Tuesday, August 9, 2011

C4SS - Legibility & Control: Themes in the Work of James C. Scott

ENGLISH
PORTUGUÊS
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Center for a Stateless Society Paper No. 12 (Winter/Spring 2011)
Centro por uma Sociedade sem Estado – Paper No. 12 (Inverno/Primavera 2011)
Legibility & Control: Themes in the Work of James C. Scott
Legibilidade e Controle: Temas na Obra de James C. Scott
Kevin A. Carson
Kevin A. Carson
Translator’s note – This is how Kevin defines ‘rent’, word that I prefer to keep in English: ‘More or less what the economists mean by "quasi-rents": a producer surplus, or income higher than what would be required as an incentive to bring a good to market (i.e., a price consistently higher than the marginal cost of production).  It's called "rent" by way of analogy, from Ricardo's law of rents on land.’
Nota do Tradutor Eis como o autor define ‘rent’, palavra que prefiro manter em inglês: ‘Mais ou menos o que os economistas significam por “quase-renda”: o excedente do produtor, ou receita mais elevada do que a que seria necessária como incentivo para trazer um bem ao mercado (isto é, um preço consistentemente mais elevado do que o custo marginal de produção). Chama-se ‘rent’ por analogia, a partir da lei da renda/aluguel (rents) da terra de Ricardo.’
Opacity and Legibility.
Opacidade e Legibilidade.
In Seeing Like a State, Scott develops the central theme of “legibility,” which will be involved in most of our lines of analysis below. It refers to
Em Vendo Como um Estado, Scott desenvolve o tema central de “legibilidade,” que estará envolvido na maior parte de nossas linhas de análise abaixo. Refere-se a
a state's attempt to make society legible, to arrange the population in ways that simplified the classic state functions of taxation, conscription, and prevention of rebellion. Having begun to think in these terms, I began to see legibility as a central problem in statecraft. The premodern state was, in many crucial respects, partially blind; it knew precious little about its subjects, their wealth, their landholdings and yields, their location, their very identity. It lacked anything like a detailed “map” of its terrain and its people. It lacked, for the most part, a measure, a metric, that would allow it to “translate” what it knew into a common standard necessary for a synoptic view. As a result, its interventions were often crude and self-defeating.
tentativa de um estado de tornar a sociedade legível, de organizar a população de tal maneira que fiquem simplificadas as funções clássicas do estado de tributação, conscrição e prevenção de rebelião. Havendo começado a pensar nesses termos, comecei a ver a legibilidade como um problema central do estadismo. O estado premoderno era, sob muitos aspectos cruciais, parcialmente cego; sabia muito pouco acerca de seus súditos, sua riqueza, propriedade de terras e produção, sua localização, sua própria identidade. Não dispunha de qualquer coisa parecida com um “mapa” minudente de seu território e de seu povo. Carecia, de maneira geral, de uma forma de mensurar, uma métrica, que lhe permitisse “traduzir” o que sabia num padrão comum necessário para uma visão sinóptica. Em decorrência, suas intervenções eram amiúde cruas  e autodestrutivas.
....How did the state gradually get a handle on its subjects and their environment? Suddenly, processes as disparate as the creation of permanent last names, the standardization of weights and measures, the establishment of cadastral surveys and population registers, the invention of freehold tenure, the standardization of language and legal discourse, the design of cities, and the organization of transportation seemed comprehensible as attempts at legibility and simplification. In each case, officials took exceptionally complex, illegible, and local social practices, such as land tenure customs or naming customs, and created a standard grid whereby it could be centrally recorded and monitored....1
.... Como fez o estado para gradualmente obter claro entendimento de seus súditos e do ambiente deles? Subitamente processos tão díspares quanto a criação de sobrenomes permanentes, a estandardização de pesos e medidas, o estabelecimento de levantamento cadastral de bens de raiz e de registros de população, a invenção da posse real da terra, a estandardização da linguagem e do discurso jurídico, o projeto de cidades, e a organização do transporte pareceram inteligíveis como tentativas de legibilidade e simplificação. Em cada um dos casos citados, as autoridades tomaram práticas sociais excepcionalmente complexas, ilegíveis e locais, tais como costumes de posse da terra ou de atribuição de nomes, e criaram uma grade padronizada por meio da qual elas poderiam ser registradas e monitoradas centralizadamente....1
How were the agents of the state to begin measuring and codifying, throughout each region of an entire kingdom, its population, their landholdings, their harvests, their wealth, the volume of commerce, and so on? …
Como fizeram os agentes do estado para começar a mensurar e a codificar, ao longo de cada região de um reino inteiro, sua população, suas propriedades de terra, suas colheitas, sua riqueza, o volume do comércio, e assim por diante? …
Each undertaking... exemplified a pattern of relations between local knowledge and practices on one hand and state administrative routines on the other.... In each case, local practices of measurement and landholding were “illegible” to the state in their raw form. They exhibited a diversity and intricacy that reflected a great variety of purely local, not state, interests. That is to say, they could not be assimilated into an administrative grid without being either transformed or reduced to a convenient, if partly fictional, shorthand. The logic behind the required shorthand was provided... by the pressing material requirements of rulers: fiscal receipts, military manpower, and state security. In turn, this shorthand functioned... as not just a description, however inadequate. Backed by state power through records, courts, and ultimately coercion, these state fictions transformed the reality they presumed to observe, although never so thoroughly as to precisely fit the grid.2
