Sunday, September 25, 2011

C4SS - Anthony Gregory — Contra Kevin Carson on the Humanity of Corporations and Government Teachers


ENGLISH
PORTUGUÊS
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS – CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Anthony Gregory — Contra Kevin Carson on the Humanity of Corporations and Government Teachers
Anthony Gregory — Contra Kevin Carson quanto à Humanidade das Corporações e dos Professores do Governo
Posted by Kevin Carson on Aug 25, 2011 in Feature Articles
Afixado por Kevin Carson em 25 de agosto de 2011 em Artigos em Destaque
MUTUAL EXCHANGE
TROCAS MULTILATERAIS
Mutual exchange is the Center’s goal in two senses—we favor a society rooted in peaceful, voluntary cooperation, and we seek to foster understanding through ongoing dialogue.
Trocas multilaterais são o objetivo do Centro em dois sentidos — somos a favor de uma sociedade fundamentada em cooperação pacífica e voluntária, e buscamos fomentar o entendimento por meio de diálogo permanente.
That’s why we’re inaugurating this new feature of our site. Mutual Exchange will provide opportunites for conversation about issues that matter to the Center’s various publics. A lead essay, deliberately provocative, will be followed by responses from inside and outside C4SS. Contributions and comments from readers are enthusiastically encouraged.
Eis porque estamos inaugurando esta nova parte de nosso site. Trocas Multilaterais - Mutual Exchange proporcionará oportunidades para trocas de ideias de interesse dos diversos públicos do Centro. Um ensaio de abertura, deliberadamente provocativo, será seguido de respostas vindas de dentro e de fora do C4SS. Contribuições e comentários de leitores são entusiasticamente encorajados.
We begin with Anthony Gregory’s essay, “Contra Kevin Carson on the Humanity of Corporations and Government Teachers,” which raises some critical questions about aspects of Kevin Carson’s project. Responses from Carson, Gary Chartier, and others will follow.
Começamos com o ensaio de Anthony Gregory “Contra Kevin Carson quanto à Humanidade de Corporações e Professores do Governo,” o qual suscita alguma questões críticas acerca de aspectos do projeto de Kevin Carson. Seguir-se-ão respostas de Carson, Gary Chartier e outros.
*  *  *
*  *  *
Not in a million years would I have expected to agree with Mitt Romney and disagree with Kevin Carson. Although I am not a mutualist, I acknowledge that Carson is a radical anarchist, and I regard Romney as a fascist. I have appreciated much of Carson’s critique of state capitalism as a welcome corrective to a libertarian movement too often enamored of the corporatist status quo and economic conservatism. And yet I disagree so much with what seems the main thrust of his recent article, “Corporations Are People? So Was Hitler,” that I am moved to respond in partial defense of what was uttered by Romney, a man I have criticized in many writings and do not in any way see as an ally in the struggle for anything I value whatsoever.
Nem num milhão de anos eu teria tido a expectativa de concordar com Mitt Romney e discordar de Kevin Carson. Embora eu não seja mutualista, reconheço que Carson é um anarquista radical, e vejo Romney como fascista. Tenho tido em alta conta grande parte da crítica de Carson ao capitalismo de estado como bem-vindo corretivo para um movimento libertário com demasiada frequência deslumbrado com o statu quo corporatista e com o conservadorismo econômico. E no entanto discordo tanto do que parece a principal estocada de seu recente artigo, “Corporações São Pessoas? Hitler Também Era” que me vejo impelido a responder em defesa parcial do que foi enunciado por Romney, homem a quem já critiquei em muitos escritos e de modo nenhum vejo como aliado na luta por qualquer coisa que eu preze.
Carson’s main point is that Romney’s assertion that “corporations are people” is trivial and hides the institutional evil involved. The fact that corporations comprise people is “technically true, of course. The money a corporation makes at the expense of consumers and workers through state-enforced unequal exchange is all distributed to people.”
O principal ponto de Carson é que a afirmação de Romney de que “corporações são pessoas” é trivial e oculta a perversidade institucional envolvida. O fato de as corporações abrangerem pessoas é “tecnicamente verdade, obviamente. O dinheiro que uma corporação ganha a expensas dos consumidores e dos trabalhadores por meio de trocas desiguais forçadas pelo estado é todo distribuído para pessoas.
