Monday, October 3, 2011

C4SS - Political versus Apolitical Strategies

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C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
FEATURE ARTICLES
ARTIGOS EM DESTAQUE
Political versus Apolitical Strategies
Contraste entre Estratégias Políticas e Apolíticas
Posted by Anna Morgenstern on Jun 5, 2011 in Feature Articles
Afixado por Anna Morgenstern em 5 de junho de 2011 em Artigos em Destaque
The problem with any sort of “political” ideology is that they are largely made up of a “laundry list” of specific issue proposals. This is true whether there is an underlying consistent idea behind them or not.
O problema de qualquer tipo de ideologia “política” é ser formado em grande parte de uma “lista de itens” de proposta de temas específicos. Isso é verdade haja ou não uma ideia subjacente coerente por trás desses temas.
Let’s first examine the favorite whipping boy of many people, “libertarianism”. The problem, as some of the more clever leftoids have argued, is that the ruling class will look through this laundry list and throw their weight behind the parts of it that strengthen their position, and discard the rest, thus making libertarianism into a less aggressively socially conservative form of conservatism.
Examinemos primeiro o bode expiatório favorito de muitas pessoas, o “libertarismo”. O problema, como algum dos esquerdoides mais sagazes já argumentaram, é que a classe dominante vasculhará a tal lista de itens e lançará seu peso em favor das partes dela que fortaleçam sua posição, desprezando o resto, tornando assim o libertarismo uma forma menos socialmente agressiva de conservadorismo.
“Lower taxes?”
Sure, let’s lower taxes for the rich.
“Impostos mais baixos?”
Não há problema, reduzamos os impostos dos ricos.
“Less regulation?”
Well, let’s remove the regulations that counteract corporate power, but not the other ones (see: Enron).
“Menos regulamentação?”
Bem, removamos a regulamentação que contraria o poder corporativo, mas não qualquer outra (ver: Enron).
“Legalize drugs?”
No friggin’ way, chief.
“Legalizar drogas?”
De jeito nenhum, chefe.
But what’s not clearly understood is that this is also true for “liberalism” and so-called “social democracy” or “democratic socialism” or what have you. Modern American “liberalism” is simply Mass Corporatism on steroids. It’s pure bureaucratism. You play nice and obey the rules and if you’re a very excellent drone you get to make money, but not too much, unless you become an insider. In some ways, it’s a bit less harsh than the conservative version of Corporatism but it’s also much harder to evade or escape. The conservatives give you more of a chance to do your own thing, but they also leave you utterly fucked if you fail.
O que, porém, não é claramente entendido é que isso é também verdade do “liberalismo” e da assim chamada “democracia social” ou “socialismo democrático” ou o que mais seja. O moderno “liberalismo” estadunidense é simplesmente Corporatismo(*) de Massa com esteroides. É puro burocratismo. Você joga limpo e segue as regras e se você for excelente burro de carga ganhará dinheiro, mas não demais, a menos que se torne alguém da panelinha. Sob certos aspectos é uma versão um pouco menos severa de Corporatismo, mas da qual muito mais difícil evadir-se ou escapar. Os conservadores dão a você mais oportunidade de fazer as suas próprias coisas, mas também acabam com sua vida se você falhar.

