Tuesday, November 29, 2011

The American Conservative - Libertarian Left

This article appeared in the March 2011 issue
Este artigo foi publicado na edição de março de 2011
ENGLISH
PORTUGUÊS
The American Conservative
O Conservador Estadunidense
Libertarian Left
Esquerda Libertária
Free-market anti-capitalism, the unknown ideal
Anticapitalismo de livre mercado, o ideal desconhecido
Ron Paul’s 2008 presidential campaign introduced many people to the word “libertarian.” Since Paul is a Republican and Republicans, like libertarians, use the rhetoric of free markets and private enterprise, people naturally assume that libertarians are some kind of quirky offshoot of the American right wing. To be sure, some libertarian positions fit uneasily with mainstream conservatism—complete drug decriminalization, legal same-sex marriage, and the critique of the national-security state alienate many on the right from libertarianism.
A campanha presidencial de Ron Paul em 2008 deu a conhecer a muita gente a palavra “libertário.” Visto Paul ser um Republicano e os Republicanos, do mesmo modo que os libertários, usarem a retórica do livre mercado e da empresa privada, as pessoas naturalmente assumem que os libertários são alguma sorte de rebento exótico da direita estadunidense. Na verdade, algumas posições libertárias encaixam-se muito mal no conservadorismo majoritário — descriminação completa das drogas, casamento legal entre pessoas do mesmo sexo e crítica ao estado de segurança nacional afastam do libertarismo muitas pessoas da direita.
But the dominant strain of libertarianism still seems at home on that side of the political spectrum. Paeans to property rights and free enterprise—the mainstream libertarian conviction that the American capitalist system, despite government intervention, fundamentally embodies those values—appear to justify that conclusion.
A cepa dominante do libertarismo, porém, parece continuar sentindo-se à vontade naquele lado do espectro político. Loas aos direitos de propriedade e à livre empresa — a convicção libertária majoritária de que o sistema capitalista estadunidense, a despeito de intervenção do governo, basicamente encarna esses valores — parecem justificar essa conclusão.
But then one runs across passages like this: “Capitalism, arising as a new class society directly from the old class society of the Middle Ages, was founded on an act of robbery as massive as the earlier feudal conquest of the land. It has been sustained to the present by continual state intervention to protect its system of privilege without which its survival is unimaginable.” And this: “build worker solidarity. On the one hand, this means formal organisation, including unionization—but I’m not talking about the prevailing model of ‘business unions’ … but real unions, the old-fashioned kind, committed to the working class and not just union members, and interested in worker autonomy, not government patronage.”
Contudo, em seguida, a pessoa se depara com passagens tais como: “O capitalismo, surgindo como nova sociedade de classes diretamente da antiga sociedade de classes da Idade Média, fundamentou-se em ato de roubo tão colossal quanto a antiga conquista feudal da terra. Tem sido sustentado até o presente por contínua intervenção do estado na proteção de seu sistema de privilégio sem a qual sua sobrevivência é inimaginável.” E isto: “construir solidariedade entre os trabalhadores. De um lado isso significa organização formal, inclusive sindicalização — mas não estou falando do modelo dominante de ‘sindicatos de empresas’ … e sim de sindicatos reais, à moda antiga, comprometidos com a classe trabalhadora e não apenas com os membros do sindicato, e interessados em autonomia dos trabalhadores, não em patrocínio do governo.”
These passages—the first by independent scholar Kevin Carson, the second by Auburn University philosophy professor Roderick Long—read as though they come not from libertarians but from radical leftists, even Marxists. That conclusion would be only half wrong: these words were written by pro-free-market left-libertarians. (The preferred term for their economic ideal is “freed market,” coined by William Gillis.)
Essas passagens — a primeira de autoria do erudito independente Kevin Carson, a segunda de autoria do professor de filosofia da Auburn University Roderick Long — soam como se viessem não de libertários, e sim de esquerdistas radicais, até marxistas. Essa conclusão estaria apenas metade errada: essas palavras foram escritas por libertários de esquerda favoráveis ao livre mercado. (A expressão preferida para o ideal econômico deles é “mercado libertado,” cunhada por William Gillis.)
These authors—and a growing group of colleagues—see themselves as both libertarians and leftists. They are standard libertarians in that they believe in the moral legitimacy of private ownership and free exchange and oppose all government interference in personal and economic affairs—a groundless, pernicious dichotomy. Yet they are leftists in that they share traditional left-wing concerns, about exploitation and inequality for example, that are largely ignored, if not dismissed, by other libertarians. Left-libertarians favor worker solidarity vis-à-vis bosses, support poor people’s squatting on government or abandoned property, and prefer that corporate privileges be repealed before the regulatory restrictions on how those privileges may be exercised. They see Walmart as a symbol of corporate favoritism—supported by highway subsidies and eminent domain—view the fictive personhood of the limited-liability corporation with suspicion, and doubt that Third World sweatshops would be the “best alternative” in the absence of government manipulation.
Esses autores — e crescente grupo de colegas — veem-se como ao mesmo tempo libertários e esquerdistas. São libertários tipo padrão nisto, em que acreditam na legitimidade moral da propriedade privada e na livre troca e opõem-se a toda interferência do governo em assuntos pessoais e econômicos — uma dicotomia injustificável e perniciosa. No entanto são esquerdistas nisto, em que partilham de preocupações tradicionais da esquerda, por exemplo com exploração e desigualdade, em grande parte ignoradas, se não desqualificadas, por outros libertários. Os libertários de esquerda são favoráveis a solidariedade dos trabalhadores diante dos patrões, apoiam a ocupação, pelas pessoas pobres, de propriedade do governo ou abandonada, e preferem que os privilégios corporativos sejam repelidos antes das restrições normativas a respeito de como esses privilégios possam ser exercidos. Veem o Walmart como símbolo de favoritismo corporativo — apoiado por subsídios a rodovias e desapropriações pelo governo — veem a personalidade fictícia da corporação de responsabilidade limitada com suspeita, e duvidam de que chãos de fábrica insalubres do Terceiro Mundo sejam a “melhor alternativa” na ausência de manipulação pelo governo.
