Wednesday, December 21, 2011

Voluntaryist - Wipe the State of Israel off the Map -- and Every Other State, Too!

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(*) Published on Feb 1, 2005 (Translator's Note) http://www.amazon.com/Case-Against-Israel-Counterpunch/dp/1904859461
(*) O livro resenhado neste artigo foi publicado em 1o. de fevereiro de 2005 (N.doT)
Wipe The State Of Israel Off The Map -- And Every Other State, Too!
Varram O Estado De Israel Do Mapa -- E Todos Os Outros Estados, Também!
A Review of Michael Neumann's
The Case Against Israel
Resenha do livro de Michael Neumann
A Argumentação Contra Israel
By Mark R. Crovelli
Por Mark R. Crovelli
[Editor's Note: Michael Neumann's comments on this review may be found at the end of the article. Readers are requested to remember, that despite the author's rhetoric of calling for the destruction of all states, voluntaryists seek to delegitimize the very idea of the State through education, and we advocate the non-violent withdrawal of the cooperation and tacit consent on which all State power ultimately depends.]
[Nota do Editor: Os comentários de Michael Neumann relativos a esta resenha podem ser encontrados ao final do artigo. Solicita-se aos leitores que se lembrem de que, apesar da conclamação retórica do autor da destruição de todos os estados, os voluntaristas procuram deslegitimar a própria ideia de Estado por meio da educação, e defendemos a cessação não violenta da cooperação e do consentimento tácito dos quais todo poder estatal em última análise depende.]
Michael Neumann, a professor of philosophy at Trent University in Ontario, Canada, has offered the world an absolutely indispensable book for understanding the complex and propaganda-ridden moral issues surrounding the state of Israel. The Case Against Israel (2005, Counterpunch/AK Press) presents a brutally logical argument against the Zionist program that ultimately culminated in the establishment of the "Jewish state," as well as a devastating critique of Israeli expansion and aggression in the decades since its founding. In an age when virtually anyone can be scalded with the "anti-Semite" branding iron simply for questioning acts of the Israeli government, Neumann's book offers a refreshingly honest and indeed courageous analysis of the real moral issues involved. [1]
Michael Neumann, professor de filosofia da Universidade Trent em Ontário, Canadá, ofereceu ao mundo um livro absolutamente indispensável para compreensão das complexas e dominadas por propaganda questões morais relacionadas com o estado de Israel. A Argumentação Contra Israel (2005, Counterpunch/AK Press) apresenta argumentação incisivamente lógica contra o programa sionista que finalmente culminou na criação do "estado judaico," bem como devastadora crítica da expansão e da agressão israelense nas décadas desde a fundação de referido estado. Numa época em que praticamente qualquer pessoa pode ser escaldada com o ferro de marcar "antissemita" simplesmente por questionar atos do governo israelense, o livro de Neumann oferece animadora honesta e em verdade corajosa análise das reais questões morais envolvidas. [1]
This review will be broken into two relatively focused sections. In the first section, I recount Neumann's basic claim in Part I of the book that Israel is an "illegitimate" state--a claim that is both brilliantly argued and exceedingly convincing. In the second section I take issue with Neumann's claim that, even though the state of Israel "has no legitimate foundation," it would nevertheless be "wrong to try to destroy [illegitimate states such as Israel], not because it would be wrong if they vanished, but because the attempt would, in fact, have dreadful consequences." [2]
Esta resenha será dividida em duas secções relativamente direcionadas. Na primeira secção descrevo a asseveração básica de Neumann na Parte I do livro de que Israel é um estado "ilegítimo" -- assertiva tanto brilhantemente argumentada quanto excepcionalmente convincente. Na segunda secção discordo da asseveração de Neumann de que, embora o estado de Israel "não tenha fundamento legítimo," seria nada obstante "errado tentar destruir [estados ilegítimos como Israel], não porque seria errado se eles se desvanecessem, mas porque a tentativa teria, em realidade, pavorosas consequências." [2]
ISRAEL IS NOT A LEGITIMATE STATE
ISRAEL NÃO É ESTADO LEGÍTIMO
Unlike the majority of journalists, politicians and philosophers, Michael Neumann does not assume that the years preceding 1948 (with the exception of the Holocaust) are off-limits for moral scrutiny. On the contrary, Neumann takes the position that the founding of Israel in Palestine had (and continues to have) important moral implications for the conflict that subsequently developed between Palestinians and Israelis. Hence, Neumann's analysis begins with the question of whether the Zionists were morally justified in their quest to create a "homeland" in Palestine.
Diferentemente da maioria dos jornalistas, políticos e filósofos, Michael Neumann não assume que os anos anteriores a 1948 (com a exceção do Holocausto) são vedados para efeito de escrutínio moral. Pelo contrário: Neumann mantém que a fundação de Israel na Palestina teve (e continua a ter) importantes implicações morais para o conflito que subsequentemente se desenvolveu entre palestinos e israelenses. Portanto, a análise de Neumann começa com a pergunta de se os sionistas estavam moralmente justificados em sua busca de criar um "torrão natal" na Palestina.