Right away, Carson assumes the premise that corporate profits generally result from “state-enforced unequal exchange.” Surely workers and consumers often face state-imposed burdens that reduce their chances for optimally beneficial exchange. But does this mean that corporate profit makers benefit at their expense? Isn’t it possible for both sides even of an “unequal” transaction to be worse off, at the margin, because of the state involvement, and yet be better off for having made the trade? What about the many entrepreneurs who profit one year only to lose plenty the next? Was it at their expense that consumers and workers profited?
De imediato, Carson assume a premissa de que os lucros corporativos geralmente resultam de “trocais desiguais forçadas pelo estado.” Certamente trabalhadores e consumidores amiúde enfrentam ônus impostos pelo estado que reduzem suas probabilidades de trocas otimamente benéficas. Significará isso, porém, que os autores dos lucros corporativos beneficiam-se a expensas deles? Não será possível para ambos os lados até em uma transação “desigual” ficarem em pior situação, na margem, por causa do envolvimento do estado, e no entanto ficarem em situação melhor por haver sido feita a troca? O que dizer dos muitos empresários que lucram em certo ano e têm grandes prejuízos no outro? Foi a expensas deles que consumidores e trabalhadores tiveram lucro?
Here I must agree with the Austrian insight that if two parties come to make a deal, especially if they both walk away satisfied, their demonstrated preference is that the deal was not at their expense but at the overall improvement of their situation, and this should not be undermined by third-party observers. Typically, it is true, workers’ and consumers’ exchange would have been even more fruitful for them if not for the state. Sometimes the state even creates captive labor and consumer markets for corporations. But the sheer productivity in even the hampered market economy, whereby workers and consumers have in many ways improved their lot over the years, even if not as much as they should have, would seem to indicate that not all their interactions with corporations come at their net expense. They may benefit much less than they should, due to the state, but surely the typical experience of consumers or workers engaged even in a corporatist system is not one of overall victimization, as Carson implies here:
Aqui tenho de concordar com a visão austríaca segundo a qual se duas partes vêm a fazer negócio, especialmente se ambas saírem satisfeitas, a preferência demonstrada(*) delas é a de que o negócio não foi feito a suas expensas, e sim a bem da melhora geral de sua situação, e isso não deveria ser invalidado por terceiros observadores. Tipicamente, é verdade, as trocas de trabalhadores e consumidores teriam sido ainda mais frutíferas para eles não fora o estado. Por vezes o estado inclusive cria trabalho cativo e mercados consumidores para as corporações. Contudo, a pura produtividade, mesmo na economia de mercado tolhida, por meio da qual trabalhadores e consumidores melhoraram sua situação ao longo dos anos, mesmo se não tanto quanto deveriam tê-lo feito, pareceria indicar que nem todas as suas interações com as corporações se fazem a expensas deles, liquidamente. Eles poderão beneficiar-se muito menos do que deveriam, por causa do estado, mas seguramente a experiência típica de consumidores ou trabalhadors envolvidos mesmo num sistema corporatista não é uma experiência de vitimização cabal, ao contrário do que implica Carson aqui: 

(*) Para a ideia de preferência demonstrada, de Rothbard, e o contraste com a ideia de preferência revelada, de Samuelson ver, por exemplo, http://rationalargumentator.com/Rothbard_demonstratedpreference.html
[E]very system of class exploitation in human history has served the interests of some group of human beings. In every society in history, no matter how brutally exploitative, of course the ill-gotten gain was consumed by “people.” Roman patricians who lived off the sweat of slaves were people, and so were feudal landlords who gouged rents from the peasantry.  I suspect it was “people” — evil people — who profited from the gold teeth extracted at Auschwitz.
[T]odo sistema de exploração de classes da história humana serviu aos interesses de algum grupo de seres humanos. Em toda sociedade da história, não importa quão brutalmente exploradora, obviamente o ganho ilícito foi consumido por “pessoas.” Os patrícios romanos que viviam do suor dos escravos eram pessoas, e bem assim o eram os senhores feudais que extorquiam renda dos camponeses. Suspeito de terem sido “pessoas” — pessoas perversas — quem se aproveitou dos dentes de ouro extraídos em Auschwitz.
