Sunday, December 11, 2011

The Anti-Empire Report - American exceptionalism — A survey

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The Anti-Empire Report
O Relatório Anti-Império
December 2nd, 2011
2 de dezembro de 2011
by William Blum
por William Blum
American exceptionalism — A survey
Excepcionalismo estadunidense — Um levantamento
The leaders of imperial powers have traditionally told themselves and their citizens that their country was exceptional and that their subjugation of a particular foreign land should be seen as a "civilizing mission", a "liberation", "God's will", and of course bringing "freedom and democracy" to the benighted and downtrodden. It is difficult to kill large numbers of people without a claim to virtue. I wonder if this sense of exceptionalism has been embedded anywhere more deeply than in the United States, where it is drilled into every cell and ganglion of American consciousness from kindergarten on. If we measure the degree of indoctrination (I'll resist the temptation to use the word "brainwashing") of a population as the gap between what the people believe their government has done in the world and what the actual (very sordid) facts are, the American people are clearly the most indoctrinated people on the planet. The role of the American media is of course indispensable to this process — Try naming a single American daily newspaper or TV network that was unequivocally against the US attacks on Libya, Iraq, Afghanistan, Yugoslavia, Panama, Grenada, and Vietnam. Or even against any two of them. How about one? Which of the mainstream media expressed real skepticism of The War on Terror in its early years?
Os líderes das potências imperiais tradicionalmente disseram a si próprios e a seus cidadãos que seu país era excepcional e que subjugar determinado país estrangeiro deveria ser visto como "missão civilizadora", "libertação", "vontade de Deus", e obviamente levar "liberdade e democracia" aos ignorantes e descorçoados. E difícil matar grande número de pessoas sem afirmação de virtude. Pergunto-me se esse senso de excepcionalismo se encontra mais profundamente inculcado em qualquer lugar do que nos Estados Unidos, onde é instilado em toda célula e gânglio da consciência estadunidense a partir do jardim de infância. Se medirmos o grau de doutrinação (resistirei à tentação de usar a expressão "lavagem cerebral") de uma população pela distância entre o que as pessoas acreditam seu governo ter feito e os fatos reais (muito sórdidos), o povo estadunidense é claramente o povo mais doutrinado do planeta. O papel da mídia estadunidense é obviamente indispensável nesse processo — Tentem citar um único jornal diário estadunidense ou rede de TV que tenha sido inequivocamente contra os ataques dos Estados Unidos contra Líbia, Iraque, Afeganistão, Iugoslávia, Panamá, Grenada, e Vietnã. Ou mesmo contra dois deles. E que tal um? Que veículo da mídia majoritária expressou real ceticismo em relação à Guerra ao Terror em seus primeiros anos?
Overloaded with a sense of America's moral superiority, each year the State Department judges the world, issuing reports evaluating the behavior of all other nations, often accompanied by sanctions of one kind or another. There are different reports rating how each lesser nation has performed in the previous year in the areas of religious freedom, human rights, the war on drugs, trafficking in persons, and counterterrorism, as well as maintaining a list of international "terrorist" groups. The criteria used in these reports are mainly political, wherever applicable; Cuba, for example, is always listed as a supporter of terrorism whereas anti-Castro exile groups in Florida, which have committed literally hundreds of terrorist acts, are not listed as terrorist groups.
Mais do que tomado por um senso da superioridade moral dos Estados Unidos, cada ano o Departamento de Estado julga o mundo, emitindo relatórios avaliando o comportamento de todas as outras nações, amiúde acompanhados de sanções de um tipo ou de outro. Há diferentes relatórios avaliando como cada nação menor se comportou no ano anterior nas áreas de liberdade religiosa, direitos humanos, guerra contra as drogas, tráfico de pessoas e contraterrorismo, bem como mantendo lista de grupos "terroristas" internacionais. Os critérios usados nesses relatórios são principalmente políticos, sempre que aplicáveis; Cuba, por exemplo, é sempre listada como apoiadora de terrorismo, enquanto grupos exilados antiCastro na Flórida, que já cometeram literalmente centenas de atos terroristas, não são listados como grupos terroristas.
