Sunday, February 5, 2012

Brazzil - Cover Story


Brazzil
Brazzil
Cover Story
Artigo de Capa
Nevermore?
Nunca Mais?
Eleven years after Brazil's military handed power back to civilians and returned to the barracks, the legacy of two decades of dictatorship endures. Former political prisoners who were tortured, as well as relatives of people who were killed by the military regime, demand explanations and reparations. Meanwhile, torture and disappearances continue to be used against ordinary prisoners.
Onze anos depois de a instituição militar do Brasil ter devolvido o poder aos civis e retornado aos quartéis, o legado de duas décadas de ditadura permanece. Ex-prisioneiros políticos que foram torturados, bem como parentes de pessoas mortas pelo regime militar, demandam explicações e reparações. Enquanto isso, tortura e desaparecimentos continuam a ser usados contra prisioneiros comuns.
Katheryn Gallant
Katheryn Gallant
Ñaysaindy de Araújo Barrett does not exist. Her striking name -- which means "clear light" in the Guarani Indian language -- cannot be found in any Brazilian government archive. She is a ghost-citizen, without an identity, forbidden to legally work or study in Brazil. Why? Her parents were guerrillas who were killed by the military regime that ruled Brazil from 1964 to 1985.
Ñaysaindy de Araújo Barrett não existe. Seu interessante nome -- que significa "luz clara" na língua guarani -- não pode ser encontrada em qualquer arquivo do governo do Brasil. Ela é uma cidadã-fantasma, sem identidade, proibida de trabalhar ou estudar legalmente no Brasil. Por quê? Seus pais eram guerrilheiros que foram mortos pelo regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985.
Araújo Barrett's father, José Maria Ferreira de Araújo, came from the Northeastern state of Paraíba. Being in the Navy didn't stop him from joining the Popular Revolutionary Vanguard (VPR), a guerrilla group led by ex-Army Captain Carlos Lamarca. There Ferreira de Araújo met another young militant, a Paraguayan woman named Soledad Barrett Viedma. The couple fled to Cuba in 1966, after the Navy expelled Ferreira de Araújo for his "subversive" connections.
O pai de Araújo Barrett, José Maria Ferreira de Araújo, veio do estado nordestino da Paraíba. Ser da Marinha não o impediu de juntar-se à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), grupo de guerrilheiros liderado pelos ex-Capitão do Exército Carlos Lamarca. Ali Ferreira de Araújo conheceu outro jovem militante, uma mulher paraguaia chamada Soledad Barrett Viedma. O casal foi para Cuba em 1966, depois de a Marinha ter expulsado Ferreira de Araújo por suas conexões "subversivas."
In 1970, a year after the birth of Ñaysaindy, Ferreira de Araújo secretly returned to Brazil to help continue the armed struggle against the dictatorship. However, he was arrested later that year and died under torture in the São Paulo headquarters of the Information Operations Department -- Center for Internal Defense Operations (DOI-CODI). In 1995, a government report would reveal that Ferreira de Araújo had been buried under a false name.
Em 1970, um ano depois do nascimento de Ñaysaindy, Ferreira de Araújo voltou secretamente ao Brasil para continuar a luta armada contra a ditadura. Entretanto, foi preso mais tarde naquele ano e morreu sob tortura na sede de São Paulo do Destacamento de Operações de Informações -- Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Em 1995, relatório do governo revelaria que Ferreira de Araújo havia sido sepultado com nome falso. 
Barrett Viedma decided to leave Cuba in 1973 to rejoin the VPR. Knowing that her daughter's future might be in danger if the Brazilian government knew the identity of Ñaysaindy's parents, Barrett Viedma had a false birth certificate made that identified the child as Ñaysaindy Sosa del Sol.
Barrett Viedma resolveu sair de Cuba em 1973 para reingressar na VPR. Sabendo que o futuro de sua filha poderia estar em perigo se o governo brasileiro soubesse da identidade dos pais de Ñaysaindy, Barrett Viedma providenciou certidão de nascimento falsa que identificava a criança como Ñaysaindy Sosa del Sol.
The fate of Barrett Viedma paralleled that of her late husband. When she returned to Brazil, Barrett Viedma had an affair with a commander of the VPR, Cabo Anselmo. In 1964, Anselmo had led a sailors' revolt that helped frighten the higher military into deposing the constitutional government. Nevertheless, by the early '70s, Anselmo was secretly collaborating with Brazil's military regime. Anselmo's reports about VPR activities helped the government to imprison and kill five VPR militants in 1973. Among them was Soledad Barrett Viedma.
O destino de Barrett Viedma foi idêntico ao de seu falecido marido. Ao voltar ao Brasil, Barrett Viedma teve um caso com um comandante da VPR, Cabo Anselmo. Em 1964, Anselmo havia liderado uma revolta de marinheiros que havia ajudado a fazer a alta instituição militar relutar em depor o governo constitucional. Todavia, ao chegarem aos anos 1970, Anselmo colaborava secretamente com o regime militar do Brasil. Os relatórios de Anselmo acerca das atividades da VPR ajudaram o governo a prender e matar cinco militantes da VPR em 1973. Entre eles estava Soledad Barrett Viedma.
In 1980, Ñaysaindy went to live in São Paulo with her Brazilian foster mother, Damaris Oliveira Lucena. The year before, the Brazilian government had given an amnesty to everyone who had been imprisoned or exiled for political offenses. Before going into exile in Cuba and befriending Barrett Viedma, Lucena had been tortured in Brazil. Lucena's husband had been executed.
Em 1980, Ñaysaindy foi morar em São Paulo com sua madrasta brasileira, Damaris Oliveira Lucena. No ano anterior o governo brasileiro havia dado anistia para todas as pessoas presas ou exiladas por ofensas políticas. Antes de ir para o exílio em Cuba e tornar-se amiga de Barrett Viedma, Lucena havia sido torturada no Brasil. O marido de Lucena havia sido executado.
Adjusting to life in Brazil was hard on Ñaysaindy. "I was completely lost," she told Brazilian weekly newsmagazine IstoÉ in 1995. "Brazil seemed so scary..." Her foster mother was also fearful. "Mother [i.e., Lucena] avoided all contact with the police and that's why my situation wasn't legalized," Araújo Barrett said years later. To keep away authorities who might wonder why Ñaysaindy had a different last name than the woman whom she called mother, Lucena gave her surname to the girl.
Adaptar-se à vida no Brasil foi difícil para Ñaysaindy. "Eu estava completamente desorientada," disse ela à revista noticiosa brasileira Isto É em 1995. "O Brasil parecia tão atemorizador..." Sua madrasta também tinha medo. "Mamãe [isto é, Lucena] evitava todo contato com a polícia e eis porque minha situação não foi legalizada," disse Araújo Barrett anos depois. Para manter à distância autoridades que poderiam perguntar-se por que Ñaysaindy tinha sobrenome diferente do da mulher a quem chamava de mãe, Lucena deu seu próprio sobrenome à menina. 
After Ñaysaindy came to Brazil, her father's brother, Paulo Araújo, a biology professor at the University of Campinas in São Paulo state, became aware that he had an orphaned niece. He tried to help the girl. However, their approach was "slow and careful," as Paulo Araújo would tell IstoÉ.
Depois que Ñaysaindy veio para o Brasil o irmão do pai dela, Paulo Araújo, professor de biologia na Universidade de Campinas no estado de São Paulo veio a saber que tinha uma sobrinha órfã. Tentou ajudar a menina. Entretanto, a abordagem foi "lenta e cuidadosa," como Paulo Araújo diria a Isto É.
When Ñaysaindy went to school, she was afraid that she would be expelled because she was not using her real name and had no documents to prove her identity. With this fear paramount in her mind, Ñaysaindy found it hard to concentrate on her studies. Ñaysaindy dropped out of school in the eighth grade. She was 14 years old.
Quando Ñaysaindy foi para a escola, tinha medo de ser expulsa porque não estava usando seu nome real e não tinha documentos para provar sua identidade. Com o medo ocupando o primeiro lugar em sua mente, Ñaysaindy tinha dificuldade em concentrar-se nos estudos. Ñaysaindy deixou a escola no oitavo ano. Ela tinha 14 anos de idade.
It was difficult for Araújo Barrett to find jobs where her employers would not demand that she reveal her identity. Her friends, knowing her problem, helped her find various temporary positions. She worked in an umbrella factory and in a candy store, and acted in minor roles in plays. Her delicate features, shapely figure and long brunette hair even got her a job as a fashion model. Araújo Barrett, however, found it impossible to continue modeling without telling who she really was.
Foi difícil para Araújo Barrett encontrar emprego onde os empregadores não exigissem que ela revelasse sua identidade. Os amigos dela, sabendo de seu problema, ajudaram-na a encontrar diversos trabalhos temporários. Ela trabalhou numa fábrica de guarda-chuvas e numa loja de doces, e representou em papéis menores em peças teatrais. Suas feições delicadas, corpo bem-moldado e longos cabelos castanhos valeram-lhe inclusive trabalho como modelo. Araújo Barrett, contudo, descobriu ser impossível continuar a desfilar como modelo sem dizer quem realmente era. 
Things seemed to take a turn for the better when Araújo Barrett received her real birth certificate from an aunt. Unfortunately, it was a false hope. Not only had the document been registered with the Swiss Embassy in Havana (in 1969, when Ñaysaindy was born, Brazil had no diplomatic relations with Cuba), but Lucena had not filed with any government authorities when she and her foster daughter came to Brazil. Therefore, Araújo Barrett, although a Brazilian citizen through her father, was an illegal alien in her own country.
