Sunday, October 23, 2011

Mutualist.Org: Austrian and Marxist Theories of Monopoly-Capital


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Mutualist.org: Free Market Anti-Capitalism
Mutualist.org: Anticapitalismo de Livre Mercado
Monopoly Capital
Capital Monopolista
AUSTRIAN AND MARXIST THEORIES OF MONOPOLY-CAPITAL
TEORIAS AUSTRÍACA E MARXISTA DO CAPITAL MONOPOLISTA
A Mutualist Synthesis
Síntese Mutualista
Kevin A. Carson
Kevin A. Carson
Monopoly Capital is used in the sense of 20th century Marxists like the Monthly Review group: an economy in which capital is organized in the form of monopolies and industries tend to be concentrated by finance capital. (Kevin Carson, private email, Oct. 25, 2011).
Capital Monopólio é expressão usada no sentido de marxistas do século 20 tais como o grupo do Resenha Mensal: uma economia na qual o capital é organizado na forma de monopólios e as indústrias tendem a ser concentradas pelo capital financeiro. (Kevin Carson, email privado, 25.10.2011). [Parece-me traduzível, também, como capital monopolista ou capital de monopólio].
INTRODUCTION
INTRODUÇÃO
My starting point for this article is a ground-breaking study by Joseph Stromberg. In "The Role of State Monopoly Capitalism in the American Empire," (1) Stromberg provides an insightful Austrian analysis of state capitalist cartelization as the cause of crises of overproduction and surplus capital. In the course of his argument, he makes reference to Progressive/Revisionist and (to a lesser extent) Marxist theories of imperialism, and analyzes their parallels with the Austrian view.
Meu ponto de partida para este artigo é estudo inovador de Joseph Stromberg. Em "O Papel do Capitalismo Monopolista de Estado no Império Estadunidense," (1) Stromberg oferece esclarecedora análise austríaca da cartelização capitalista de estado como causa de crises de superprodução e de capital excedente. No decurso de sua argumentação faz referência a teorias progressistas/revisionistas e (em menor grau) marxistas do imperialismo e analisa seus paralelos com o ponto de vista austríaco.
Although the state capitalism of the twentieth century (as opposed to the earlier misnamed "laissez faire" variant, in which the statist character of the system was largely disguised as a "neutral" legal framework) had its roots in the mid-nineteenth century, it received great impetus as an elite ideology during the depression of the 1890s. From that time on, the problems of overproduction and surplus capital, the danger of domestic class warfare, and the need for the state to solve them, figured large in the perception of the corporate elite. The shift in elite consensus in the 1890s (toward corporate liberalism and foreign expansion) was as profound as that of the 1970s, when reaction to wildcat strikes, the "crisis of governability," and the looming "capital shortage" led the power elite to abandon corporate liberalism in favor of neo-liberalism.
Embora o capitalismo de estado do século vinte (por oposição à variante mais antiga impropriamente chamada de "laissez faire," na qual o caráter estatista do sistema ficava em grande parte dissimulado como arcabouço legal "neutro") tivesse suas raízes em meado século dezenove, recebeu grande impulso como ideologia da elite durante a depressão dos anos 1890. Daquela época em diante, os problemas de superprodução e capital excedente, o perigo de guerra de classes doméstica e a necessidade de o estado resolvê-los passaram a ser considerados importantes, na percepção da elite corporativa. A mudança do consenso da elite nos anos 1890 (rumo ao liberalismo corporativo e à expansão no estrangeiro) foi tão profunda quanto a dos anos 1970, quando a reação contra greves de iniciativa não patrocinada pelo sindicato, a "crise de governabilidade" e impendente "escassez de capital" levaram a elite do poder a abandonar o liberalismo corporativo em favor do neoliberalismo.
But as Stromberg argues, the American ruling class was wrong in seeing the crises of overproduction and surplus capital as "natural or inevitable outgrowths of a market society." (2) They were, rather, the effects of regulatory cartelization of the economy by state capitalist policies.
Todavia, como Stromberg argumenta, a classe dominante estadunidense estava errada em ver as crises de superprodução e de capital excedente como "renovos naturais ou inevitáveis de uma sociedade de mercado." (2) Eram, antes, os efeitos de uma cartelização regulamentadora da economia por políticas capitalistas de estado.
The effects of the state's subsidies and regulations are 1) to encourage creation of production facilities on such a large scale that they are not viable in a free market, and cannot dispose of their full product domestically; 2) to promote monopoly prices above market clearing levels; and 3) to set up market entry barriers and put new or smaller firms at a competitive disadvantage, so as to deny adequate domestic outlets for investment capital. The result is a crisis of overproduction and surplus capital, and a spiraling process of increasing statism as politically connected corporate interests act through the state to resolve the crisis.
Os efeitos dos subsídios e regulamentações do estado são 1) estimular a criação de instalações de produção em tão larga escala que elas tornam-se inviáveis num livre mercado, não conseguindo descartar a totalidade de sua produção domesticamente; 2) promover preços de monopólio acima dos níveis de equilíbrio do mercado; e 3) criar barreiras à entrada no mercado e colocar firmas novas ou menores em situação de desvantagem competitiva, de modo a negar escoadouros domésticos adequados para capital de investimento. O resultado é uma crise de superprodução e capital excedente, e um processo em espiral de aumento do estatismo na medida em que interesses corporativos com conexões políticas atuem por meio do estado para resolver a crise.
Although I cannot praise Stromberg enough for this contribution, which I use as a starting-point, I diverge from his analysis in several ways. Stromberg, himself a Rothbardian anarcho-capitalist affiliated with the Mises Institute, relies mainly on Schumpeter's analysis of "export-dependent monopoly capitalism," as read through a Misean/Rothbardian lens. Secondarily, he relies on "corporate liberal" historians like Williams, Kolko and Weinstein. To the extent that he refers to Marxist analyses of monopoly capital, it is mainly in passing, if not utterly dismissive. But such theorists (especially Baran and Sweezy of the Monthly Review group, James O'Connor, and Paul Mattick) have parallelled his own Austrian analysis in interesting ways, and have provided unique insights that are complementary to the Austrian position.
Embora eu não possa elogiar Stromberg o bastante por sua contribuição, que uso como ponto de partida, divirjo da análise dele sob vários aspectos. Stromberg, ele próprio anarcocapitalista rothbardiano filiado ao Instituto Mises, alicerça-se principalmente na análise de Schumpeter do "capitalismo monopolista dependente de exportações," tal como lido através de uma lente miseana/rothbardiana. Secundariamente, ele se alicerça em historiadores "liberais corporativos" como Williams, Kolko e Weinstein. No tocante a análises marxistas do capital monopolista, ele se mostra incidentalmente, se não completamente, desdenhoso. Tais teóricos, entretanto (especialmente Baran e Sweezy do grupo Resenha Mensal, James O'Connor, e Paul Mattick), seguiram por linhas paralelas às da própria análise austríaca dele de maneira interessante, e ofereceram percepções originais complementares à posição austríaca.
Starting with Stromberg's article as my point of departure, I will integrate both his and these other analyses into my own mutualist framework. More importantly, as a mutualist, I go much further than Stromberg and the Austrians in dissociating the present corporate system from a genuine free market. Following the economic arguments of Benjamin Tucker and other mutualists, I distinguish capitalism from a genuine free market, and treat the state capitalism of the twentieth century as the natural outgrowth of a system which was statist from its very beginning.
Tomando o artigo de Stromberg como meu ponto de partida, integrarei as análises dele e aquelas outras em meu próprio arcabouço mutualista. Mais importante: como mutualista, vou muito mais longe do que Stromberg e os austríacos em dissociar o atual sistema corporativo de um genuíno livre mercado. Seguindo a argumentação econômica de Benjamin Tucker e de outros mutualistas, distingo entre capitalismo e genuíno livre mercado, e trato o capitalismo de estado do século vinte como renovo natural de um sistema estatista desde seu primeiro começo.
THE RISE OF STATE CAPITALISM
A ASCENSÃO DO CAPITALISMO DE ESTADO
Stromberg's argument is based on Murray Rothbard's Austrian theory of regulatory cartelization. Economists of the Austrian school, especially Ludwig von Mises and his disciple Rothbard, have taken a view of state capitalism in many respects resembling that of the New Left. That is, both groups portray it as a movement of large-scale, organized capital to obtain its profits through state intervention into the economy, although the regulations entailed in this project are usually sold to the public as "progressive" restraints on big business. This parallelism between the analyses of the New Left and the libertarian Right was capitalized upon by Rothbard in his own overtures to the Left. In such projects as his journal Left and Right, and in the anthology A New History of Leviathan (coedited with New Leftist Ronald Radosh), he sought an alliance of the libertarian Left and Right against the corporate state.
A argumentação de Stromberg está baseada na teoria da cartelização regulamentadora de Murray Rothbard. Economistas da escola austríaca, especialmente Ludwig von Mises e seu discípulo Rothbard, adotaram ponto de vista acerca do capitalismo semelhante, sob diversos aspectos, ao da Nova Esquerda. Isto é, ambos os grupos retratam-no como um movimento de capital de larga escala, organizado, a obter seus lucros por meio de intervenção do estado na economia, embora as regulamentações entalhadas nesse projeto sejam usualmente vendidas para o público como coibições "progressistas" às grandes empresas. Rothbard tirou proveito desse paralelismo entre as análises da Nova Esquerda e a Direita libertária em suas próprias aberturas em relação à Esquerda. Em projetos tais como seu periódico Esquerda e Direita, e na antologia Nova História do Leviatã (coeditado com o Novo Esquerdista Ronald Radosh), ele buscou uma aliança da Esquerda e da Direita libertárias contra o estado corporativo.
Rothbard treated the "war collectivism" of World War I as a prototype for twentieth century state capitalism. He described it as
Rothbard tratou o "coletivismo de guerra" da Primeira Guerra Mundial como protótipo do capitalismo de estado do século vinte. Descreveu-o como
a new order marked by strong government, and extensive and pervasive government intervention and planning, for the purpose of providing a network of subsidies and monopolistic privileges to business, and especially to large business, interests. In particular, the economy could be cartelized under the aegis of government, with prices raised and production fixed and restricted, in the classic pattern of monopoly; and military and other government contracts could be channeled into the hands of favored corporate producers. Labor, which had been becoming increasingly rambunctious, could be tamed and bridled into the service of this new, state monopoly-capitalist order, through the device of promoting a suitably cooperative trade unionism, and by bringing the willing union leaders into the planning system as junior partners. (3)
uma nova ordem caracterizada por governo forte e extensos e difusos intervenção e planejamento do governo, para o propósito de proporcionar uma rede de subsídios e de privilégios monopolistas para os interesses das empresas, especialmente as grandes empresas. Em particular, a economia podia ser cartelizada sob a égide do governo, com os preços aumentados e a produção fixa e restrita, no padrão clássico do monopólio; e contratos militares e outros podiam ser canalizados para as mãos de produtores corporativos favorecidos. O trabalho, que vinha se tornando cada vez mais rebelde, podia ser domado e refreado a serviço dessa nova ordem monopolista-capitalista de estado, por meio do expediente de trazer os líderes sindicais a isso inclinados para dentro do sistema de planejamento, como parceiros de categoria inferior. (3)
This view of state capitalism, shared by New Leftists and Austrians, flies in the face of the dominant American ideological framework. Before we can analyze the rise of statist monopoly capitalism in the twentieth century, we must rid ourselves of this pernicious conventional wisdom, common to mainstream left and right. Both mainline "conservatives" and "liberals" share the same mirror-imaged view of the world (but with "good guys" and "bad guys" reversed), in which the growth of the welfare and regulatory state reflected a desire to restrain the power of big business. According to this commonly accepted version of history, the Progressive and New Deal programs were forced on corporate interests from outside, and against their will. In this picture of the world, big government is a populist "countervailing power" against the "economic royalists." This picture of the world is shared by Randroids and Chicago boys on the right, who fulminate against "looting" by "anti-capitalist" collectivists; and by NPR liberals who confuse the New Deal with the Second Advent. It is the official ideology of the publick skool establishment, whose history texts recount heroic legends of "trust buster" TR combating the "malefactors of great wealth," and Upton Sinclair's crusade against the meat packers. It is expressed in almost identical terms in right-wing home school texts by Clarence Carson and the like, who bemoan the defeat of business at the hands of the collectivist state.
Essa visão do capitalismo de estado, partilhada por Novos Esquerdistas e Austríacos, opõe-se ao arcabouço ideológico estadunidense dominante. Antes de podermos analisar a ascensão do monopólio estatista no século vinte precisamos livrar-nos dessa perniciosa sabedoria convencional, comum à esquerda e à direita majoritárias. Tanto os "conservadores" quanto os "liberais" majoritários partilham da mesma visão, apenas que com sinais trocados, do mundo (isto é, com os "heróis" e os "vilões" invertidos), na qual o aumento do assistencialismo e do estado regulamentador refletem desejo de restringir o poder das grandes empresas. De acordo com essa versão da história comumente aceita, os programas Progressista e do Novo Pacto foram impostos de fora aos interesses corporativos, e contra a vontade destes. Nessa figura do mundo, o governo hipertrofiado é um "poder de contrapeso" populista contra a "realeza econômica." Essa visão do mundo é compartilhada pelos Randroides e pelos Rapazes de Chicago na direita, que criticam acerbamente a "pilhagem" dos coletivistas "anticapitalistas;" e pelos liberais da Rádio Pública Nacional que confundem o Novo Pacto com o Segundo Advento. É a ideologia oficial da instituição da escola públika, cujos textos de história descrevem passagens heroicas do "demolidor de trustes" Teddy Roosevelt combatendo os "malfeitores ricaços," e a cruzada de Upton Sinclair contra os empacotadores de carne. É expressada em termos quase idênticos em textos da direita para ensino escolar em casa de autoria de Clarence Carson e similares, que lamentam a derrota das empresas nas mãos do estado coletivista.
The conventional understanding of government regulation was succinctly stated by Arthur Schlesinger, Jr., the foremost spokesman for corporate liberalism: "Liberalism in America has ordinarily been the movement on the part of the other sections of society to restrain the power of the business community." (4) Mainstream liberals and conservatives may disagree on who the "bad guy" is in this scenario, but they are largely in agreement on the anti-business motivation. For example, Theodore Levitt of the Harvard Business Review lamented in 1968: "Business has not really won or had its way in connection with even a single piece of proposed regulatory or social legislation in the last three-quarters of a century." (5)
O entendimento convencional da regulamentação governamental foi sucintamente expresso por Arthur Schlesinger, Jr., o mais eminente porta-voz do liberalismo corporativo: "O liberalismo nos Estados Unidos tem sido, ordinariamente, o movimento dos outros setores da sociedade para restringir o poder da comunidade de negócios." (4) Liberais e conservadores da corrente majoritária podem discordar quanto a quem é o "vilão" nesse cenário, mas concordam largamente quanto à existência de uma motivação antiempresa. Por exemplo, Theodore Levitt da Harvard Business Review lamentava em 1968: "As empresas realmente não levaram a melhor nem conseguiram o que desejavam no tocante a sequer um único item de legislação regulamentadora ou social proposta nos últimos três quartos de século." (5)
The problem with these conventional assessments is that they are an almost exact reverse of the truth. The New Left has produced massive amounts of evidence to the contrary, virtually demolishing the official version of American history. (The problem, as in most cases of "paradigm shift," is that the consensus reality doesn't know it's dead yet). Scholars like James Weinstein, Gabriel Kolko and William Appleman Williams, in their historical analyses of "corporate liberalism," have demonstrated that the main forces behind both Progressive and New Deal "reforms" were powerful corporate interests. To the extent that big business protested the New Deal in fact, it was a case of Brer Rabbit's plea not to fling him in the briar patch.
O problema dessas avaliações convencionais é elas serem quase o inverso da verdade. A Nova Esquerda produziu maciça quantidade de evidência em contrário, praticamente demolindo a versão oficial da história estadunidense. (O problema, como na maioria dos casos de "mudança de paradigma," é que a realidade de consenso ainda não sabe que já está morta). Acadêmicos como James Weinstein, Gabriel Kolko e William Appleman Williams, em suas análises históricas do "liberalismo corporativo," deixaram claro que as principais forças por trás das "reformas" tanto Progressista quanto do Novo Pacto eram poderosos interesses corporativos. Na medida em que as grandes empresas na prática protestaram contra o Novo Pacto, foram casos daqueles do coelho pedindo para não o jogarem na touceira de espinhos.
The following is intended only as a brief survey of the development of the corporate liberal regime, and an introduction to the New Left (and Austrian) analysis of it.
O seguinte pretende ser apenas breve vistoria do desenvolvimento do regime liberal corporativo e uma introdução à análise dele pela Nova Esquerda (e pelos Austríacos).
Despite Schlesinger's aura of "idealism" surrounding the twentieth century welfare/regulatory state, it was in fact pioneered by the Junker Socialism of Prussia--the work of that renowned New Age tree-hugger, Bismarck. The mainline socialist movement at the turn of the century (i.e., the part still controlled by actual workers, and not coopted by Fabian intellectuals) denounced the tendency to equate such measures with socialism, instead calling it "state socialism." The International Socialist Review in 1912, for example, warned workers not to be fooled into identifying social insurance or the nationalization of industry with "socialism." Such state programs as workers' compensation, old age and health insurance, were simply measures to strengthen and stabilize capitalism. And nationalization simply reflected the capitalist's realization "that he can carry on certain portions of the production process more efficiently through his government than through private corporations..... Some muddleheads find that will be Socialism, but the capitalist knows better." (6) Friedrich Engels took this view of public ownership:
A despeito da aura de Schlesinger de "idealismo" em torno do estado assistencialista/regulamentador do século vinte, este na realidade teve como pioneiro o Socialismo Junker da Prússia -- a obra daquele renomado ambientalista da Nova Era, Bismarck. O movimento socialista majoritário na virada do século (isto é, a parte ainda controlada por trabalhadores reais, e não cooptada por intelectuais Fabianos) denunciou a tendência de igualar tais medidas com socialismo, em vez de chamá-las de "socialismo de estado." A Publicação Socialista Internacional em 1912, por exemplo, admoestou os trabalhadores para que não fossem burlados de modo a identificarem seguro social ou nacionalização da indústria com "socialismo." Programas do estado tais como indenização a trabalhadores, seguro para idosos e seguro saúde eram simplesmente medidas para fortalecer e estabilizar o capitalismo. E a nacionalização refletia simplesmente o entendimento capitalista de "que ele pode levar a efeito certas porções do processo de produção mais eficientemente por meio de seu governo do que por meio de corporações privadas..... Algumas pessoas de mente confusa acham que isso é socialismo, mas o capitalista sabe que não é." (6) Friedrich Engels tinha a seguinte visão da propriedade pública:
At a further stage of evolution this form [the joint-stock company] also becomes insufficient: the official representative of capitalist society--the state--will ultimately have to undertake the direction of production. This necessity for conversion into state property is felt first in the great institutions for intercourse and communication--the post office, the telegraphs, the railways. (7)
Em estágio posterior de evolução essa forma [a empresa de capital aberto] também se torna insuficiente: o representante oficial da sociedade capitalista -- o estado -- em última análise terá de estabelecer a direção da produção. Essa necessidade de conversão em propriedade do estado é sentida primeiro nas grandes instituições de interação e comunicação -- o correio, os telégrafos, as vias férreas. (7)
The rise of "corporate liberalism" as an ideology at the turn of the twentieth century was brilliantly detailed in James Weinstein's The Corporate Ideal in the Liberal State. (8) It was reflected in the so-called "Progressive" movement in the U.S., and by Fabianism, the closest British parallel. The ideology was in many ways an expression of the world view of "New Class" apparatchiks, whose chief values were planning and the cult of "professionalism," and who saw the lower orders as human raw material to be managed for their own good. This class is quite close to the social base for the Insoc movement that Orwell described in 1984:
A ascensão do "liberalismo corporativo" como ideologia na virada do século vinte foi brilhantemente detalhada no livro de James Weinstein O Ideal Corporativo no Estado Liberal. (8) Ela foi refletida no assim chamado movimento "Progressista" nos Estados Unidos e pelo Fabianismo, o paralelo britânico mais próximo. A ideologia era, de várias maneira, expressão da visão de mundo dos apparatchiks da "Nova Classe," cujos principais valores eram o planejamento e o culto do "profissionalismo," e que viam as ordens mais baixas como matéria prima a ser gerida para o bem delas. Essa classe fica muito próxima da base social do movimento Insoc que Orwell descreveu no 1984:
The new aristocracy was made up for the most part of bureaucrats, scientists, technicians, trade-union organizers, publicity experts, sociologists, teachers, journalists, and professional politicians. These people, whose origins lay in the salaried middle class and the upper grades of the working class, had been shaped and brought together by the barren world of monopoly industry and centralized government. (9)
A nova aristocracia era composta, em sua maioria, por burocratas, cientistas, técnicos, organizadores de sindicatos, especialistas em publicidade, sociólogos, professores, jornalistas e políticos profissionais. Essas pessoas, cujas origens assentavam-se na classe média assalariada e nos degraus mais altos da classe trabalhadora, haviam sido moldadas e reunidas pelo estéril mundo da indústria monopolista e do governo centralizado. (9)
The key to efficiency, for the New Class, was to remove as much of life as possible from the domain of "politics" (that is, interference by non-professionals) and to place it under the control of competent authorities. "Democracy" was recast as a periodic legitimation ritual, with the individual returning between elections to his proper role of sitting down and shutting up. In virtually every area of life, the average citizen was to be transformed from Jefferson's self-sufficient and resourceful yeoman into a client of some bureaucracy or other. The educational system was designed to render him a passive and easily managed recipient of the "services" of one institution after another. In every area of life, as Ivan Illich wrote, the citizen/subject/resource was taught to "confuse process and substance."
A chave da eficiência, para a Nova Classe, consistia em remover tanta vida quanto possível do domínio da "política" (isto é, interferência por não-profissionais) e colocá-la sob o controle de autoridades competentes. A "Democracia" foi reempacotada sob a forma de um ritual periódico de legitimação, com o indivíduo voltando, entre as eleições, a seu papel adequado de sentar-se e calar-se. Em praticamente toda área da vida o cidadão médio devia ser transformado, do pequeno proprietário rural de Jefferson, autossuficiente e com espírito de iniciativa, em cliente de uma burocracia ou outra. O sistema educacional foi projetado para torná-lo recebedor passivo e facilmente gerido dos "serviços" de uma instituição após outra. Em todas as áreas da vida, como escreveu Ivan Illich, o cidadão/vassalo/recurso foi ensinado a "confundir processo e substância."
Health, learning, dignity, independence, and creative endeavor are defined as little more than the performance of the institutions which claim to serve these ends, and their improvement is made to depend on allocating more resources to the management of hospitals, schools, and other agencies in question.
Saúde, aprendizado, dignidade, independência e esforço criativo são definidos como pouco mais do que o desempenho das instituições que afirmam servir a esses objetivos, e o melhoramento deles depende de alocarem-se mais recursos para a gerência de hospitais, escolas e outros órgãos em questão.
As a corollary of this principle, the public was taught to "view doctoring oneself as irresponsible, learning on one's own as unreliable, and community organization, when not paid for by those in authority, as a form of aggression or subversion." (10)
Como corolário desse princípio, o público foi ensinado a "ver o ensinar-se a si próprio como algo irresponsável, o aprender por conta própria como algo indigno de confiança, e a organizaçao comunitária, quando não paga por aqueles em cargos de autoridade, como forma de agressão ou subversão." (10)
Although the corporate liberal ideology is associated with the New Class world view, it intersected in many ways with that of "enlightened" employers who saw paternalism as a way of getting more out of workers. Much of corporate leadership at the turn of the century
Embora a ideologia liberal corporativa esteja associada à visão de mundo da Nova Classe, ela apresenta intersecções, de várias maneiras, com a dos empregadores "esclarecidos" que viram o paternalismo como forma de obter mais dos trabalhadores. Grande parte da liderança corporativa na virada do século
revealed a strikingly firm conception of a benevolent feudal approach to the firm and its workers. Both were to be dominated and co-ordinated from the central office. In that vein, they were willing to extend... such things as new housing, old age pensions, death payments, wage and job schedules, and bureaus charged with responsibility for welfare, safety and sanitation. (11)
revelava espantosamente firme concepção de uma abordagem feudal benevolente em relação à firma e a seus trabalhadores. Ambos eram dominados e coordenados a partir do escritório central. Nessa veia, dispunha-se a expandir... coisas tais como casas novas, pensões para idosos, pagamentos por morte, cronogramas de remuneração e atividades, e bureaus responsáveis por assistencialismo, segurança e saneamento. (11)
And the New Class mania for planning and rationality was reflected within the corporation in the Taylorist/Fordist cult of "scientific management," in which the workman was deskilled and control of the production process was shifted upward into the white collar hierarchy of managers and engineers. (12)
E a mania da Nova Classe de planejamento e racionalidade refletia-se dentro da corporação no culto taylorista/fordista da "gerência científica," na qual o trabalhador era destituído de qualificação e o controle do processo de produção era deslocado para cima, para a hierarquia de colarinho branco de gerentes e engenheiros. (12)
The New Class intellectuals, despite their prominent role in formulating the ideology, were coopted as a decidedly junior partner of the corporate elite. As Hilaire Belloc and William English Walling perceived, "Progressives" and Fabians valued regimentation and centralized control much more than their allegedly "socialist" economic projects. They recognized, for the most part, that expropriation of the capitalists was impossible in the real world. The large capitalists, in turn, recognized the value of the welfare and regulatory state for maintaining social stability and control, and for making possible the political extraction of profits in the name of egalitarian values. The result was a devil's bargain by which the working class was guaranteed a minimum level of comfort and security, in return for which the large corporations were enabled to extract profits through the state. Of the "Progressive" intellectual, Belloc wrote:
Os intelectuais da Nova Classe, a despeito de seu papel preeminente na formulação da ideologia, eram cooptados como parceiros decididamente inferiores da elite corporativa. Como perceberam Hilaire Belloc e William English Walling, "Progressistas" e Fabianos valorizavam a disciplina estrita e o controle centralizado muito mais do que seus projetos econômicos alegadamente "socialistas." Eles reconheciam, de modo geral, que expropriar os capitalistas era impossível no mundo real. Os grandes capitalistas, por sua vez, reconheciam o valor do estado assistencialista e regulamentador para a manutenção da estabilidade e do controle social, e para tornar possível a extração política de lucros em nome de valores igualitários. O resultado era um pacto com o diabo no qual a classe trabalhadora tinha garantido um nível mínimo de conforto e segurança, em troca do qual as grandes corporações ganhavam a faculdade de extrair lucros por meio do estado. Acerca do intelectual "Progressista" escreveu Belloc:
Let laws exist which make the proper housing, feeding, clothing, and recreation of the proletarian mass be incumbent on the possessing class, and the observance of such rules be imposed, by inspection and punishment, upon those whom he pretends to benefit, and all that he really cares for will be achieved. (13)
Permitamos que existam leis que tornem moradia, alimentação, vestimentas e recreação adequados da massa proletária serem obrigação da classe proprietária, e seja imposta a observância de determinadas regras por meio de inspeção e punição àqueles a quem ele finge beneficiar, e tudo o que ele realmente reputa importante conseguirá. (13)
The New Class, its appetite for power satiated with petty despotisms in the departments of education and human services, was put to work on its primary mission of cartelizing the economy for the profit of the corporate ruling class. Its "populist" rhetoric was harnessed to sell state capitalism to the masses. The overeducated yahoos admirably fitted the role of useful idiots for their masters.
A Nova Classe, seu apetite por poder saciado com mesquinhos despotismos nas áreas de educação e serviços sociais, foi posta a trablhar em sua missão precípua de cartelizar a economia para lucro da classe dominante corporativa. Sua retórica "populista" foi arnesada para vender o capitalismo de estado às massas. Os capangas superinstruídos enquadraram-se admiravelmente no papel de idiotas úteis para seus patrões.
But whatever the "idealistic" motivations of the social engineers themselves, their program was implemented to the extent that it furthered the material interests of monopoly capital. Kolko used the term "political capitalism" to describe the general objectives big business pursued through the "Progressive" legislative agenda:
Quaisquer, porém, as motivações "idealistas" dos próprios engenheiros sociais, o programa deles só era implementado na medida em que promovesse os interesses materiais do capital monopolista. Kolko usou a expressão "capitalismo político" para descrever os objetivos gerais que as grandes empresas perseguiam por meio da agenda legislativa "Progressista:"
Political capitalism is the utilization of political outlets to attain conditions of stability, predictability, and security--to attain rationalization--in the economy. Stability is the elimination of internecine competition and erratic fluctuations in the economy. Predictability is the ability, on the basis of politically stabilized and secured means, to plan future economic action on the basis of fairly calculable expectations. By security I mean protection from the political attacks latent in any formally democratic political structure. I do not give to rationalization its frequent definition as the improvement of efficiency, output, or internal organization of a company; I mean by the term, rather, the organization of the economy and the larger political and social spheres in a manner that will allow corporations to function in a predictable and secure environment premitting reasonable profits over the long run. (14)
Capitalismo político  é a utilização de centros de atuação políticos para o atingimento de condições de estabilidade, previsibilidade e segurança -- para atingimento de racionalização -- na economia. Estabilidade é a eliminação de competição intestina e de flutuações erráticas na economia. Previsibilidade é a capacidade de, com base em meios politicamente estabilizados e assegurados, planejar ação econômica futura com base em expectativas razoavelmente calculáveis. Por segurança significo proteção contra ataques políticos latentes em qualquer estrutura política formalmente democrática. Não dou a racionalização sua frequente definição como melhora de eficiência, produção ou organização interna de uma empresa; significo, por esse termo, antes, a organização da economia e das esferas políticas e sociais mais amplas de maneira tal que permita às corporações funcionarem num ambiente previsível e seguro, propiciando lucros razoáveis no longo prazo. (14)
From the turn of the twentieth century on, there was a series of attempts by corporate leaders to create some institutional structure by which price competition could be regulated and their respective market shares stabilized. "It was then," Paul Sweezy wrote,
Da virada do século vinte em diante houve uma série de tentativas de líderes corporativos de criar alguma estrutura institucional por meio da qual a competição de preços pudesse ser regulamentada e suas respectivas fatias de mercado estabilizadas. "Foi então," escreveu Paul Sweezy,
that U.S. businessmen learned the self-defeating nature of price-cutting as a competitive weapon and started the process of banning it through a complex network of laws (corporate and regulatory), institutions (e.g., trade associations), and conventions (e.g., price leadership) from normal business practice. (15)
que os homens de negócios dos Estados Unidos aprenderam a natureza autodestruidora dos cortes de preços como arma competitiva e começaram o processo de bani-lo, por meio de complexa rede de leis (corporativas e regulamentadoras), instituições (por exemplo associações comerciais) e convenções (por exemplo, liderança de preços(*)), da prática normal de negócios. (15)

(*) Liderança de preços – Situação em que um líder no mercado estabelece o preço de um produto ou serviço, e os competidores sentem-se compelidos a fixar o mesmo preço. http://www.investorwords.com/3816/price_leadership.html
But merely private attempts at cartelization before the Progressive Era--namely the so-called "trusts"--were miserable failures, according to Kolko. The dominant trend at the turn of the century--despite the effects of tariffs, patents, railroad subsidies, and other existing forms of statism--was competition. The trust movement was an attempt to cartelize the economy through such voluntary and private means as mergers, acquisitions, and price collusion. But the over-leveraged and over-capitalized trusts were even less efficient than before, and steadily lost market share at the hands of their smaller, more efficient competitors. Standard Oil and U.S. Steel, immediately after their formation, began a process of eroding market share. In the face of this resounding failure, big business acted through the state to cartelize itself--hence, the Progressive regulatory agenda. "Ironically, contrary to the consensus of historians, it was not the existence of monopoly that caused the federal government to intervene in the economy, but the lack of it." (16)
Contudo, tentativas meramente privadas de cartelização antes da Era Progressista -- isto é, os assim chamados "trustes" -- foram fracassos miseráveis, de acordo com Kolko. A tendência dominante na virada do século -- a despeito dos efeitos de tarifas, patentes, subsídios às vias férreas e outras formas de estatismo existentes -- era a competição. O movimento dos trustes foi uma tentativa de cartelizar a economia via meios voluntários e privados tais como fusões, aquisições e conluio de preços. Mas os trustes superalavancados e supercapitalizados eram ainda menos eficientes do que antes, e sistematicamente perderam fatia de mercado perante seus competidores menores e mais eficientes. A Standard Oil e a U.S. Steel, imediatamente após sua criação, começaram um processo de erosão de fatia de mercado. Diante desse retumbante fracasso, as grandes empresas atuaram por meio do estado para cartelizarem-se -- daí a agenda regulamentadora Progressista. "Ironicamente, contrariamente ao consenso dos historiadores, não foi a existência do monopólio que levou o governo federal a intervir na economia, e sim a inexistência dele." (16)
The FTC and Clayton Acts reversed this long trend toward competition and loss of market share and made stability possible.
As Leis FTC e Clayton reverteram essa longa tendência no sentido de competição e perda de fatia de mercado, tornando a estabilidade possível.
The provisions of the new laws attacking unfair competitors and price discrimination meant that the government would now make it possible for many trade associations to stabilize, for the first time, prices within their industries, and to make effective oligopoly a new phase of the economy. (17)
As disposições das novas leis que atacavam os competidores desleais e a discriminação de preços significavam que o governo agora tornaria possível a muitas associações comerciais estabilizarem, pela primeira vez, os preços dentro de seus setores, e tornarem o oligopólio eficaz uma nova fase da economia. (17)
The Federal Trade Commission created a hospitable atmosphere for trade associations and their efforts to prevent price cutting. (18) The two pieces of legislation accomplished what the trusts had been unable to: it enabled a handful of firms in each industry to stabilize their market share and to maintain an oligopoly structure between them. This oligopoly pattern has remained stable ever since.
A Comissão Federal do Comércio criou uma atmosfera hospitaleira para as associações comerciais e para os esforços delas de impedir os cortes de preços. (18) Aqueles dois textos de legislação conseguiram o que os trustes não tinham sido capazes de fazer: habilitaram um punhado de firmas em cada setor a estabilizar sua fatia de mercado e a manter uma estrutura de oligopólio entre elas próprias. Esse padrão de oligopólio permaneceu estável desde então.
It was during the war [i.e. WWI] that effective, working oligopoly and price and market agreements became operational in the dominant sectors of the American economy. The rapid diffusion of power in the economy and relatively easy entry [i.e., the conditions the trust movement failed to suppress] virtually ceased. Despite the cessation of important new legislative enactments, the unity of business and the federal government continued throughout the 1920s and thereafter, using the foundations laid in the Progressive Era to stabilize and consolidate conditions within various industries. And, on the same progressive foundations and exploiting the experience with the war agencies, Herbert Hoover and Franklin Roosevelt later formulated programs for saving American capitalism. The principle of utilizing the federal government to stabilize the economy, established in the context of modern industrialism during the Progressive Era, became the basis of political capitalism in its many later ramifications. (19)
Foi durante a guerra [isto é, a Segunda Guerra Mundial] que acordos eficazes e funcionais envolvendo oligopólios, preços e mercado ganharam características de operacionalidade nos setores dominantes da economia estadunidense. A rápida difusão de poder na economia e a entrada relativamente fácil nela [isto é, as condições que o movimento dos trustes não havia conseguido suprimir] praticamente cessaram. A despeito da cessação de nova legislação importante, a junção de empresas e governo federal continuou ao longo dos anos 1920 e depois deles, usando os fundamentos assentados na Era Progressista para estabilizar e consolidar condições dentros dos vários setores. E, em cima dos mesmos alicerces progressistas, e explorando a experiência com os órgãos de guerra, Herbert Hoover e Franklin Roosevelt mais tarde formularam programas para salvar o capitalismo estadunidense. O princípio de utilizar o governo federal para estabilizar a economia, estabelecido no contexto do industrialismo moderno durante a Era Progressista, tornou-se a base do capitalismo político em suas muitas ramificações posteriores. (19)
In addition, the various safety and quality regulations introduced during this period also had the effect of cartelizing the market. They served essentially the same purpose as the later attempts in the Wilson war economy to reduce the variety of styles and features available in product lines, in the name of "efficiency." Any action by the state to impose a uniform standard of quality (e.g. safety), across the board, necessarily eliminates safety as a competitive issue between firms. Thus, the industry is partially cartelized, to the very same extent that would have happened had all the firms in it adopted a uniform level of quality standards, and agreed to stop competing in that area. A regulation, in essence, is a state-enforced cartel in which the members agree to cease competing in a particular area of quality or safety, and instead agree on a uniform standard. And unlike non-state-enforced cartels, no member can seek an advantage by defecting. Similarly, the provision of services by the state (R&D funding, for example) removes them as components of price in cost competition between firms, and places them in the realm of guaranteed income to all firms in a market alike. Whether through regulations or direct state subsidies to various forms of accumulation, the corporations act through the state to carry out some activities jointly, and to restrict competition to selected areas.
Além disso, as diversas regulamentações de segurança e qualidade introduzidas durante esse período também tiveram o efeito de cartelizar o mercado. Serviram essencialmente ao mesmo propósito das tentativas posteriores na economia de guerra de Wilson para reduzir a variedade de estilos e características disponíveis em linhas de produtos, em nome da "eficiência." Qualquer ação do estado de impor um padrão ou uma qualidade uniforme (por exemplo segurança), de alto a baixo, necessariamente elimina a segurança como item competitivo entre as empresas. Assim, pois, a indústria é parcialmente cartelizada, exatamente na medida em que isso teria acontecido caso todas as firmas de determinado setor tivessem adotado um nível uniforme de padrões de qualidade, e combinassem parar de competir naquela área. Uma regulamentação, em essência, é um cartel tornado obrigatório pelo estado no qual os membros concordam em cessar de competir numa área particular de qualidade ou segurança concordando, em vez de competir, quanto a um padrão uniforme. E diferentemente de cartéis não impostos pelo estado, nenhum membro pode buscar ganhar alguma vantagem mediante desertar. Similarmente, a prestação de serviços pelo estado (financiamento de pesquisa e desenvolvimento, por exemplo) retira esses serviços de sua condição de componentes do preço na competição de custos entre empresas, e os coloca no reino da receita garantida em iguais condições para todas as firmas do mercado. Seja por meio de regulamentações ou de subsídios diretos do estado a várias formas de acumulação, as corporações atuam por meio do estado para levar a efeito algumas atividades conjuntamente, e para restringir a competição a áreas selecionadas.