In order to answer this question, Neumann first tackles the oft-overlooked question of what the Zionists meant when they spoke of creating a "homeland" for the Jews. The answer, as Neumann piercingly observes, is that when the Zionists spoke of a "homeland" for the Jews, what they had in mind was a sovereign state for Jews; that is, a government run for and by Jews:
Para responder a essa pergunta, Neumann primeiro lida com a amiúde negligenciada pergunta acerca do que os sionistas queriam dizer quando falavam em criar um "torrão natal" para os judeus. A resposta, como Neumann perspicazmente observa, é que quando os sionistas falavam de um "torrão natal" para os judeus, o que tinham em mente era um estado soberano para os judeus; isto é, um governo administrado para e por judeus:
[The Zionists] did not come simply to find refuge from persecution. They did not come to 'redeem a people.' All this could have been accomplished elsewhere, as was pointed out at the time, and much of it was being done elsewhere by individual Jewish immigrants to America and other countries. The Zionists, and therefore all who settled under their auspices, came to found a sovereign Jewish state. [3]
[Os sionistas] não foram para lá simplesmente para encontrar refúgio para perseguição. Não foram para lá simplesmente para 'redimir um povo.' Tudo isso poderia ter sido conseguido em outro lugar, como foi destacado à época, e muito disso estava sendo feito em outros lugares por imigrantes judeus individuais que foram para os Estados Unidos e para outros lugares. Os sionistas, e portanto todos os que se estabeleceram sob seus auspícios, foram fundar um estado soberano judaico. [3]
This is no trivial point--especially for all the non-Jews who lived in Palestine before the founding of the so-called "Jewish state." Indeed, for non-Jews who were already living in Palestine, the implication of creating a new sovereign state run for and by Jews was that they would be subject to a government they never asked for and that would operate expressly on the behalf of people other than themselves:
Não se trata de ponto trivial -- especialmente para todos os não-judeus que viviam na Palestina antes da fundação do assim chamado "estado judaico." Na verdade, para os não-judeus que já estavam vivendo na Palestina, a implicação da criação de um novo estado soberano gerido para e por judeus era que eles ficariam sujeitos a um governo que nunca haviam pedido e que funcionaria representando expressamente povo diferente deles:
[Living under Jewish sovereignty] means that Jews have a monopoly on violence in the areas they control. …A Jewish state is simply a state where Jews are firmly in control and where that much is recognized. Within its borders, Jews hold the power of life and death over Jews and non-Jews alike. That is the true meaning of the Zionist project. [4]
[Viver sob soberania judaica] significa que os judeus têm o monopólio da violência nas áreas que controlam. …Um estado judaico é simplesmente um estado onde os judeus estão firmemente no controle e onde isso é reconhecido. Dentro de suas fronteiras, os judeus têm poder de vida e morte sobre tanto judeus quanto não-judeus. Esse é o verdadeiro significado do projeto sionista. [4]
The morality of the founding of a "homeland" for the Jews, therefore, must be appraised in the light of the fact that this meant the creation of a state--a government--that was to be run for and by a certain ethnic group, and despite the wishes of all the people who would be subject to its power. The consequences of creating a state run for and by Jews, and that would have power over non-Jews as well, were, according to Neumann, virtually sealed. The creation of such a state could not have been viewed as anything other than a grave threat to all non-Jews already living in Palestine who would be subject to its jurisdiction. In the first place, as Neumann cogently observes, the non-Jewish population of Palestine could expect a government that would expressly not govern on their behalf:
A moralidade da fundação de um "torrão natal" para os judeus, portanto, precisa ser avaliada à luz do fato de que isso significava a criação de um estado -- um governo -- a ser gerido por e para certo grupo étnico, e a despeito dos desejos de todas as pessoas que estariam sujeitas a seu poder. As consequências de se criar um estado gerido para e por judeus, e que teria poder igualmente sobre não-judeus, estavam, de acordo com Neumann, praticamente seladas. A criação de tal estado só poderia ter sido vista como grave ameaça a todos os não-judeus que já viviam na Palestina, os quais ficariam sujeitos à respectiva jurisdição. Em primeiro lugar, como Neumann convincentemente observa, a população não-judaica da Palestina podia esperar um governo que expressamente não governaria representando-a:
[The Palestinians] realized that many thousands of people, with whom they had had no contact and to whom they had done no wrong, had come and were coming from thousands of miles away to establish a state of their own in as much of Palestine as they could get. …Because [the Palestinians] were not Jewish, they would not partake of sovereignty in this state: whatever its constitution, things would be arranged so that Jews had the deciding say, at the very least in all matters the Jews decided were of vital importance. Ultimately, 'the Jews' would hold the power of life or death over the Palestinians. [5]
[Os palestinos] perceberam que muitos milhares de pessoas, com as quais eles não tinham tido contato e às quais eles nenhum mal tinham feito, haviam vindo e estavam vindo de milhares de milhas de distância para estabelecer um estado delas em quanto da Palestina pudessem obter. …Pelo fato de [os palestinos] não serem judeus, não participariam da soberania de tal estado: qualquer a constituição, as coisas seriam arranjadas de tal maneira que os judeus teriam a palavra decisiva, no mínimo em todos os assuntos que os judeus resolvessem ser de vital importância. Em última análise, 'os judeus' deteriam o poder de vida ou morte sobre os palestinos. [5]
Moreover, the creation of a state run for and by Jews had the obvious implication that the Jews would eventually try to rid Palestine of non-Jews:
Além disso, a criação de um estado administrado para e por judeus tinha a óbvia implicação de que os judeus no final tentariam livrar a Palestina dos não-judeus:
The Zionists had often portrayed themselves as the leaders of 'one people,' the Jews, who wanted Palestine for themselves. They might, when politically useful, provide reassurances about their intentions. But clearly, they could not very well have Palestine for themselves without ridding it of its present inhabitants. The Palestinians, therefore, had good reason to fear an ethnic conflict in which extermination became far from unimaginable. And this is in fact how sentiments have evolved.[6]
Os sionistas haviam-se amiúde retratado como líderes de 'um só povo,' os judeus, que desejava a Palestina para si. Eles podiam, quando politicamente útil, tranquilizar as pessoas quanto a suas intenções. Mas obviamente não poderiam ter de fato a Palestina para si próprios sem descartar seus habitantes presentes. Os palestinos, portanto, tinham bom motivo para temer um conflito étnico no qual o extermínio estaria longe de inimaginável. E é efetivamente assim que os sentimentos têm evolvido.[6]
The idea that the Palestinians would eventually have to be removed from Palestine was, moreover, confirmed by many remarks made by Israel's founding generation, as well as the early establishment of a militant civilian settler movement to colonize Palestinian lands.
A ideia de que os palestinos finalmente teriam de ser retirados da Palestina foi, ademais, confirmada por muitas observações feitas pela geração fundadora de Israel, bem como pelo precoce estabelecimento de um movimento militante civil de assentamentos para colonização das terras da Palestina.
The Palestinians thus had good reason to fear, not the Jews per se, but the establishment of a state--an apparatus of power and coercion--that would be run for the benefit of and by Jews alone. Facing this grave threat to their freedom and property from the establishment of the Jewish state, the Palestinians were justified in attempting to resist the imposition of a foreign power over them that they neither wanted nor asked for.
