Wednesday, February 29, 2012

Amnesty International - Brazil urged to scrap Amnesty Law that protects rights abusers


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Amnesty International

Anistia Internacional

© 2012 Amnesty International
© 2012 Anistia Internacional
The translation into Portuguese has been done by Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme and not by Amnesty International
A tradução para o português foi feita por Murilo Otávio Rodrigues Paes Leme e não pela Anistia Internacional
Press release
Comunicado de imprensa
26 August 2011
26 de agosto de 2011
Brazil urged to scrap Amnesty Law that protects rights abusers
Brasil instado a descartar Lei da Anistia que protege praticantes de atentados a direitos
AI Index: PRE01/421/2011
Índice AI: PRE01/421/2011
Amnesty International today urged the Brazilian authorities to revoke a law that prevents the investigation and prosecution of those responsible for hundreds of cases of human rights violations.
Hoje a Anistia Internacional instou com as autoridades brasileiras para que revoguem lei que impede investigação e processo contra responsáveis por centenas de casos de atentados a direitos humanos.
The 1979 Amnesty Law, which came into effect on 28 August that year, prevents those responsible for the widespread practice of torture, extra-legal executions, enforced disappearances and rape committed during the 1964-1985 military government from being tried for those crimes.
A Lei da Anistia de 1979, que entrou em vigor em 28 de agosto daquele ano, impede que os responsáveis pela prática disseminada de tortura, execuções extralegais, desaparecimentos provocados e estupros cometidos durante o governo militar de 1964-1985 sejam julgados por esses crimes.
“This law is a scandal and doing nothing but preventing justice,” said Susan Lee, Americas Director at Amnesty International. “By upholding a law that allows crimes such as torture and murder to go unpunished, Brazil is falling behind other countries in the region that have made serious efforts to deal with these issues .”
“Essa lei é um escândalo e só serve para impedir que se faça justiça,” disse Susan Lee, Diretora para as Américas da Anistia Internacional. “Ao manter uma lei que permite que crimes tais como tortura e homicídio permaneçam impunes, o Brasil está ficando para trás em relação a outros países da região que têm feito sérios esforços para lidar com essas questões .”
“The fact that crimes including torture, extrajudicial executions, enforced disappearances and rape committed in the past were allowed to go unpunished has denied victims and their families the right to truth, justice and reparation.”
“O fato de crimes que incluem tortura, execuções extrajudiciais, desaparecimentos provocados e estupros cometidos no passado ficarem sem punição tem negado às vítimas e a suas famílias o direito à verdade, à justiça e à reparação.”
Since the return to democracy, successive administrations have supported the law, although more recently it has been challenged judicially. In April 2010, a Brazilian Bar Association challenge to the current interpretation of the law was rejected by the Supreme Federal Court.  President Dilma Rousseff and Minister of Defence, Celso Amorim, have publicly reassured the military saying the law was “untouchable”.
Desde o retorno à democracia sucessivas administrações apoiaram tal lei, embora mais recentemente ela tenha sido questionada judicialmente. Em abril de 2010 questionamento da atual interpretação da lei pela Ordem dos Advogados do Brasil foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal. A Presidente Dilma Roussef e o Ministro da Defesa, Celso Amorim, publicamente tranquilizaram a instituição militar mediante dizerem que a lei era “intocável”.
A proposal for the creation of a Truth Commission that would investigate crimes committed during Brazil’s military regime has still to be put before Congress, though initial discussions have stressed that the Commission will not have the power to lead prosecutions.
Proposta de criação de uma Comissão da Verdade que investigaria crimes cometidos durante o regime militar do Brasil ainda está para ser submetida ao Congresso, embora discussões iniciais tenham enfatizado que a Comissão não terá poder para instaurar processos.
Countries including Argentina and Peru have made efforts to investigate and prosecute some of those responsible for similar crimes committed during past periods of military rule, including by declaring their own Amnesty Laws void.
Países entre os quais Argentina e Peru têm desenvolvido esforços para investigar e processar alguns dos responsáveis por crimes similares cometidos durante períodos passados de governo militar, inclusive mediante declarar suas próprias Leis de Anistia inválidas.
