Thursday, August 11, 2011

C4SS - "Public Service"? I'm Taking My Business Elsewhere

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C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
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“Public Service”? I’m Taking My Business Elsewhere
“Serviço Público”? Estou Tirando Meu Time de Campo
Posted by Kevin Carson on Jun 14, 2011 in Commentary, Feature Articles
Afixado por Kevin Carson em 14 de junho de 2011 em Comentário, Artigos em Destaque
Steven Cohen, writing at Huffington Post (“We Need to Respond to the Attack on Public Service,” June 13), writes that “the profound and intensifying attack on government and public service” is cause to be “frightened.”
Steven Cohen, escrevendo no Huffington Post (“Precisamos Responder ao Ataque Contra o Serviço Público,” 13 de junho), escreve que “o ataque profundo e que se intensifica contra o governo e o serviço público” é “de dar medo.”
Let me start by saying I’ve fallen afoul of many libertarians by defending public sector employees like those in Wisconsin against reflexive charges of parasitism.  If they’re engaged in a legitimate function like teaching kids or delivering mail that would still exist on a voluntary basis even in a stateless society, and the state currently crowds out voluntary alternatives, they’re no more blameworthy than the workers in Soviet state-owned factories.
Permitam-me começar dizendo que já entrei em conflito com muitos libertários ao defender empregados do setor público como aqueles de Wisconsin contra acusações reflexas de parasitismo. Se eles estão engajados em funções legítimas tais como ensinar crianças ou entregar correspondência, que também existiriam como voluntárias mesmo numa sociedade sem estado, e se o estado atualmente reprime alternativas voluntárias, eles não são mais culpados do que os trabalhadores de fábricas soviéticas de propriedade do estado.
And I’ve argued that public sector unions frequently empower such workers against those at the top rungs of the state, and might be a useful tool for genuine privatization — i.e., Proudhon’s vision of devolving state functions into voluntary social relationships.  That means, instead of the right-wing “privatization” agenda of auctioning off government functions to crony capitalist corporations, mutualizing them as consumer cooperatives owned by the recipients of services. Anyway, I’ll proudly back a teachers’ union local against a superintendent of schools, any day of the week.
E já argumentei que sindicatos do setor público amiúde dão poder a esses trabalhadores contra aqueles situados nos altos escalões do estado, e isso poderia servir como ferramenta útil para genuína privatização — isto é, a visão de Proudhon de transferir as funções do estado para relacionamentos sociais voluntários. Isso significa, em vez da agenda direitista de “privatização” mediante leilão de funções do governo para corporações capitalistas compadrescas, mutualizar essas funções na forma de cooperativas de consumo de propriedade dos recebedores dos serviços. De qualquer forma, briosamente apoiarei qualquer sindicato local de professores contra um superintendente de escolas, em qualquer dia da semana.
Nevertheless, the term “public service” really activates my gag reflex.  Like “statesmanship” and “reaching across the aisle,” it belongs in the kind of drinking game you play when you see managerial centrist hacks like David Gergen, Chris Matthews and David Brooks gathering to feed on a cable news talking head show.
Sem embargo, a expressão “serviço público” realmente me causa engulho. Do mesmo modo que “estadismo” e “consenso bipartidário,” essa expressão encaixa-se naquela espécie de jogos de quem bebe mais que você joga quando vê picaretas gerenciais centristas como David Gergen, Chris Matthews e David Brooks juntando-se para tirarem proveito de um programa de notícias de TV a cabo.
On any given day, if you follow Radley Balko’s blog, you can see stories of “public servants” planting evidence on suspects, launching no-knock home invasions in which they shoot pets and wave guns at children (all over the peaceful ingestion of substances the state decided to “forbid”), and sending people to prison on testimony from jailhouse snitches coerced into perjuring themselves.  The “public servants” in the prison guard and police unions lobby the state for ever more draconian and invasive extensions of the Drug War.  The “public servants” in airports subject their public “clientele” to degradation and humiliation on a daily basis.
Em qualquer dia que seja, se você acompanhar o blog de Radley Balko, poderá ver notícias acerca de “servidores públicos” plantando evidência contra suspeitos e deflagrando invasões de lares sem bater à porta, ocasiões em que atiram em animais domésticos e brandem armas de fogo para crianças (tudo a propósito de ingestão pacífica de substâncias que o estado resolveu considerar “proibidas”), e mandando pessoas para a prisão com base no testemunho de presos tornados informantes coagidos a cometer perjúrio em troca de redução da pena/benefícios. Os “servidores públicos” dos sindicatos de guardas de prisões e policiais fazem lobby junto ao estado pedindo ampliação sempre mais draconiana e invasiva da Guerra Contra as Drogas. Os “servidores públicos” em aeroportos sujeitam diariamente sua “clientela” pública a degradação e humilhação.