Os palestinos pois tinham bom motivo para temer, não os judeus per se, mas o estabelecimento de um estado -- um aparato de poder e coerção -- que seria administrado em benefício de e por judeus apenas. Diante dessa grave ameaça a sua liberdade e propriedade oriunda da criação do estado judaico, os palestinos tinham justificativa para tentar resistir à imposição de um poder estrangeiro a eles que nem queriam nem haviam pedido.
As for some of the more common arguments advanced to defend the creation of the Jewish state, Neumann offers devastating rebuttals. With Rothbardian eloquence and logic, Neumann skewers the idea that the Jews had a "historical right" to Palestine: "In territorial disputes, one might expect the Greeks to fare better than the Jews, because the Greeks' rule and subsequent presence [in Palestine] were both longer and stronger. Yet if the Greeks claimed much of the Eastern Roman Empire, including Turkey, they would be suspected of insanity. And the Italians? How much of the Roman Empire is rightfully theirs? These claims, one may safely say, have been lost." [7] Neumann similarly bulldozes the idea that Jews have a biblical right to Palestine [8], the idea that the Holocaust in some way justified the creation of a Jewish state in Palestine [9], and the idea that the Jews were acting in self-defense when they founded the Jewish state. [10]
Quanto a alguns dos argumentos mais comuns apresentados para defender a criação do estado judaico, Neumann oferece devastadora refutação. Com eloquência e lógica rothbardianas, Neumann ridiculariza a ideia de que os judeus tinham "direito histórico" à Palestina: "Em disputas territoriais seria de esperar que os gregos levassem a melhor sobre os judeus, porque o domínio e a subsequente presença dos gregos [na Palestina] foram tanto por período mais longo quanto mais fortes. No entanto, se os gregos reclamassem grande parte do Império Romano do Oriente, inclusive a Turquia, tornar-se-iam suspeitos de insanidade. E os italianos? Quanto do Império Romano pertence a eles por direito? Essas reivindicações, pode-se afirmar com segurança, caducaram." [7] Neumann similarmente arrasa a ideia de os judeus terem direito bíblico à Palestina [8], a ideia de que o Holocausto de algum modo justificou a criação de um estado judaico na Palestina [9], e a ideia de os judeus estarem agindo em defesa própria ao fundarem o estado judaico. [10]
The conclusion that Neumann draws from all this is that the Zionist project to establish a Jewish sovereign state, and which did indeed culminate in the establishment of the state of Israel, was morally illegitimate:
A conclusão que Neumann tira de tudo isso é que o projeto sionista de estabelecer um estado soberano judaico, e que em verdade culminou na criação do estado de Israel, era moralmente ilegítimo:
Zionism always was, despite strategically motivated denials to the contrary and brief flirtations with other objectives, an attempt to establish Jewish sovereignty over Palestine. This project was illegitimate. Neither history nor religion, nor the suffering of Jews in the Nazi era, sufficed to justify it. It posed a mortal threat to the Palestinians, and it left no room for compromise. Given that the Palestinians had no way to overcome Zionism peacefully, it also justified some form of violent resistance. [11]
O sionismo sempre foi, a despeito de estrategicamente motivadas negações em contrário e breves flertes com outros objetivos, tentativa de estabelecer soberania judaica sobre a Palestina. Esse projeto era ilegítimo. Nem a história nem a religião, nem o sofrimento dos judeus na era nazista, bastam para justificá-lo. Ele criou uma ameaça mortal para os palestinos, e não deixou espaço para concessões. Dado que os palestinos não tinham como vencer o sionismo pacificamente, ele também justificou alguma forma de resistência violenta. [11]
Note that Neumann is not claiming that the Jews had no right to seek refuge during or after the Holocaust, nor even that they were in the wrong to seek to live together in Palestine. On the contrary, the sole reason why Israel's founding was illegitimate, according to Neumann, was that the project was intended from the start as an attempt to assert "ethnic sovereignty" over land that was already occupied by Palestinians:
Notemos Neumann não defender que os judeus não tinham direito de buscar refúgio durante ou depois do Holocausto, nem mesmo eles estarem errados ao buscarem viver juntos na Palestina. Pelo contrário, o único motivo de a fundação de Israel ter sido ilegítima, de acordo com Neumann, foi o projeto ter constituído, desde o início, tentativa de afirmar "soberania étnica" sobre terra que já estava ocupada por palestinos:
It may have been justified to try and save the lives of Jewish refugees, but that never justified the state of Israel or the intention to establish it. Had the Zionists not been Zionists, had they asked for nothing more than the right to seek refuge in a land rather than rule it, matters might have been different, but they weren't. [12]
Poderia ser justificável tentar salvar as vidas de refugiados judeus, mas isso nunca justificou o estado de Israel ou a intenção de criá-lo. Tivessem os sionistas não sido sionistas, tivessem eles pedido nada mais do que o direito de buscar refúgio numa terra em vez de mandar nela, as coisas poderiam ter sido diferentes, mas não foram. [12]
From these observations, Neumann concludes that "Israel has no legitimate foundation." [13]
Dessas observações Neumann conclui que "Israel não tem fundamento legítimo." [13]
ALL STATES ARE ILLEGITIMATE - GOOD RIDDANCE TO THEM ALL!
TODOS OS ESTADOS SÃO ILEGÍTIMOS - JÁ VÃO TARDE, TODOS ELES!
Having brilliantly and convincingly argued that the state of Israel has "no legitimate foundation," one expects Michael Neumann to wrap up Part I of the book by denouncing the very existence of this illegitimate state. Indeed, since the state of Israel was born out of the morally illicit intention to either boot out or subjugate the non-Jewish population in Palestine to an ethnically "Jewish state," the most obvious solution to the moral challenge posed by this state would be simply to get rid of it.
Havendo brilhante e convincentemente argumentado que o estado de Israel "não tem fundamento legítimo," surge a expectativa de que Michael Neumann encerre a Parte I do livro denunciando a própria existência desse estado ilegítimo. Com efeito, visto o estado de Israel ter nascido da intenção moralmente ilícita de ou expulsar ou subjugar a população não-judaica da Palestina a um "estado judaico" étnico, a solução mais óbvia para o desafio moral colocado por esse estado seria simplesmente acabar com ele.