Now, I for one always enjoy a good comparison to the Nazis, and am on record in opposing Godwin’s Law. But this comparison appears very unreasonable. If the idea is that there is a fair parallel to be drawn between those who profit off corporations and those who thrive on slave states and concentration camps, I find much to protest here. I know this is a reductio ad absurdam argument, but it seems fatally flawed even in its fundamental conception. A consumer walking into a Wal-Mart and buying a new stereo and CD might have been much better off if the state didn’t impose protectionist barriers to foreign electronics producers, increase the cost of recorded music through copyright, and impose a hundred other costs on the buyer. Yet he is hardly a victim of the exchange itself. He can choose not to buy these goods at all, and still get along fine in the world. He really is choosing to give his money to corporations, however flawed the underlying structure of the economy. Moreover, although any given corporation may benefit from state intervention, it might suffer as well.
Pois bem, quanto a mim, sempre gosto de uma boa comparação com os nazistas, e  tenho posição explícita de oposição à Lei de Godwin. Essa comparação, contudo, parece muito irrazoável. Se a ideia é a de haver paralelo sensato a ser traçado entre aqueles que fazem as corporações lucrar e aqueles que prosperam em estados escravos e campos de concentração, encontro aqui muita coisa contra a qual protestar. Sei ser esse um argumento de reductio ad absurdum, mas ele parece fatalmente falho mesmo em sua concepção fundamental. Um consumidor que entra num Wal-Mart e compra um novo estéreo e CD poderia estar em situação muito melhor se o estado não impusesse barreiras protecionistas a fabricantes estrangeiros de eletrônicos, não aumentasse, por meio do copyright, o custo das músicas gravadas, e não impusesse uma centena de outros custos ao comprador. Entretanto, dificilmente este é vítima da troca ela própria. Ele pode escolher não comprar esses bens em absoluto, e ainda assim passar muito bem no mundo. Ele está realmente escolhendo dar seu dinheiro para as corporações, por mais falha a estrutura subjacente da economia. Além disso, embora qualquer dada corporação possa beneficiar-se de intervenção do estado, pode igualmente sofrer.
To apply Carson’s analogy, if the Wal-Mart customer is the man whose gold teeth are being extracted at Auschwitz, Wal-Mart isn’t the Nazi sadist doing the extracting – it’s the merchant who sold him the teeth. Maybe the inmate was disadvantaged unfairly, perhaps because of state intervention, in that he needed to buy the teeth in the first place. But the real parallel in our mixed economy is not someone losing what he has to enrich a corporate profit seeker. It is, more often, someone not gaining as much as he should, due to regulations.
Para aplicar a analogia de Carson, se o cliente do Wal-Mart é o homem cujos dentes estão sendo extraídos em Auschwitz, o Wal-Mart não é o sádico nazista que está procedendo à extração - é o negociante que vendeu-lhe os dentes. Talvez o recluso tenha sido desfavorecido injustamente, talvez por causa da intervenção do estado, nisso em que, antes de tudo, ele teve de comprar os dentes. Entretanto, o real paralelo em nossa economia mista não é alguém perdendo o que tem a fim de enriquecer um buscador de lucros corporativos. É, mais amiúde, alguém não ganhando tanto quanto deveria, por causa das regulamentações.
I do agree that corporate personhood can pose problems and that only individuals have rights. Ron Paul, himself not an anarchist, has also made this point in response to Romney’s choice of words. But Carson seems to be going much further in his critique, not simply questioning the categorization of corporate fictions as “people,” but in fact agreeing that they constitute people while harshly judging the ethical status and productive role of these people being discussed.
Concordo com que a personalidade corporativa possa colocar problemas e que apenas indivíduos têm direitos. Ron Paul, ele próprio não anarquista, também manifestou esta ideia em resposta à escolha de palavras de Romney. Carson, porém, parece estar indo muito além em sua crítica, não simplesmente questionando a categorização de ficções corporativas como “pessoas,” mas em realidade concordando com que elas constituem pessoas quando julga com severidade a condição ética e o papel produtivo dessas pessoas objeto de discussão.
