Sunday, January 1, 2012

Americas South and North - Misreading Mayans: or, Why the World Is Not Ending This Year



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Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado à História e às Questões da Terra do Fogo ao Ártico
Misreading Mayans: or, Why the World Is Not Ending This Year
Leitura Equivocada dos Maias: ou, Por Que o Mundo Não Acabará Este Ano
January 1, 2012
1o. de janeiro de 2012
Colin M. Snider
Colin M. Snider
Well, we have officially entered 2012, which only means one thing: the talk of the world ending in 2012 based on Mayan calendars and predictions will reach a feverish pitch, which is fine, only there’s one problem:
Bem, entramos oficialmente em 2012, o que significa apenas uma coisa: a conversa acerca do mundo acabar em 2012 com base em calendários e previsões dos maias atingirá intensidade febril, o que é ótimo, a não ser por um problema:
The Mayans didn’t predict the end of the world this year.
Os maias não previram o fim do mundo para este ano.
First, while people refer to “the” Mayans predicting this, “the” Mayans were actually many peoples who might have shared similarities in culture and broad belief systems, but they also had very important regional and ethnic differences across space and time. The culture and language of the Mayans in Palenque in 100 BC would have looked radically different to Mayans in the northwestern part of the Yucatan peninsula in the 1400s. There are no fewer than four major branches of the Mayan language family, with numerous subdivisions; additionally, these fragmentations apply to cultural beliefs and ethnic identities as well, so speaking of “Mayans” as a uniform group is about as useful as speaking about “American Indians” as some homogeneous identity. These divisions matter because they are also reflected in the calendars; not all Mayans across space and time referred to the same calendar or count of years, so to refer to “the” Mayan calendar is at best oversimplifying things and at worst, just plain ignorant.
Primeiro, embora as pessoas se refiram a “os” maias como prevendo isso, “os” maias eram na verdade muitos povos que podem ter compartido similaridades em cultura e sistemas de crenças em termos amplos, mas também exibiram diferenças regionais e étnicas importantes ao longo de espaço e tempo. A cultura e a língua dos maias em Palenque em 100 A.C. teria tido aparência radicalmente diferente dos maias da parte noroeste da península de Iucatã nos anos 1400. Há não menos de quatro ramos principais da família maia de línguas, com numerosas subdivisões; adicionalmente, essas fragmentações aplicam-se bem assim a crenças culturais e identidades étnicas, e portanto falar dos “maias” como grupo uniforme faz tanto sentido quanto falar dos “índios americanos” como tendo identidade homogênea. Essas divisões são relevantes porque também se refletem nos calendários; nem todos os maias ao longo do espaço e do tempo adotavam o mesmo calendário ou contagem de anos e, pois, referir-se a “o” calendário maia é na melhor das hipóteses simplificar exageradamente as coisas e, na pior, crassa ignorância.
Indeed, Mayan culture generally had two calendars: one, a 365-day calendar that measured the agricultural cycle; and one, a 260-day religious calendar that traced the sacred and spiritual life of Mayan peoples. Every 52 years, these two calendars overlapped, and when this occurred, Mayans viewed it as a cosmic moment that brought an end to a major period, but not in a linear sense; rather, Mayan cultures and peoples conceptualized space and time cyclically. Thus, when a period ended, it was not a final end of everything, but a period in which the old ended and a new era began. They would symbolize this ending/beginning in what we might today consider extreme ways: they would destroy their old homes, dishes, even plants at the end of a cycle, so that everything could start anew. But the “starting anew” is the key component of this worldview; endings lacked a finality that the Christian, linear understandings of time (in which there is an absolute beginning and an absolute end, and nothing more) had. In most Mayan conceptualizations of the world and universe, life was cyclical, made up of destruction and rebirth.