Left-libertarians tend to eschew electoral politics, having little confidence in strategies that work through the government. They prefer to develop alternative institutions and methods of working around the state. The Alliance of the Libertarian Left encourages the formation of local activist and mutual-aid organizations, while its website promotes kindred groups and posts articles elaborating its philosophy. The new Center for a Stateless Society (C4SS) encourages left-libertarians to bring their analysis of current events to the general public through op-eds.
Os libertários de esquerda tendem a evitar a política eleitoral, tendo pouca confiança em estratégias que operem por meio do governo. Preferem desenvolver instituições alternativas e métodos de operar contornando o estado. A Aliança da Esquerda Libertária estimula a formação de organizações ativistas e de ajuda mútua locais, enquanto seu website promove grupos afins e afixa artigos que pormenorizam sua filosofia. O novo Centro por uma Sociedade sem Estado (C4SS) estimula os libertários de esquerda a apresentar suas análises de eventos atuais por meio de artigos opinativos.
These laissez-faire left-libertarians are not to be confused with other varieties of left-wing libertarians, such as Noam Chomsky or Hillel Steiner, who each in his own way objects to individualistic appropriation of unowned natural resources and the economic inequality that freed markets can produce. The left-libertarians under consideration here have been called “market-oriented left-libertarians” or “market anarchists,” though not everyone in this camp is an anarchist.
Esses libertários de esquerda do laissez-faire não devem ser confundidos com outras variedades de libertários de esquerda, tais como Noam Chomsky ou Hillel Steiner, que, cada um à sua maneira, objetam à apropriação individualista de recursos naturais sem dono e à desigualdade econômica que os mercados libertados podem produzir. Os libertários de esquerda aqui considerados têm sido chamados de “libertários de esquerda direcionados para o mercado” ou “anarquistas de mercado,” embora nem todos os integrantes desse grupo sejam anarquistas.
There are historical grounds for placing pro-market libertarianism on the left. In the first half of the 19th century, the laissez-faire liberal economist Frederic Bastiat sat on the left side of the French National Assembly with other radical opponents of the ancien régime, including a variety of socialists. The right side was reserved for reactionary defenders of absolute monarchy and plutocracy. For a long time “left” signified radical, even revolutionary, opposition to political authority, fired by hope and optimism, while “right” signified sympathy for a status quo of privilege or a return to an authoritarian order. These terms applied even in the United States well into the 20th century and only began to change during the New Deal, which prompted regrettable alliances of convenience that carried over into the Cold War era and beyond.
Há base histórica para situar o libertarismo pró-mercado na esquerda. Na primeira metade do século 19 o economista liberal do laissez-faire Frederic Bastiat sentava-se no lado esquerdo da Assembleia Nacional Francesa com outros opositores radicais do ancien régime, inclusive diversos tipos de socialistas. O lado direito era reservado aos defensores reacionários da monarquia absoluta e da plutocracia. Durante muito tempo “esquerda” significou oposição radical, até revolucionária, à autoridade política, incendida de esperança e otimismo, enquanto “direita” significava simpatia por um statu quo de privilégio ou retorno à ordem autoritária. Essas palavras foram muito usadas até nos Estados Unidos já bem dentro do século 20 e só começaram a mudar durante o Novo Pacto, que desencadeou lastimáveis alianças de conveniência que persistiram durante a época da Guerra Fria e depois dela.
At the risk of oversimplifying, there are two wellsprings of modern pro-market left-libertarianism: the theory of political economy formulated by Murray N. Rothbard and the philosophy known as “Mutualism” associated with the pro-market anarchist Pierre-Joseph Proudhon—who sat with Bastiat on the left side of the assembly while arguing with him incessantly about economic theory—and the American individualist anarchist Benjamin R. Tucker.
Com risco de simplificar em excesso, há duas nascentes do moderno libertarismo esquerdista pró-mercado: a teoria de economia política formulada por Murray N. Rothbard e a filosofia conhecida como “mutualismo” associada ao anarquista pró-mercado Pierre-Joseph Proudhon — que se sentava com Bastiat no lado esquerdo da assembleia argumentando com ele incessantemente acerca de teoria econômica — e ao anarquista individualista estadunidense Benjamin R. Tucker.
Rothbard (1926-1995) was the leading theorist of radical Lockean libertarianism combined with Austrian economics, which demonstrates that free markets produce widespread prosperity, social cooperation, and economic coordination without monopoly, depression, or inflation—evils whose roots are to be found in government intervention. Rothbard, who called himself an “anarcho-capitalist,” first saw himself as a man of the “Old Right,” the loose collection of opponents of the New Deal and American Empire epitomized by Sen. Robert Taft, journalist John T. Flynn, and more radically, Albert Jay Nock. Yet Rothbard understood libertarianism’s left-wing roots.
Rothbard (1926-1995) foi o principal teórico do libertarismo lockeano radical conjugado com a economia Austríaca, que demonstra que os livres mercados produzem extensa prosperidade, cooperação social e coordenação econômica sem monopólio, depressão ou inflação — males cujas raízes devem ser encontradas na intervenção do governo. Rothbard, que se chamava de “anarcocapitalista,” via-se primeiro como homem da “Velha Direita,” a coleção lassa de opositores ao Novo Pacto e ao Império Estadunidense representada pelo Senador Robert Taft, o jornalista John T. Flynn e, mais radicalmente, por Albert Jay Nock. Nada obstante, Rothbard entendia as raízes esquerdistas do libertarismo.
In his 1965 classic and sweeping essay “Left and Right: The Prospects for Liberty,” Rothbard identified “liberalism”—what is today called libertarianism—with the left as “the party of hope, of radicalism, of liberty, of the Industrial Revolution, of progress, of humanity.” The other great ideology to emerge after the French revolution “was conservatism, the party of reaction, the party that longed to restore the hierarchy, statism, theocracy, serfdom, and class exploitation of the Old Order.”