As coisas pareceram melhor quando Araújo Barrett recebeu sua real certidão de nascimento de uma tia. Infelizmente, a esperança era infundada. Não apenas o documento havia sido registrado na Embaixada Suíça em Havana (em 1969, quando Ñaysaindy nasceu, o Brasil não tinha relações diplomáticas com Cuba), como Lucena não o havia apresentado a quaisquer autoridades do governo quando ela e sua enteada vieram para o Brasil. Portanto, Araújo Barrett, embora cidada brasileira graças a seu pai, era uma estrangeira em situação ilegal em seu próprio país.
Araújo Barrett now lives with her boyfriend and two daughters in Florianópolis, capital of the southern state of Santa Catarina. There she ekes out a living by selling handmade souvenirs to tourists. Her uncle, Paulo Araújo, has petitioned Justice Minister Nélson Jobim that Ñaysaindy be officially recognized as the daughter of José Maria Ferreira de Araújo and Soledad Barrett Viedma. "That would put an end to many years of lies," Ñaysaindy says.
Araújo Barrett agora mora com o namorado e duas filhas em Florianópolis, capital do estado sulista de Santa Catarina. Ali ela cava a vida vendendo suvenires feitos à mão para turistas. O tio dela, Paulo Araújo, fez petição ao Ministro da Justiça Nelson Jobim para que Ñaysaindy seja reconhecida oficialmente como filha de José Maria Ferreira de Araújo e Soledad Barrett Viedma. "Isso poria fim a muitos anos de mentiras," diz Ñaysaindy.
How could the story of Ñaysaindy de Araújo Barrett have been allowed to occur as it did? For an answer to that question, it is essential to tell a bit about Brazil's history during the 1960s and '70s. Jânio Quadros, an independent-minded former governor of São Paulo state, was elected by a landslide to the Brazilian presidency in 1960. Nobody expected that he would resign after just seven months in office -- perhaps least of all his vice-president, João Goulart. When Quadros resigned in August 1961, Goulart was on his way home from a state visit to China. Much of Brazil's military and civilian establishment viewed Goulart as a leftist demagogue, and tried to insure that Goulart would not return for his inauguration. For two weeks, Brazil was on the edge of civil war, but Goulart came home and took office.
Como foi possível a história de Ñaysaindy de Araújo Barrett ter ocorrido como ocorreu? Para resposta a essa pergunta é essencial dizer algo acerca da história do Brasil durante os anos 1960 e 1970. Jânio Quadros, ex-governador do Estado de São Paulo, de mente independente, foi eleito por maioria esmagadora de votos para a presidência do Brasil em 1960. Ninguém esperava que ele renunciasse depois de apenas sete meses no cargo -- talvez menos do que qualquer outra pessoa seu vice-presidente, João Goulart. Quando Quadros renunciou em agosto de 1961, Goulart estava de volta de uma visita de estado à China. Grande parte da elite militar e civil do Brasil via Goulart como demagogo esquerdista, e tentou assegurar-se de que Goulart não voltaria para sua posse. Durante duas semanas o Brasil esteve à beira da guerra civil, mas Goulart voltou e assumiu. 
The Goulart years
Os Anos Goulart
However, Brazilian society polarized during the next two and a half years. "Peasant Leagues" in Northeastern Brazil demanded that tenant farmers be given the land they worked on. These leagues were anathema to many large landowners, who believed that well-behaved, apolitical peasants were being incited by outsiders with Marxist tendencies. By 1964, a total of 2,181 leagues had been formed in 20 of Brazil's states.
Entretanto, a sociedade brasileira polarizou-se durante os dois anos e meio seguintes. "Ligas camponesas" no Nordeste do Brasil exigiam que a homens do campo não proprietários fosse dada a terra na qual trabalhavam. Essas ligas eram anátema para muitos proprietários de terras, que acreditavam que camponeses bem-comportados e apolíticos estavam sendo incitados por pessoas de fora com tendências marxistas. Ao chegar 1964, havia sido formado um total de 2.181 ligas em 20 dos estados do Brasil. 
In the cities, unionized workers were also no longer as docile as they had been. Strikes became more prevalent, which displeased business executives and shareholders. Prices went up. Inflation, which had been 6% a year in the late '40s and 30% in 1960, rose to 74% in 1963 and 91% in 1964. Nevertheless, workers usually received salary adjustments that kept pace with the rising cost of living.
Nas cidades, trabalhadores sindicalizados também não mais eram tão dóceis quanto haviam sido. Greves tornaram-se mais comuns, o que desgostava executivos de empresas e acionistas. Os preços subiram. A inflação, que havia sido de 6% ao ano no final dos anos 1940 e 30% em 1960, subiu para 74% em 1963 e 91% em 1964. Todavia, os trabalhadores usualmente recebiam ajustes de salários que acompanhavam o crescente custo de vida. 
All of this might have been tolerated by the upper middle class, military officers and the US government if Brazil's executive branch had been both more efficient and more willing to accept the status quo. However, Goulart began to demand for "basic reforms" such as agrarian reform, rewriting the labor codes, granting the vote to illiterates and controlling the expropriation of profits made by foreign companies in Brazil. Many people, both Brazilians and foreigners, feared that these proposals were the prelude to a left-wing dictatorship which would be friendly with the Soviet Union, if not Communist itself.
Tudo isso poderia ter sido tolerado pela classe média alta, pelas autoridades militares e pelo governo dos Estados Unidos se o poder executivo do Brasil tivesse sido mais eficiente e mais disposto a aceitar o statu quo. Entretanto, Goulart começou a exigir "reformas básicas" tais como a reforma agrária, reescrevendo as leis do trabalho, concedendo voto aos analfabetos e controlando a expropriação de lucros auferidos por empresas estrangeiras no Brasil. Muitas pessoas, tanto brasileiras quanto estrangeiras, temiam que essas propostas fossem o prelúdio de uma ditadura de esquerda amigável em relação à União Soviética, se não comunista ela própria. 
Enlisted men and noncommissioned officers in Brazil's armed forces began to revolt against their superior officers. In September 1963, six hundred enlisted soldiers rebelled in Brasília. The President refused to condemn them. In March 1964, 2000 sailors made a mutiny. Goulart granted them an amnesty and accused their superior officers of lack of discipline.
Praças de pré e suboficiais das forças armadas do Brasil começaram a revoltar-se contra seus oficiais superiores. Em setembro de 1963 seiscentos praças de pré rebelaram-se em Brasília. O Presidente recusou-se a condená-los. Em março de 1964, 2.000 marinheiros fizeram motim. Goulart concedeu-lhes anistia e acusou seus oficiais superiores de falta de disciplina. 
Many high-ranking officers, who had their patience worn thin by what they saw as Goulart's maladroit rabble-rousing, thought that was the last straw. On March 31, 1964, army troops marched from Minas Gerais toward Rio de Janeiro. The forces that were supposed to stop them joined them instead. Almost no one resisted against the revolt, and very little blood was shed. Democracy would not return to Brazil for another 21 years.
Muitos oficiais de algo escalão, cuja paciência vinha-se esgotando por causa do que entendiam como incitação desastrada da parte de Goulart, acharam que aquilo era a última gota. Em 31 de março de 1964 tropas do exército marcharam de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. As forças que deveriam detê-las juntaram-se a elas, em vez disso. Quase ninguém resistiu à revolta, e muito pouco sangue foi derramado. A democracia não voltaria ao Brasil durante 21 anos. 
The role of the United States government in the events of March 1964 is controversial and still disputed by historians. It has been asserted that Vernon Walters, military attaché to the US embassy in Brazil (who would become the US ambassador to the United Nations under the administration of Ronald Reagan) offered arms to generals who were contemplating a coup d'état. Walters himself denies this.
O papel do governo dos Estados Unidos nos eventos de março de 1964 é controvertido e ainda objeto de disputa dos historiadores. Já se afirmou que Vernon Walters, adido militar da embaixada dos Estados Unidos no Brasil (que se tornaria embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas na administração Ronald Reagan) ofereceu armas para generais que cogitavam de golpe de estado. Walters ele próprio nega isso.
Certainly, the US government felt relief at the premature transfer of power in Brazil. President Lyndon B. Johnson sent a telegram congratulating the new government even before Goulart went into exile. (Goulart would never return to Brazil alive: he died in Argentina in 1976, at the age of 58.) US Ambassador Lincoln Gordon stated that the "Brazilian Revolution" was "one of the major turning points in history, in the middle of the twentieth century." Brazilians who distrusted North American influence in their nation's affairs joked: "No more middlemen! Lincoln Gordon for President!"
Certamente o governo dos Estados Unidos sentiu alívio com a transferência prematura do poder no Brasil. O Presidente Lyndon B. Johnson mandou um telegrama congratulando-se com o novo governo mesmo antes de Goulart ir para o exílio. (Goulart nunca mais retornaria ao Brasil vivo: morreu em 1976 na Argentina, com 58 anos de idade.) O Embaixador dos Estados Unidos Lincoln Gordon declarou que a "Revolução brasileira" era "um dos maiores pontos de inflexão da história, no meio do século vinte." Brasileiros que não confiavam na influência estadunidense nos assuntos de seu país faziam piada: "Não mais intermediários! Lincoln Gordon para Presidente!" 
