Sunday, November 13, 2011

RBTH - You say you want a revolution?

© 2007-2011 Russia Beyond The Headlines
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Russia Beyond the Headlines
Rússia Além dos Títulos de Jornal
You say you want a revolution?
Vocês dizem que querem uma revolução?
April 21, 2011
21 de abril de 2011
Dmitry Babich, RIA Novosti, special to RBTH
Dmitry Babich, RIA Novosti, especial para RBTH
Why aren’t Russians brimming with admiration for the Arab revolutions? I have heard this question at least 20 times in the past three months. It came from BBC journalists interviewing me; from Western university professors lecturing Russian students; sometimes even from West European diplomats.
Por que os russos não estão transbordando de admiração pelas revoluções árabes? Ouvi essa pergunta pelo menos 20 vezes nos últimos três meses. De jornalistas da BBC que me entrevistaram; de professores de universidades ocidentais que dão aulas para estudantes russos; por vezes até de diplomatas da Europa Ocidental.
Somehow, we Russians (according to others) are never supposed to be free. A refusal to see our condition as anything but the most miserable of states crying for an immediate new revolution is seen at best as resignation before evil; at worst, as a gross injustice. “Don’t you want to have the same freedom as Tunisians now have? How rotten of you not to want it!” This was a question with a readily attached answer from a friend of mine, a British journalist whose every report from Moscow starts with the words, “In another blow to Russia’s democracy...”
De algum modo, supõe-se que nós russos (de acordo com não russos) nunca sejamos livres. Qualquer recusa de ver nossa condição como diferente da do mais miserável dos estados clamando por uma nova revolução imediata é vista, na melhor das hipóteses, como resignação perante o mal; na pior, como profunda injustiça. “Vocês não querem ter a mesma liberdade que os tunisianos agora têm? Que vergonha não quererem!” Essa foi a pergunta com resposta prontamente atrelada de um amigo meu, jornalista britânico cujos artigos todos que escreve a partir de Moscou começam com as palavras “Em mais um atentado contra a democracia russa...”
Having overthrown the tsar's autocracy in 1917, millions of Russians suddenly found themselves in the situation of emigres, enduring such humiliations that the tsar’s “humiliating” rule seemed a paradise lost in comparison. Worse still, those who stayed in Russia, and found themselves under Lenin and Stalin, envied their relatives who had left. So, if the wind of change is so sweet as the European press describes it, why are so many people now fleeing North Africa?
Havendo derrubado a autocracia do tsar em 1917, milhões de russos subitamente viram-se na situação de emigrantes, sofrendo humilhações tais que o governo “impositor de humilhações” do tsar passou a parecer, em comparação, um paraíso perdido. Pior, aqueles que permaneceram na Rússia, e se viram governados por Lenin e Stalin, invejavam seus parentes que haviam saído do país. Assim, se os ventos da mudança são tão doces quanto a imprensa europeia descreve, por que tantas pessoas estão agora fugindo do Norte da África?
But this is a different kind of revolution, my British reader will tell me, one that is not about Communism but freedom. My answer will be: how do you know which form the now flowing Arab lava will take? To the tune of heated debates about a few hundred niqabs in France, a longtime ban on this sort of Muslim dress was lifted in Tunisia and Syria, and I wouldn't be surprised to see hundreds of thousands of them appear. Why? Because Tunisia, for example, which was expected to post economic growth of 4-5pc this year, will actually muster no more than 1pc – not a good time to have to find work for 80,000 young college graduates who will join the labour market this year in Tunisia alone. Consequently, the heightened expectations of the young are going to clash with reality, and then we shall hear the familiar slogan: “Islam is the solution.”
Mas esse é um tipo diferente de revolução, dir-me-á meu leitor britânico, não relativa a comunismo, mas a liberdade. Minha resposta será: como você poderá saber que forma tomará a lava árabe que ora se escoa? Ao compasso de acalorados debates na França acerca de umas poucas centenas de niqabs, proibição de longa data dessa espécie de vestimenta muçulmana foi revogada na Tunísia e na Síria, e eu não ficaria surpreso de ver centenas de milhares desses trajes aparecerem. Por quê? Porque a Tunísia, por exemplo, com crescimento econômico esperado de 4-5 por cento este ano, em realidade não alcançará mais de 1 por cento – não é boa hora para ter-se de encontrar trabalho para 80.000 jovens formados na faculdade que se juntarão ao mercado de trabalho este ano só na Tunísia. Consequentemente, as elevadas expectativas dos jovens colidirão com a realidade, e então ouviremos o já conhecido slogan: “o Islã é a solução.”
Much has been written about the “conflict” between the Russian president and his prime minister over the Libyan problem. In reality, their two approaches reflect the complicated nature of the problem, which only self-assured ignoramuses could deny. Dmitry Medvedev explained why Russia did not block the UN Security Council’s resolution on helping Libyan civilians, while Vladimir Putin expressed his doubts about the ease with which Western nations resort to force in humanitarian interventions.
