Friday, October 21, 2011

FPJ - Crime Really Does Pay (But Only If You Work for the CIA)
Foreign Policy Journal Jornal de Política Externa
Crime Really Does Pay (But Only If You Work for the CIA) O Crime Realmente Compensa (Mas Só Se Você Trabalhar Para a CIA)
If you’re issuing visas to terrorists, how do you avoid jail and escape a huge fine? Make sure you’ve been working for the CIA
Se você emite vistos para terroristas, como conseguirá evitar a prisão e escapar de uma enorme multa? Assegure-se de estar trabalhando para a CIA
by J. Michael Springmann por J. Michael Springmann
August 17, 2011 17 de agosto de 2011
How The Middle East Was Lost Como o Oriente Médio Foi Perdido
In the 1980s and 1990s, the U.S. Department of State had been working hand in hand with the Saudi Arabian government, the CIA, and its asset, Osama bin Laden, to recruit fighters for the war in Afghanistan against what was then the Soviet Union.  Future terrorists, recruited from all over the region as well as South Asia, were brought to Jeddah, principal city of the Hejaz, Saudi Arabia’s western province. But Jeddah, then the 5th largest visa-issuing post in the region, was not a State Department operation.  Of some 20 Americans working there in 1987-1989, I can say from personal experience as then-Chief of the Visa Section that only 3 people, including myself, did not work for the CIA or the NSA (National Security Agency, the organization charged with making and breaking codes and engaging in “signals intelligence”, i.e., listening to telephone and radio communications, whether public or private). Nos anos 1980 e 1990, o Departamento de Estado dos Estados Unidos vinha trabalhando de mãos dadas com o governo da Arábia Saudita, a CIA, e seu haver, Osama bin Laden, para recrutar combatentes para a guerra no Afeganistão contra o que era então a União Soviética. Futuros terroristas, recrutados de toda a região bem como do Sul da Ásia, foram trazidos para Jeddah, principal cidade de Hejaz, província ocidental da Arábia Saudita. Contudo, Jeddah, então o quinto maior posto de emissão de vistos da região, não constituía uma operação do Departamento de Estado. Dos cerca de 20 estadunidenses que trabalhavam lá em 1987-1989, posso dizer, por experiência pessoal como então Chefe da Secção de Vistos, que apenas 3 pessoas, incluindo eu próprio, não trabalhavam para a CIA ou para a NSA (Agência de Segurança Nacional, organização encarregada de elaborar e decifrar códigos e lidar com “inteligência de sinais”, isto é, ouvir comunicações por telefone e rádio, públicas e privadas).
The low-lifes recruited and sent to Jeddah for tourist visas were to come to the United States for debriefings, rewards, or terrorist training in shooting things down and blowing things up.  They were not philosopher kings.  One was an unemployed Sudanese, in Jeddah as a refugee.  Others were Pakistanis who could not name the auto parts trade show they were supposedly attending or even identify the city where it was being held.  The CIA Base Chief once sought a visa for an Iranian rug merchant so he could visit Agency headquarters at Langley.

Os maus-caracteres recrutados e mandados para Jeddah para obtenção de vistos de turista deviam ir para os Estados Unidos para serem entrevistados, para recompensas ou para treinamento em terrorismo voltado para derrubar coisas com tiros e explodir coisas pelos ares. Eles não eram reis filósofos. Um era um sudanês desempregado, em Jeddah como refugiado. Outros eram paquistaneses que não sabiam o nome da feira de amostras de peças de automóveis que supostamente estavam visitando ou sequer identificar a cidade onde ela estava sendo realizada. O Chefe da Base da CIA uma vez solicitou visto para um mercador iraniano de tapetes a fim de que pudesse visitar a sede da Agência em Langley.
See No Evil Não Enxergue o Mal
Anyone who complained that this was a violation of statute and regulation and should be punished to the full extent of the law (25 years in jail plus a crippling fine) was described by the Bureau of Diplomatic Security (DS) as someone with personality problems.  Neither DS nor the GAO (then the Government Accounting Office, Congress’s watchdog) had any interest in a real investigation of the visas for terrorists program, unsurprisingly because of CIA and Saudi involvement.  One congressional staffer asked me if I didn’t think we needed the CIA.  Former Senator Arlen Spector (R-Pa.) would not comment to me on what his committee, the Senate Select Committee on Intelligence, was doing or would do about the Agency’s involvement in the visa process.