Of course, Lincoln Gordon did not become president of Brazil. He did not even have much clout with the man who actually became President in April 1964, Marshal Humberto Castello Branco. According to an article that Gordon wrote for São Paulo newspaper O Estado de São Paulo in 1994, the ambassador protested to Castello Branco about how politicians were being stripped of their mandates and civil rights "without trials and without proofs." Gordon was so horrified that he seriously thought of resigning. "I only desisted after making an internal assessment in which I decided that it would be better for US-Brazilian relations that I stay," he declared.
Obviamente Lincoln Gordon não se tornou presidente do Brasil. Não tinha sequer muita influência junto ao homem que realmente se tornou Presidente em abril de 1964, Marechal Castello Branco. De acordo com um artigo que Gordon escreveu para o jornal paulista O Estado de São Paulo em 1994, o embaixador reclamou a Castello Branco acerca de como políticos estavam sendo destituídos de seus mandatos e direitos "sem julgamento e sem prova." Gordon estava tão horrorizado que pensou seriamente em renunciar. "Só desisti depois de fazer uma avaliação interna com base na qual decidi que seria melhor para as relações Estados Unidos-Brasil continuar," declarou.
A cardinal's involvement
Envolvimento de um cardeal
Gordon's successor as ambassador, Charles Burke Elbrick, would be kidnapped by guerrillas from the October 8 Revolutionary Movement (MR-8) in September 1969. After the military government agreed to release 15 political prisoners and fly them to sanctuary in Mexico, the kidnappers released Elbrick physically unharmed (although emotionally scarred by his ordeal).
O embaixador sucessor de Gordon, Charles Burke Elbrick, seria sequestrado por guerrilheiros do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) em setembro de 1969. Depois de o governo militar concordar em soltar 15 prisioneiros políticos e enviá-los para refúgio no México, os sequestradores soltaram Elbrick fisicamente intacto (embora emocionalmente marcado por seu ordálio). 
Torture has a long history in Brazil. During the colonial period, representatives of the Portuguese government tortured pro-independence leaders. After Brazil gained independence in 1822, rebels against the empire that had been established were also subjected to torture. And of course, until the abolition of slavery in 1888, millions of slaves lived constantly under the threat of severe punishment -- and even death -- if they attempted to revolt against their owners.
A tortura tem uma longa história no Brasil. Durante o período colonial, representantes do governo português torturavam líderes favoráveis à independência. Depois de o Brasil conquistar a independência em 1822, rebeldes contrários ao império que havia sido estabelecido também eram sujeitados a tortura. E, naturalmente, até a abolição da escravatura em 1888 milhões de escravos viviam constantemente sob a ameaça de punição severa -- se tentassem revoltar-se contra seus donos. 
After the coup of 1964, however, government representatives used torture more systematically on members of the political opposition. Various groups emerged to combat the regime, but seldom became strong enough -- or united enough -- to be effective. Nevertheless, their relatively mild terrorism was enough to scare the military hardliners into proclaiming the fifth of a series of Institutional Acts. AI-5, as it was called, gave the President dictatorial powers to defend "the necessary interests of the nation." The decree shut down Congress and the state legislatures, suspended the Constitution, abolished habeas corpus, authorized censorship of the Brazilian media (including non-Brazilian journalists working in Brazil for foreign newspapers, magazines and television networks), and allowed the President to take away the civil rights of anyone with only the vaguest pretexts.
Depois do golpe de 1964, porém, os representantes do governo usaram a tortura mais sistematicamente em membros da oposição política. Diversos grupos surgiram para combater o regime, mas raramente tornaram-se fortes o bastante -- ou unidos o bastante -- para ser eficazes. Todavia, seu terrorismo relativamente brando era suficiente para apavorar os linhas-duras militares a ponto de eles proclamarem o quinto de uma série de Atos Institucionais. O AI-5, como era chamado, deu ao Presidente poderes ditatoriais para defender "os necessários interesses da nação." O decreto fechou o Congresso e os legislativos estaduais, suspendeu a Constituição, aboliu o habeas corpus, autorizou a censura da mídia brasileira (inclusive jornalistas não brasileiros trabalhando no Brasil para jornais, revistas e redes de televisão estrangeiros), e permitiu que o Presidente destituísse de direitos civis qualquer pessoa com simplesmente os mais vagos dos pretextos. 
On the morning of January 20, 1971, Rubens Beirodt Paiva was preparing to go to the beach with his family. Just before the Paivas were ready to leave their home in the Rio de Janeiro neighborhood of Leblon, six armed men in civilian clothes invaded and searched the house. They refused to identify themselves. They forced Paiva, accompanied by two of the men, to drive his own car to DOI-CODI headquarters in Rio de Janeiro. Neither Paiva's wife Eunice nor their five teenage children ever saw Paiva again. Paiva, a congressman who had been stripped of his office after the coup of 1964, had been accused of sending letters to Brazilians in Chile.
Na manhã de 20 de janeiro de 1971, Rubens Beirodt Paiva preparava-se para ir à praia com a família. Logo antes de os Paivas estarem prontos para sair de casa no bairro do Leblon no Rio de Janeiro, seis homens armados vestindo roupas civis invadiram e deram busca na casa. Recusaram-se a identificar-se. Forçaram Paiva, acompanhado de dois dos homens, a guiar seu próprio carro para a sede do DOI-CODI no Rio de Janeiro. Nem a mulher de Paiva, Eunice, nem seus cinco filhos adolescentes voltaram a ver Paiva. Paiva, deputado que havia sido destituído de seu cargo depois do golpe de 1964, havia sido acusado de mandar cartas para brasileiros no Chile. 
In the early '60s, Paulo Stuart Wright, a founder of the progressive student group AP (Popular Action), was a state legislator in Santa Catarina. Soon after the coup, Wright, the Brazilian-born son of Presbyterian missionaries from Arkansas, was stripped of his political office. He began to work in the underground resistance, organizing peasant cooperatives and rural networks.
No início dos anos 60, Paulo Stuart Wright, fundador do grupo de estudantes progressistas AP (Ação Popular), era membro do legislativo estadual em Santa Catarina. Logo depois do golpe, Wright, filho brasileiro de missionários presbiterianos de Arkansas, foi destituído de seu cargo político. Começou a trabalhar na resistência clandestina, organizando cooperativas de camponeses e redes rurais. 
In September 1973, Wright was abducted and taken to the DOI-CODI headquarters in São Paulo. He was never seen again. His older brother Jaime, a Presbyterian minister who had also chosen to make his life in Brazil, tried to discover what happened to Paulo. Jaime searched for Paulo in military prisons and went to anybody who might have some information about Paulo's whereabouts. Jaime was shocked that other Protestant clergy were not willing to help. On the other hand, Jaime Wright could count on the support of the Catholic Archbishop of São Paulo, Cardinal Paulo Evaristo Arns, who took an interest in human-rights issues. In the following years, the two clerics' friendship led to a close working relationship. "As far as I know," Jaime Wright would tell Lawrence Weschler of the New Yorker in 1986, "I am the only Protestant minister who works inside the Catholic Church at the invitation of a cardinal."
Em setembro de 1973 Wright foi raptado e levado para a sede do DOI-CODI em São Paulo. Nunca mais foi visto. Seu irmão mais velho Jaime, pastor presbiteriano que também havia escolhido viver no Brasil, tentou descobrir o que sucedera a Paulo. Jaime procurou Paulo em prisões militares e procurou qualquer pessoa que pudesse ter alguma informação acerca do paradeiro de Paulo. Jaime ficou chocado por outros clérigos protestantes não quererem ajudar. Por outro lado, Jaime Wright pôde contar com o apoio do Arcebispo Católico de São Paulo, Cardeal Paulo Evaristo Arns, que se interessou por questões de direitos humanos. Nos anos seguintes, a amizade entre os dois clérigos levou a estreito relacionamento de trabalho. "Tanto quanto eu saiba," diria Jaime Wright a Lawrence Weschler do New Yorker em 1986, "sou o único pastor protestante que trabalha dentro da Igreja Católica convidado por um cardeal."
The collaboration between the pastor and the cardinal deepened in 1980. In that year, a secret grant from the World Council of Churches allowed them to set up a project in which lawyers would check out files from the archives of the military justice system. There were more than 700 records of trials of political prisoners during the military regime -- one million pages in all. It took three years to have the files photocopied, and another two years for journalists working in their spare time to summarize the files' contents. Since there was still a chance that the government would delay the transition to civilian rule, the 30-person team worked in the strictest secrecy.
A colaboração entre o pastor e o cardeal aprofundou-se em 1980. Naquele ano, doação secreta do Conselho Mundial de Igrejas permitiu-lhes criar um projeto no qual advogados verificariam registros dos arquivos do sistema de justiça militar. Havia mais de 700 registros de julgamentos de prisioneiros políticos durante o regime militar -- no todo, um milhão de páginas. Levou três anos para que os registros fossem fotocopiados, e mais dois para jornalistas trabalhando em tempo livre resumirem o conteúdo respectivo. Visto haver ainda a possibilidade de o governo adiar a transição para o governo civil, a equipe de 30 pessoas trabalhou no mais estrito sigilo. 