Muito tem sido escrito acerca do “conflito” entre o presidente russo e seu primeiro-ministro no tocante ao problema líbio. Na realidade, as duas abordagens deles refletem a natureza complicada do problema, que só ignorantes consumados poderiam negar. Dmitry Medvedev explicou por que a Rússia não bloqueou a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas acerca de ajudar os civis líbios, enquanto Vladimir Putin expressou suas dúvidas diante da facilidade com que nações ocidentais recorrem à força em intervenções humanitárias.
Aren’t there grounds for such doubts? Hope is not a strategy, as American president Barack Obama rightly said recently, and Nato action in Libya seems to be more based on hope than on actual knowledge of the situation. The hope, obviously, was that Colonel Gaddafi’s defences would collapse with the first news about French air strikes. The hope was unfounded. But now Nato members are disqualified from working as intermediaries in the Libyan conflict. Would it help if Russia and China, as well as Brazil, disqualified themselves from this role too, by giving their full support to resolution 1973?
Não há boas razões para essas dúvidas? A esperança não é uma estratégia, como corretamente disse recentemente o presidente estadunidense Barack Obama, e a ação da OTAN na Líbia parece estar mais baseada em esperança do que em conhecimento real da situação. A esperança, obviamente, era de que as defesas do Coronel Gaddafi entrassem em colapso com as primeiras notícias acerca de ataques aéreos franceses. A esperança era infundada. Agora, porém, os membros da OTAN se desqualificaram para trabalhar como intermediários no conflito líbio. Ajudaria se Rússia e China, bem como Brasil, também se desqualificassem para esse papel, mediante darem seu pleno apoio à resolução 1973?
One may try to acquit the “French George Bush,” President Sarkozy, by his not having sufficient information on Libya. But who is to blame for Nato and the EU having such sketchy intelligence about the life of their close African neighbour? How did a situation arise where the French president recognises the National Transition Council in March 2011, while the identities of two thirds of its members were still a mystery?
Alguém poderá tentar absolver o “George Bush francês,” Presidente Sarkozy, por não ter informação suficiente acerca da Líbia. Quem, porém, é o responsável por OTAN e União Europeia terem inteligência tão pífia acerca da vida de seu vizinho próximo africano? Como surgiu uma situação na qual o presidente francês reconheceu o Conselho Nacional de Transição em março de 2011, quando a identidade de dois terços de seus membros era ainda um mistério?
Of course, establishing contacts with the Libyan opposition during Gaddafi’s rule was hard; talking to the “star” of the Russian opposition, Boris Nemtsov, in a fancy Moscow restaurant is much easier. But isn’t it the responsibility of governments and media to see real leaders and threats instead of invented ones?
Obviamente, estabelecer contato com a oposição líbia durante o governo de Gaddafi era difícil; falar com o “astro” da oposição russa, Boris Nemtsov, num restaurante de luxo em Moscou é muito mais fácil. Não é porém responsabilidade dos governos e da mídia ver líderes reais e ameaças reais em vez de inventados?
The European press and the EU’s policy planners failed the Libyan exam horribly, concentrating on imaginary threats for decades. It is enough to recall the sheer amount of stories written about how to respond to Russia’s eventual decision to cut gas supplies to the EU. Whole institutes and policy centres made their living on such plans. But I don’t remember a single story or policy plan discussing a cut in energy supplies from Libya. 
A imprensa europeia e os planejadores de políticas da União Europeia falharam clamorosamente no exame da Líbia, concentrando-se, durante décadas, em ameaças imaginárias. Basta lembrar só a quantidade de artigos escritos acerca de como reagir a eventual decisão da Rússia de cortar suprimentos de gás destinados à União Europeia. Institutos e centros de políticas inteiros passaram a viver de tais planos. Não me lembro, entretanto, de um único artigo ou plano de políticas discutindo corte de suprimentos de energia originários da Líbia.
Russians learnt the hard way to appreciate the wisdom of the words of philosopher Joseph de Maistre, a refugee from the French Revolution who lived in Russia in the early 19th century: “Revolutions happen because of the government’s iniquities; but no government iniquity is as bad for people as revolution itself.” The West seems to have forgotten its own wisdom on revolutions, despite the pain of its original acquisition.
Os russos aprenderam, pelo caminho mais difícil, a dar valor à sabedoria das palavras do filósofo Joseph de Maistre, refugiado da Revolução Francesa que viveu na Rússia no início do século 19: “As revoluções acontecem por causa das iniquidades dos governos; nenhuma iniquidade de governo, entretanto, é tão ruim para as pessoas quanto a própria revolução.” O Ocidente parecer ter-se esquecido de sua própria sabedoria acerca de revoluções, a despeito da dor com que essa sabedoria foi originalmente obtida.
Dmitry Babich is a political analyst for RIA Novosti.
Dmitry Babich é analista político da RIA Novosti.

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