Em seu clássico e amplo ensaio de 1965 “Esquerda e Direita: As Perspectivas para a Liberdade,” Rothbard identificou o “liberalismo” — o qual é hoje chamado de libertarismo — com a esquerda como “o partido da esperança, do radicalismo, da liberdade, da Revolução Industrial, do progresso, da humanidade.” A outra grande ideologia a surgir depois da Revolução Francesa “era o conservadorismo, o partido da reação, o partido que suspirava por restaurar a hierarquia, o estatismo, a teocracia, a servidão e a exploração de classes da Antiga Ordem.”
When the New Left arose in the 1960s to oppose the Vietnam War, the military-industrial complex, and bureaucratic centralization, Rothbard easily made common cause with it. “The Left has changed greatly, and it is incumbent upon everyone interested in ideology to understand the change… . [T]he change marks a striking and splendid infusion of libertarianism into the ranks of the Left,”  he wrote in “Liberty and the New Left.” His left-radicalism was clear in his interest in decentralization and participatory democracy, pro-peasant land reform in the feudal Third World, “black power,” and worker “homesteading” of American corporations whose profits came mainly from government contracts.
Quando a Nova Esquerda surgiu nos anos 1960 para opor-se à Guerra do Vietnã, ao complexo industrial-militar e à centralização burocrática, Rothbard facilmente encontrou pontos de ação comum com ela. “A Esquerda mudou muito, e é mister que todo interessado em ideologia entenda essa mudança... . [E]ssa mudança marca admirável e esplêndida infusão de libertarismo nas fileiras da Esquerda,”  escreveu ele em “Liberdade e a Nova Esquerda.” O radicalismo de esquerda dele ficou claro no interesse dele em descentralização e democracia participativa, reforma agrária pró-camponeses no Terceiro Mundo feudal, “poder preto,” e “meação” do trabalhador de corporações estadunidenses cujos lucros vinham principalmente de contratos com o governo.
But with the fading of New Left, Rothbard deemphasized these positions and moved strategically toward right-wing paleoconservatism. His left-libertarian colleague, the former Goldwater speechwriter Karl Hess (1923-1994), kept the torch burning. In Dear America Hess wrote, “On the far right, law and order means the law of the ruler and the order that serves the interest of that ruler, usually the orderliness of drone workers, submissive students, elders either totally cowed into loyalty or totally indoctrinated and trained into that loyalty,” while the left “has been the side of politics and economics that opposes the concentration of power and wealth and, instead, advocates and works toward the distribution of power into the maximum number of hands.”
Com o esmaecimento, porém, da Nova Esquerda, Rothbard desenfatizou essas posições e moveu-se estrategicamente rumo ao paleoconservadorismo de direita. Seu colega libertário esquerdista, o antigo autor de discursos para Goldwater, Karl Hess (1923-1994), manteve a tocha acesa. Em Caros Estados Unidos Hess escreveu: “Na extrema direita, lei e ordem significam a lei do governante e a ordem que atende ao interesse desse governante, usualmente a ordem dos trabalhadores burros de carga, dos alunos submissos, dos mais velhos ou de lealdade totalmente fruto de intimidação ou doutrinados e treinados para essa lealdade,” enquanto a esquerda “tem sido o lado da política e da economia que se opõe à concentração de poder e de riqueza e advoga e trabalha rumo a, no lugar delas, distribuição do poder pelo número máximo de mãos.”
Benjamin Tucker (1854-1939) was the editor of Liberty, the leading publication of American individualist anarchism. As a Mutualist, Tucker rigorously embraced free markets and voluntary exchange void of all government privilege and regulation. Indeed, he called himself a “consistent Manchester man,” a reference to the economic philosophy of the English free-traders Richard Cobden and John Bright. Tucker disdained defenders of the American status quo who, while favoring free competition among workers for jobs, supported capitalist suppression of competition among employers through government’s “four monopolies”: land, the tariff, patents, and money.
Benjamin Tucker (1854-1939) era o editor de Liberdade, a principal publicação do anarquismo individualista estadunidense. Como mutualista, Tucker esposava rigorosamente livres mercados e trocas voluntárias isentas de todo privilégio e regulamentação do governo. Na verdade, ele se chamava de “homem coerente de Manchester,” referência à filosofia econômica dos partidários ingleses do livre comércio Richard Cobden e John Bright. Tucker desdenhava dos defensores do statu quo estadunidense os quais, favoráveis a livre competição de trabalhadores por empregos, apoiavam a supressão capitalista da competição entre empregadores por meio dos “quatro monopólios” do governo: terra, tarifas, patentes e moeda.
“What causes the inequitable distribution of wealth?” Tucker asked in 1892. “It is not competition, but monopoly, that deprives labor of its product. … Destroy the banking monopoly, establish freedom in finance, and down will go interest on money through the beneficent influence of competition. Capital will be set free, business will flourish, new enterprises will start, labor will be in demand, and gradually the wages of labor will rise to a level with its product.”
“O que causa distribuição desigual de riqueza?” perguntava Tucker em 1892. “Não é a competição, e sim o monopólio, que priva o trabalhador de seu produto. … Destruam o monopólio bancário, estabeleçam liberdade na finança, e cairão os juros sobre o dinheiro por meio da benéfica influência da competição. O capital será libertado, os empreendimentos florescerão, novas empresas começarão, haverá demanda por trabalho e, gradualmente, a remuneração do trabalho ascenderá a nível compatível com seu produto.”
The Rothbardians and Mutualists have some disagreements over land ownership and theories of value, but their intellectual cross-pollination has brought the groups closer philosophically. What unites them, and distinguishes them from other market libertarians, is their embrace of traditional left-wing concerns, including the consequences of plutocratic corporate power for workers and other vulnerable groups. But left-libertarians differ from other leftists in identifying the culprit as the historical partnership between government and business—whether called the corporate state, state capitalism, or just plain capitalism—and in seeing the solution in radical laissez faire, the total separation of economy and state.