Neumann is not willing to go this far, however, and he dismisses the idea of getting rid of the state of Israel, (or most other "illegitimate" states, for that matter), because the consequences of attempting to get rid of it would be "dreadful." [14] It is at this point that I must object to Neumann's otherwise brilliant argument, for his argument against getting rid of the state of Israel is extremely weak, inconsistent, and ultimately undermines the rest of his superb "case against Israel."
Neumann porém não está disposto a ir tão longe, e descarta a ideia de extinção do estado de Israel (ou da maioria dos outros estados "ilegítimos", por falar nisso), porque as consequências de tentar acabar com ele seriam "pavorosas." [14] É neste ponto que tenho de objetar à argumentação em tudo o mais brilhante de Neumann, pois sua argumentação contra o descarte do estado de Israel é extremamente fraca, incoerente e, em última análise, solapa o resto de sua soberba "argumentação contra Israel."
In order to see why, it is important to first note that Neumann's argument does not spring from any moral opposition to the elimination of the state of Israel per se. On the contrary, he takes a rather sanguine view of Israel's disappearance or destruction:
Para vermos como, é importante observar, primeiro, que a argumentação de Neumann não brota de qualquer oposição moral à eliminação do estado de Israel per se. Pelo contrário, ele assume um ponto de vista bastante otimista acerca do desaparecimento ou destruição de Israel:
If Israel collapsed simply because it lost external and internal support, nothing wrong would have happened. Nor would it be wrong to destroy Israel as a political entity if its continued existence would have even worse consequences… .[15]
Se Israel tivesse ruído simplesmente por perda de apoio externo e interno, nada de ruim teria acontecido. Nem seria errado destruir Israel como entidade política se a continuação de sua existência tivesse consequências ainda piores… .[15]
Neumann goes on to explain that his objection to the elimination of the state of Israel is ultimately based upon the assumption that the consequences of attempting to do so would be "dreadful":
Neumann vai adiante explicando que sua objeção à eliminação do estado de Israel baseia-se, em última análise, na assunção de que as consequências de tentar-se fazer isso seriam "pavorosas":
In some ways, the more cynical Zionists are right: Israel's foundations, even if every single allegation of ethnic cleansing is completely accurate, are no worse than those of most other states. Virtually no state has legitimate foundations, and in that sense virtually no state has a right to exist. In theory, therefore, everyone has a right to interfere with the existence of those states. In practice, however, such 'interference' is almost never justified…This is because the cure of destruction is in practice worse than the disease of illegitimate existence. In practice, wiping out a powerful state such as the U.S. or Israel would cause even more suffering than letting it survive. More important, attacks on these states would almost certainly be unsuccessful and merely add to the evil of illegitimate existence the much more serious evil of catastrophic warfare. So Israel, like any other illegitimate state, does for all practical purposes have the right to exist. It would be wrong to try to destroy these states, not because it would be wrong if they vanished, but because the attempt would, in fact, have dreadful consequences. [16]
Sob determinados aspectos, os mais cínicos sionistas estão certos: os fundamentos de Israel, mesmo se cada alegação isolada de limpeza étnica for completamente precisa, não são piores do que os da maioria dos outros estados. Praticamente nenhum estado tem fundamentos legítimos e, nesse sentido, praticamente nenhum estado tem o direito de existir. Em teoria, portanto, todo mundo tem o direito de interferir na existência desses estados. Na prática, contudo, tal 'interferência' quase nunca é justificável…Isso porque a cura da destruição é na prática pior do que a doença da existência ilegítima. Na prática, varrer um estado poderoso como os Estados Unidos ou Israel causaria mais sofrimento ainda do que deixá-lo sobreviver. Mais importante, ataques a esses estados quase certamente seriam malsucedidos e apenas acrescentariam ao mal da existência ilegítima o mal muito maior da guerra catastrófica. Assim Israel, como qualquer outro estado ilegítimo, para todos os propósitos práticos tem o direito de existir. Seria errado tentar destruir esses estados, não porque seria errado eles desaparecerem, mas porque a tentativa teria, com efeito, consequências pavorosas. [16]
Neumann's objection to the elimination of the state of Israel is thus wholly dependent upon the unproven assumption that the consequences of attempting to get rid of it would be far worse than allowing it to continue to exist. This assumption, however, is completely unjustifiable. The consequences of attempting to get rid of or actually getting rid of the state of Israel not only need not be "worse" than allowing it to continue to exist, but need not be "bad" at all.
Assim, pois, a objeção de Neumann à eliminação do estado de Israel depende totalmente da assunção não provada de que as consequências de tentar-se acabar com ele seriam muito piores do que permitir-se continue a existir. Essa assunção, contudo, é completamente injustificável. As consequências de tentar-se acabar ou de realmente acabar com o estado de Israel não apenas não precisam ser "piores" do que permitir que ele continue a existir, mas não precisam ser, em absoluto, "más".
In the first place, whether or not the consequences of attempting to get rid of the Israeli state would be "dreadful," slightly bad, or even wonderful depends upon who you ask. Sure, if you ask a would-be Israeli settler hoping to expropriate a house that is currently owned by Palestinians, he is indeed likely to deem the consequences of attempting to get rid of the Israeli state as "dreadful." He is likely to view any such attempt as a serious threat to his goal of robbing a Palestinian of his home using the Israeli military as his means. If you ask the Palestinian who is facing eviction from his ancestral home by one of the most well armed and aggressive militaries in the world whether it would be "dreadful" if people attempted to get rid of that military and the civilian government that directs it, I find it doubtful that you would get the same answer. Or, suppose you were to ask the people of Gaza in all their current wretchedness whether "wiping out a powerful state such as the U.S. or Israel would cause even more suffering than letting it survive"--does anyone really believe that they would answer affirmatively?