A number of international human rights bodies including the Inter American Court of Human Rights; European Court of Human Rights and the UN Human Rights Committee ruled that amnesties for torture, extra-judicial executions and enforced disappearances are incompatible with human rights obligations.
Diversas outras entidades internacionais de direitos humanos, inclusive o Tribunal Interamericano de Direitos Humanos, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos e a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas emitiram sentenças segundo as quais anistias para tortura, execuções extrajudiciais e desaparecimentos provocados são incompatíveis com obrigações de direitos humanos.
The Inter American Court of Human Rights found last year, in the case of   Gomes Lund v. Brazil , that the 1979 Amnesty Law was not in compliance with the obligations of Brazil under international law and ruled that Brazil must “adopt all the measures to revoke” that Law.
O Tribunal Interamericano de Direitos Humanos descobriu no ano passado, no caso de Gomes Lund v. Brasil, que a Lei da Anistia de 1979 é incompatível com as obrigações assumidas pelo Brasil em relação à lei internacional, e sentenciou que o Brasil tem de “adotar todas as medidas para revogar” aquela Lei.
“Brazil’s Amnesty Law is against all national and international commitments the government has taken to uphold human rights. It must be declared void and those responsible for human rights abuses brought to justice without delay,” said Susan Lee.
“A Lei de Anistia do Brasil contraria todos os compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo governo em relação a direitos humanos. Tem de ser declarada inválida e os responsáveis por atentados a direitos humanos têm de ser levados à justiça sem delongas,” disse Susan Lee.
Region Americas
Região Américas
Country Brazil
País Brasil
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© 2012 Amnesty International
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Monday, February 27, 2012

Axis of Logic - Bye-Bye MINUSTAH!

http://axisoflogic.com/artman/publish/Article_63556.shtml
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Axis of Logic
Eixo de Lógica
Finding Clarity in the 21st. Century Mediaplex
Para Clareza no Complexo de Mídia do Século 21
Haiti
Haiti
Bye-Bye MINUSTAH! (Mis à jour avec Traduction française)
Adeus MINUSTAH! (Mis à jour avec traduction française)
By Dady Chery.
Por Dady Chery.
Saturday, Sep 10, 2011
Sábado, 10 de setembro de 2011
Editor's Note: Axis of Logic first published this article in English on August 15, 2011. Due to requests from Haitian readers and others, we have asked Dady Chery to translate her essay into French which she kindly agreed to do. Her translation into French follows the English version.
Nota do Editor: Axis of Logic publicou este artigo pela primeira vez em 15 de agosto de 2011. A pedido de leitores haitianos e outras pessoas, pedimos a Dady Chery para traduzir seu ensaio para o francês, com o que ela gentilmente concordou. A tradução dela para o francês é apresentada em seguida à versão em inglês. [Ver original, http://axisoflogic.com/artman/publish/Article_63556.shtml ]
- Les Blough, Editor
- Les Blough, Editor
Note aux lecteurs de français : Beaucoup d'entre vous ont demandé de lire cet essai en français. La traduction française suit au dessous de la version anglaise. - Axis of Logic
Note aux lecteurs de français : Beaucoup d'entre vous ont demandé de lire cet essai en français. La traduction française suit au dessous de la version anglaise. - Axis of Logic
As one of his first measures in office, Brazilian Defense Minister Celso Amorim plans to conclude Brazil’s participation in the notorious United Nations Stabilization Mission in Haiti (MINUSTAH). Various sectors of the Brazilian government, including Brazil’s Ministry of Foreign Affairs agree with Mr. Amorim, who says that the important thing now is to formulate an exit strategy.
Como uma de suas primeiras medidas no cargo, o Ministro da Defesa do Brasil Celso Amorim planeja encerrar a participação do Brasil na famigerada Missão das Nações Unidas de Estabilização no Haiti (MINUSTAH). Diversos setores do governo brasileiro, inclusive o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, concordam com o Sr. Amorim, o qual diz que o importante agora é formular uma estratégia de saída.
Mr. Amorim was sworn in on Thursday August 4th and only took office the following Monday, but as early as Saturday he held a meeting at the Presidential Palace with Brazil’s Army commanders and Joint Chiefs of Staff to discuss a possible draw down of the troops. According to one participant in this meeting, there was a "convergence of opinion" about the Brazilian troops.