The result of these labors, Brasil: Nunca Mais (Brazil: Never Again) suddenly appeared in Brazilian bookstores in July 1985, four months after General João Baptista Figueiredo stepped down from the presidency. With a preface by Cardinal Arns, the book quickly sold over 200,000 copies and is still in print. (The average press run for a nonfiction book in Brazil is between three to five thousand copies.) An English translation, Torture in Brazil, was published in 1986. Jaime Wright, who had served as research coordinator for the journalists who wrote the book, translated it as well.
O resultado desse trabalho, Brasil: Nunca Mais (Brazil: Never Again) subitamente apareceu nas livrarias brasileiras em julho de 1985, quatro meses depois de o General João Baptista Figueiredo deixar a presidência. Com prefácio do Cardeal Arns, o livro rapidamente vendeu mais de 200.000 cópias e ainda é publicado. (No Brasil, a edição de livro de não-ficção é, em média, de três a cinco mil exemplares.) Tradução para o inglês, Torture in Brazil, foi publicada em 1986. Jaime Wright, que havia servido como coordenador de pesquisa para os jornalistas que escreveram o livro, também o traduziu. 
Jaime discovered proof of his brother's death among the files, although no information about the whereabouts of Paulo Wright's body could be found. Not every member of the Wright family was convinced. Refusing to accept her uncle's disappearance, Paulo's niece Delora Wright wrote a book about him. At the end, she wrote: "I'd like to leave a post office box number for you to give some news about you. You know, we haven't calmed down, although we've tried."
Jaime descobriu prova da morte de seu irmão em meio aos registros, embora não pudesse ser encontrada qualquer informação acerca do paradeiro do corpo de Paulo Wright. Nem todo membro da família Wright ficou convencido. Recusando-se a aceitar o desaparecimento do tio, a sobrinha de Paulo, Delora Wright, escreveu um livro acerca dele. Ao final, escreveu: "Gostaria de deixar um número de caixa postal para você dar alguma notícia a respeito de você. Você sabe, não ficamos tranquilos, embora tenhamos tentado." 
Deadly mistake
Equívoco Letal
It was the evening of January 17, 1976 in Vila Guarani, a neighborhood in the city of São Paulo. A thin man got out of a Dodge Dart and knocked at the door of Teresa Fiel. When she answered, the man gave her a trash bag full of men's clothing and a warning: "I'm from the Hospital das Clínicas. I've come to tell you that your husband killed himself. Here are his clothes. I think it's a good idea that nobody go to the coroner's office. If somebody has to go, it should only be male relatives. No woman should go to the coroner's office -- not even the widow. Otherwise, the body goes straight to the cemetery."
Era noite de 17 de janeiro de 1976 em Vila Guarani, bairro da cidade de São Paulo. Um homem magro saiu de um Dodge Dart e bateu à porta de Teresa Fiel. Quando ela abriu, o homem deu a ela um saco de lixo cheio de roupas de homem e uma advertência: "Sou do Hospital das Clínicas. Vim para dizer a você que seu marido matou-se. Eis aqui as roupas dele. Acho boa ideia ninguém ir ao médico-legista. Se alguém tiver de ir, deverão ser apenas parentes do sexo masculino. Nenhuma mulher deverá ir ao médico-legista - nem mesmo a viúva. Caso contrário o corpo irá direto para o cemitério."  
The husband's name was Manuel Fiel Filho, a 49-year-old metalworker. He had a wife, two daughters and a small two-story house. He was suspected of belonging to the Communist Party and was tortured to death in the São Paulo headquarters of DOI-Codi. The official story was that Fiel Filho had hanged himself with his own socks. His imprisonment and death were the result of mistaken identity. DOI-Codi authorities had confused him with a Communist Party militant named Fiore who had once worked at the same factory as Fiel Filho.
O nome do marido era Manuel Fiel Filho, metalúrgico de 49 anos. Tinha mulher, duas filhas e um pequeno sobrado. Era suspeito de pertencer ao Partido Comunista e foi torturado até à morte na sede do DOI-CODI de São Paulo. A história oficial foi a de que Fiel Filho havia-se enforcado com suas próprias meias. A prisão e morte dele foram resultado de confusão de identidade. As autoridades do DOI-CODI confundiram-no com um militante do Partido Comunista chamado Fiore que no passado trabalhara na mesma fábrica que Fiel Filho. 
"I didn't know that there was torture in Brazil," Teresa Fiel told Brasília newspaper Correio Braziliense in 1995. "I knew that it was dangerous to say bad things about the government and that the Communists were dangerous people."
"Eu não sabia que havia tortura no Brasil," disse Teresa Fiel ao jornal Correio Braziliense em 1995. "Sabia ser perigoso dizer coisas negativas acerca do governo e que os comunistas eram pessoas perigosas."
The day after Fiel Filho's death, President Ernesto Geisel fired the commander of the Second Army, whose headquarters also housed the São Paulo headquarters of DOI-CODI. It was the beginning of the end for DOI-CODI.
No dia seguine ao da morte de Fiel Filho, o Presidente Ernesto Geisel demitiu o comandante do Segundo Exército, cuja sede também abrigava a sede de São Paulo do DOI-CODI. Era o começo do fim do DOI-CODI.
In 1980, Teresa Fiel won a lawsuit against the Brazilian government for its role in her husband's death. For 15 years, the government filed appeals to overturn this decision, but lost in June 1995. It must now pay Teresa Fiel $600 a month and a penalty of $265,000.
Em 1980, Teresa Fiel ganhou um processo contra o governo brasileiro pelo papel deste na morte de seu marido. Durante 15 anos o governo entrou com apelações para reverter a decisão, mas perdeu em junho de 1995. Agora tem de pagar a Teresa Fiel $600 por mês e uma multa de $265.000. 
Despite the money that it has taken Fiel Filho's widow so long to get, no amount of cash can compensate for his death. Even now, Teresa Fiel has recurring dreams in which she hears the last thing her husband told her before he was taken away by DOI-CODI agents: "Don't cry, darling. I'll be back soon."
A despeito do dinheiro que a viúva de Fiel Filho demorou tanto tempo para receber, nenhuma quantidade de dinheiro pode compensar a morte dele. Até hoje Teresa Fiel tem sonhos repetidos nos quais ela ouve a última coisa que o marido lhe disse antes de ser levado por agentes do DOI-CODI: "Não chore, querida. Logo estarei de volta." 
The new victims
As novas vítimas
Eleven years after the end of military rule, illegal imprisonment, torture and disappearances continue to take place in Brazil. Most of today's victims are low-income blacks who live in favelas (shantytowns).
Onze anos depois do fim do governo militar, prisão ilegal, tortura e desaparecimentos continuam a ter lugar no Brasil. A maioria das vítimas atuais são pretos de baixa renda que vivem em favelas (shantytowns).
In October 1995, Federal Police officers in the Northeastern state of Ceará arrested José Ivanildo Sampaio Souza, a 33-year-old candy maker and known gang member. Not only was he armed, but he also was carrying 70 grams of marijuana and hashish, as well as two papelotes of cocaine. The officers took Sampaio Souza to police headquarters in Fortaleza, the state capital. The next day, he was dead.
Em outubro de 1995, oficiais da Polícia Federal no estado nordestino do Ceará detiveram José Ivanildo Sampaio Souza, doceiro de 33 anos de idade e sabido membro de quadrilha. Não apenas ele estava armado, como também carregava 70 gramas de maconha e haxixe, bem como dois papelotes de cocaína. Os oficiais levaram Sampaio Souza para a sede da polícia em Fortaleza, a capital do estado. No dia seguinte ele estava morto.
His autopsy stated that Sampaio Souza had eight broken ribs and a broken sternum. "Death occurred by means of a bruising instrument," the report continued, "that caused acute abdominal hemorrhaging with traumatic lesions in the left kidney and liver."
A autópsia declarou que Sampaio Souza tinha oito costelas quebradas e um esterno quebrado. "A morte ocorreu por meio de um instrumento contundente," continuou o relatório, "que causou hemorragia abdominal aguda com lesões traumáticas no rim esquerdo e no fígado." 
The police tortured Sampaio Souza to death because he refused to tell them the names of other gang members. "We'll go to the bottom of this and punish the culprits," Federal Police Chief Vicente Chelloti told Brazilian weekly newsmagazine Veja about the Sampaio Souza case. That may be an uphill battle.
A polícia torturou Sampaio Souza até à morte porque ele se recusou a dizer os nomes de outros membros da quadrilha. "Iremos até o fundo disto e puniremos os culpados," disse o Chefe da Polícia Federal Vicente Chelloti à revista noticiosa semanal Veja acerca do caso Sampaio Souza. Essa poderá ser uma batalha morro acima.
In police stations throughout Brazil, torture is the method of first choice to clarify crimes. Instead of the time-consuming and expensive path of investigations and proofs, police officers opt for the quick and easy way out. Some politicians say that torture is justifiable since criminals do not have human rights. If cops go too far while interrogating a suspect, that's one less thug to deal with.
Em delegacias de polícia em todo o Brasil, a tortura é o método de primeira escolha para esclarecer crimes. Em vez do caminho demorado e caro de investigações e provas, as autoridades policiais optam pelo meio rápido e fácil de resolver o problema. Alguns políticos dizem que a tortura é justificável visto que os criminosos não têm direitos humanos. Se os policiais forem longe demais ao interrogarem um suspeito, é um bandido a menos com o qual lidar. 