Do corporate profits often rely on state intervention? Of course. But they are not necessarily exploitative. They are certainly not always at the expense of consumers and workers. We actors in the marketplace, even one tainted by state involvement, do not always fall neatly into these categories of being consumers and workers or corporate beneficiaries. And many people who profit from corporate enterprises do so at great risk, putting everything they have on the line, without which entrepreneurship and thus economic growth and therefore civilization itself would be impossible. Surely big business has thrived on the state. I have made this point many times myself [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9]. But support from the state is not a necessary element to corporate profits, nor are all corporations even in our world on balance predatory institutions whose gains always come at the expense of workers or consumers. In the end, people who choose to buy from corporations or work for them, when in fact there are alternatives out there, do so because they stand to benefit themselves. In a truly free market, certainly many more good alternatives would be available. But this doesn’t mean the economic choices people actually make in our flawed world are themselves exploitative or oppressive.
Dependem lucros corporativos amiúde de intervenção do estado? Claro que sim. Eles não têm, contudo, necessariamente caráter de exploração. Eles certamente não se fazem sempre a expensas de consumidores e trabalhadores. Nós atores do mercado, mesmo um mercado corrompido pelo envolvimento do estado, nem sempre recaímos nitidamente nessas categorias de sermos consumidores e trabalhadores ou beneficiários corporativos. E muitas pessoas que lucram de empreendimentos corporativos fazem-no correndo grande risco, colocando tudo o que têm em jogo, sem o que o empreendendorismo e portanto crescimento econômico e portanto a própria civilização seriam impossíveis. Seguramente as grandes empresas têm prosperado graças ao estado. Eu próprio já expus essa ideia muitas vezes [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9]. Contudo, o apoio do estado não é elemento indispensável dos lucros corporativos, nem são todas as corporações, mesmo em nosso mundo, tomando tudo em consideração, instituições predatórias cujos ganhos vêm sempre a expensas de trabalhadores e consumidores. No final, as pessoas que optam por comprar das corporações ou por trabalhar para elas, quando de fato há alternativas disponíveis, fazem-no porque estão interessadas em beneficiar-se a si próprias. Num mercado verdadeiramente livre, certamente muito mais boas alternativas estariam disponíveis. Isso não significa, porém, que as escolhas econômicas que as pessoas realmente fazem em nosso falho mundo tenham caráter de exploração ou de opressão.
Although hostile toward corporate profiteers, Carson is much more nuanced in discussing other people who thrive on institutions of privilege and state-supported exploitation — ones who, in my opinion, tend to be at least as disrespectful of human rights in practice. He wrote on the labor controversy in Wisconsin this March:
Embora hostil em relação a aproveitadores corporativos, Carson é muito mais matizado ao discutir outras pessoas que prosperam graças a instituições de privilégio e exploração apoiados pelo estado — pessoas que, em minha opinião, tendem a ser pelo menos igualmente desrespeitosas dos direitos humanos na prática. Ele escreveu acerca da controvérsia trabalhista no Wisconsin em março último:
Education would no doubt be different in many ways in a free society — no compulsory attendance laws, and no processing of human resources for the corporate state.  But teaching children is an important function in any society, and much that public school teachers do now would probably carry over without much change.
A educação seria sem dúvida diferente, de várias maneiras, numa sociedade livre — nada de leis de frequência obrigatória, e nada de processamento de recursos humanos em benefício do estado corporativo. Ensinar crianças, contudo, é importante função em qualquer sociedade, e muito do que aqueles professores públicos fazem hoje provavelmente seria carreado sem grandes mudanças.
In my own view, corporate profits would exist in abundance in a free market, so long as there is inefficiency for entrepreneurs to identify and address, thereby benefiting society as a whole. I believe this will always be the case. Maybe this is part of the reason why I’m a capitalist and Carson is not. But regardless of the question of corporations in a free society, I strongly disagree that much of what public school teachers do would “carry over without much change” in a free society. Within a generation or so in a stateless world, I very much doubt that the majority of children would be subjected to something resembling conventional school at all. Homeschooling, lecture programs where teachers truly serve students and parents, online learning coupled with freer, more humane social interactions, would more likely dominate, I would think and hope. Our Prussian, imperialist public school system is an outrage, and the private schools are near carbon copies of the state model, due to accreditation laws and statist cultural inertia. Most jobs at corporations are in fact paragons of humane treatment compared to what many pupils in public schools suffer. If anyone should be able to appreciate this, I would think a left-leaning market anarchist would.