Every “public servant” in the Oval Office in my lifetime has launched wars of aggression that murdered innocent civilians by the thousands or hundreds of thousands, and the “public servants” in the military-industrial complex spend hundreds of billions maintaining garrisons in an empire of thousands of bases around the world, all to “defend” us against countries on the other side of the world that couldn’t possibly project military force more than a few hundred miles beyond their own borders.  And all these wars are case studies in the kind of “public-private partnership” Cohen lionizes, fought in the interest of the esteemed Generals Motors, Electric and Mills.
Todo “servidor público” do Salão Oval em meu período de vida deflagrou guerras de agressão assassinando civis inocentes aos milhares ou centenas de milhares, e os “servidores públicos” do complexo industrial-militar gastam centenas de biliões de dólares mantendo guarnições num império de milhares de bases por todo o mundo, tudo para “defender”-nos contra países do outro lado do mundo que não têm como projetar força militar além de umas poucas centenas de milhas além de suas próprias fronteiras. E todas essas guerras são estudos de caso do tipo “parceria público-privada” que Cohen exalta, combatidas no interesse dos estimados Generais Motors, Electric e Mills.
Cohen does admit that the federal government is “too far removed” from much of what it deals with, and recommends federalism — decentralizing a large part of policy to local governments — as a remedy.  Most of us on the Left have seen the sausage-making process in action in local government, especially as regards Cohen’s much-vaunted “infrastructure,” and it ain’t pretty.  The average local government may be “responsive” to the Rotary Club yahoos who run things (they’re real fond of phrases like “public service” there, as well), but certainly not to us.  The typical local government is a showcase property of local real estate developers, and its primary function is to provide below cost roads and utilities to the new cul-de-sacs and big box stores that spring up at every cloverleaf of the new government-subsidized freeway.
Cohen admite que o governo federal está “distante demais” de grande parte daquilo com que lida, e recomenda federalismo — descentralizar grande parte das políticas para governos locais — como remédio. A maioria de nós da Esquerda já viu o processo de encheção de linguiça em ação no governo local, especialmente no tocante à “infraestrutura” tão louvada por Cohen, e o que vimos não é nada bonito. O governo local médio pode ser “rápido em atender” aos grosseirões do Rotary Club que administram as coisas (eles por lá também gostam muito de expressões tais como “serviço público”), mas certamente não a nós. O governo local típico é uma dessas casas exibidas como amostra por desenvolvedores imobiliários locais, e sua principal função é oferecer ruas e infraestrutura pública abaixo do custo aos novos bairros suburbanos e às grandes superlojas que proliferam em cada trevo da nova rodovia subsidiada pelo governo.
Cohen’s red herring about the big ideological war between “capitalism” and “communism” is beside the point.  It presupposes some sort of rivalry between government and business, when in fact big government liberals have been — in the words of Roy Childs — “the running dogs of big businessmen.”
O discurso diversionista de Cohen acerca da grande guerra ideológica entre “capitalismo” e “comunismo” não tem nada a ver com o assunto. Pressupõe algum tipo de rivalidade entre governo e empresas, quando de fato os liberais do governo hipertrofiado têm sido — nas palavras de Roy Childs — “os lacaios servis dos grandes homens de negócios.”
As far as I’m concerned, most of the rivalry between the so-called “public” and “private” sectors in American political discourse is about as genuine as that between the “good cop” and “bad cop” in a police interrogation room.  What’s referred to as the “private sector,” by the sort of right-wing corporate apologists who typically pass themselves off as “libertarian,” is so state-cartelized and state-subsidized that the boundary between the giant corporation in the monopoly capital sector and the giant government agency is, at best, quite blurry.
Em minha opinião, a maior parte da rivalidade entre os assim chamados setores “público” e “privado” do discurso político estadunidense é mais ou menos tão genuína quanto aquela entre o “policial bom” e o “policial ruim” num recinto de interrogatório da polícia. O que é chamado de “setor privado” por aquele tipo de apologistas corporativos de direita que tipicamente se fazem passar por “libertários” é tão cartelizado e subsidiado pelo estado que a fronteira entre a corporação gigante do setor de capital monopolizado e o órgão de governo hipertrofiado é, na melhor das hipóteses, bastante indistinta.