If the suspect does not die, police officers can get away with torture. There are three main reasons for this. First, Brazil's overburdened magistrates barely have time to judge homicides, much less arrange time to verify police abuses. For example, the Secretariat of Public Security in the state of Pernambuco made 400 inquiries in 1995 to investigate injuries made by police officers. Of these, one-fifth of the cases went to disciplinary hearings, and only 20 police officers were dismissed from their jobs. This 5% punishment rate means that Brazilian cops accused of torture have 19 chances out of 20 to get off scot-free.
Se o suspeito não morrer, as autoridades policiais poderão não ser punidas pela tortura. Há três motivos principais para isso. Primeiro, os magistrados sobrecarregados do Brasil mal têm tempo de julgar homicídios, e menos tempo ainda para verificar abusos da polícia. Por exemplo, a Secretaria de Segurança Pública do estado de Pernambuco conduziu 400 inquéritos em 1995 para investigar ferimentos provocados por autoridades policiais. Desses, um quinto dos casos gerou audiências disciplinares, e apenas 20 policiais foram dispensados de seus empregos. Esse índice de punição de 5% significa que policiais brasileiros acusados de tortura têm 19 chances em 20 de ficar completamente impunes.
Another factor for the apparent dominance of torture today is because the police tortures more criminals than innocent people. And, among criminals, torture victims usually are petty thieves, not drug traffickers. Major players in the illegal narcotics trade could murder cops who would dare to torture another trafficker. The poorer the suspect, the easier it is to abuse him or her.
Outro fator para a aparente dominância da tortura hoje é a polícia torturar mais criminosos do que pessoas inocentes. E, entre os criminosos, as vítimas de tortura são geralmente pequenos ladrões, não traficantes de drogas. Atores importantes do comércio de narcóticos ilegais podem assassinar policiais que se atrevam a torturar outro traficante. Quanto mais pobre for o suspeito, mas fácil será abusar dele ou dela.
If a police officer is convicted of torturing a suspect under custody, the maximum sentence is one year in jail. That is the same penalty given to people who get into barroom brawls. The punishment increases to five years only if the torture causes permanent injury to the victim or induces miscarriage in a pregnant woman. Psychological damage is not even considered as a factor. The Cardoso administration has attempted to make torture a felony punishable with prison terms of eight to 20 years. However, the proposal has been indefinitely shelved.
Se um policial for condenado por torturar suspeito preso, a sentença máxima é de um ano na cadeia. É a mesma punição aplicada a pessoas por briga de bar. A punição sobe para cinco anos apenas se a tortura causar dano permanente à vítima ou induzir a aborto em mulher grávida. Dano psicológico sequer é considerado como fator. A administração Cardoso tentou tornar a tortura crime grave passível de penas de prisão de oito a 20 anos. Entretanto, a proposta vem sendo engavetada por tempo indefinido. 
Finally, torture continues to be prevalent in Brazil because many Brazilians turn a blind eye to it. As Veja expressed it in a 1995 article about torture in democratic Brazil, "torture exists in police stations because society wants it that way."
Finalmente, a tortura continua a ser dominante no Brasil porque muitos brasileiros fazem vista grossa para ela. Como Veja expressou num artigo de 1995 a respeito da tortura no Brasil democrático, "a tortura existe nas delegacias de polícia porque a sociedade assim quer."
According to the Defense Council for Human Rights (CDDPH), a division of Brazil's Justice Ministry, there have been over 200 disappearances since Brazil returned to democracy in 1985 -- more than the 152 reported disappearances throughout the military regime. The largest number of disappearances has occurred in the state of Rio de Janeiro. When Rio de Janeiro newspaper O Dia made a survey of police archives in 1995, it discovered that 162 people had disappeared under conditions which suggested the involvement of the police.
De acordo com o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), divisão do Ministério da Justiça do Brasil, já houve mais de 200 desaparecimentos desde que o Brasil retornou à democracia em 1985 -- mais do que os 152 desaparecimentos relatados ao longo do regime militar. O maior número de desaparecimntos ocorreu no estado do Rio de Janeiro. Quando o jornal do Rio de Janeiro O Dia fez uma vistoria de arquivos da polícia em 1995, descobriu que 162 pessoas haviam desaparecido em condições que sugeriam envolvimento da polícia.
Lacking police interest in the disappearances, relatives and friends of the disappeared, as well as lawyers and human-rights advocates, have investigated the cases on their own. They often receive death threats. Sometimes those threats come true.
À falta de interesse da polícia nos desaparecimentos, parentes e amigos dos desaparecidos, bem como advogados e defensores de direitos humanos, têm investigado os casos por conta própria. Amiúde recebem ameaças de morte. Por vezes essas ameaças se concretizam. 
In July 1990, 11 teenagers -- eight boys and three girls -- from the Rio de Janeiro favela of Acari went to spend a weekend on a farm in Bagé, on the periphery of the Rio metropolitan area. The young people never returned. Their mothers got together to discover the circumstances of the disappearances and found evidence that the young people had been kidnapped and murdered by the police. Inspired by the example of the "Mothers of the Plaza de Mayo" -- Argentine women whose children had disappeared between 1976 and 1983, when a military regime ruled that country -- the mothers of the disappeared of Acari began to march around the downtown Rio neighborhood of Cinelândia every Monday afternoon. In their hands, they held photos of their children. The women became known as the Mães de Acari (Mothers of Acari).
Em julho de 1990, 11 adolescentes -- oito rapazes e três moças -- da favela de Acari, no Rio de Janeiro, foram passar um fim de semana numa faenda em Bagé, na periferia da área metropolitana do Rio de Janeiro. Os jovens nunca voltaram. Suas mães juntaram-se para descobrir as circunstâncias dos desaparecimentos e descobriram evidência de que os jovens haviam sido sequestrados e mortos pela polícia. Inspiradas pelo exemplo das "Mães da Praça de Maio" -- mulheres argentinas cujos filhos haviam desaparecido entre 1976 e 1983, quando regime militar vigorava naquele país -- as mães dos desaparecidos de Acari começaram a marchar no bairro da Cinelândia no centro do Rio toda tarde de segunda-feira. Nas mãos delas, fotos de seus filhos. As mulheres tornaram-se conhecidas como as Mães de Acari (Mothers of Acari).
Although the mothers gained national attention, their attempts to speak with police and government officials were in vain. "Didn't your son have enemies in drug trafficking?" a police officer asked one of the mothers.
Embora tais mulheres tenham ganho atenção nacional, suas tentativas de falar com a polícia e com autoridades do governo foram vãs. "Seu filho não tinha inimigos no tráfico de drogas?" perguntou um policial a uma das mães. 
In March 1994, two of the mothers were invited to speak in France and Switzerland. When she invited them to lunch, French First Lady Danielle Mitterand was so shocked at what the mothers had to say about how Brazilian police officers could get away with murder that she donated $15,000 for the publication of a book about the mothers' efforts to find the truth. That book, Mães de Acari -- uma história de luta contra a impunidade (Mothers of Acari -- A Story of Struggle Against Impunity) by journalist Carlos Nobre, was published in 1994, with a preface by Danielle Mitterand.
Em março de 1994, duas das mães foram convidadas para falar na França e na Suíça. Quando as convidou para almoçar, a Primeira-Dama francesa Danielle Mitterrand ficou tão chocada com o que as mães disseram a respeito de como as autoridades policiais brasileiras podem escapar de punição por assassínio que doou $15.000 dólares para a publicação de um livro acerca dos esforços das mães para descobrir a verdade. Esse livro, Mães de Acari -- uma história de luta contra a impunidade (Mothers of Acari -- A Story of Struggle Against Impunity) pelo jornalista Carlos Nobre foi publicada em 1994, com prefácio de Danielle Mitterrand. 
Before this success, the mothers had met with another tragedy. In 1993, one of the mothers, Edméia da Silva Euzébio, was murdered in front of a prison. A similar case, not connected to the disappearances of the Acari teenagers, happened in October 1995. While investigating the disappearance of a friend, Adilson Cobra Secco, in the Rio favela of Parada de Lucas, Régina Célia Vieira also vanished under suspicious circumstances.
Antes desse sucesso as mães tinham enfrentado outra tragédia. Em 1993 uma das mães, Edméia da Silva Euzébio, foi assassinada em frente a uma prisão. Caso semelhante, não conexo com os desaparecimentos dos adolescentes de Acari, aconteceu em outubro de 1995. Ao investigar o desaparecimento de um amigo, Adilson Cobra Secco, na favela de Parada de Lucas, no Rio, Regina Célia Vieira também desapareceu em circunstâncias suspeitas. 
Cases like these are responsible for an average of 140 letters a day sent to Brazilian authorities by people living abroad. All of them ask the government to clarify why the disappearances occurred and to bring those responsible to justice.
Casos como esses são responsáveis por uma média de 140 cartas por dia mandadas para autoridades brasileiras por pessoas residentes no exterior. Todas elas pedem que o governo esclareça por que os desaparecimentos ocorreram e para que os responsáveis sejam levados à justiça. 
In Brasília, Humberto Spinola, coordinator of the CDDPH, has proclaimed that it is "the government's determination to put an end to this situation." However, neither he nor any other government officials have concrete proposals to deal with the current wave of disappearances.
Em Brasília, Humberto Spinola, coordenador do CDDPH, proclamou "o governo estar determinado a pôr fim a essa situação." Entretanto, nem ele nem qualquer outra autoridade do governo tem propostas concretas para lidar com a atual onda de desaparecimentos.