O Sr. Amorim prestou juramento na quinta-feira 4 de agosto e só assumiu o cargo na segunda-feira seguinte, mas tão cedo quanto no sábado teve reunião no Palácio Presidencial com os comandantes do Exército do Brasil e com o Estado-Maior Conjunto para discutir possível saída das tropas. De acordo com um participante  da reunião, houve "convergência de opinião" acerca das tropas brasileiras.
It is appropriate that the Brazilians should be first to leave Haiti. After all, the insertion of UN troops into the country began as a Brazilian project in the early days of Lula’s presidency. It was part of the campaign by Brazil to prove its worthiness in matters of world security so as to earn a permanent seat on the UN Security Council. Mr. Amorim, then Minister of Foreign Affairs, was one of the main architects of Brazil’s participation.
É apropriado que os brasileiros devam ser os primeiros a sair do Haiti. Afinal de contas, a inserção de tropas das Nações Unidas no país começou como projeto brasileiro nos primeiros dias da presidência de Lula. Foi parte da campanha do Brasil para provar sua competência em assuntos de segurança mundial de modo a ganhar assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O Sr. Amorim, então Ministro de Relações Exteriores, foi um dos principais arquitetos da participação do Brasil.
The troops started arriving in June 2004, barely one month after Aristide’s kidnapping, to buttress the illegal administration that followed the coup. The first MINUSTAH commander, a Brazilian, complained of the pressure to use violence and resigned his position by fall 2005. The second commander, another Brazilian, committed suicide by January 2006. The force has continued to grow, with the Brazilian contingent now numbering 2,160 men, although in Brazil this military adventure has been controversial from the start. Mr. Amorim attributes his sudden change of heart to Haiti’s “growing economy and gradual return to democratic normalcy.”
As tropas começaram a chegar em junho de 2004, um mês apenas depois do sequestro de Aristide, para robustecer a administração ilegal que se seguiu ao golpe. O primeiro comandante da MINUSTAH, um brasileiro, queixou-se da pressão para que usasse violência e renunciou ao cargo no outono de 2005. O segundo comandante, outro brasileiro, cometeu suicídio em janeiro de 2006. A força continuou a crescer, com o contingente brasileiro hoje atingindo 2.160 homens, embora no Brasil essa aventura militar tenha sido controversa desde o início.  O Sr. Amorim atribui sua súbita mudança de ideia a “economia crescente e gradual retorno à normalidade democrática” no Haiti.
There are many reasons why MINUSTAH should go, but Mr. Amorim’s justifications do not qualify for my top-ten list below.
Há muitos motivos pelos quais a MINUSTAH deveria ir-se, mas as justificativas do Sr. Amorim não se qualificam para minha lista dos dez principais abaixo.
1. MINUSTAH continually harasses and humiliates Haitians. MINUSTAH’s favorite activities include pepper spraying Haitians and capriciously confiscating drivers’ licenses and computers.
1. A MINUSTAH assedia e humilha continuamente os haitianos. As atividades favoritas da MINUSTAH incluem borrifar spray de pimenta nos haitianos e confiscar-lhes arbitrariamente licenças de motorista e computadores.
2. Common criminals in MINUSTAH enjoy immunity from prosecution. Though over 100 troops have been expelled from Haiti for child prostitution and related charges, MINUSTAH soldiers have enjoyed immunity for most of their crimes, including numerous rapes and the suffocation in August 2010 of a Haitian teenager working on a Nepalese MINUSTAH base.
2. Criminosos comuns, na MINUSTAH, gozam de imunidade em relação a processo. Embora mais de 100 soldados tenham sido expulsos do Haiti por prostituição de crianças e acusações afins, os soldados da MINUSTAH têm gozado de imunidade em relação à maioria de seus crimes, inclusive numerosos estupros e sufocamento, em agosto de 2010, de adolescente haitiano que trabalhava numa base nepalesa da MINUSTAH.
3. MINUSTAH subverts democracy. Together with the U.S., Canada, and France, MINUSTAH fixed elections that excluded 80% of the Haitian electorate and brought a duvalierist, Michel Martelly, back into power in May 2011.
3. A MINUSTAH subverte a democracia. Juntamente com Estados Unidos, Canadá e França, a MINUSTAH fraudou eleições que excluíram 80% do eleitorado haitiano e trouxeram de volta ao poder um duvalierista, Michel Martelly, em maio de 2011. 
