” e “Seja você próprio a mudança que você quer ver.”
The Arab Spring (rapidly becoming the Global Spring — or perhaps, with apologies to Ken MacLeod, the Fall Revolution), like the post-Seattle movement before it, differs in one fundamental way from the protests of 1968.  The 1968 youth movement operated within the limits of a system defined by the very hierarchical, bureaucratic institutions it fought.  It was limited by a centralized, unidirectional, hub-and-spoke broadcast architecture, where one’s ability to address large numbers of people was controlled by gatekeepers at a handful of mass media corporations.
A Primavera Árabe (rapidamente tornando-se a Primavera Global — ou talvez, com desculpas a Ken MacLeod, a Revolução do Outono), como o movimento pós-Seattle antes dele, difere de um modo fundamental dos protestos de 1968. O movimento dos jovens de 1968 funcionou dentro dos limites de um sistema definido pelas próprias instituições hierárquicas e burocráticas que combatia. Estava limitado por uma arquitetura centralizada, unidirecional, difusão no modelo de eixo e raios, no qual a capacidade de atingir grande número de pessoas era controlada por guardiães de portões num punhado de corporações de mídia de massa.
Today’s movements, on the other hand, arise in a world where the Web’s networked many-to-many architecture and the “individual super-empowerment” resulting from free global platforms enable individuals to take on giant institutions as equals.  Networked movements, with virtually no permanent administrative apparatus, swarm giant institutions without warning and far beyond their power to cope.  As network scholar Yochai Benkler says:
Os movimentos atuais, por outro lado, surgem num mundo onde a arquitetura de muitos-para-muitos da Web e a “superobtenção de poder individual” resultante de plataformas globais livres permite ao indivíduos enfrentar instituições gigantescas em igualdade de condições. Movimentos em rede, sem praticamente nenhum aparato administrativo, assediam instituições gigantescas sem aviso prévio e muito além do poder delas de lidar com o problema. Como diz o erudito de redes Yochai Benkler:
“You’re looking at a generation of 20- and 30-year-olds who are used to self-organizing.  They believe life can be more participatory, more decentralized, less dependent on the traditional models of organization, either in the state or the big company. Those were the dominant ways of doing things in the industrial economy, and they aren’t anymore.”
“Vocês estão olhando para uma geração de pessoas de 20 e 30 anos acostumada a auto-organizar-se. Essas pessoas acreditam que a vida pode ser mais participativa, mais descentralizada, menos dependente dos modelos tradicionais de organização, seja no estado, seja na grande empresa. Estes foram os modos dominantes de fazer as coisas na economia industrial, e não mais o são.”
Forty years ago, the hippies and the New Left swam upstream against the dominant technological and institutional trends of their day.  Today, we have that technological tide on our side, and we’ll eat the giant bureaucratic institutions alive like a school of piranha.  We’ll display their bleeding heads on our battlements.
Há quarenta anos os hippies e a Nova Esquerda nadaram contra a correnteza das tendências tecnológicas e institucionais dominantes de seus dias. Hoje, temos essa maré tecnológica do nosso lado, e comeremos as gigantescas instituições burocráticas vivas como um cardume de piranhas. Exibiremos as cabeças ensanguentadas delas em nossas ameias.
It’s a new world in the making — I just hope I live long enough to see how it comes out.
É um novo mundo em formação — só espero viver o bastante para ver como se manifestará.
Citations to this article:
Citações deste artigo:
Kevin Carson, From Arab Spring to Fall Revolution?, Dhaka, Bangladesh New Nation, 10/05/11
Kevin Carson, Da Primavera Árabe à Revolução do Outono?, Dhaka, Bangladesh Nova Nação, 05/10/11
Kevin Carson, From Arab Spring to Fall Revolution?, Dhaka, Bangladesh New Age, 10/04/11
Kevin Carson, Da Primavera Árabe à Revolução do Outono?, Dhaka, Bangladesh Nova Era, 04/10/11
Kevin Carson, From Arab Spring to Fall Revolution?, Antiwar.com, 10/03/11
Kevin Carson, Da Primavera Árabe à Revolução do Outono?, Antiwar.com, 03/10/11
C4SS Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


No comments:

Post a Comment