Friday, September 23, 2011

C4SS - Corporations Are People? So Was Hitler

Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade sem estado
Building awareness of the market anarchist alternative
No despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Corporations Are People? So Was Hitler
Corporações São Pessoas? Hitler Também Era
Posted by Kevin Carson on Aug 15, 2011 in Commentary
Afixado por Kevin Carson em 15 de agosto de 2011 em Commentary
Watching two intellectually challenged Ken dolls with “executive-style hair” — Mitt Romney and Rick Perry — preparing to fight it out reminds me how much I miss Dan Quayle.
Observar duas intelectualmente deficientes bonecas Ken com “penteado tipo executivo” — Mitt Romney e Rick Perry — preparando-se para debater lembra-me o quanto sinto falta de Dan Quayle.
Oddly enough, just before I heard about Romney’s latest blooper, I was reading about a study by psychologist Dacher Keltner. The life experience of the rich, he says, makes them less empathetic and more selfish than ordinary people. Part of this is willful obtuseness; legitimizing ideologies not only inure the exploited to getting the shaft, but enable the exploiters to sleep at night by reassuring themselves that the poor really deserve it.
Por incrível que pareça, logo antes de eu ouvir falar da última mancada de Romney, estava lendo a respeito de um estudo do psicólogo Dacher Keltner. A experiência de vida dos ricos, diz ele, torna-os menos empáticos e mais egoístas do que as pessoas comuns. Parte disso é obtusidade deliberada; legitimar ideologias é algo que não apenas habitua os explorados a levar na cabeça como também permite que os exploradores durmam à noite dizendo para si próprios que os pobres realmente merecem.
The rich justify their relations with other social classes with the help of the Americanist ideology, whereby they exaggerate their own perceived rugged individualism and see their wealth as the result of character: “They think that economic success and political outcomes, and personal outcomes, have to do with individual behavior, a good work ethic …”
Os ricos justificam suas relações com outras classes sociais com a ajuda da ideologia estadunidensista, por meio da qual exalçam a percepção de seu próprio entranhado individualismo e veem sua riqueza como resultado de caráter: “Eles acham que o sucesso econômico e resultados políticos, e resultados pessoais, têm a ver com comportamento individual, com uma boa ética de trabalho. …”(*)