4. MINUSTAH interferes in Haiti’s political affairs. Former MINUSTAH head Edmond Mulet recommended that criminal charges be brought against Haiti’s legitimate President, Mr. Jean-Bertrand Aristide, so as to keep him illegally out of Haiti.
4. A MINUSTAH interfere nos assuntos políticos do Haiti. O ex-chefe da MINUSTAH Edmond Mulet recomendou fossem formuladas acusações criminais contra o legítimo Presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, de maneira a mantê-lo ilegalmente fora do Haiti.
5. MINUSTAH serves as an occupation force. MINUSTAH troops, together with Haitian paramilitaries, ambushed and gunned down over 4,000 members of Fanmi Lavalas (Aristide’s party) soon after Aristide was deposed in 2004 in a coup plotted by the U.S., Canada, France, and Haiti’s elite.
5. A MINUSTAH funciona como força de ocupação. As tropas da MINUSTAH, juntamente com paramilitares haitianos, emboscaram e mataram a tiros mais de 4.000 membros do Fanmi Lavalas (partido de Aristide) logo depois de Aristide ser deposto em 2004 num golpe tramado por Estados Unidos, Canadá, França e elite do Haiti.
6. MINUSTAH has operated as a large anti-Aristide gang. MINUSTAH conducted numerous raids on slums such as Cité Soleil so as to kill civilians who supported Aristide. In some of these raids MINUSTAH soldiers fired tens of thousands of rounds at dwellings and schools. (See the video below.)
6. A MINUSTAH tem operado como grande quadrilha antiAristide. A MINUSTAH levou a efeito numerosas incursões em favelas tais como Cidade Sol a fim de matar civis partidários de Aristide. Em algumas dessas incursões soldados da MINUSTAH atiraram dezenas de milhares de vezes em moradias e escolas. (Ver vídeo adiante.)
7. MINUSTAH troops showed spectacular cowardice after the earthquake of January 2010. During the first 36 hours after the earthquake, the troops hardly assisted Haitians and instead searched for each other.
7. As tropas da MINUSTAH mostraram covardia espetacular depois do terremoto de janeiro de 2010. Durante as primeiras 36 horas depois do terremoto os soldados mal ajudaram os haitianos, e sim, em vez disso, procuravam uns aos outros.
8. MINUSTAH harbors vandals and vectors of disease. In October 2010 MINUSTAH introduced a cholera epidemic into Haiti. So far the epidemic has killed over 5,900 Haitians. MINUSTAH covered up the fact that several Nepalese soldiers arrived in Haiti sick with cholera and still lies about its role in the epidemic. As recently as August 6, 2011, MINUSTAH was continuing to dump its fecal matter in Haiti’s rivers.
8. A MINUSTAH abriga vândalos e vetores de doenças. Em outubro de 2010 a MINUSTAH provocou uma epidemia de cólera no Haiti. Até o momento a epidemia já matou mais de 5.900 haitianos. A MINUSTAH encobriu o fato de diversos soldados nepaleses terem chegado ao Haiti doentes de cólera e ainda mente acerca do próprio papael na epidemia. Tão recentemente quanto em 6 de agosto de 2011, a MINUSTAH continuava a despejar sua matéria fecal nos rios do Haiti.
9. The presence of UN troops on Haitian soil is illegal. Haiti’s MINUSTAH is the only UN force in a country that is not at war.
9. A presença de tropas das Nações Unidas em solo haitiano é ilegal. A MINUSTAH do Haiti é a única força das Nações Unidas em país não em guerra.
10. The Haitian people despise MINUSTAH. Haitians at home and abroad, young and old, rich and poor, have made it known that they want MINUSTAH out of Haiti. Common epithets for the troops are “Volè kabrit!” (Goat thief!), “Kakachwet!” (Shitter!), “Koléra!" and “Pédofil!"
10. O povo haitiano despreza a MINUSTAH. Haitianos no país e exterior, jovens e velhos, ricos e pobres, deram a conhecer desejarem a MINUSTAH fora do Haiti. Epítetos comuns para as tropas são “Volè kabrit!” (Bode ladrão!), “Kakachwet!” (Defecador!), “Koléra!" e “Pédofil!"