And Kolko provided abundant evidence that the main force behind this entire legislative agenda was big business. The Meat Inspection Act, for instance, was passed primarily at the behest of the big meat packers. In the 1880s, repeated scandals involving tainted meat resulted in U.S. firms being shut out of several European markets. The big packers turned to the U.S. government to conduct inspections on exported meat. By carrying out this function jointly, through the state, they removed quality inspection as a competitive issue between them, and the U.S. government provided a seal of approval in much the same way a trade association would--but at public expense. The problem with this early inspection regime was that only the largest packers were involved in the export trade; mandatory inspections therefore gave a competitive advantage to the small firms that supplied only the domestic market. The main motive behind Roosevelt's Meat Inspection Act was to bring the small packers into the inspection regime, and thereby end the competitive disability it imposed on large firms. Upton Sinclair simply served as an unwitting shill for the meat-packing industry. (20) This pattern was repeated, in its essential form, in virtually every component of the "Progressive" agenda.
E Kolko ofereceu abundante evidência de que a principal força por trás de toda essa agenda legislativa era a grande empresa. A Lei de Inspeção da Carne, por exemplo, foi aprovada precipuamente por insistência dos grandes empacotadores de carne. Nos anos 1880 repetidos escândalos envolvendo carne estragada resultaram em firmas dos Estados Unidos serem barradas em diversos mercados europeus. Os grandes empacotadores voltaram-se para o governo dos Estados Unidos para que este conduzisse inspeções de carne a ser exportada. Mediante executarem essa função conjuntamente, por meio do estado, eles removeram a qualidade da inspeção como item competitivo entre si, e o governo dos Estados Unidos ofereceu um selo de aprovação de maneira muito parecida com a que uma associação comercial ofereceria -- com o ônus, porém, pago pelo público. O problema desse regime de inspeção precoce foi que apenas os maiores empacotadores estavam envolvidos no comércio de exportação; tais inspeções obrigatórias, portanto, deram vantagem competitiva às pequenas empresas que só supriam o mercado doméstico. O principal motivo por trás da Lei de Inspeção de Carne de Roosevelt foi enquadrar os pequenos empacotadores no regime de inspeções, e assim acabar com a desvantagem competitiva que tal regime impunha às grandes empresas. Upton Sinclair simplesmente serviu como promotor de vendas involuntário da indústria de empacotamento de carne. (20) Esse padrão foi repetido, em sua forma essencial, em praticamente todo componente da agenda "Progressista."
The same leitmotif reappears in the New Deal. The core of business support for the New Deal was, as Ronald Radosh described it, "leading moderate big businessmen and liberal-minded lawyers from large corporate enterprises." (21) Thomas Ferguson and Joel Rogers described them more specifically as "a new power bloc of capital-intensive industries, investment banks, and internationally oriented commercial banks." (22)
O mesmo leitmotif reaparece no Novo Pacto. O âmago do apoio empresarial ao Novo Pacto era formado, como descreveu Ronald Radosh, por "grandes homens de negócios moderados e advogados de mente liberal, com papel de liderança, pertencentes a grandes empresas corporativas." (21) Thomas Ferguson e Joel Rogers descreveram-nos mais especificamente como "novo bloco de poder de indústrias capital-intensivas, bancos de investimento, e bancos comerciais orientados internacionalmente." (22)
Labor was a relatively minor part of the total cost package of such businesses; at the same time, capital-intensive industry, as Galbraith pointed out in his analysis of the "technostructure," depended on long-term stability and predictability for planning high-tech production. Therefore, this segment of big business was willing to trade higher wages for social peace in the workplace. (23) The roots of this faction can be traced to the relatively "progressive" employers described by James Weinstein in his account of the National Civic Federation at the turn of the century, who were willing to engage in collective bargaining over wages and working conditions in return for uncontested management control of the workplace. (24)
O trabalho era parte relativamente menor do pacote de custos totais de tais empresas; ao mesmo tempo, a indústria capital-intensiva, como destacou Galbraith em sua análise da "tecnoestrutura," dependia de estabilidade e previsibilidade de longo prazo para o planejamento de produção de alta tecnologia. Assim, pois, esse segmento das grandes empresas propendia a oferecer salários mais altos em troca de paz social no local de trabalho. (23) As raízes dessa facção podem ser rastreadas até os empregadores relativamente "progressistas" descritos por James Weinstein em sua descrição da Federação Cívica Nacional na virada do século, dispostos a lançar-se a negociações coletivas de salários e condições de trabalho em troca de controle gerencial inconteste do local de trabalho. (24)
This attitude was at the root of the Taylorist/Fordist system, in which the labor bureaucrats agreed to let management manage, so long as labor got an adequate share of the pie. (25) Such a social contract was most emphatically in the interests of large corporations. The sitdown movement in the auto industry and the organizing strikes among West coast longshoremen were virtual revolutions among rank and file workers on the shop floor. In many cases, they were turning into regional general strikes. The Wagner Act domesticated this revolution and brought it under the control of professional labor bureaucrats.
Essa atitude estava na raiz do ssitema taylorista/fordista, no qual os burocratas do trabalho concordavam em deixar a gerência gerir, desde que o trabalho obtivesse fatia adequada do bolo. (25) Tal contrato social favorecia, mais enfaticamente, os interesses das grandes corporações. O movimento do sentar-se na indústria de automóveis e a organização de greves entre os estivadores da costa Oeste foram na prática revoluções no seio de operários de chão de fábrica. Em muitos casos caminhavam no sentido de tornar-se greves regionais. A Lei Wagner dobrou essa revolução e colocou-a sob controle de burocratas profissionais do trabalho.
Industrial unionism, from the employer's viewpoint, had the advantage over craft unionism of providing a single bargaining agent with which management could deal. One of the reasons for the popularity of "company unions" among large corporations, besides the obvious advantages in pliability, was the fact that they were an alternative to the host of separate craft unions of the AFL. Even in terms of pliability, the industrial unions of the Thirties had some of the advantages of company unions. By bringing collective bargaining under the aegis of federal labor law, corporate management was able to use union leadership to discipline their own rank and file, and to use the federal courts as a mechanism of enforcement.
O sindicalismo industrial, do ponto de vista do empregador, tinha a vantagem, em relação ao sindicalismo de artífices, de permitir um único agente negociador com o qual a gerência pudesse lidar. Um dos motivos da popularidade dos "sindicatos amarelos" entre grandes corporações, além das óbvias vantagens em ductibilidade, era o fato de constituírem uma alternativa para o hospedeiro de diferentes sindicatos de artífices da Federação Estadunidense do Trabalho - AFL. Mesmo em termos de ductibilidade, os sindicatos industriais dos Anos Trinta ostentava algumas das vantagens dos sindicatos amarelos. Ao trazer a negociação coletiva para a égide da lei federal do trabalho, a gerência corporativa passava a poder usar a liderança sindical para disciplinar seus próprios operários, e a usar tribunais federais como mecanismo de repressão.
The New Dealers devised... a means to integrate big labor into the corporate state. But only unions that were industrially organized, and which paralleled in their structure the organization of industry itself, could play the appropriate role. A successful corporate state required a safe industrial-union movement to work. It also required a union leadership that shared the desire to operate the economy from the top in formal conferences with the leaders of the other functional economic groups, particularly the corporate leaders. The CIO unions... provided such a union leadership. (26)
Os promotores do Novo Pacto conceberam... um meio de integrar os grandes sindicatos ao estado corporativo. Contudo, apenas sindicatos industrialmente organizados, e cuja estrutura era paralela à da organização da própria indústria, podiam desempenhar o papel apropriado. Um estado corporativo bem-sucedido precisava, para funcionar, de um movimento de sindicatos industriais seguro. Também requeria uma liderança sindical que compartisse o desejo de administrar a economia a partir de cima, em conferências formais com líderes dos outros grupos econômicos funcionais, particularmente os líderes corporativos. Os sindicatos do Congresso das Organizações Industriais - CIO... ofereceram tal liderança sindical. (26)
And moderate members of the corporate elite also gained reassurance from the earlier British experience in accepting collective bargaining. Collective bargaining did not affect the distribution of wealth, for one thing: "Labor gains were made due to the general growth in wealth and at the expense of the consumer, which would mean small businessmen, pensioners, farmers, and nonunionized white collar employees." (Not to mention a large contingent of unskilled laborers and lumpenproles without bargaining leverage against the employing classes). And the British found that firms in a position of oligopoly, with a relatively inelastic demand, were able to pass increased labor costs on to the consumer at virtually no cost to themselves. (27)
E membros moderados da elite corporativa também ganharam tranquilidade a partir da experiência britânica anterior de aceitação de negociações coletivas. A negociação coletiva não afetava a distribuição de riqueza, por um lado: "Foram obtidos ganhos do trabalho graças ao aumento geral da riqueza e a expensas do consumidor; o que significava homens de negócios, pensionistas, fazendeiros  e empregados de colarinho branco não sindicalizados." (Para não mencionar grande contingente de trabalhadores não qualificados e lumpenproletários sem poder de barganha em relação às classes empregadoras). E os britânicos descobriram que firmas em posição de oligopólio, com demanda relativamente inelástica, conseguiam passar cada vez mais custos do trabalho ao consumidor sem praticamente nenhum custo para si próprias. (27)
The Wagner Act served the central purposes of the corporate elite. To some extent it was a response to mass pressure from below. But the decision on whether and how to respond, and the form of the response, and the implementation of the response, were all firmly in the hands of the corporate elite. According to Domhoff (writing in The Higher Circles), "The benefits to capital were several: greater efficiency and productivity from labor, less labor turnover, the disciplining of the labor force by labor unions, the possibility of planning labor costs over the long run, and the dampening of radical doctrines." (28) James O'Connor described it this way: "From the standpoint of monopoly capital the main function of unions was... to inhibit disruptive, spontaneous rank-and-file activity (e.g., wildcat strikes and slowdowns) and to maintain labor discipline in general. In other words, unions were... the guarantors of 'managerial prerogatives.'" (29) The objectives of stability and productivity were more likely to be met by such a limited Taylorist social compact than by a return to the labor violence and state repression of the late nineteenth century.
A Lei Wagner serviu aos objetivos centrais da elite corporativa. Em certa medida ela constituiu uma reação a pressão da massa a partir de baixo. Contudo, a decisão acerca de se reagir ou não, e a forma da reação, e a implementação da reação, estavam todas firmemente nas mãos da elite corporativa. De acordo com Domhoff (escrevendo em Os Altos Círculos), "Os benefícios para o capital foram diversos: maior eficiência e produtividade do trabalho; menos rodízio do trabalho; disciplina da força de trabalho pelos sindicatos do trabalho, possibilidade de planejar custos do trabalho no longo prazo, e amortecimento de doutrinas radicais." (28) James O'Connor descreveu o fato do seguinte modo: "Do ponto de vista do capital monopolista a principal função dos sindicatos era... inibir atividade operária espontânea diruptiva (por exemplo, greves não promovidas por sindicato e greves tartaruga) e manter a disciplina do trabalho em geral. Em outras palavras, os sindicatos eram... os garantidores das 'prerrogativas gerenciais.'" (29) Os objetivos de estabilidade e produtividade apresentavam maior probabilidade de ser alcançados por esse pacto social taylorista limitado do que por volta à violência do trabalho e à repressão estatal do fim do século dezenove.
In The Power Elite and the State, Domhoff retreated to a slightly more nuanced position. (30) It was true, he admitted, that a majority of large corporations opposed the Wagner Act as it was actually presented. But the basic principles of collective bargaining embodied in it had been the outcome of decades of corporate liberal theory and practice, worked out through policy networks in which "progressive" large corporations had played a leading role; the National Civic Federation, as Weinstein described its career, was a typical example of such networks. The motives of those in the Roosevelt administration who framed the Wagner Act were very much in the mainstream of corporate liberalism. Although they may have been ambivalent about the specific form of FDR's labor legislation, Swope and his corporate fellow travellers had played the major role in formulating the principles behind it. Whatever individual business leaders thought of Wagner, it was drafted by mainstream corporate lawyers who were products of the ideological climate created by those same business leaders; and it was drafted with a view to their interests. Although it was not accepted by big business as a whole, it was largely the creation of representatives of big business interests whose understanding of the act's purpose was largely the same as those outlined in Domhoff's quote above from The Higher Circles. And although it was designed to contain the threat of working class power, it benefited by large-scale working class support as the best deal they were likely to get. Finally, the southern segment of the ruling class was willing to go along with it because it specifically exempted agricultural laborers.
Em O Poder da Elite e do Estado, Domhoff recuou para uma posição ligeiramente mais matizada. (30) Era verdade, admitiu ele, que a maioria das grandes corporações opunha-se à Lei Wagner do modo como foi apresentada. Todavia, os princípios básicos da negociação coletiva nela incorporados haviam sido resultado de décadas de teoria e prática liberais corporativas, implementadas por meio de redes de políticas nas quais grandes corporações "progressistas" haviam desempenhado papel de liderança; a Federação Cívica Nacional, do modo como Weinstein descreveu sua trajetória, era exemplo típico de tais redes. Os motivos daqueles que, na administração Roosevel, redigiram a Lei Wagner pertenciam muito à corrente majoritária do liberalismo corporativo. Embora eles possam ter sido ambivalentes acerca da forma específica da legislação trabalhista de FDR, Swope e seus companheiros corporativos de viagem haviam desempenhado o papel principal na formulação dos princípios em que ela se assentava. O que quer que os líderes empresariais pensassem individualmente a respeito de Wagner, ela foi rascunhada por advogados corporativos da corrente majoritária, produtos do clima ideológico criado por aqueles mesmos líderes empresariais; e foi rascunhada tendo em vista os interesses deles. Embora não aceita pelas grandes empresas como um todo, foi em grande parte criação de representantes dos interesses das grandes empresas cujo entendimento do propósito da lei era em grande parte o mesmo daqueles delineados na citação acima relativa a Domhoff, de Os Altos Círculos. E embora planejada para conter a ameaça do poder da classe trabalhadora, beneficiou-se de apoio em larga escala da classe trabalhadora na medida em que o melhor acordo que ela provavelmente obteria. Finalmente, o segumento sulista da classe dominante estava disposto a concordar com ela porque ela especificamente isentava os trabalhadores agrícolas.
Among the other benefits of labor legislation, corporate interests are able to rely on the state's police powers to impose an authoritarian character on labor relations. In the increasingly statist system, Bukharin pointed out in his analysis of state capitalism almost a century ago,
Entre os outros benefícios da legislação do trabalho, os interesses corporativos podem contar com os poderes de polícia do estado para impor caráter autoritário às relações de trabalho. No sistema crescentemente estatista, Bukharin destacou em sua análise do capitalismo de estado há quase um século:
workers [become] formally bonded to the imperialist state. In point of fact, employees of state enterprises even before the war were deprived of a number of most elementary rights, like the right to organise, to strike, etc.... With state capitalism making nearly every line of production important for the state, with nearly all branches of production directly serving the interests of war, prohibitive legislation is extended to the entire field of economic activities. The workers are deprived of the right to move, the right to strike, the right to belong to the so-called "subversive" parties, the right to choose an enterprise, etc. They are transformed into bondsmen attached, not to the land, but to the plant. (31)
os trabalhadores [tornam-se] formalmente atrelados ao estado imperialista. Em realidade, os empregados de empresas do estado, mesmo antes da guerra, haviam sido privados de diversos direitos os mais elementares, como o direito de organizarem-se, de entrar em greve etc.... Com o capitalismo de estado tornando praticamente toda linha de produção importante para o estado, com praticamente todos os ramos de produção servindo diretamente aos interesses da guerra, legislação proibitiva é estendida ao campo inteiro das atividades econômicas. Os trabalhadores são privados do direito de mudar-se, do direito de entrar em greve, do direito de pertencer aos chamados partidos "subversivos," do direito de escolher uma empresa etc. São transformados em servos atrelados não à terra, mas à fábrica. (31)
The relevance of this line of analysis to America can be seen with a cursory look at Cleveland's response to the Pullman strike, the Railway Labor Relations Act and Taft-Hartley, and Truman's and Bush's threats to use soldiers as scabs in, respectively, the steelworkers' and longshoremen's strikes.
A relevância dessa linha de análise para os Estados Unidos pode ser vista num rápido vislumbre da reação de Cleveland à greve de Pullman, da Lei de Relações do Trabalho em Ferrovias e da Lei Taft-Hartley, e das ameaças de Truman e Bush de usarem soldados como fura-greves nas greves, respectivamente, dos trabalhadores da indústria do aço e dos estivadores.
The Social Security Act was the other major part of the New Deal agenda. In The Higher Circles, Domhoff described its functioning in language much like his characterization of the Wagner Act. Its most important result
A Lei da Previdência Social foi outra parte imporante da agenda do Novo Pacto. Em Os Altos Círculos, Domhoff descreveu seu funcionamento em linguagem muito parecida com sua caracterização da Lei Wagner. Seu mais importante resultado
from the point of view of the power elite was a restabilization of the system. It put a floor under consumer demand, raised people's expectations for the future and directed political energies back into conventional channels.... The wealth distribution did not change, decision-making power remained in the hands of upper-class leaders, and the basic principles that encased the conflict were set forth by moderate members of the power elite. (32)
do ponto de vista da elite do poder foi uma reestabilização do sistema. Colocou um piso para a demanda de consumo, elevou as expectativas do povo quanto ao futuro e dirigiu as energias políticas de volta aos canais convencionais.... A distribuição da riqueza não mudou, o poder de tomada de decisão permaneceu nas mãos dos líderes das classes mais altas, e os princípios básicos que coarctavam o conflito foram enunciados por membros moderados da elite do poder. (32)
In his later work The Power Elite and the State, Domhoff undertook a much more thorough analysis, with a literature review of his structuralist Marxists critics, that essentially verified his earlier position. (33)
Em sua obra posterior A Elite do Poder e o Estado Domhoff empreendeu análise muito mais ampla, com uma revisão da literatura de seus críticos marxistas estruturalistas, que essencialmente confirmou sua posição anterior. (33)
The New Deal and Great Society welfare state, according to Frances Piven and Richard Cloward, served a similar function to that of Social Security. It blunted the danger of mass political radicalism resulting from widespread homelessness and starvation. It provided social control by bringing the underclass under the supervision of an army of intrusive, paternalistic social workers and welfare case workers. (34) And like Social Security, it put a floor on aggregate demand.
O estado assistencialista do Novo Pacto e da Grande Sociedade, de acordo com Frances Piven e Richard Cloward, serviram a função similar à da Previdência Social. Reduziu o perigo de radicalismo político de massa resultante de falta de moradia e inanição. Proporcionou controle social ao colocar a classe baixa sob supervisão de um exército de obreiros sociais e assistentes sociais do governo, intrometidos e paternalistas. (34) E, como a Previdência Social, colocou um piso para a demanda agregada.
To the extent that the welfare and labor provisions of FDR's New Deal have benefitted average people, the situation resembles a fable of Tolstoy's, in which a humane farmer, at great expense to himself, made endless efforts to render the lot of his cattle more pleasant. A perplexed witness to his bovine welfare state asked him, "Instead of spending all this time and effort on enlarging the pen, piping in music, and so forth, why don't you just tear down the fence?" The farmer replied, "Because then I couldn't milk them!" The capitalist supporters of the welare state are like an enlightened farmer who understands that his livestock will produce more for him, in the long run, if they are well treated.
Na medida em que as disposições assistencialistas e trabalhistas do Novo Pacto de FDR beneficiaram o cidadão médio, a situação parece-se com uma fábula de Tolstói na qual um fazendeiro bondoso, incorrendo em pesados ônus, fez infindáveis esforços para tornar a vida de suas vacas mais agradável. Uma testemunha perplexa desse assistencialismo bovino perguntou-lhe: "Em vez de gastar todo esse tempo e esforço aumentando o curral, transmitindo música, e assim por diante, por que não simplesmente derrubar a cerca?" O fazendeiro respondeu: "Porque eu não poderia ordenhá-las!" Os partidários capitalistas do estado assistencialista são como fazendeiro esclarecido que compreende que seu gado produzirá mais para ele, no longo prazo, se for bem tratado.
Hilaire Belloc speculated that the industrial serfdom in his Servile State would only be stable if the State subjected the unemployable underclass to "corrective" treatment in forced labor camps, and forced everyone even marginally employable into a job, as a deterrent to deliberate parasitism or malingering. Society would "find itself" under the "necessity,"
Hilaire Belloc especulou que a servidão industrial em seu Estado Servil só seria estável se o Estado sujeitasse a classe baixa inempregável a tratamento "corretivo" em campos de trabalhos forçados, e forçasse todo mundo mesmo marginalmente empregável a arranjar emprego, como dissuasor para parasitismo deliberado ou fingimento de estar doente. A sociedade "se encontraria" sob a  "necessidade,"
when once the principle of the minimum wage is conceded, coupled with the principle of sufficiency and security, to control those whom the minimum wage excludes from the area of normal employment. (35)
quando aceito o princípio do salário mínimo acoplado ao princípio de suficiência e segurança, para controlar aqueles aos quais o salário mínimo exclui da área de emprego normal. (35)
This society would be organized on the pattern of Anthony Burgess' decaying welfare state, in which "everyone not a child, or with child, must be employed." But Belloc's speculation was not idle; since Fabians like the Webbs and H.G. Wells had proposed just such labor camps for the underclass in their paternalistic utopia. (36)
Essa sociedade seria organizada no padrão do estado assistencialista decadente de Anthony Burgess, no qual "todos os que não são crianças, ou com filhos, terão obrigatoriamente de estar empregados." Mas a especulação de Belloc não era ociosa; visto que Fabianos tais como Webbs e H.G. Wells haviam proposto exatamente tais campos de trabalho para a classe baixa em sua utopia paternalista. (36)
Although we are still far from a formal requirement to be either employed or subjected to remedial labor by the State, a number of intersecting State policies have that tendency. For example, the imposition of compulsory unemployment insurance, with the State as arbiter of when one qualifies to collect:
Embora estejamos ainda longe de exigência formal de estarmos ou empregados ou sujeitos a trabalho para incapazes pelo Estado, diversas políticas interagentes do Estado ostentam essa tendência. Por exemplo, a imposição de seguro-desemprego compulsório, com o Estado como árbitro de quando a pessoa se qualificará para coletá-lo:
A man has been compelled by law to put aside sums from his wages as insurance against unemployment. But he is no longer the judge of how such sums shall be used. They are not in his possession.... They are in the hands of a goverment official. "Here is work offered you at twenty-five shillings a week. If you do not take it, you certainly shall not have a right to the money you have been compelled to put aside. If you will take it the sum shall still stand to your credit, and when next in my judgment your unemployment is not due to your recalcitrance and refusal to labor, I will permit you to have some of your money: not otherwise." (37)
O homem foi compelido a separar somas de sua remuneração como seguro contra desemprego. Ele, porém, não mais é o juiz de como tais somas serão usadas. Elas não ficam na posse dele.... Estão nas mãos de uma autoridade do governo. "Eis aqui trabalho oferecido para você pagando vinte e cinco xelins por semana. Se você não o aceitar, certamente não terá direito ao dinheiro que foi compelido a pôr de lado. Se você o aceitar, a soma ainda constituirá crédito seu e quando, no futuro, a meu critério, seu desemprego não se dever a sua recalcitrância e recusa a trabalhar, permitirei que você retire parte de seu dinheiro: não de outra forma." (37)
Still another measure with this tendency is "workfare," coupled with subsidies to employers who hire the underclass as peon labor. Vagrancy laws and legal restrictions on jitney services, self-built temporary shelters, etc., serve to reduce the range of options for independent subsistence. And finally, the prison-industrial complex, as "employer" for the nearly half of its "clients" guilty of only consensual market transactions, is in effect a forced labor camp absorbing a major segment of the underclass.
Outra medida ainda com essa tendência é "trabassistencialismo," relacionada a subsídios a empregadores que contratem a classe baixa como trabalho de peão. Leis contra a vadiação e restrições legais a transporte pirata, abrigos temporários construídos pela própria pessoa etc. servem para reduzir o elenco de opções de subsistência independente. E, finalmente, o complexo prisional-industrial, como "empregador" da aproximadamente metade de seus "clientes" culpados apenas de transações consensuais de mercado, é com efeito um campo de trabalhos forçados que absorve segmento importante da classe baixa.
The culmination of FDR's state capitalism (of course) was the military-industrial complex which arose from World War II, and has continued ever since. It has since been described as "military Keynesianism," or a "perpetual war economy." A first step in realizing the monumental scale of the war economy's effect is to consider that the total value of plant and equipment in the United States increased by about two-thirds (from $40 to $66 billion) between 1939 and 1945, most of it a taxpayer "gift" of forced investment funds provided to the country's largest corporations. (38) Profit was virtually guaranteed on war production through "cost-plus" contracts. (39)
A culminância do capitalismo de estado de FDR (obviamente) foi o complexo industrial-militar que surgiu a partir da Segunda Guerra Mundial e continuou a partir de então. Desde então foi descrito como "keynesianismo militar," ou "economia de guerra perpétua." Um primeiro passo para compreender a escala monumental do efeito da economia de guerra é considerar que o valor total de fábricas e equipamentos nos Estados Unidos aumentou em cerca de dois terços (de $40 para $66 biliões de dólares) entre 1939 e 1945, consistindo, na maior parte, em "presente" para o contribuinte de fundos de investimento obrigatório oferecidos pelas maiores corporações do país. (38) O lucro foi praticamente garantido à produção de guerra por meio de contratos tipo "lucro estipulado acima do custo." (39)
Demobilization of the war economy after 1945 very nearly threw the overbuilt and government-dependent industrial sector into a renewed depression. For example, in Harry Truman and the War Scare of 1948, Frank Kofsky described the aircraft industry as spiraliing into red ink after the end of the war, and on the verge of bankruptcy when it was rescued by Truman's new bout of Cold War spending on heavy bombers. (40)
A desmobilização da economia de guerra depois de 1945 quase lançou o setor industrial expandido além da demanda e dependente do governo em renovada depressão. Por exemplo, em Harry Truman e o Pânico da Guerra de 1948, Frank Kofsky descreveu a indústria de aviões como espiralando de mergulho no vermelho depois do fim da guerra, e à beira da falência quando resgatada por novo surto de gastos de Truman na Guerra Fria com bombardeiros pesados. (40)
The Cold War restored the corporate economy's heavy reliance on the state as a source of guaranteed sales. Charles Nathanson argued that "one conclusion is inescapable: major firms with huge aggregations of corporate capital owe their survival after World War II to the Cold War...." (41) For example, David Noble pointed out that civilian jumbo jets would never have existed without the government's heavy bomber contracts. The production runs for the civilian market alone were too small to pay for the complex and expensive machine tools. The 747 is essentially a spinoff of military production. (42)
A Guerra Fria restaurou a forte dependência da economia do estado como fonte de vendas garantidas. Charles Nathanson argumentou que "uma conclusão é inescapável: grandes empresas com enorme agregação de capital corporativo devem sua sobrevivência depois da Segunda Guerra Mundial à Guerra Fria...." (41) Por exemplo, David Noble destacou que jatos jumbo civis nunca teria existido sem os contratos do governo para bombardeiros pesados. A quantidade produzida só para o mercado civil era pequena demais para pagar as complexas e dispendiosas máquinas operatrizes. O 747 é essencialmente um subproduto da produção militar. (42)
The heavy industrial and high tech sectors were given a virtually guaranteed outlet, not only by U.S. military procurement, but by grants and loan guarantees for foreign military sales under the Military Assistance Program. Although apologists for the military-industrial complex have tried to stress the relatively small fraction of total production occupied by military goods, it makes more sense to compare the volume of military procurement to the amount of idle capacity. Military production runs amounting to a minor percentage of total production might absorb a major part of total excess production capacity, and have a huge effect on reducing unit costs. And the rate of profit on military contracts tends to be quite a bit higher, given the fact that military goods have no "standard" market price, and the fact that prices are set by political means (as periodic Pentagon budget scandals should tell us). (43)
Os setores de indústria pesada e alta tecnologia foram aquinhoados com um escoadouro praticamente inesgotável, não apenas por causa das encomendas da instituição militar dos Estados Unidos como também por garantias de subvenções e empréstimos para vendas militares no estrangeiro sob a égide do Programa de Assistência Militar. Embora apologistas do complexo industrial-militar tenham tentado enfatizar a fração relativamente pequena da produção total representada por bens militares, faz mais sentido comparar o volume de encomendas militares com a quantidade de capacidade ociosa. Fornadas de produção militar representando percentual modesto da produção total pode absorver parte maior do total de excesso de capacidade de produção, e tem enorme efeito na redução de custos unitários. E o índice de lucro de contratos militares tende a ser bastante mais alto, dado o fato de os bens militares não terem preço "padrão" de mercado, e o fato de os preços serem fixados por meios políticos (como escândalos periódicos de orçamento do Pentágono deveriam revelar-nos). (43)
But the importance of the state as a purchaser was eclipsed by its relationship to the producers themselves, as Charles Nathanson pointed out. The research and development process was heavily militarized by the Cold War "military-R&D complex." Military R&D often results in basic, general use technologies with broad civilian applications. Technologies originally developed for the Pentagon have often become the basis for entire categories of consumer goods. (44) The general effect has been to "substiantially [eliminate] the major risk area of capitalism: the development of and experimentation with new processes of production and new products." (45)
Contudo, a importância do estado como comprador foi eclipsada por seu relacionamento com os próprios produtores, como destacou Charles Nathanson. O processo de pesquisa e desenvolvimento - R&D foi fortemente militarizado pelo "complexo militar-de R&D." R&D militar amiúde resulta em tecnologias básicas, de uso geral, com amplas aplicações civis. Tecnologias originalmente desenvolvidas para o Pentágono amiúde tornaram-se base para categorias inteiras de bens de consumo. (44) O efeito geral tem sido "[eliminar] substancialmente a maior área de risco do capitalismo: o desenvolvimento e experimentação de novos processos de produção e novos produtos." (45)
This is the case in electronics especially, where many products originally developed by military R&D "have become the new commercial growth areas of the economy." (46) Transistors and other forms of miniaturized circuitry were developed primarily with Pentagon research money. The federal government was the primary market for large mainframe computers in the early days of the industry; without government contracts, the industry might never have had sufficient production runs to adopt mass production and reduce unit costs low enough to enter the private market. And the infrastructure for the worldwide web itself was created by the Pentagon's DARPA, originally as a redundant global communications system that could survive a nuclear war. Any implied commentary on the career of Bill Gates is, of course, unintended.
É o caso principalmente em eletrônica, onde muitos produtos originalmente desenvolvidos por R&D militar "tornaram-se as novas áreas de crescimento comercial da economia." (46) Transistores e outras formas de circuito miniaturizado foram desenvolvidos principalmente com dinheiro de pesquisa do Pentágono. O governo federal era o principal mercado demgrandes computadores mainframe nos primeiros dias da indústria; sem contratos do governo, a indústria poderia nunca ter tido produção em quantidade suficiente para adotar a produção em massa e reduzir custos unitários o suficiente para entrar no mercado privado. E a própria infraestrutura da web mundial foi criada pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, originalmente como sistema de comunicação mundial redundante que pudesse sobreviver a uma guerra nuclear. Qaulquer comentário implícito à carreira de Bill Gates é, obviamente, não intencional.
Overall, Nathanson estimated, industry depended on military funding for around 60% of its research and development spending; but this figure is considerably understated by the fact that a significant part of nominally civillian R&D spending is aimed at developing civilian applications for military technology. (47) It is also understated by the fact that military R&D is often used for developing production technologies (like automated control systems in the machine tool industry) that become the basis for production methods throughout the civilian sector.
No todo, estimou Nathanson, a indústria dependia de financiamento militar para em torno de 60% de seus gastos de pesquisa e desenvolvimento; mas essa cifra é consideravelmente subavaliada pelo fato de significativa parte de gastos em R&D nominalmente civil visam ao desenvolvimento de aplicações civis para tecnologia militar. (47) É também subavaliada pelo fato de R&D militar ser frequentemente usado para desenvolver tecnologias de produção (tais como sistema de controle automatizado na indústria de máquinas operatrizes) que se tornam base para métodos de produção no setor civil.
Seymour Melman described the "permanent war economy" as a privately-owned, centrally-planned economy that included most heavy manufacturing and high tech industry. This "state-controlled economy" was based on the principles of "maximization of costs and of government subsidies." (48)
Seymour Melman descreveu a "economia de guerra permanente" como uma economia de propriedade privada, planejada centralmente, incluindo a maior parte da manufatura pesada e da indústria de alta tecnologia. Essa "economia controlada pelo estado" estava baseada nos princípios de "maximização de custos e de subsídios do governo." (48)
It can draw on the federal budget for vitually unlimited capital. It operates in an insulated, monopoly market that makes the state-capitalist firms, singly and jointly, impervious to inflation, to poor productivity performance, to poor product design and poor production managing. The subsidy pattern has made the state-capitalist firms failure-proof. That is the state-capitalist replacement for the classic self-correcting mechanisms of the competitive, cost-minimizing, profit-maximizing firm. (49)
Ela pode recorrer ao orçamento federal para efeito de capital praticamente ilimitado. Funciona num mercado de monopólio insulado que torna as firmas capitalistas de estado, isolada e conjuntamente, impérvias à inflação, ao mau desempenho de produtividade, a mau design de produto e a má gerência da produção. O padrão de subsídio tornou as firmas capitalistas de estado à prova de fracasso. Esse o substituto governamental capitalista de estado para os mecanismos clássicos de autocorreção da firma competitiva, minimizadora de custos e maximizadora de lucros. (49)
The state capitalism of the twentieth century differed fundamentally from the misnamed "laissez-faire" capitalism of the nineteenth century in two regards: 1) the growth of direct organizational ties between corporations and the state, and the circulation of managerial personnel between them; and 2) the eclipse of surplus value extraction from the worker through the production process (as described by classical Marxism), by the extraction of "super-profits" a) from the consumer through the exchange process and b) from the taxpayer through the fiscal process.
O capitalismo de estado do século vinte diferia fundamentalmente do incorretamente denominado capitalismo de "laissez-faire" do século dezenove em dois aspectos: 1) o aumento de vínculos organizacionais diretos entre as corporações e o estado, e a circulação de pessoal gerencial entre eles. e 2) o eclipse da extração de valor excedente do trabalhador por meio do processo de produção (como descrito no marxismo clássico), por meio da extração de "superlucros" a) do consumidor por meio do processo de troca e b) do contribuinte por meio do processo fiscal.
Although microeconomics texts generally describe the functioning of supply and demand curves as though the nature of the market actors were unchanged since Adam Smith's day, in fact the rise of the large corporation as the dominant type of economic actor has been a revolution as profound as any in history. It occurred parallel to the rise of the "positive" state (i.e., the omnicompetent, centralized regulatory state) in the nineteenth and early twentieth century. And, vitally important to remember, the two phenomena were mutually reinforcing. The state's subsidies, privileges and other interventions in the market were the major force behind the centralization of the economy and the concentration of productive power. And in turn, the corporate economy's need for stability and rationality, and for state-guaranteed profits, has been the central force behind the continuing growth of the leviathan state.
Embora os textos microeconômicos geralmente descrevam o funcionamento das curvas de oferta e procura como se a natureza dos agentes de mercado fosse imutável desde os tempos de Adam Smith, na verdade a ascensão da grande corporação como tipo dominante de agente econômico representou revolução tão profunda quanto qualquer outra da história. Ocorreu paralelamente à ascensão do estado "positivo" state (isto é, o estado onicompetente centralizado regulamentador) no século dezenove e no início do século vinte. E, vitalmente importante lembrar, os dois fenômenos se reforçavam mutuamente. Os subsídios, privilégios e outras intervenções no mercado do estado representaram a força maior por trás da centralização da economia e da concentração de poder produtivo. E, por sua vez, a necessidade da economia corporativa de estabilidade e racionalidade, e de lucros garantidos pelo estado, tem sido a força central por trás do contínuo crescimento do estado leviatã.
And the rise of the centralized state and the centralized corporation has created a system in which the two are organizationally connected, and run by essentially the same recirculating elites (a study of the careers of David Rockefeller, Averell Harriman, or Robert McNamara should be instructive on the last point). This phenomenon has been most ably described by the "power elite" school of sociologists, particularly C. Wright Mills and G. William Domhoff.
E a ascensão do estado centralizado e da corporação centralizada criou um sistema no qual ambos estão organizacionalmente conexos, administrados por essencialmente as mesmas elites recirculantes (estudo das carreiras de David Rockefeller, Averell Harriman ou Robert McNamara deveria ser instrutivo quanto a este último ponto). Esse fenômeno foi mais aptamente descrito pela escola de sociólogos da "elite do poder," particularmente C. Wright Mills e G. William Domhoff.