. "The causes of the malady are not entirely clear but its recurrence is one of the uniformities of history: power tends to confuse itself with virtue and a great nation is peculiarly susceptible to the idea that its power is a sign of God's favor, conferring upon it a special responsibility for other nations — to make them richer and happier and wiser, to remake them, that is, in its own shining image." — Former US Senator William Fulbright, The Arrogance of Power (1966)
. "As causas dessa enfermidade não são inteiramente claras, mas sua recorrência é uma das uniformidades da história: o poder tende a confundir-se com virtude, e uma grande nação é particularmente susceptível à ideia de seu poder ser sinal do favor de Deus, conferindo a ela responsabilidade especial em relação às outras nações — a de torná-las mais ricas e mais felizes e mais sábias, de refazê-las, isto é, tendo por modelo sua própria resplendente imagem." — Ex-Senador dos Estados Unidos William Fulbright, A Arrogância do Poder (1966)
. "We Americans are the peculiar, chosen people –– the Israel of our time; we bear the ark of the liberties of the world. ... God has predestined, mankind expects, great things from our race; and great things we feel in our souls." — Herman Melville, White-Jacket (1850)
. "Nós estadunidenses somos o povo peculiar e escolhido –– o Israel de nosso tempo; nós carregamos a arca das formas de liberdade do mundo. ... Deus predestinou, a humanidade espera, grandes coisas de nossa raça; e grandes coisas sentimos em nossas almas." — Herman Melville, White-Jacket (1850)
. "God appointed America to save the world in any way that suits America. God appointed Israel to be the nexus of America's Middle Eastern policy and anyone who wants to mess with that idea is a) anti-Semitic, b) anti-American, c) with the enemy, and d) a terrorist." — John le Carré, London Times, January 15, 2003
. "Deus nomeou os Estados Unidos para salvarem o mundo de qualquer maneira que entendam devam fazê-lo. Deus nomeou Israel para ser o vínculo da política dos Estados Unidos para o Oriente Médio e qualquer um que desejar subverter essa ideia a) é antissemita, b) é antiestadunidense, c) está do lado do inimigo e d) é terrorista." — John le Carré, London Times, 15 de janeiro de 2003
. "Neoconservatism ... traded upon the historic American myths of innocence, exceptionalism, triumphalism and Manifest Destiny. It offered a vision of what the United States should do with its unrivaled global power. In its most rhetorically-seductive messianic versions, it conflated the expansion of American power with the dream of universal democracy. In all of this, it proclaimed that the maximal use of American power was good for both America and the world." — Columbia University Professor Gary Dorrien, The Christian Century magazine, January 22, 2007
. "O neoconservadorismo ... tirou proveito dos mitos históricos dos Estados Unidos de inocência, excepcionalismo, triunfalismo e Destino Manifesto(*). Ofereceu uma visão de que os Estados Unidos poderiam fazer com seu poder mundial sem rival. Em suas versões messiânicas mais retoricamente sedutoras, fez confluir a expansão do poderio estadunidense e o sonho de democracia universal. Em tudo isso, proclamou que o uso máximo do poderio estadunidense era bom tanto para os Estados Unidos quanto para o mundo." — Professor da Universidade de Colúmbia Gary Dorrien, revista O Século Cristão, 22 de janeiro de 2007

(*) Crença estadunidense do século 19 segundo a qual os Estados Unidos estavam destinados a expandir-se pelo continente norte-americano. Essa expansão era, segundo os defensores da ideia, não apenas sábia, mas também clara (manifesta) e inexorável (destino). Foi usada, nos anos 1984, para justificar a guerra com o México. Ver Wikipedia, ‘Manifest Destiny’.
. "To most of its citizens, America is exceptional, and it's only natural that it should take exception to certain international standards." — Michael Ignatieff, Washington Post columnist, Legal Affairs, May-June, 2002
. "Para a maioria de seus cidadãos os Estados Unidos são excepcionais, e é apenas natural que eles constituam exceção a certos padrões internacionais." — Michael Ignatieff, colunista do  Washington Post, Legal Affairs, maio-junho de 2002
. Lieutenant Colonel Ralph Peters, US Army War College, 1997: "Our country is a force for good without precedent".
. Tenente-Coronel Ralph Peters, Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, 1997: "Nosso país é uma força para o bem sem precedentes".
. Thomas Barnett, US Naval War College: "The US military is a force for global good that ... has no equal." — The Guardian (London), December 27, 2005
. Thomas Barnett, Escola de Guerra Naval dos Estados Unidos: "A instituição militar dos Estados Unidos é uma força pelo bem mundial que ... não tem igual." — The Guardian (London), 27 de dezembro de 2005
. John Bolton, future US ambassador to the United Nations, writing in 2000: Because of its unique status, the United States could not be "legally bound" or constrained in any way by its international treaty obligations. The U.S. needed to "be unashamed, unapologetic, uncompromising American constitutional hegemonists," so that their "senior decision makers" could be free to use force unilaterally.