Lawyer Cristina Leonardo, of the Brazilian Center of the Defense of Children's and Adolescent's Rights, says that the fact that police officers are not arrested and punished for the crimes they are accused of proves that the poor are not given the rights that Brazil's constitution guarantees them. "How many of these cases of police violence were punished?" she asked São Paulo newspaper Folha de São Paulo in 1995. "None."
A advogada Cristina Leonardo, Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, diz que o fato de as autoridades policiais não serem presas e punidas pelos crimes de que acusadas prova que aos pobres não são garantidos os direitos que a constituição do Brasil lhes confere. "Quantos desses casos de violência da polícia foram punidos?" perguntou ela ao jornal paulista Folha de São Paulo em 1995. "Nenhum."
The back story
A história anterior
For many historians, the coup of 1964 began to take shape when Jânio Quadros resigned from the presidency in August 1961. Others believe that the military had thought of assuming control since the suicide of President Getúlio Vargas in August 1954. What is certain is that, even in the '50s, elements in Brazil's armed forces were trying to take power away from democratically elected civilian presidents.
Para muitos historiadores o golpe de 1964 começou a tomar forma quando Jânio Quadros renunciou à presidência em agosto de 1961. Outros acreditam que a instituição militar pensava em assumir controle desde o suicídio do Presidente Getúlio Vargas em agosto de 1954. O que é certo é, mesmo nos anos 1950, elementos dentro das forças armadas do Brasil tentavam distanciar o poder de presidentes civis democraticamente eleitos. 
February 19, 1956 -- Air Force officers revolt in Jacareacanga, Pará, in an attempt to overthrow President Juscelino Kubitschek. The rebellion is suppressed and the officers receive amnesties.
19 de fevereiro de 1956 -- Autoridades da Força Aérea revoltam-se em Jacareacanga, Pará, em tentativa de derrubar o Presidente Juscelino Kubitschek. A rebelião é dominada e os oficiais recebem anistia. 
December 3, 1959 -- Another military uprising occurs in Aragarças, Goiás. Kubitschek again subdues the rebellion and amnesties the rebels.
3 de dezembro de 1959 -- Outro levante militar ocorre em Aragarças, Goiás. Kubitschek de novo debela a rebelião e anistia os rebeldes. 
January 31, 1961 -- Jânio Quadros is inaugurated President and tries to transcend political parties. He soon adopts an austere economic program, with credit restrictions and a freeze on workers' salaries. He also prohibits wearing bikinis at the beach and cockfights.
31 de janeiro de 1961 -- Jânio Quadros toma posse como Presidente e tenta atropelar os partidos políticos. Logo adota programa econômico austero, com restrições ao crédito e congelamento dos salários dos trabalhadores. Também proíbe o uso de biquínis na praia e brigas de galo. 
August 25, 1961 -- After seven months, Quadros resigns from the Presidency. In a letter to Congress, Quadros says that he was under pressure from "terrible forces." Carlos Lacerda, governor of Guanabara state (Rio de Janeiro metropolitan area), had accused Quadros of plotting to become a dictator.
25 de agosto de 1961 -- Depois de sete meses, Quadros renuncia à Presidência. Em carta ao Congresso, Quadros diz que estava sob pressão de "terríveis forças." Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara (área metropolitana do Rio de Janeiro) havia acusado Quadros de tramar para tornar-se ditador. 
August 25, 1961 -- House Speaker Ranieri Mazzilli becomes interim President. Vice-President João Goulart had been on a state visit to China.
25 de agosto de 1961 -- O líder da Câmara Ranieri Mazzilli torna-se Presidente interino. O Vice-Presidente João Goulart havia ido para uma visita de estado à China. 
September 7, 1961 -- After political manipulations, Goulart is inaugurated President under a hastily-manufactured parliamentary system. Tancredo Neves (who would be elected President in 1985, but become fatally ill on the eve of his inauguration) is elected Prime Minister by Congress. Goulart begins to face a wave of strikes in Brazil and receives full presidential powers in January 1963, after a plebiscite that ends the parliamentary experiment.
7 de setembro de 1961 -- Depois de manipulações políticas, Goulart toma posse como Presidente num sistema parlamentar instituído às pressas. Tancredo Neves (que seria eleito presidente em 1985, mas caiu fatalmente doente na véspera da posse) é eleito Primeiro-Ministro pelo Congresso. Goulart começa a enfrentar nova onda de greves no Brasil e recebe poderes presidenciais plenos em janeiro de 1963, depois de um plebiscito que acaba com o experimento parlamentar. 
March 13, 1964 -- Goulart takes measures that displease business executives and military officers. During a rally in Rio de Janeiro, he signs a decree that nationalizes privately-held petroleum refineries. He is accused of being partial to Communism.
13 de março de 1964 -- Goulart toma medidas que desagradam executivos de empresas e autoridades militares. Durante um comício no Rio de Janeiro, ele assina decreto que nacionaliza refinarias de petróleo de propriedade privada. É acusado de favorecer o comunismo. 
March 29, 1964 -- In Minas Gerais, Generals Olympio Mourão Filho, Carlos Luís Guedes and Odílio Denys put the final touches on a plot to depose Goulart.
29 de março de 1964 -- Em Minas Gerais, os Generais Olympio Mourão Filho, Carlos Luís Guedes e Odílio Denys dão os toques finais numa trama para deporem Goulart. 
March 31, 1964 -- Troops advance toward Rio de Janeiro and Brasília. Goulart, without military support, travels to his home state of Rio Grande do Sul and afterwards decides to go into exile in Uruguay.
31 de março de 1964 -- Tropas avançam rumo a Rio de Janeiro e Brasília. Goulart, sem apoio militar, viaja para seu estado natal do Rio Grande do Sul e depois decide ir para o exílio no Uruguai.
April 15, 1964 -- Marshal Humberto Castello Branco becomes President. He bans strikes, closes civilian associations, revokes the mandates and civil rights of politicians and intervenes in trade unions. Generals continue in power until 1985.
15 de abril de 1964 -- O Marechal Humberto Castello Branco torna-se Presidente. Proíbe greves, fecha associações civis, revoga o mandato e os direitos civis de políticos e intervém nos sindicatos. Os generais continuam no poder até 1985. 
The generals in charge
Os generais no poder
Presidents of Brazil, 1964-1985
Presidentes do Brasil, 1964-1985
Humberto Castello Branco -- 1964-1967
Humberto Castello Branco -- 1964-1967
Arthur da Costa e Silva -- 1967-1969
Arthur da Costa e Silva -- 1967-1969
Emílio Garrastazú Médici -- 1969-1974
Emílio Garrastazú Médici -- 1969-1974
Ernesto Geisel -- 1974-1979
Ernesto Geisel -- 1974-1979
João Baptista Figueiredo -- 1979-1985
João Baptista Figueiredo -- 1979-1985
Grading the presidents
Notas dos presidentes
In 1994, Congressman Roberto Campos (PDS -- RJ) evaluated for O Estado de São Paulo newspaper the administrations of the generals who ruled Brazil from 1964 to 1985.
Em 1994, o Deputado Roberto Campos (PDS -- RJ) avaliou, para o jornal O Estado de São Paulo, as administrações dos generais que governaram o Brasil de 1964 a 1985.
For the Castello Branco administration (in which Campos was Minister of Planning) Campos gave the highest grade: 9 out a possible 10. Why? According to Campos, Castello Branco "planned everything very well, although it might not have been accomplished yet." As for the government of Costa e Silva, which had a "short duration and was weak," the congressman gave it only a 3.
Para a administração Castello Branco (na qual Campos foi Ministro do Planejamento) Campos deu a nota mais alta: 9 sendo 10 a nota mais alta possível. Por quê? De acordo com Campos, Castello Branco "planejou tudo muito bem, embora as coisas possam não ter-se concretizado ainda." Quanto ao governo de Costa e Silva, que teve "curta duração e era fraco," o deputado deu apenas nota 3. 
The Médici regime, which Campos sees as having been "repressive, but who presided during a period of great prosperity," got a 7. For that of Geisel, whom Campos perceives as "serious," a 5. "Marked by a period of political exhaustion," the Figueiredo government, like that of Costa e Silva, received a below-average grade from Campos: 4.
O regime Médici, que Campos vê como tendo sido "repressivo, mas que viu período de grande prosperidade," ganhou 7. O de Geisel, que Campos percebe como "sério," 5. "Marcado por período de exaustão política," o governo Figueiredo, como o de Costa e Silva, recebeu nota abaixo da média de Campos: 4. 
Brazil was not alone
O Brasil não estava só
For years, military interventions were routine throughout the Third World. A political crisis would suffice to make the tanks roll out onto the streets. For example, Bolivia endured seven coups between 1956 and 1983. In the '80s, Guatemala came to such a point that there were no more civilians to remove from the government. Generals -- and even lower-ranking officers -- did coups on their own colleagues. The same thing happened in Honduras. That country was under dictatorships for 39 years.
Durante anos, intervenções militares foram rotina em todo o Terceiro Mundo. Bastava haver crise política para que os tanques surgissem nas ruas. Por exemplo, a Bolívia sofreu sete golpes entre 1956 e 1983. Nos anos 1980, a Guatemala chegou a tal ponto que não havia mais civis para serem tirados do governo. Os generais -- e mesmo oficiais de patente mais baixa -- davam golpes nos próprios colegas. A mesma coisa aconteceu em Honduras. Esse país ficou sob ditaduras por 39 anos. 