Os rothbardianos e mutualistas têm algumas discordâncias a respeito de propriedade da terra e teorias do valor, mas sua polinização cruzada intelectual tornou esses grupos, filosoficamente, mais próximos. O que os une, e os distingue de outros libertários de mercado, é seu acolhimento das preocupações tradicionais da esquerda, incluindo as consequências do poder corporativo plutocrático para trabalhadores e outros grupos vulneráveis. Os libertários de esquerda, porém, diferem de outros esquerdistas ao identificarem o culpado como a parceria histórica entre governo e empresas — seja ela chamada de estado corporativo, capitalismo de estado, ou simplesmente capitalismo — e ao verem a solução no laissez faire radical, a total separação de economia e estado.
Thus behind the political-economic philosophy is a view of history that separates left-libertarians from both ordinary leftists and ordinary libertarians. The common varieties of both philosophies agree that essentially free markets reigned in England from the time of the Industrial Revolution, though they evaluate the outcome very differently. But left-libertarians are revisionists, insisting that the era of near laissez faire is a myth. Rather than a radical freeing of economic affairs, England saw the ruling elite rig the social system on behalf of propertied class interests. (Class analysis originated with French free-market economists predating Marx.)
Assim, por trás da filosofia econômica há uma visão da história que separa os libertários de esquerda tanto dos esquerdistas ordinários quanto dos libertários ordinários. As variedades comuns de ambas essas filosofias concordam quanto a terem reinado na Inglaterra mercados essencialmente livres desde o tempo da Revolução Industrial, embora elas avaliem o resultado disso de maneira muito diversa. Os libertários de esquerda, porém, são revisionistas, insistindo em que a época em que praticamente existia laissez faire é um mito. Em vez de uma libertação radical das atividades econômicas, a Inglaterra viu a elite dominante burlar o sistema social a bem dos interesses da classe proprietária. (A análise de classes originou-se com economistas franceses de livre mercado antes de Marx.)
Through enclosure, peasants were dispossessed of land they and their kin had worked for generations and were forcibly turned into rent-paying tenants or wage-earners in the new factories with their rights to organize and even to move restricted by laws of settlement, poor laws, combination laws, and more. In the American colonies and early republic, the system was similarly rigged through land grants and speculation (for and by railroads, for example), voting restrictions, tariffs, patents, and control of money and banking.
Por meio dos cercados, os camponeses foram destituídos da terra que eles e seus familiares haviam trabalhado durante gerações e foram tornados, pela força, arrendatários pagadores de renda ou assalariados nas novas fábricas, com seus direitos de organizar-se e até de deslocar-se restringidos por leis de assentamento, leis dos pobres, leis antissindicatos e assim por diante. Nas colônias estadunidenses e no início da República o sistema era similarmente viciado por meio de concessões e especulação de terras (para e por vias férreas, por exemplo), restrições ao voto, tarifas, patentes e controle da moeda e da atividade bancária.
In other words, the twilight of feudalism and the dawn of capitalism did not find everyone poised at the starting line as equals—far from it. As the pro-market sociologist Franz Oppenheimer, who developed the conquest theory of the state, wrote in his book The State, it was not superior talent, ambition, thrift, or even luck that separated the property-holding minority from the propertyless proletarian majority—but legal plunder, to borrow Bastiat’s famous phrase.
Em outras palavras, o crepúsculo do feudalismo e a alvorada do capitalismo não viram todas as pessoas prontas na linha de partida como iguais — longe disso. Como escreveu o sociólogo pró-mercado Franz Oppenheimer, que desenvolveu a teoria de conquista do estado, em seu livro O Estado, não eram talento superior, ambição, frugalidade ou mesmo sorte que separavam a minoria detentora de propriedade da maioria proletária sem propriedade — e sim a pilhagem legal, para usarmos a famosa expressão de Bastiat.
Here is something Marx got right. Indeed, Kevin Carson seconds Marx’s “eloquent passage”: “these new freedmen became sellers of themselves only after they had been robbed of all their own means of production, and of all the guarantees afforded by the old feudal arrangements. And the history of this, their expropriation, is written in the annals of mankind in letters of blood and fire.”
Eis aqui algo em que Marx estava certo. Na verdade, Kevin Carson secunda a “passagem eloquente” de Marx: “esses novos homens libertados tornaram-se vendedores de si próprios só depois de terem sido roubados de todos os seus próprios meios de produção, e de todas as garantias concedidas pelos antigos acordos feudais. E a história disso, da expropriação deles, está escrita nos anais da humanidade em letras de sangue e fogo.”
This system of privilege and exploitation has had long-distorting effects that continue to afflict most people to this day, while benefiting the ruling elite; Carson calls it “the subsidy of history.” This is not to deny that living standards have generally risen in market-oriented mixed economies but rather to point out that living standards for average workers would be even higher—not to mention less debt-based—and wealth disparities less pronounced in a freed market.
Esse sistema de privilégio e exploração tem tido prolongado efeito distorcedor que continua a afligir a maioria das pessoas até hoje, enquanto beneficia a elite dominante; Carson chama isso de “o subsídio da história.” Isso não equivale a negar que os padrões de vida em geral tenham ascendido nas economias mistas orientadas para o mercado, e sim destaca que o padrão de vida do trabalhador médio seria ainda mais alto — para não mencionar menos baseado em dívidas — e as disparidades de riqueza menos pronunciadas num mercado libertado.
The “free-market anti-capitalism” of left-libertarianism is no contradiction, nor is it a recent development. It permeated Tucker’s Liberty, and the identification of worker exploitation harked back at least to Thomas Hodgskin (1787-1869), a free-market radical who was one of the first to apply the term “capitalist” disparagingly to the beneficiaries of government favors bestowed on capital at the expense of labor. In the 19th and early 20th centuries, “socialism” did not exclusively mean collective or government ownership of the means or production but was an umbrella term for anyone who believed labor was cheated out of its natural product under historical capitalism.