Em primeiro lugar, se ou não as consequências de tentar acabar com o estado israelense seriam "pavorosas," levemente más ou mesmo maravilhosas depende de a quem você pergunte. Certo, se você perguntar a um pretendente a colono israelense desejoso de expropriar casa atualmente de propriedade de palestinos, ele de fato provavelmente avaliará as consequências de tentar acabar com o estado israelense como "pavoross." Tenderá a ver qualquer tentativa da espécie como séria ameaça a sua meta de tirar um palestino de sua casa usando a instituição militar israelense como meio. Se você perguntar ao palestino que enfrenta expulsão de sua casa ancestral por uma das mais bem armadas e agressivas instituições militares do mundo se seria "pavoroso" se as pessoas tentassem acabar com aquela instituição militar e com o governo civil que a dirige, acho duvidoso que você obtenha a mesma resposta. Ou, suponha que você perguntasse ao povo de Gaza em toda a sua atual situação de desgraça se "varrer um estado poderoso como os Estados Unidos ou Israel causaria ainda mais sofrimento do que deixá-lo sobreviver" -- será que alguém realmente acredita que tais pessoas responderiam afirmativamente?
The second problem with claiming that the elimination of an illegitimate state such as Israel would "cause even more suffering than letting it survive" is that the claim depends upon what time period one is talking about. It is indeed true that attempts to rid the world of aggressive, murderous and illegitimate states can cause a great deal of short-term suffering--possibly even more suffering than would have been caused by allowing the illegitimate and murderous states to survive. But, what justification could there be for only considering the short-term consequences, while ignoring the possible long-term consequences of getting rid of such states? After all, the consequences of ridding the world of an illegitimate and oppressive state in the long-run could far, far outweigh the short-term suffering that some people might have to endure to throw off the yoke of an illegitimate government. Were people to succeed in destroying an illegitimate and oppressive state, who could predict how much suffering this would prevent, and for how many years--or even centuries? And this problem is compounded by the fact that, because one cannot legitimately compare one person's suffering with another person's [17], it is not possible to make objective judgments about how much suffering would be caused by either decision. One cannot say, for example, "attempting to overthrow the Israeli state would cause X amount of suffering, while letting it survive would cause Y amount of suffering" because there is no common unit of "suffering" one could use to make such a judgment. [18] All one can justifiably say in such a case is that either course of action is likely to cause some suffering, and, since we are not omniscient, we are not in a position to know which course will objectively cause more. [19]
O segundo problema com asseverar que a eliminação de um estado ilegítimo tal como Israel "causaria ainda mais sofrimento do que deixá-lo sobreviver" é que essa asseveração dependerá do período de tempo do qual se esteja falando. É bem verdade que tentativas de livrar o mundo de estados agressivos, assassinos e ilegítimos poderá causar muito sofrimento no curto prazo -- possivelmente mais sofrimento ainda do que teria sido causado por permitir a sobrevivência dos estados ilegítimos e assassinos. Que justificativa, contudo, haveria para considerar apenas as consequências de curto prazo, ignorando ao mesmo tempo as consequências de longo prazo de acabar com tais estados? Afinal de contas, as consequências de livrar o mundo de um estado ilegítimo e opressor no longo prazo poderão superar em muitíssimo o sofrimento de curto prazo que algumas pessoas poderiam ter de aturar para livrarem-se do jugo de um governo ilegítimo. Se as pessoas fossem bem-sucedidas em destruir um estado ilegítimo e opressor, quem poderia prever quanto sofrimento isso evitaria, e por quantos anos -- ou mesmo séculos? E esse problema é aumentado pelo fato de, sendo impossível comparar legitimamente o sofrimento de uma pessoa com o de outra [17], não ser possível emitir juízos objetivos acerca de quanto sofrimento seria causado por uma decisão ou outra. Não se pode dizer, por exemplo: "tentar derrubar o estado israelense causaria quantidade X de sofrimento, enquanto deixá-lo sobreviver causaria quantidade Y de sofrimento" porque não há unidade comum de "sofrimento" que possa ser usada para fazer-se tal juízo. [18] Tudo o que alguém poderia justificadamente dizer em tal caso é que qualquer dos dois cursos de ação provavelmente causará algum sofrimento e, como não somos oniscientes, não estamos em posição de saber qual curso objetivamente causará mais sofrimento. [19]
These considerations bring us to a third problem with Neumann's claim that overthrowing or attempting to overthrow an illegitimate state would "cause even more suffering than letting it survive"; namely, that not all attempts to overthrow an illegitimate government are unsuccessful--or even violent. The outcome of an attempt to overthrow an illegitimate government depends upon many factors, but is chiefly dependent upon the ideas held by the people involved. Indeed, since "illegitimate" governments (and "legitimate" governments, too, if such a thing is indeed possible) are always composed of a minority of the population, their continued existence is wholly dependent upon the ideas held by the mass of people who fund the state; that is, the taxpayers. [20] Should the taxpayers come to believe in sufficient numbers that the state is indeed illegitimate, there would be virtually nothing that the members of the state could do to perpetuate their parasitical existence, short of killing off the very people on whom they depend for funding. At that point, the illegitimate state would very quickly wither and die of its own accord, and without the need for violence or suffering of any sort. The point here is simply that the outcome of an attempt to overthrow an illegitimate state such as Israel need not involve violence or suffering at all, (e.g., 1989, in some former Soviet republics), and this fact seriously calls into question Neumann's weak defense of Israel's "right to exist." For, if it is indeed possible to overthrow Israel without violence and suffering of any kind, then ought we not to promote precisely this outcome, since it is "not a legitimate state?"
Essas considerações levam-nos a um terceiro problema da afirmação de Neumann de que derrubar ou tentar derrubar um estado ilegítimo "causaria ainda mais sofrimento do que deixá-lo sobreviver"; isto é, nem todas as tentativas de derrubar um governo ilegítimo são malsucedidas -- ou mesmo violentas. O resultado de uma tentativa de derrubar um governo ilegítimo depende de muitos fatores, mas principalmente das ideias acalentadas pelas pessoas envolvidas. Na verdade, visto que governos "ilegítimos" (e governos "legítimos" também, se isso é possível) são sempre compostos por uma minoria da população, a continuação da existência deles depende totalmente das ideias da massa de pessoas que financia o estado; isto é, os pagadores de impostos. [20] Se os pagadores de impostos, em número suficiente, viessm a acreditar que o estado é de fato ilegítimo, praticamente nada haveria que os membros do estado pudessem fazer para perpetuar sua existência parasitária, exceto matarem as próprias pessoas das quais dependem para financiamento. Se acontecesse isso, o estado ilegítimo muito rapidamente feneceria e morreria automaticamente, e sem necessidade de violência ou sofrimento de qualquer tipo. O ponto, aqui, é simplesmente que o resultado de tentativa de derrubar um estado ilegítimo como Israel não precisa envolver violência ou sofrimento em absoluto (por exemplo, 1989, em algumas antigas repúblicas soviéticas), e esse fato coloca seriamente em questão a fraca defesa de Neumann do "direito de existir" de Israel. Pois, se em verdade é possível derrubar Israel sem violência e sofrimento de qualquer tipo, então não deveríamos nós promover precisamente esse resultado, visto ele "não ser estado legítimo?"