Em meu modo de ver, os lucros corporativos existiriam em abundância num livre mercado, enquanto houver ineficiências para empresários identificar e tratar, assim beneficiando a sociedade como um todo. Acredito que sempre será assim. Talvez esta seja parte da razão pela qual eu seja capitalista e Carson não. Entretanto, independentemente da questão das corporações numa sociedade livre, discordo veementemente de que grande parte do que os professores de escolas públicas fazem seria “transferido sem grandes mudanças” numa sociedade livre. Dentro de uma geração ou por aí num mundo sem estado, duvido muito que a maioria das crianças fosse sujeitada a algo que se assemelhasse à escola convencional em absoluto. A escolaridade no lar, programas de aulas expositivas nas quais os professores verdadeiramente servem a estudantes e pais, aprendizado online conjugado com interações sociais mais livres e humanas, mais provavelmente prevalecerão, acredito e espero. Nosso sistema prussiano imperialista de escola pública é uma afronta, e as escolas privadas são quase cópias carbono do modelo estatista, por causa de leis de credenciamento e da inércia cultural estatista. A maioria dos empregos nas corporações são em realidade modelos de tratamento humano em comparação com o que muitos alunos de escolas públicas sofrem. Se alguém seria capaz de gostar desse tipo de coisa, eu pensaria num anarquista de mercado com tendências esquerdistas.
But even without knowing exactly what a free society would look like, it is hard for me to see on what libertarian grounds Carson is more willing to humanize public school teachers than corporate beneficiaries. After all, in actual fact, public school teachers regularly conspire with administrators (their supposed class enemies) and police to enforce attendance. Carson does point out that attendance laws are a problem, but surely they poison the entire system as much as state interventions tarnish corporate life. Most teachers also happily engage in state-sanctioned civic brainwashing. They even impose homework, further burdening young people who are already forced to endure nine or so long hours sitting in torturous chairs staring at mind-destroying blackboards, such that they go home not to a reprieve or a chance for individual flourishing, but rather additional, mind-numbing abuse. Public teachers tend to be better paid than their counterparts in the private sector, and tend to whine louder every year for higher pay and better benefits at the expense of the taxpayer.
Contudo, mesmo sem saber exatamente como seria uma sociedade livre, é difícil para mim ver com que base libertária Carson se mostra mais disposto a humanizar professores de escolas públicas do que beneficiários corporativos. Afinal de contas, no mundo real, professores de escolas públicas sistematicamente conspiram com os administradores (seus pretensos inimigos de classe) e com a polícia para impor frequência. Carson denuncia que as leis de frequência são um problema, mas seguramente elas envenenam o sistema inteiro tanto quanto as intervenções do estado deslustram a vida corporativa. Os professores, em sua maioria, também alegremente se engajam em lavagem cerebral cívica sancionada pelo estado. Eles até impõem trabalhos de casa, onerando adicionalmente jovens pessoas já forçadas a aguentar nove horas ou em torno disso sentadas em torturadoras carteiras de olhos fixos em quadros-negros destruidores da mente, de tal maneira que elas vão para casa não para um pouco de alívio ou para alguma chance de algum desenvolvimento individual, mas sim para abuso adicional entorpecedor da mente. Os professores públicos tendem a ser melhor pagos do que suas contrapartes no setor privado, e tendem a choramingar mais alto todo ano por maior salário e melhores benefícios a expensas do contribuinte.