. John Bolton, futuro embaixador dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, escrevendo em 2000: Devido a sua condição única, os Estados Unidos não podem ser "legalmente obrigados" ou de qualquer forma compelidos por suas obrigações em tratados internacionais. Os Estados Unidos precisariam "ser hegemonistas constitucionais estadunidenses sem se sentir culpados, sem pedir desculpas, sem fazer concessões," de tal maneira que seus "tomadores máximos de decisões" possam estar livres para usar a força unilateralmente.
. Condoleezza Rice, future US Secretary of State, writing in 2000, was equally contemptuous of international law. She claimed that in the pursuit of its national security the United States no longer needed to be guided by "notions of international law and norms" or "institutions like the United Nations" because it was "on the right side of history." — Z Magazine, July/August 2004
. Condoleezza Rice, futura Secretária de Estado dos Estados Unidos, escrevendo em 2000, mostrou-se igualmente desdenhosa da lei internacional. Ela alegou que, na persecução de sua segurança nacional, os Estados Unidos não mais precisavam ser guiados por "noções de lei e normas internacionais" ou "instituições como as Nações Unidas" porque estavam "do lado certo da História." — Z Magazine, julho/agosto de 2004
. "The president [George W. Bush] said he didn't want other countries dictating terms or conditions for the war on terrorism. 'At some point, we may be the only ones left. That's okay with me. We are America'." — Washington Post, January 31, 2002
. "O presidente [George W. Bush] disse não querer outros países ditando termos ou condições para a guerra ao terrorismo. 'Em algum momento, poderemos ser os únicos restantes. Tudo bem, quanto a mim. Somos os Estados Unidos'." — Washington Post, 31 de janeiro de 2002
. "Reinhold Niebuhr got it right a half-century ago: What persists — and promises no end of grief — is our conviction that Providence has summoned America to tutor all of humankind on its pilgrimage to perfection." — Andrew Bacevich, professor of international relations, Boston University
. "Reinhold Niebuhr estava certo há meio século: O que persiste — e nunca deixará de persistir  — é nossa convicção de que a Providência convocou os Estados Unidos para tutelar toda a humanidade em sua peregrinação rumo à perfeição." — Andrew Bacevich, professor de relações internacionais, Universidade de Boston
. In commenting on Woodrow Wilson's moral lecturing of his European colleagues at the Versailles peace table following the First World War, Winston Churchill remarked that he found it hard to believe that the European emigrants, who brought to America the virtues of the lands from which they sprang, had left behind all their vices. — The World Crisis, Vol. V, The Aftermath, 1929
. Comentando Woodrow Wilson ter feito críticas moralizantes a seus colegas europeus à mesa de paz de Versailles depois da Primeira Guerra Mundial, Winston Churchill observou que achava difícil acreditar que os emigrantes europeus, que haviam levado para os Estados Unidos as virtudes dos países dos quais haviam saído, houvessem deixado para trás todos os seus vícios. — A Crise Mundial, Vol. V, A Esteira, 1929
. "Behold a republic, gradually but surely becoming the supreme moral factor to the world's progress and the accepted arbiter of the world's disputes." — William Jennings Bryan, US Secretary of State under Woodrow Wilson, In His Image (1922)
. "Contemplem uma república, gradual mas seguramente tornando-se o supremo fator moral para o progresso do mundo e o árbitro aceito das disputas mundiais." — William Jennings Bryan, Secretário de Estados dos Estados Unidos no governo Woodrow Wilson, À Sua Imagem (1922)
. Newsweek editor Michael Hirsch: "U.S. allies must accept that some U.S. unilateralism is inevitable, even desirable. This mainly involves accepting the reality of America's supreme might — and truthfully, appreciating how historically lucky they are to be protected by such a relatively benign power." — Foreign Affairs, November, 2002
. Editor da Newsweek Michael Hirsch: "Os aliados dos Estados Unidos precisam aceitar que parte do unilateralismo dos Estados Unidos é inevitável, desejável até. Isso envolve basicamente aceitar a realidade do supremo poderio dos Estados Unidos — e, na verdade, serem gratos por o quanto são historicamente afortunados por serem protegidos por potência assim relativamente benigna." — Foreign Affairs, novembro de 2002
. Colin Powell speaking before the Republican National Convention, August 13, 1996: The United States is "a country that exists by the grace of a divine providence."