According to Mills, the capitalist class was not supplanted by a "managerial revolution," as James Burnham had claimed; but the elite's structure was still most profoundly affected by the corporate revolution. The plutocracy ceased to be a social "class" in the sense described by Marx: an autonomous social formation perpetuated largely through family lines of transmission and informal social ties, with its organizational links of firm ownership clearly secondary to its existence in the "social" realm. The plutocracy were no longer just a few hundred rich families who happened to invest their old money in one firm or another. Rather, Mills described it as "the managerial reorganization of the propertied classes into the more or less unified stratum of the corporate rich." (50) Rather than an amorphous collection of wealthy families, in which legal claims to an income from property were the defining characteristic, the ruling class came to be defined by the organizational structure through which it gained its wealth. It was because of this new importance of the institutional forms of the power structure that Mills preferred the term "power elite" to "ruling class": "'Class' is an economic term; 'rule' a political one. The phrase, 'ruling class,' thus contains the theory that an economic class rules politically. (51)
De acordo com Mills, a classe capitalista não foi suplantada por uma "revolução gerencial," ao contrário do afirmado por James Burnham; e sim a estrutura da elite foi ainda mais profundamente afetada pela revolução corporativa. A plutocracia deixou de ser uma "classe" social no sentido descrito por Marx: uma formação social autônoma perpetuada em grande parte por meio linhas familiares de transmissão e laços sociais informais, com seus elos organizacionais de posse de empresa claramente secundários em relação a sua existência no domínio "social." A plutocracia não mais era umas poucas centenas de famílias ricas que ocorria investirem seu dinheiro velho em uma firma ou outra. Em vez disso, Mills descreveu-a como "a reorganização gerencial das classes proprietárias no estrato mais ou menos unificado dos ricos corporativos." (50) Em vez de uma coleção amorfa de famílias abastadas, da qual a característica definidora era reivindicações legais de renda oriunda da propriedade, a classe dominante veio a ser definida pela estrutura organizacional por meio da qual obteve sua riqueza. Foi por causa dessa nova importância das formas institucionais da estrutura de poder que Mills preferiu a expressão "elite do poder" a "classe dominante": "'Classe' é termo econômico; 'domínio/governo' é termo político. A expressão 'classe dominante' portanto envolve a teoria de que uma classe econômica governa politicamente. (51)
Domhoff, who retained more of the traditional Marxist idea of class than did Mill, described the situation in this way:
Domhoff, que preservou mais a ideia marxista de classe do que Mill, assim descreveu a situação:
The upper class as a whole does not do the ruling. Instead, class rule is manifested through the activities of a wide variety of organizations and institutions. These organizations and institutions are financed and directed by those members of the upper class who have the interest and ability to involve themselves in protecting and enhancing the privileged social position of their class. Leaders within the upper class join with high-level employees in the organizations they control to make up what will be called the power elite. This power elite is the leadership group of the upper class as a whole, but it is not the same thing as the upper class, for not all members of the upper class are members of the power elite and not all members of the power elite are part of the upper class. It is members of the power elite who take part in the processes that maintain the class structure. (52)
A classe alta como um todo não é quem exerce o controle/domíniogoverno. Em vez disso, o domínio da classe é manifestado por meio das atividades de larga variedade de organizações e instituições. Essas organizações e instituições são financiadas e dirigidas por aqueles membros da classe dominante que têm o interesse e a competência para se envolverem eles próprios na proteção e melhoramento da posição social privilegiada de sua classe. Líderes da classe alta juntam-se a empregados de alto nível nas organizações que controlam para constituir ao que será chamado de elite do poder. Essa elite do poder é o grupo de liderança da classe alta como um todo, mas não é a mesma coisa que a classe alta, pois nem todos os membros da classe alta são membros da elite do poder e nem todos os membros da elite do poder são membros da classe alta. São os membros da elite do poder que tomam parte nos processos que mantêm a estrutura de classes. (52)
Because of this corporate reorganization, senior corporate management has been incorporated as junior partners in the power elite. Contrary to theories of the "managerial revolution," senior management is kept firmly subordinated, through informal social ties and the corporate socialization process, to the goals of the owners. Even a Welch or Eisner understands that his career depends on being a "team player," and the team's objectives are set by the Rockefellers and DuPonts. (53) The corporate reorganization of the economy has led to permanent organizational links between large corporations, government agencies, research institutions, and foundation money, and resulted in the plutocracy functioning organizationally on a class-wide basis. (54)
Por causa dessa reorganização corporativa, a gerência superior corporativa tem sido incluída como parceira inferior na elite do poder. Contrariamente a teorias da "revolução gerencial," a gerência superior é mantida firmemente subordinada, por meio de laços sociais informais e do processo de socialização corporativa, às metas dos proprietários. Até um Welch ou Eisner entende que sua carreira depende de ser um "membro da equipe," e os objetivos da equipe são estabelecidos pelos Rockefellers e DuPonts. (53) A reorganização corporativa da economia tem levado a vínculos organizacionais permanentes entre grandes corporações, órgãos do governo, instituições de pesquisa, e dinheiro de fundações, e resultado na plutocracia funcionar organizacionalmente numa base de abrangência de classes. (54)
Bukharin anticipated the power elite theory of Mills and Domhoff, in which the ruling class ceased to be an "amorphous mass" of wealthy families, and was itself (in C. Wright Mills' words) "reorganized along corporate lines." He wrote of interlocking elites in language that prefigured Mills:
Bukharin antecipou a teoria de elite do poder de Mills e Domhoff, na qual a classe dominante deixava de ser uma "massa amorfa" de famílias ricas e (nas palavras de C. Wright Mills) "reorganizava-se ao longo de linhas corporativas." Ele falou das elites entrosadas em linguagem que prefigurava Mills:
With the growth of the importance of state power, its inner structure also changes. The state becomes more than ever before an "executive committee of the ruling classes." It is true that state power always reflected the interests of the "upper strata," but inasmuch as the top layer itself was a more or less amorphous mass, the organised state apparatus faced an unorganised class (or classes) whose interests it embodied. Matters are totally different now. The state apparatus not only embodies the interests of the ruling classes in general, but also their collectively expressed will. It faces no more atomised members of the ruling classes, but their organisations. Thus the government is de facto transformed into a "committee" elected by the representatives of entrepreneurs' organizations, and it becomes the highest guiding force of the state capitalist trust. (55)
Com o aumento da importância do poder do estado, sua estrutura interna também se modifica. O estado se torna mais do que jamais antes uma "comissão executiva das classes dominantes." É verdade que o poder do estado sempre refletiu os interesses os "altos estratos," mas na medida em que o nível mais alto era uma massa mais ou menos amorfa, o aparato organizado do estado tinha diante de si uma classe (ou classes) não organizada cujos interesses ele encarnava. As coisas hoje são totalmente diferentes. O aparato do estado não apenas encarna os interesses das classes dominantes em geral como também sua vontade coletivamente expressada. Tem diante de si não mais membros atomizados das classes dominantes, e sim as organizações delas. Assim, pois, o governo é de facto transformado numa "comissão" eleita pelos representantes das organizações de empresários, e torna-se a mais alta força direcionadora do truste capitalista de estado. (55)
In a passage that could have been written by Mills, Bukharin described the rotation of personnel between "private" and "public" offices in the interlocking directorate of state and capitalist bureaucracies:
Numa passagem que poderia ter sido escrita por Mills, Bukharin descreveu a rotação de pessoal entre gabinetes "privados" e "públicos" na diretoria entrosada de burocracias estatais e capitalistas:
The bourgeoisie loses nothing from shifting production from one of its hands into another, since present-day state power is nothing but an entrepreneurs' company of tremendous power, headed even by the same persons that occupy the leading positions in the banking and syndicate offices. (56)
A burguesia nada perde com passar a produção de uma de suas mãos para a outra, visto que o poder estatal dos dias de hoje nada é mais do que uma companhia de empresários de tremendo poder, até encabeçada pelas mesmas pessoas que ocupam os cargos de chefia nos gabinetes dos bancos e grupos econômicos. (56)
It is the common class background of the state and corporate elites, and the constant circulation of them between institutions, that underscores the utter ridiculousness of controlling corporate power through such nostrums as "clean election" reforms. The promotion of corporate aims by high-level policy makers is the result mainly, not of soft money and other forms of cartoonishly corrupt villainy, but of the policy makers' cultural background and world view. Mills commented ironically on the "pitiful hearings" on confirmation of corporate leaders appointed to government office:
É o plano de fundo comum de classe do estado e das elites corporativas, e a constante circulação delas entre as instituições, que sublinha o completo ridículo de controlar o poder corporativo por meio de panaceias tais como reformas no sentido de  "eleições limpas." A promoção de metas corporativas por formuladores de políticas de alto nível é o resultado maiormente não de dinheiro com destinação especial e outras formas de vilania corrupta desbragada, mas do plano de fundo cultural e da visão de mundo dos formuladores de políticas. Mills comentou ironicamente "patéticas audiências" para confirmação de líderes corporativos nomeados para cargos no governo:
The revealing point... is not the cynicism toward the law and toward the lawmakers on the middle levels of power which they display, nor their reluctance to dispose of their personal stock. The interesting point is how impossible it is for such men to divest themselves of their engagement with the corporate world in general and with their own corporations in particular. Not only their money, but their friends, their interests, their training--their lives in short--are deeply involved in this world.... The point is not so much financial or personal interests in a given corporation, but identification with the corporate world. (57)
O ponto revelador... não é o cinismo que exibem em relação à lei e aos legisladores dos níveis médios do poder, nem a relutância deles em abrir mão de suas posses pessoais. O ponto interessante é o quanto é impossível para esses homens renunciarem a seu envolvimento com o mundo corporativo em geral e com suas próprias corporações em particular. Não apenas o dinheiro deles, mas amigos, interesses, treinamento -- em suma, as vidas deles -- estão profundamente envolvidos nesse mundo.... O ponto não é tanto interesses financeiros ou pessoais em relação a dada corporação, mas identificação com o mundo corporativo. (57)
Although the structuralist Marxists have created an artificial dichotomy between their position and that of institutional elitists like Mill and Domhoff, (58) they are entirely correct in pointing out that the political leadership does not have to be subject, in any crude way, to corporate control. Instead, the very structure of the corporate economy and the situations it creates compel the leadership to promote corporate interests out of perceived "objective necessity." Given not just the background and assumptions of the policy elite, but the dependence of political or economic stability, policies that stabilize the corporate economy and guarantee steady output and profits are the only imaginable alternatives. And regardless of how "progressive" the regulatory state's ostensible aims, the organizational imperative will make the corporate economy's managers and directors the main source of the processed data and technical expertise on which policy makers depend.
Embora os marxistas estruturalistas tenham criado uma dicotimia artificial entre sua posição e a dos elitistas institucionais tais como Mill e Domhoff, (58) estão inteiramente corretos em destacar que a liderança política não precisa estar sujeita, de qualquer maneira crua, ao controle corporativo. Em vez disso, a própria estrutura da economia corporativa e as situações que ela cria compelem a liderança a promover interesses corporativos a partir do que vê como constituindo "necessidade objetiva." Dados não apenas o plano de fundo e as assunções da elite de políticas, mas a dependência de estabilidade política ou econômica, políticas que estabilizem a economia corporativa e garantam produção e lucros estáveis são as únicas alternativas imagináveis. E independentemente de quanto sejam "progressistas" os objetivos ostensivos do estado regulamentador, o imperativo organizacional tornará os gerentes e diretores da economia corporativa a principal fonte de dados processados e conhecimento técnico da qual dependem os formuladores de políticas.
The public's control over the system's overall structure, besides, is severely constrained by the fact that people who work inside the corporate and state apparatus inevitably have an advantage in time, information, attention span, and agenda control over the theoretically "sovereign" outsiders in whose name they act. The very organs of cultural reproduction--the statist school system, the corporate press, etc.--shape the public's "common sense" understanding of what is possible, and what is to be relegated to the outer darkness of "extremism." So long as wire service and network news foreign correspondents write their copy in hotel rooms from government handouts, and half the column inches in newspapers are generated by government and corporate public relations departments, the "moderate" understanding will always be conditioned by institutional culture.
Ademais, o controle, pelo público, da estrutura geral do sistema vê-se severamente restringido pelo fato de as pessoas dentro do aparato corporativo e de estado inevitavelmente gozarem de vantagem em termos de tempo, informação, limiar de atenção(*) e controle de agenda em relação aos teoricamente "soberanos" de fora em cujo nome atuam. Os próprios órgãos de reprodução cultural -- o sistema escolar estatal, a imprensa corporativa etc. -- moldam o entendimento de "senso comum" do povo quanto ao que é possível e ao que deverá ser relegado à obscuridade externa do "extremismo." Enquanto os correspondentes no estrangeiro de serviços de difusão a cabo e de redes noticiosas escreverem seus textos em quartos de hotel a partir de textos básicos fornecidos pelo governo, e metade das polegadas de colunas dos jornais for gerada por departamentos de relações públicas do governo e corporativos, o entendimento "moderado" sempre será condicionado pela cultura institucional.

(*) A quantidade de tempo em que uma pessoa consegue se concentrar sem se distrair. Ver Wikipedia.
In making use of the "Power Elite" model of Mills and Domhoff, one must be prepared to counter the inevitable "tinfoil hat" charges from certain quarters. Power Elite theory, despite a superficial resemblance to some right-wing conspiracy theories, has key differences from them. The latter take, as the primary motive force of history, personal cabals united by some esoteric or gratuitously evil ideology. Now, the concentration of political and economic power in the control of small, interlocking elites, is indeed likely to result in informal personal ties, and therefore to have as its side-effect sporadic conspiracies (Stinnett's Day of Deceit theory of Pearl Harbor is a leading example). But such conspiracy is not necessary to the working of the system--it simply occurs as a secondary phenomenon, and occasionally speeds up or intensifies processes that happen for the most part automatically. Although the CFR is an excellent proxy for the foreign policy elite, and some informal networking and coordination of policy no doubt get done through it, it is essentially a secondary organization, whose membership are ex officio representatives of the major institutions regulating national life. The primary phenomenon is the institutional concentration of power that brings such people into contact with each other in their official capacities.
Em fazendo uso do modelo de "Elite do Poder" de Mills e Domhoff é preciso estar preparado para responder às inevitáveis acusações de ser "teórico da conspiração" oriunda de certos arraiais. A teoria da Elite do Poder, a despeito de semelhança superficial com certas teorias da conspiração direitistas, apresenta diferenças críticas em relação a elas. Essas últimas consideram, como principal força motivacional da história, cabalas pessoais unidas por alguma ideologia esotérica ou gratuitamente perversa. Ora, a concentração de poder político e econômico no controle de elites pequenas e entrosadas em verdade provavelmente resultará em laços pessoais informais, e portanto em termo como seu efeito colateral conspirações esporádicas (A teoria de Stinnett de O Dia do Engodot de Pearl Harbor é exemplo eminente). Contudo, tal conspiração não é indispensável para o funcionamento do sistema -- ocorre simplesmente como fenômeno secundário, e ocasionalmente acelera ou intensifica processos que acontecem, nas mais das vezes, automaticamente. Embora o Conselho de Relações Exteriores - CFR seja excelente procurador da elite de política exterior, e sem dúvida algum a rede informal e coordenação de políticas seja consumada por meio dele, trata-se essencialmente de uma organização secundária, cujos membros são representantes ex officio das instituições maiores que regulam a vida nacional. O fenômeno primário é a concentração institucional de poder que coloca essas pessoas em contato umas com as outras em seus papéis oficiais.
In the "monopoly capitalism" model of Paul Baran and Paul Sweezy, the central figures in the Monthly Review group, the corporate system can maintain stable profit levels by passing its costs on to the consumer. The increased labor costs of unionized heavy manufacturing are paid, ultimately, by the non-cartelized sectors of the economy (the same is true of the corporate income tax and the rest of the burden of "progressive" taxation, although the authors do not mention it in this context). Capitalism is no longer predominantly, as Marx had assumed in the nineteenth century, a system of competition. As a result, the large corporate sector of the economy becomes immune to Marx's law of the falling tendency of the rate of profit. (59)
No modelo de "capitalismo monopolista" de Paul Baran e Paul Sweezy, as figuras centrais do grupo Publicação Mensal, o sistema corporativo consegue manter níveis estáveis de lucro mediante passar seus custos para o consumidor. Os custos aumentados do trabalho da fábrica pesada sindicalizada são pagos, em última análise, pelos setores não cartelizados da economia (o mesmo é verdade do imposto de renda corporativo e do resto do ônus da tributação  "progressiva," embora os autores não mencionem isso nesse contexto). O capitalismo não mais é predominantemente, ao contrário do que Marx havia assumido no século dezenove, um sistema de competição. Em decorrência, o grande setor corporativo da economia torna-se imune à lei de Marx da tendência declinante do índice de lucro. (59)
The crucial difference between [competitive capitalism and monopoly capitalism] is well known and can be summed up in the proposition that under competitive capitalism the individual enterprise is a "price taker," while under monopoly capitalism the big corporation is a "price maker." (60)
A diferença crucial entre [capitalismo competitivo e capitalismo monopolista] é bem conhecida e pode ser resumida na proposição segundo a qual no capitalismo competitivo a empresa individual é uma "tomadora de preços" enquanto, no capitalismo monopolista, a grande corporação é uma "fazedora de preços." (60)
Direct collusion between the firms in an oligopoly market, whether open or hidden, is not required. "Price leadership," although the most common means by which corporations informally agree on price, is only one of several.
Conluio direto entre as firmas num mercado oligopolizado, quer visível quer oculto, não é necessário. A "liderança de preço," embora o meio mais comum por meio do qual as corporações concordam informalmente no tocante a preço, é apenas entre vários.
Price leadership... is only the leading species of a much larger genus.... So long as some fairly regular pattern is maintained such cases may be described as modified forms of price leadership. But there are many other situations in which no such regularity is discernible: which firm initiates price changes seems to be arbitrary. This does not mean that the essential ingredient of tacit collusion is absent. The initiating firm may simply be announcing to the rest of the industry, "We think the time has come to raise (or lower) the price in the interest of all of us." If the others agree, they will follow. If they do not, they will stand pat, and the firm that made the first move will rescind its initial price change. It is this willingness to rescind if an initial change is not followed which distinguishes the tacit collusion situation from a price-war situation. So long as firms accept this convention... it becomes relatively easy for the group as a whole to feel its way toward the price which maximizes the industry's profit.... If these conditions are satisfied, we can safely assume that the price established at any time is a reasonable approximation of the theoretical monopoly price." (61)
A liderança de preço... é apenas a espécie principal de um gênero muito maior.... Na medida em que algum padrão razoavelmente regular seja mantido tais casos podem ser descritos como formas modificadas de liderança de preço. Entretanto, há muitas outras situações nas quais tal regularidade não é discernível: qual firma inicia as mudanças de preços parece arbitrário. Isso não significa que o ingrediente essencial de conluio tácito esteja ausente. A firma iniciadora poderá simplesmente anunciar para o resto do setor/indústria, "Acho ter chegado a hora de aumentar (ou diminuir) o preço, no interesse de todos nós." Se as outras concordarem, seguirão. Se não, fincarão pé, e a firma que fez a primeira jogada anulará sua mudança inicial de preço. É essa disposição de voltar atrás se uma mudança inicial não for seguida que distingue a situação de conluio tácito de uma situação de guerra de preços. Na medida em que as firmas aceitem essa convenção... torna-se relativamente fácil para o grupo como um todo ir encontrando o preço que maximiza o lucro do setor/indústria... Se essas condições forem satisfeitas, podemos assumir com segurança que o preço estabelecido em qualquer tempo é uma aproximação razoável do preço teórico de monopólio." (61)
In this way, the firms in an oligopoly market can jointly determine their price very much as would a single monopoly firm. The resulting price surcharge passed on to the consumer is quite significant. According to an FTC study in the 1960s, "if highly concentrated industries were deconcentrated to the point where the four largest firms control 40% or less of an industry's sales, prices would fall by 25% or more. " (62)
Desse modo, as firmas num mercado oligopolizado podem determinar conjuntamente seu preço de modo muito semelhante ao de uma única firma monopolista. A sobretaxa de preço resultante passada para a frente, para o consumidor, é bastante significativa. De acordo com um estudo da Comissão Federal do Comércio - FTC nos anos 1960, "se indústrias altamente concentradas fossem desconcentradas a tal ponto que as quatro maiores firmas controlassem 40% ou menos das vendas do setor, os preços cairiam 25% ou mais." (62)
This form of tacit collusion is not by any means free from breakdowns. When one firm develops a commanding lead in some new process or technology, or acquires a large enough market share or a low enough cost of production to be immune from retribution, it may well initiate a war of conquest on its industry. (63) Such suspensions of the rules of the game are identified, for example, with revolutionary changes like Wal-Mart's blitz of the retail market. But in between such disruptions, oligopoly markets can often function for years without serious price competition. As mentioned above, the Clayton Act's "unfair competition" provisions were designed to prevent the kind of catastrophic price wars that could destabilize oligopoly markets.
Essa forma de conluio clássico não está, de modo nenhum, livre de colapsos. Quando uma firma desenvolve liderança de comando em algum novo processo ou tecnologia, ou adquire fatia de mercado grande o suficiente ou consegue custo de produção baixo o bastante para ficar imune a revides, bem poderá começar uma guerra de conquista em seu setor. (63) Tais suspensões das regras do jogo são identificadas, por exemplo, em modificações revolucionárias tais como a blitz do Wal-Mart no mercado varejista. No meio, entretanto, de tais dirupções, os mercados oligopolistas podem amiúde funcionar durante anos sem competição séria de preços. Como mencionado acima, as disposições da Lei Clayton acerca de "competição desleal" foram concebidas para impedir aquele tipo de guerra de preços catastrófica que poderia desestabilizar os mercados oligopolistas.
The "monopoly capital" theorists introduced a major innovation over classical Marxism by treating monopoly profit as a surplus extracted from the consumer in the exchange process, rather than from the laborer in the production process. This innovation was anticipated by the Austro-Marxist Hilferding in his description of the super profits resulting from the tariff:
Os teóricos do "capital de monopólio" introduziram uma inovação importante em relação ao marxismo clássico ao tratarem o lucro monopolista como excedente extraído do consumidor no processo de troca, em vez de do trabalhador no processo de produção. Essa inovação foi antevista pelo austromarxista Hilferding em sua descrição dos superlucros resultantes da tarifa:
The productive tariff thus provides the cartel with an extra profit over and above that which results from the cartelization itself, and gives it the power to levy an indirect tax on the domestic population. This extra profit no longer originates in the surplus value produced by the workers employed in cartels; nor is it a deduction from the profit of the other non-cartelized industries. It is a tribute exacted from the entire body of domestic consumers. (64)
A tarifa produtiva portanto proporciona para o cartel lucro extra acima daquele que resulta da cartelização em si, e dá-lhe o poder de impor um tributo indireto à população doméstica. Esse lucro extra não mais se origina do valor excedente produzido pelos trabalhadores empregados nos cartéis; nem é dedução do lucro das outras indústrias não cartelizadas. É um tributo extraído da totalidade dos consumidores domésticos. (64)
Baran and Sweezy were quite explicit in recognizing the central organizing role of the state in monopoly capitalism. They described the political function of the regulatory state in ways quite similar to Kolko:
Baran e Sweezy foram bastante explícitos em reconhecer o papel organizador central do estado no capitalismo monopolista. Eles descreveram a função política do estado regulamentador de maneiras muito parecidas com Kolko:
Now under monopoly capitalism it is as true as it was in Marx's day that the "executive power of the... state is simply a committee for managing the common affairs of the entire bourgeois class." And the common affairs of the entire bourgeois class include a concern that no industries which play an important role in the economy and in which large property interests are involved should be either too profitable or to unprofitable. Extra large profits are gained not only at the expense of consumers but also of other capitalists (electric power and telephone service, for example, are basic costs of all industries), and in addition they may, and at times of political instability do, provoke demands for genuinely effective antimonopoly action [They go on to point out agriculture and the extractive industries as examples of the opposite case, in which special state intervention is required to increase the low profits of a centrally important industry].... It therefore becomes a state responsibility under monopoly capitalism to insure, as far as possible, that prices and profit margins in the deviant industries are brought within the general run of great corporations.
Pois bem, no capitalismo monopolista é tão verdade quanto nos tempos de Marx que o "poder executivo do... estado é simplesmente uma comissão para gerir os assuntos comuns de toda a classe burguesa." E os assuntos comuns de toda a classe burguesa incluem preocupação de nenhuma indústria que desempenhe papel importante na economia e na qual estejam envolvidos grandes interesses de propriedade seja lucrativa demais ou não lucrativa demais. Grande lucro extra é obtido não apenas a expensas dos consumidores mas também de outros capitalistas (energia elétrica e serviços telefônicos, por exemplo, representam custos básicos de todas as indústrias), e além disso elas poderão, e em tempos de instabilidade política o fazem, provocar demandas por ação antimonopólio genuinamente eficazes [Eles prosseguem mostrando a agricultura e as indústrias extrativas como exemplos do caso oposto, no qual é requerida intervenção especial do estado para aumentar os baixos lucros de um setor centralmente importante].... Por isso torna-se responsabilidade do estado no capitalismo de monopólio assegurar, tanto quanto possível, que os preços e as margens de lucro das indústrias desgarradas sejam compatibilizadas com a produção em geral das grandes corporações.
This is the background and explanation of the innumberable regulatory schemes and mechanisms which characterize the American economy today.... In each case of course some worthy purpose is supposed to be served--to protect consumers, to conserve natural resources, to save the family-size farm--but only the naive believe that these fine sounding aims have any more to do with the case than the flowers that bloom in the spring.... All of this is fully understandable once the basic principle is grasped that under monopoly capitalism the function of the state is to serve the interests of monopoly capital....
Esse é o plano de fundo e a explicação dos inumeráveis esquemas e mecanismos reguladores que caracterizam a economia estadunidense de hoje.... Em cada caso, obviamente, supõe-se ser atendido alguma finalidade meritória -- proteger os consumidores, conservar recursos naturais, salvar a propriedade rural de porte familiar -- mas apenas os ingênuos acreditam que esses bem-soantes objetivos tenham mais qualquer coisa a ver com o assunto do que com as flores que desabrocham na primavera.... Tudo isso é perfeitamente compreensível visto que o princípio básico seja percebido, o de que, no capitalismo de monopólio, a função do estado é servir aos interesses do capital de monopólio....
Consequently the effect of government intervention into the market mechanism of the economy, whatever its ostensible purpose, is to make the system work more, not less, like one made up exclusively of giant corporations acting and interacting [according to a monopoly price system].... (65)
Consequentemente, o efeito da intervenção do governo no mecanismo de mercado da economia, qualquer seja seu propósito ostensivo, é fazer o sistema trabalhar mais, não menos, como formado exclusivamente de corporações gigantescas agindo e interagindo [de acordo com um sistema monopolista de preços].... (65)
It is interesting, in this regard, to compare the effect of antitrust legislation in the U.S. to that of nationalization in European "social democracies." In most cases, the firms affected by both policies involve centrally important infrastructures or resources, on which the corporate economy as a whole is dependant. Nationalization in the Old World is used primarily in the case of energy, transportation and communication. In the U.S., the most famous antitrust cases have been against Standard Oil, AT&T, and Microsoft: all cases in which excessive prices in one firm could harm the interests of monopoly capital as a whole. And recent "deregulation," as it has been applied to the trucking and airline industries, has likewise been in the service of those general corporate interests harmed by monopoly transportation prices. In all these cases, the state has on occasion acted as an executive committee on behalf of the entire corporate economy, despite thwarting the mendacity of a few powerful corporations.
É interessante, a propósito, comparar o efeito da legislação antitruste nos Estados Unidos com a da nacionalização nas "democracias sociais" europeias. Na maioria dos casos, as firmas afetadas por ambas as políticas envolvem infraestruturas ou recursos centralmente importantes, dos quais dependente a economia corporativa como um todo. A nacionalização no Velho Mundo é usada precipuamente no caso da energia, do transporte e da comunicação. Nos Estados Unidos, os mais famosos processos antitrustes foram movidos contra Standard Oil, AT&T, e Microsoft: todos casos nos quais preços excessivos por parte de uma firma poderia prejudicar os interesses do capital de monopólio como um todo. E recente "desregulamentação," aplicada aos setores de transportes caminhoneiro e aéreo, analogamente tem ocorrido a serviço daqueles interesses corporativos gerais prejudicados por preços de transporte monopolista. Em todos esses casos o estado por vezes agiu como uma comissão executiva em favor da economia corporativa como um todo, a despeito de frustrar a mendacidade de algumas corporações poderosas.
The common thread in all these lines of analysis is that an ever-growing portion of the functions of the capitalist economy have been carried out through the state. According to James O'Connor, state expenditures under monopoly capitalism can be divided into "social capital" and "social expenses."
O fio condutor comum em todas essas linhas de análise é que uma sempre crescente porção das funções da economia capitalista vem sendo levada a efeito por meio do estado. De acordo com James O'Connor, o dispêndio estatal no capitalismo de monopólio pode ser dividido em "capital social" e "despesas sociais."
Social capital is expenditures required for profitable private accumulation; it is indirectly productive (in Marxist terms, social capital indirectly expands surplus value). There are two kinds of social capital: social investment and social consumption (in Marxist terms, social constant capital and social variable capital).... Social investment consist of projects and services that increase the productivity of a given amount of laborpower and, other factors being equal, increase the rate of profit.... Social consumption consists of projects and services that lower the reproduction costs of labor and, other factors being equal, increase the rate of profit. An example of this is social insurance, which expands the productive powers of the work force while simultaneously lowering labor costs. The second category, social expenses, consists of projects and services which are required to maintain social harmony--to fulfill the state's "legitimization" function.... The best example is the welfare system, which is designed chiefly to keep social peace among unemployed workers. (66)
Capital social  é gastos requeridos para acumulação privada lucrativa; é indiretamente produtivo (em termos marxistas, o capital social indiretamente expande o valor excedente). Há dois tipos de capital social: investimento social e consumo social (em termos marxistas, capital social constante e capital social variável).... O Investimento social consiste em projetos e serviços que aumentam a produtividade de dada quantidade de força de trabalho e, sendo iguais os demais fatores, aumenta o índice de lucro.... O Consumo social consiste em projetos e serviços que reduzem os custos de reprodução do trabalho e, sendo iguais os demais fatores, aumentam o índice de lucro. Um exemplo é o seguro social, que expande os poderes produtivos da força de trabalho enquanto simultaneamente reduz os custos do trabalho. A segunda categoria, despesas sociais, consiste em projetos e serviços requeridos para manter a harmonia social -- para consumar a função de "legitimação" do estado.... O melhor exemplo é o sistema de bem-estar social, projetado principalmente para manter a paz social entre trabalhadores desempregados. (66)
According to O'Connor, such state expenditures counteract the falling general rate of profit that Marx predicted. Monopoly capital is able to externalize many of its operating expenses on the state; and since the state's expenditures indirectly increase the productivity of labor and capital at taxpayer expense, the apparent rate of profit is increased.
De acordo com O'Connor, tais dispêndios do estado contrapõem-se ao índice geral cadente de lucro previsto por Marx. O capital de monopólio é capaz de externalizar muitas de suas despesas operacionais para o estado; e visto que os dispêndios do estado indiretamente aumentam a produtividade de trabalho e capital a expensas do contribuinte, o índice aparente de lucro é aumentado.
Unquestionably, monopoly sector growth depends on the continuous expansion of social investment and social consumption projects that in part or in whole indirectly increase productivity from the standpoint of monopoly capital. In short, monopoly capital socializes more and more costs of production. (67)
Inquestionavelmente, o crescimento do setor de monopólio depende da expansão contínua dos projetos de investimento social e de consumo social que, em parte ou todo aumentam indiretamente a produtividade do ponto de vista do capital de monopólio. Em suma, o capital de monopólio socializa cada vez mais custos de produção. (67)
O'Connor listed several of the main ways in which monopoly capital externalizes its operating costs on the political system:
O'Connor listou diversos dos principais modos pelos quais o capital de monopólio externaliza seus custos operacionais para o sistema político:
Capitalist production has become more interdependent--more dependent on science and technology, labor functions more specialized, and the division of labor more extensive. Consequently, the monopoly sector (and to a much lesser degree the competitive sector) requires increasing numbers of technical and administrative workers. It also requires increasing amounts of infrastructure (physical overhead capital)--transportation, communication, R&D, education, and other facilities. In short, the monopoly sector requires more and more social investment in relation to private capital.... The costs of social investment (or social constant capital) are not borne by monopoly capital but rather are socialized and fall on the state. (68)
A produção capitalista tornou-se mais interdependente -- mais dependente de ciência e tecnologia, de funções de trabalho mais especializadas, e de divisão do trabalho mais extensa. Consequentemente, o setor monopolista (e, em grau muito menor, o setor competitivo) requer número crescente de trabalhadores técnicos e administrativos. Requer também crescente quantidade de infraestrutura (capital de overhead físico) -- transporte, comunicação, R&D, educação e outras instalações. Em suma, o setor de monopólio requer cada vez mais investimento social em relação ao capital privado.... Os custos de investimento social (ou capital social constante) não são arcados pelo capital de monopólio e sim antes socializados e recaem sobre o estado. (68)
We should briefly recall here our examination above of how such socialization of expenditures serves to cartelize industry. By externalizing such costs on the state, through the general tax system, monopoly capital removes these expenditures as an issue of competition between individual firms. It is as if all the firms in an industry formed a cartel to administer these costs in common, and agreed not to include them in their price competition. The costs and benefits are applied uniformly to the entire industry, removing it as a competitive disadvantage for some firms.
Devemos sucintamente lembrar aqui nosso exame acima de como tal socialização de dispêndios serve para cartelizar a indústria. Mediante externalizar tais custos para o estado, por meio do sistema geral de tributação, o capital de monopólio remove esses dispêndios enquanto questão de competição entre firmas individuais. É como se todas as firmas em um setor/indústria formassem um cartel para administrar esses custos em comum, concordando em não incluí-los em sua competição de preços. Os custos e benefícios são aplicados uniformemente à indústria inteira, removendo-os enquanto desvantagem competitiva para algumas firmas.
Although it flies in the face of "progressive" myth, big business is by no means uniformly opposed to national health insurance and other forms of social insurance. Currently, giant corporations in the monopoly capital sector are the most likely to provide private insurance to their employees; and such insurance is one of the fastest-rising components of labor costs. Consequently, firms that are already providing this service at their own expense are the logical beneficiaries of a nationalized system. The effect of such a national health system would be to remove the cost of this benefit as a competitive disadvantage for the companies that provided it. Even if the state requires only large corporations in the monopoly sector to provide health insurance, it is an improvement of the current situation, from the monopoly capital point of view: health insurance ceases to be a component of price competition among the largest firms. A national health system provides a competitive advantage to a nation's firms at the expense of their foreign competitors, who have to fund their own employee health benefits--hence, American capital's hostility to the Canadian national health, and its repeated attempts to combat it through the WTO. The cartelizing effects of socializing the costs of social insurance, likewise, was one reason a significant segment of monopoly capital supported FDR's Social Security agenda.
Embora represente um tapa na cara do mito "progressista," as grandes empresas de modo algum se opõem uniformemente ao seguro nacional de saúde e a outras formas de seguro social. Atualmente, corporações gigantescas no setor de capital são as mais propensas a proporcionar seguro privado a seus empregados; e tal seguro é um dos componentes dos custos do trabalho que mais rapidamente ascende. Consequentemente, firmas que já proporcionam esse serviço à própria custa são as beneficiárias lógicas de um sistema nacionalizado. O efeito de tal sistema nacional de saúde seria remover o custo desse benefício como desvantagem competitiva das empresas que o prestassem. Mesmo se o estado requerer que apenas as grandes corporações do setor de monopólio proporcionem seguro de saúde, será uma melhora da situação atual, do ponto de vista do capital de monopólio: o seguro saúde deixaria de ser um componente de competição de preços entre as maiores firmas. Um sistema nacional de saúde proporciona vantagem competitiva às firmas de uma nação a expensas de suas competidoras estrangeiras, que têm de financiar seus próprios benefícios de saúde para os empregados -- daí a hostilidade estadunidense em relação à saúde nacional canadense, e suas repetidas tentativas de combatê-la por meio da Organização Mundial do Comércio - WTO. Os efeitos cartelizantes da socialização dos custos do seguro social, analogamente, foram um dos motivos pelos quais significativo segmento do capital de monopólio apoiou a agenda de Previdência Social de FDR.
Daniel Gross, although erroneously treating it as a departure from the mythical traditional big business hostility to the welfare state, has made the same point about more recent big business support of government health insurance. (69) Large American corporations, by shouldering the burden of health insurance and other employee benefits borne by the state in Europe and Japan, is at a competitive disadvantage both against companies there and against smaller firms here.
Daniel Gross, embora tratando o fato, erroneamente, como distanciamento da mítica tradicional hostilidade das grandes empresas ao estado assistencialista, expressou a mesma ideia acerca de apoio mais recente das grandes empresas ao seguro de saúde do governo. (69) Grandes corporações estadunidenses, mediante aceitarem o ônus do seguro de saúde e de outros benefícios aos empregados arcados pelo estado na Europa e no Japão encontram-se em desvantagem competitiva tanto em relação a outras empresas de lá quanto em relação a firmas menores aqui.