The UN is regularly updated about MINUSTAH’s crimes, which are well known to the great majority of Mr. Amorim’s compatriots. All know that Haiti was better off in 2004 when the troops first entered the country than in the months preceding the earthquake, and they have loudly objected to their country’s participation in a foreign occupation. An especially eloquent example was Mr. Ricardo Seitenfus, who lost his post as the Brazilian Representative to the OAS in Haiti soon after speaking up in an interview last December. Mr. Seitenfus had this to say:
As Nações Unidas são regularmente informadas dos crimes da MINUSTAH, os quais são bem conhecidos da maioria dos compatriotas do Sr. Amorim. Todos sabem que o Haiti estava melhor em 2004, quando as tropas entraram pela primeira vez no país, do que nos meses anteriores ao terremoto, e em voz alta objetaram à participação de seus país numa ocupação estrangeira. Exemplo especialmente eloquente foi o do Sr. Ricardo Seitenfus, que perdeu seu posto como Representante do Brasil na Organização dos Estados Americanos logo depois de falar sem peias numa entrevista em dezembro último. O Sr. Seitenfus teve o seguinte a dizer:
“The UN system currently in place to prevent disputes is inappropriate for Haiti. Haiti is not an international threat. We are not in the midst of a civil war. Haiti is not Iraq or Afghanistan…. But it looks to me as if, on the international scene, Haiti is paying mainly for its proximity to the U.S. Haiti has long been an object of negative attention from the international system. It took the UN to coalesce this power and transform Haitians into prisoners of their own island.”
“O sistema de prevenção de litígios dentro do sistema da ONU não é adaptado ao contexto haitiano. O Haiti não é uma ameaça internacional. Nós não estamos em situação de guerra civil. O Haiti não é o Iraque nem o Afeganistão…. Mas me parece que o Haiti, no cenário internacional, paga essencialmente por sua proximidade com os Estados Unidos. O Haiti foi objeto de uma atenção negativa por parte do sistema internacional. Para a ONU, trata-se de congelar o poder e transformar os haitianos em prisioneiros da própria ilha.”
But the Brazilian calls to withdraw from Haiti have fallen on deaf ears. The real reasons for the coming withdrawal are to be found in the current Brazilian politico-economic situation and a recent ruling by a Dutch court.
Os apelos brasileiros favoráveis a saída do Haiti têm, entretanto, caído em ouvidos moucos. Os reais motivos para a retirada vindoura devem ser encontrados na atual situação política e econômica do Brasil e em recente sentença proferida por tribunal holandês.
Since 2004, Brazil’s taxpayers have spent over R$ 1 billion on MINUSTAH. Last year alone maintenance of the Brazilian troops in Haiti cost R$ 426 million: R$ 140 million for annual costs and other expenditures, plus R$ 286 million for humanitarian aid sent after an earthquake. In principle, the UN should reimburse these expenses, but in recent years the reimbursements have amounted to only 16% of the payments made by the Brazilian government. In addition the salaries of Brazil’s MINUSTAH troops have exceeded R$ 41 million per year, but these costs are excluded from Brazil’s expenses on the mission because these individuals would be entitled to their pay if they were in Brazil. The Brazilian government has long known about this bloodletting, of course, but it has grit its teeth and maintained the arrangement as a political bribe to the U.S. in return for a seat on the Security Council. In more than seven years, this seat has not materialized.
Desde 2004 os contribuintes brasileiros já gastaram mais de R$ 1 bilião com a MINUSTAH. Só no ano passado a manutenção das tropas brasileiras no Haiti custou R$ 426 milhões: R$ 140 de custos anuais e outras despesas, mais R$ 286 milhões de ajuda humanitária enviada depois de um terremoto. Em princípio as Nações Unidas deveriam reembolsar essas despesas mas, em anos recentes, os reembolsos montaram apenas 16% dos pagamentos feitos pelo governo brasileiro. Além disso, os salários dos soldados brasileiros da MINUSTAH têm ultrapassado R$ 41 milhões por ano, mas esses custos são excluídos das despesas do Brasil com a missão porque esses indivíduos teriam direito a seu pagamento se estivessem no Brasil. O governo brasileiro há muito tempo sabe dessa sangria, naturalmente, mas tem rilhado os dentes e mantido o arranjo como suborno político para os Estados Unidos em troca de assento no Conselho de Segurança. Em mais de sete anos esse assento não se materializou.