. Colin Powell falando diante da Convenção Nacional Republicana, em 13 de agosto de 1993: Os Estados Unidos são "país que existe pela graça de uma providência divina."
. "The US media always has an underlying acceptance of the mythology of American exceptionalism, that the US, in everything it does, is the last best hope of humanity." — Rahul Mahajan, author of: The New Crusade: America's War on Terrorism, and Full Spectrum Dominance
. "A mídia dos Estados Unidos sempre aceita basicamente a mitologia do excepcionalismo estadunidense, de que os Estados Unidos, em tudo o que fazem, são a melhor esperança para a humanidade." — Rahul Mahajan, autor de: A Nova Cruzada: A Guerra dos Estados Unidos ao Terrorismo, e Domínio de Espectro Pleno
. "The fundamental problem is that the Americans do not respect anybody except themselves," said Col. Mir Jan, a spokesman for the Afghan Defense Ministry. "They say, 'We are the God of the world,' and they don't consult us." —Washington Post, August 3, 2002
. "O problema fundamental é que os estadunidenses não respeitam ninguém além de si próprios," disse o Coronel Mir Jan, porta-voz do Ministério da Defesa do Afeganistão. "Eles dizem: 'Nós somos o Deus do mundo,' e não nos consultam." —Washington Post, 3 de agosto de 2002
. "If we have to use force, it is because we are America! We are the indispensable nation. We stand tall. We see further into the future." — Madeleine Albright, U.S. Secretary of State, 1998
. "Se temos de usar força, é porque somos os Estados Unidos! Somos a nação indispensável. Temos a cabeça erguida. Vemos mais longe no futuro." — Madeleine Albright, Secretária de Estado dos Estados Unidos, 1998
William Blum left the State Department in 1967, abandoning his aspiration of becoming a Foreign Service Officer, because of his opposition to what the United States was doing in Vietnam. He then became one of the founders and editors of the Washington Free Press Mr.  Blum has been a freelance journalist in the United States, Europe, and South America and was one of the recipients   of Project Censored’s awards for “exemplary journalism” in 1999. He is the author of numerous books, including: Freeing the World to Death: essays on the American EmpireKilling Hope: U.S. Military and C.I.A. Interventions Since World War II, and Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower. Mr. Blum writes a free monthly newsletter, the Anti-Empire Report, which you may subscribe to by contacting him at via e-mail. Visit his website at: www.killinghope.org. Contact him at: bblum@aol.comRead articles by William Blum.
William Blum deixou o Departamento de Estado em 1967, abandonando sua aspiração de tornar-se Autoridade de Serviço Exterior por causa de sua oposição ao que os Estados Unidos estavam fazendo no Vietnã. Tornou-se então um dos fundadores e editores do Imprensa Livre de Washington. O Sr. Blum atuado como jornalista autônomo em Estados Unidos, Europa e América do Sul e foi um dos recebedores dos prêmios de Projetos Censurados de “jornalismo exemplar” em 1999. É autor de numerosos livros, incluindo: A Libertação do Mundo para a Morte: ensaios acerca do Império EstadunidenseAssassínio da Esperança: Intervenções da Instituição Militar dos Estados Unidos e da C.I.A. desde a Segunda Guerra Mundial, e Estado Sem Escrúpulos: Guia Referente à Única Superpotência do Mundo. O Sr. Blum escreve um boletim mensal grátis, o Relatório Anti-Império, que você pode subscrever entrando em contato com ele via email. Visite o website dele em: www.killinghope.org. Entre em contato com ele via: bblum@aol.com. Leia artigos de William Blum
William Blum is the author of:
William Blum é autor de:
- Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War 2
- A Morte da Esperança: A Instituição Militar dos Estados Unidos e as Intervenções da CIA Desde a Segunda Guerra Mundial
- Rogue State: A Guide to the World's Only Superpower
- Estado Sem Escrúpulos: Guia Para a Única Superpotência do Mundo
- West-Bloc Dissident: A Cold War Memoir
- Dissidente do Bloco Ocidental: Uma Memória da Guerra Fria
- Freeing the World to Death: Essays on the American Empire
- Libertação do Mundo para a Morte: Ensaios Acerca do Império Estadunidense
Portions of the books can be read, and signed copies purchased, at www.killinghope.org
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