Democratic presidential candidate Dick Gephart, or rather his spokesman Jim English, admitted to a corporate liberal motivation for state-funded health insurance in his 2003 Labor Day address. Gephart's proposed mandatory employer coverage, with a 60% tax credit for the cost, would eliminate competition from companies that don't currently provide health insurance as an employee benefit. It would also reduce competition from firms in countries with a single-payer system. (70)
O candidato Democrático à presidência Dick Gephart, ou antes seu porta-voz Jim English, admitiu motivação liberal corporativa para seguro de saúde financiado pelo estado em seu discurso no Dia do Trabalho de 2003. A cobertura obrigatória pelo empregador proposta por Gephart, com um crédito tributário de 60% para o custo, eliminaria competição de empresas que atualmente não oferecem seguro de saúde como benefício para os empregados. Também reduziria a competição de firmas em países com sistema de pagange único. (70)
The level of technical training necessary to keep the existing corporate system running, the current level of capital intensiveness of production, and the current level of R&D efforts on which it depends, would none of them pay for themselves on a free market. The state's education system provides a technical labor force at public expense, and whenever possible overproduces technical specialists on the level needed to ensure that technical workers are willing to take work on the employers' terms. On this count, O'Connor quoted Veblen: the state answers capital's "need of a free suppy of trained subordinates at reasonable wages..." (71)
O nível de treinamento técnico necessário para manter em funcionamento o sistema corporativo hoje existente, o nível atual de intensividade de capital da produção, e o nível atual de esforços de R&D do qual ele depende, nenhum destes se pagaria num livre mercado. O sistema de educação do estado oferece uma força de trabalho técnica a expensas do público, e sempre que possível produz em excesso especialistas técnicos no nível necessário para assegurar que trabalhadores técnicos estejam dispostos a aceitar trabalho nas condições estipuladas pelo empregador. Nesse passo, O'Connor citou Veblen: o estado responde à "necessidade de um suprimento grátis de subordinados treinados com remuneração razoável..." do capital. (71)
The state's cartelization and socialization of the cost of reproducing a technically sophisticated labor force makes possible a far higher technical level of production than would support itself in a free market. The G.I. Bill was an integral part of the unprecedentedly high scale of state capitalism created during and after WWII.
A cartelização e socialização, pelo estado, do custo de reproduzir uma força de trabalho tecnicamente sofisticada torna possível nível técnico muito mais alto de produção do que aquele que se suportaria num livre mercado. O Projeto de Lei G.I. era parte integrante da alta escala sem precedentes do capitalismo de estado criado durante e depois da Segunda Guerra Mundial.
Technical-administrative knowledge and skills, unlike other forms of capital over which private capitalists claim ownership, cannot be monopolized by any one or a few industrial-finance interests. The discoveries of science and technology spill over the boundaries of particular corporations and industries, especially in the epoch of mass communications, electronic information processing, and international labor mobility. Capital in the form of knowledge resides in the specialized skills and abilities of the working class itself. In the context of a free market for laborpower... no one corporation or industry or industrial-finance interest group can afford to train its own labor force or channel profits into the requisite amount of R&D. Patents afford some protection, but there is no guarantee that a particular corporation's key employees will not seek positions with other corporations or industries. The cost of losing trained laborpower is especially high in companies that employ technical workers whose skills are specific to particular industrial process--skills paid for by the company in question. Thus, on-the-job training (OJT) is little used not because it is technically inefficient... but because it does not pay.
Conhecimento e perícia técnica-administrativa, diferentemente de outras formas de capital sobre as quais capitalistas privados reivindicam propriedade, não podem ser monopolizados por nenhum ou por alguns interesses industriais-financeiros. As descobertas da ciência e da tecnologia desbordam as fronteiras das corporações e indústrias específicas, especialmente na época das comunicações de massa, do processamento de informação eletrônica, e de mobilidade internacional do trabalho. O capital na forma de conhecimento reside nas perícias e habilidades especializadas da própria classe trabalhadora. No contexto de um livre mercado de força de trabalho... nenhuma corporação ou indústria ou grupo de interesse industrial-financeiro pode-se dar ao luxo de treinar sua própria força de trabalho ou destinar lucros na quantidade necessária para R&D. As patentes oferecem alguma proteção, mas não há garantia de que os empregados-chaves de uma corporação específica não procurem emprego em outras corporações ou setores/indústrias. O custo de perder força de trabalho treinada é especialmente alto em empresas que empregam trabalhadores técnicos cujas perícias sejam específicas para um processo industrial específico -- perícias pagas pela empresa em questão. Assim, pois, o treinamento em serviço (OJT) é pouco usado não porque seja tecnicamente ineficiente... mas porque não vale a pena.
Nor can any one corporation or industrial-finance interest afford to develop its own R&D or train the administrative personnel increasingly needed to plan, coordinate, and control the production and distribution process. In the last analysis, the state is required to coordinate R&D because of the high costs and uncertainty of getting utilizable results. (72)
Nem pode qualquer corporação ou interesse industrial-financeiro dar-se ao luxo de desenvolver seu próprio R&D ou treinar o pessoal administrativo cada vez mais necessário para planejar, coordenar e controlar o processo de produção e distribuição. Em última análise, o estado terá de coordenar R&D por causa dos altos custos e da incerteza de obtenção de resultados utilizáveis. (72)
At best, from the point of view of the employer, the state creates a "reserve army" of scientific and technical labor. At worst, when there is a shortage of such labor, the state at least absorbs the cost of producing it and removes it as a component of private industry's production costs. In either case, "the greater the socialization of the costs of variable capital, the lower will be the level of money wages, and... the higher the rate of profit in the monopoly sector." (73) And since the monopoly capital sector is able to pass its taxes onto the consumer or to the competitive capital sector, the effect is that "the costs of training technical laborpower are met by taxes paid by competitive sector capital and labor." (74)
Na melhor das hipóteses, do ponto de vista do empregador, o estado cria um "exército de reserva" de trabalho científico e técnico. Na pior, quando há escassez de tal trabalho, o estado pelo menos absorve o custo de produzi-lo e remove-o enquanto componente dos custos de produção da indústria privada. Em qualquer hipótese, "quanto maior a socialização dos custos de capital variável, menor será o nível de salários em dinheiro, e... maior o índice de lucro no setor monopolista." (73) E visto que o setor de capital monopolista consegue passar seus tributos ao consumidor ou para o setor de capital competitivo, o efeito é que "os custos de treinamento de força de trabalho técnica são pagos por tributos pagos pelo capital e pelo trabalho do setor competitivo." (74)
The "public" schools' curriculum can be described as "servile education." Its objective is a human product which is capable of fulfilling the technical needs of corporate capital and the state, but at the same time docile and compliant, and incapable of any critical analysis of the system of power it serves. The public educationist movement and the creation of the first state school systems, remember, coincided with the rising factory system's need for a work force that was trained in obedience, punctuality, and regular habits. Technical competence and a "good attitude" toward authority, combined with twelve years of conditioning in not standing out or making waves, were the goal of the public educationists.
O currículo das "escolas públicas" pode ser descrito como "educação servil." Seu objetivo é um produto humano capaz de atender às necessidades técnicas do capital corporativo e do estado mas, ao mesmo tempo, dócil e submisso, e incapaz de qualquer análise crítica do sistema de poder ao qual serve. O movimento educacionista público e a criação dos primeiros sistemas escolares estatais, lembremo-nos, coincidem com a necessidade do ascendente sistema fabril de uma força de trabalho treinada para obedecer, ser pontual e ter hábitos regulares. Competência técnica e "boa atitude" em relação à autoridade, conjugadas com doze anos de condicionamento em não resistir ou causar agitação eram a meta dos educacionistas públicos.
Even welfare expenses, although O'Connor classed them as a completely unproductive expenditure, are in fact another example of the state underwriting variable capital costs. Some socialists love to speculate that, if it were possible, capitalists would lower the prevailing rate of subsistence pay to that required to keep workers alive only when they were employed. But since that would entail starvation during periods of unemployment, the prevailing wage must cover contingencies of unemployment; otherwise, wages would be less than the minimum cost of reproducing labor. Under the welfare state, however, the state itself absorbs the cost of providing for such contingencies of unemployment, so that the uncertainty premium is removed as a component of wages in the "higgling of the market."
Até as despesas de assistencialismo, embora O'Connor as tenha classificado como gasto completamente improdutivo, são de fato outro exemplo da subscrição de custos de capital variável. Alguns socialistas adoram especular que, se fosse possível, os capitalistas reduziriam o índice prevalecente de pagamento de subsistência ao requerido para manter os trabalhadores vivos apenas enquanto eles estivessem empregados. Visto, porém, que isso implicaria em inanição durante períodos de desemprego; de outra forma, os salários seriam menores do que o custo mínimo de reproduzir trabalho. No estado assistencialista, porém, o próprio estado absorve o custo de prover para tais contingências de desemprego, de tal modo que o prêmio de incerteza é removido enquanto componente dos salários na "pechincha do mercado.(*)"

And leaving this aside, even as a pure "social expense," the welfare system acts primarily (in O'Connor's words) to "control the surplus population politically." (75) The state's subsidies to the accumulation of constant capital and to the reproduction of scientific-technical labor provide an incentive for much more capital-intensive forms of production than would have come about in a free market, and thus contribute to the growth of a permanent underclass of surplus labor; (76) the state steps in and undertakes the minimum cost necessary to prevent large-scale homelessness and starvation, which would destabilize the system, and to maintain close supervision of the underclass through the human services bureaucracy. (77)
E deixando-se isso de lado, mesmo como pura "despesa social," o sistema assistencialista age precipuamente (nas palavras de O'Connor) para "controlar a população excedente politicamente." (75) Os subsídios do estado à acumulação de capital constante e à reprodução de trabalho científico-técnico proporcionam incentivo para formas de produção muito mais capital-intensivas do que ocorreria num livre mercado, e portanto contribuem para o aumento de uma permanente classe baixa de trabalho excedente; (76) o estado acorre e assume a responsabilidade pelo custo mínimo necessário para impedir falta de teto e inanição em larga escala, o que desestabilizaria o sistema, e para manter estreita supervisão da classe baixa por meio da burocracia de serviços humanos. (77)
The general effect of the state's intervention in the economy, then, is to remove ever increasing spheres of economic activity from the realm of competition in price or quality, and to organize them collectively through organized capital as a whole. State socialism/state capitalism very much resembles the servile state prophesied by Hilaire Belloc. Sold to the general population as a "progressive" agenda on behalf of workers and consumers, it is in fact a system of industrial serfdom in which politically connected capitalist interests exploit workers and consumers through the agency of the state.
O efeito geral da intervenção do estado na economia, pois, é remover esferas sempre crescentes de atividade econômica do reino da competição em preço ou qualidade, e organizá-las coletivamente por meio do capital organizado como um todo. Socialismo de estado/capitalismo de estado parecem-se muito com o estado servil profetizado por Hilaire Belloc. Vendido á população em geral como uma agenda "progressista" em favor de trabalhadores e consumidores, é em realidade um sistema de servidão industrial no qual interesses capitalistas politicamente conexos exploram os trabalhadores e consumidores por meio da atuação do estado.d capitalist interests exploit workers and consumers through the agency of the state.
THE DRIVE FOR FOREIGN MARKETS
O ÍMPETO RUMO A MERCADOS ESTRANGEIROS
William Appleman Williams summarized the lesson of the 1890s in this way: "Because of its dramatic and extensive nature, the Crisis of the 1890's raised in many sections of American society the specter of chaos and revolution." (78) American economic elites saw it as the result of overproduction and surplus capital, and believed it could be resolved only through access to a "new frontier." Without state-guaranteed access to foreign markets, output would be too far below capacity, unit costs would be driven up, and unemployment would reach dangerous levels.
William Appleman Williams resumiu do seguinte modo a lição dos anos 1890: "Por causa de sua natureza dramática e extensa, a Crise dos anos 1890 suscitou, em muitos setores da sociedade estadunidense, o espectro do caos e da revolução." (78) As elites economicas estadunidenses viram-na como o resultado de superprodução e capital excedente, e acreditaram que ela só poderia ser resolvida por meio de acesso a "nova fronteira." Sem acesso a mercados estrangeiros garantido pelo estado, a produção cairia para muito aquém da capacidade, os custos unitários seriam impelidos para cima, e o desemprego atingiria nível perigoso.
The seriousness of the last threat was underscored by the radicalism of the Nineties. The Pullman Strike, Homestead, and the formation of the Western Federation of Miners (precursor to the IWW) were signs of dangerous levels of labor unrest and class consciousness. Coxey's Army marched on Washington, a small foretaste of the kinds of radicalism that could be produced by unemployment. The anarchist movement had a growing foreign component, more radical than the older native faction, and the People's Party seemed to have a serious chance of winning national elections. At one point Jay Gould, the mouthpiece of the robber barons, was threatening a capital strike (much like those in Venezuela recently) if the populists came to power. In 1894 businessman F. L. Stetson warned, "We are on the edge of a very dark night, unless a return of commercial prosperity relieves popular discontent." (79)
A gravidade da última das ameaças acima foi sublinhada pelo radicalismo dos anos Noventa. As Greves de Pullman e de Homestead e a formação da Federação Oeste dos Mineiros (precursora da IWW) foram sinais de perigoso nível de desassossego dos trabalhadores e consciência de classe. O Exército de Coxey marchou para Washington, pequena prefiguração dos tipos de radicalismo que poderiam ser produzidos pelo desemprego. O movimento anarquista contava com crescente componente estrangeiro, mais radical do que a facção nativa mais aintiga, e o Partido do Povo parecia ter séria chance de vencer as eleições nacionais. A certa altura Jay Gould, o porta-voz dos barões ladrões, ameaçou greve do capital (muito parecida com as da Venezuela recentemente) se os populistas chegassem ao poder. Em 1894 o empresário F. L. Stetson advertiu: "Estaremos à beira de uma noite muito escura, a menos que algum retorno da prosperidade comercial aplaque o descontentamento popular." (79)
Both business and government resounded with claims that U.S. productive capacity had outstripped the domestic market's ability to consume, and that the government had to take active measures to obtain outlets. In 1897 NAM president Theodore C. Search said, "Many of our manufacturers have outgrown or are outgrowing their home markets, and the expansion of our foreign trade is our only promise of relief." (80) In the same year, Albert J. Beveridge proclaimed: "American factories are making more than the American people can use; American soil is producing more than they can consume. Fate has written our policy for us; the trade of the world must and shall be ours." (81) As the State Department's Bureau of Foreign Commerce put it in 1898,
Tanto as empresas quanto o governo retumbaram com clamores de que a capacidade produtiva dos Estados Unidos havia sobrepujado a capacidade de consumo do mercado doméstico, e o governo teve de tomar medidas ativas para a obtenção de escoadouros. Em 1897 o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes - NAM Theodore C. Search disse: "Muitos de nossos fabricantes cresceram mais ou estão crescendo mais do que seus mercados domésticos, e a expansão de nosso comércio exterior é nossa única promessa de alívio." (80) No mesmo ano,  Albert J. Beveridge proclamou: "As fábricas estadunidenses estão fazendo mais do que o povo estadunidense pode usar; o solo estadunidense está produzindo mais do que as pessoas podem consumir. O destino escreveu nossa política para nós; o comércio do mundo tem de ser e será nosso." (81) Como disse o Bureau de Comércio Exterior do Departamento de Estado em 1898,
It seems to be conceded that every year we shall be confronted with an increasing surplus of manufactured goods for sale in foreign markets if American operatives and artisans are to be kept employed the year around. The enlargement of foreign consumption of the products of our mills and workshops has, therefore, become a serious problem of statesmanship as well as of commerce. (82)
Parece ser algo aceito que todo ano seremos confrontados com crescente excedente de bens manufaturados para venda em mercados externos se quisermos que trabalhadores fabris e artífices sejam mantidos empregados o ano todo. O aumento do consumo estrangeiro dos produtos de nossas fábricas e oficinas, portanto, tornou-se problema sério de estadismo, tanto quanto de comércio. (82)
In 1900, former Secretary of State John W. Foster wrote, "it has come to be a necessity to find new and enlarged markets for our agricultural and manufactured products. We cannot maintain our present industrial prosperity without them." (83)
Em 1900 o ex-Secretário de Estado John W. Foster escreveu: "veio a ocorrer necessidade de encontrar mercados novos e maiores para nossos produtos agrícolas e manufaturados. Não poderemos preservar nossa atual prosperidade industrial sem eles." (83)
Ohio governor McKinley emerged as spokesman for this new American consensus, proposing a combination of protective tariffs and reciprocity treaties to open foreign markets to American surplus output with help from the state. (84) As keynote speaker at an organizational meeting of the National Association of Manufacturers in 1895, he said:
O governador de Ohio McKinley emergiu como porta-voz do novo consenso estaunidense, propondo uma conjugação de tarifas protetoras e tratados de reciprocidade para abrir mercados estrangeiros para produção excedente estadunidense, com a ajuda do estado.  (84) Como orador principal de uma reunião organizacional da Associação de Fabricantes em 1895, disse:
We want our own markets for our manufactures and agricultural products.... [W]e want a foreign market for our surplus products.... We want a reciprocity which will give us foreign markets for our surplus products, and in turn that will open our markets to foreigners for those products which they produce and we do not. (85)
Desejamos nossos próprios mercados para nossa manufatura e nossos produtos agrícolas.... [D]esejamos mercado externo para nossos produtos excedentes.... Desejamos reciprocidade que nos dará mercados estrangeiros para nossos produtos excedents e por outro lado isso abrirá nossos mercados aos estrangeiros, no tocante àqueles produtos que eles produzem e nós não. (85)
The imperialism of McKinley and Roosevelt, and the resulting Spanish-American War, were outgrowths of this orientation. They were not, however, the only or obvious form of state policy for securing foreign markets. Much more typical of U.S. policy, in the coming years, was the orientation outlined in John Hay's Open Door Notes (the first was written in 1899), which Williams called "Open Door Empire."
O imperialismo de McKinley e Roosevelt, e a resultante Guerra Hispano-Estadunidense, foram rebentos dessa orientação. Não constituíram, porém, a única ou óbvia forma de política do estado para obtenção de mercados estrangeiros. Muito mais típico da política dos Estados Unidos, nos anos seguintes, foi a orientação delineada nas Notas de Portas Abertas (a primeira escrita em 1899) de John Hay, que Williams chamou de "Império de Portas Abertas."
Open Door imperialism consisted of using U.S. political power to guarantee access to foreign markets and resources on terms favorable to American corporate interests, without relying on direct political rule. Its central goal was to obtain for U.S. merchandise, in each national market, treatment equal to that afforded any other industrial nation. Most importantly, this entailed active engagement by the U.S. government in breaking down the imperial powers' existing spheres of economic influence or preference. The result, in most cases, was to treat as hostile to U.S. security interests any large-scale attempt at autarky, or any other policy whose effect was to withdraw a major area from the disposal of U.S. corporations. When the power attempting such policies was an equal, like the British Empire, the U.S. reaction was merely one of measured coolness. When it was perceived as an inferior, like Japan, the U.S. resorted to more forceful measures, as events of the late 1930s indicate. And whatever the degree of equality between advanced nations in their access to Third World markets, it was clear that Third World nations were still to be subordinated to the industrialized West in a collective sense.
O imperialismo de Portas Abertas consistia em usar o poder político dos Estados Unidos para garantir acesso a mercados e a recursos estrangeiros em termos favoráveis aos interesses corporativos estadunidenses, sem recurso a controle politico direto. O objetivo principal era conseguir para mercadorias dos Estados Unidos, em cada mercado nacional, tratamento igual àquele dado a qualquer outra nação industrial. Mais importante, isso implicava em envolvimento ativo do governo dos Estados Unidos em destruir as esferas de influência econômica ou de preferência de potências imperiais existentes. O resultado, na maioria dos casos, foi tratar como hostis aos interesses da segurança dos Estados Unidos qualquer tentativa de larga escala de autarquia, ou qualquer outra política cujo efeito fosse furtar qualquer área significativa da disponibilidade para corporações dos Estados Unidos. Quando a potência que tentasse tais políticas fosse uma igual, como o Império Britânico, as reações dos Estados Unidos eram apenas de sopesada frieza. Quando fosse percebida como inferior, como o Japão, os Estados Unidos recorriam a medidas mais rigorosas, como os eventos do final dos anos 1930 sugerem. E qualquer o grau de igualdade entre nações avançadas em seu acesso a mercados do Terceiro Mundo, ficava claro que ainda assim as nações do Terceiro Mundo deveriam ficar subordinadas ao Ocidente industrializado num sentido coletivo.
This Open Door system was the direct ancestor of today's neoliberal system, which is called "free trade" by its ideological apologists but is in fact far closer to mercantilism. It depended on active management of the world economy by dominant states, and continuing intervention to police the international economic order and enforce sanctions against states which did not cooperate. Woodrow Wilson, in a 1907 lecture at Columbia University, said:
Esse sistema de Portas Abertas foi o antepassado do sistema neoliberal de hoje, chamado de "livre comércio" por seus apologistas ideológicos mas, em realidade, mais próximo do mercantilismo. Dependia da gestão ativa da economia mundial por estados dominantes, e de contínua intervenção para policiar a ordem econômica mundial e de intervenção contínua para policiar a ordem econômica internacional e impor sanções a estados que não cooperassem. Woodrow Wilson, numa preleção na Columbia University, disse:
Since trade ignores national boundaries and the manufacturer insists on having the world as a market, the flag of his nation must follow him, and the doors of the nations which are closed must be battered down.... Concessions obtained by financiers must be safeguarded by ministers of state, even if the sovereignty of unwilling nations be outraged in the process. Colonies must be obtained or planted, in order that no useful corner of the world may be overlooked or left unused. Peace itself becomes a matter of conference and international combinations. (86)
Visto que o comércio ignora fronteiras e o fabricante insiste em ter o mundo como mercado, a bandeira deste país tem de acompanhá-lo, e as portas das nações que estiverem fechadas têm de ser postas abaixo.... Concessões obtidas por financistas têm de ser salvaguardadas por ministros de estado, mesmo se, nesse processo, a soberania das nações for desrespeitada. Colônias têm de ser obtidas ou semeadas, de tal modo que nenhum canto útil do mundo possa ser deixado negligenciado ou não usado. A própria paz torna-se assunto de conferências e combinações internacionais. (86)
Wilson warned during the 1912 election that "Our industries have expanded to such a point that they will burst their jackets if they cannot find a free [i.e., guaranteed by the state] outlet to the markets of the world." (87)
Wilson advertiu, durante a eleição de 1912, que "Nossas indústrias têm de expandir-se a tal ponto que seus corações explodirão se não puderem encontrar um escoadouro livre [isto é, garantido pelo estado] nos mercados do mundo." (87)
In a 1914 address to the National Foreign Trade Convention, Secretary of Commerce Redfield followed very nearly the same theme:
Em 1914, num discurso na Convenção Nacional de Comércio Exterior, o Secretário do Comércio Redfield retomou muito proximamente o mesmo tema:
...we have learned the lesson now, that our factories are so large that their output at full time is greater than America's market can continuously absorb [which, by he way, is the very definition of "over-accumulation"]. We know now that if we will run full time all the time, we must do it by reason of the orders we take from lands beyond the sea. To do less than that means homes in America in which the husbands are without work; to do that means factories that are shut down part of the time. (88)
...agora aprendemos a lição de que nossas fábricas são tão grandes que a produção delas de tempo integral é maior do que o mercado estadunidense pode absorver continuamente [o que, aliás, é a própria definição de "superacumulação"]. Sabemos agora que se trabalharmos em tempo integral o tempo todo, temos de fazê-lo por motivo das encomendas que recebemos de terras além do mar. Fazer menos do que isso significará lares nos Estados Unidos onde os maridos não terão trabalho; fazer isso significa fábricas fechadas parte do tempo. (88)
Under the Open Door system, the state and its loans were to play a central role in the export of capital. The primary purpose of foreign loans, historically, has been to finance the infrastructure which is a prerequisite for the establishment of enterprises in foreign countries. As Edward E. Pratt, chief of the Bureau of Foreign and Domestic Commerce, said in 1914:
No sistema de Portas Abertas, o estado e seus empréstimos deviam desempenhar papel central na exportação de capital. O objetivo principal dos empréstimos ao estrangeiro, historicamente, tem sido financiar a infraestrutura que representa pré-requisito para o estabelecimento de empresas em países estrangeiros. Como disse, em 1914, Edward E. Pratt, chefe do Bureau de Comércio Doméstico e Exterior:
...we can never hope to realize the really big prizes in foreign trade until we are prepared to loan capital to foreign nations and to foreign enterprise. The big prizes... are the public and private developments of large proportions, ...the building of railroads, the construction of public-service plants, the improvement of harbors and docks, ...and many others which demand capital in large amounts.... It is commonly said that trade follows the flag. It is much more truly said that trade follows the investment or the loan. (89)
...nunca poderemos esperar compreender os realmente grandes galardões em comércio exterior até que estejamos dispostos a emprestar capital a nações estrangeiras e a empresas estrangeiras. Os grandes galardões... são as obras públicas e privadas de grandes proporções, ...a construção de ferrovias, a construção de instalações de serviços públicos, o melhoramento de portos e docas, ...e muitas outras que demandam capital em grandes montantes.... É dito comumente que o comércio acompanha a bandeira. Muito mais verdade há em dizer-se que o comércio acompanha o investimento ou o empréstimo. (89)
It was, however, beyond the resources of individual firms or venture capitalists, or of the decentralized banking system, to raise the sums necessary for these tasks. One purpose of creating a central banking system (the Federal Reserve Act, 1914) was to make possible the large-scale mobilization of investment capital for overseas ventures. Under the New Deal, the mobilization began to take the form of direct state loans. (90) The state's financial policies, besides promoting the accumulation of capital for foreign investment, also underwrite foreign consumption of U.S. produce. As John Foster Dulles said in 1928, "We must finance our exports by loaning foreigners the where-with-all to pay for them...." (91) These two functions were perfected in the Bretton Woods system after WWII.
Estava, contudo, além dos recursos das firmas individuais ou dos capitalistas de risco, ou do sistema bancário descentralizado, levantar as somas necessárias para essas tarefas. Um dos motivos da criação de um sistema de bancos centrais (a Lei da Reserva Federal de 1914) foi tornar possível a mobilização em larga escala de capital de investimento para empreendimentos de risco no exterior. No Novo Pacto, a mobilização começou a tomar a forma de empréstimos diretos do estado. (90) As políticas financeiras do estado, além de promoverem a acumulação de capital para investimento no estrangeiro, também aceitavam responsabilidade financeira para consumo de produtos agrícolas dos Estados Unidos no exterior. Como disse, em 1928, John Foster Dulles: "Temos de financiar nossas exportações mediante emprestar aos estrangeiros todo o necessário para que eles as paguem...." (91) Essas duas funções foram aperfeiçoadas no sistema de Bretton Woods depois da Segunda Guerra Mundial.
The second Roosevelt's administration saw the guarantee of American access to foreign markets as vital to ending the Depression and the threat of internal upheaval that went along with it. Assistant Secretary of State Francis Sayre, chairman of Roosevelt's Executive Committee on Commercial Policy, warned: "Unless we can export and sell abroad our surplus production, we must face a violent dislocation of our whole domestic economy." (92) FDR's ongoing policy of Open Door Empire, faced with the withdrawal of major areas from the world market by the autarkic policies of the Greater East Asia Co-Prosperity Sphere and Fortress Europe, led to American entry into World War II, and culminated in the postwar establishment of what Samuel Huntington called a "system of world order" guaranteed both by global institutions of economic governance like the IMF, and by a hegemonic political and military superpower.
A segunda administração de Roosevelt viu a garantia de acesso estadunidense a mercados estrangeiros como vital para acabar com a Depressão e com a ameaça de levante interno que ia de par com ela. O Secretário Assistente de Estado Francis Sayre, chairman da Comissão Executiva de Políticas Comerciais de Roosevelt, advertiu: "A menos que possamos exportar e vender no exterior nossa produção excedente certamente enfrentaremos violenta desarticulação de toda a nossa economia doméstica." (92) A política vigente de FDR de Império de Portas Abertas, ao enfrentar a subtração de grandes áreas do mercado mundial em razão das políticas autárquicas da Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia e da Fortaleza Europa, levou à entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, e culminou na criação pós-guerra do que Samuel Huntington chamou de um "sistema de ordem mundial" garantido tanto pelas instituições globais de governança econômica como o FMI quanto por uma superpotência política e militar hegemônica.
In 1935, a War Department memorandum described the emerging Japanese threat in primarily economic terms. Japanese hegemony over Asia, it warned, would have "a direct influence on those people of Europe and America who depend on trade and commerce with this area for their livelihood." Germany, likewise, was defined as an "agressor" because of its trade policies in Latin America. (93)
Em 1935, um memorando do Departamento da Guerra descreveu a emergente ameaça japonesa precipuamente em termos econômicos. A hegemonia japonesa na Ásia, advertiu ele, teria "influência direta sobre aquelas pessoas da Europa e dos Estados Unidos que dependem de intercâmbio e comércio com essa área para seu sustento." A Alemanha, analogamente, foi definida como "agressora" por causa de suas políticas comerciais na América Latina. (93)
After the fall of western Europe in the spring of 1940, Assistant Secretary of State Breckinridge Long warned that "every commercial order will be routed to Berlin and filled under its orders somewhere in Europe rather than in the United States," resulting in "falling prices and declining profits here and a lowering of our standard of living with the consequent social and political disturbances." (94)
Depois da queda da Europa ocidental na privamera de 1940, o Secretário Assistente de Estado advertiu que "toda encomenda comercial será encaminhada para Berlim e atendida como parte de suas encomendas a partir de algum lugar da Europa e não dos Estados Unidos," resultando em "preços cadentes e lucros declinantes aqui e em rebaixamento de nosso padrão de vida com consequentes distúrbios sociais e políticos." (94)
Beginning in the Summer of 1940, the CFR and State Department undertook a joint study to determine the minimum portion of the world the U.S. would have to integrate with its own economy, to provide sufficient resources and markets for economic stability; it also explored policy options for reconstructing the postwar world. (95) Germany's continental system was far more self-sufficient in resources, and more capable of autarky, than was the United States. The study group also found that the U.S. economy could not survive in its existing form without access to the resources and markets of not only the Western Hemisphere, but also the British Empire and Far East (called the Grand Area). But the latter region was rapidly being incorporated into Japan's economic sphere of influence. FDR made the political decision to contest Japanese power in the Far East, and if necessary to initiate war. In the end, however, he successfully maneuvered Japan into firing the first shot. (96) The American policy that emerged from these struggles, to secure control over the markets and resources of the global "Grand Area" through institutions of global economic governance, resulted in the Bretton Woods system after the war.
Começando no Verão de 1940, o Conselho de Relações Exteriores - CFR e o Departamento de Estado empreenderam um estudo conjunto para determinar a porção mínima do mundo que os Estados Unidos teriam de integrar com sua própria economia, para proporcionarem recursos e mercados suficientes para estabilidade mundial; explorou também opções de políticas para reconstrução do mundo pós-guerra. (95) O sistema continental da Alemanha era muito mais autossuficiente em recursos, e mais capaz de autarquia, do que o dos Estados Unidos. O grupo do estudo também descobriu que a economia dos Estados Unidos não poderia sobreviver em sua forma então existente sem acesso aos recursos e mercados não apenas do Hemisfério Ocidental, mas também ao Império Britânico e ao Extremo Oriente (chamados A Grande Área). Contudo, essa última região estava rapidamente sendo incorporada à esfera de influência do Japão. FDR tomou a decisão política de contestar o poderio japonês no Extremo Oriente, e se necessário deflagrar guerra. No final, entretanto, ele manobrou bem-sucedidamente conseguindo que o Japão desse o primeiro tiro. (96) A política estadunidense que emergiu dessas lutas para assegurar o controle dos mercados e recursos da "Grande Área" global por meio de instituições de governança econômica glogal resultou, depois da guerra, no sistema de Bretton Woods.
The problem of access to foreign markets and resources was central to U.S. policy planning for a postwar world. Given the structural imperatives of "export dependent monopoly capitalism," the fear of a postwar depression was a real one. The original drive toward foreign expansion at the end of the nineteenth century reflected the fact that industry, with state capitalist encouragement, had expanded far beyond the ability of the domestic market to consume its output. Even before World War II, the state capitalist economy had serious trouble operating at the level of output needed for full utilization of capacity and cost control. Military-industrial policy during the war increased the value of plant and equipment by two-thirds. The end of the war, if followed by the traditional pattern of demobilization, would result in a drastic reduction in orders to this overbuilt industry at the same time that over ten million workers were dumped back into the civilian labor force. And four years of forced restraints on consumption had created a vast backlog of savings with no outlet in the already overbuilt domestic economy.
O problema de acesso a mercados e recursos estrangeiros foi central para o planejamento das políticas dos Estados Unidos para um mundo pós-guerra. Dados os imperativos estruturais do "capitalismo de monopólio dependente de exportações," o medo de uma depressão pós-guerra tinha base real. O ímpeto original rumo a expansão no estrangeiro no final do século dezenove refletia o fato de que a indústria, com estímulo do capitalismo de estado, havia-se expandido para muito além da capacidade do mercado interno consumir sua produção. Antes mesmo da Segunda Guerra Mundial a economia capitalista de estado teve sérios problemas concernentes ao nível de produção necessária para utilização plena da capacidade e controle de custos. A política militar-industrial durante a guerra aumentou o valor de fábricas e equipamentos em dois terços. O fim da guerra, se acompanhado do padrão tradicional de desmobilização, resultaria em drástica redução de encomendas dirigidas a essa indústria superdimensionada, simultaneamente ao retorno de mais de dez milhões de trabalhadores devolvidos à força de trabalho civil. E quatro anos de limitações obrigatórias de consumo haviam criado vasto passivo de economias sem escoadouro na já superdimensionada economia doméstica.
In November 1944, Dean Acheson addressed the Congressional committee on Postwar Economic Policy and Planning. He stressed the consequences if the war were be followed by a slide back into depression: "it seems clear that we are in for a very bad time, so far as the economic and social position of the country is concerned. We cannot go through another ten years like the ten years at the end of the twenties and the beginning of the thirties, without having the most far-reaching consequences upon our economic and social system." The problem, he said, was markets, not production. "You don't have a problem of production.... The important thing is markets. We have got to see that what the country produces is used and is sold under financial arrangements which make its production possible." Short of the introduction of a command economy, with controls over income and distribution to ensure the domestic consumption of all that was produced, Acheson said, the only way to achieve full output and full employment was through access to foreign markets. (97)
Em novembro de 1944 Dean Acheson falou à comissão do Congresso para Política e Planejamento Econômicos Pós-Guerra. Enfatizou as consequências, caso a guerra fosse seguida de retrocesso rumo à depressão: "parece claro estarmos rumando para tempo muito ruim, no que concerne à posição econômica e social do país. Não podemos atravessar mais dez anos semelhantes aos do final dos anos vinte e do começo dos anos trinta sem ter as consequências de mais amplo alcance em nosso sistema social e econômico." O problema, disse ele, era os mercados, não a produção. "Não temos um problema de produção.... O importante é os mercados. Temos de cuidar para que o que o país produz seja usado e vendido sob acordos  financeiros que tornem sua produção possível." Fora a introdução de uma economia regulamentada, com controles sobre a renda e a distribuição para assegurar o consumo doméstico de todo o produzido, disse Acheson, a única maneira de conseguir produção plena e pleno emprego era mediante acesso a mercados estrangeiros. (97)
A central facet of postwar economic policy, as reflected in the Bretton Woods agencies, was state intervention to guarantee markets for the full output of U.S. industry. The World Bank was designed to subsidize the export of capital to the Third World, by financing the infrastructure without which Western-owned production facilities could not be established there. The International Monetary Fund was created to facilitate the purchase of American goods abroad, by preventing temporary lapses in purchasing power as a result of foreign exchange shortages. It was "a very large international currency exchange and credit-granting institution that could be drawn upon relatively easily by any country that was temporarily short of any given foreign currency due to trade imbalances." (98)
Uma faceta central da política econômica pós-guerra, como refletida nos órgãos de Bretton Woods, era a intervenção do estado para garantir mercados para a produção plena da indústria estadunidense. O Banco Central foi projetado para subsidiar a exportação de capital para o Terceiro Mundo, mediante financiar a infraestrutura sem a qual as instalações de produção de propriedade Ocidental não poderiam ser lá estabelecidas. O Fundo Monetário Internacional foi criado para facilitar a compra de bens estadunidenses no exterior, impedindo lapsos temporários do poder aquisitivo decorrentes de deficiências de câmbio exterior. Era "uma instituição muito grande de troca de moeda e concessão de crédito à qual podia recorrer de modo relativamente fácil qualquer país que estivesse temporariamente carente de qualquer dada moeda estrangeira por causa de desequilíbrios comerciais." (98)
The Bretton Woods system by itself, however, was not nearly sufficient to ensure the levels of output needed to keep production facilities running at full capacity. First the Marshall Plan, and then the permanent war economy of the Cold War, came to the rescue.
Em si, porém, o sistema de Bretton Woods nem de perto era suficiente para assegurar os níveis de escoamento necessários para manter as instalações de produção funcionando em capacidade plena. Acorreram em socorro primeiro o Plano Marshall, e depois a economia de guerra permanente da Guerra Fria.