(*) A Wikipedia explica que a ética de (ou do) trabalho não se confunde com ética de negócios e sim consiste num conjunto de valores baseado no trabalho árduo e na diligência. Exemplo, clássico aliás, seria a ética de trabalho protestante. Uma ética de trabalho incluiria ser pessoa de confiança, ter iniciativa, ou perseguir a aquisição de novas habilidades. A ética de trabalho, segundo alguns, não se limitaria ao trabalho árduo, mas também a virtudes pessoais daquele que trabalha arduamente, indispensáveis para o desenvolvimento e a sustentação de livres mercados. Ver Wikipedia, Work ethic.
In other words, fake “free market” ideology — as opposed to the real thing — is the opiate of the elites. It frees them from guilt over their privilege and makes their existence bearable. The neoliberal ideology — as it appears on the CNBC talking head shows, the WSJ editorial page, and puff pieces from FreedomWorks — defends the existing model of corporate capitalism and its great concentrations of wealth as if they resulted from superior virtue in a competitive market (“that’s how our free market system works”). It deliberately obscures the central role of government intervention — artificial scarcities, artificial property rights, subsidies — in the current distribution of wealth and economic power.
Em outras palavras, a ideologia espúria de “livre mercado” — por oposição à genuína — é o ópio das elites. Que as liberta da culpa pelo privilégio e torna sua existência suportável. A ideologia neoliberal — tal como aparece nos programas de locutores do CNBC, na página editorial do Wall Street Journal - WSJ, e nos artigos bajulatórios de FreedomWorks — defende o modelo existente de capitalismo corporativo e suas grandes concentrações de riqueza como se resultassem de virtude superior num mercado competitivo (“é assim que nosso sistema de livre mercado funciona”). Deliberadamente obscurece o papel fundamental da intervenção do governo — formas de escassez artificial, direitos artificiais de propriedade, subsídios — na atual distribuição de riqueza e de poder econômico.
Back to Romney: In response to a heckler, he quipped that “Corporations are people. … Everything that corporations earn also goes to people.” Faced with audience laughter, he asked “Where do you think it goes?” “Into their pockets!” replied the heckler. “Whose pockets?” Romney came back. “People’s pockets! Human beings, my friend.”
De volta a Romney: Em resposta a um aparteador, ele replicou espirituosamente que “As corporações são pessoas. … Tudo o que as corporações ganham também vai para pessoas.” Diante das gargalhadas da plateia, ele perguntou “Para onde vocês pensam que vai?” “Para os bolsos deles!” retrucou o aparteador. “Bolsos de quem?” retornou Romney. “Para os bolsos de pessoas! Seres humanos, meu amigo.”
That’s technically true, of course. The money a corporation makes at the expense of consumers and workers through state-enforced unequal exchange is all distributed to people.
Isso é tecnicamente verdade, obviamente. O dinheiro que uma corporação ganha a expensas dos consumidores e dos trabalhadores por meio de trocas desiguais forçadas pelo estado é todo distribuído para pessoas.
But so what? Unless David Icke’s right and we’re secretly ruled by alien lizard invaders, every system of class exploitation in human history has served the interests of some group of human beings. In every society in history, no matter how brutally exploitative, of course the ill-gotten gain was consumed by “people.” Roman patricians who lived off the sweat of slaves were people, and so were feudal landlords who gouged rents from the peasantry.  I suspect it was “people” — evil people — who profited from the gold teeth extracted at Auschwitz.
Mas e daí? A menos que David Icke esteja certo e nós sejamos secretamente governados por lagartos alienígenas invasores, todo sistema de exploração de classes da história humana serviu aos interesses de algum grupo de seres humanos. Em toda sociedade da história, não importa quão brutalmente exploradora, obviamente o ganho ilícito foi consumido por “pessoas.” Os patrícios romanos que viviam do suor dos escravos eram pessoas, e bem assim o eram os senhores feudais que extorquiam rents dos camponeses. Suspeito de terem sido “pessoas” — pessoas perversas — quem se aproveitou dos dentes de ouro extraídos em Auschwitz.
The question is, which people? To whom does the wealth of monopoly corporations disproportionately flow? To the same people the profits of slave labor and the rents of feudalism went to, the people described by Adam Smith: “All for ourselves, and nothing for other people, seems, in every age of the world, to have been the vile maxim of the masters of mankind.”
A questão é, que pessoas? Para quem a riqueza das corporações monopolistas flui desproporcionalmente? Para as mesmas pessoas para as quais foram os lucros do trabalho escravo e os rents do feudalismo, as pessoas descritas por Adam Smith: “Tudo para nós, e nada para outras pessoas, parece, em toda época do mundo, ter sido a vil máxima dos senhores do gênero humano.”
Fortunately for them, the masters have the mythology of “people’s capitalism” — in which corporate profits all go to 401k’s and pension funds and the economy’s owned by regular folks day-trading on the Internet — to reassure themselves they’re really not overgrown tapeworms at all. All that talk about injustice and unearned wealth is just “class warfare,” the “politics of envy.” Or as Romney sniffed, “There was a time in this country when we didn’t attack people based on their success.”
Felizmente para eles, os senhores têm a mitologia do “capitalismo de pessoas” — na qual os lucros corporativos vão todos para planos de aposentadoria pagos pelo empregador, para fundos de pensão e para a economia de posse de pessoas comuns que fazem day-trading na Internet — para assegurarem a si próprios não serem realmente lombrigas solitárias gigantes, em absoluto. Toda essa conversa acerca de injustiça e riqueza ganha sem trabalho é apenas “guerra de classes,” a “política da inveja.” Ou, como Romney desdenhou, “Houve uma época neste país quando não atacávamos as pessoas por causa do sucesso delas.”
Romney’s own success bears some looking into. He’s running as the former CEO who — unlike Obama — understands “how the economy works.” See, he knows firsthand about the needs of the heroic businessmen who “create jobs.”
O sucesso do próprio Romney merece alguma perscrutação. Ele está concorrendo como antigo Executivo Principal que — diferentemente de Obama — compreende “como a economia funciona.” Vejam, ele conhece em primeira mão as necessidades dos heroicos homens de negócios que “criam empregos.”
But in reality, Romney did everything by the same MBA playbook as Chainsaw Al and Bob Nardelli: Gut human capital, strip assets, hollow out long-term productive capacity to goose this quarter’s numbers and jack up share prices, then game your own executive compensation and dump the hollowed-out shell on some other scavenger. Romney, as an executive, was to downsizing what Typhoid Mary was to typhoid.
Em realidade, porém, Romney fez tudo usando o mesmo estoque de táticas/métodos de Mestre em Administração de Empresas que Chainsaw Al e Bob Nardelli: Eviscerar o capital humano, vender ativos da empresa em proveito pessoal, esvaziar a capacidade produtiva de longo prazo para inflar os números deste trimestre e fazer subir os preços das ações, em seguida garantir sua própria indenização por exoneração de executivo e emborcar a casca vazia em cima de outro comedor de carniça. Romney, como executivo, foi, para o enxugamento de pessoal [downsizing], o que Maria Tifoide foi para a tifoide.(*)
(*) Maria Tifoide foi a primeira pessoa nos Estados Unidos identificada como portadora assintomática do patógeno associado à febre tifoide.
It’s natural that Romney should clutch at any pretext to see himself as something besides just another upper class twit who was born on third base and thought he hit a triple. Thanks to the gospel of Success, Achievement and Prosperity, the vile masters of mankind can keep telling themselves they’re not parasites after all; they’re just getting their due.
É natural que Romney se agarre a qualquer pretexto para ver a si próprio como alguma coisa além de apenas outro paspalho da classe mais alta que por ocupar a terceira posição acha que conseguiu fazer um triplo(*). Graças ao evangelho de Sucesso, Realização e Prosperidade, os vis senhores do gênero humano podem continuar dizendo a si próprios que afinal não são parasitas; estão apenas tomando posse do que lhes é devido.

(*) Analogia com beisebol, esporte do qual não entendo.
Citations to this article:
Citações deste artigo:
Kevin Carson, Corporations are People? So was Hitler, Counterpunch, 08/16/11
Kevin Carson, Corporations are People? So was Hitler, Counterpunch, 16 de agosto de 2011
C4SS Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: An Individualist Anarchist Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor contemporâneo mutualista e anarquista individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Perspectiva Anarquista Individualista, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e diversos periódicos e blogs baseados na internet, inclusive Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation e seu próprio Blog Mutualista.

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