Thursday, November 17, 2011

RBTH - Passive voice can also be a worldview

© 2007-2011 Russia Beyond The Headlines
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Russia Beyond the Headlines
Rússia Além dos Títulos de Jornal
Passive voice can also be a worldview
Voz passiva também pode ser visão de mundo
September 30, 2011
30 de setembro de 2011
Russians and Americans are far apart on so many issues, and many choose to see them as opposites. Certainly, Russians add to the picture their own peculiar pessimism, while Americans with their irrepressible optimism take a more rose-tinted view. Yet both countries stretch across vast territories - a crucial factor in their development. Both have emerged rather isolated in contrast to tightly interconnected Europe with its compact co-existence that influences all its politics and culture, and even mentality.
Russos e estadunidenses divergem muito no tocante a muitas questões, e muitas pessoas optam por vê-los como opostos. Certamente os russos acrescentam a esse cenário seu próprio peculiar pessimismo, enquanto os estadunidenses, com seu irreprimível otimismo, têm um ponto de vista mais róseo. Não obstante, ambos os países estendem-se por vastos territórios - fator crucial no respectivo desenvolvimento. Ambos surgiram bastante isolados, em contraste com uma Europa fortemente interconexa com sua compacta coexistência que influencia toda sua política e cultura e até mesmo mentalidade.
On the way to the seacoast, a European may cross three countries in a few hours, which fosters a new interpretation of sovereignty and mutual liability. Unlike Europeans, Russians and Americans had in the past little opportunity to comprehend a worldview outside of their own, and so have nurtured a more self-focused, insular view of life, and, by extension, a more distorted perception of others.
A caminho da costa do mar um europeu pode cruzar três países em poucas horas, o que estimula nova intepretação de soberania e obrigações mútuas. Diferentemente dos europeus, russos e estadunidenses tiveram no passado pouca oportunidade de ter uma visão de mundo externa à própria, e portanto nutriram visão de vida mais voltada para si próprios, insular e, por extensão, percepção mais distorcida dos outros.
For centuries, Russia faced much more formidable and incessant external threats, while Americans were sheltered between two oceans. The remoteness of the United States from the center-of-the-world clashes gave the nation opportunity to emerge and join the world stage fully equipped to gain from others’ losses, while Russians had to deter potential aggressors throughout their history.
Por séculos a Rússia defrontou-se com ameaças externas muito mais formidáveis e incessantes, enquanto os estadunidenses ficavam protegidos entre dois oceanos. A lonjura dos Estados Unidos dos embates no centro do mundo deram à nação oportunidade para surgir e juntar-se ao palco mundial plenamente equipada para ganhar com os prejuízos dos outros, enquanto os russos tiveram de dissuadir agressores em potencial ao longo de sua história.
However, our differences often hamper us in our efforts to understand each other. Here are three striking illustrations of our differences - sources of distrust and misunderstanding when Americans think and talk about Russia:
Entretanto, nossas diferenças amiúde nos tolhem em nossos esforços para compreender-nos mutuamente. Eis abaixo três notáveis ilustrações de nossas diferenças - fontes de falta de confiança e de entendimento quando os estadunidenses pensam e falam acerca da Rússia:
The Media
A Mídia
First, state-owned media is taken for granted in Russia. Russia’s extensive network of state-owned TV and newspapers is inconceivable to Americans. To them, it sounds like an oxymoron (either government or media). Most Americans jump to the conclusion that the Russian government suppresses ‘its’ media and what is reported cannot be considered true or independent. The conventional wisdom is that Russian media, out of subordination or fear, would never put out a story that undermines the government. But a daily reader of the Russian press knows that just isn’t true. Still, Americans are astonished to discover truly professional and critical Russian media coverage, particularly regarding the government.
Primeiro, a mídia de propriedade do estado é considerada ponto pacífico na Rússia. A ampla rede russa de TV e jornais de propriedade do estado é inconcebível para estadunidenses. Para estes, é algo que soa como um oxímoro (ou é governo ou é mídia). Os estadunidenses, em sua maioria, tiram a conclusão precipitada de que o governo russo suprime ‘sua’ mídia e o que é informado não pode ser considerado verdadeiro ou independente. A crença da maioria é a de que a mídia russa, por subordinação ou medo, nunca publicaria uma reportagem que debilitasse o governo. Contudo, o leitor diário da imprensa russa sabe que isso simplesmente não é verdade. Ainda assim, os estadunidenses ficam surpreendidos ao descobrir cobertura verdadeiramente profissional e crítica efetuada pela mídia russa, particulamente a respeito do governo.
In reality there is a problem and it runs deeper than state-owned media; it concerns the whole society. Russians either are too jaded to make a stand or have no real means to do so. Courts, NGOs and community groups are weak and, less well understood in the United States, distrusted by the public. People do not even trust one another, and this, in turn, prevents social networking from taking root. As a result, people avert their eyes from the problems and put up with life around them as it is, which leads to the next phenomenon that is inexplicable for most Americans.
Na realidade há um problema e ele é mais profundo do que a mídia de propriedade do estado; diz respeito a toda a sociedade. Os russos ou já se cansaram demais para assumir posição ou não dispõem de meios concretos para fazê-lo. Tribunais, ONGs e grupos comunitários são fracos e, o que é muito menos entendido nos Estados Unidos, não têm a confiança do público. As pessoas não confiam sequer umas nas outras e isso, por sua vez, impede que a rede social crie raiz. Em decorrência, as pessoas desviam os olhos dos problemas e aguentam a vida em torno delas tal como é, o que leva ao próximo fenômeno inexplicável para a maioria dos estadunidenses.
Appointments from Above
Nomeações vindas de cima
he second difference is the fact that in Russia, the Kremlin appoints governors. “Appointed by whom?” Americans ask in surprise on discovering that regional leaders in Russia are not elected. “Appointed by the president.” – “So, does the president decide who will govern a region?” – “Officially, a party that wins the elections in a region recommends a list of nominees to the president, who then chooses one and sends this decision to the state legislature for its approval.” Since 2004, when then-President Putin abolished the gubernatorial elections, legislatures have rubberstamped their approval.
A segunda diferença é o fato de que, na Rússia, o Kremlin nomeia os governadores. “Nomeados por quem?” perguntam, surpresos, os estadunidenses, ao descobrir que os líderes regionais, na Rússia, não são eleitos. “Nomeados pelo presidente.” – “Então o presidente é quem decide quem governa uma região?” – “Oficialmente, um partido que vença as eleições numa região recomenda uma lista de indicados ao presidente, que então escolhe um e envia sua decisão ao legislativo do estado para aprovação.” Desde 2004, quando o então Presidente Putin aboliu as eleições para governador, os legislativos vêm chancelando as nomeações.
The Russian public is ambivalent about this. According to the latest survey conducted on this subject a year and a half ago, only 54 percent of Russians favor the idea of a return to direct voting in regional elections, down from 81 percent a year after the elections were cancelled. The “voters,” hence, are more accustomed to this disenfranchisement, which is completely beyond the American scope. In fact, it’s sad for Russia. Over the long run, a country of indifferent onlookers has a troubled future. “Yes we can” would never have arisen in Russia.
O público russo é ambivalente a respeito. De acordo com a mais recente pesquisa conduzida com relação ao assunto há ano e meio, apenas 54 por cento dos russos são favoráveis à ideia de retorno à eleição direta nas eleições regionais, em comparação com 81 por cento um ano depois das eleições serem canceladas. Os “eleitores,” portanto, estão mais acostumados com essa supressão de direitos, que se situa completamente além do leque de opções estadunidenses. Na verdade, é algo triste para Rússia. No longo prazo, um país de espectadores indiferentes tem futuro problemático. O “Sim podemos(*)” nunca teria surgido na Rússia.