The Marshall Plan was devised in reaction to the impending economic slump predicted by the Council of Economic advisers in early 1947 and the failure of Western Europe "to recover from the war and take its place in the American scheme of things." Undersecretary of State for Economic Affairs Clayton declared that the central problem confronting the United States was the disposal of its "great surplus." (99) Dean Acheson defended the Marshall Plan in a May 1947 address:
O Plano Marshall foi concebido em reação ao iminente colapso econômico previsto pelo Conselho de Assessores Econômicos no início de 1947 e ao fracasso da Europa Ocidental em "recuperar-se da guerra e assumir seu lugar no esquema estadunidense das coisas." O Subsecretário de Estado de Assuntos Econômics Clayton declarou que o problema central confrontando os Estados Unidos era dar fim a seu "grande excedente." (99) Dean Acheson defendeu o Plano Marshall num discurso em maio de 1947:
The extreme need of foreign countries for American products is likely... to continue undiminished in 1948, while the capacity of foreign countries to pay in commodities will be only slightly increased.... What do these facts of international life mean for the United States and for United States foreign policy? ...the United States is going to have to undertake further emergency financing of foreign purchases if foreign countries are to continue to buy in 1948 and 1949 the commodities which they need to sustain life and at the same time rebuild their economies.... (100)
A extrema necessidade que têm países estrangeiros de produtos estadunidense provavelmente... continuará sem redução em 1948, enquanto a capacidade de países estrangeiros de pagar em commodities aumentará apenas ligeiramente.... O que esses fatos da vida internacional significam para os Estados Unidos e para a política externa dos Estados Unidos? ...os Estados Unidos terão de empreender financiamento adicional de emergência de compras externas, se é para países estrangeiros continuarem a comprar em 1948 e 1949 os commodities de que precisam para manter a vida e ao mesmo tempo reconstruir suas economias.... (100)
One New Deal partisan implicitly compared foreign economic expansion to domestic state capitalism as analogous forms of surplus disposal: "it is as if we were building a TVA every Tuesday." (101)
Um partidário do Novo Pacto implicitamente comparou a expansão econômica no estrangeiro com o capitalismo doméstico de estado como formas análogas de escoamento de excedente: "é como se estivéssemos construindo uma TVA toda terça-feira." (101)
Besides facilitating the export of capital, the Bretton Woods agencies play a central role in the discipline of recalcitrant regimes. There is a considerable body of radical literature on the Left on the use of debt as a political weapon to impose pro-corporate policies on Third World governments, analogous to the historic function of debt in keeping miners and sharecroppers in their place. (102)  But one of the most apt statements of the process was by a Rothbardian, Sean Corrigan:
Além de facilitar a exportação de capital, os órgãos de Bretton Woods desempenham papel central na disciplina de regimes recalcitrantes. Há considerável corpo de literatura radical na Esquerda acerca do uso da dívida como arma política para impor políticas pró-corporativas a governos do Terceiro Mundo, análogo à função histórica da dívida para manter mineiros e meeiros em seu lugar. (102)  Entanto, uma das declarações mais elucidativas do processo foi a de um rothbardiano, Sean Corrigan:
Does he not know that the whole IMF-Treasury carpet-bagging strategy of full-spectrum dominance is based on promoting unproductive government-led indebtedness abroad, at increasingly usurious rates of interest, and then--either before or, more often these days, after, the point of default--bailing out the Western banks who have been the agents provocateurs of this financial Operation Overlord, with newly-minted dollars, to the detriment of the citizenry at home?
Não sabe ele que toda a estratégia de aventureirismo político do FMI-Tesouro de domínio de pleno espectro está baseada em promover endividamento improdutivo promovido pelos governos no exterior, com taxas de juros cada vez mais típicas de agiotas, e então -- ou antes ou, mais amiúde hoje em dia, depois do ponto de endividamento máximo -- tirar do aperto os bancos ocidentais que foram os agentes provocadores dessa Operação financeira Overlord, dólares recém-emitidos, em detrimento dos cidadãos de casa?
Is he not aware that, subsequent to the collapse, these latter-day Reconstructionists must be allowed to swoop and to buy controlling ownership stakes in resources and productive capital made ludicrously cheap by devaluation, or outright monetary collapse?
Não sabe ele que, subsequentemente ao colapso, esses Reconstrucionistas dos últimos dias forçosamente terão permissão para meter as mãos e comprar interesses de controle de propriedade em recursos e capital produtivo tornados ridiculamente baratos por causa de desvalorização, ou colapso monetário completo?
Does he not understand that he must simultaneously coerce the target nation into sweating its people to churn out export goods in order to service the newly refinanced debt, in addition to piling up excess dollar reserves as a supposed bulwark against future speculative attacks (usually financed by the same Western banks' lending to their Special Forces colleagues at the macro hedge funds)--thus ensuring the reverse mercantilism of Rubinomics is maintained? (103)
Não entende ele que precisará simultaneamente coagir a nação alvo a fazer seu povo mourejar para produzir rapidamente bens de exportação para o serviço da dívida recentemente refinanciada, além de amealhar excesso de reservas em dólar como pretenso baluarte contra futuros ataques especulativos (geralmente financiado pelos mesmos empréstimos dos bancos ocidentais a seus colegas das Forças Especiais dos grandes fundos de hedge) -- assegurando assim a manutenção do mercantilismo reverso da rubinomia? (103)
The American economy could have had access to the resources it was willing to buy on mutually satisfactory terms, and marketed its own surplus to those countries willing to buy it, without the apparatus of transnational corporate mercantilism. Such a state of affairs would have been genuine free trade. What the American elite really wanted, however, has been ably stated by Thomas Friedman in one of his lapses into frankness:
A economia estadunidense poderia ter tido acesso aos recursos que desejava comprar em termos mutuamente satisfatórios, e vendido seu próprio excedente àqueles países que desejassem comprá-lo, sem o aparato do mercantilismo corporativo transnacional. Tal situação teria constituído genuíno livre comércio. O que a elite estadunidense realmente desejava, contudo, foi perspicazmente declarado por Thomas Friedman em um de seus lapsos de franqueza:
For globalism to work, America can't be afraid to act like the almighty superpower it is.... The hidden hand of the market will never work without a hidden fist--McDonald's cannot flourish without McDonnell Douglas, the designer of the F-15. And the hidden fist that keeps the world safe for Silicon Valley's technologies is called the United States Army, Air Force, Navy and Marine Corps. (104)
Para que o globalismo funcione, os Estados Unidos não podem temer agir como a todo-poderosa superpotência que são.... A mão oculta do mercado nunca funcionará sem um punho oculto -- a McDonald's não pode florescer sem a McDonnell Douglas, projetista do F-15. E o punho oculto que mantém o mundo seguro para as tecnologias do Vale do Silicone é chamado de Exército, Força Aérea, Marinha e Corpo de Marines dos Estados Unidos. (104)
It was not true that the American corporate economy was ever in any real danger of losing access to the raw materials it needed, in the absence of an activist foreign policy to secure access to those resources. As many free market advocates point out, countries with disproportionate mineral wealth--say, large oil reserves--are forced to center a large part of their economic activity on the extraction and sale of those resources. And once they sell them, the commodities enter a world market in which it is virtually impossible to control who eventually buys them. The real issue, according to Baran and Sweezy, is that the American corporate economy depended on access to Third World resources on favorable terms set by the United States, and those favorable terms depended on the survival of pliable regimes.
Não era verdade que a economia corporativa estadunidense tivesse jamais estado em perigo de perder acesso às matérias-primas de que precisava, na ausência de uma política externa ativista para garantir acesso seguro àqueles recursos. Como ressaltam muitos defensores do livre mercado, países com riqueza mineral desproporcional -- digamos, grandes reservas de petróleo -- são forçados a centralizar grande parte de sua atividade econômica na extração e venda desses recursos. E, uma vez que os vendam, os commodities entram num mercado mundial onde é praticamente impossível controlar quem finalmente os compra. A questão real, de acordo com Baran e Sweezy, é que a economia corporativa estadunidense dependia de acesso a recursos do Terceiro Mundo em termos favoráveis estabelecidos pelos Estados Unidos, e esses termos favoráveis dependiam da sobrevivência de regimes dóceis.
But this [genuine free trade in resources with the Third World on mutually acceptable terms] is not what really interests the giant multinational corporations which dominate American policy. What they want is monopolistic control over foreign sources of supply and foreign markets, enabling them to buy and sell on specially privileged terms, to shift orders from one subsidiary to another, to favor this country or that depending on which has the most advantageous tax, labor, and other policies--in a word, they want to do business on their own terms and wherever they choose. And for this what they need is not trading partners but "allies" and clients willing to adjust their laws and policies to the requirements of American Big Business. (105)
Isso, porém [genuíno livre comércio de recursos com o Terceiro Mundo em termos mutuamente aceitáveis] não é o que realmente interessa às corporações multinacionais gigantescas que dominam a política estadunidense. O que elas desejam é controle monopolista das fontes estrangeiras de suprimentos e dos mercados estrangeiros, permitindo-lhes comprar e vender em termos especialmente privilegiados, desviar encomendas de uma subsidiária para outra, favorecer este país ou aquele dependendo de qual ofereça os mais vantajosos tributos, trabalho e outras políticas -- em uma palavra, desejam fazer negócios segundo seus próprios termos e onde escolherem. E para isso do que precisam não é de parceiros comerciais, e sim de "aliados" e clientes dispostos a ajustar suas leis e políticas às exigências das Grandes Empresas Estadunidenses. (105)
The "system of world order" enforced by the U.S. since World War II, and lauded in Friedman's remarks about the "visible hand," is nearly the reverse of the classical liberal notion of free trade. This new version of "free trade" is aptly characterized in this passage by Layne and Schwarz:
O "sistema de ordem mundial" imposto pelos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, e louvado nas observações de Friedman acerca da "mão visível," é praticamente o inverso da noção liberal clássica de livre comércio. Essa nova versão de "livre comércio" é perpicazmente caracterizada nesta passagem de Layne e Schwarz:
The view that economic interdependence compels American global strategic engagement puts an ironic twist on liberal internationalist arguments about the virtues of free trade, which held that removing the state from international transactions would be an antidote to war and imperialism....
O ponto de vista de que a interdependência econômica compele os Estados Unidos a envolvimento estratégico global insere uma irônica torção nos argumentos internacionalistas liberais acerca das virtudes do livre comércio, os quais afirmavam que tirar o estado das transações internacionais representaria antídoto contra guerra e imperialismo....
....Instead of subscribing to the classical liberal view that free trade leads to peace, the foreign policy community looks to American military power to impose harmony so that free trade can take place. Thus, U.S. security commitments are viewed as the indispensable precondition for economic interdependence. (106)
....Em vez de subscrever o ponto de vista liberal clássico de que o livre comércio leva à paz, a comunidade de política externa recorre ao poderio militar estadunidense para impor harmonia a fim de que o livre comércio possa ter lugar. Assim, pois, os compromissos de segurança dos Estados Unidos são vistos como precondição indispensável para que haja interdependência econômica. (106)
Oliver MacDonagh pointed out that the modern neoliberal conception, far from agreeing with Cobden's idea of free trade, resembled the "Palmerstonian system" that the Cobdenites so despised. Cobden objected, among other things, to the "dispatch of a fleet 'to protect British interests' in Portugal," to the "loan-mongering and debt-collecting operations in which our Government engaged either as principal or agent," and generally, all "intervention on behalf of British creditors overseas." Cobden favored the "natural" growth of free trade, as opposed to the forcible opening of markets. Genuine free traders, in MacDonagh's words, "hunted down confusions of 'free trade' with mere increases of commerce or with the forcible 'opening up' of markets." (107)
Oliver MacDonagh destacou que a moderna concepção neoliberal, londe de concordar com a ideia de Cobden de livre mercado, parecia-se com o "sistema palmerstoniano" que dos cobdenitas tanto desprezavam. Cobden objetava, entre outras coisas, ao "envio de uma frota 'para proteger interesses britânicos' em Portugal," às "operações de incentivo a empréstimos e cobrança de dívidas nas quais nosso Governo se tenha envolvido como representado ou como agente," e, de maneira geral, a toda "intervenção em favor de credores britânicos no exterior." Cobden era a favor do "aumento natural" do livre comércio, por oposição à abertura de mercados pela força. Livrecomercistas genuínos, nas palavras de MacDonagh, "criticavam confusões de 'livre comércio' com meros aumentos de comércio ou com a 'abertura' de mercados pela força." (107)
I can't resist quoting Joseph Stromberg's only half tongue-in-cheek prescription "How to Have Free Trade":
Não posso resistir a citar a única receita semi-humorística de Joseph Strombert "Como Ter Livre Comércio":
For many in the US political and foreign policy Establishment, the formula for having free trade would go something like this: 1) Find yourself a global superpower; 2) have this superpower knock together the heads of all opponents and skeptics until everyone is playing by the same rules; 3) refer to this new imperial order as "free trade;" 4) talk quite a bit about "democracy." This is the end of the story except for such possible corollaries as 1) never allow rival claimants to arise which might aspire to co-manage the system of "free trade"; 2) the global superpower rightfully in charge of world order must also control the world monetary system....
Para muita gente no Establishment político e de política externa dos Estados Unidos a fórmula para ter-se livre mercado seria algo do tipo 1) Descubra uma superpotência; 2) faça com que essa superpotência dobre opositores e céticos até todo mundo passar a jogar pelas mesmas regras; 3) chame essa nova ordem imperial de "livre comércio;" 4) fale bastante sobre "democracia." Esse é o fim da história exceto quanto a possíveis corolários tais como 1) nunca permita surgirem pretendentes rivais que possam aspirar a coadministrar o sistema de "livre comércio"; 2) a superpotência global por direito encarregada da ordem mundial terá também de controlar o sistema monetário mundial....
The formula outlined above was decidedly not the 18th and 19th-century liberal view of free trade. Free traders like Richard Cobden, John Bright, Frederic Bastiat, and Condy Raguet believed that free trade is the absence of barriers to goods crossing borders, most particularly the absence of special taxes - tariffs - which made imported goods artificially dear, often for the benefit of special interests wrapped in the flag under slogans of economic nationalism....
A fórmula acima delineada não é, decididamente, o ponto de vista liberal acerca do livre comércio dos séculos 18 e 19. Livrecomercistas como Richard Cobden, John Bright, Frederic Bastiat e Condy Raguet acreditavam que o livre comércio consiste na ausência de barreiras a os bens cruzarem as fronteiras, muito particularmente a ausência de tributos especiais - tarifas - que tornam os bens importados artificialmente caros, amiúde para benefício de interesses especiais envoltos na bandeira debaixo de slogans de nacionalismo econômico....
Classical free traders never thought it necessary to draw up thousands of pages of detailed regulations to implement free trade. They saw no need to fine-tune a sort of Gleichschaltung (co-ordination) of different nations labor laws, environmental regulations, and the host of other such issues dealt with by NAFTA, GATT, and so on. Clearly, there is a difference between free trade, considered as the repeal, by treaty or even unilaterally, of existing barriers to trade, and modern "free trade" which seems to require truckloads of regulations pondered over by legions of bureaucrats.
Os livrecomercistas clássicos nunca pensaram ser necessário elaborar milhares de páginas de regulamentos para a implementação do livre comércio. Não viam nenhuma necessidade de refinar uma espécie de Gleichschaltung (coordenação) de leis do trabalho de diferentes nações, regulamentações ambientais e o bando de outras questões da espécie objeto de NAFTA, GATT e assim por diante. Claramente, há uma diferença entre livre comércio, considerado como a rejeição, por tratado ou mesmo unilateralmente, de barreiras existentes ao comércio, e o moderno "livre comércio" que parece requerer enorme carga de regulamentação objeto de consideração de legiões de burocratas.
This sea-change in the accepted meaning of free trade neatly parallels other characteristically 20th-century re-definitions of concepts like "war," "peace," "freedom," and "democracy," to name just a few. In the case of free trade I think we can deduce that when, from 1932 on, the Democratic Party - with its traditional rhetoric about free trade in the older sense - took over the Republicans project of neo-mercantilism and economic empire, it was natural for them to carry it forward under the "free trade" slogan. They were not wedded to tariffs, which, in their view, got in the way of implementing Open Door Empire. Like an 18th-century Spanish Bourbon government, they stood for freer trade within an existing or projected mercantilist system. They would have agreed, as well, with Lord Palmerston, who said in 1841, "It is the business of Government to open and secure the roads of the merchant." ....
Essa mudança drástica do significado aceito de livre comércio claramente faz paralelo com outras redefinições de conceitos caracteristicamente do século 20 tais como "guerra," "paz," "liberdade" e "democracia," para citar apenas algumas. No caso do livre comércio acredito podermos deduzir que quando, de 1932 em diante, o Partido Democrático - com sua retórica tradicional acerca de livre comércio no sentido antigo - assumiu o projeto dos Republicanos de neomercantilismo e de império econômico, tornou-se natural para ele levá-lo avante debaixo do slogan de "livre comércio." Ele não era entusiasta de tarifas, as quais, de seu ponto de vista, obstruía o caminho de implementação do Império de Portas Abertas. Como um governo espanhol Bourbon do século 18, defendia comércio mais livre dentro de um sistema mercantilista existente ou projetado. Teria concordado, igualmente, com Lord Palmerston, que disse, em 1841: "É da alçada do Governo abrir e garantir as estradas do mercador." ....
Here, John A. Hobson... was directly in the line of real free-trade thought. Hobson wrote that businessmen ought to take their own risks in investing overseas. They had no right to call on their home governments to "open and secure" their markets. (108)
Neste ponto, John A. Hobson... estava diretamente na linha do real pensamento de livre comércio. Hobson escreveu que os homens de negócios deveriam aceitar seus próprios riscos ao investir no exterior. Não tinham o direito de recorrer aos governos de seus países para que esses "abrissem e garantissem" seus mercados. (108)
And by the way, it's doubtful superpower competition with the Soviets had much to do with the role of the U.S. in shaping the postwar "system of world order," or in acting as "hegemonic power" in maintaining that system of order. Layne and Schwarz cited NSC-68 to the effect that the policy of "attempting to develop a healthy international community" was "a policy which we would probably pursue even if there were no Soviet threat."
E, a propósito, é duvidoso que a competição de superpotências com os soviéticos tivesse muito a ver com o papel dos Estados Unidos em darem forma ao "sistema de ordem mundial" pós-guerra, ou em atuarem como "potência hegemônica" na manutenção daquele sistema de ordem. Layne e Schwarz citaram o Relatório 58 do Conselho de Segurança Nacional - NSC-68 para o efeito de que a política de "tentar desenvolver uma comunidade internacional sadia" era "uma política que perseguiríamos mesmo se não houvesse ameaça soviética."
Underpinning U.S. world order strategy is the belief that America must maintain what is in essence a military protectorate in economically critical regions to ensure that America's vital trade and financial relations will not be disrupted by political upheaval. This kind of economically determined strategy articulated by the foreign policy elite ironically (perhaps unwittingly) embraces a quasi-Marxist or, more correctly, a Leninist interpretation of American foreign relations. (109)
Embasando a estratégia de ordem mundial dos Estados Unidos está a crença de que os Estados Unidos têm de manter o que é, em essência, um protetorado militar em regiões economicamente críticas para assegurar que o comércio e as relações financeiras vitais dos Estados Unidos não serão rompidos por causa de sublevação política. Esse tipo de estratégia determinada economicamente articulada pela elite de política externa ironicamente dá acolhida (talvez sem consciência) uma interpretação quase-marxista ou, mais corretamente, leninista das relações exteriores estadunidenses. (109)
It is worth bearing in mind that the policy planners who designed the Bretton Woods system and the rest of the postwar framework of world order paid little or no mind to the issue of Soviet Russia's prospective role in the world. The record that appears, rather, in Shoup and Minter's heavily documented account, is full of references to the U.S. as a successor to Great Britain as guarantor of a global political and economic order, and to U.S. global hegemony as a war aim (even before the U.S. entered the war). As early as 1942, when Soviet Russia's continued existence was very much in doubt, U.S. policy makers were referring to "domination after the war," "Pax Americana," and "world control." To quote G. William Domhoff, "the definition of the national interest that led to these interventions was conceived in the years 1940-42 by corporate planners in terms of what they saw as the needs of the American capitalist system, well before communism was their primary concern." (110)
Vale ter em mente que os planejadores de políticas que projetaram o sistema de Bretton Woods e o resto do arcabouço pós-guerra da ordem mundial deram pouca ou nenhuma atenção à questão do papel em perspectiva da Rússia Soviética no mundo. O histórico que aparece, antes, na descrição fartamente documentada de Shoup e Minter está cheio de referências aos Estados Unidos como sucessores da Grã-Bretanha como garantidora de uma ordem política e econômica global, e à hegemonia global dos Estados Unidos como um objetivo de guerra (mesmo antes de os Estados Unidos terem entrado na guerra). Tão cedo quanto em 1942, quando a continuação da existência da Rússia soviética era objeto de muita dúvida, os formuladores de políticas dos Estados Unidos referiam-se ao "domínio depois da guerra," à "Pax Americana," e a "controle do mundo." Para citar G. William Domhoff, "a definição do interesse nacional que levou a essas intervenções foi concebida nos anos 1940-42 por planejadores corporativos em termos do que eles viam como as necessidades do sistema capitalista estadunidense, muito antes de o comunismo ser sua preocupação principal." (110)
Considering the continuity in the pattern of U.S. Third World intervention during the Cold War with its gunboat diplomacy of the 20s and 30s, or with its actions as the world's sole superpower since the fall of communism, should also be instructive. Indeed, since the collapse of the USSR, the U.S. has been frantically scrambling to find (or create) another enemy sufficient to justify continuing its role as world policeman.
Considerar a continuidade do padrão de intervenção dos Estados Unidos no Terceiro Mundo durante a Guerra Fria com sua diplomacia das canhoeiras dos anos 20 e 30, ou com suas ações como única superpotência do mundo desde a queda do comunismo, também deveria ser instrutivo. Na verdade, desde o colapso da URSS os Estados Unidos vêm-se esforçando freneticamente para encontrar (ou criar) outro inimigo suficiente para justificar a continuação de seu papel de policial do mundo.
If anything, the Cold War with the Soviet Union appears almost as an afterthought to American planning for a postwar order. Far from being the cause of the U.S. role as guarantor of a system of world order, the Soviet Empire acted as a spoiler to U.S. plans for acting as a sole global superpower. Any rival power which has refused to be incorporated into the Grand Area, or which has encouraged other countries (by "defection from within") to withdraw from the Grand Area, historically, has been viewed as an "aggressor." Quoting Domhoff once again,
Se alguma coisa, a Guerra Fria com a União Soviética parece quase como uma reflexão tardia do planejamento estadunidense relatio  uma ordem pós-guerra. Longe de ser a causa do papel dos Estados Unidos como garantidores de um sistema de ordem mundial, o Império Soviético atuou como estragadora dos planos dos Estados Unidos para atuarem como única superpotência mundial. Qualquer poder rival que se tenha recusado a ser incorporado na Grande Área, ou que tenha estimulado outros países (por "defecção a partir de dentro") a retirar-se da Grande Área, historicamente, passou a ser visto como "agressor." Citando mais uma vez Domhoff,
....I believe that anticommunism became a key aspect of foreign policy only after the Soviet Union, China, and their Communist party allies became the challengers to the Grand Area conception of the national interest. In a certain sense..., they merely replaced the fascists of Germany and Japan as the enemies of the international economic and political system regarded as essential by American leaders. (111)
....Acredito que o anticomunismo tornou-se aspecto decisivo da política externa só depois de União Soviética, China e seus aliados do partido comunista tornaram-se questionadores da concepção de Grande Área do interesse nacional. Em certo sentido..., eles meramente substituíram os fascistas da Alemanha e do Japão como inimigos do sistema econômico e político internacional visto como essencial pelos líderes estadunidenses. (111)
Likewise, as Domhoff's last sentence in the above quote suggests, any country which has interfered with U.S. attempts to integrate the markets and resources of any region of the world into its international economic order has been viewed as a "threat." The Economic and Financial Group of the CFR/State Department postwar planning project, produced, on July 24, 1941, a document (E-B34), warning of the need for the United States to "defend the Grand Area," not only against external attack by Germany, but against "defection from within," particularly against countries like Japan (which, along with the rest of east Asia, was regarded as part of the Grand Area) bent on "destroying the area for its own political reasons." (112)
Analogamente, como a última sentença de Domhoff na última sentença da citação acima sugere, qualquer país que tenha interferido nas tentativas dos Estados Unidos de integrar os mercados e recursos de qualquer região do mundo em sua ordem econômica internacional passou a ser visto como "ameaça." O Grupo Econômico e Financeiro do projeto de planejamento pós-guerra do Conselho de Relações Exteriores - CFR/Departamento de Estado produziu, em 24 de julho de 1941, um documento (E-B34) advertindo da necessidade de os Estados Unidos  "defenderem a Grande Área" não apenas de ataque externo da Alemanha mas de "defecção vinda de dentro," particularmente de países como Japão (que, juntamente com o resto da Ásia, era visto como parte da Grande Área) determnados a "destruir a área por suas próprias razões políticas." (112)
"EXPORT-DEPENDENT MONOPOLY CAPITALISM" (With a Brief Digression on Economy of Scale)
"CAPITALISMO DE MONOPÓLIO DEPENDENTE DE EXPORTAÇÕES" (Com Breve Digressão acerca de Economia de Escala)
According to Stromberg and the Austrians, this chronic problem of surplus output was not a natural result of the free market, but rather of a cartelized economy. J.A. Hobson argued that "over-saving" was caused by "rents, monopoly profits, and other unearned excessive profits", and called, in proto-Keynesian fashion, for the state to step in and remedy the problem of "mal-distribution of consuming power." (113) Such arguments are commonly dismissed, on the libertarian right, as violations of Say's Law.
De acordo com Stromberg e os Austríacos, esse problema crônico de produção excedente não era resultado natural do livre mercado e sim, antes, de uma economia cartelizada. J.A. Hobson argumentava que o "excesso de poupança" era causado por "rents, lucros de monopólio e outros lucros excessivos não resultantes do trabalho", e preconizou, de maneira protokeynesiana, que o estado entrasse em cena e solucionasse o problema da "má distribuição de poder de consumo." (113) Tais argumentos são comumente negligenciados, na direita libertária, como violações da Lei de Say.
But Say's Law applies only to a free market. As Stromberg points out, a genuine maldistribution of consuming power results from the state's intervention to transfer wealth from its real producers to a politically connected ruling class. And neo-Marxists' work on over-accumulation has shown us that the evils that Keynesianism was designed to remedy, in a state capitalist economy, are quite real. The State promotes the accumulation of capital on a scale beyond which its output can be absorbed (at its cartelized prices) by private demand; and therefore capital relies on the State to dispose of this surplus.
Sucede que a Lei de Say só se aplica a um livre mercado. Como Stromberg destaca, uma má distribuição genuína de poder de consumo resulta da intervenção do estado para transferir riqueza de seus reais produtores para uma classe dominante politicamente conexa. E a obra dos neomarxistas acerca de superacumulação já nos mostrou que os males para solução dos quais foi concebido o keynesianismo, numa economia capitalista de estado, são bastante reais. O Estado promove a acumulação de capital em escala além de onde a produção respectiva pode ser absorvida (a seus preços cartelizados) pela demanda privada; e portanto o capital recorre ao Estado para descarte desse excedente.
One of the earliest to describe the several aspects of the phenomenon was Hilferding, in Finance Capital:
Um dos primeiros a descrever os diversos aspectos do fenômeno foi Hilferding, em Capital Financeiro:
The curtailment of production means the cessation of all new capital investment, and the maintenance of high prices makes the effects of the crisis more severe for all those industries which are not cartelized, or not fully cartelized. Their profits will fall more sharply, or their losses will be greater, than is the case in the cartelized industries, and in consequence they will be obliged to make greater cuts in production. As a result, disproportionality will increase, the sales of cartelized industry will suffer more, and it becomes evident that in spite of the severe curtailment of production, "overproduction" persists and has even increased. Any further limitation of production means that more capital will be idle, while overheads remain the same, so that the cost per unit will rise, thus reducing profits still more despite the maintenance of high prices. (114)
A limitação da produção significa a cessação de todo investimento novo de capital, e a manutenção de altos preços torna os efeitos da crise mais severos para todas aquelas indústrias não cartelizadas, ou não de todo cartelizadas. Seus lucros cairão mais agudamente, ou seus prejuízos serão maiores, do que nas indústrias cartelizadas e, em consequência, elas serão obrigadas a fazer cortes maiores na produção. Em decorrência, a desproporcionalidade aumentará, as vendas da indústria cartelizada sofrerão mais, e torna-se evidente que, a despeito da severa limitação da produção persistirá e até aumentará a "superprodução." Qualquer limitação adicional da produção significará mais capital ocioso, enquanto os overheads permanecerão os mesmos, de tal modo que o custo unitário aumentará, assim reduzindo ainda mais os lucros a despeito da manutenção dos altos preços. (114)
All the elements are here, in rough form: the expansion of production facilities to a scale beyond what the market will support; the need to restrict output to keep up prices, conflicting with the simultaneous need to keep output high enough to utilize full capacity and keep unit costs down; the inability of the economy to absorb the full output of cartelized industry at monopoly prices.
Todos os elementos estão aqui, em forma tosca: a expansão de instalações de produção para uma escala além do que o mercado suportará; a necessidade de restringir a quantidade produzida para manter os preços, conflitando com a simultânea necessidade de manter a quantidade produzida alta o bastante para utilizar capacidade plena e manter baixos os custos unitários; a incapacidade da economia para absorver toda a quantidade produzida da indústria cartelizada a preços de monopólio.
But as Hilferding pointed out in the same passage, the natural tendency in such a situation, in the absence of entry barriers, would be for competitors to enter the market and drive down the monopoly price: "The high prices attract outsiders, who can count on low capital and labor costs, since all other prices have fallen; thus they establish a strong competitive position and begin to undersell the cartel." (115) This, Rothbard argued, is what normally happens when cartelizing ventures are not backed up by the state: they are broken either by internal defection or by new entrants. That is, in fact, what Gabriel Kolko described as actually happening to the trust movement at the turn of the century. Therefore, organized capital depends on the state to enforce an artificial monopoly on the domestic market.
Como porém destacou Hilferding na mesma passagem, a tendência natural em tal situação, na ausência de barreiras à entrada no mercado, seria os competidores entrarem no mercado e impelirem para baixo o preço de monopólio: "Os preços altos atraem pessoas de fora, que podem valer-se de capital baixo e de custos de trabalho baixos, visto que todos os outros preços terão caído; assim, pois, eles estabelecem uma forte posição competitiva e começam a vender mais barato do que o cartel." (115) Isso, argumentou Rothbard, é o que normalmente acontece quando a cartelização dos empreendimentos de risco não é apoiada pelo estado: estes são quebrados ou por defecção interna ou por novos entrantes. Isso é, de fato, o que Gabriel Kolko descreveu como de fato acontecendo com o movimento de trustes na virada do século. Portanto, o capital organizado depende do estado para impor um monopólio artificial no mercado doméstico.
By restricting production quotas for domestic consumption the cartel eliminates competition on the domestic market. The suppression of competition sustains the effect of a protective tariff in raising prices even at a stage when production has long since outstripped demand. Thus it becomes a prime interest of cartelized industry to make the protective tariff a permanent institution, which in the first place assures continued existence of the cartel, and second, enables the cartel to sell its product on the domestic market at an extra profit. (116)
Mediante restringir quotas de produção para consumo doméstico o cartel elimina a competição no mercado doméstico. A supressão da competição sustenta o efeito de uma tarifa protetora em aumentar os preços mesmo num estágio no qual a produção já superou há muito a demanda. Portanto, torna-se interesse prioritário da indústria cartelizada tornar a tarifa protetora uma instituição permanente, a qual, em primeiro lugar, assegura a continuidade da existência do cartel e, segundo, habilita o cartel a vender seu produto no mercado doméstico com lucro extra. (116)
And, Hilferding continued, cartelized industry is forced to dispose of the surplus product, which will not sell domestically at the monopoly price, by dumping it on foreign markets.
E, continuou Hilferding, a indústria cartelizada é forçada a descartar o produto excedente, que não será vendido domesticamente a preço de monopólio, mediante descarregá-lo em mercados estrangeiros.
The increase in prices on the domestic market... tends to reduce the sales of cartelized products, and thus conflicts with the trend towards lowering costs by expanding the scale of production.... But if a cartel is already well established, it will try to compensate for the decline of the domestic market by increasing its exports, in order to continue production as before and if possible on an even larger scale. If the cartel is efficient and capable of exporting... its real price of production... will correspond with the world market price. But a cartel is also in a position to sell below its production price, because it has obtained an extra profit, determined by the level of the protective tariff, from its sales on the domestic market. It is therefore able to use a part of this extra profit to expand its sales abroad by underselling its competitors. If it is successful it can then increase its output, reduce its costs, and thereby, since domestic prices remain unchanged, gain further extra profit. (117)
O aumento de preços no mercado doméstico... tende a reduzir as vendas de produtos cartelizados, e portanto conflita com a tendência no sentido de redução de custos mediante expansão da escala de produção.... Se, porém, um cartel já estiver bem estabelecido, ele tentará compensar o declínio do mercado doméstico mediante aumento de suas exportações, a fim de continuar a produção como antes e, se possível, em escala ainda maior. Se o cartel for eficiente e capaz de exportar... seu real preço de produção... corresponderá ao preço de mercado mundial. Um cartel, porém, também terá condições de vender abaixo de seu preço de produção, porque obteve lucro extra, determinado pelo nível da tarifa protetora, de suas vendas no mercado doméstico. Tem pois como usar parte desse lucro extra para expandir suas vendas para o exterior mediante vender mais barato do que seus competidores. Se for bem-sucedido, poderá em seguida aumentar sua quantidade produzida, reduzir seus custos e, assim, desde que os preços domésticos permaneçam sem mudança, ganhar lucro extra adicional. (117)
Further, anticipating the various Marxist theories of imperialism, Hilferding argued that this imperative of disposing of surplus product abroad requires the activist state to seek foreign markets on favorable terms for domestic capital. One such state policy is the promotion or granting of loans abroad, either by direct state loans, or by banking policies that centralize the banking system and thus facilitate the accumulation of large sums of capital for foreign loans. Such loans could be used to increase a country's purchasing power and increase its imports; but more importantly, they could be used for building transportation and power infrastructure that Western capital requires for building production facilities in an underdeveloped country. (118) Of course, such direct foreign capital investment in a country, unlike mere trade, required more direct political influence over the country's internal affairs to protect the investments from expropriation and labor unrest. (119)
Ademais, antecipando-se a várias teorias marxistas do imperialismo, Hilferding argumentou que esse imperativo de desfazer-se do produto excedente no exterior requer do estado ativista que procure mercados estrangeiros em termos favoráveis para o capital doméstico. Uma das políticas de tal estado é a promoção ou concessão de empréstimos no exterior, ou via empréstimos diretos do estado, ou via políticas bancárias que centralizem o sistema bancário e assim facilitem a acumulação de grandes somas de capital para empréstimos externos. Tais empréstimos podem ser usados para aumentar o poder aquisitivo de um país e aumentar suas importações; mais importante, porém: podem ser usados para construir infraestrutura de transporte e energia requerida pelo capital ocidental para a construção de instalações de produção em países subdesenvolvidos. (118) Obviamente, tal investimento direto de capital estrangeiro num país, diferentemente do mero comércio, requer mais influência política direta sobre os assuntos internos do país para proteção dos investimentos contra expropriação e inquietação trabalhista. (119)
The state could also intervene to create a wage-labor force in backward countries by expropriating land, thus recreating the process of primitive accumulation in the West. In addition, heavy taxation could be used to force a peasantry into the money economy, by making them work (or work more) in the capitalist job market to raise tax-money. This was a common pattern, Hilferding wrote: in the Third World as in the West earlier, "when capital's need for expansion meets obstacles that could only be overcome much too slowly and gradually by purely economic means, it has recourse to the power of the state and uses it for forcible expropriation in order to create the required free wage proletariat." (120)
O estado poderia também intervir para criar uma força de trabalho assalariada em países atrasados mediante expropriação da terra, recriando assim o processo de acumulação primitiva no Ocidente. Além disso, pesada tributação poderia ser usada para forçar os camponeses a entrar na economia financeira, fazendo-os trabalhar (ou trabalhar mais) no mercado de trabalho capitalista para aumentar o dinheiro de tributos. Esse era um padrão comum, escreveu Hilferding: no Terceiro Mundo, como, antes, no Ocidente, "quando a necessidade de expansão do capital encontra obstáculos que só poderiam ser superados demasiado devagar e gradualmente por meios puramente econômicos, ele tem recurso ao poder do estado e usa-o para expropriação pela força a fim de criar o necessário proletariado de salários livres." (120)
Generally speaking, Third World countries provide numerous advantages for capital seeking a higher rate of return:
Falando de maneira geral, os países do Terceiro Mundo oferecem numerosas vantagens para capital em busca de maior índice de retorno:
The state ensures that human labour in the colonies is available on terms which make possible extra profits.... The natural wealth of the colonies likewise becomes a source of extra profits by lowering the price of raw materials.... The expulsion or annihilation of the native population, or in the most favourable case their transformation from shepherds or hunters into indentured slaves, or their confinement to small, restricted areas as peasant farmers, creates at one stroke free land which has only a nominal price. (121)
O estado assegura que o trabalho humano nas colônias fique disponível em termos que tornem possível lucros extras.... A riqueza natural das colônias, do mesmo modo, torna-se fonte de lucros extras ao fazer cair o preço das matérias-primas.... A expulsão ou aniquilamento da população nativa ou, no caso mais favorável de todos, a transformação de seus integrantes de pastores ou caçadores em escravos contratados, ou o confinamento deles em áreas pequenas e restritas como pequenos produtores agrícolas, cria numa penada terra livre que só tem preço nominal. (121)
In Imperialism, Bukharin returned repeatedly to the theme of government policy in promoting monopoly, through such devices as tariffs, state loans, etc. In a passage on the effects of foreign loans, Bukharin anticipated today's use of foreign aid and World Bank/IMF credit as coercive weapons on behalf of American corporations:
Em Imperialismo, Bukharin voltou repetidamente ao tema da política do governo em promover o monopólio, por meio de artifícios tais como tarifas, empréstimos estatais etc. Numa passagem acerca dos efeitos dos empréstimos externos, Bukharin anteviu o uso atual da ajuda externa e do crédito do Banco Mundial/FMI como instrumentos coercitivos em favor das corporações estadunidenses:
The transaction is usually accompanied by a number of stipulations, in the first place that which imposes upon the borrowing country the duty to place orders with the creditor country (purchase of arms, ammunition, dreadnaughts, railroad equipment, etc), and the duty to grant concessions for the construction of railways, tramways, telegraph and telephone lines, harbours, exploitation of mines, timberlands, etc. (122)
A transação usualmente faz-se acompanhar de diversas estipulações, que em primeiro lugar impõem ao país tomador o dever de fazer encomendas ao país credor (compra de armas, munição, couraçados, equipamento para vias férreas etc.), e o dever de firmar concessões para a construção de vias férreas, trilhos de bondes, linhas de telégrafo e telefone, portos, exploração de minas, áreas florestais produtoras de madeira etc. (122)
As Kwame Nkrumah jibed, so-called "foreign aid" under neocolonialism would have been called foreign investment in the days of old-style colonialism. (123)
Como concordou Kwame Nkrumah, a assim chamada "ajuda externa" no neocolonialismo teria sido chamada de investimento externo nos dias do colonialismo do estilo antigo. (123)
Schumpeter, the theorist upon whom Stromberg relies most heavily, described the system as "export-dependent monopoly capitalism":
Schumpeter, o teórico no qual Stromberg mais se alicerça, descreveu o sistema como "capitalismo de monopólio dependente de exportações":
Union in a cartel or trust confers various benefits on the entrepreneur--a saving in costs, a stronger position as against the workers--but none of these compares with this one advantage: a monopolistic price policy, possible to any considerable degree only behind an adequate protective tariff. Now the price that bings the maximum monopoly profit is generally far above the price that would be fixed by fluctuating competitive costs, and the volume that can be marketed at that maximum price is generally far below the output that would be technically and economically feasible. Under free competition that output would be produced and offered, but a trust cannot offer it, for it could be sold only at a competitive price. Yet the trust must produce it--or approximately as much--otherwise the advantages of large-scale enterprise remain unexploited and unit costs are likely to be uneconomically high.... [The trust] extricates itself from this dilemma by producing the full output that is economically feasible, thus securing low costs, and offering in the protected domestic market only the quantity corresponding to the monopoly price--insofar as the tariff permits; while the rest is sold, or "dumped," abroad at a lower price.... (124)
A união num cartel ou truste confere vários benefícios ao empreendedor -- economia de custos, posição mais forte em contraposição aos trabalhadores -- mas nem um desses dois se compara com esta vantagem única: uma política de preços monopolista, possível em qualquer grau considerável unicamente atrás de uma tarifa protetora adequada. Pois bem, o preço que permite o máximo de lucro monopolista situa-se geralmente muito acima do preço que seria fixado por custos competitivos flutuantes, e o volume que pode ser comerciado a tal preço máximo situa-se geralmente muito abaixo da quantidade produzida que seria técnica e economicamente factível. Na competição livre essa quantidade produzida seria produzida e oferecida, mas um truste não pode oferecê-la, pois ela só poderia ser vendida a preço competitivo. No entanto, o truste tem de produzir essa quantidade -- ou aproximadamente -- pois, caso contrário, as vantagens da empresa de larga escala permanecem inexploradas e os custos unitários tendem a ser não economicamente altos.... [O truste] safa-se desse dilema mediante produzir a quantidade plena de produção economicamente factível, assim conseguindo baixos custos, e oferecendo no mercado doméstico protegido apenas a quantidade correspondente ao preço de monopólio -- o quanto a tarifa permitir; enquanto o resto é vendido, ou "descarregado," no exterior a preço mais baixo.... (124)
In describing the advantages of colonies for monopoly capitalism, Schumpeter essentially refuted his own Comtean argument (discussed below in this article) for imperialism's "alien" status in relation to capitalism.