Qualquer pessoa que reclamasse dizendo que isso era uma violação dos estatutos e regulamentos e deveria ser objeto de punição na completa extensão da lei (25 anos de prisão mais multa de aleijar) era descrita pelo Bureau de Segurança Diplomática (DS) como alguém com problemas de personalidade. Nem o DS nem o GAO (então o Gabinete de Contabilidade do Governo, cão de guarda do Congresso) tinha qualquer interesse numa investigação real do programa de vistos para terroristas, o que não era de surpreender, dado o envolvimento da CIA e saudita. Um funcionário da equipe do Congresso perguntou-me se eu não achava que precisávamos da CIA. O Ex-Senador Arlen Specter (R-Pa.) não quis comentar comigo o que sua comissão, a Comissão Seleta do Senado para Inteligência, estava fazendo ou faria no tocante ao envolvimento daquela Agência no processo de vistos.
Break The Law, Reap The Rewards Quebre a Lei, Ganhe a Recompensa
The Agency was so deeply involved in the visa process at Jeddah that the man whose diplomatic cover was Consul General got his own visa plate and sometimes sat at the window, granting permission to applicants to enter the United States.  The Base Chief demanded and got permission to review all applications I had approved before visas could be issued. Of course there was a spook (i.e., CIA Clandestine Service Officer) who worked “part-time” in the visa section. On occasion, he would say “Mike, let me handle this next guy in line, he’s one of mine.”  The part-timer is now an Assistant Secretary of Defense in the Obama Administration.  My predecessor, while mistakenly regarded as a “real” diplomat, somehow skated past her service in the Defense Intelligence Agency and omitted discussion of her Christopher Medallion, an apparently secret award from Langley which appears nowhere on their website or on Google.  Now a Deputy Assistant Secretary of State, she lives in Potomac, Md.  (At Jeddah, she used to give the names of people who had annoyed her to the IRS as possible tax-evaders.)

A Agência estava tão fundamente envolvida no processo de vistos em Jeddah que o homem cujo disfarce diplomático era o de Cônsul Geral obteve seu carimbo de vistos e por vezes sentava-se no guichê, concedendo a solicitantes permissão de entrada nos Estados Unidos. O Chefe da Base demandou e obteve permissão para vistoriar todas as solicitações que eu havia aprovado antes dos vistos poderem ser emitidos. Naturalmente havia um espião (isto é, um Oficial do Serviço Clandestino da CIA) que trabalhava “em tempo parcial” na secção de vistos. Vez por outra ele dizia “Mike, deixe-me cuidar desse sujeito, o próximo da fila, ele é um dos meus.”  Esse funcionário de tempo parcial é agora Secretário Assistente de Defesa na Administração Obama.  Minha predecessora, embora equivocadamente vista como diplomata “de verdade”, de algum modo esquivava-se de falar de sua função na Agência de Inteligência de Defesa e omitia discussão acerca de seu Medalhão Cristopher, uma distinção aparentemente secreta de Langley que não aparece em lugar algum no website da organização ou no Google. Agora Secretária de Estado Assistente Adjunta, ela mora em Potomac, Maryland. (Em Jeddah, ela costumava dar os nomes de pessoas que a haviam contrariado ao Serviço da Receita Federal - IRS como possíveis sonegadoras de impostos.)
Like Cockroaches, They’re Everywhere Como Baratas, Eles Estão Em Toda Parte
To those knowledgeable about foreign affairs, it is no real surprise that the spooks have such influence at State, particularly in the visa program.  According to one former Station Chief, CIA people average one-third of U.S. diplomatic and consular personnel.  I’m inclined to think it’s higher.  After all, in Berlin and Riyadh, the CIA Station has at least one entire floor all to itself.  Moreover, it routinely assigns its Clandestine Service Officers to visa, commercial, political, and economic sections all over the world, such as those at the St. Petersburg and Poznan consulates, as well as at embassies, including those in Poland, Tanzania, Costa Rica, and Guatemala. Para quem está familiarizado com relações exteriores não é realmente de surpreender que os espiões tenham tal influência no Estado, particularmente no programa de vistos. De acordo com um ex-Chefe de Posto, o pessoal da CIA constitui, em média, um terço do pessoal diplomático e consular dos Estados Unidos. Inclino-me a pensar que é mais. Afinal, em Berlim e Riyadh, o Posto da CIA tem pelo menos um andar inteiro inteiramente seu. Além disso, ela sistematicamente designa seus Oficiais do Serviço Clandestino para secções de vistos, comerciais, políticas e econômicas no mundo inteiro, tais como aquelas nos consulados de São Petersburgo e Poznan, bem como para embaixadas, inclusive aquelas em Polônia, Tanzânia, Costa Rica e Guatemala.
One retired consular officer told me that the CIA in Kuala Lumpur would often ask to look through his visa application files. Philip B. F. Agee, a former Clandestine Service Officer, once told me years ago that the CIA had its own man in the consular section in Mexico City, while at other posts, CIA secretaries would simply troll States’ visa application files. Former Drug Enforcement Agency (DEA) officer Celerino Castillo in a telephone conversation said that the Jeddah visa hanky panky was typical.  Calling it fraud on a massive scale, he asserted that the CIA would recruit local State Department staff to surreptitiously handle visa matters for Clandestine Service Officers (for which they charged a fee “under the table”).  In the six years he spent in Guatemala City, Castillo noted that the CIA worked with travel agencies handling tour groups, using them as cover to bring their operatives, posing as simple travelers, into the U.S. This was apparently the guiding principal behind Jeddah’s Visa Express Program that got 15 of the 19 alleged 911 hijackers into the United States.

