Saturday, November 5, 2011

C4SS - Reflections From Airstrip Two

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C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Reflections From Airstrip Two
Reflexões a Partir da Pista de Aterrissagem Dois
Posted by Kevin Carson on Sep 13, 2011 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 13 de setembro de 2011 em Commentary
During the recent memorial of the September 11 attacks, I heard a lot of discussion by people remembering where they were and how they felt when they first heard news of the attack on the World Trade Center.  I remember it very vividly myself.
Durante a recente comemoração dos ataques do 11 de setembro ouvi muita troca de ideias pessoas que se lembravam de onde estavam e como se sentiram quando pela primeira vez ouviram notícia do ataque contra o Centro Mundial de Comércio. Lembro-me eu também muito vividamente.
I was awakened by my clock radio while the local morning DJs were still excitedly discussing the plane impact on the first tower.  Before long, another plane hit the second tower.  It became pretty clear then that the first one hadn’t been an accident, and that some sort of terrorist attack was underway.
Fui despertado por meu rádio-relógio enquanto os DJ matinais locais ainda discutiam excitadamente o impacto do avião na primeira torre. Não muito depois outro avião atingiu a segunda torre. Ficou muito claro então que o primeiro não havia sido acidente, e alguma espécie de ataque terrorista estava em andamento.
My first thought wasn’t fear of the terrorists.  I didn’t think “Oh, my God — what will they do next?”  I didn’t fear for my safety or that of my loved ones.  My first thought was that federal law enforcement and the intelligence community would drag out their Christmas list of police state legislation that they didn’t get passed after the Oklahoma City bombing, and that Congress would probably rubber stamp it.  My second thought was that George Bush would get a blank check for any war he wanted, anywhere in the world, in the name of fighting terrorism; “terrorism” would replace the previous fig leaves of “International Communism” and “narcotrafficking” as an all-purpose justification for attacking any country that looked crossways at global corporate rule.  After that, my thoughts turned closer to home.  “Another wave of attacks like this,” I thought, “and my red card from the I.W.W. will get me a bunk with the other ‘subversives’ being detained without charge.”
Meu primeiro pensamento não foi medo dos terroristas. Não pensei “Oh meu Deus — o que eles farão em seguida?” Não temi pela segurança minha ou de meus queridos. Meu primeiro pensamento foi o de que os órgãos encarregados de fazer cumprir a legislação federal e a comunidade de inteligência conseguiriam sua lista da Natal de legislação do estado policial que não haviam conseguido ver aprovada depois da bomba de Oklahoma City, e que o Congresso provavelmente chancelaria. Meu segundo pensamento foi o de que George Bush obteria um cheque em branco para qualquer guerra que desejasse, em qualquer parte do mundo, em nome de combater o terrorismo; o “terrorismo” substituiria as folhas de parreira anteriores de “comunismo internacional” e “narcotráfico” como justificativa tipo guarda-chuva para ataque a qualquer país que olhasse de soslaio para o domínio corporativo mundial. Depois disso, meus pensamentos voltaram-se para mais perto do lar. “Outra onda de ataques como essa,” pensei, “e meu cartão vermelho da Trabalhadores Industriais do Mundo - I.W.W. me garantirá um beliche com os outros ‘subversivos’ que serão detidos sem acusação.”
The next several weeks, with the flag-waving and hysteria, struck me as unbridled lunacy.  Americans, as usual in wartime, stopped exercising the skepticism of authority that is our defining feature and instead began acting like Good Germans.  When Tom Daschle said “there’s no daylight between us and President Bush,” and Dan Rather said “tell me where to line up, Mr. President,” I wanted to spit on the floor.   When USA PATRIOT passed, I wondered if the formal powers conferred on Bush were greater than those in the Reichstag Enabling Act.
Senti as semanas seguintes, com a agitação de bandeiras e a histeria, como de insanidade desbragada. Os estadunidenses, como usual em tempo de guerra, pararam de exercer o ceticismo em relação à autoridade que é nossa característica básica e começaram, em vez disso, a agir como Bons Alemães. Quando Tom Daschle disse “não há nenhuma diferença de opinião entre nós e o Presidente Bush,” e Dan Rather disse “diga-me em que fileira devo integrar-me, Sr. Presidente,” tive vontade de cuspir no assoalho. Quando foi aprovada a Lei PATRIOTA DOS ESTADOS UNIDOS, perguntei-me se os poderes formais concedidos a Bush não seriam maiores do que os da Lei de Concessão de Poderes do Reichstag.
Over the past ten years, if the clampdown hasn’t been as nightmarish as I feared, it’s still been massive:  the whole security-industrial complex around Homeland Security, the TSA and their contractors; USA PATRIOT, warrantless wiretapping, and the use of “national security letters” for purposes entirely unrelated to terrorism; the wars all over the globe, and the doubling of “Defense” spending; extraordinary rendition and torture at Gitmo, Abu Ghraib, Baghram and CIA black sites all over the world.  It’s like the Paul Verhoeven version of Starship Troopers — with “Freedom fries” for all.
Ao longo dos últimos dez anos, se a repressão não foi tão apavorante quanto eu houvera temido, tem sido, contudo, abrangente: todo o complexo industrial-de segurança em torno do Departamento de segurança da Pátria, a Administração de Segurança do Transporte - TSA e suas empreiteiras; a Lei PATRIOTA DOS ESTADOS UNIDOS, escuta sem mandado, e o uso de “cartas de segurança nacional” para propósitos inteiramente não relacionados com terrorismo; as guerras no mundo inteiro, e a duplicação dos gastos de “Defesa”; entrega extrajudicial de pessoas e tortura em Gitmo, Abu Ghraib, Baghram e nos locais secretos da CIA no mundo inteiro. É como a versão de Paul Verhoeven de Tropas Estelares — com “fritas da liberdade(*)” para todos.