Another problem in this same vein is that to judge a person's right to defend himself against an illegitimate government based upon the amount of suffering he might cause and his likelihood of victory would lead us to stupefyingly counterintuitive conclusions. Indeed, the main conclusion that would follow from such a proposition would be that those people who are oppressed by the most powerful illegitimate states would have less of a right to attempt to overthrow them than those people who are oppressed by relatively less powerful states. For, the more powerful and oppressive a state is, ceteris paribus, the more difficult it is to overthrow it, and the more likely that suffering and death will result from the attempt. Hence, we would be forced to conclude that the people of, say, Jordan would have a better moral claim to attempt to overthrow their illegitimate government (because the likelihood of victory against the relatively weak Jordanian government is higher and the likelihood of widespread suffering lower) than the people of, say, Palestine (because the likelihood of their victory over the vastly more powerful and aggressive Israeli state is significantly lower, and the likelihood of widespread suffering much greater). But, what kind of moral theory would we have on our hands, if it permitted or even condoned the overthrow of weak and less oppressive states, while it imbued the most oppressive and powerful states with a macabre form of legitimacy, simply because they cannot be easily overthrown, and because they threaten to inflict severe suffering on any and all who should try?
Outro problema na mesma veia é que, julgar o direito de uma pessoa de defender-se de um governo ilegítimo com base na quantidade de sofrimento que ela possa possa causar e na sua probabilidade de vitória levaria a conclusões estupefacientemente contraintuitivas. Em verdade, a principal conclusão que se seguiria de tal proposição seria a de que aquelas pessoas que são oprimidas pelos estados ilegítimos mais poderosos teriam menos direito de tentar derrubá-los do que aquelas pessoas oprimidas por estados relativamente menos poderosos. Pois quando mais poderoso e opressor seja um estado, ceteris paribus, mais difícil será derrubá-lo, e mais provável será que sofrimento e morte resultem da tentativa. Portanto, seríamos forçados a concluir que as pessoas de, digamos, Jordânia teriam melhor direito moral de tentar derrubar seu governo ilegítimo (porque a probabilidade de vitória em relação ao relativamente fraco governo jordaniano é maior e a probabilidade de sofrimento disseminado menor) do que as pessoas, digamos, da Palestina (porque a probabilidade de vitória delas em relação ao vastamente mais poderoso e agressivo estado israelense é significativamente menor, e a probabilidade de sofrimento disseminado é muito maior). Que tipo porém de teoria moral teríamos nas mãos, se ela permitisse ou mesmo fechasse os olhos para a derrubada de estados fracos e menos opressores, enquanto infundindo de macabra forma de legitimidade os estados mais opressores e poderosos, simplesmente por eles não poderem ser facilmente derrubados, e por ameaçarem infligir severo sofrimento a qualquer e a todas as pessoas que tentassem fazê-lo?
All of the preceding considerations lead us inexorably to the most important question of all; namely, why ought we to try to justify the existence of "illegitimate" states at all? Why not simply call a spade a spade, and call for the complete elimination of these murderous, thieving, and liberty-destroying institutions that we call "states?" Why not advocate anarchism, since, as Michael Neumann brilliantly observes, "virtually no state has legitimate foundations, and in that sense virtually no state has a right to exist?" There is some truth in the claim that eliminating the state of Israel alone could lead to horrendous bloodshed and possibly even widespread ethnic warfare and ethnic cleansing in the Middle East. All the more reason, then, to call for the elimination of all states in that region, and beyond. It would be hard to claim that, say, Mubarak's government, or the Saudi oligarchy, or especially Ahmajinedad's Iran has a stronger "right to exist" than the Israeli government, so why not go ahead and call for the complete elimination of all these murderous and oppressive institutions from the world?
Todas as considerações precedentes levam-nos inexoravelmente à mais importante pergunta de todas; isto é, por que deveríamos tentar justificar a existência de estados "ilegítimos" em absoluto? Por que não simplesmente chamar as coisas pelo devido nome, e preconizar a completa eliminação dessas instituições assassinas, ladras e destruidoras da liberdade que chamamos de "estados?" Por que não advogar o anarquismo visto que, como observa brilhantemente Michael Neumann, "praticamente nenhum estado tem fundamentos legítimos e, nesse sentido, praticamente nenhum estado tem o direito de existir?" Há alguma verdade na afirmação de que eliminar apenas o estado de Israel poderia levar a horrendo derramamento de sangue e possivelmente até a guerra étnica disseminada e a limpeza étnica no Oriente Médio.  Mais razão, pois, para preconizarmos a eliminação de todos os estados daquela região, e de além dela. Seria difícil defender que, digamos, o governo de Mubarak, ou a oligarquia saudita, ou especialmente o Irã de Ahmadinejad tenham mais "direito de existir" do que o governo de Israel e, pois, por que não ir em frente e demandar a completa eliminação de todas essas instituições assassinas e opressoras do mundo?
The anarchist solution to the Israeli-Palestinian morass has been given short shrift, mainly due the repeated calls by various hypocritical governments in the Middle East that have called for "wiping the state of Israel off the map." This has given many people the impression that calling for the elimination of the Israeli state is some sort of anti-Semitic ploy to rid the Middle East of Jews. The anarchist, however, calls for the elimination of all murderous, thieving, and intolerable governments--including the so-called "Muslim" ones. His position derives from the recognition that governments qua governments are always immoral and "illegitimate," and that mankind does not need government in order to live together in peace, security and prosperity. [21]
A solução anarquista para o atoleiro israelense-palestino tem recebido pouca atenção/simpatia, principalmente por causa dos repetidos apelos de vários governos hipócritas do Oriente Médio no sentido de "varrer do mapa o estado de Israel." Isso deu a muitas pessoas  impressão de que demandar a eliminação do estado israelense é algum tipo de conluio antissemita para acabar com os judeus no Oriente Médio. O anarquista, contudo, demanda a eliminação de todos os governos assassinos, ladrões e intoleráveis -- inclusive os assim chamados "muçulmanos". Sua posição deriva do reconhecimento de que os governos qua governos são sempre imorais e "ilegítimos," e de que o gênero humano não precisa de governo para viver junto em paz, segurança e prosperidade. [21]
The Israeli government is only one of a long and despicable list of "illegitimate" and murderous institutions that thrives on stolen money (i.e., "taxes"), war and domination. Good riddance to all of them.