Ao descrever as vantagens das colônias para o capitalismo de monopólio, Schumpeter essencialmente refuta sua própria argumentação comteana (discutida adiante neste artigo) quanto à situação "discrepante" do imperialismo em relação ao capitalismo.
In such a struggle among "dumped" products and capitals, it is no longer a matter of indifference who builds a given railroad, who owns a mine or a colony. Now that the law of costs is no longer operative, it becomes necessary to fight over such properties with desperate effort and with every available means, including those that are not economic in character, such as diplomacy....
Em tal luta entre produtos e capitais "descarregados," não mais é indiferente quem construa dada ferrovia, quem possua uma mina ou colônia. Agora que a lei dos custos não mais opera, torna-se necessário lutar a propósito dessas propriedades com desesperado esforço e com todos os meios disponíveis, inclusive aqueles não de caráter econômico, como a diplomacia....
....In this context, the conquest of colonies takes on an altogether different significance. Non-monopolist countries, especially those adhering to free trade, reap little profit from such a policy. But it is a different matter with countries that function in a monopolistic role vis-a-vis their colonies. There being no competition, they can use cheap native labor without its ceasing to be cheap; they can market their products, even in the colonies, at monopoly prices; they can, finally, invest capital that would only depress the profit rate at home.... (125)
....Nesse contexto, a conquista de colônias assume importância totalmente diferente. Países não monopolistas, especialmente aqueles aderentes ao livre comércio, haurem pouco lucro de tal política. É diferente, contudo, no tocante a países que funcionam num papel monopolista vis-a-vis suas colônias. Não havendo competição, eles podem usar trabalho nativo barato sem que este cesse de ser barato; podem comerciar seus produtos, mesmo nas colônias, a preços de monopólio; podem, finalmente, investir capital que apenas deprimiria o índice de lucro no país de origem.... (125)
Stromberg explained: "For American manufacturers to achieve available economies of scale, they had to produce far more of their products than could be sold in the U.S." (126) One point Stromberg does not adequately address here is that economy of scale, at least in terms of internal production costs, requires only thorough utilization of existing facilities. But the size of the facilities was in itself the result of state capitalist policies. The fact that domestic demand was not enough to support the output needed to reach such economies of scale reflects the fact that the scale of production was too large. And this, in turn, was the result of state policies that encouraged gigantism and overinvestment.
Stromberg explicou: "Para que os fabricantes estadunidenses conseguissem economias de escala disponíveis, tinham de produzir muito mais de seus produtos do que poderia ser vendido nos Estados Unidos" (126) Um ponto que Stromberg não endereça adequadamente é quando diz que a economia de escala, ao menos em termos de custos internos de produção, requeria apenas utilização plena de instalações já existentes. Contudo, o porte das instalações era, em si, o resultado de políticas capitalistas de estado. O fato de a demanda doméstica não ser suficiente para aguentar a quantidade produzida necessária para atingir tais economias de escala reflete o fato de que a escala de produção era grande demais. E isso, por sua vez, era resultado de políticas de estado que estimulavam o gigantismo e o superinvestimento.
Productive economy of scale is "unlimited" only when the state absorbs the diseconomies of large scale production. Overall economies of scale reflect a package of costs. And those costs are themselves influenced by direct and indirect subsidies that distort price as an accurate signal of the actual cost of providing a service. If the state had not allowed big business to externalize many of its operating costs (especially long-distance shipping) on the public through subsidies (especially subsidized transportation), economy of scale would have been reached at a much lower level of production. The state's subsidies have the effect of artificially shifting the economy of scale upward to higher levels of output than a free market can support. State capitalism enables corporate interests to control elements of the total cost package through political means; but the result is new imbalances, which in turn require further state intervention.
A economia de escala produtiva só é "ilimitada" quando o estado absorve as deseconomias da produção de larga escala. Economias de escala totais refletem um pacote de custos. E esses custos são eles próprios influenciados por subsídios diretos e indiretos que distorcem o preço como sinal preciso da prestação de um serviço. Se o estado não tivesse permitido às grandes empresas externalizarem muitos de seus custos operacionais (especialmente embarque de longa distância) para o público por meio de subsídios (especialmente transporte subsidiado), a economia de escala teria sido atingida em nível muito mais baixo de produção. Os subsídios do estado têm o efeito de deslocar artificialmente a economia de escala para cima, para níveis mais elevados de quantidade produzida do que um livre mercado consegue suportar. O capitalismo de estado permite aos interesses corporativos controlar elementos do pacote total de custos por meios políticos; mas o resultado é novos desequilíbrios os quais, por sua vex, requerem intervenção adicional do estado.
In fairness, Schumpeter touched on this issue in passing, as did Stromberg in quoting him: "a firm which could not survive in the absence of empire was 'expanded beyond economically justifiable limits'." (127) As this quote indicates, Schumpeter dealt, though inadequately, with the extent to which corporate size was the effect of state intervention. He agreed with Rothbard that cartelization or monopoly, as such, could not exist without the state.
Para não ser injusto, Schumpeter toca nessa questão de passagem, como fez Stromberg ao citá-lo: "uma firma que não poderia sobreviver na ausência do império foi 'expandida além de limites economicamente justificáveis'." (127) Como essa citação indica, Schumpeter lidou, embora inadequadamente, com o grau no qual o porte corporativo era efeito de intervenção do estado. Ele concordou com Rothbard que a cartelização ou monopólio, enquanto tal, não poderia existir sem o estado.
Export monopolism does not grow from the inherent laws of capitalist development. The character of capitalism leads to large-scale production, but with few exceptions large-scale production does not lead to the kind of unlimited concentration that would leave but one or only a few firms in each industry. On the contrary, any plant runs up against limits to its growth in a given location; and the growth of combinations which would make sense under a system of free trade encounters limits of organizational efficiency. Beyond these limits there is no tendency toward combination in the competitive system. (128)
O monopolismo exportador não se desenvolve a partir das leis inerentes ao desenvolvimento capitalista. O caráter do capitalismo leva a produção de larga escala, mas com poucas exceções a produção de larga escala não leva ao tipo de concentração ilimitada que deixaria apenas uma ou apenas umas poucas firmas em cada setor/indústria. Pelo contrário, qualquer fábrica caminha contra limites a seu crescimento em determinado local; e o crescimento de combinações que fariam sentido num sistema de livre comércio defronta-se com limites de eficiência organizacional. Além desses limites não há tendência rumo a combinação no sistema competitivo. (128)
Still, Stromberg greatly overestimates the advantages of large-scale production in a free market. In all but a few forms of production, peak economy of scale is reached at relatively low levels of output. In agriculture, for instance, a USDA study found in 1973 that economy of scale was maximized on a fully-mechanized one-man farm. (129)
Ainda assim, Stromberg superestima grandemente as vantagens da produção em larga escala num livre mercado. Em todas exceto umas poucas formas de produção, o pico da economia de escala é alcançado em níveis relativamente baixos de quantidade produzida. Na agricultura, por exemplo, um estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - USDA descobriu, em 1973, que a economia de escala era maximizada numa fazenda plenamente mecanizada de um só homem. (129)
Walter Adams and James Brock, two specialists in economy of scale, cited a number of studies showing that "optimum plant sizes tend to be quite small relative to the national market." According to one study, even taking into account the efficiencies of firm size, market shares of the top three firms in nine of twelve industries exceeded maximum efficiency by a factor of anywhere from two to ten. But productive economy of scale was a function primarily of plant size, not the size of multi-plant firms. Any efficiencies of bargaining power provided by large firm size were offset by increased administrative and control costs, and other diseconomies. (130) In fact, Seymor Melman argued that the increased administrative costs of multi-unit and multi-product firms are astronomical. They are prone to many of the same inefficiencies--falsified data from below, and "elaborate, formal systems of control, with accompanying police systems--as state-run industry in the communist countries. (131)
Walter Adams e James Brock, dois especialistas em economia de escala, citaram diversos estudos mostrando que "tamanhos ótimos de fábrica tendem a ser bastante pequenos em relação ao mercado nacional." De acordo com um estudo, mesmo tendo-se em conta as eficiências de tamanho de empresa, parcelas de mercado das três primeiras firmas em nove de doze setores/indústrias excederam a eficiência máxima por um fator de entre dois e dez. Contudo, a economia produtiva de escala foi função precipuamente do tamanho da fábrica, não do tamanho das empresas com múltiplas fábricas. Quaisquer eficiências de poder de barganha oferecidas pelo tamanho da grande firma foram anuladas por custos administrativos e de controle mais altos, e outras deseconomias. (130) Na verdade, Seymor Melman argumentou que aumento de custos administrativos de firmas multiunidade e multiproduto são astronômicos. Elas propendem a muitas das mesmas ineficiências -- dados falsificados a partir de baixo, e "sistemas de controle esmerados e formais, acompanhados de sistemas de policiamento -- quanto a indústria operada pelo estado nos países comunistas. (131)
Describing the inefficiencies of large firms, Kenneth Boulding wrote:
Descrevendo as ineficiências das grandes firmas, escreveu Kenneth Boulding:
There is a great deal of evidence that almost all organizational structures tend to produce false images in the decision-maker, and that the larger and more authoritarian the organization, the better the chance that its top decision-makers will be operating in purely imaginary worlds. (132)
Há muita evidência segundo a qual quase todas as estruturas organizacionais tendem a produzir falsas imagens no tomador de decisão, e de que quanto maior e mais autoritária a organização, maior a probabilidade de seus tomadores de decisão do mais alto escalão estarem atuando em mundos puramente imaginários. (132)
In the most capital-intensive industry, automobiles, peak economy of scale was achieved at a level of production equivalent to 3-6% of market share. (133) And even this level of output is required only because annual model changes (which arguably wouldn't pay for themselves without state capitalist subsidies) require an auto plant to wear out the dies for a run of production in a single year. Otherwise, peak economy of scale would be reached in a plant with an output of only 60,000 per year. (134)
No setor/indústria mais capital-intensivo, o dos automóveis, o pico da economia de escala foi atingido em nível de produção equivalente a 3-6% da fatia de mercado. (133) E mesmo esse nível de quantidade de produção só é requerido porque mudanças anuais de modelo (que defensavelmente não se pagariam sem subsídios do capital do estado) impõem às fábricas de carros desgaste completo dos troquéis necessários para um lotes de produção em um único ano. Não fora isso, o pico da economia de escala seria atingido numa fábrica com quantidade produzida de apenas 60.000 unidades por ano. (134)
In any case, these figures relate only to productive economy of scale. Increased distribution costs begin to offset increased economies of production, according to Borsodi's law, long before peak productive economy of scale is reached. According to an F.M. Scherer study cited by Adams and Brock, a plant producing at one-third the maximum efficiency level of output would experience only a 5% increase in unit costs. (135) This is more than offset by reduced shipping costs for a smaller market.
De qualquer forma, essas cifras relacionam-se apenas com economia de escala produtiva. Aumento de custos de distribuição começam a anular aumentos de economias de produção, de acordo com a lei de Borsodi, muito antes de ser atingido pico de economia produtiva de escala. De acordo com um estudo F.M. Scherer citado por Adams e Brock, fábrica produzindo a um terço do nível máximo de eficiência de quantidade produzida experimentará aumento de apenas 5% nos custos unitários. (135) Isso é mais do que anulado pela redução de custos de embarque no caso de um mercado menor.
The point of this digression is that the size of existing firms reflects the role of the state in subsidizing increased size by underwriting the inefficiencies of corporate gigantism--as Rothbard pointed out, the ways "our corporate state uses the coercive taxing power either to accumulate corporate capital or to lower corporate costs." (136) A genuine free market economy would be vastly less centralized, with production primarily for local markets.
O motivo desta digressão é que o tamanho das firmas existentes reflete o papel do estado em subsidiar aumento de porte mediante subscrever as ineficiências do gigantismo corporativo -- como destacou Rothbard, os modos "pelos quais nosso estado corporativo usa o poder coercitivo de tributação para acumular capital corporativo ou para diminuir custos corporativos." (136) Uma genuína economia de livre mercado seria vastamente menos centralizada, com produção principalmente para mercados locais.
Besides the problem of surplus output, the state capitalist economy produces a second problem: that of surplus capital. Not only does monopoly pricing limit domestic demand, and thus restrain the opportunities for expansion at home; but non-cartelized industry is seriously disadvantaged as a source of returns on capital, and therefore opportunities for profitable investment are limited outside the cartelized sectors.
Além do problema do excedente de quantidade produzida, a economia capitalista de estado gera um segundo problema: o de capital excedente. O preço de monopólio não apenas limita a demanda doméstica assim restringindo as oportunidades para expansão internamente ao país; mas também a indústria não cartelizada fica seriamente prejudicada como fonte de retornos sobre o capital, e portanto oportunidades para investimento lucrativo fora dos setores cartelizados ficam limitadas.
According to Hilferding, "while the drive to increase production is very strong in the cartelized industries, high cartel prices preclude any growth of the domestic market, so that expansion abroad offers the best chance of meeting the need to increase output." (137) Bukharin later described the capital surplus as a direct result of cartelization, in quite similar language. In Chapter VII of Imperialism and World Economy, he wrote:
De acordo com Hilferding, "apesar do ímpeto para aumento de produção ser muito forte nas indústrias cartelizadas, os preços elevados do cartel obstam qualquer crescimento do mercado doméstico, de tal modo que a expansão no exterior passa a representar a melhor oportunidade para satisfação da necessidade de aumentar a quantidade produzida." (137) Mais tarde, Bukharin descreveu o capital excedente como resultado direto da cartelização, em linguagem bastante similar. No Capítulo VII de Imperialismo e Economia Mundial ele escreveu:
The volumes of capital that seek employment have reached unheard of dimensions. On the other hand, the cartels and trusts, as the modern organisation of capital, tend to put certain limits to the employment of capital by fixing the volume of production. As to the non-trustified sections of industry, it becomes ever more unprofitable to invest capital in them. For monopoly organisations can overcome the tendency towards lowering the rate of profit by receiving monopoly superprofits at the expense of the non-trustified industries. Out of the surplus value created every year, one portion, that which has been created in the nontrustified branches of industry, is being transferred to the co-owners of capitalist monopolies, whereas the share of the outsiders continually decreases. Thus the entire process drives capital beyond the frontiers of the country. (138)
Os volumes de capital que busca emprego atingiram dimensão inaudita. Por outro lado, os cartéis e trustes, como organização moderna do capital, tendem a colocar certos limites ao emprego do capital mediante fixarem o volume de produção. Quanto às secções não trustificadas da indústria, torna-se cada vez mais improfícuo investir capital nelas. Pois as organizações monopolistas podem superar a tendência de diminuir o índice de lucro mediante receberem superlucros monopolistas a expensas das indústrias não trustificadas. Do valor excedente criado todo ano, o criado nos ramos não trustificados da indústria está sendo transferido para os coproprietários dos monopólios capitalistas, enquanto a fatia dos que ficam de fora decresce continuamente. Assim o processo inteiro impele capital para além das fronteiras do país. (138)
Monopoly capital theorists have made worthwhile contributions to the issue of capital and output surpluses. For example, the surplus product of cartelized industry drastically increases the importance of the "sales effort"--what Galbraith called "specific demand management" to dispose of the product. (139) This underscores the importance of the state in the problem of surplus disposal: without state intervention to create the national infrastructure of mass media and its attendant mass advertising markets, specific demand management would have been impossible.
Os teóricos do capital de monopólio fizeram contribuições valiosas para a questão dos excedentes de capital e de quantidade produzida. Por exemplo, o produto excedente da indústria cartelizada aumenta drasticamente a importância do "esforço de vendas" -- o que Galbraith chamou de "gerência de demanda específica" para descarte do produto. (139) Isso sublinha a importância do estado no problema do descarte do excedente: sem intervenção do estado para criar a infraestrutura nacional de mídia de massa e seus mercados apensos de divulgação de massa, a gerência de demanda específica teria sido impossível.
One issue Stromberg neglects is the internal role of the state in directly disposing of the surplus. The role of the State's purchases in absorbing surplus output, through both military and domestic spending, was a key part of Baran and Sweezy's "monopoly capitalism" model. Its large "defense" and other expenditures provide a guaranteed internal market for surplus output analogous to that provided by state-guaranteed foreign markets. By providing such an internal market, the state increases the percentage of production capacity that can be used on a consistent basis. (140) This is reminiscent of Immanuel Goldstein's description in 1984 of the function of continuous warfare in eating up potentially destabilizing surpluses.
Uma questão que Stromberg negligencia é o papel interno do estado em descartar dirtamente o excedente. O papel das compras do Estado em absorver quantidade produzida excedente, por meio de gastos tanto militares quanto domésticos, formou parte decisiva do modelo de "capitalismo de monopólio" de Baran e Sweezy. Seus grandes dispêndios de "defesa" e outros proporcionam mercado interno garantido para quantidade produzida excedente análogo ao proporcionado pelos mercados estrangeiros garantidos pelo estado. Mediante proporcionar tal mercado interno, o estado aumenta o percentual de capacidade de produção que pode ser usado em base consistente. (140) Isso lembra a descrição de Immanuel Goldstein em 1984 da função da guerra contínua em consumir excedentes potencialmente desestabilizadores.
Paul Mattick elaborated on this theme in a 1956 article. The overbuilt corporate economy, he wrote, ran up against the problem that "[p]rivate capital formation... finds its limitation in diminishing market-demand." The State had to absorb part of the surplus output; but it had to do so without competing with corporations in the private market. Instead, "[g]overnment-induced production is channelled into non-market fields--the production of non-competitive public-works, armaments, superfluities and waste. (141) As a necessary result of this state of affairs,
Paul Mattick discorreu acerca desse tema num artigo de 1956. A economia corporativa excessivamente construída, escreveu ele, enfrentava dificuldade com o problema de que "[a] formação de capital privado... encontra sua limitação em demanda de mercado cadente." O Estado tinha de absorver parte da quantidade produzida excedente; tinha porém de fazê-lo sem competir com corporações do mercado privado. Em vez disso, "[a] produção induzida pelo governo é canalizada para áreas não de mercado -- a produção de obras públicas não competitivas, armamentos, superfluidades e desperdício. (141) Como resultado inevitável desse estado de coisas,
so long as the principle of competitive capital production prevails, steadily growing production will in increasing measure be a "production for the sake of production," benefiting neither private capital nor the population at large.
na medida em que o princípio da produção do capital competitivo prevalece, a produção de crescimento estável será, em crescente medida, uma "produção para o bem da produção," não beneficiando nem o capital privado nem a população em geral.
This process is somewhat obscured, it is true, by the apparent profitability of capital and the lack of large-scale unemployment. Like the state of prosperity, profitability, too, is now largely government manipulated. Government spending and taxation are managed so as to strengthen big business at the expense of the economy as a whole....
Esse processo é de certo modo obscurecido, é verdade, pela aparente lucratividade do capital e a ausência de desemprego em larga escala. Do mesmo modo que o estado da prosperidade, também a lucratividade é agora em grande parte manipulada pelo governo. Os gastos e a tributação do governo são geridos de maneira a fortalecer grandes empresas a expensas da economia como um todo....
In order to increase the scale of production and to accummulate [sic] capital, government creates "demand" by ordering the production of non-marketable goods, financed by government borrowings. This means that the government avails itself of productive resources belonging to private capital which would otherwise be idle. (142)
Para aumentar a escala de produção e acummular [sic] capital, o governo cria "demanda" mediante ordenar a produção de bens não comercializáveis, financiados por empréstimos do governo. Isso significa que o governo faz uso dos recursos produtivos pertencentes ao capital privado que de outra forma estariam ociosos. (142)
Such consumption of output, while not always directly profitable to private industry, serves a function analogous to foreign "dumping" below cost, in enabling the corporate economy to achieve economies of large-scale production at levels of output beyond the ability of private consumers to absorb.
Tal consumo da quantidade produzida, embora nem sempre diretamente lucrativo para a indústria privada, serve a função análoga à "descarga" no exterior abaixo do custo, ao permitir que a economia corporativa atinja economias de produção de larga escala em níveis de quantidade produzida além da capacidade de absorção dos consumidores privados.
It's interesting to consider how many segments of the economy have a guaranteed market for their output, or a "captive clientele" in place of willing consumers. The "military-industrial complex" is well known. But how about the state's education and penal systems? How about the automobile-trucking-highway complex, or the civil aviation complex? Foreign surplus disposal ("export dependant monopoly capitalism") and domestic surplus disposal (government purchases) are different forms of the same phenomenon.
É interessante considerar quantos segmentos da economia têm mercado garantido para sua quantidade produzida, ou "clientela cativa" no lugar de consumidores voluntários. É bem conhecido o "complexo industrial-militar." Mas e quanto à educação estatal e aos sistemas penais? E quanto ao complexo automóvel-caminhões-rodovias, ou ao complexo da aviação civil? Descarte de excedente no estrangeiro ("capitalismo de monopólio dependente de exportações") e descarte de excedente doméstico (compras do governo) são formas diferentes do mesmo fenômeno.
Marx described major new forms of industry as countervailing influences against the falling rate of profit. Baran and Sweezy, likewise, considered "epoch-making inventions" as partial counterbalances to the ever-increasing surplus. Their chief example of such a phenomenon was the rise of the automobile industry in the 1920s, which (along with the highway program) was to define the American economy for most of the mid-20th century. (143) The high tech boom of the 1990s was a similarly revolutionary event. It is revealing to consider the extent to which both the automobile and computer industries, far more than average, were direct products of state capitalism. More recently, in the Bush administration, to consider only one industry (pharmaceuticals), two major policy initiatives benefit it by providing state-funded outlets for its production: the so-called "prescription drug benefit," and the provision of AIDS drugs to destitute African countries. In another industry, Bush's R&D funding for hydrogen fuel engines is enabling the automobile companies to develop the successor technology to the gasoline engine (with patents included) at public expense; this not only subsidizes their transition to viability in a post-fossil fuel world, but gives them monopoly control over the successor technology. "Creative destruction" is our middle name.
Marx descreveu importantes novas formas da indústria como influências de contraposição ao cadente índice de lucro. Baran e Sweezy, também, consideraram "invenções fazedoras de época" como contraposições parciais ao excedente sempre crescente. O principal exemplo deles de tal fenômeno foi a ascensão da indústria automobilística nos anos 1920, que (juntamente com o programa de rodovias) definiria a economia estadunidense durante a maior parte de meado século 20. (143) A explosão da alta tecnologia dos anos 1990 foi similarmente evento revolucionário. É esclarecedor considerar a extensão na qual tanto a indústria do automóvel quanto a do computador, muito mais do que a média, foram produtos diretos do capitalismo de estado. Mais recentemente, na administração Bush, para considerar apenas uma indústria (produtos farmacêuticos), duas importantes iniciativas de políticas beneficiaram-na mediante proporcionarem-lhe desaguadouros financiados pelo estado para sua produção: o assim chamado "benefício dos medicamentos com receita," e o fornecimento de drogas contra AIDS para países africanos destituídos. Em outra indústria, o financiamento de R&D de Bush para motores de combustível hidrogênio está permitindo às companhias de automóveis desenvolverem a tecnologia sucessora do motor de gasolina (com patentes incluídas) a expensas do público; isso não apenas subsidia sua transição para viabilidade num mundo pós-combustível fóssil como dá-lhes controle monopolista sobre a tecnologia sucessora. "Destruição criativa" é nossa alcunha.
A MUTUALIST READING OF STROMBERG'S ARGUMENT (With a Brief Digression on Value Theory)
LEITURA MUTUALISTA DA ARGUMENTAÇÃO DE STROMBERG (Com Breve Digressão acerca da Teoria do Valor)
In his survey of literature on the theory of imperialism, Stromberg takes issue with Joseph Schumpeter on the nature of "actually existing capitalism" (not his phrase). An examination of this dispute will lead us into our central discussion of how the mutualist analysis of state capitalism differs from that of the Austrians.
Em sua vistoria da literatura acerca da teoria do imperialismo, Stromberg discorda de Joseph Schumpeter acerca da natureza do "capitalismo efetivamente existente" (expressão não dele). Exame dessa disputa nos levará a nossa discussão central de como a análise mutualista do capitalismo de estado difere daquela dos Austríacos.
In the passage leading up to his incisive description of "export oriented monopoly capitalism," Schumpeter dismissed imperialism as "atavistic," reflecting "past rather than present relations of production." (144) According to Schumpeter, "a purely capitalistic world... [could] offer no fertile soil to imperialist impulses." (145) Any imperialistic tendencies under modern capitalism were the result of "alien elements, carried into the world of capitalism from outside, supported by non-capitalist factors in modern life." (146) Taking this assertion still further, he treated as "beyond controversy"
Na passagem conducente a sua incisiva descrição do "capitalismo de monopólio orientado para exportações," Schumpeter desqualifica o imperialismo considerando-o "atávico," a refletir "relações de produção mais passadas do que presentes." (144) De acordo com Schumpeter, "um mundo puramente capitalista... não [poderia] oferecer solo fértil para impulsos imperialistas." (145) Quaisquer tendências imperialistas no capitalismo moderno foram resultado de "elementos estranhos, trazidos para o mundo do capitalismo a partir de fora, apoiados por fatores não capitalistas da vida moderna." (146) Levando essa afirmação ainda mais longe, ele considerou como "além de controvérsia"
that where free trade prevails no class has an interest in forcible expansion as such. For in such a case the citizens and goods of every nation can move in foreign countries as freely as though those countries were politically their own--free trade implying far more than mere freedom from tariffs. In a genuine state of free trade, foreign raw materials and foodstuffs are as accessible to each nation as though they were within its own territory. (147)
que onde prevalece o livre comércio nenhuma classe tem interesse em expansão pela força enquanto tal. Pois em tal caso os cidadãos e bens de todas as nações podem mover-se para países estrangeiros tão livremente quanto se tais países lhes pertencessem politicamente -- com o livre comércio implicando em muito mais do que meramente estar livre de tarifas. Num genuíno estado de livre comércio, matérias-primas e alimentos estrangeiros ficam tão acessíveis a cada nação quanto se estivessem dentro de seu próprio território. (147)
This avoids the issue of whether politically connected capitalists can have the same monopoly position under free trade as they would have when backed up by the state's power overseas.
Isso evita a questão acerca de se capitalisas politicamente conexos podem ter a mesma posição monopolista dentro do livre comércio que teriam tido quando apoiados pelo poder do estado no exterior.
Schumpeter's dismissal of imperialism as atavistic, on the basis of the non-martial culture arising from industrial capitalism, was a non sequitur of massive proportions. It was, however, consistent with his sociological approach to imperialism, treating it as the natural outgrowth of the "mode of life" or situation of society on a broad scale. But Schumpeter failed to show why it would be any less "natural" for ruling elites under corporate capitalism, than for those under feudalism or any other class system, to take advantage of the exploitative opportunities available by acting through the coercive power of the state. The very existence of the state, as a mechanism of expropriating the labor of productive classes through political means, serves the dominant classes as an instrument of exploitation in any society. State policy is in fact the rational outcome of ruling class interest, rather than a reflection of culture or "mode of life."
A desqualificação de Schumpeter do imperialismo como atávico, com base na cultura não marcial decorrente do capitalismo industrial, foi um non sequitur de proporções descomunais. Compatível, porém, com a abordage sociológica dele em relação ao imperialismo, tratando este como rebento natural do "modo de vida" ou situação da sociedade em escala ampla. Sem embargo, Schumpeter não consegue mostrar como seria menos "natural" para as elites dominantes do capitalismo corporativo tirarem proveito das oportunidades de exploração disponíveis, agindo por meio do poder coercitivo do estado. A própria existência do estado, como mecanismo de expropriar as classes produtivas do trabalho por meios políticos, serve às classes dominantes como instrumento de exploração em qualquer sociedade. A política do estado é em verdade o resultado racional do interesse da classe dominante, em vez de um reflexo de cultura ou "modo de vida."
Schumpeter later qualified what he meant in describing "imperialist attitudes" as in conflict with the "mode of life of the capitalist world." Protectionism and imperialism were not natural outgrowths of capitalism, but were "the fruits of political action-a type of action that by no means reflects the objective interests of all those concerned but that, on the contrary, becomes impossible as soon as the majority of those whose consent is necessary realize their true interests." (148)
Schumpeter posteriormente qualificou o que desejava significar mediante descrever "atitudes imperialistas" como em conflito com o "modo de vida do mundo capitalista." Protecionismo e imperialismo não eram renovos naturais do capitalismo, mas eram "frutos da ação política - um tipo de ação que de modo algum reflete os interesses objetivos de todos os envolvidos mas que, pelo contrário, torna-se impossível tão logo a maioria daqueles cujo consentimento é necessário concretiza seus verdadeiros interesses." (148)
Schumpeter seriously overestimated the importance of formal democracy, along with the likelihood that the policies of a formally democratic state would reflect the real interests of a majority. And he underestimated the potential of a ruling class, through ideological hegemony, to shape the very conceptual framework through which the ruled make judgments of "general welfare." A given structure of economic and political power tends to reproduce the kinds of "human resources" it needs to keep going.
Schumpeter subestimou seriamente a importância da democracia formal, juntamente com a probabilidade de que as políticas de um estado formalmente democrático refletissem os reais interesses da maioria. E subestimou o potencial de uma classe dominante, por meio da hegemonia ideológica, moldar o próprio arcabouço conceptual por meio do qual os regidos entendem o que seja  "bem-estar geral." Uma estrutura dada de poder econômico e político tende a reproduzir os tipos de "recursos humanos" de que necessita para continuar a existir.
Under a "pure" capitalist system, according to Schumpeter, the cultural attitudes of the bourgeoisie were quite unwarlike. In this, he restated a theory that had been articulated by Comte and his followers, and that has found more recent expression in the thought of Francis Fukuyama and other neoconservatives. But the triumph of global capitalism, in its "actually existing" form, did not preclude the existence of a massive national security state, or of a standing military with a highly jingoistic internal culture. And the same neoconservative movement that produced Fukuyama's "end of history" thesis has also produced a rabidly hawkish contingent that includes David Horowitz and Charles Krauthammer. The same ideologues who praise the post-Soviet triumph of "democratic capitalism" on a global scale, also speak of the need for some global system of order enforced by a hegemonic power. The free market is not a spontaneous phenomenon, but depends on institutions of "civil society" which in turn are created by the state.
Num sistema capitalista "puro," de acordo com Schumpeter, as atitudes culturais da burguesia seriam bastante avessas à guerra. Nisto, ele reenunciou a teoria que havia sido enunciada por Comte e seus seguidores, e que encontrou expressão mais recente no pensamento de Francis Fukuyama e outros neoconservadores. Contudo, o triunfo do capitalismo global, em sua forma "efetivamente existente," não impossibilitou a existência de um estado de segurança nacional descomunal, ou de uma instituição militar permanente com cultura interna altamente jingoísta. E o mesmo movimento neoconservador que produziu a tese de Fukuyama do "fim da história" também produziu um contingente rabidamente partidário da guerra que inclui David Horowitz e Charles Krauthammer. Os mesmos ideólogos que exaltam o triunfo pós-soviético do "capitalismo democrático" em escala global também falam da necessidade de algum sistema de ordem global feito cumprir por um poder hegemônico. O livre mercado não é um fenômeno espontâneo, e sim depende de instituições da "sociedade civil" as quais, por sua vez, são criadas pelo estado.
Actual history belies Schumpeter's alleged "pacific" bourgeois culture. If we look at American history, it becomes painfully obvious that, when militarism and imperialism are in the material interests of the dominant segment of corporate capital, it is quite effective at creating the required ideological infrastructure to legitimate itself. In the United States, one of the world's most isolationist and anti-militarist societies, the legitimation needs of monopoly capitalism were met from the 1890s on by the cult of Old Glory and the American Legion ideology of "100% Americanism." There is today a whole generation of self-described "conservatives," as any listener of Rush Limbaugh, Ann Coulter or Laura Ingraham can testify, who have no idea that conservatism ever meant anything besides cheerleading for the state and its wars.
A história real desmente a cultura burguesa "pacífica" alegada por Schumpeter. Se olharmos a história estadunidense, torna-se dolorosamente óbvio que, quando militarismo e imperialismo são de interesse relevante do segmento dominante do capital corporativo, este é bastante eficaz em criar a necessária infraestrutura ideológica para legitimar-se. Nos Estados Unidos, uma das sociedades mais isolacionistas e antimilitaristas do mundo, as necessidades de legitimação do capitalismo de monopólio foram atendidas a partir dos anos 1890 peo culto da Antiga Glória e da ideologia da Legião Estadunidense de "100% de Estadunidensismo." Há hoje toda uma geração de pessoas que se descrevem como "conservadores," como pode confirmar qualquer ouvinte de Rush Limbaugh, Ann Coulter ou Laura Ingraham, que não se fazem ideia de que o conservadorismo jamais tenha significado qualquer coisa além de aplauso ao estado e a suas guerras.
Immediately following his dismissive treatment of imperialism, Schumpeter qualified it with the admission that protectionism "[did] facilitate the formation of cartels and trusts," and that "this circumstance thoroughly alters the alignment of interests." (149) With this statement he segued into his analysis of "export oriented monopoly capitalism," and in so doing obviated his entire line of argument up to that point on the "atavistic" nature of imperialism. His argument, taken as a whole, seems to be that imperialism and monopoly were alien to some pure or ideal form of capitalism, but were quite useful to capitalist elites under "actually existing capitalism."
Imediatamente depois de seu tratamento de desconsiderar o imperialismo, Schumpeter qualificou-o com a admissão de que o protecionismo "facilitou a formação de cartéis e trustes," e de que "essa circunstância altera completamente o alinhamento de interesses." (149) Com essa afirmação ele passa a sua análise do "capitalismo de monopólio orientado para exportação," e em o fazendo deixa de lado sua linha inteira de argumentação que seguira até então acerca da natureza "atávica" do imperialismo. A argumentação dele, tomada como um todo, parece ser a de que imperialismo e monopólio eram estranhos a alguma forma pura ou ideal de capitalismo, mas eram bastante úteis para elites capitalistas do "capitalismo efetivamente existente."
For Stromberg state capitalism is not a survival of corrupting pre-capitalist influences, but capitalism's natural course of evolution in a state system, in which politically powerful capitalists can act through the political regime to enrich themselves.
Para Stromberg o capitalismo de estado não é uma sobrevivência de influências corruptoras pré-capitalistas, e sim o curso natural de evolução do capitalismo num sistema estatal, no qual capitalistas politicamente poderosos podem agir por meio do regime político para enriquecer-se.