From 1960 until the mid-'80s, most Latin American countries were in the hands of generals. During its years under military rule, Brazil experienced economic growth and political restrictions -- prison, exile, torture, censorship. Argentina went to war with England over the Falkland Islands -- and was soundly defeated. In Chile, in 1973, the civilian president Salvador Allende died while tanks bombed the presidential palace in which Allende was making his last stand. The new president, General Augusto Pinochet, remained in power until a civilian was elected in 1989.
De 1960 até meado anos 1980 a maioria dos países latino-americanos estavam nas mãos dos generais. Durante seus anos de governo militar, o Brasil experimentou crescimento econômico e restrições políticas -- prisão, exílio, tortura, censura. A Argentina foi à guerra com a Inglaterra a propósito das Ilhas Falkland -- e foi completamente derrotada. No Chile, em 1973, o presidente civil Salvador Allende morreu enquanto tanques bombardeavam o palácio presidencial no qual Allende tentava sua última resistência. O novo presidente, General Augusto Pinochet, permaneceu no poder até um civil ser eleito em 1989. 
In wealthy democratic nations such as the US, Latin American dictators are a familiar comic stereotype, along with bearded guerrillas and Mexicans taking siestas under gigantic sombreros. The Woody Allen film Bananas (1971) depicts an imaginary Latin American country where dictators depose each other. When he takes over, the new leader announces radical changes for the country: wearing undershorts over trousers and the adoption of Swedish as the official language.
Em nações democráticas ricas tais como Estados Unidos os ditadores latino-americanos são um estereótipo cômico conhecido, juntamente com guerrilheiros barbudos e mexicanos tirando siestas sob enormes sombreros. O fime de Woody Allen Bananas (1971) mostra um país latino-americano imaginário onde os ditadores uns derrubam os outros. Ao tomar o poder, o novo líder anuncia mudanças radicais para o país: o uso de cuecas por sobre as calças e a adoção do sueco como língua oficial. 
The "Years of Lead" -- a term that became popular after Argentine writer Alberto Daneri used it for the title of a short story about the effects of dictatorship on an ordinary person -- seem to be over. However, it is possible that if there is a major economic decline or a significant threat to the political hegemony of the US, the ghosts of regimes past will leave the barracks and take to the streets.
Os "Anos de Chumbo" -- expressão que se tornou popular depois que o escritor argentino Alberto Daneri usou-a para título de um conto acerca dos efeitos da ditadura sobre a pessoa comum -- parecem ter acabado. Entretanto, é possível que se houver grande declínio econômico ou ameaça significativa à hegemonia política dos Estados Unidos, os fantasmas de regimes do passado deixem os quartéis e tomem as ruas. 
Torturers' acronyms
Acrônimos dos Torturadores
Oban -- Operation Bandeirantes Cenimar -- Navy Information Center
Oban -- Operação Bandeirantes Cenimar -- Centro de Informações da Marinha
CIE -- Army Information Center
CIE -- Centro de Informações do Exército
Cisa -- Air Force Information and Security Center
Cisa -- Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica
DOI-CODI -- Information Operations Department -- Center for Internal Defense Operations
DOI-CODI -- Destacamento de Operações de Informações -- Centro de Operações de Defesa Interna
DOPS -- Department for Political and Social Order
DOPS -- Departmento de Ordem Política e Social
DEOPS -- State Department for Political and Social Order
DEOPS -- Departamento Estadual de Ordem Política e Social
The government's crimes
Os crimes do governo
152 persons disappeared
152 pessoas desapareceram
2000 persons tortured
2000 pessoas foram torturadas
352 persons killed
352 pessoas foram mortas
4500 persons deprived of their civil rights
4500 pessoas privadas de seus direitos civis
10,000 persons exiled
10.000 pessoas exiladas
50,000 persons detained in the first months after the Movement of 1964
50.000 pessoas detidas nos primeiros meses depois do Movimento de 1964
2828 persons sentenced to prison by Military Justice
2828 pessoas sentenciadas a prisão pela Justiça Militar
452 trade unions purged in 1964
452 sindicatos expurgados em 1964
The guerrillas
Os guerrilheiros
PC do B -- Communist Party of Brazil
PC do B -- Partido Comunista do Brasil
PCBR -- Revolutionary Brazilian Communist Party
PCBR -- Partido Comunista Brasileiro Revolucionário
PCB -- Brazilian Communist Party (did not take up arms)
PCB -- Partido Comunista Brasileiro (não pegou em armas)
ALN -- National Action for Liberation
ALN -- Aliança Libertadora Nacional
AP -- Popular Action
AP -- Ação Popular
Molipo -- Movement for Popular Liberation
Molipo -- Movimento de Libertação Popular
MR-8 -- October 8 Revolutionary Movement
MR-8 -- Movimento Revolucionário 8 de Outubro
POC -- Communist Workers' Party
POC -- Partido Operário Comunista
VPR -- Popular Revolutionary Vanguard
VPR -- Vanguarda Popular Revolucionária
VAR-Palmares -- Armed Revolutionary Vanguard -- Palmares
VAR-Palmares -- Vanguarda Armada Revolucionária -- Palmares
Crimes of the guerrillas
Crimes dos guerrilheiros
134 persons killed
134 pessoas mortas
CIA agent Charles Chandler and São Paulo industrialist Henning Albert Bollesen were executed
Agente da CIA Charles Chandler e industrial de São Paulo Henning Albert Bollesen foram executados
A car bomb targeted the Second Army headquarters in São Paulo
Carro-bomba visou a sede do Segundo Exército em São Paulo
4 diplomats kidnapped
4 diplomatas sequestrados
100 banks and stores robbed
100 bancos e lojas roubados
What the families want
O que as famílias querem
Two more cases of disappeared persons put on the official government list, as well as the names of 13 Brazilian militants who disappeared outside Brazil and another three who are only known by their pseudonyms. The list would then increase to 156 cases of desaparecidos.
Mais dois casos de pessoas desaparecidas incluídos na lista oficial do governo, bem como os nomes de 13 militantes brasileiros que desapareceram fora do Brasil e outros três só conhecidos por seus pseudônimos. A lista seria assim acrescida para 156 casos de  desaparecidos.
An additional 217 names of persons who have been officially acknowledged to have been killed by the military regime. Their survivors would then have the right to the same compensation given to the families of desaparecidos.
217 nomes adicionais de pessoas oficialmente reconhecidas como tendo sido mortas pelo regime militar. Seus sobreviventes teriam então o direito da mesma compensação dada a famíias dos desaparecidos.
Inquiries into the circumstances of the deaths and the names of those involved. This information would then be on the official list of those who were killed or disappeared during the military regime.
Inquéritos relativos às circunstâncias das mortes e nomes dos envolvidos. Essa informação constaria então da lista oficial dos que foram mortos ou desaparecidos durante o regime militar. 
The group Tortura Nunca Mais has proposed that the government commit itself to denying high-ranking civil service positions to persons involved in crimes during the military regime.
O grupo Tortura Nunca Mais propôs que o governo se comprometa com negar cargos de alto escalão no serviço público a pessoas envolvidas em crimes durante o regime militar. 
What the government is offering
O que o governo está oferecendo

The government has declared legally dead 136 persons who were accused of political activities between 1964 and 1979 and then disappeared.
O governo declarou legalmente mortas 136 pessoas acusadas de atividades políticas entre 1964 e 1979 e depois desapareceram. 
The families of the desaparecidos listed by the Justice Ministry will receive a death certificate and an optional government compensation of R$100,000 to R$150,000, depending on the age of the person when he or she disappeared.
As famílias dos desaparecidos listados pelo Ministério da Justiça receberão certidão de óbito e como compensação opcional do governo de R$ 100.000 a R$ 150.000, dependendo da idade da pessoa quando desapareceu. 
A five-person commission, with one member connected to human-rights groups and another to the Congressional Human Rights Committee, will try to locate the remains of the desaparecidos.
Comissão de cinco pessoas, com um dos membros conexo com grupos de direitos humanos e outro com a Comissão de Direitos Humanos do Congresso, tentará localizar os restos dos desaparecidos.
The compensations will begin to be paid in 1996.
As compensações começarão a ser pagas em 1996.
The "suicide" list
A lista de "suicídios"
Below is a list of leftists who were officially declared to have committed suicide in prison. Out of 22 reported suicides among political prisoners during Brazil's military regime, human-rights groups have proven that 13 of these prisoners had been tortured just before their deaths. All 13 had marks of torture on their bodies.
Abaixo lista de esquerdistas oficialmente declarados como tendo cometido suicídio na prisão. Dos 22 suicídios relatados entre prisioneiros políticos durante o regime militar do Brasil, grupos de direitos humanos já provaram que 13 desses prisioneiros haviam sido torturados logo antes da morte. Todos os 13 tinham marcas de tortura em seus corpos. 
