Saturday, November 19, 2011

RBTH - Middle East miscalculated

http://rbth.ru/articles/2011/09/30/middle_east_miscalculated_13510.html http://rbth.ru/articles/2011/09/30/middle_east_miscalculated_13510.html
© 2007-2011 Russia Beyond The Headlines © 2007-2011 Russia Beyond The Headlines
Russia Beyond the Headlines
Rússia Além dos Títulos de Jornal
Middle East miscalculated Oriente Médio mal calculado
September 30, 2011 30 de setembro de 2011
Konstantin von Eggert Konstantin von Eggert
I am still baffled: Why did the Kremlin commit such a gross error of judgement that led to such a visible humiliation? From the moment Russia chose not to veto the United Nations Security Council resolution 1973 that effectively allowed NATO military action in Libya, Moammar Gaddafi’s game was up. He had the world’s most powerful military alliance against him and hardly any support even among fellow Arabs. Moreover, Jordan, Qatar and United Arab Emirates supported militarily the allied operation in the Libyan skies. I think Moscow could have even supported the resolution and sent a symbolic frigate or two to Libyan shores, thus securing a place of honor among future winners. Still abstention gave Russia a free hand to adjust its attitude later. And of course it was quite clear from the beginning that resolution 1973 gave a green light to the allies to root out the Gaddafi regime. No other outcome would have satisfied them. Ainda estou aturdido: Como é que o Kremlin foi cometer erro tão grosseiro de avaliação conducente a humilhação tão visível? A partir do momento em que a Rússia optou por não vetar a resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas que efetivamente permitiu à OTAN ação militar na Líbia, o jogo de Moammar Gaddafi acabou. Ele tinha a mais poderosa aliança militar do globo contra ele e praticamente nenhum apoio mesmo entre os companheiros árabes. Ademais, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos apoiaram militarmente a operação nos céus líbios. Acredito que Moscou poderia até ter apoiado a resolução e mandado uma fragata simbólica ou duas para as costas líbias, assegurando assim lugar de honra entre os futuros vencedores. De qualquer forma, a abstenção deixava a Rússia à vontade para ajustar sua atitude posteriormente. E naturalmente ficou muito claro desde o início que a resolução 1973 dava luz verde para os aliados erradicarem o regime de Gaddafi. Nenhum outro resultado os teria satisfeito.
But instead of being consistent and keeping a distance, Moscow nearly immediately rushed to condemn the NATO-led operation and, implicitly, support Gaddafi. It soon found itself in a particularly bad position: The Libyan dictator did not trust Russia after the United Nations abstention; the rebels felt it was working against them. President Dmitry Medvedev’s special representative Mikhail Margelov flew to have talks with the Transitional National Council in Benghazi in June. Sadly, the Russian leadership did not follow his promising mission with any concrete steps. Moscow had to recognize the rebels as Libya’s legitimate government when it was too late. Em vez, porém, de ser coerente e manter distância, Moscou quase imediatamente correu a condenar a operação liderada pela OTAN e, implicitamente, apoiar Gaddafi. Logo viu-se em posição particularmente ruim: Depois da abstenção, o ditador líbio passou a não acreditar na Rússia; os rebeldes acharam que esta estava trabalhando contra eles. O representante especial do Presidente Dmitry Medvedev, Mikhail Margelov, voou para conversações com o Conselho Nacional de Transição em Benghazi, em junho. Infelizmente a liderança russa não deu seguimento à promissora missão dele com quaisquer passos concretos. Moscou teve de reconhecer os rebeldes como governo legítimo da Líbia quando já era muito tarde.
So why did Medvedev, Prime Minister Vladimir Putin and their foreign policy advisors miscalculate? I personally think the roots of this mistake lie in Russia’s internal situation and mentality. Post-Cold War humiliations, some real and some perceived, created an ideology based on anti-Western attitudes, as well as denial that values and ideas, as opposed to naked interest, play any role in international relations. For values read “Western values.” Moscow decisionmakers and the Russian public view global politics as a zero sum game, where someone’s gain is always someone else’s loss. It is the consequence of Russia’s peculiar and tortuous post-Communist transition. The country is neither here nor there, neither a Soviet empire nor a global