We may agree that export monopolism and imperialism are indeed partly pre-capitalist phenomena: they are intimately connected with institutions and ideas associated with feudalism and mercantilism, e.g., tariffs, eminent domain, patents, property taxes (a single feudal rent), and--to be thorough--the state apparatus itself. But, to argue, as Schumpeter seems to, that neo-mercantilist and imperialist policies undertaken under modern capitalist conditions are essentially pre- or anti-capitalist is to substitute for historical capitalism an ideal free market (to which we all might aspire).... Thus, Schumpeter weakened and obscured his analysis with... an a-historical use of concepts.... (150)
Podemos concordar com que monopolismo de exportação e militarismo sejam em verdade parcialmente fenômenos pré-capitalistas: estão intimamente conexos com instituições e ideias associadas a feudalismo e mercantilismo, por exemplo tarifas, direito de desapropriação, patentes, tributação da propriedade (um rent feudal único), e -- para ser abrangente -- o próprio aparato do estado. Contudo, argumentar, como Schumpeter parece fazer, que políticas neomercantilistas e imperialistas empreendidas nas condições do capitalismo moderno são essencialmente pré ou anti capitalistas é substituir o capitalismo histórico por um livre mercado ideal (ao qual todos podemos aspirar).... Assim, pois, Shumpeter debilitou e obscureceu sua análise com... uso a-histórico de conceitos.... (150)
But Stromberg himself is also guilty of an "a-historic use of concepts," albeit to a lesser degree than Schumpeter. He admits that the picture of an earlier "laissez-faire" economy was only "partly true," and even tips his hat to the individualist anarchist critique of that so-called laissez-faire (citing Martin's Men Against the State); nevertheless Stromberg still treats the state capitalist system that emerged in the U.S. during and after the Civil War, and especially from the "Progressive" Era on, as a deviation from a largely "laissez faire" capitalism that existed through the mid-nineteenth century.
Entretanto, o próprio Stromberg é também culpado de "uso a-histórico de conceitos," embora em menor grau do que Schumpeter. Ele admite que o cenário de uma economia anterior de  "laissez-faire" era apenas "parcialmente verdadeiro," e até tira o chapéu para a crítica anarquista individualista desse assim chamado laissez-faire (citando o Homens Contra o Estado de Martin); todavia, Stromberg ainda trata o sistema capitalista de estado que surgiu nos Estados Unidos durante e depois da Guerra Civil, e especialmente da Era "Progressista" em diante, como um distanciamento de um capitalismo em grande parte de "laissez faire" que existira ao longo de meado século dezenove.
The main difference between Stromberg's position and that of the nineteenth century mutualists (Benjamin Tucker chief among them) is the extent to which they portray the nineteenth century system as "largely laissez faire." In Tucker's view, capitalism was statist by its very nature. The existence of non-labor derived income depended on the existence of privileges guaranteed by the state.
A principal diferença entre a posição de Stromberg e a dos mutualistas do século dezenove (o principal deles Benjamin Tucker) é a extensão em que retratam o sistema do século dezenove como  "em grande parte de laissez faire." Na visão de Tucker, o capitalismo era estatista por sua própria natureza. A existência de renda não derivada do trabalho dependia da existência de privilégios garantidos pelo estado.
The mutualist understanding that statism is at the root of the profit system requires a brief digression on value theory, before we can pursue this line of inquiry any further. As quaint or atavistic as it may seem to followers of Neoclassical and Austrian economics, I adhere to a heavily modified version of the labor theory of value. I share the assumption of Ricardo and the other classical economists, that for any good with an elastic supply, the equilibrium price will be its cost of production. Cost of production itself is reducible either to labor cost or to some form of monopoly income, since the abolition of statist guarantees to absentee landlordism and monopoly controls on the issuance of credit would lower the price of land and credit to the labor cost of providing them. The output of any particular good will tend toward the number the consumer is willing to buy at its cost of production. This necessarily oversimplifies by ignoring the problem of scarcity rents for goods in inelastic supply, and when supply is in the process of adjusting to increased demand. But we can still generalize that the equilibrium price of a good whose supply is elastic will be the cost of production, and that scarcity rents are a second-order deviation from this general law.
O entendimento mutualista de que o estatismo está na raiz do sistema de lucro requer breve digressão acerca da teoria do valor antes de podermos perseguir adicionalmente essa linha de investigação. Por mais graciosamente antiquado ou atávico que isso possa parecer para seguidores de economia Neoclássica ou Austríaca, abraço versão fortemente modificada da teoria do valor-trabalho. Partilho da assunção de Ricardo e de outros economistas clássicos de que, para qualquer bem com oferta elástica, o preço de equilíbrio será seu custo de produção. O próprio custo de produção é redutível ou ao custo do trabalho ou a alguma forma de renda de monopólio, visto que a abolição de garantias estatistas ao senhorialismo absentista e a controles monopolistas sobre a emissão de crédito reduziria o preço da terra e do crédito ao custo do trabalho de proporcioná-los. A quantidade produzida de qualquer bem específico tenderá para o número que o consumidor estiver disposto a comprar por seu custo de produção. Isso necessariamente envolve supersimplificação por ignorar o problema dos rents de escassez no tocante a bens de oferta inelástica, e nos casos em que a oferta esteja em processo de ajustar-se a aumento de demanda. Ainda assim, porém, podemos generalizar que o preço de equilíbrio de um bem cuja oferta seja elástica será o custo de produção, e que os rents de escassez são um desvio de segunda ordem em relação a essa lei geral.
Rather than Ricardo's (and Marx's) embodied labor-time theory, I revert to Smith's subjective cost understanding of embodied labor. Labor is measured by the worker's subjective feeling of toil and trouble, or of "disutility," as the neoclassicists put it. As even the marginalists admit, labor is unique among the "factors of production" in possessing a disutility. The reason that labor creates exchange value, but free natural goods do not, is that a lump of coal does not have to be persuaded to surrender its energy; but a human being does have to be offered a price to make it worthwhile to undergo the disutility of labor. The consumer can be charged for that which does not cost the producer, only when natural inelasticity, market entry barriers, or other forms of scarcity put the producer in a monopoly position.
Em vez da teoria do tempo de trabalho incorporado de Ricardo (e de Marx), reverto ao entendimento de Smith co custo subjetivo do trabalho incorporado. O trabalho é medido pelo sentimento subjetivo do trabalhador de labuta e aborrecimentos, ou de "desutilidade," como diziam os neoclássicos. Como até os marginalistas admitem, o trabalho é único entre os "fatores de produção" por possuir uma desutilidade. O motivo pelo qual o trabalho cria valor de troca, mas bens naturais soltos não, é que um pedaço de carvão não tem de ser persuadido a ceder sua energia; ao ser humano, entretanto, tem de ser oferecido um preço para que passe a valer a pena sofrer a desutilidade do trabalho. Só poderá ser cobrado do consumidor algo que não custe ao produtor quando inelasticidade natural, barreiras à entrada no mercado ou outras formas de escassez coloquem o produtor em posição de monopólio.
In a totally free market, with producers exchanging the value of their labor in the total absence of privilege or monopoly, the product will be distributed among workers according to their perceived disutility, as a result of the "voluntary higgling of the market." The net disutilities in competing lines of work, taking into account the utilities and disutilities peculiar to each, will be equalized by competition. When market entry is unrestricted, so long as a provider sells at a price more than sufficient to compensate his own subjective effort, other providers will enter the market to undersell him until price equals subjective effort. When absentee landlord rents are not enforced, therefore, the price of land will fall to the level needed to compensate the efforts embodied in improvements, buildings, and so forth. When market entry barriers and prohibitions against mutual banks are eliminated, the cost of credit will fall to the overhead cost of administration.
Num mercado totalmente livre, com produtores trocando o valor de seu trabalho em total ausência de privilégio ou monopólio, o produto será distribuído entre os trabalhadores de acordo com sua desutilidade percebida, como resultado do "pechincar voluntário do mercado." As desutilidades líquidas em linhas rivais de trabalho, levando em conta as utilidades e desutilidades peculiares a cada uma, serão equalizadas pela competição. Quando a entrada no mercado é irrestrita, desde que um provedor venda a preço mais do que suficiente para compensar seu próprio esforço subjetivo, outros provedores entrarão no mercado para vender mais barato do que ele até que o preço iguale o esforço subjetivo. Quando os rents do senhorio absentista não são impostos, portanto, o preço da terra cairá até o nível necessário para compensar os esforços incorporados em melhorias, edifícios e assim por diante. Quando barreiras à entrada no mercado e proibições contra bancos mútuos são eliminadas, o custo do crédito cai até o custo de overhead da administração.
As for time preference, its steepness is heavily dependent on the distribution of property and savings among the classes of society, and on the relative dependence of one class on another for access to the means of production. But to the extent that some degree of time preference would exist even in a society of distributive property ownership, I follow Maurice Dobb's suggestion that it be factored in as a scarcity rent for present as against future labor; that is, another form of disutility in the "higgling of the market."
Quanto à preferência de tempo, sua declividade é fortemente dependente da distribuição da propriedade e da poupança entre as classes da sociedade, e da dependência relativa de uma classe de outra para acesso aos meios de produção. Sem embargo, na medida em que existirá algum grau de preferência de tempo mesmo numa sociedade de posse de propriedade distributiva, acato a sugestão de Maurice Dobb de que ela será computada como rent de escassez do trabalho presente, em vez do trabalho futuro; isto é, outra forma de desutilidade no "pechincar do mercado."
So to sum it up, a free market, as mutualists understand it, tends toward an equilibrium price which does not include payment for anything that did not cost an effort on the part of the provider. The term "equilibrium price" makes allowances for short-term quasi rents resulting from temporary bottlenecks in production, as demand shifts. And these principles only hold true in cases where supply is elastic. In other cases, such as land with productivity or site advantages, above average innate skills, rare works of art, etc., permanent quasi-rents will result from the inelasticity of supply. End of digression.
Assim, para resumir, um livre mercado, no entendimento dos mutualistas, tende para um preço de equilíbrio que não inclui o pagamento de qualquer coisa que não custe esforço da parte do provedor/supridor. A expressão "preço de equilíbrio" leva em conta quase-rents de curto prazo resultantes de gargalos temporários na produção, como alterações da demanda. E esses princípios só são válidos em casos nos quais a oferta é elástica. Em outros casos, como terra com vantagens de produtividade ou localização, habilidades inatas acima da média, obras de arte raras etc., quase-rents permanentes resultarão da inelasticidade da oferta. Fim da digressão.
Stromberg's argument that the problem of surplus output in a state capitalist economy does not violate Say's Law, because Say's Law applies only in a free market, can be taken a step further with mutualist analysis. J.A. Hobson argued that widespread monopoly profits and other unearned income,
A argumentação de Stromberg de que o problema da quantidade produzida excedente numa economia capitalista de estado não viola a Lei de Say, porque a Lei de Say só se aplica a um livre mercado, pode ser levada a um passo adiante por meio da análise mutualista. J.A. Hobson argumentou que lucros de monopólio disseminados e outras receitas não decorrentes do trabalho
[h]aving no natural relation to effort of production, ...impel their recipients to no corresponding satisfaction of consumption: they form a surplus wealth, which, having no proper place in the normal economy of production and consumption, tends to accumulate as excessive savings. (151)
[n]ão tendo qualquer relação natural com o esforço de produção, ...impelem seus recebedores a não correspondente satisfação do consumo: formam uma riqueza excedente que, não tendo lugar adequado na economia normal de produção e consumo, tende a acumular-se como poupança excessiva. (151)
In a truly free market, as mutualists understand it, labor's pay will equal the value it produces; and the "higgling of the market" will tie the amount of disutility laborers are willing to undergo producing value to their perceived consumption needs. Thus, purchasing power will be related directly to the amount of output. In a statist economy, on the other hand, various forms of statist privilege reduce the purchasing power of those who produce wealth and transfer it to those who have no subjective sense of the effort entailed in production.
Num verdadeiro livre mercado, como os mutualistas o entendem, a remuneração do trabalho será igual ao valor que ele produza; e a "pechincha do mercado" atrelará a quantidade de desutilidade que os trabalhadores estejam dispostos a suportar na produção de valor com suas necessidades percebidas de consumo. Assim, pois, o poder de compra será diretamente relativo à quantidade produzida. Numa economia estatista, por outro lado, diversas formas de privilégio estatista reduzem o poder aquisitivo daqueles que produzem riqueza e transferem-no para aqueles que não têm sentimento subjetivo do esforço implicado na produção.
For Tucker, the fundamental difference between nineteenth century capitalism and a real free market lay in the four privileges or monopolies by which the state robbed the laborer of the proper market returns on his labor: the money monopoly, by which the state limited free entry into the money and credit markets, and thus enabled the suppliers of credit to charge a monopoly price; the land monopoly, by which the state enforced absentee "property" claims not founded on occupancy and cultivation; the tariff monopoly; and the patent monopoly. The abolition of the money monopoly (capitalization requirements, licensing, legal tender laws, and other regulations on the private issuance of currency) would result in free market entry into the banking market until the price of credit fell to the labor cost of administering loans. Abolition of the landlord monopoly would cause the price of land to fall to the labor value of improvements (making allowance for economic rent). The effect of removing all four monopolies would be to lower the rate of profit, as such, to zero. (152)
Para Tucker, a diferença fundamental entre o capitalismo do século dezenove e um real livre mercado residia nos quatro privilégios ou monopólios por meio dos quais o estado subtraía do trabalhador os retornos de mercado adequados de seu trabalho: o monopólio do dinheiro, pelo qual o estado limitava livre entrada nos mercados de dinheiro e de crédito, e pois permitia aos supridores de crédito cobrar preço de monopólio; o monopólio da terra, pelo qual o estado impunha títulos de "propriedade" absentista não fundamentados em ocupação e cultivo; o monopólio da tarifa; e o monopólio da patente. A abolição do monopólio do dinheiro (exigências de capitalização, licenciamento, leis de moeda legal e outras regulamentações quanto à emissão privada de moeda) resultaria numa entrada de mercado livre no mercado bancário até o preço do crédito cair para o custo do trabalho de administrar empréstimos. A abolição do monopólio do senhorio faria o preço da terra cair para o valor de trabalho de melhorias (levando em conta o rent econômico). O efeito da remoção de todos os quatro monopólios seria diminuir o índice de lucro, enquanto tal, a zero. (152)
The first two monopolies are an issue of dispute among right-libertarians. As to the money monopoly, there is room for legitimate disagreement over how much of existing interest rates is due to monopoly, and how much to risk premium or time-preference, and to how much they would be reduced by free banking. The mainstream libertarian right is predominantly Lockean on the land issue, although the followers of George, Spencer and Nock comprise a large undercurrent of honorable exceptions. But the illegitimacy of tariffs and patents is a matter of agreement for the great majority of libertarians. Hilferding, Schumpeter and Mises viewed the tariff as the largest single enabling factor for cartelization of the domestic economy.
Os dois primeiros primeiros monopólios são objeto de disputa entre os libertários de direita. Quanto ao monopólio do dinheiro, há espaço para desacordo legítimo acerca de quanto das taxas de juros existentes é atribuível ao monopólio e quanto a prêmio de risco ou preferência de tempo, e a quanto elas seriam reduzidas pela atividade bancária livre. A ala majoritária da direita libertária é predominentemente lockeana no tocante à questão da terr, embora os seguidores de George, Spencer e Nock formem uma grande tendência contrária de honoráveis exceções. A ilegitimidade de tarifas e patentes, contudo, é objeto de acordo no seio da grande maioria dos libertários. Hilferding, Schumpeter e Mises viam a tarifa como o maior fator isolado habilitador da cartelização da economia doméstica.
As for patents, their effect has been almost beyond comprehension. Tucker focused on their function of giving monopoly privileges to the individual inventor, while ignoring their effect on the institutional structure of corporate capitalism. Patents are a mighty weapon for cartelizing an industry in under the control of a handful of producers. According to David Noble, patent control is one of the chief means by which manufacturing corporations have maintained their market share. And the leading firms in an industry may cartelize it by exchanging their patents and jointly using their shared patents to close the market to the entry of new competition. For example, General Electric and Westinghouse effectively cartelized the electrical appliance industry by a large-scale exchange of patents. The American chemical industry was created almost from nothing during World War I, when the U.S. Justice Department seized the German chemical patents and then gave them away free to fledgling American companies. (153) The expansion of international patent law through the GATT regime has served to cartelize industry on a global scale. Patents on general-use technologies, especially, lock western TNCs into permanent control of modern productive technologies and protect them from the emergence of native competition in the Third World. (154)
Quanto às patentes, seu efeito tem ficado quase além da compreensão. Tucker concentrou-se na função delas de dar privilégios de monopólio ao inventor individual, ignorando porém o efeito delas sobre a estrutura institucional do capitalismo corporativo. As patentes são poderosa arma para cartelizar-se um setor/indústria colocando-o sob controle de um punhado de produtores. De acordo com David Noble, o controle de patentes é um dos principais meios pelos quais as corporações manufatureiras têm mantido sua fatia de mercado. E as empresas líderes de determinada indústria podem cartelizá-la mediante trocar entre elas suas patentes e usar conjuntamente suas patentes compartidas para fechar o mercado à entrada de nova competição. Por exemplo, General Electric e Westinghouse indiretamente cartelizaram a indústria de eletrodomésticos por meio de uma troca de patentes em larga escala. A indústria química estadunidense foi criada quase a partir do nada durante a Primeira Guerra Mundial, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apoderou-se das patentes químicas alemãs e as doou a nascentes companhias estadunidenses. (153) A expansão da lei de patentes internacional por meio do regime do GATT tem servido para cartelizar a indústria em escala global. Patentes de tecnologias de uso gral, especialmente, trancam as corporações transnacionais - TNC ocidentais em controle permanente das tecnologias produtivas modernas e protegem-nas do surgimento de competição nativa no Terceiro Mundo. (154)
Tucker himself neglected two major forms of state intervention, which had long been or were currently becoming decisive in his time: primitive accumulation and transportation subsidies. Without the state's role in robbing the peasantry of rights of copyhold, commons, and other traditional rights in the land, and turning them into tenants at-will in the modern sense, there would have been no majority of propertyless laborers forced to "sell their lives in order to live." Without the system of social control imposed by the state, the working class would have been a lot harder to manage. In England, for example, the Poor Laws and Vagrancy Laws amounted to a Stalinesque internal passport system; the Combination Act, and various police meaures by Pitt like the Riot Act and suspension of habeas corpus, together placed everyone below the small middle class beyond the protection of so-called rights of Englishmen. The creation of the so-called "world market" was brought about by the brutal and heavy-handed mercantilist policies of Great Britain.
O próprio Tucker negligenciou duas formas importantes de intervenções do estado, que havia muito já eram ou então estavam tornando-se decisivas em sua época: a acumulação primitiva e os subsídios ao transporte. Sem o papel do estado em subtrair dos camponeses direitos de enfiteuse, terras comuns e outros direitos tradicionais da terra, e de torná-los arrendatários sem estabilidade no sentido moderno, não teria havido maioria de trabalhadores sem propriedade forçados a "vender suas vidas para conseguirem viver." Sem o sistema de controle social imposto pelo estado, a classe trabalhadora teria sido muito mais difícil de administrar. Na Inglaterra, por exemplo, as Leis dos Pobres e as Leis da Vadiagem equivaleram a um stalinesco sistema de passaporte interno; a Lei da Associação, e diversas medidas policiais de Pitt tais como a Lei dos Distúrbios e a suspensão do habeas corpus, juntas colocaram todo mundo abaixo da pequena classe média fora da proteção dos assim chamados direitos dos ingleses. A criação do assim chamado "mercado mundial" foi causada pelas brutais e autoritárias políticas mercantilistas da Grã-Bretanha.
As for transportation subsidies, every wave of concentration of capital in the past 150 years has followed some centralized transportation or communications infrastructure whose creation was initiated by the state. The heavily state-subsidized railroads led, in the United States, to the first manufacturing corporations on a continental scale. Federal subsidies to the numbered state highways in the 1920s, followed by the interstates of the 1950s had a massive effect on the concentration of retailing and agriculture; the civil aviation system (and especially the postwar jumbo jets--see above) was almost entirely a creation of the state. And the ability of TNCs to direct operations around the world in realtime, from a single headquarters, was made possible by the state-initiated telecommunications infrastructure (especially the worldwide web, in whose creation the Pentagon's DARPA played a major role).
Quanto a subsídios aos transportes, todas as ondas de concentração de capital nos últimos 150 anos foram precedidas de alguma infraestrutura centralizada de transporte ou comunicação cuja criação foi de iniciativa do estado. As ferrovias fortemente subsidiadas pelo estado levaram nos Estados Unidos, às primeiras corporações manufatureiras em escala continental. Subsídios federais às rodovias numeradas do estado nos anos 1920, seguidas das interestaduais dos anos 1950 tiveram enorme efeito na concentração do varejo e da agricultura; o sistema de aviação civil (e especialmente os jatos colossais do pós-guerra -- vide acima) foi quase inteiramente criação do estado. E a capacidade das TNC de dirigir operações ao redor do mundo em tempo real, de uma única sede, foi tornada possível pela infraestrutura de telecomunicações iniciada pelo estado (especialmente a web mundial, em cuja criação o DARPA do Pentágono desempenhou papel importante).
"Actually existing capitalism," even in the supposedly "laissez faire" nineteenth century, would not be capitalism without its state capitalist features. Capitalism was defined by state capitalist features from its very beginnings. As early radicals like Paine and Cobbett, and market-oriented Ricardian socialists like Hodgskin understood it, the statist features of capitalism were analogous to the use of the state by landed interests under the Old Regime. It is a useful exercise for anyone who views the nineteenth century as "largely laissez-faire" to consider the effects, severally, of patents, tariffs, and railroad subsidies, and then try to mentally encompass the synergistic effect of all of them together.
O "capitalismo efetivamente existente," mesmo no pretensamente "laissez faire" do século dezenove, não seria capitalismo sem suas características capitalistas de estado. O capitalismo foi definido por suas características capitalistas de estado desde seu primeiro começo. Tal como primeiros radicais como Paine e Cobbett, e socialistas ricardianos orientados para o mercado como Hodgskin as entendiam, as características estatistas do capitalismo eram análogas ao uso do estado por interesses fundiários no Antigo Regime. É útil exercício para qualquer pessoa que veja o século dezenove como "grandemente laissez-faire" considerar os efeitos, separadamente, de patentes, tarifas e subsídios a ferrovias, e então tentar mentalmente abranger o efeito sinérgico de todos eles juntamente.
So a mutualist treatment of Marx's "declining rate of profit" would characterize it as a continuing increase in the rate of state intervention necessary for profits to exist at all. In the nineteenth century, it required only the kinds of legal privileges Tucker described, which were largely embedded in the general legal system, and thus disguised as a "neutral" framework governing a free society.
Assim, pois, um tratamento mutualista da "taxa declinante de lucro" de Marx caracterizá-la-ia como aumento contínuo da intervenção do estado indispensável para que os lucros sequer existam. No século dezenove isso requeria apenas os tipos de privilégios legais que Tucker descreveu, que estavam em grande parte embutidos no sistema legal geral, e portanto disfarçados de arcabouço "neutro" governando uma sociedade livre.
The larger-scale state capitalist intervention, generally identified with Whigs and Republicans in the mid-nineteenth century, led to a centralization of the economy in the hands of large producers. This system was inherently unstable, and required still further state intervention to solve its contradictions. The result was the full-blown state capitalism of the twentieth century, in which the state played a direct role in subsidizing and cartelizing the corporate economy. As regulatory cartelization advanced from the "Progressive" era on, the problems of overproduction and surplus capital were further intensified by the forces described by Stromberg, with the state resorting to ever greater, snowballing foreign expansionism and domestic corporatism to solve them. They eventually led to New Deal corporate state, to a world war in which the U.S. was established as "hegemonic power in a system of world order" (Huntington), and an almost totally militarized high tech economy.
A intervenção capitalista de estado em maior escala, geralmente identificada com Whigs e Republicanos em meados do século dezenove, levou a uma centralização da economia nas mãos de grandes produtores. Tal sistema era inerentemente instável, e requeria ainda mais intervenção do estado para resolução de suas contradições. O resultado foi o capitalismo completamente desabrochado do século vinte, no qual o estado teve papel direto em subsidiar e cartelizar a economia corporativa. Ao a cartelização regulatória avançar da era "Progressista" em diante, os problemas de superprodução e capital excedente foram adicionalmente intensificados pelas forças descritas por Stromberg, com o estado recorrendo a cada vez maior expansionismo tipo bola de neve no estrangeiro e a corporatismo doméstico para resolvê-los. Finalmente levaram a estado corporativo do Novo Pacto, a uma guerra mundial na qual os Estados Unidos se estabeleceram como "potência hegemônica num sistema de ordem mundial" (Huntington), e a uma economia de alta tecnologia quase totalmente militarizada.
A positive rate of profit, under twentieth century state capitalism, was possible only because the state underwrote so much of the cost of reproduction of constant and variable capital, and undertook "social investment" which increased the efficiency of labor and capital and consequently the rate of profit on capital. (155) And monopoly capital's demands on the state are not stable over time, but steadily increase:
Índice de lucro positivo, no capitalismo de estado do século vinte, só foi possível porque o estado subscreveu tanto do custo de reprodução de capital constante e variável, e empreendeu "investimento social" que aumentou a eficiência do trabalho e do capital e consequentemente o índice de lucro do capital. (155) E as demandas do capital de monopólio em relação ao estado não são estáveis ao longo do tempo, mas aumentam sistematicamente:
...the socialization of the costs of social investment and social consumption capital increases over time and increasingly is needed for profitable accumulation by monopoly capital. The general reason is that the increase in the social character of production (specialization, division of labor, interdependency, the growth of new social forms of capital such as education, etc.) either prohibits or renders unprofitable the private accumulation of constant and variable capital. (156)
...a socialização dos custos do capital de investimento social e de consumo social aumenta ao longo do tempo e é cada vez mais necessária para acumulação lucrativa pelo capital de monopólio. O motivo geral é que o aumento do caráter social da produção (especialização, divisão do trabalho, interdependência, crescimento de novas formas sociais de capital como educação etc.) ou impede ou torna improfícua a acumulação privada de capital constante e variável. (156)
O'Connor did not adequately deal with a primary reason for the fiscal crisis: the increasing role of the state in performing functions of capital reproduction removes an ever-growing segment of the economy from the market price system. The removal of the price feedback system, which in a free market ties quantity demanded to quantity supplied, leads to ever-increasing demands on state services. When the consumption of some factor is subsidized by the state, the consumer is protected from the real cost of providing it, and unable to make a rational decision about how much to use. So the state capitalist sector tends to add factor inputs extensively, rather than intensively; that is, it uses the factors in larger amounts, rather than using existing amounts more efficiently. The state capitalist system generates demands for new inputs from the state geometrically, while the state's ability to provide new inputs increases only arithmetically. The result is a process of snowballing irrationality, in which the state's interventions further destabilize the system, requiring yet further state intervention, until the system's requirements for stabilizing inputs exceed the state's resources. At that point, the state capitalist system reaches a breaking point.
O'Connor não lidou adequadamente com um motivo primário da crise fiscal: o crescente papel do estado no desempenho de funções de reprodução de capital remove um segmento da economia em constante crescimento do sistema de preços de mercado. A remoção do sistema de feedback de preços, o qual, num livre mercado, atrela a quantidade demandada à quantidade suprida, leva a sempre crescente demanda por serviços do estado. Quando o consumo de algum fator é subsidiado pelo estado, o consumidor fica protegido do real custo do fornecimento dele, e torna-se incapaz de tomar decisão racional acerca de quanto usar. Assim o setor capitalista de estado tende a acrescentar insumos-fatores extensivamente, em vez de intensivamente; isto é, ele usa os fatores em quantidades maiores, em vez de usar intensivamente quantidades já existentes. O sistema capitalista de estado gera demandas por novos insumos propiciados pelo estado geometricamente, enquanto  capacidade do estado de fornecer novos insumos aumenta apenas aritmeticamente. O resultado é um processo de irracionalidade tipo bola de neve, no qual as intervenções do estado desestabilizam cada vez mais o sistema, o que torna requerida intervenção estatal adicional, até que as exigências do sistema para estabilização dos insumos excedam os recursos do estado. A essa altura, o sistema capitalista de estado atinge ponto de ruptura.
Probably the best example of this phenomenon is the transportation system. State subsidies to highways, airports, and railroads, by distorting the cost feedback to users, destroy the link between the amount provided and the amount demanded. The result, among other things, is an interstate highway system that generates congestion faster than it can build or expand the system to accomodate congestion. The cost of repairing the most urgent deteriorating roadbeds and bridges is several times greater than the amount appropriated for that purpose. In civil aviation, at least before the September 11 attacks, the result was planes stacked up six high over O'Hare airport. There is simply no way to solve these crises by building more highways or airports. The only solution is to fund transportation with cost-based user fees, so that the user perceives the true cost of providing the services he consumes. But this solution would entail the destruction of the existing centralized corporate economy.
Provavelmente o melhor exemplo desse fenômeno é o sistema de transporte. Subsídios do estado a rodovias, aeroportos e ferrovias, ao distorcerem o feedback de custo para os usuários, destroem o elo entre a quantidade fornecida e a quantidade demandada. O resultado, entre outras coisas, é um sistema de rodovias interestaduais que gera congesttionamento mais depressa do que pode construir ou expandir o sistema para acomodar congestionamento. O custo de reparar os leitos de estrada e pontos de deterioração mais urgente é muitas vezes maior do que o montante apropriado para esse fim. Na aviação civil, pelo menos antes dos ataques do 11 de setembro, o resultado foi seis aviões sobrevoando o o aeroporto O'Hare esperando autorização para aterrissar. Simplesmente não há como resolver essas crises mediante construção de mais rodovias ou aeroportos. A única solução é financiar transporte com preços para o usuário baseado nos custos, de tal maneira que o usuário perceba o verdadeiro custo do fornecimento do serviço que consome. Essa solução, contudo, envolveria a destruição da economia corporativa centralizada existente.
The same law of excess consumption and shortages manifests itself in the case of energy. When the state subsidizes the consumption of resources like fossil fuels, business tends to add inputs extensively, instead of using existing inputs more intensively. Since the incentives for conservation and economy are artificially distorted, demand outstrips supply. But the energy problem is further complicated by finite reserves of fossil fuels. According to an article in the Oil and Gas Journal last year,
A mesma lei de consumo exessivo e escassez manifesta-se no caso da energia. Quando o estado subsidia o consumo de recursos tais como combustíveis fósseis, as empresas tendem a acrescentar insumos extensivamente, em vez de usar os insumos já existentes mais intensivamente. Visto que os incentivos para conservação e economia são artificialmente distorcidos, a demanda supera a oferta. O problema da energia, contudo, é adicionalmente complicado por reservas finitas de combustível fóssil. De acordo com artigo no Jornal de Petróleo e Gás do ano passado,
....The world is drawing down its oil reserves at an unprecedented rate, with supplies likely to be constrained by global production capacity by 2010, "even assuming no growth in demand," said analysts at Douglas-Westwood Ltd., an energy industry consulting firm based in Canterbury, England.
....O mundo está fazendo baixar o nível de suas reservas de petróleo em índices sem precedentes, com o fornecimento a ser provavelmente restringido pela capacidade mundial de produção em 2010, "mesmo não se assumindo qualquer aumento da demanda," disseram analistas da Douglas-Westwood Ltd., firma consultora da indústria de energia sediada em Canterbury, Inglaterra.
"Oil will permanently cease to be abundant," said Douglas-Westwood analysts in the World Oil Supply Report issued earlier this month. "Supply and demand will be forced to balance-but at a price."
"O petróleo cessará permanentemente de ser abundante," disseram analistas da Douglas-Westwood em Relatório do Suprimento de Petróleo no Mundo publicado antes este mês. "Oferta e demanda serão forçadas a equilibrar-se - mas haverá um preço."
The resulting economic shocks will rival those of the 1970s, as oil prices "could double and treble within 2 or 3 years as the world changes from oil abundance to oil scarcity. The world is facing a future of major oil price increases, which will occur sooner than many people believe," that report concluded.
Os choques econômicos resultantes rivalizarão com aqueles dos anos 1970, na medida em que os preços do petróleo "poderão dobrar e triplicar dentro de 2 ou 3 anos à medida que o mundo passa da abundância de petróleo para a escassez de petróleo. O mundo está enfrentando um futuro de aumentos maiores do preço do petróleo, o que ocorrerá mais cedo do que muitas pessoas acreditam," concluiu aquele relatório.
"The world's known and estimated 'yet to find' reserves cannot satisfy even the present level of production of some 74 million b/d beyond 2022. Any growth in global economic activity only serves to increase demand and bring forward the peak year," the report said.
"As reservas já conhecidas e estimadas 'ainda por serem descobertas' do mundo não poderão satisfazer nem mesmo o atual nível de produção de cerca de 74 milhões de barris por dia depois de 2022. Qualquer aumento da atividade econômica global só serve para aumentar a demanda e antecipar o ano do pico," disse o relatório.
A 1% annual growth in world demand for oil could cause global crude production to peak at 83 million b/d in 2016, said Douglas-Westwood analysts. A 2% growth in demand could trigger a production peak of 87 million b/d by 2011, while 3% growth would move that production peak to as early as 2006, they said.
1% de aumento anual na demanda de petróleo do mundo poderá levar a produção global de petróleo cru a pico de 83 milhões de barris por dia em 2016, disseram os analistas da Douglas-Westwood. 2% de aumento na demanda poderão levar a um pico de produção de 87 milhões de barris por dia em 2011, enquanto 3% de aumento moveriam tal pico de produção para tão cedo quanto 2006, disseram eles.
Zero demand growth would delay the world's oil production peak only until 2022, said the Douglas-Westwood report.
Crescimento zero da demanda postergaria o pico mundial de produção de petróleo apenas até 2022, disse o relatório da Douglas-Westwood.
However, the International Energy Agency recently forecast that world oil demand would reach 119 million b/d by 2020. (157)
Todavia, a Agência Internacional de Energia recentemente previu que a demanda mundial por petróleo atingiria 119 milhões de barris por dia em 2020. (157)
During the shortages of the late '70s, Warren Johnson predicted that a prolonged energy crisis would lead, through market forces, to a radical decentralization of the economy and a return to localism. (158) Like every other kind of state intervention, subsidies to transportation and energy lead to ever greater irrationality, culminating in collapse.
Durante a escassez do final dos anos 1970 Warren Johnson previu que uma crise prolongada de energia levaria, por meio de forças do mercado, a radical descentralização da economia e retorno ao localismo. (158) Como todo outro tipo de intervenção do estado, subsídios ao transporte e energia levam a irracionalidade sempre crescente, culminando no colapso.
Other centralized offshoots of the state capitalist system produce similar results. Corporate agribusiness, for example, requires several times as much synthetic pesticide application per acre to produce the same results as in 1950--partly because of insect resistance, and partly because pesticides kill not only insect pests but their natural enemies up the food chain. At the same time, giant monoculture plantations typical of the agribusiness system are especially prone to insects and blights which specialize in particular crops. The use of chemical fertilizers, at least the most common simple N-P-K varieties, strips the soil of trace elements--a phenomenon noted long ago by Max Gerson. The chemical fillers in these fertilizers, as they accumulate, alter the osmotic quality of the soil--or even render it toxic. Reliance on such fertilizers instead of traditional green manures and composts severely degrades the quality of the soil as a living biological system: for example, the depletion of mycorrhizae which function symbiotically with root systems to aid absorption of nutrients. The cumulative effect of all these practices is to push soil to the point of biological collapse. The hardpan clay on many agribusiness plantations is virtually sterile biologically, often with less than a single earthworm per cubic yard of soil. The result, as with chemical pesticides, is ever increasing inputs of fertilizer to produce diminishing results.
Outros ramos centralizados do sistema capitalista de estado produzem resultados semelhantes. O agronegócio corporativo, por exemplo, requer diversas vezes a quantidade de aplicação de pesticida por acre para produzir os mesmos resultados que em 1950 -- em parte por causa de resistência dos insetos, e em parte porque os pesticidas matam não apenas pragas de insetos mas também os inimigos naturais deles na cadeia alimentar. Ao mesmo tempo, plantações gigantescas de monocultura típicas do sistema de agronegócio são particularmente vulneráveis a insetos e pragas secadoras de plantas especializados em determinadas culturas. O uso de fertilizantes químicos, pelo menos as variedades simples N-P-K mais comuns, destitui o solo de elementos traços -- fenômeno observado há muito tepo por Max Gerson. O enchimento químico desses fertilizantes, ao acumular-se, altera a qualidade osmótica do solo -- ou até o tornam tóxico. O recurso a tais fertilizantes em vez de esterco e compostos verdes tradicionais degrada severamente a qualidade do solo como sistema biológico vivo: por exemplo, a depleção de micorriza que funciona simbioticamente com sistemas de raízes para auxiliar a absorção de nutrientes. O efeito cumulativo de todas essas práticas é levar o solo ao ponto de colapso biolótico. O barro do subsolo de muitas plantações do agronegócio é praticamente estéril biologicamente, amiúde com menos de uma única minhoca por jarda cúbica de solo. O resultado, como no caso dos pesticidas químicos, é insumos sempre crescentes de fertilizante para produzir resultados decrescentes.
In every case, the basic rule is that, whenever the economy deviates from market price as an allocating principle, it deviates to that extent from rationality. In a long series of indices, the state capitalist economy uses resources or factors much more intensively than would be possible if large corporations were paying the cost themselves. The economy is much more transportation-intensive than a free market could support, as we have seen. It is likewise more capital-intensive, and more intensively dependent on scientific-technical labor, than would be economical if all costs were borne by the beneficiaries. The economy is far more centralized, capital intensive, and high-tech than it would otherwise be. Had large corporate firms paid for these inputs themselves, they would have reached the point of zero marginal utility from additional inputs much earlier.