O governo israelense é apenas um de longa e desprezível lista de instituições "ilegítimas" e assassinas que prosperam com dinheiro furtado (isto é, "taxas/impostos"), guerra e dominação. Já vão tarde, todas elas.
CONCLUSION
CONCLUSÃO
The aim of this review is certainly not to skewer Michael Neumann's The Case Against Israel. On the contrary, the book is one of the few truly honest and valuable works to be published since Israel's founding. This review is only intended to take Neumann's brilliant argument to its logical conclusion, which is to call for the elimination of all states, including Israel and the United States, which would rid the world of the institutions that are responsible for the kinds of atrocities, suffering and death that Neumann so vividly and accurately chronicles with respect to the Israeli-Palestinian dispute.
O objetivo desta resenha não é certamente apoucar o livro de Michael Neumann A Argumentação Contra Israel. Pelo contrário, o livro é uma das poucas obras verdadeiramente honestas e valiosas a serem publicadas desde a fundação de Israel. Esta resenha só pretendeu levar a brilhante argumentação de Neumann a sua conclusão lógica, que é demandar a eliminação de todos os estados, inclusive Israel e os Estados Unidos, o que livraria o mundo das instituições responsáveis pelos tipos de atrocidade, sofrimento e morte que Neumann tão vívida e precisamente descreve no tocante à disputa israelense-palestina.
[Michael Neumann, author of the book under review, offered the following comments via email on December 2, 2009:
[Michael Neumann, autor do livro resenhado, ofereceu os seguintes comentários via email em 2 de dezembro de 2009:
Even if you had omitted the generous praise, I would have been delighted with the review. I suppose, these days, it takes an anarchist to really understand how important, and how ominous, it is to impose a state on someone. That's too bad, because even if you believe states are necessary, you ought to understand how ultimately frightening they are. Only Hobbes really got that right.
Mesmo que você tivesse omitido o generoso elogio eu teria ficado desvanecido com esta resenha. Suponho que, nos dias de hoje, só um anarquista consegue entender o quanto é importante, e o quanto é funesto, impor um estado a alguém. É uma pena, porque mesmo quando se acredite que os estados são necessários, deve-se entender o quanto, em última análise, eles são assustadores. Só Hobbes entendeu bem isso.
You get me at a very busy time of year and I can't give you anything like the comments the review deserves. Forgive a few superficial points, the product of a hasty read.
Você me alcança num período muito atarefado do ano e não posso dar a você nada do tipo dos comentários que a resenha merece. Perdoe-me alguns pontos superficiais, produto de leitura às pressas.
I wasn't quite sure whether you took my defense of Israeli statehood beyond what it was. Though you certainly appreciated that it was limited, I'm saying the only reason not to destroy the Israeli state is that too much blood would flow. That settlers or other might feel the abolition was a disaster, would not concern me in the slightest.
Fico pensando se você não levou minha defesa da condição de estado de Israel além do ponto a que a levei. Apesar de você corretamente ter entendido ela ser limitada, o que digo em meu livro é que o único motivo para não destruição do estado israelense é que correria sangue demais. Aqueles colonos ou outras pessoas que poderiam achar que a extinção seria um desastre não me preocupariam nem no mínimo.
As for your rebuttal, the points are well taken, but I am not convinced. In particular, even accepting that some states can go more quietly, I cannot for a moment suppose that Israel would go without either prolonged warfare that killed hundreds of thousands, or a nuclear conflagration. I concede it possible that, in the long run, the continued existence of Israel might be even worse, but long-run possibilities are very uncertain, much more so than Israel's probable reaction to a serious military assault in the immediate future. Long story short, I think that tilts the case against trying to destroy Israel.
Quando a sua refutação, os pontos são bem observados, mas não estou convencido. Em particular, mesmo aceitando que alguns estados possam desaparecer mais silenciosamente, nem por um momento consigo supor que Israel se fosse sem prolongada guerra que mataria centenas de milhares de pessoas, ou sem conflagração nuclear. Concedo ser possível que, no longo prazo, a continuação da existência de Israel pudesse ser até pior, mas possibilidades de longo prazo são muito incertas, muito mais incertas do que reação provável de Israel a sério ataque militar no futuro imediato. Em poucas palavras, acho que isso faz pender a argumentação em sentido contrário à destruição de Israel.
I have always rejected anarchism, not because I'm deaf to its objections to states - not at all - but because I am too pessimistic about human conduct to believe in the prospects for non-states. This isn't an argument we can resolve. Meanwhile I can only thank you for a critique as carefully constructed and executed as I could ever ask for.]
Sempre rejeitei o anarquismo não por ser surdo às objeções dele aos estados - de modo algum - mas por ser demasiado pessimista quanto ao comportamento humano para acreditar nas perspectivas de não-estados. Esta não é uma argumentação que possamos decidir. No entretempo, só posso agradecer por uma crítica tão cuidadosamente concebida, e exposta tão bem quanto eu jamais poderia desejar.]
End Notes
Notas Finais
[1] For a devastating critique of the liberal use of the "anti-Semite" slur to undermine any criticism of Israel, see in particular, Norman G. Finkelstein, Beyond Chutzpah: On the Misuse of Anti-Semitism and the Abuse of History (Berkeley: University of California Press, 2005). Finkelstein's merciless bulldozing of Alan Dershowitz's The Case for Israel is especially entertaining and instructive.