superpower. And it is not yet a fully fledged nation state. This makes the Russians uncertain and defensive. They worship sovereignty, understood as a sort of pre-World War I right of governments to do whatever they want within their national boundaries, because they saw their own country, the Soviet Union, disappear overnight. They are unable and unwilling to accept such concepts as “humanitarian intervention” and “responsibility to protect,” which underpinned the intervention in Libya. This leads to a recurring situation in which Russia finds itself on the wrong side of history trying to bail out dictators long past their expiration date. This happened with Slobodan Milosevic, the deposed Yugoslav leader; Iraq strongman Saddam Hussein; and Gaddafi. One wonders if it will occur with Syria’s President Bashar al-Assad. Assim, por que Medvedev, o Primeiro-Ministro Vladimir Putin e seus assessores de política externa calcularam errado? Pessoalmente, acho que as raízes desse equívoco residem na situação interna e na mentalidade da Rússia. Humilhações posteriores à Guerra Fria, algumas reais e algumas fruto de maneira de ver, criaram uma ideologia baseada em atitudes antiocidentais, bem como negação de que valores e ideias, por oposição a puro interesse, desempenhem qualquer papel nas relações internacionais. Por valores entenda-se “valores ocidentais.” Os tomadores de decisão de Moscou e o público russo veem a política mundial como um jogo de soma zero, onde o ganho de alguém sempre é obtido à custa do prejuízo de outrem. Isso é consequência da peculiar e tortuosa transição pós-comunista da Russia. O país não está nem cá nem lá, nem é império soviético nem superpotência mundial. E não é, ainda, um estado-nação pleno. Isso torna os russos inseguros e defensivos. Eles veneram a soberania, entendida como uma espécie de direito, anterior à Primeira Guerra Mundial, de os governos fazerem o que desejem dentro de suas fronteiras nacionais, porque viram seu próprio país, a União Soviética, desaparecer da noite para o dia. São incapazes e não estão dispostos a aceitar conceitos tais como “intervenção humanitária” e “responsabilidade de proteger,” que alicerçaram a intervenção na Líbia. Isso leva a situação repetitiva na qual a Rússia se flagra do lado errado da história tentando resgatar ditadores muito tempo depois da data de vencimento deles. Isso aconteceu com Slobodan Milosevic, o líder iugoslavo deposto; com o homem-forte do Iraque Saddam Hussein; e Gaddafi. Pergunta-se quanto a o mesmo vir a ocorrer com o Presidente da Síria, Bashar al-Assad.
Global politics today are an interplay of interests and values, opportunism and idealism. Missing this very real point leads the Russians to believe that any event over which they have no control, such as the Arab revolutions, is by default a sinister conspiracy, usually a Western one involving oil. This belief is by no means an exclusively Russian phenomenon. But among the G-8 nations, it is only in Russia that such attitudes are as widely spread among politicians and top civil servants. It might take quite some time for my people to start adapting to the 21st century reality. It is in the power of the Russian leaders to speed up the process and finally get real. A política mundial, hoje em dia, é uma interação de interesses e valores, de oportunismo e idealismo. Deixar de entender este ponto muito real leva os russos a acreditar que qualquer evento sobre o qual eles não tenham controle, como as revoluções árabes, é em princípio uma sinistra conspiração, usualmente ocidental, envolvendo petróleo. Essa crença de modo nenhum é fenômeno exclusivamente russo. Contudo, entre as nações do G-8, só na Rússia tais atitudes são tão disseminadas entre políticos e funcionários públicos de alto escalão. Poderá levar um bocado de tempo até que meu povo comece a adaptar-se ao século 21. Está no poder dos líderes russos acelerar esse processo e finalmente caírem na real.
Konstantin von Eggert is a commentator and host for radio Kommersant FM, Russia’s first 24-hour news station. He was a diplomatic correspondent for Izvestia and later BBC Russian Service Moscow Bureau editor-in-chief. He was also once vice president of ExxonMobil Russia. Konstantin von Eggert é comentador e locutor da rádio Kommersant FM, primeira estação de 24 horas de notícias da Rússia. Foi correspondente diplomático do Izvestia e, mais tarde, editor-chefe do Birô de Moscou do Serviço Russo da BBC. Foi também, no passado, vice-presidente da ExxonMobil Rússia.

No comments:

Post a Comment