As high as the current costs of MINUSTAH might appear, there will likely be more to pay. In a landmark decision last month, a Dutch court ruled the Netherlands government liable for the failure of its UN soldiers to protect three Bosnian Muslim men from being killed by Serbs during the 1995 Sebrenica massacre. Until now, UN soldiers accused of crimes had been merely discharged. This decision allows the possibility of suing the countries participating in UN forces for the crimes of their soldiers. Given Brazil’s role in the formation of MINUSTAH, the Brazilian government might be liable for all of MINUSTAH’s crimes. In any case, Brazilian troops in Haiti stand accused of the murders of Aristide partisans and numerous sexual assaults.
Por altos que possam parecer os custos atuais da MINUSTAH, provavelmente haverá mais por ser pago. Em decisão histórica no mês passado,  tribunal holandês declarou o governo da Holanda responsável pelo fato de seus soldados nas Nações Unidas não terem impedido que três homens bósnios muçulmanos fossem mortos por sérvios durante o massacre de Srebrenica em 1995. Até o presente, soldados das Nações Unidas acusados de crimes haviam sido simplesmente exonerados. Essa decisão cria a possibilidade de processo contra países participantes das forças das Nações Unidas pelos crimes de seus soldados. Dado o papel do Brasil na formação da MINUSTAH, o governo brasileiro poderia ser responsabilizado por todos os crimes da MINUSTAH. De qualquer modo, as tropas brasileiras no Haiti permanecem acusadas dos assassínios de partidários de Aristide e de numerosas agressões sexuais.
The notorious 2006 Cité Soleil massacre involving these troops was captured on the video provided below. People killed by high powered rifles and M50s fired from helicopter gunships included children, pregnant women and unarmed men at 4 a.m. as they slept in their beds. 24 year old Lelene Mertina was shot inside her home and survived but lost her 6 month old baby. A young school teacher was shot and killed inside his home but while dying said he was shot from a helicopter gunship. The UN was fully aware of who they were killing but denied it despite photographic evidence. (See the video provided below.) The MINUSTAH attacks were retribution for mounting massive demonstrations by the people who were demanding the return of Aristide to Haiti.
O famigerado massacre de Cidade Sol em 2006, envolvendo essas tropas, foi captado no vídeo fornecido adiante. Pessoas mortas por rifles de alta potência e M50s disparados de helicópteros armados incluíram crianças, mulheres grávidas e homens não armados às 4 da madrugada, quando dormiam em seus leitos. Lelene Mertina, de 24 anos, foi atingida dentro de sua casa e sobreviveu, mas perdeu o bebê de 6 meses. Jovem professor primário foi atingido e morto dentro de casa mas, enquanto morria, disse ter sido atingido por helicóptero armado. As Nações Unidas estavam plenamente cientes de quem estavam matando, mas negou isso a despeito de evidência fotográfica. (Ver o vídeo fornecido adiante.) Os ataques da MINUSTAH foram represália por crescentes manifestações maciças por parte das pessoas que exigiam a volta de Aristide ao Haiti.
The week before the UN attack there were several huge demonstrations in Cité Soleil demanding the return of ousted president Jean-Bertrand Aristide. Residents believe that the UN justification for the attack, to arrest a base of kidnappers, was really a cover for collective punishment against the community for continuing demonstrations like these. - Haiti Action
Na semana antes do ataque das Nações Unidas houve diversas enormes manifestações em Cidade Sol exigindo a volta do presidente deposto Jean-Bertrand Aristide. Residentes acreditam que a justificativa das Nações Unidas para o ataque, prender uma base de sequestradores, foi realmente um encobrimento para punição coletiva da comunidade por continuar a fazer manifestações como aquelas. - Haiti Action
Some Brazilian hardliners, such as member of the Center for Strategic Studies at the University of Campinas (Unicamp) Geraldo Cavagnari, continue to say that “the troops should stay put because there is no risk, and there are many things in play."
Alguns linhas duras brasileiros, como o membro do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp) Geraldo Cavagnari, continuam a dizer que “as tropas deveriam continuar porque não há risco, e há muita coisa em jogo."