The amount of state privilege involved in propping up the child indoctrination racket is surely comparable to, if not far exceeding, what is entailed for the average corporation. Yet public school teachers tend to be more directly involved in coercively enforcing the destructive program of government brainwashing, abuse, and humiliation of the most vulnerable members of society, than are most corporate beneficiaries directly involved in serving the state where the coercion meets the individual. Sure, we should humanize the public school teachers, recognize their job in some cases somewhat resembles something that might exist on a free market, realize that many of them are good people who resent the system as much as we do, and not view them all as the equivalent of Nazi war criminals. Yet this is even truer of entrepreneurs reaping corporate profits.
A quantidade de privilégio estatal envolvida em escorar a mamata da doutrinação das crianças é seguramente comparável, se não exceder de longe, à implicada no caso da corporação média. No entanto, os professores de escolas públicas tendem a estar mais diretamente envolvidos na imposição coercitiva do programa destrutivo de lavagem cerebral, abuso e humilhação do governo dos mais vulneráveis membros da sociedade, do que está a maioria dos beneficiários corporativos diretamente envolvidos em servir o estado onde a coerção se exerça sobre o indivíduo. Certo, deveríamos humanizar os professores das escolas públicas, reconhecer que seu trabalho em alguns casos parece-se um tanto com algo que poderia existir num livre mercado, compreender que muitos deles são boas pessoas que se ressentem do sistema tanto quanto nós nos ressentimos, e não vê-los todos como o equivalente de criminosos de guerra nazistas. No entanto, isso é ainda mais verdadeiro de empresários que recebem lucros corporativos.
It would seem that Carson is using a proxy to determine who deserves animus and who warrants sympathy, and that proxy is based on a rough conception of leftist class analysis, rather than classical liberal class analysis. It is true that conservative-leaning libertarians often oversimplify matters by finding all “private sector” parties to be victims and all “tax consumers” to be parasites. Yet a proxy that tends toward vilification of the capitalist class and empathy for the proletarian class—which is what Carson seems to be doing—is at least as flawed. Not that he is defending government cops, but Carson even makes sure to note: “Even some of what police do, like stopping violent crime and apprehending aggressors, would still be necessary” in a free society. Sure enough. But in practice, I’ll take almost any corporate beneficiary over almost any police officer, regardless of the worker-capitalist class division that seems to serve Carson in his decision on whether to humanize an individual working in our flawed system, or compare him to a Nazi.
Pareceria que Carson estaria usando um procurador para definir quem merece animosidade e quem é digno de simpatia, e esse procurador está baseado numa concepção esquerdista tosca de análise de classe, em vez de em análise de classe clássica liberal. É verdade que os libertários de tendência conservadora amiúde supersimplificam os temas ao considerarem todas as partes do “setor privado” vítimas e todos os “consumidores de tributos” parasitas. Entretanto, um procurador que tende à vilificação da classe capitalista e à empatia em relação à classe proletária — que é o que Carson parece estar fazendo — é algo pelo menos igualmente falho. Não que ele esteja defendendo os policiais do governo, mas Carson faz questão de observar: “Até parte do que a polícia faz, como deter o crime violento e apreender agressores, ainda seria necessário” numa sociedade livre. Seguramente. Mas, na prática, prefiro quase todo beneficiário corporativo a quase todo policial, independentemente da divisão trabalhador-classe capitalista que parece servir Carson em sua decisão no tocante a ou se humanizar um indivíduo que trabalha em nosso falho sistema, ou compará-lo a um nazista.
I admit some of my resistance to the Carsonian conception of corporations as people stems from personal experience. For years in Berkeley, I myself began saying, “corporations are people,” when arguing with lefties of all types – from social democrats to social anarchists – who spent significant time attacking corporations for all their evils, but had much less hatred for the state. Some of these people, even the so-called radicals, would sometimes respond to my anti-state fundamentalism with the point, “governments are people,” and I would argue back much as Carson has done in response to Romney, deconstructing what exactly that meant. Yet I found that most people who railed against corporations didn’t give one whit about liberty or even peace, when it came down to it.