Astrogildo Viana
Astrogildo Viana
Carlos Schimer
Carlos Schimer
Milton de Castro
Milton de Castro
João Lucas Alves
João Lucas Alves
Reinaldo Pimenta
Reinaldo Pimenta
Roberto Cieto
Roberto Cieto
Severino Colon
Severino Colon
Avelmar de Barros
Avelmar de Barros
Olavo Hansen
Olavo Hansen
José Gomes Teixeira
José Gomes Teixeira
Pedro Gerônimo de Souza
Pedro Gerônimo de Souza
Vladimir Herzog
Vladimir Herzog
Manuel Fiel Filho
Manuel Fiel Filho
Methods of torture
Métodos de tortura
As was the rule during the military regime, the police do not use special rooms or sophisticated equipment to torture prisoners. Anything goes when it comes to disrespecting human rights to obtain information. Besides kicks, blows and slapping, here is a list of the most used methods in Brazilian police stations:
Como era regra durante o regime militar, a polícia não usa recintos especiais ou equipamento sofisticado para torturar prisioneiros. Vale tudo quando se trata de desrespeitar direitos humanos para obter informação. Além de chutes, socos e tapas, eis aqui lista dos métodos mais usados nas delegacias brasileiras de polícia: 
Parrot's perch -- An iron bar is wedged behind the victim's knees. His or her wrists are tied to the bar. The bar is then placed between two tables, which causes the victim to hang eight to 12 inches above the floor. The victim's position is reminiscent of a roast chicken on a spit. This method leaves no marks. However, it causes severe pain, nausea and breathing difficulties. It is frequently used in combination with beatings and electric shock. Since four consecutive hours on the parrot's perch is enough to kill a person, torturers usually stop the punishment after an hour or two, only to resume it later.
Pau de arara -- Barra de ferro é enfiada por trás dos joelhos da vítima. Os pulsos dela são atados à barra. A barra é em seguida colocada entre duas mesas, o que leva a vítima a ficar pendurada oito a 12 polegadas acima do piso. A posição da vítima lembra a de um frango assado no espeto. Esse método não deixa marcas. Causa, contudo, muita dor, náusea e dificuldade de respirar. É amiúde usado em combinação com espancamento e choque elétrico. Visto que quatro horas consecutivas de pau de arara são suficientes para matar uma pessoa, os torturadores geralmente param a punição depois de uma hora ou duas, para recomeçarem mais tarde. 
Electric shock -- Torturers take wires which are connected to electric plugs or car batteries and put the wires on the victim's body. To increase the effect, water is thrown on the victim and the wires are put on sensitive spots of his or her body, such as the genitals or the eyes. It is also common to place the wires underneath fingernails and toenails, or in the back near the kidneys. Electric shock causes tremors, weeping and urinary incontinence. The nervous system will go to pieces. Electric shock is deadly when used to excess.
Choque elétrico -- Os torturadores usam fios conexos com plugues elétricos ou baterias de carros e colocam os fios no corpo da vítima. Para aumentar o efeito é derramada água no corpo da vítima e os fios são colocados em pontos sensíveis do corpo, como os órgãos genitais ou os olhos. É também comum colocar os fios debaixo de unhas de mãos e pés, ou nas costas perto dos rins. O choque elétrico causa tremores, choro e incontinência urinária. O sistema nervoso esfacela-se. O choque elétrico é letal quando usado em excesso. 
Telephone -- The torturer goes behind the victim. When the victim does not expect it, the torturer slaps both of the victim's ears simultaneously. The immediate effects are disorientation and sharp pains. If the telephone is repeated three times with great force, it can shatter the victim's eardrums and cause permanent deafness.
Telefone -- O torturador fica atrás da vítima. Quando a vítima não espera, o torturador estapeia os ouvidos da vítima, simultaneamente. Os efeitos imediatos são desorientação e dores agudas. Se o telefone for repetido três vezes com muita força, pode arrebentar os tímpanos e causar surdez permanente. 
Drowning -- This can be done with small rubber tubes in the mouth and nostrils, or even with a bucket of water in which to submerge the victim's head. At first, it lasts only a few seconds and the victim is taken out. Afterwards, the torturer increases the time that the victim spends underwater, while the periods between the submersions lessen. The victim's nausea causes him or her to vomit or faint. A related method of torture is to place a plastic bag over the victim's head. This impedes the circulation of oxygen and, if the bag is not taken off in time, can suffocate the victim to death.
Afogamento -- Isso pode ser feito com pequenos tubos de borracha na boca e narinas, ou mesmo com um balde d'água no qual a cabeça da vítima é submergida. De início dura apenas poucos segundos e a vítima é tirada da água. Depois, o torturador aumenta o tempo durante o qual a vítima fica debaixo d'água, enquanto os períodos entre as submersões diminuem. A náusea da vítima leva-a a vomitar ou desmaiar. Método de tortura afim é colocar um saco plástico na cabeça da vítima. Isso dificulta a circulação do oxigênio e, se o saco não for tirado a tempo, pode sufocar mortalmente a vítima. 
Psychological torture -- This is used as a reinforcement for other methods. Before the victim is tortured, he or she is often forced to undress. During the torture session, the torturers take advantage of the victim's nudity to make fun of his or her physical characteristics or defects. Women and girls are often raped and otherwise sexually assaulted while under torture. When the victim cries, urinates or defecates against his or her will -- common reactions under torture -- the torturers make jokes about it. It is also common for torturers to say that the victim's family and friends will also be tortured if the victim does not confess. During the military regime, children and other obviously innocent people would be subjected to torture in front of their loved ones who had been arrested for political crimes.
Tortura psicológica -- Usada como reforço de outros métodos. Antes da vítima ser torturada ela é forçada a tirar a roupa. Durante a sessão de tortura, os torturadores tiram proveito da nudez da vítima para fazerem troça das caracerísticas ou defeitos físicos dela. Mulheres e moças são amiúde estupradas e agredidas de outras formas quando sob tortura. Quando a vítima grita, urina ou defeca contra sua vontade -- reações comuns quando sob tortura -- os torturadores fazem piada a respeito. É também comum os torturadores dizerem que a família e os amigos da vítima também serão torturados se a vítima não confessar. Durante o regime militar, crianças e outras pessoas obviamente inocentes eram sujeitadas a tortura na frente de seus entes queridos que haviam sido presos por crimes políticos. 
All agitators
Todos agitadores
These profiles are taken from the archives of the São Paulo state Department for Political and Social Order (DOPS-SP) during the 1970s, when Brazil's military regime viewed thousands of Brazilian citizens as security risks.
Esses perfis são tirados dos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social do estado de São Paulo (DOPS-SP) durante os anos 1970, quando o regime militar do Brasil via milhares de cidadãos brasileiros como representando risco para a segurança.
Fernando Henrique Cardoso:
Fernando Henrique Cardoso:
"He is an element of the left. He was the treasurer of the Paulista Center for the Study and Defense of Petroleum. A professor at the University of São Paulo, he approved the student movement and translated Marxist texts. He made slanderous propaganda against the Brazilian government abroad."
"É elemento de esquerda. Era tesoureiro do Centro Paulista de Estudo e Defesa do Petróleo. Professor da Universidade de São Paulo, aprovava o movimento estudantil e traduziu textos marxistas. Fez propaganda caluniosa contra o governo brasileiro no exterior." 
Cardoso is now President of Brazil
Cardoso é hoje Presidente do Brasil
José Serra:
José Serra:
"One of the heads of the intended Communist revolution. He has been a great agitator and troublemaker since the time he was the president of the state Students' Union. A skillful indoctrinator of Marxist ideology, he dictated norms of conduct for all the student organizations."
"Uma das cabeças da pretendida revolução comunista. Tem sido grande agitador e criador de problemas desde quando era presidente da União dos Estudantes do estado. Hábil doutrinador da ideologia marxista, ditava normas de conduta para todas as organizações estudantis." 
Serra is now Minister of Planning
Serra é hoje Ministro do Planejamento
Francisco Weffort:
Francisco Weffort:
"A leftist intellectual very influential in student organizations. He belongs to the group of University of São Paulo professors composed of subversive and suspect elements. He helped to found the leftist entity Cebrap [Brazilian Center for Analysis and Planning Studies] and writes for subversive newspapers."
"Intelectual esquerdista muito influente nas organizações de estudantes. Pertence ao grupo de professores da Universidade de São Paulo composto de elementos subersivos e suspeitos. Ajudou a fundar a entidade esquedista Cebrap [Centro Brasileiro de Análise e Planejamento] e escreve para jornais subversivos." 
Weffort is now Minister of Culture
Weffort é hoje Ministro da Cultura
Sérgio Motta:
Sérgio Motta:
"On March 8, 1965, he was caught at a secret meeting of Popular Action by DOPS-SP investigators. Intelligent and persuasive, he slandered the Castello Branco government at a student symposium in the US in 1966, saying that Brazil was under a dictatorship."
"Em 8 de março de 1965, foi apanhado numa reunião secreta da Ação Popular pelos investigadores do DOPS-SP. Inteligente e persuasivo, difamou o governo Castello Branco num simpósio de estudantes nos Estados Unidos em 1966, dizendo que o Brasil estava sob uma ditadura." 
Motta is now Minister of Communications
Motta é hoje Ministro das Comunicações
Pérsio Arida:
Pérsio Arida:
"He enticed several colleagues from the Instituto de Aplicação into the terrorist group VAR-Palmares. He accomplished several propaganda activities for the armed struggle. He led indoctrination meetings and meetings where terrorist activities were being planned."
"Ele seduziu diversos colegas do Instituto de Aplicação para que ingressassem no grupo terrorista VAR-Palmares. Realizou diversas atividades de propaganda para a luta armada. Liderou reuniões de doutrinação onde atividades terroristas eram planejadas." 
Arida is now president of the Banco Central
Arida é hoje presidente do Banco Central

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