The big business interests to whom self-proclaimed “free market advocates” like Dick Armey want to hand over the country are virtual creations of the state.
Os grandes interesses empresariais aos quais autoproclamados “defensores do livre mercado” como Dick Armey desejam entregar o país são essencialmente criações do estado.
So Cohen’s aside that he “taught management to future public managers for about thirty years” sets off alarm bells for me.  I’ve worked in both the “public” and “private” sectors, and seen deskbound parasites in both places downsize service staff while sending themselves to cushy management retreats. One pointy-haired boss is pretty much the same as another.
Assim, a observação de Cohen de ter “ensinado administração para futuros administradores públicos durante cerca de trinta anos” dispara, para mim, campainhas de alarme. Trabalhei tanto no setor “público” quanto no “privado” e vi parasitas de escritório em ambos, reduzindo equipes de funcionários de serviços gerais enquanto remetendo-se a si próprios a confortáveis retiros para gerentes. Os chefes de visão estreita são muito parecidos entre si. 
In fact Cohen is an advocate for just the kind of government-corporate collusion that has defined actually existing capitalism for the past 150 years or more.  He argues that “[T]he economic powers of the 21st century will be those that figure out how to develop a productive and sophisticated relationship between government and the private sector.”
Em realidade Cohen é defensor de exatamente o tipo de conluio governo-corporação que vem definindo o capitalismo tal como este vem existindo na prática nos últimos 150 anos ou mais. Ele argumenta que “[A]s potências econômicas do século 21 serão aquelas que concebam como desenvolver um relacionamento produtivo e sofisticado entre governo e setor privado.”
That’s certainly true, all right.  The “economic powers” we have right now — several hundred transnational corporations that dominate the global economy — owe their size, if not their very existence, to a “partnership” with government.  It’s the kind of partnership where government subsidizes their basic operating expenses and allows them to externalize the inefficiency costs of large size on taxpayers, severely limits price and quality competition through regulatory cartels, and enforces so-called “intellectual property” laws as entry barriers from behind which privileged corporate pigs can extract rents on artificial scarcity.
Isso é certamente verdade, sem dúvida. As “potências econômicas” que temos neste momento — várias centenas de corporações transnacionais que dominam a economia global — devem seu porte, se não sua própria existência, a uma “parceria” com o governo. É aquele tipo de parceria no qual o governo subsidia as despesas operacionais básicas delas e permite a elas externalizar seus custos de ineficiência decorrentes do grande porte para os contribuintes, limita severamente competição de preço e qualidade por meio de cartéis reguladores, e faz cumprir as assim chamadas leis de “propriedade intelectual” como barreiras ao surgimento de novos empreendimentos, de trás das quais gananciosos corporativos privilegiados podem extrair renda proveniente da escassez artificial.
Just look at Cohen’s examples.  There’s the USDA-agribusiness complex, which (parroting Cargill propaganda) he says made America “the world’s breadbasket.”  And of course, beloved of all true liberals, the Interstate Highway System — built under the direction of DOD Secretary Charles “What’s good for General Motors” Wilson, and which is now the basis for the big box “warehouses on wheels” business model that has destroyed Main Street.
Basta ver os exemplos de Cohen. Há o complexo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos-agronegócios que (imitando a propaganda da Cargill), diz ele tornou os Estados Unidos “o celeiro de pão do mundo.” E, naturalmente, querido de todos os verdadeiros liberais, o Sistema Interestadual de Rodovias — construído sob a direção do Secretário do Departamento de Defesa Charles “O que é bom para a General Motors” Wilson, e que é agora a base do modelo de negócios das superlojas “armazéns sobre rodas” que destruíram o pequeno comércio de rua.
In short, government at all levels provides the kind of “public service” you have a hard time escaping if you don’t want it.  It’s understandably popular with the “public” of corporate fat cats and coupon-clipping rentiers.  But whoever the customer is for such “public service,” it’s not you and me.
Em suma, o governo, em todos os níveis, oferece aquele tipo de “serviço público” do qual, se você não gostar, terá enorme dificuldade para desvencilhar-se. Tal serviço é compreensivelmente popular entre o “público” dos grandões corporativos e dos rentistas de cupons e vales. Qualquer seja porém o cliente desse “serviço público,” não é nem você nem eu.
Citations to this article:
Citações deste artigo:
E.D. Kain, On So-Called “Public Service”, The League of Ordinary Gentlemen, 06/15/11
E.D. Kain, Do Assim Chamado “Serviço Público”, A Liga dos Cavalheiros Comuns, 15/06/11
C4SS Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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