Everybody understands this to mean that the Security Council seat might yet come, and besides, Haitians are harmless, so why not continue to parasitize them? Retired Brazilian General and former MINUSTAH commander August Heleno has been more pointed in his warning to Amorim against giving the armed forces a “left-wing ideological imprint.” One suspects that Cavagnari and Heleno are unaware of the Dutch court decision, or the fact that Haitians are not being so inoffensive these days. The introduction of cholera into the country immediately after the murder of 16-year old Gerard Jean Gilles ignited such fierce battles between Haitians and UN troops that the UN had to call a curfew for its troops. Countless protests have taken place at home and abroad, and the protest calls are gradually changing to demands for reparation. One proposal is that MINUSTAH’s current budget of $2.5 million per day should go toward compensating the cholera victims and providing potable water to Haitians. As we say in Haiti, “Ayibobo!” (Amen!)
Todo mundo entende isso significar que o assento no Conselho de Segurança ainda poderia vir e, ademais, os haitianos são inofensivos, por que então não continuar a parasitá-los? O General brasileiro reformado e ex-comandante da MINUSTAH Augusto Heleno foi mais direto em sua advertência a Amorim contra atribuição às forças armadas de um “cunho ideológico de esquerda.” É de suspeitar que Cavagnari e Heleno não estejam cientes da decisão do tribunal holandês, ou do fato de os haitianos não serem atualmente tão inofensivos. A introdução de cólera no país imediatamente depois do assassínio de Gerard Jean Gilles, de 16 anos, inflamou batalhas tão ferozes entre haitianos e tropas das Nações Unidas que as Nações Unidas tiveram de declarar toque de recolher para suas tropas. Incontáveis protestos tiveram lugar no país e no exterior, e os clamores de protesto estão gradualmente transformando-se em exigências de reparação. Uma das propostas é o atual orçamento da MINUSTAH de $2.5 milhões de dólares por dia ser canalizado para compensar as vítimas do cólera e providenciar água potável para os haitianos. Como dizemos no Haiti, “Ayibobo!” (Amém!)
Dutch courts aside, in Brazil the political winds are now blowing in an entirely different direction. Reactionary voices like those of Heleno and Cavagnari are quieting down as the relatives of murdered leftists increasingly pressure their country to create a Truth Commission to investigate and punish the crimes of Brazil’s 21-year dictatorship. Already three military commanders have been forced to resign. Indeed, Mr. Amorim owes his position partly to the ditherings of former Defense Minister Nelson Jobim about the Truth Commission.
Tribunais holandeses à parte, no Brasil os ventos políticos estão agora soprando em direção inteiramente diferente. Vozes reacionárias como as de Heleno e Cavagnari vão-se aquietando à medida que os parentes de esquerdistas mortos pressionam cada vez mais para que seu seu país crie uma Comissão da Verdade para investigar e punir os crimes da ditadura de 21 anos no Brasil. Já três comandantes militares foram forçados a renunciar. Na verdade, o Sr. Amorim deve seu cargo em parte à excitação do ex-Ministro da Defesa Nelson Jobim acerca da Comissão da Verdade.
Gone are the days when the wealthy owners of Brazil’s apparel companies such as ABIT and AFRABAS held their country’s coffers and politicians with such a firm grip that they could commandeer thousands of their citizens to guard their sweatshops abroad. Only months before the earthquake, delegations of Brazil’s rich strutted along Port-au-Prince’s waterfront, together with Haitian sweatshop magnate Fritz Mevs and former U.S. President Clinton, dreaming of possible sites for their future West Indies Free Zone. But things fell apart since the earthquake, not only in Haiti, but all around. The Brazilian Defense Ministry is being forced to trim its budget because the country’s growth has slowed.
Foram-se os dias quando os ricos donos das empresas têxteis do Brasil como ABIT e AFRABAS seguravam tão firmemente os cofres e os políticos de seu país que podiam controlar milhares de seus cidadãos para protegerem suas fábricas/oficinas de miséria no exterior. Meses apenas antes do terremoto delegações dos ricos do Brasil pavoneavam-se ao longo do setor ribeirinho de Porto Príncipe, juntamente com o magnata de fábricas/oficinas de miséria haitiano Fritz Mevs e o ex-Presidente dos Estados Unidos Clinton, sonhando com possíveis locais para sua futura Zona Livre das Índias Ocidentais. As coisas porém desmoronaram desde o terremoto, não apenas no Haiti, mas em toda parte. O Ministério da Defesa do Brasil está sendo forçado a tosar seu orçamento porque o crescimento do país tornou-se mais lento.