O “anticapitalismo de livre mercado” do libertarismo de esquerda não é uma contradição, nem um desdobramento recente. Ele permeava a Liberdade de Tucker, e a identificação da exploração do trabalhador remonta pelo menos a Thomas Hodgskin (1787-1869), radical de livre mercado que foi um dos primeiros a aplicar o termo “capitalista” depreciativamente aos beneficiários de favores do governo concedidos ao capital a expensas do trabalho. No século 19 e no início do século 20, “socialismo” não significava exclusivamente posse coletiva ou pelo governo dos meios de proudução, e sim era uma expressão guarda-chuva designativa de qualquer pessoa que acreditasse o trabalho ter sido destituído, via trapaça, de seu produto natural no capitalismo histórico.
Tucker sometimes called himself a socialist, but he denounced Marx as the representative of “the principle of authority which we live to combat.” He thought Proudhon the superior theorist and the real champion of freedom. “Marx would nationalize the productive and distributive forces; Proudhon would individualize and associate them.”
Tucker por vezes chamava-se de socialista, mas denunciava Marx como representante do “princípio da autoridade que vivemos para combater.” Ele considerava Proudhon como teórico superior e o real paladino da liberdade. “Marx nacionalizaria as forças produtivas e distributivas; Proudhon as individualizaria e associaria.”
The term capitalism certainly suggests that capital is to be privileged over labor. As left-libertarian author Gary Chartier of La Sierra University writes, “[I]t makes sense for [left-libertarians] to name what they oppose ‘capitalism.’ Doing so … ensures that advocates of freedom aren’t confused with people who use market rhetoric to prop up an unjust status quo, and expresses solidarity between defenders of freed markets and workers—as well as ordinary people around the world who use ‘capitalism’ as a short-hand label for the world-system that constrains their freedom and stunts their lives.”
O termo capitalismo certamente sugere que o capital deve ser privilegiado em relação ao trabalho. Como o autor libertário de esquerda Gary Chartier da Universidade La Sierra escreve, “[F]az sentido os [libertários de esquerda] chamarem àquilo a que se opõem de ‘capitalismo.’ Fazê-lo … assegura que os defensores da liberdade não sejam confundidos com pessoas que usam a retórica de mercado para escorar um injusto statu quo, e expressa solidariedade entre defensores de mercados libertados e trabalhadores — e pessoas ordinárias do mundo inteiro que usam ‘capitalismo’ como rótulo taquigráfico para o sistema mundial que restringe sua liberdade e tolhe suas vidas.”
In contrast to nonleft-libertarians, who seem uninterested in, if not hostile to, labor concerns per se, left-libertarians naturally sympathize with workers’ efforts to improve their conditions. (Bastiat, like Tucker, supported worker associations.) However, there is little affinity for government-certified bureaucratic unions, which represent little more than a corporatist suppression of the pre-New Deal spontaneous and self-directed labor/mutual-aid movement, with its “unauthorized” sympathy strikes and boycotts. Before the New Deal Wagner Act, big business leaders like GE’s Gerard Swope had long supported labor legislation for this reason.
Em contraste com os libertários não de esquerda, que parecem não se interessar por, isso quando não se mostrem hostis a, preocupações quanto ao trabalho em si, os libertários de esquerda naturalmente simpatizam com os esforços dos trabalhadores para melhorarem sua condição. (Bastiat, como Tucker, apoiava associações de trabalhadores.) Entretanto, há pouca afinidade com sindicatos burocráticos certificados pelo governo, que representam pouco mais do que uma supressão corporatista do movimento pré-Novo Pacto espontâneo e autodirigido de trabalho/ajuda mútua, com sua simpatia “não autorizada” por greves e boicotes. Antes da Lei Wagner do Novo Pacto, líderes de grandes empresas, como Gerard Swope da GE, haviam de longa data apoiado legislação trabalhista por este motivo.
Moreover, left-libertarians tend to harbor a bias against wage employment and the often authoritarian corporate hierarchy to which it is subject. Workers today are handicapped by an array of regulations, taxes, intellectual-property laws, and business subsidies that on net impede entry to potential alternative employers and self-employment. As well, periodic economic crises set off by government borrowing and Federal Reserve management of money and banking threaten workers with unemployment, putting them further at the mercy of bosses.
Ademais, os libertários de esquerda tendem a exibir viés contra o emprego assalariado e a amiúde autoritária hierarquia corporativa ao qual sujeito. Os trabalhadores de hoje são tolhidos por um séquito de normas, impostos, leis de propriedade intelectual e subsídios às empresas que no fim dificultam a entrada no mercado de empregadores alternativos em potencial e do autoemprego. Do mesmo modo, crises econômicas periódicas e a administração do dinheiro e da atividade bancária pelo Reserva Federal ameaçam os empregados de desemprego, colocando-os ainda mais à mercê de seus chefes.
Competition-inhibiting cartelization diminishes workers’ bargaining power, enabling employers to deprive them of a portion of the income they would receive in a freed and fully competitive economy, where employers would have to compete for workers—rather than vice versa—and self-employment free of licensing requirements would offer an escape from wage employment altogether. Of course, self-employment has its risks and wouldn’t be for everyone, but it would be more attractive to more people if government did not make the cost of living, and hence the cost of decent subsistence, artificially high in myriad ways—from building codes and land-use restrictions to product standards, highway subsidies, and government-managed medicine.
