Wednesday, October 5, 2011

C4SS - Our Corporate Military / C4SS - Nossa Instituição Militar Corporativa

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C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
COMMENTARY
COMENTÁRIO
Our Corporate Military
Nossa Instituição Militar Corporativa
Posted by Kevin Carson on Jun 20, 2011 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 20 de junho de 2011 em Comentário
Nicholas Kristoff, in a New York Times op-ed (“Our Lefty Military,” June 16), lauds the “astonishingly liberal ethos” that governs the military internally — single-payer health insurance, job security, educational opportunities, free daycare — in support of Gen. Wesley Clark’s description of it as “the purest application of socialism there is.”
Nicholas Kristoff, num artigo opinativo do New York Times (“Nossa Instituição Militar Esquerdinha,” 16 de junho), louva o “etos espantosamente liberal” que prevalece internamente à instituição militar — seguro-saúde de caixa único, segurança no emprego, oportunidades educacionais, creche grátis para crianças — em apoio à descrição que dela faz o General Wesley Clark- “a mais pura aplicação de socialismo que existe.”
For me — an avowed libertarian socialist as well as a market anarchist — at least two howlers stand out here.  First, when I think of “socialism,” I think of all the liberatory things originally associated with that term back in the days of the early working class and classical socialist movement in the nineteenth century: Empowerment of the working class, worker control of production, and all the rest. Last I heard, the U.S. military isn’t set up as a worker cooperative, with enlisted men electing officers, managing their own work, or voting on whether or not to go to war. Taking orders from a boss “because I said so” isn’t my idea of socialism.
Para mim — declarado socialista libertário, bem como anarquista de mercado — pelo menos dois erros palmares se distinguem aqui. Primeiro, quando penso em “socialismo” penso em todas as coisas libertadoras originalmente associadas a esse termo desde os dias do começo da classe trabalhadora e do movimento socialista clássico no século dezenove: Fortalecimento do poder da classe trabalhadora, controle da produção pelos trabalhadores e todo o resto. Tanto quanto eu saiba, a instituição militar dos Estados Unidos não está organizada como uma cooperativa de trabalhadores, com soldados rasos elegendo os oficiais, gerindo o próprio trabalho ou votando se ir ou não à guerra. Obedecer a ordens de um chefe “porque eu disse” não é minha ideia de socialismo.
Second, the primary external mission of the U.S. military is to keep the world — or rather the corporate pigs who claim to own it — safe from anything remotely resembling worker empowerment. To me, that’s pretty unsocialistic. For the past sixty-odd years since WWII (a lot longer, actually), the primary focus of American national security policy has been to protect feudal landed oligarchs from land reform, protect Western-owned corporations from nationalization, act as collector of last resort for the company store known as the World Bank, and enforce the draconian “intellectual property” protectionism which is the central bulwark of global corporate power today.  Kristoff’s “socialist” military’s primary mission is keeping the world firmly in the hands of its corporate rulers.
Segundo, a principal missão externa da instituição militar dos Estados Unidos é manter o mundo — ou antes os suínos corporativos que asseveram ser donos dele — a salvo de qualquer coisa que remotamente se assemelhe a fortalecimento do poder dos trabalhadores. Para mim, isso é bastante não-socialista. Nos últimos sessenta e quantos anos desde a Segunda Guerra Mundial (bem mais, em realidade), o foco primário da política de segurança nacional dos Estados Unidos tem sido o de proteger oligarcas latifundiários feudais da reforma agrária, proteger corporações de propriedade ocidental de nacionalização, atuar como coletor de última instância da loja do patrão conhecida como Banco Mundial, e dar poder ao draconiano protecionismo da “propriedade intelectual” que é o baluarte central do poder corporativo mundial nos dias de hoje. A missão primordial da instituição militar “socialista” de Kristoff é manter o mundo firmemente nas mãos de seus soberanos corporativos.
Aside from that, I think Kristoff has it exactly backward: The military is almost a parody of American corporate culture. It’s riddled with hierarchy, with Taylorist/Weberian bureaucratic work rules and standard operating procedures, and all the irrationality that goes with them. The only difference is, the pointy-haired bosses wear a different kind of uniform. If you’ve ever seen the movie “Brazil,” or read Dilbert on a regular basis, you get the idea.