Admito que parte de minha resistência à concepção carsoniana de corporações como pessoas decorre de minha experiência pessoal. Durante anos em Berkeley, eu próprio comecei a dizer “as corporações são pessoas,” quando argumentando com esquerdinhas de todos os tipos – de social-democratas a social-anarquistas – que gastavam considerável tempo atacando corporações por todas as suas perversidades, mas tinham muito menos ódio do estado. Algumas dessas pessoas, mesmo os assim chamados radicais, por vezes respondiam ao meu fundamentalismo antiestatal com a ideia “governos são pessoas,” e eu argumentava muito como Carson fez em resposta a Romney, desconstruindo o que exatamente aquilo significava. No entanto, descobri que muitas pessoas que verberavam contra as corporações não davam um pio a respeito de liberdade ou mesmo de paz, quando esses eram os temas.
Now I concede there is something approaching a logical fallacy in my sentiment, if not the pure reasoning I use, in these arguments involving the phrase “corporations are people”—I admit part of my reaction is emotionally charged, a revulsion at those who would take some of the positions Carson takes—and yet Carson would seem to be going even further down this line of judging someone’s position based on where they’re coming from. Carson writes in “Corporations Are People?”:
Agora concedo haver algo que se aproxima de uma falácia lógica em meu modo de sentir, se não no puro raciocínio que uso, nesses argumentos envolvendo a frase “corporações são pessoas” — admito que parte de minha reação é desencadeada emocionalmente, uma repulsa em relação àqueles que esposarão algumas das posições que Carson esposa  — e no entanto Carson parece estar indo ainda mais além nessa linha de julgar a posição de alguém baseado em de onde a pessoa procede. Carson escreve em “Corporações São Pessoas?”:
[J]ust before I heard about Romney’s latest blooper, I was reading about a study by psychologist Dacher Keltner. The life experience of the rich, he says, makes them less empathetic and more selfish than ordinary people. Part of this is willful obtuseness; legitimizing ideologies not only inure the exploited to getting the shaft, but enable the expoiters to sleep at night by reassuring themselves that the poor really deserve it.
[L]ogo antes de eu ouvir falar da última mancada de Romney, estava lendo a respeito de um estudo do psicólogo Dacher Keltner. A experiência de vida dos ricos, diz ele, torna-os menos empáticos e mais egoístas do que as pessoas comuns. Parte disso é obtusidade deliberada; legitimar ideologias é algo que não apenas habitua os explorados a levar na cabeça como também permite que os exploradores durmam à noite dizendo para si próprios que os pobres realmente merecem.
The rich justify their relations with other social classes with the help of the Americanist ideology, whereby they exaggerate their own perceived rugged individualism and see their wealth as the result of character: “They think that economic success and political outcomes, and personal outcomes, have to do with individual behavior, a good work ethic …”
Os ricos justificam suas relações com outras classes sociais com a ajuda da ideologia estadunidensista, por meio da qual exalçam a percepção de seu próprio entranhado individualismo e veem sua riqueza como resultado de caráter: “Eles acham que o sucesso econômico e resultados políticos, e resultados pessoais, têm a ver com comportamento individual, com uma boa ética de trabalho. …”
In other words, fake “free market” ideology — as opposed to the real thing — is the opiate of the elites.
Em outras palavras, a ideologia espúria de “livre mercado” — por oposição à genuína — é o ópio das elites.
Aside from the shaky psycho-analysis, this comes too close for my taste to resembling the Marxist polylogism that Ludwig von Mises roundly refutes in his brilliant works including Human Action. “Americanist ideology,” Carson argues, resonates with people based on class, rather than on philosophical principles of potentially universal appeal. He is not saying that class determines one’s philosophical reasoning, but it comes close.
À parte a psicanálise precária, isso chega perto demais, para meu gosto, a ponto de parecer o polilogismo marxista que Ludwig von Mises refuta cabalmente em suas brilhantes obras, inclusive Ação Humana. “A ideologia estadunidensista,” argumenta Carson, repercute nas pessoas com base na classe, em vez de em princípios filosóficos de apelo potencialmente universal. Ele não diz que a classe determina o raciocínio filosófico de uma pessoa, mas passa perto.