A cartelização inibidora da competição reduz o poder de barganha dos trabalhadores, permitindo aos empregadores privá-los de uma porção da renda que eles receberiam numa economia libertada e totalmente competitiva, onde os empregadores teriam de competir por trabalhadores — em vez do contrário — e o autoemprego livre de exigências de licenciamento oferecer-lhes-ia completo escape do emprego assalariado. Obviamente, o autoemprego tem seus riscos e não seria para todos, mas seria mais atraente para mais pessoas se o governo não tornasse o custo de vida, e portanto o custo da subsistência decente, artificialmente alto de mil maneiras — dos códigos de segurança de edificações a restrições ao uso da terra e a padrões de produto, subsídios para rodovias, e medicina administrada pelo governo.
In a freed market left-libertarians expect to see less wage employment and more worker-owned enterprises, co-ops, partnerships, and single proprietorships. The low-cost desktop revolution, Internet, and inexpensive machine tools make this more feasible than ever. There would be no socialization of costs through transportation subsidies to favor nationwide over regional and local commerce. A spirit of independence can be expected to prompt a move toward these alternatives for the simple reason that employment to some extent entails subjecting oneself to someone else’s arbitrary will and the chance of abrupt dismissal. Because of the competition from self-employment, what wage employment remained would most likely take place in less-hierarchical, more-humane firms that, lacking political favors, could not socialize diseconomies of scale as large corporations do today.
Num livre mercado os libertários de esquerda esperam ver menos emprego assalariado e mais empresas de propriedade dos trabalhadores, cooperativas, parcerias, e propriedades de dono único. A revolução do baixo custo do desktop, a  Internet, e máquinas operatrizes baratas tornam isso mais viável do que nunca. Não haveria socialização dos custos por meio de subsídios de transportes para favorecer comércio nacional em detrimento do regional e local. É de esperar espírito de independência para estimular movimento rumo a essas alternativas, pela simples razão de o emprego, em certa medida, implicar a pessoa sujeitar-se à vontade arbitrária de outrem e à possibilidade de súbita demissão. Por causa da competição do autoemprego, o emprego assalariado remanescente mais provavelmente teria lugar em firmas menos hierárquicas, mais humanas que, não gozando de favores políticos, não poderiam socializar deseconomias de escala, ao contrário do que fazem grandes corporações atuais.
Left-libertarians, drawing on the work of New Left historians, also dissent from the conservative and standard libertarian view that the economic regulations of the Progressive Era and New Deal were imposed by social democrats on an unwilling freedom-loving business community. On the contrary, as Gabriel Kolko and others have shown, the corporate elite—the House of Morgan, for example—turned to government intervention when it realized in the waning 19th century that competition was too unruly to guarantee market share.
Os libertários de esquerda, abeberando-se da obra de historiadores da Nova Esquerda, discordam também do ponto de vista conservador e dos libertários comuns de que a regulamentação econômica da Era Progressista e do Novo Pacto foi imposta pelos social-democratas em cima de uma comunidade de negócios de má vontade, amante da liberdade. Pelo contrário, como Gabriel Kolko e outros já mostraram, a elite corporativa — a Casa de Morgan, por exemplo — voltou-se para intervenção do governo ao perceber, ao final do século 19, que a competição era obstinada demais para garantir-lhe fatia de mercado.
Thus left-libertarians see post-Civil War America not as a golden era of laissez faire but rather as a largely corrupt business-ruled outgrowth of the war, which featured the usual military contracting and speculation in government-securities. As in all wars, government gained power and well-connected businessmen gained taxpayer-financed fortunes and hence unfair advantage in the allegedly free market of the Gilded Age. “War is the health of the state,” leftist intellectual Randolph Bourne wrote. Civil war too.
Assim, os libertários de esquerda veem os Estados Unidos pós-Guerra Civil não como uma era dourada de laissez faire e sim, antes, como um em grande parte corrupto renovo da guerra, caracterizado pelos usuais contratos militares e a especulação com títulos do governo. Como em todas as guerras, o governo ganhou poder, e homens de negócios com boas conexões ganharam fortunas financiadas pelo contribuinte e portanto vantagem injusta no mercado alegadamente livre da Idade Dourada. “A guerra é a saúde do estado,” escreveu o intelectual esquerdista Randolph Bourne. A guerra civil também.
These conflicting historical views are well illustrated in the writings of the pro-capitalist novelist Ayn Rand (1905-1982) and Roy A. Childs Jr. (1949-1992), a libertarian writer-editor with definite leftist leanings. In the 1960s Rand wrote an essay with the self-explanatory title “America’s Persecuted Minority: Big Business,” which Childs answered with “Big Business and the Rise of American Statism.” “To a large degree it has been and remains big businessmen who are the fountainheads of American statism,” Childs wrote.
Essas visões históricas conflitantes ficam bem ilustradas nos escritos da novelista pró-capitalista Ayn Rand (1905-1982) e de Roy A. Childs Jr. (1949-1992), editor-escritor libertário com clara inclinação esquerdista. Nos anos 1960 Rand escreveu um ensaio com o título autoexplicativo “A Minoria Perseguida dos Estados Unidos: As Grandes Empresas,” ao qual Childs respondeu com “Grandes Empresas e a Ascensão do Estatismo Estadunidense.” “Em grande medida têm sido e continuam sendo os grandes empresários a fonte do estatismo estadunidense,” escreveu Childs.
One way to view the separation of left-libertarians from other market libertarians is this: the others look at the American economy and see an essentially free market coated with a thin layer of Progressive and New Deal intervention that need only to be scraped away to restore liberty. Left-libertarians see an economy that is corporatist to its core, although with limited competitive free enterprise. The programs constituting the welfare state are regarded as secondary and ameliorative, that is, intended to avert potentially dangerous social discontent by succoring—and controlling—the people harmed by the system.
Um dos modos de ver a separação entre libertários de esquerda e outros libertários de mercado é este: os outros olham para a economia estadunidense e veem essencialmente livre mercado revestido de fina camada de intervenção Progressista e do Novo Pacto, que só precisa ser raspada para que a liberdade seja restaurada. Os libertários de esquerda veem uma economia corporatista no cerne, embora com limitada livre empresa competitiva. Os programas constitutivos do estado assistencialista são vistos como secundários e tendentes a tornar as coisas toleráveis, isto é, visantes a evitar descontentamento social potencialmente perigoso mediante acorrer em socorro — e controlar — as pessoas prejudicadas pelo sistema.