(*) Yes we can (change) – Sim, podemos (mudar), lema de campanha do presidente Barack Obama.
Passive Voice
Voz Passiva
The third illustration of our differences is closely related to the two preceding examples, and even this very sentence reflects a national way of thinking: Namely, in Russia, passive voice is widely used. The elections were conducted; governors are appointed; the candidate for the next presidency will be chosen and announced. “By whom?” – Americans are puzzled again, and the reality is that it’s almost impossible to convey the essence of this decision-making process to those whose social practices are so different from the outset.
A terceira ilustração de nossas diferenças está estreitamente relacionada com os dois exemplos precedentes, e mesmo esta própria frase reflete um modo nacional de pensar: Isto é, na Rússia, a voz passiva é amplamente usada. Eleições foram realizadas; governadores são nomeados; o candidato para a próxima presidência será escolhido e anunciado. “Por quem?” – os estadunidenses estão perplexos de novo, e a realidade é ser quase impossível transmitir a essência desse processo de tomada de decisão para aqueles cujas práticas sociais são tão diferentes desde o começo.
A popular language Web site that explains the difference between passive and active voice notes that passive is used widely in two cases: first for scientific objectivity, and secondly, for politics. “Politicians often use passive voice to intentionally obscure the idea of who is taking the action,” explained Mignon Fogarty, author of a grammar Web site. Decisions were made, a nominee is about to be chosen, the plan is approved. Ideas and attitudes should be presented in active voice; that’s the American vision. Otherwise, nobody notices them. And eventually your concerns will be disregarded.
Um site popular de línguas da Web que explica a diferença entre a voz passiva e a ativa observa que a voz passiva é usada amplamente em dois casos: primeiro, para objetividade científica e, segundo, em política. “Os políticos amiúde usam a voz passiva para obscurecer intencionalmente a ideia de quem está praticando a ação,” explicou Mignon Fogarty, autora de site de gramática da Web. Foram tomadas decisões, um indicado está para ser escolhido, o plano está aprovado. Ideias e atitudes deveriam ser apresentadas em voz ativa; essa é a visão estadunidense. De outro modo, ninguém prestará atenção. E por fim as preocupações das pessoas serão negligenciadas.
Svetlana Babaeva is the Washington, D.C., bureau chief of Ria Novosti. 
Svetlana Babaeva é chefe do bureau da Ria Novosti em Washington, D.C.





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