For one thing, I think Carson is off the mark if not simply wrong. Plenty of poorer Americans buy into vulgar, fake free-market ideology, and plenty of rich people denounce the free market—whether the real thing or its counterfeit—all the time. Poor people vote Republican to protect themselves from “socialism.” And there are those, including me, who oppose corporatism vehemently and yet still prefer it to the state socialism often advocated by most factions of the left. Meanwhile, there are about half a dozen lavishly wealthy anarchists who come to mind whose market radicalism is pretty damn genuine. Then there are the rich socialists, and the poor socialists, and everything in between. Moreover, Romney, if we are going to try to read his thoughts as Carson appears to be doing, probably doesn’t believe any of his own rhetoric. He isn’t defending “fake ‘free market’ ideology” to sleep better at night—but rather to win votes.
De minha parte, acho que Carson não é preciso, isso se não estiver totalmente errado. Muitos estadunidenses mais pobres compram ideologia vulgar de livre mercado, muitas pessoas ricas denunciam o livre mercado — ou o genuíno ou sua contrafação — o tempo todo. Pessoas pobres votam nos Republicanos para protegerem-se do “socialismo.” E há aqueles, inclusive eu, que se opõem veementemente ao corporatismo e apesar disso ainda o preferem ao socialismo de estado amiúde advogado pela maioria das facções da esquerda. Enquanto isso, há cerca de meia dúzia de anarquistas profusamente ricos que me vêm à mente cujo radicalismo de mercado é positivamente genuíno. E então há os socialistas ricos, e os socialistas pobres, e tudo o que vem no meio. Ademais, Romney, se formos ler o pensamento dele como Carson parece estar fazendo, provavelmente não acredita em nada de sua própria retórica. Ele não está defendendo “ideologia espúria de ‘livre mercado’” para dormir melhor à noite — e sim para ganhar votos.
But most important, it is a mistake to take this route in critiquing someone’s point. If Romney is wrong to humanize corporations in the way he did, and I don’t think his point was nearly as trivial as Carson does, it is not necessarily a reflection of Romney’s class. This Marxian way of looking at the world is poor theoretical analysis. I’ve heard people from all across the economic spectrum sound like Romney talking about corporations.
Mais importante, porém: é um equívoco tomar esse caminho ao criticar os pontos de vista de alguém. Se Romney está errado em humanizar corporações do modo como o fez, e não acredito que o ponto de vista dele seja nem de perto tão trivial quanto Carson acha, isso não é necessariamente um reflexo da classe à qual pertence Romney. Essa maneira marxiana de olhar o mundo é análise teórica pobre. Já ouvi pessoas de todos os pontos do espectro econômico parecerem com Romney falando acerca das corporações.
Corporations are people too. And yes, governments are as well. Do all people who make profits off big business deserve what they make? No. Do all government workers deserve our hatred? No. Yet a balanced approach based on respect for the individual’s dignity and liberty in a society too often regimented by the brutal machinery of institutional coercion will yield a much more nuanced view than Carson has given in condemning corporate profit makers, and probably a much more critical view of public teachers as a class. Most corporate beneficiaries are not as bad as Nazis. Many of them are heroic benefactors of humanity. And most of them are at least as defensible and admirable as the average public teacher taking a government paycheck, even if this person appears to be a member of the “working class.”
As corporações são pessoas também. E, sim, os governos também. Será que todas as pessoas que lucram a partir das grandes empresas merecem o que ganham? Não. Será que todos os trabalhadores do governo merecem nosso ódio? Não. No entanto, uma abordagem equilibrada baseada em respeito pela dignidade e liberdade do indivíduo numa sociedade amiúde demasiado estritamente controlada pelo maquinário brutal da coerção institucional produzirá um modo de ver muito mais matizado do que aquele que Carson produziu ao condenar os auferidores de lucro corporativos, e provavelmente um ponto de vista muito mais crítico dos professores públicos enquanto classe. Os beneficiários corporativos, em sua maioria,  não são tão maus quanto os nazistas. Muitos deles são heroicos benfeitores da humanidade. E, em sua maioria, são pelo menos tão defensáveis e admiráveis quanto o professor público médio que recebe pagamento do governo, mesmo quando pareça ser membro da “classe trabalhadora.”
Anthony Gregory is research editor at the Independent Institute. Visit him at AnthonyGregory.com.
Anthony Gregory é editor de pesquisa no Instituto Independente. Visite-o em AnthonyGregory.com.
Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

No comments:

Post a Comment