Those of us who want to see Haiti regain its independence would do well to support the Brazilian efforts toward a Truth Commission and all projects everywhere to bring UN soldiers to account for their crimes. The search for Truth has so far succeeded where much else has failed. In Haiti, where “growth” typically means everything from sweatshop labor to slavery, and “democracy” means everything from fixed elections to outright occupation, we could do with a little less growth and democracy and a little more Truth right now.
Aqueles de nós que desejamos ver o Haiti recuperar sua independência bem faríamos em apoiar os esforços brasileiros no sentido de uma Comissão da Verdade e todos os projetos em toda parte para levar soldados das Nações Unidas a responder por seus crimes. A procura pela Verdade até agora teve sucesso onde grande parte do mais falhou. No Haiti, onde “crescimento” tipicamente significa tudo desde trabalho em condições miseráveis a escravatura, e “democracia” significa tudo desde eleições viciadas a ocupação aberta, melhor nos haveríamos com um pouco menos de crescimento e democracia e um pouco mais de Verdade imediatamente.
Since Mr. Amorim seems to be at a loss for an exit strategy, I would like to suggest one: how about packing the bags of MINUSTAH’s troops, trucking them to Toussaint Louverture Airport, and putting them on the next TAM flights to Rio?
Visto que o Sr. Amorim parece estar sem saber o que fazer quanto a uma estratégia de saída, gostaria de sugerir uma: que tal fazer as malas das tropas da MINUSTAH, mandá-las de caminhão para o Aeroporto Toussaint Louverture, e despachá-las nos voos seguintes da TAM para o Rio?
The departure of the Brazilian troops should spell the beginning of the end for MINUSTAH. The Brazilians are its largest contingent, with more than a quarter of the total number of troops.
A partida das tropas brasileiras deveria significar o começo do fim da MINUSTAH. Os brasileiros formam seu maior contingente, com mais de um quarto do número total de soldados.
The rest come from:
Os restantes vêm de:
Argentina, Bolivia, Canada, Chile, Ecuador, France, Guatemala, Japan, Jordan, Nepal, Paraguay, Peru, Philippines, South Korea, Sri Lanka, U.S., Uruguay.
Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Equador, França, Guatemala, Japão, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, Coreia do Sul, Sri Lanka, Estados Unidos, Uruguai.
Since many of the crimes by these troops are well known and can be readily documented for lawsuits, these countries too will soon discover that their “peacekeeping” costs have become burdensome.
Visto que muitos dos crimes dessas tropas são bem conhecidos e podem ser rápida e facilmente documentados para efeito de processos legais, esses países também logo descobrirão que seus custos de “manutenção da paz” tornaram-se onerosos.
One is tempted to ask why south American states, with presumably leftist and nationalistic governments, like Bolivia and Ecuador support the occupation of Haiti. After all, Cuba and Venezuela have amply demonstrated how much more can be achieved by contributing medical doctors and public-health workers, instead of soldiers, to Haiti. But not everything needs to be said during this leave taking. It is better to show the remaining MINUSTAH members the door and advise they not slam it on their way out.
Fica-se tentado a perguntar por que os estados sul-americanos, com governos presumivelmente esquerdistas e nacionalistas, como Bolívia e Equador, apoiam a ocupação do Haiti. Afinal de contas, Cuba e Venezuela já mostraram amplamente como muito mais pode ser conseguido mediante contribuírem com médicos e obreiros de saúde, em vez de soldados, para o Haiti. Nem tudo, entretanto, precisa ser dito durante essa saída. É melhor mostrar aos membros da MINUSTAH a porta e aconselhá-los a não batê-la com força ao saírem. 
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Aristide's welcoming committee when he was finally permitted to return to Haiti on March 18, 2011 as a result of the demands of the Haitian people. Read more
Comissão de boas-vindas a Aristide quando finalmente recebeu permissão para voltar ao Haiti em 18 de março de 2011, em decorrência das demandas do povo haitiano. Leia mais