Fora isso, acho que Kristoff entende a coisa exatamente ao contrário: A instituição militar estadunidense é quase uma paródia da cultura corporativa estadunidense. Está eivada de hierarquia, com regras burocráticas de trabalho tayloristas/weberianas e procedimentos operacionais padronizados, e toda a irracionalidade que os acompanha. A única diferença é, os chefes incompetentes usam tipo diferente de uniforme. Se vocês alguma vez assistiram ao filme “Brazil,” ou leem Dilbert regularmente, pegaram a ideia.
Kristoff has one point on his side: The differentials between production workers and senior management are a lot lower in the military than in present-day Corporate America. But that just means the military is structured more along the lines of old-style bureaucratic “Organization Man” capitalism of the sixties (as described by J.K. Galbraith), in which CEO salaries were typically only fifty times that of a production worker, rather than the current pathological model of cowboy capitalism where it’s more like five hundred.
Kristoff tem um ponto a seu favor: As diferenças de remuneração entre trabalhadores de produção e gerência superior são muito menores na instituição militar do que nos Estados Unidos Corporativos de hoje em dia. Isso, contudo, apenas significa que a instituição militar está mais estruturada de acordo com as linhas do capitalismo burocrático do velho estilo do “Homem Que Se Identifica Completamente Com a Organização” dos anos sessenta (como descrito por J.K. Galbraith), onde os salários do Chefe Executivo Principal eram normalmente apenas cinquenta vezes o de um trabalhador de produção, em vez do atual modelo patológico do capitalismo desenfreado onde é mais de quinhentas vezes.
The military, like the large corporation, is plagued by enormously high overhead costs (the cost of training a soldier), and enormously wasteful capital outlays. The military, like an oligopoly corporation, can afford to be so wasteful because it doesn’t bear the full cost of its own activities.
A instituição militar, do mesmo modo que a grande corporação, é assolada por altos custos gerais (o custo de treinar um soldado), e dispêndios de capital em haveres de longo prazo sujeitos a depreciação envolvendo enormes desperdícios. A instituição militar, do mesmo modo que uma corporação oligopolista, pode dar-se ao luxo de ser tão desperdiçadora porque não recai sobre ela o custo total de suas próprias atividades.
Corporate America’s prevailing management accounting system, invented almost a century ago by Donaldson Brown of DuPont and GM, equates consumption of inputs to creation of value. You know, like the Soviet centrally planned economy. Administrative costs like management salaries, along with wasteful capital expenditures, are incorporated — through the practice known as “overhead absorption” — into the transfer price of goods “sold” to inventory. And in an oligopoly market, the corporation is able to pass those costs — plus a profit markup — on to the customer through administered pricing. The military shares that pricing system, with its incentives to maximize costs (Paul Goodman called “the great kingdom of cost-plus”). Ever hear of those $600 toilet seats? But in the case of the military, the administered pricing is called “taxation.”
O sistema de contabilidade gerencial prevalecente nos Estados Unidos Corporativos, inventado há quase um século por Donaldson Brown, da DuPont e da GM, equaliza consumo de insumos com criação de valor. Vocês sabem, como na economia centralizadamente planejada da União Soviética. Custos administrativos tais como salários da gerência, juntamente com desperdiçadores desembolsos de capital em haveres de longo prazo sujeitos a depreciação, são incorporados — por meio da prática conhecida como “absorção de despesas gerais” — ao preço de transferência dos bens “vendidos” ao estoque. E, num mercado oligopolizado, a corporação consegue repassar esses custos — mais uma margem estipulada de lucro — ao consumidor por meio de preços administrados. A instituição compartilha desse sistema de preços, com seus incentivos para maximizar custos (Paul Goodman chamou-o de “o grande reino do custo acrescido de margem”). Vocês já ouviram falar daqueles vasos sanitários de $600 dólares? Só que no caso da instituição militar os preços administrados são chamados de “tributação.”
In short the military, like the large corporation, is a giant, bureaucratic, irrational, and authoritarian institution which can only survive through parasitism — enabled by the state — on the working class.
Em suma, a instituição militar, do mesmo modo que a grande corporação, é uma instituição gigantesca, burocrática, irracional e autoritária que só consegue viver por meio do parasitismo — tornado possível graças ao estado — em relação à classe trabalhadora.
C4SS Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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