Um oficial consular aposentado disse-me que a CIA em Kuala Lumpur amiúde pedia-lhe para examinar seus arquivos de solicitação de vistos. Philip B. F. Agee, ex-Oficial do Serviço Clandestino, disse-me certa vez, há anos, que a CIA tinha seu homem próprio na secção consular na Cidade do México, enquanto que, em outros postos, secretários da CIA simplesmente vasculhavam arquivos de solicitação de vistos. O ex-oficial da Agência de Repressão a Drogas (DEA) Celerino Castillo, numa conversa pelo telefone, disse que as atividades desonestas com vistos em Jeddah eram típicas. Chamando-as de fraude em escala maciça, afirmou que a CIA recrutava pessoal local do Departamento de Estado para sub-repticiamente entregar assuntos de vistos para Oficiais do Serviço Clandestino (pelos quais cobravam uma taxa “por baixo da mesa”). Nos seis anos que ele passou na Cidade da Guatemala, Castillo observou que a CIA trabalhava com agências de viagens para controlar grupos de turistas, usando-as para levar seus agentes, posando de simples viajantes, para dentro dos Estados Unidos. Esse era aparentemente o princípio orientador subjacente ao Programa Visa Express de Jeddah, que levou 15 dos alegados 19 sequestradores do 11 de setembro para dentro dos Estados Unidos.
What to do? O que fazer?
The simple but unworkable solution would be to abolish the Clandestine Service.  (The CIA can’t do its job, but is adept at managing the U.S. news media and Congress so that their budget is never cut but always increased—to fight Communists, terrorists, or other imaginary enemies.)  A better way would be to keep them out of the State Department entirely, giving them tourist or official passports for use while conducting their nefarious activities abroad.  If the spooks want to think of themselves as a secret intelligence service beholden to no one and no thing, then make them that way.  Let them hide in plain sight, “under non-official cover”, as James A. Everett did during his career operating inside U.S. firms in Scandinavia and elsewhere.  (Cf. The Making and Breaking of An American Spy, by James A. Everett.) A solução simples, mas impraticável seria extinguir o Serviço Clandestino. (A CIA não tem como fazer esse serviço, mas é hábil em administrar a mídia noticiosa dos Estados Unidos e o Congresso de tal maneira que seu orçamento nunca é cortado e sim sempre aumentado — para combater comunistas, terroristas, ou outros inimigos imaginários.)  Um caminho melhor seria mantê-los inteiramente fora do Departamento de Estado, dando-lhes passaportes de turismo ou oficiais para uso enquanto conduzissem suas execráveis atividades no exterior. Se os espiões desejam acreditar constituírem um serviço secreto de inteligência não devedor de satisfação a ninguém e a nada, então tornem-nos isso. Deixem que eles se escondam à vista de todos, “sem nenhum encobrimento oficial”, como fez James A. Everett durante sua carreira operando dentro de firmas dos Estados Unidos na Escandinávia e em outros lugares.  (Cf. A Confecção e o Desmonte de um Espião Estadunidense, por James A. Everett.)
J. Michael Springmann was a civil servant at the Commerce Department as well as diplomat in the State Department’s Foreign Service, with postings to Germany, India, Saudi Arabia, and the Bureau of Intelligence and Research in Washington, D.C. The published author of several articles on national security themes, he is now an attorney in private practice in the Washington, D.C. area. In addition to a J.D. from American University in Washington, D.C., he holds degrees in International Affairs from Georgetown University and Catholic University, both in the Nation’s Capital. Read more articles by J. Michael Springmann J. Michael Springmann foi funcionário público do Departamento do Comércio, bem como diplomata do Serviço do Exterior do Departamento de Estado, com postos em Alemanha, Índia, Arábia Saudita e Bureau de Inteligência e Pesquisa em Washington, D.C. Autor publicado de diversos artigos acerca de temas de segurança nacional, é hoje advogado privado na área de Washington, D.C. Além de um J.D. da Universidade Estadunidense em Washington, D.C., tem títulos em Asssuntos Internacionais da Universidade de Georgetown e da Universidade Católica, ambos na capital do país. Leia mais artigos de J. Michael Springmann

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