Na verdade, a cultura maia, de maneira geral, teve dois calendários: um, um calendário de 365 dias que media o ciclo agrícola; e um, um calendário religioso que delineava a vida sagrada e espiritual dos povos maias. Cada 52 anos esses dois calendários coincidiam e, quando isso ocorria, os maias viam o fato como momento cósmico que punha fim a um período maior, mas não em sentido linear; antes, as culturas e os povos maias conceptualizavam espaço e tempo ciclicamente. Portanto, quando um período terminava, isso não era o fim cabal de tudo, e sim um período no qual o antigo terminava e uma nova era começava. Eles simbolizavam esse término/começo de maneiras que hoje poderíamos considerar exageradas: ao final de um ciclo destruíam suas residências, seus utensílios, até plantas, para que tudo pudesse começar de novo. Entanto, o “começar de novo” é o componente decisivo dessa visão de mundo; os finais não ostentavam uma finalidade que os entendimentos cristãos, lineares, do tempo (onde há um começo absoluto e um fim absoluto, e nada mais) exibiam. Na maior parte das concepções maias do mundo e do universo, a vida era cíclica, feita de destruição e renascimento.
Which leads us into this idea of the “end” of the world.  The Mayans wouldn’t have believed in it simply because, in their conceptualization of the universe, ends weren’t permanent. Additionally, there is no evidence that the Mayans predicted the end of the world. Scholars who are experts on Mayan cultures and peoples point out that there is nothing to support the idea that the calendars were predictive (rather than descriptive). Additionally, the date from which the Mayan calendar began was completely arbitrary, meaning the ending date (which crackpots allege is this year, 2012) is also purely arbitrary. So where did this idea come from? Its origins rest primarily among Europeans whose Christianized worldview saw time as linear, and thus there was only one beginning and one end. Throughout the centuries, there have been any number of millenarian movements whose beliefs hinged on apocalyptic visions of the end times, and Spanish and European misinterpretations of both the Mayan calendars and the Mayan worldviews provided useful fuel to flame the apoctalypticism that had its roots in Christian worldviews. But these predictions and views never accurately reflected what the Mayans ever originally said or believed.
O que nos leva a essa ideia do “fim” do mundo. Os maias não teriam acreditado nela simplesmente porque, em sua concepção do universo, os finais não eram permanentes. Além disso, não há evidência de os maias terem previsto o fim do mundo. Acadêmicos especializados em culturas e povos maias destacam que nada existe em apoio à ideia de que os calendários seriam preditivos (em vez de descritivos). Ademais, a data a partir da qual o calendário maia começava era completamente arbitrária, significando que a data final (que os aloprados alegam ser este ano, 2012) é também puramente arbitrária. Sendo assim, de onde é que veio essa ideia? Suas origens estão assentadas principalmente entre europeus cuja visão de mundo cristianizada via o tempo como linear, e portanto havia apenas um começo e um fim. Ao longo de séculos houve uma série de movimentos milenaristas cujas crenças alicerçavam-se em visões apocalípticas dos tempos finais, e interpretações espanholas e europeias equivocadas tanto dos calendários maias quanto das visões de mundo maias proporcionavam combustível útil para incendiar o apocaliptismo que deitava suas raízes nas visões de mundo cristãs. Essas previsões e pontos de vista, porém, nunca refletiram de maneira precisa o que os maias originalmente diziam ou acreditavam.
So did the Mayans say the world would end this year? No – not ever. Not only was the date not clear, nor their calendar predictive, but the very way in which they conceptualized the world would never suggest it was “ending,” only that one phase had come to a violent close and a new phase in the world was beginning. Barring human-imposed disasters like nuclear apocalypse, the world will not end this year.
Portanto, disseram os maias que o mundo acabaria este ano? Não – nunca. Não apenas a data não era clara, nem seu calendário preditivo, como a própria maneira de eles conceptualizarem o mundo nunca sugeriria que este estaria “acabando,” e sim apenas que uma fase havia chegado a violento término e nova fase do mundo estava começando. Salvo se por catástrofes deflagradas pelo homem, como apocalipse nuclear, o mundo não acabará este ano.


1 comment:

  1. Além de tudo, é meu aniversário de 20 anos rs

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