[1] Para devastadora crítica do uso abundante da pecha de "antissemita" para solapar qualquer crítica a Israel, ver, em particular, Norman G. Finkelstein, Além da Insolência: Do Uso Indevido de Antissemitismo e o Abuso da História (Berkeley: Imprensa da Universidade da Califórnia, 2005). A detonação inclemente, por Finkelstein, da Argumentação Favorável a Israel de Alan Dershowitz é especialmente entretenedora e instrutiva.
[2] Michael Neumann, The Case against Israel (Petrolia, Cal.: Counterpunch/AK Press, 2005)., p. 90.
[2] Michael Neumann, A Argumentação Contra Israel (Petrolia, Cal.: Counterpunch/AK Press, 2005)., p. 90.
[3] Ibid., p. 36. It is worth recalling in this connection the recurring demand of various Israeli administrations for the Palestinians and various Arab governments to recognize Israel as a "Jewish state" as a precondition for even talking with them.
[3] Ibid., p. 36. Vale lembrar nesse contexto repetida exigência de várias administrações israelenses para que palestinos e diversos governos árabes reconhecessem Israel como "estado judaico" como precondição para até conversarem com elas.
[4] Ibid., loc. cit.
[4] Ibid., loc. cit.
[5] Ibid., p. 42
[5] Ibid., p. 42
[6] Ibid., p. 44. On the idea that the Palestinians had good reasons to fear their eventual removal from Palestine, see pp. 41-66.
[6] Ibid., p. 44. Acerca da ideia de os palestinos terem bons motivos para temer remoção final da Palestina, ver pp. 41-66.
[7] Ibid., p. 71. For the full refutation of the "historic right" argument, see pp. 67-76.
[7] Ibid., p. 71. Para a refutação completa do argumento de "direito histórico", ver pp. 67-76.
[8] Ibid., pp. 73-76.
[8] Ibid., pp. 73-76.
[9] Ibid., pp. 76-79.
[9] Ibid., pp. 76-79.
[10] Ibid., pp. 79-86.
[10] Ibid., pp. 79-86.
[11] Ibid., p. 86.
[11] Ibid., p. 86.
[12] Ibid. p. 88.
[12] Ibid. p. 88.
[13] Ibid., p. 89.
[13] Ibid., p. 89.
[14] Ibid. p. 90.
[14] Ibid. p. 90.
[15] Ibid., loc. cit.
[15] Ibid., loc. cit.
[16] Ibid., loc. cit.
[16] Ibid., loc. cit.
[17] On this problem, see especially, Murray N. Rothbard, "Toward a Reconstruction of Utility and Welfare Economics," in The Logic of Action One: Method, Money, and the Austrian School (London: Edward Elgar, 1997).
[17] Acerca desse problema ver, especialmente, Murray N. Rothbard, "Rumo a Reconstrução de Economia de Utilidade e Bem-Estar," em A Lógica de Ação Um: Método, Dinheiro e a Escola Austríaca (Londres: Edward Elgar, 1997).
[18] Ibid.
[18] Ibid.
[19] On yet another level, the claim that governments ought to be allowed to continue to survive "in the name of peace" (Ibid., loc cit.) is completely blind to the historical reality that the modern state is the most murderous institution ever created by man. For the modern state's death toll, (170 million people), see R. J. Rummel, Death by Government (New Brunswick, N.J.: Transaction, 1994).
[19] Em outro nível, a afirmação de que os governos deveriam ter permissão para continuar a sobreviver "em nome da paz" (Ibid., loc cit.) é completamente cega para a realidade histórica de que o estado moderno é a instituição mais assassina jamais criada pelo homem. Para a quantidade de mortes causadas pelo estado moderno (170 milhões de pessoas), ver R. J. Rummel, Morte por Governo (New Brunswick, N.J.: Transaction, 1994).
[20] Ettienne de la Boétie, The Politics of Obedience: The Discourse of Voluntary Servitude, 2nd ed. (New York: Black Rose Books, 1997).
[20] Ettienne de la Boétie, A Política da Obediência: O Discurso da Servidão Voluntária, 2a. edição (New York: Livros Rosa Preta, 1997).
[21] On anarchism as the only consistent and defensible ethical system, see in particular Murray N. Rothbard, The Ethics of Liberty (New York: New York University Press, 1998)., Hans-Hermann Hoppe, The Economics and Ethics of Private Property: Studies in Political Economy and Philosophy, 2nd ed. (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 2006)., and Anthony de Jasay, The State (Indianapolis, Ind.: Liberty Fund, 1998). For further studies on "free market anarchism," see, inter alia, Hans-Hermann Hoppe, ed., The Myth of National Defense: Essays on the Theory and History of Security Production (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 2003)., Gustave de Molinari, The Production of Security, trans. J. Huston McCulloch, Occasional Papers Series (New York: Center for Libertarian Studies, 1977)., David Friedman, The Machinery of Freedom: Guide to Radical Capitalism (New Rochelle, N.Y.: Arlington House, 1978)., Morris Tannehill, Tannehill, Linda, The Market for Liberty (San Francisco: Fox & Wilkes, 1993)., and Murray N. Rothbard, For a New Liberty (New York: Macmillan, 1973).
[21] Acerca do anarquismo como único sistema ético coerente e defensável, ver em particular Murray N. Rothbard, A Ética da Liberdade (New York: Imprensa da Universidade de New York, 1998)., Hans-Hermann Hoppe, A Economia e a Ética da Propriedade Privada: Estudos em Economia Política e Filosofia, 2a. edição (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 2006)., e Anthony de Jasay, O Estado (Indianapolis, Ind.: Liberty Fund, 1998). Para estudos adicionais acerca de "anarquismo de livre mercado," ver, inter alia, Hans-Hermann Hoppe, ed., O Mito da Defesa Nacional: Ensaios acerca da Teoria e História da Produção de Segurança (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 2003)., Gustave de Molinari, A Produção da Segurança, trad. J. Huston McCulloch, Série Artigos Ocasionais (New York: Centro de Estudos Libertários, 1977)., David Friedman, A Máquina da Liberdade: Guia de Capitalismo Radical (New Rochelle, N.Y.: Arlington House, 1978)., Morris Tannehill, Tannehill, Linda, O Mercado da Liberdade (San Francisco: Fox & Wilkes, 1993)., e Murray N. Rothbard, Por Nova Liberdade (New York: Macmillan, 1973).

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