(*) Ver Wikipedia em inglês, Corporatism e, dali, também o texto em outras línguas, inclusive Português.
There is no political ideology that can escape this co-optive process carried out by the ruling class. This has led to a principle called the Iron Law of Oligarchy which states that every form of political organization ends up becoming an oligarchy. I think this is true of any political structure, but not necessarily every social structure.
Não há ideologia política que consiga escapar desse processo de cooptação levado a efeito pela classe dominante. O que levou a um princípio chamado Lei Férrea da Oligarquia o qual afirma que toda forma de organização política termina tornando-se uma oligarquia. Acredito isso ser verdade de qualquer estrutura política, mas não necessariamente de toda estrutura social.
Being a renegade, an anarchist, an agorist or a syndicalist is a zebra of a different stripe. These are what I’d call “anti-political” or “apolitical” ideologies. In these schemes, the non-ruling class takes it upon themselves to create their own sub-society that functions outside the political-economic superstructure, rather than trying to influence that superstructure. This of course leads to conflict at the margins, which, until a certain critical mass is reached, requires stealth and evasion from the authoritarian structure.
Em contraste, ser renegado, anarquista, agorista ou sindicalista é bem diferente. É o que chamo de ideologias  “antipolíticas” ou “apolíticas.” Nesses esquemas a classe não dominante assume a tarefa de criar sua própria subsociedade que funciona fora da superestrutura político-econômica, em vez de tentar influenciar aquela superestrutura. Isso, naturalmente, leva a conflito nas margens o qual, até que seja alcançada certa massa crítica, requer dissimulação e evasão em relação à estrutura autoritária.
As the superstructure grows more advanced and integrated, direct conflict becomes less and less effective as a strategy over time. So in a sense, all of the “political” ideologies are the bulwark, the front line forces, of the ruling class oligarchy. The age of the mass strike came to an end after WWI, for the most part, in the US, and in the 60s in Europe. But there are forms of direct action that have subtly replaced this, in which workers and freelancers take back their surplus value from the oligarchy.
À medida que a superestrutura torna-se mais avançada e integrada, o conflito direto torna-se, ao longo do tempo, cada vez menos eficaz. Assim, em certo sentido, todas as ideologias “políticas” são o baluarte, as forças da linha de frente, da oligarquia da classe dominante. A era das greves de massa acabou-se depois da Primeira Guerra Mundial, nos Estados Unidos, e dos anos 1960, na Europa. Há, porém, formas de ação direta que sutilmente as substituíram, nas quais trabalhadores e autônomos tomam de volta da oligarquia sua mais-valia.
The response has been the warfare-outsourcing project, in which the ruling class devastates the peripheral states and then ruthlessly exploits the surviving working class there. This is what the “cold war” and now, the “war on terror”, were designed to accomplish. Orwell predicted this aspect of things in his book 1984 pretty well. Then for the core states, bread and circuses or soma, keep the population from drifting into the grey zones and keep them supporting the oligarchy. Huxley predicted this aspect of things in his book Brave New World pretty well.
A reação tem sido o projeto de guerra-terceirização, no qual a classe dominante devasta os estados periféricos e em seguida implacavelmente explora a classe trabalhadora sobrevivente ali. Para conseguir isso é que foram planejadas a “guerra fria” e, agora, a “guerra contra o terror.” Orwell previu muito bem essa faceta das coisas em seu livro 1984. Quanto aos estados centrais, pão e circo ou soma, impedir que a população resvale para as zonas cinzentas e mantê-la apoiando a oligarquia. Huxley, em seu livro Admirável Mundo Novo, previu muito bem essa faceta das coisas.
The problem for the ruling class is that they can’t really keep it up forever. We’re bleeding them, and they’re eating their own raw materials trying to maintain an inefficient oligarchic economy. This is the reason why “green” ideology has become popular lately. The ruling class hopes to use fear of environmental destruction in order to suppress consumption by the working class, allowing them to “sustain” corporate hegemony. The fear of environmental destruction is a real fear, but it is the state-corporate oligarchy itself which is causing the destruction. They use the conservatives as a red herring to provide a comical, irresponsible “anti-environmentalist” position that will help drive the more reasonable portion of the population into the “pro-environmentalist” camp.
O problema da classe dominante é que ela de fato não tem como manter esse estado de coisas para sempre. Nós a estamos fazendo sangrar, e ela está comendo suas próprias matérias primas para manter uma ineficiente economia oligárquica. Esse é o motivo de a ideologia do “verde” ter-se tornado popular nos últimos tempos. A classe dominante usa o medo da destruição ambiental para suprimir o consumo da classe trabalhadora(*), o que lhe permite “sustentar” a hegemonia corporativa. O medo de destruição ambiental tem base na realidade, mas é a própria oligarquia estado-corporação quem está causando a destruição. Ela usa os conservadores como forma de distrair a atenção, ao estes defenderem uma posição cômica e irresponsável “antiambiental” que ajuda a impelir a porção mais sensata da população para o arraial “pró-ambiental.”

(*) Ver o comentário, abaixo do original, de Misteriousness Al, que começa dizendo: ‘Os produtos verdes ou são mais caros ou em realidade dão à corporação controle estável sobre o movimento verde ao afastá-lo de ideias revolucionárias, trazendo-o para o consumo. ...’ 
The mask of political liberty and/or justice is beginning to show too many cracks. The ruling class is forced to act more and more openly and directly to keep the game of spinning plates going, as the inefficiencies and crises inherent in large hierarchic systems start to occur more frequently. This drives more people into the grey zone, into various renegade ideologies (including simple “I don’t give a fuck”ism). This creates more crises for the ruling class — lather, rinse and repeat. The question that lies before us is whether they will be able to re-establish themselves after the collapse.
A máscara da liberdade política e/ou da justiça está começando a exibir rachaduras em demasia. A classe dominante é forçada a agir cada vez mais aberta e diretamente para manter em andamento os pratos girando no ar, na medida em que as ineficiências e crises inerentes a grandes sistemas hierárquicos começam a ocorrer mais amiúde. O que impele mais pessoas para a zona cinzenta, para várias teorias de renegados (inclusive a do simples “não dou a menor bola-ismo). Isso cria mais crises para a classe dominante — faça espuma, enxágue e repita. A pergunta que se coloca diante de nós é se ela conseguirá recompor-se depois do colapso.
Whether they can pull a Russia and liquidate, and let the collapse act as a “blow off valve” for their structural inefficiency and come back in a slightly less totalitarian, but no less authoritarian form… or perhaps a China, where they gradually balance economic freedom for some with cultural hegemony over all. These two nations are, perhaps, experiments for the ruling class.
Tomar uma Rússia e acabar com ela, fazendo o colapso funcionar como “válvula de escape” de sua ineficiência estrutural e voltar à cena em forma levemente menos totalitária, mas não menos autoritária... ou talvez a China, equilibrando gradualmente a liberdade econômica para alguns com a hegemonia cultural sobre todas. Essas duas nações representam, talvez, experimentos para a classe dominante.
We renegades must find each other and strengthen our own non-political societies, despite our differences in opinion, if we hope to provide a better alternative than these experiments.
Nós renegados precisamos encontrar-nos mutuamente e fortalecer nossas próprias sociedades não políticas, a despeito de nossas diferenças de opinião, se tivermos a esperança de oferecer alternativa melhor do que esses experimentos.
C4SS Contributing Writer Anna O. Morgenstern has been an anarchist of one stripe or another for almost 30 years. Her intellectual interests include economic history, social psychology and voluntary organization theory. She likes piña coladas, but not getting caught in the rain.
A Escritora Colaboradora do C4SS Anna O. Morgenstern é anarquista de uma ou outra espécie há quase 30 anos. Os interesses intelectuais delas são história econômica, psicologia social e teoria da organização voluntária. Ela gosta de piñas coladas, mas não de ser apanhada pela chuva.

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