Left-libertarians clash with regular libertarians most frequently when the latter display what Carson calls “vulgar libertarianism” and what Roderick Long calls “Right-conflationism(*).” This consists of judging American business in today’s statist environment as though it were taking place in the freed market. Thus while nonleft-libertarians theoretically recognize that big business enjoys monopolistic privileges, they also defend corporations when they come under attack from the left on grounds that if they were not serving consumers, the competitive market would punish them. “Vulgar libertarian apologists for capitalism use the term ‘free market’ in an equivocal sense,” Carson writes, “[T]hey seem to have trouble remembering, from one moment to the next, whether they’re defending actually existing capitalism or free market principles.”
Os libertários de esquerda colidem com os libertários usuais mais frequentemente quando estes últimos exibem o que Carson chama de “libertarismo vulgar” e Roderick Long chama de “confluencismo de direita(*).” Consiste em julgar a empresa estadunidense no ambiente estatista dos dias de hoje como se ela estivesse atuando no mercado libertado. Então, embora os libertários não de esquerda reconheçam que as grandes empresas gozam de privilégios de monopólio, eles também defendem as corporações quando estas são atacadas pela esquerda, usando o argumento de que se elas não estivessem atendendo aos consumidores, o mercado as puniria. “Os apologistas libertários vulgares do capitalismo usam a expressão ‘livre mercado’ em sentído equívoco,” escreve Carson; “[E]les parecem ter dificuldade de recordar, de um momento para o próximo, se estão defendendo o capitalismo realmente existente ou princípios de livre mercado.”
(*) I propose some new terminology: left-conflationism and right-conflationism. Left-conflationism is the error of treating the evils of existing corporatist capitalism as though they constituted an objection to a freed market. Right-conflationism is the error of treating the virtues of a freed market as though they constituted a justification of the evils of existing corporatist capitalism. – Roderick Long. See  http://aaeblog.com/?s=right-conflationism
(*) Proponho alguma nova terminologia: confluencismo de esquerda e confluencismo de direita. Confluencismo de esquerda é o erro de tratar os males do capitalismo corporatista existente como se eles constituíssem objeção a um mercado libertado. Confluencismo de direita é o erro de tratar as virtudes de um mercado libertado como se elas constituíssem justificativa dos males do capitalismo corporatista existente. – Roderick Long. Ver  http://aaeblog.com/?s=right-conflationism
Signs of Right-conflationism can be seen in the common mainstream libertarian defensiveness at leftist criticism of income inequality, America’s corporate structure, high oil prices, or the healthcare system. If there’s no free market, why be defensive? You can usually make a nonleft-libertarian mad by comparing Western Europe favorably with the United States.  To this, Carson writes, “[I]f you call yourself a libertarian, don’t try to kid anybody that the American system is less statist than the German one just because more of the welfare queens wear three-piece suits… . [I]f we’re choosing between equal levels of statism, of course I’ll take the one that weighs less heavily on my own neck.”
Sinais de confluencismo de direita podem ser vistos na defensividade libertária majoritária em relação à crítica esquerdista da desigualdade de renda, da estrutura corporativa dos Estados Unidos, dos altos preços do petróleo, ou do sistema de saúde. Se não há livre mercado, por que ser defensivo? Geralmente é possível fazer um libertário não de esquerda ficar possesso comparando favoravelmente a Europa Ocidental com os Estados Unidos. Quanto a isso, Carson escreve: “[S]e você se denomina libertário, não tente enganar ninguém dizendo que o sistema estadunidense é menos estatista do que o alemão só porque mais recebedores indevidos de assistencialismo vestem ternos com colete… . [S]e estamos escolhendo entre níveis iguais de estatismo, obviamente escolherei o que pesa menos em cima do meu próprio pescoço.”
True to their heritage, left-libertarians champion other historically oppressed groups: the poor, women, people of color, gays, and immigrants, documented or not. Left-libertarians see the poor not as lazy opportunists but rather as victims of the statemyriad barriers to self-help, mutual aid, and decent education. Left-libertarians of course oppose government oppression of women and minorities, but they wish to combat nonviolent forms of social oppression such as racism and sexism as well. Since these are not carried out by force, the measures used to oppose them also may not entail force or the state. Thus, sex and racial discrimination are to be fought through boycotts, publicity, and demonstrations, not violence or antidiscrimination laws. For left-libertarians, southern lunch-counter racism was better battled through peaceful sit-ins than with legislation in Washington, which merely ratified what direct action had been accomplishing without help from the white elite.
Fiéis a seu legado, os libertários de esquerda defendem outros grupos historicamente oprimidos: os pobres, as mulheres, as pessoas de cor, homossexuais e imigrantes, com documentos ou não. Os libertários de esquerda veem os pobres não como oportunistas preguiçosos e sim como vítimas das inúmeras barreiras colocadas pelo estado contra autoajuda, ajuda mútua e educação decente. Os libertários de esquerda ovbiamente opõem-se à opressão das mulheres e das minorias pelo governo, mas desejam combater também formas não violentas de opressão social tais como racismo e sexismo. Visto estas não serem levadas a efeito pela força, as medidas usadas para oposição a elas também não poderão implicar força ou o estado. Assim, discriminação sexual e racial deve ser combatida por meio de boicotes, publicidade e manifestações, não pela violência ou por leis contra a discriminação. Para os libertários de esquerda, os pretos se sentarem pacificamente ao balcão de almoço foi modo melhor de combate ao racismo sulista do que legislação de Washington, que meramente ratificou o que a ação direta vinha conseguindo sem ajuda da elite branca.
Why do left-libertarians qua libertarians care about nonviolent, nonstate oppression? Because libertarianism is premised on the dignity and self-ownership of the individual, which sexism and racism deny. Thus all forms of collectivist hierarchy undermine the libertarian attitude and hence the prospects for a free society.