Em todos os casos, a regra básica é que, sempre que a economia se desvia do preço de mercado como princípio de alocação, desvia-se nessa mesma medida da racionalidade. Numa longa série de índices, a economia capitalista de estado usa recursos ou fatores muito mais intensivamente do que seria possível se as grandes corporações pagassem o custo elas próprias. A economia é muito mais transporte-intensiva do que um livre mercado poderia suportar, como vimos. É, analogamente, mais capital-intensiva, e mais intensivamente dependente de trabalho científico-técnico, do que seria econômico se todos os custos fossem arcados pelos beneficiários. A economia é muito mais centralizada, capital-intensiva e de alta tenologia do que de outra forma seria. Tivessem as grandes empresas pago esses insumos elas próprias, teriam atingido o ponto de utilidade marginal zero decorrente de insumos adicionais muito antes.
At the same time as the demand for state economic inputs increases, state capitalism also produces all kinds of social pathologies that require "social expenditures" to contain or correct. By subsidizing the most capital-intensive forms of production, it promotes unemployment and the growth of an underclass. But just as important, it undermines the very social structures--family, church, neighborhood, etc.--on which it depends for the reproduction of a healthy social order.
Ao mesmo tempo em que aumenta a demanda por insumos econômicos do estado, o capitalismo de estado produz também todos os tipos de patologias sociais que requerem "gastos sociais" a serem contidos ou corrigidos. Ao subsidiar as formas de produção mais capital-intensivas, ele promove o desemprego e o aumento de uma classe baixa. Contudo, igualmente importante, solapa as próprias estruturas sociais -- família, igreja, vizinhança etc. -- das quais depende para reprodução de uma ordem social saudável.
Those who believe the market and commodity production as such inevitably suck all social relations into the "cash nexus," and undermine the stability of autonomous social institutions, are wrong. But this critique, while not valid for the market as such, is valid for state capitalism, where the state is driven into ever new realms in order to stabilize the corporate system. State intervention in the process of reproducing human capital (i.e., public education and tax-supported vocational-technical education), and state aid to forms of economic centralization that atomize society, result in the destruction of civil society and the replacement by direct state intervention of activities previously carried out by autonomous institutions. The destruction of civil society, in turn, leads to still further state intervention to deal with the resulting social pathologies.
Aqueles que acreditam que acreditam que o mercado e a produção de commodities enquanto tais fazem inevitavelmente todas as relações sociais desaguarem no "nexo de caixa," e solapam a estabilidade das instituições sociais autônomas estão equivocados. Essa crítica, contudo, embora não válida para o mercado enquanto tal, é válida quanto ao capitalismo de estado, onde o estado é impelido para domínios sempre novos a fim de estabilizar o sistema corporativo. A intervenção do estado no processo de reprodução de capital humano (isto é, educação pública e educação vocacional-técnica apoiadas em tributos) e ajuda estatal a formas de centralização econômica que atomizam a sociedade, resultam na destruição da sociedade civil e na subsituição de atividades antes levadas a efeito por instituições autônomas por intervenções diretas do estado. A destruição da sociedade civil, por sua vez, leva a ainda mais intervenção do estado para lidar com as resultantes patologias sociais.
The free market criticism of these phenomena closely parallels that of Ivan Illich in Tools For Conviviality. (159) Illich argued that the adoption of technologies followed a pattern characterized by two thresholds (or "watersheds"). The first threshold was one of high marginal utility for added increments of the new technology, with large increases in overall quality of life as it was introduced. But eventually a second threshold was reached, at which further increments produced disutilities. Technologies continued to be adopted beyond the level at which they positively harmed society; entire areas of life were subject to increased specialization, professionalization, and bureaucratic control; and older forms of technology that permitted more autonomous, local and individual control, were actively stamped out. In all these areas of life, the effect was to destroy human-scale institutions and ways of doing things, amenable to control by the average person.
A crítica de livre mercado desses fenômenos guarda estreito paralelo com a de Ivan Illich em Ferramentas de Sociabilidade. (159) Illich argumentou que a adoção de tecnologias seguia um padrão caracterizado por duas soleiras (ou "divisores de águas"). A primeira soleira era de alta utilidade marginal para adição de incrementos da nova tecnologia, com grandes aumentos na qualidade geral de vida ao eles serem introduzidos. Por fim, entanto, uma segunda soleira era atingida, na qual incrementos adicionais produziam desutilidades. As tecnologias continuavam a ser adotadas além do nível no qual elas positivamente causavam danos à sociedade; áreas inteiras da vida eram sujeitadas a crescentes especialização, profissionalização e controle burocrático; e formas mais antigas de tecnologia que permitiam controle mais autônomo, local e individual eram ativamente extirpadas. Em todas essas áreas da vida, o efeito era destruir instituições e meios de fazer coisas de escala humana, passíveis de controle pela pessoa média.
In medicine, the first threshold was identified with the introduction of septic techniques, antibiotics, and other elementary technologies that drastically reduced the death rates. The second was identified with intensive reliance on extremely expensive medications and procedures with only marginally beneficial results (not to mention iatrogenic diseases), the transformation of medicine into a priesthood governed by "professional" bureaucracies, and the loss by ordinary people of control over their own health. The automobile reached the second threshold when it became impossible for most people to work or shop within walking or bicycle distance of where they lived. The car ceased to be a luxury, and became a necessity for most people; a lifestyle independent of it was no longer an option.
Em medicina, a primeira soleira foi identificada com a introdução de técnicas sépticas, antibióticos e outras tecnologias elementares que reduziram drasticamente os índices de mortes. A segunda foi identificada com recurso intensivo a medicamentos e procedimentos extremamente caros com resultados apenas marginalmente benéficos (para não mencionar doenças iatrogências), a transformação da medicina num clero governado por burocracias "profissionais," e a perda, pelas pessoas comuns, de todo o controle sobre sua própria saúde. O automóvel atingiu a segunda soleira quando se tornou impossível para a maioria das pessoas trabalhar ou fazer compras a distância a pé ou de bicicleta em relação ao lugar onde moravam. O carro deixou de ser luxo, e tornou-se uma necessidade para a maioria das pessoas; um estilo de vida independente dele não mais representava uma opção.
Those who criticize such aspects of our society, or express sympathies for the older, smaller-scale ways of life, are commonly dismissed as nostalgic, romantic--even luddites. And such critiques are indeed, more often than not, coupled with calls for government regulation of some kind to protect quality of life, by restraining the introduction of disruptive technologies. The worst such critics idealize the "Native American" practice of considering the effects of a technology for "six generations" before allowing it to be adopted. Illich himself fell into this general category, considering these issues to be a proper matter for grass-roots political control ("convivial reconstruction").
Aqueles que criticam tais aspectos de nossa sociedade, ou expressam simpatia pelos estilos de vida mais antigos, de menor escala, são comumente desqualificados como nostálgicos, românticos -- até luditas. E tais críticas são com efeito, mais amiúde do que não, atreladas a apelos por regulamentação do governo de algum tipo para proteger a qualidade de vida, mediante restrição à introdução de tecnologias diruptivas. Os piores desses críticos idealizam a prática "estadunidense nativa" de considerar os efeitos de uma tecnologia por "seis gerações" antes de permitir a adoção dela. O próprio Illich recaiu nessa categoria geral, considerando essas questões serem matéria adequada para controle político de base ("reconstrução social/convival").
But in fact, it is quite possible to lament the loss of human scale society ("Norman Rockwell's America"), and to resent the triumph of professionalization and the automobile, all the while adhering to strictly free market principles. For government, far from being the solution to these evils, has been their cause. Illich went wrong in treating the first and second thresholds, respectively, as watersheds of social utility and disutility, without considering the mechanism of coercion that is necessary for social disutility to exist at all. In a society where all transactions are voluntary, no such thing as "social disutility" is possible. Net social disutility can only occur when those who personally benefit from the introduction of new technologies beyond the second threshold, are able to force others to bear the disutilities. As we have already seen in our citations of O'Connor's analysis, this is the case in regard to a great deal of technology. The profit is privatized, while the cost is socialized. Were those who benefited from greater reliance on the car, for example, forced to internalize all the costs, the car would not be introduced beyond the point where overall disutilities equalled overall utilities. As Kaveh Pourvand elegantly put it in a private communication recently, the state's intervention promotes the adoption of certain technologies beyond Pareto optimality. (160) Coercion, or use of the "political means," is the only way in which one person can impose disutility on another.
Em realidade, porém, é bastante possível lamentar a perda da sociedadde escala humana ("Os Estados Unidos de Norman Rockwell"), e ressentir-e do triunfo da profissionalização e do automóvel, ao mesmo tempo aderindo a estritos princípios de livre mercado. Pois o governo, longe de ser a solução desses males, tem sido sua causa. Illich equivocou-se ao tratar a primeira e a segunda soleiras, respectivamente, como divisores de águas de utilidade e desutilidade social, sem considerar o mecanismo de coerção indispensável para que sequer exista desutilidade social. Numa sociedade na qual todas as transações são voluntárias não é possível algo como "desutilidade social." Desutilidade social líquida só pode ocorrer quando aqueles que pessoalmente se beneficiam da introdução de novas tecnologias além da segunda soleira são capazes de forças outras pessoas a arcar com as desutilidades. Como já vimos em nossas citações da análise de O'Connor, isso ocorre em relação a grande parte da tecnologia. O lucro é privatizado, enquanto custo é socializado. Se aqueles que se beneficiaram de maior dependência do carro, por exemplo, tivessem sido forçados a internalizar todos os custos, o carro não teria sido introduzido além do ponto no qual as desutilidades em geral igualassem as utilidades em geral. Como disse elegantemente Kaveh Pourvand numa comunicação privada recentemente, a intervenção do estado promove adoção de certas tecnologias além da otimalidade de Pareto. (160) A coerção, ou uso de "meios políticos," é o único meio pelo qual uma pessoa pode impor desutilidade a outra.
The state capitalist system thus demands ever greater state inputs in the form of subsidies to accumulation, and ever greater intervention to contain the ill social effects of state capitalism. Coupled with political pressures to restrain the growth of taxation, these demands lead to (as O'Connor's title indicates) a "fiscal crisis of the state," or "a tendency for state expenditures to increase faster than the means of financing them." (161) The "'structural gap' ...between state expenditures and state revenue" is met by chronic deficit finance, with the inevitable inflationary results. Under state capitalism "crisis tendencies shift, of course, from the economic into the administrative system..." This displaced crisis is expressed through "inflation and a permanent crisis in public finance." (162)
O sistema capitalista de estado portanto demanda do estado insumos cada vez maiores na forma de subsídios à acumulação, e cada vez maior intervenção para conter os efeitos sociais malsãos do capitalismo de estado. Acopladas a pressões políticas para restringir o aumento da tributação, essas demandas levam a (como o título de O'Connor indica) uma "crise fiscal do estado," ou "tendência de os gastos do estado aumentarem mais depressa do que os meios de financiá-los." (161) A "'lacuna estrutural' ...entre os gastos do estado e a receita do estado" é atendida por meio de finança de déficit crônico, com os inevitáveis resultados inflacionários. No capitalismo de estado "as tendências de crises se deslocam, naturalmente, do sistema econômico para o administrativo..." Essa crise deslocada é expressa por meio de "inflação e crise permanente da finança pública." (162)
The problem is intensified by the disproportionate financing of State expenditures by taxes on the competitive sector (including the taxes on the monopoly capital sector which are passed on to the competitive sector), and the promotion of monopoly capital profits at the expense of the competitive sector. This depression of the competitive sector simultaneously reduces its purchasing power and its strength as a tax base, and exacerbates the crises of both state finance and demand shortfall.
O problema é intensificado pelo financiamento desproporcional dos gastos do Estado por tributos incidentes sobre o setor competitivo (inclusive os tributos sobre o setor de capital de monopólio que são passados para o setor competitivo), e pela promoção de lucros do capital de monopólio a expensas do setor competitivo. Essa depressão do setor competitivo simultaneamente reduz seu poder aquisitivo e sua potência como base tributária, e exacerba as crises tanto da finança do estado quanto da deficiência de demanda.
Parallel to the fiscal crisis of the state, state capitalism likewise moves towards what Habermas called a "legitimation crisis." State capitalism involves "[r]e-coupling the economic system to the political.... The state apparatus no longer, as in liberal capitalism, merely secures the general conditions of production..., but is now actively engaged in it." (163) That is, capitalism abandons the "laissez-faire" model of state involvement mainly through the enforcement of a general legal framework, and resorts instead to direct organizational links and direct state inputs into the private sector.
Paralelamente à crise fiscal do estado o capitalismo de estado analogamente se move rumo ao que Habermas chamou de "crise de legitimação." O capitalismo de estado envolve "[r]eacoplar o sistema econômico ao político.... O aparato do sistema não mais, ao contrário do que ocorre no capitalismo liberal, apenas assegura as condições gerais da produção..., mas está agora ativamente engajado nela." (163) Isto é, o capitalismo abandona o modelo "laissez-faire" de envolvimento do estado principalmente por meio de um arcabouço legal geral e passa a recorrer a elos organizacionais diretos e a insumos diretos do estado no setor privado.
To the extent that the class relationship has itself been repoliticized and the state has taken over market replacing as well as market supplementing tasks..., class domination can no longer take the anonymous form of the law of value. Instead, it now depends on factual constellations of power whether, and how, production of surplus value can be guaranteed through the public sector, and how the terms of the class compromise look. (164)
Na medida em que o próprio relacionamento de classes foi repolitizado e o estado assumiu a substituição do mercado tanto quanto as tarefas de suplementação do mercado..., a dominação de classe não mais pode tomar a forma anônima da lei do valor. Em vez disso, ela agora depende de constelações factuais de poder se, e como, a produção de valor excedente puder ser garantida por meio do setor público, e como os termos do compromisso de classe se apresenta. (164)
The direct intervention of the state on behalf of corporate elites becomes ever greater, and impossible to conceal. This fundamentally contradicts the official ideology of "free market capitalism," in which the state simply acts as a neutral guarantor of a social order in which the most deserving win by their own efforts. Therefore, it undermines the ideological basis on which its popular legitimacy depends.
A intervenção direta do estado em favor das elites corporativas torna-se cada vez maior, e impossível de disfarçar. Isso contradiz fundamentalmente a ideologia oficial de "capitalismo de livre mercado," no qual o estado simplesmente atua como garantidor neutro de uma ordem social na qual quem mais merecer vence por seus próprios esforços. Portanto, solapa a base ideológica da qual depende sua legitimidade popular.
According to bourgeois conceptions that have remained constant from the beginnings of modern natural law to contemporary election speeches, social rewards should be distributed on the basis of individual achievement.... Since it has been recognized, even among the population at large, that social force is exercised in the forms of economic exchange, the market has lost its credibility as a fair... mechanism for the distribution of life opportunities conforming to the system. (165)
De acordo com concepções burguesas que têm permanecido constantes desde o início da moderna lei natural até discursos eleitorais contemporâneos, as recompensas sociais deveriam ser distribuídas com base na realização pessoal.... Visto ter sido reconhecido, mesmo entre a população em geral, que a força social é exercida nas formas de troca econômica, o mercado perdeu sua credibilidade como mecanismo equânime... de distribuição de oportunidades de vida conformes com o sistema. (165)
When the state capitalist system finally reaches its limits, the state becomes incapable of further increasing the inputs on which the system depends. The fundamental contradictions of the system, displaced from the political/administrative realm, return with a vengeance in the form of economic crisis. The state capitalist system will reach its breaking point. When that day comes, a "nunc dimittis" might be in order.
Quando o sistema capitalista de estado finalmente atinge seus limites, o estado torna-se incapaz de aumentar ainda mais os insumos do qual o sistema depende. As contradições fundamentais do sistema, deslocadas do terreno político/administrativo, retorna com uma vingança na forma de crise econômica. O sistema capitalista de estado atingirá seu ponto de ruptura. Quando esse dia chegar, um "nunc dimittis" seria cabível.
A NOTE ON MARXIST SHORTCOMINGS: THE ROLE OF THE STATE
NOTA ACERCA DE DEFICIÊNCIAS MARXISTAS: O PAPEL DO ESTADO
Although this article has focused on mutualism's differences with the mainstream libertarian Right, the Marxists have their own ideological blinders. They largely ignore the primary issue of whether the social and economic power of the capitalist arise primarily from autonomous forces, or whether the state's intervention is necessary. Marxists tend to treat concentration and centralization of capital as natural outgrowths of competition. The need for ever-larger firms to achieve economies of scale, coupled with the credit system, make possible intense concentration of production in the hands of a few firms. This shows a common tendency among Marxists, to believe that the virtues of economy of scale are virtually unlimited, and to see every step toward cartelization and monopoly as a "progressive" step toward a fully "socialized" economy. In fact, as economists like Walter Adams have shown, economies of scale level off at relatively low levels of production; firms above this levelling point are less efficient than those at optimal economy of scale, and can only survive with the help of the state. As Stromberg said, most of the Marxist literature "relies on the unproven assumption of an inherent tendency toward monopoly endogenous to the market economy." (166)
Embora este artigo tenha-se concentrado nas diferenças do mutualismo em relação à Direita libertária majoritária, os marxistas têm seus próprios antolhos. Eles em grande parte ignoram a questão primária de se o poder social e econômico do capitalista deve-se precipuamente a forças autônomas ou se é indispensável a intervenção do estado. Os marxistas tendem a tratar a concentração e a centralização do capital como renovos naturais da competição. A necessidade de firmas cada vez maiores atingirem economias de escala, acoplada ao sistema de crédito, torna possível intensa concentração da produção nas mãos de umas poucas firmas. Isso mostra uma tendência comum entre os marxistas, a de acreditar que as virtudes da economia de escala são praticamente ilimitadas, e de ver todo passo ruma a cartelização e monopólio como passo "progressista" rumo a uma economia plenamente "socializada." Em verdade, como economistas como Walter Adams já mostraram, as economias de escala estabilizam-se em níveis relativamente baixos de produção; firmas acima desse ponto de aplainamento são menos eficientes do que aquelas em economia de escala ótima, e só podem sobreviver com a ajuda do estado. Como disse Stromberg, a maior parte da literatura marxista "alicerça-se na assunção não provada de uma tendência inerente rumo ao monopólio endógena à economia de mercado." (166)
Marx at times, especially in his treatment of primitive accumulation, approached the truth--that the growth of capitalism was not an inevitable outcome of the free market as such. But he always skirted by without fully embracing the implications. And there was a tension between his earlier argument, in The German Ideology, that capitalism and the wage system arose mainly from the concentration of property by purely market forces, and his later analysis of state-imposed primitive accumulation in the first volume of Capital. In the Grundrisse, where most of the material for Capital was tentatively worked out, Marx shifted ambivalently between the two positions. Engels, in his polemics against Duhring and the anarchists, took the first alternative to the point of denying that the state had ever been necessary in the rise of capitalism and exploitation.
Por vezes Marx, especialmente em seu tratamento da acumulação primitiva, aproximou-se da verdade -- de que o crescimento do capitalismo não era uma consequência inevitável do livre mercado enquanto tal. Ele sempre contudo passou ao largo sem abraçar plenamente as implicações. E houve uma tensão entre sua argumentação anterior, em A Ideologia Alemã, de que o capitalismo e o sistema de salários surgiam principalmente da concentração de propriedade puramente por forças do mercado, e sua análise posterior da acumulação primitiva imposta pelo estado no primeiro volume do Capital. No Grundrisse, onde a maior parte do material para o Capital foi tentativamente concebido, Marx deslocou-se ambivalentemente entre as duas posições. Engels, em sua polêmica contra Duhring e os anarquistas, assumiu a primeira alterntiva a ponto de negar que o estado tenha jamais sido necessário na ascensão do capitalismo e da exploração.
....even if we excluse all possibility of robbery, force and fraud, even if we assume that all private property was originally based on the owner's own labor, and that throughout the whole process there was only exchange of equal values for equal values, the progressive development of production and exchange nevertheless brings us of necessity to the present capitalist mode of production.... The whole process can be explained by purely economic causes; at no point whatever are robbery, force, the state or political interference of any kind necessary. (167)
....mesmo se excluirmos toda possibilidade de roubo, força e fraude, mesmo se assumirmos que toda propriedade privada baseou-se originalmente no trabalho do próprio proprietário, e que ao longo de todo o processo só tenha havido troca de valores iguais por valores iguais, o desenvolvimento progressivo da produção e da troca todavia traz-nos necessariamente ao atual modo capitalista de produção.... O processo todo pode ser explicado por causas puramente econômicas; em nenhum momento roubo, força, interferência do estado ou política de qualquer tipo são necessários. (167)
In taking things this far, he consigned Marx's eloquent account of the early modern process of expropriation and enslavement, "written in letters of blood and fire," to irrelevancy.
Em levando as coisas tão longe, ele reduziu a eloquente descrição de Marx do primitivo processo moderno de expropriação e escravização, "escrito em letras de sangue e fogo," à irrelevância.
Engels made it clear that capital took priority over the state in the sequence of cause and effect, and drew the dividing line between Marxists and anarchists on this issue. In a letter of 4 September 1867, Engels aptly summed up the difference between anarchists and state socialists: "They say 'abolish the state and capital will go to the devil.' We propose the reverse." (168) Engels was quite right in drawing the line where he did. Like the classical liberals, libertarian socialists (including both laissez-fairists like Benjamin Tucker and collectivists like Bakunin) saw exploitation as impossible without the state's power to coerce. Ruling classes could function only through the state.
Engels deixou claro que o capital tinha prioridade sobre o estado na sequência de causa e efeito, e traçou a linha divisória entre marxistas e anarquistas a esse respeito. Numa carta de 4 de setembro de 1867, Engels perspicazmente resumiu a diferença entre anarquistas e socialistas de estado: "Eles dizem 'extingam o estado e o capital irá para o diabo.' Nós propomos o inverso." (168) Engels estava totalmente certo em traçar a linha onde a traçou. Como os liberais clássicos, os socialistas libertários (incluindo tanto os laissez-fairistas como Benjamin Tucker quanto coletivistas como Bakunin) viam a exploração como impossível sem o poder de coerção do estado. As classes dominantes só poderiam funcionar por meio do estado.
A second failing of Marxism (or at least the vulgar variety) was to treat the evolution of particular social and political forms as natural outgrowths of a given technical mode of production.
Um segunda deficiência do marxismo (ou pelo menos do marxismo vulgar) foi tratar a evolução de formas sociais e políticas específicas como renovos naturais de dado modo técnico de produção.
No social order is ever destroyed before all the productive forces for which it is sufficient have been developed, and new superior relations of production replace older ones before the material conditions for their existence have matured within the framework of the old society. Mankind thus inevitably sets itself such tasks as it is able to solve, since closer examination will always show that the problem itself arises only when the material conditions for its solution are already present or at least in the course of formation. In broad outline, the Asiatic, ancient, feudal and modern bourgeois modes of production may be designated as epochs marking progress in the economic development of society. (169)
Nenhuma ordem social é jamais destruída antes de todas as forças produtivas para as quais ela é suficiente terem sido desenvolvidas, e novas relações superiores substituem as mais antigas antes das condições materiais para sua existência terem maturado dentro do arcabouço da antiga sociedade. O gênero humano assim inevitavelmente impõe-se tarefas das quais é capaz de desincumbir-se, visto que exame mais acurado sempre mostrará que o problema ele próprio surge apenas quando as condições materiais para sua solução já estejam presentes ou pelo menos em via de formação. Em termos gerais, os modos de produção asiático, feudal e burguês moderno podem ser designados como progressos que fizeram época no desenvolvimento econômico da sociedade. (169)
For the Marxists, a "higher" or more progressive form of society could only come about when productive forces under the existing form of society had reached their fullest possible development under that society. To attempt to create a free and non-exploitative society before its technical and productive prerequisites had been achieved would be folly. The proper anarchist position, in contrast, is that exploitation and class rule are not inevitable at any time; they depend upon intervention by the state, which is not at all necessary. Just social and economic relations are compatible with any level of technology; technical progress can be achieved and new technology integrated into production in any society, through free work and voluntary cooperation. As G. K. Chesterton pointed out, all the technical prerequisites for steam engines had been achieved by the skilled craftsmen of the High Middle Ages. Had not the expropriation of the peasantry and the crushing of the free cities taken place, a steam powered industrial revolution would still have taken place--but the main source of capital for industrializing would have been in the hands of the democratic craft guilds. The market system would have developed on the basis of producer ownership of the means of production. Had not Mesopotamian and Egyptian elites figured out six thousand years ago that the peasantry produced a surplus and could be milked like cattle, free people would still have exchanged their labor and devised ways, through voluntary cooperation, to make their work easier and more productive. Parasitism is not necessary for progress.
Para os marxistas, forma "mais elevada" ou mais progressista da sociedade só poderia materializar-se quando forças produtivas dentro da forma já existente de sociedade tivessem atingido seu desenvolvimento mais pleno possível naquela sociedade. Tentar criar uma sociedade livre e não exploradora antes de seus pré-requisitos técnicos e produtivos terem sido concretizados seria insensatez. A posição anarquista característica, em contraste, é a de que a exploração e o domínio de classes não são inevitáveis em nenhum momento; dependem de intervenção do estado, a qual não é, em absoluto, necessária. Relações sociais e econômicas justas são compatíveis com qualquer nível de tecnologia; o progresso técnico pode ser conseguido e nova tecnologia pode ser integrada à produção em qualquer sociedade, por meio de trabalho livre e cooperação voluntária. Como destacou G. K. Chesterton, todos os pré-requisitos técnicos para máquinas a vapor já tinham sido conseguidos pelos artífices habilidosos da Alta Idade Média. Não houvera tido lugar a expropriação dos camponeses e o esmagamento das cidades livres, uma revolução industrial movida a vapor aind teria tido lugar -- mas a principal fonte de capital para industrialização teria estado nas mãos das guildas democráticas de artífices. O sistema de mercado ter-se-ia desenvolvido com base na propriedade do produtor dos meios de produção. Não houvera as elites da Mesopotâmia e do Egito entendido há seis mil anos que os camponeses produziam um excedente e podiam ser ordenhados como gado, as pessoas livres ainda teriam trocado seu trabalho e concebido maneiras, por meio de cooperação voluntária, de tornar seu trabalho mais fácil e mais produtivo. O parasitismo não é indispensável para o progresso.
Third, Marxists view the exploitation of labor not as the result of coercive relations (direct or indirect) between capital and labor, but as the spontaneous outcome of the difference between the market value of labor power and the value of the worker's product. Surplus value is not the result of unequal bargaining power, but is inherent in wage labor itself. Mutualists, on the other hand, believe state intervention in the market is necessary for exploitation to take place. Otherwise, "the natural wage of labor is its product." The elimination of privilege and the resulting shift in the balance of bargaining power, in themselves, will be sufficient to turn a nominal wage system into de facto worker control. (170)
Terceiro, os marxistas veem a exploração do trabalho não como resultado de relações coercitivas (diretas ou indiretas) entre capital e trabalho, e sim como resultado espontâneo da diferença entre o valor de mercado da força de trabalho e o valor do produto do trabalhador. O valor excedente não é resultado de poder desigual de barganha, e sim inerente ao próprio trabalho assalariado. Os mutualistas, por outro lado, acreditam que a intervenção do estado no mercado é indispensável para que a exploração tenha lugar. Sem o que, "o salário natural do trabalho é seu produto." A eliminação do privilégio e o resultante deslocamento do equilíbrio do poder de barganha, em si, serão suficientes para transformar um sistema de salários nominais num de controle de facto do trabalhador. (170)
From Engels on, the Marxist treatment of the state's role in the creation of monopoly capitalism and imperialism was uneven. Marxist theorists of imperialism--Kautsky, Bukharin, Luxembourg, and even Lenin-- sometimes referred to particular forms of state intervention on behalf of monopoly capital. Some, like Bukharin and Luxembourg, brilliantly described certain categories of state intervention--foreign loans, infrastructure, conquest, and (especially Luxembourg) the permanent war economy. But they seldom or never explicitly treated the question of how essential the state was to the system of monopoly capital and imperialism. For the most part, they apparently did not even recognize that it was a question. When they did acknowledge the question, they tended to treat state intervention as merely accelerating a process that was already occurring, as a natural byproduct of the concentration of capital in market competition.
De Engels em diante, o tratamento marxista do papel do estado na criação do capitalismo de monopólio e do imperialismo foi desigual. Teóricos marxistas do imperialismo -- Kautsky, Bukharin, Luxemburgo, e até Lenin-- por vezes referiram-se a formas particulares de intervenção do estado em favor do capital de monopólio. Alguns, como Bukharin e Luxemburgo, descreveram brilhantemente certas categorias de intervenção do estado -- empréstimos externos, infraestrutura, conquista e (especialmente Luxemburgo) a economia de guerra permanente. Raramente, porém, ou nunca trataram explicitamente da questão de quão essencial era o estado para o sistema de capital de monopólio e imperialismo. A maior parte do tempo eles aparentemente sequer reconheceram a existência da questão. Quando reconheceram a questão, tenderam a tratar a intervenção do estado como meramente aceleradora de um processo que já estava ocorrendo, como subproduto natural da concentração de capital na competição do mercado.
IMPLICATIONS FOR THE ANTISTATE MOVEMENT
IMPLICAÇÕES PARA O MOVIMENTO CONTRÁRIO AO ESTADO
The views of the present system as essentially exploitative, and of the state as the foundation for its exploitative features, are held both at the same time by only a very small segment of either the libertarian Left or Right. Despite occasional lip service to the state capitalist nature of the corporate system, collectivist-oriented libertarian socialists like Chomsky argue for increased state intervention against "private concentrations of power," and seem to be motivated by a largely aesthetic revulsion to markets.
Os pontos de vista segundo os quais o presente sistema é essencialmente explorador, e o estado é o fundamento dessas características exploradoras, são mantidos ambos ao mesmo tempo por apenas um segmento muito pequeno da Esquerda ou da Direita libertárias. A despeito de ocasional boca para fora a respeito da natureza capitalista de estado do sistema corporativo, socialistas libertários orientados para o coletivismo como Chomsky argumentam no sentido de aumento da intervenção do estado contra "concentrações privadas de poder," e parecem estar motivados por uma repulsa em grande parte estética em relação aos mercados.
Perhaps most annoyingly, they play into the hands of the state capitalists by using the terms "free market" and "free trade" as they have been defined by neoliberal politicians and intellectuals, and in the corporate press. In so doing, they concede the definition of "free market" to our class enemies.
Talvez mais irritantemente, eles favorecem os capitalistas de estado ao usar as expressões "livre mercado" e "livre comércio" como se tivessem sido definidas por políticos e intelectuais neoliberais, e da imprensa corporativa. Em assim fazendo, entregam a definição de "livre mercado" a nossos inimigos.
The editors of In These Times, in the magazine's mission statement, speak of the need to replace "market values" with "human values"--forgetting that a market, as such, is simply a realm where all human relationships and transactions are based on consent and voluntary cooperation rather than coercion. There is as much--indeed more--room in a genuine free market for the values of Kropotkin, of Colin Ward and Paul Goodman, as there is for those of Milton Friedman and Leonard Peikoff. As Tucker argued, in a genuine market all transactions are exchanges of labor between producers.
Os editores de Nestes Tempos, no enunciado da missão da revista, falam da necessidade de substituir "valores de mercado" por "valores humanos" -- esquecendo que um mercado, enquanto tal, é simplemsnete um terreno onde todas as relações e transações humanas estão baseadas em consentimento e cooperação voluntária em vez de coerção. Há tanto -- na verdade mais -- espaço num genuíno livre mercado para os valores de Kropotkin, de Colin Ward e Paul Goodman, quanto para os de Milton Friedman e Leonard Peikoff. Como argumentou Tucker, num genuíno mercado todas as transações são trocas de trabalho entre produtores.
Mainstream right libertarians, in turn, seem to have largely abandoned the "petty bourgeois" economic populism of the early classical liberal period; in most cases they minimize the statism of the present corporate system, and treat big business (for aesthetic reasons of their own) as the victim rather than the beneficiary of the regulatory state. The early classical liberalism and Enlightenment radicalism of Godwin, Paine, Cobbett, and Hodgskin was decidedly left-wing in spirit. It was motivated by a populist reaction against quasi-feudal landlordism and mercantilism, both of which were forms of exploitation which depended on the use of the state by plutocratic interests against the producing classes. It was unambiguously on the side of the "little guy." And there is a great deal of continuity between classical liberalism and the later populist radicalism of Hodgskin, George, and Nock. To the extent that Hodgskin--the best of the Ricardian socialists--criticized industrial capitalism as exploitative, it was because of the features of statism and privilege that it shared with the older mercantilist system. But from a revolutionary ideology aimed at breaking down the powers of feudal and mercantilist ruling classes, mainstream libertarianism has evolved into a reflexive apology for the institutions today most nearly resembling a feudal ruling class: the giant corporations. To the extent it affects a populist veneer, it is akin to the populism mocked by Cool Hand Luke: "Yeah, them pore ole bosses need all the help they can get."
Libertários de direita majoritários, por sua vez, parecem ter em grande parte abandonado o populismo econômico "pequeno burguês" do primeiro período clássico liberal; na maioria dos casos minimizam o estatismo do presente sistema corporativo, e tratam as grandes empresas (por razões estéticas deles próprios) como a vítima em vez de beneficiário do estado regulamentador. O primitivo liberalismo clássico e radicalismo do Iluminismo de Godwin, Paine, Cobbett e Hodgskin era decididamente esquerdista em espírito. Era motivado por uma reação populista contra senhorialismo e mercantilismo quasefeudais, ambos os quais eram formas de exploração alicerçadas no uso do estado por interesses plutocráticos contra as classes produtoras. Colocava-se não ambiguamente do lado dos "pequenos." E há muita continuidade entre o liberalismo clássico e o radicalismo populista posterior de Hodgskin, George, e Nock. Na medida em que Hodgskin -- o melhor dos socialistas ricardianos -- criticou o capitalismo industrial como explorador, fê-lo por causa das características de estatismo e privilégio que este compartilhava com o antigo sistema mercantilista. Contudo, a partir de uma ideologia revolucionária voltada para destruir os poderes das classes feudal e mercantilista dominantes, o libertarismo majoritário evolveu para uma apologia reflexa das instituições hoje mais parecidas com uma classe dominante feudal: as corporações gigantescas. Na medida em que afeta um verniz populista, é afim do populismo ridicularizado por Cool Hand Luke: "Isso mesmo, então eles pobres velhos chefes precisam de toda ajuda que possam obter."
A great deal of right-libertarian boilerplate is written on the theme of Bill Gates as John Galt, when he is in fact James Taggart. All too often, the real modus operandi is to use libertarian rhetoric in defense of a predetermined set of "good guys," defined by standing the Left's list of god-figures and devil-figures on its head: "Two legs good, four legs baaaaad." In some cases, the motivation seems to be a visceral affinity for big business as "our sort." In others, it seems to reflect an almost Stalinist level of cynicism in treating big business as an "objective ally" to be defended regardless of the truth. In both cases, the corporate liberal views of Art Schlesinger are simply mirror-imaged. The real fault line between genuine libertarians and "vulgar libertarian" apologists for big business seems to be defined by how closely they view the present system as an approximation of a free market.
Grande parte dos estereótipos libertários de direita são escritos acerca do tema de Bill Gates como John Galt, quando ele é na verdade James Taggart. Com demasiada frequência o real modus operandi é usar a retórica libertária em defesa de um conjunto predeterminado de "heróis," definido por manter na cabeça a lista de figuras divinas e figuras demoníacas da Esquerda: "Duas pernas bom, quatro pernas maaaaau." Em alguns casos, a motivação parece ser uma afinidade visceral com as grandes empresas como "nosso pessoal." Em outros, parece refletir um nível quase stalinista de cinismo tratando as grandes empresas como "aliado objetivo" a ser defendido independentemente da verdade. Em ambos os casos, os pontos de vista liberais corporativos de Art Schlesinger são simplesmente invertidas. A real linha de fratura entre libertários genuínos e apologistas "libertários vulgares" das grandes empresas parece ser definida por o quão estreitamente eles veem o sistema presente com uma aproximação de um livre mercado.
But if both facets of our understanding of the present system (that corporate capitalism is exploitative; and that its exploitation depends solely on the state) were sincerely held by libertarians of left and right, it could serve as the basis for an alliance against state capitalism. The Left must be made to understand that their proper grievance is not against private property (properly understood), or markets (in the sense of free exchange between equal, unprivileged producers), but with the state. The Right must be made to understand the extent to which Wal-Mart, Microsoft, and GM are parasitic outgrowths of the state, and not products of "good old American know-how" or "elbow grease." If both sides are sincerely motivated primarily by an oppostion to statist coercion, rather than a reflexive sympathy for big business or aversion to market exchange, the potential exists for coexistence on the basis of something like Voltairine de Cleyre's "anarchism without adjectives."
Se porém ambas as facetas de nosso entendimento do sistema atual (que o capitalismo corporativo é explorador; e que sua exploração depende unicamente do estado) fossem sinceramente defendidas por libertários de esquerda e direita, isso poderia servir de base para uma aliança contra o capitalismo de estado. É preciso fazer a Esquerda entender que sua queixa adequada não se endereça à propriedade privada (adequadamente entendida), ou aos mercados (no sentido de livre troca entre produtores iguais, sem privilégios), mas ao estado. É preciso fazer a Direita entender que, na medida em que Wal-Mart, Microsoft, e GM são rebentos parasitários do estado, e não produtos do "velho e bom know-how estadunidense" ou do "trabalho duro." Se ambos os lados estiverem sinceramente motivados precipuamente por oposição à coerção estatista, em vez de simpatia reflexa pelas grandes empresas ou aversão às trocas no mercado, o potencial existe para coexistência com base em algo parecido com o "anarquismo sem adjetivos" de Volairine de Cleyre.


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