(*) Eufemismo político para batatinha frita, em inglês ‘fritas francesas’, usado por algumas pessoas nos Estados Unidos em decorrência de sentimentos antifranceses durante a controvérsia acerca da decisão dos Estados Unidos de invasão do Iraque. Ver Wikipedia, Freedom fries.
There has been an enormous ratcheting upward of state power — sufficient to cause one email correspondent, the leader of a prominent libertarian organization, to express private despair that human liberty might be on the way to being extinguished in a new Dark Age of totalitarian barbarism.
Tem havido enorme escalada do poder do estado — suficiente para levar um correspondente de email, líder de preeminente organização libertária, a expressar desespero pessoal com a liberdade humana estar a caminho de ser extinta numa nova Idade das Trevas de barbárie totalitária.
I’m more optimistic. I don’t think the state will become any less authoritarian in its intent or policies, but its grasp will weaken faster than its reach extends.  There is a breathtaking future in people taking advantage of new technical possibilities for rendering the state’s laws unenforceable and living as we want below its radar.
Sou mais otimista. Não acredito que o estado vá tornar-se menos totalitário em sua intenção ou em sua política, mas sua capacidade de preensão se debilitará mais depressa do que o estender-se de seu alcance. Há empolgante futuro em pessoas tirando proveito de novas possibilidades tecnológicas para tornar as leis do estado incapazes de serem feitas cumprir e vivermos como desejarmos fora do raio do radar dele.
In the purely military realm, I have a hunch that the possibilities for cheap anti-ship missiles capable of taking out aircraft carriers (and other comparatively cheap “assassin’s mace” weapons with ROIs of 100,000% in terms of the value of the targets they take out) will continue to stay several steps ahead of attempts to counter them.  If so, agile networked asymmetric war will acquire the same kind of generational advantage over the Sole Remaining Superpower’s legacy forces that the U.S. had over the Soviet bloc thirty years ago.
Na esfera puramente militar, tenho um palpite de que as possibilidades relativas a mísseis baratos antinavio capazes de destruir porta-aviões (e outras armas relativamente baratas tipo “clava assassina” com retornos sobre o investimento - ROIs de 100,000% em termos do valor dos alvos que destroem) continuarão a manter-se vários passos à frente de tentativas de contraposição. Se assim for, a guerra assimétrica ágil em rede obterá o mesmo tipo de vantagem de geração sobre as forças do legado da Única Superpotência Remanescente que os Estados Unidos tinham sobre o bloco soviético há trinta anos.
Domestically, I think Wikileaks, The Pirate Bay, Anonymous and Bitcoin’s first essay at an encrypted currency were the first weak tremors of what will become a 9.0 earthquake shaking all authoritarian hierarchies to their foundations.  What emerges, in the aftermath of the long series of earthquakes, will be decentralized and networked, and largely beyond the control of whatever remains of the hollowed out states and corporations.
Domesticamente acredito que Wikileaks, The Pirate Bay, Anonymous e o primeiro ensaio de Bitcoin de uma moeda criptografada foram os primeiros tremores fracos do que se tornará um terremoto de intensidade 9.0 sacudindo todas as hierarquias autoritárias até seus fundamentos. O que emergir, na esteira da longa série de terremotos, será descentralizado e redeado, e estará em grande parte além do controle do que quer que reste dos estados e corporações esvaziados.
Regardless of all the powers asserted in Executive Orders, “National Security Doctrines” that sound like a Thousand Year Reich, and corporate attempts to put the entire world under a DRM Curtain, their authoritarian claims will ultimately be about as efficacious as the edicts of the Emperor Norton.
Independentemente de todos os poderes afirmados em Ordens Executivas, “Doutrinas de Segurança Nacional” que soam como um Reich de Mil Anos e tentativas corporativas de colocar o mundo inteiro sob uma Cortina de Direitos de Gestão Digital - DRM, as reivindicações autoritárias deles serão, no final das contas, tão eficazes quanto os éditos do Imperador Norton(*).

(*) Ver Wikipedia, Emperor Norton, em inglês, ou Joshua Norton, em português, acerca do inglês que, residindo nos Estados Unidos, proclamou-se imperador.
C4SS Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor contemporâneo mutualista e anarquista individualista cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.


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