Por que os libertários de esquerda, qua libertários, preocupam-se com a opressão não violenta e não estatal? Porque o libertarismo tem como premissa a dignidade e a propriedade de si próprio pelo indivíduo, que sexismo e racismo negam. Assim, todas as formas de hieraquia coletivista militam contra a atitude libertária e portanto contra a perspectiva de uma sociedade livre.
In a word, left-libertarians favor equality. Not material equality—that can’t be had without oppression and the stifling of initiative. Not mere equality under the law—for the law might be oppressive. And not just equal freedom—for an equal amount of a little freedom is intolerable. They favor what Roderick Long, drawing on John Locke, calls equality in authority: “Lockean equality involves not merely equality before legislators, judges, and police, but, far more crucially, equality with legislators, judges, and police.”
Numa palavra, os libertários de esquerda são a favor da igualdade. Não igualdade material — essa só pode ser conseguida por opressão e tolhimento da iniciativa. Não mera igualdade perante a lei — pois a lei pode ser opressora. E não apenas igual liberdade — pois igual quantidade de pouca liberdade é intolerável. São a favor do que Roderick Long, de empréstimo a John Locke, chama de igualdade de autoridade: “A igualdade lockeana envolve não apenas igualdade perante legisladores, juízes e polícia mas, muito mais crucialmente, igualdade com legisladores, juízes e polícia.”
Finally, like most ordinary libertarians, left-libertarians adamantly oppose war and the American empire. They embrace an essentially economic analysis of imperialism: privileged firms seek access to resources, foreign markets for surplus goods, and ways to impose intellectual-property laws on emerging industrial societies to keep foreign manufacturers from driving down prices through competition. (This is not to say there aren’t additional, political factors behind the drive for empire.)
Finalmente, como a maioria dos libertários ordinários, os libertários de esquerda opõem-se inflexivelmente à guerra e ao império estadunidense. Fazem uma análise essencialmente econômica do imperialismo: empresas privilegiadas buscam acesso a recursos, a mercados externos para excedente de bens, e a meios de impor leis de propriedade intelectual a sociedades industriais emergentes para impedir que fabricantes estrangeiros derrubem os preços por meio da competição. (Isso não significa não existirem fatores adicionais políticos por trás do impulso rumo ao império.)
These days left-libertarians feel vindicated. American foreign policy has embroiled the country in endless overt and covert wars, with their high cost in blood and treasure, in the resource-rich Middle East and Central Asia—with torture, indefinite detention, and surveillance among other assaults on domestic civil liberties thrown in for good measure. Meanwhile, the historical Washington-Wall Street alliance—in which recklessness with other people’s money, fostered by guarantees, bailouts, and Federal Reserve liquidity masquerades as deregulation—has brought yet another financial crisis with its heavy toll for average Americans, additional job insecurity, and magnified Wall Street influence.
Nos dias de hoje os libertários de esquerda sentem-se vindicados. A política externa estadunidense enredou o país em guerras infindáveis visíveis e secretas, com seu alto custo em sangue e tesouro, nos ricos de recursos Oriente Médio e Ásia Central — com tortura, detenção por tempo indefinido, e, ainda por cima, escuta, entre outras agressões a liberdades civis domésticas. Enquanto isso, a aliança histórica Washington-Wall Street — na qual a inconsequência com o dinheiro dos outros, fomentada por garantias, socorros financeiros e impressão de liquidez criada pelo Reserva Federal sob forma de desregulamentação — causou mais outra crise financeira com seu pesado tributo para o estadunidense médio, mais insegurança no emprego, e potencialização da influência de Wall Street.
Such nefariousness can only hasten the day when people discover the left-libertarian alternative. Is that expectation realistic? Perhaps. Many Americans sense that something is deeply wrong with their country. They feel their lives are controlled by large government and corporate bureaucracies that consume their wealth and treat them like subjects. Yet they have little taste for European-style social democracy, much less full-blown state socialism. Left-libertarianism may be what they’re looking for. As the Mutualist Carson writes, “Because of our fondness for free markets, mutualists sometimes fall afoul of those who have an aesthetic affinity for collectivism, or those for whom ‘petty bourgeois’ is a swear word. But it is our petty bourgeois tendencies that put us in the mainstream of the American populist/radical tradition, and make us relevant to the needs of average working Americans.”
Tal torpeza só pode apressar a chegada do dia quando as pessoas descobrirão a alternativa libertária de esquerda. É essa expectativa realista? Talvez. Muitos estadunidenses percebem que algo está profundamente errado com seu país. Percebem que suas vidas são controladas por grandes governo e burocracias corporativas que consomem sua riqueza e os tratam como vassalos. No entanto sentem pouca atração pela democracia social de estilo europeu, e menos ainda pelo socialismo pleno de estado. O libertarismo de esquerda poderá ser o que procuram. Como escreve o mutualista Carson, “Por causa de nosso apreço pelos livres mercados, os mutualistas por vezes caem em desgraça diante daqueles que sentem afinidade estética com o coletivismo, ou diante daqueles para os quais a expressão ‘pequeno-burguês’ é obscena. São porém nossas tendências pequeno-burguesas que nos colocam na corrente principal da tradição populista/radical, e nos tornam relevantes para as necessidades do trabalhador estadunidense médio.”
Carson believes ordinary citizens are coming to “distrust the bureaucratic organizations that control their communities and working lives, and want more control over the decisions that affect them. They are open to the possibility of decentralist, bottom-up alternatives to the present system.” Let’s hope he’s right.
Carson acredita que os cidadãos ordinários estão caminhando no sentido de “perder a confiança nas organizações burocráticas que controlam suas comunidades e vidas de trabalho, e desejam mais controle sobre as decisões que os afetam. Estão abertos para a possibilidade de alternativas descentralistas e de baixo para cima ao presente sistema.” Esperemos que esteja certo.
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