Cada empreendimento... exemplificava um padrão de relações entre, de um lado, o conhecimento e as práticas locais e, de outro, rotinas administrativas do estado.... Em cada caso as práticas locais de mensuração e propriedade da terra eram “ilegíveis” para o estado em sua forma bruta. Exibiam diversidade e complexidade que refletiam grande variedade de interesses puramente locais, não do estado. Vale dizer, não poderiam ser assimiladas numa grade administrativa sem ser ou transformadas ou reduzidas a uma forma taquigráfica conveniente, ainda que parcialmente ficcional. A lógica por trás da taquigrafia requerida era fornecida... pelas prementes exigências materiais dos governantes: recebimentos fiscais, pessoal para as forças armadas, e segurança do estado. Por sua vez, essa taquigrafia não funcionava... como apenas uma descrição, por mais inadequada. Escorada por poder estatal por meio de registros, tribunais e, em última análise, coerção, essas ficções do estado transformavam a realidade que presumidamente observavam, embora nunca de modo completo a ponto de fechar a grade de modo preciso.2
It's not clear to what extent Scott's concept of legibility is directly influenced by Michel Foucault's analysis in Discipline and Punish. But it seems likely a significant influence is there. Scott cites the book several times in Seeing Like a State, including once in a manner that suggests a direct relationship to his own treatment of legibility:
Não fica claro em que medida o conceito de Scott de legibilidade está diretamente influenciado pela análise de Michel Foucault em Disciplina e Punição. Parece, contudo, provável significativa influência. Scott cita aquele livro diversas vezes em Vendo Como um Estado, inclusive uma vez de maneira que sugere relação direta com seu próprio tratamento da legibilidade:
What is new in high modernism, I believe, is not so much the aspiration for comprehensive planning. Many imperial and absolutist states have had similar aspirations. What are new are the administrative technology and social knowledge that make it plausible to imagine organizing an entire society in ways that only the barracks or the monastery had been organized before. In this respect, Michel Foucault's argument in Discipline and Punish... is persuasive.3
O que é novo no alto modernismo, acredito eu, não é tanto a aspiração de planejamento abrangente. Muitos estados imperiais e absolutistas tiveram aspiraçõies similares. Novos são, isso sim, a tecnologia administrativa e o conhecimento social que tornam plausível imaginar organizar uma sociedade inteira como antes só haviam sido organizados a caserna ou o mosteiro. No tocante a isso, a argumentação de Michel Foucault em Disciplina e Punição... é persuasiva.3
In any case, Foucault's analysis in some passages is almost a word-for-word anticipation of Scott, to the extent of even using the term “legibility” in essentially the same sense.
De qualquer forma, a análise de Foucault,, em algumas passagens, antecipa-se a Scott quase palavra por palavra, a ponto até de usar a palavra “legibilidade” essencialmente no mesmo sentido.
Bentham's Panopticon, as described by Foucault, is just one example of an institution architecturally designed to render its inmates as legible as possible to those in authority. Foucault applies the same panoptic principle of legibility to monasteries, military formations and camps, hospitals, asylums, schools and factories. In every case the basic principle is partitioning, in order to eliminate ambiguity and organize the institution—or society—on the basis of “Each individual has his own place; and each place its individual.”
O Panopticon de Bentham, como descrito por Foucault, é apenas um exemplo de uma instituição arquiteturalmente projetada para tornar seus reclusos tão legíveis quanto possível para os em posições de autoridade. Foucault aplica o mesmo princípio panóptico de legibilidade a mosteiros, formações e acampamentos militares, hospitais, asilos, escolas e fábricas. Em todos os casos o princípio básico é a compartimentação, para ser eliminada ambiguidade e ser organizada a instituição — ou sociedade — na base de “Cada indivíduo tem seu próprio lugar; e cada lugar seu indivíduo.”
Avoid distributions in groups; break up collective dispositions; analyse confused, massive or transient pluralities. Disciplinary space tends to be divided into as many sections as there are bodies or elements to be distributed. One must eliminate the effects of imprecise distributions, the uncontrolled disappearance of individuals, their diffuse circulation, their unusable and dangerous coagulation; it was a tactic of antidesertion, anti-vagabondage, anti-concentration. Its aim was to establish presences and absences, to know where and how to locate individuals, to set up useful communications, to interrupt others, to be able at each moment to supervise the conduct of each individual, to assess it, to judge it, to calculate its qualities or merits.4
Evitar distribuições em grupos; desintegrar inclinações coletivas; analisar pluralidades confusas, maciças ou transientes. O espaço disciplinar tende a ser dividido em tantas secções quanto corpos ou elementos a serem distribuídos. É preciso eliminar os efeitos de distribuições imprecisas, o desaparecimento descontrolado de indivíduos, sua circulação difusa, seu ajuntamento não usável e perigoso; era uma tática de antideserção, antinomadismo, anticoncentração. Seu objetivo era deixar claras presenças e ausências, saber onde e como localizar indivíduos, estabelecer comunicações úteis, interromper outras, ser capaz de, em cada momento, supervisar a conduta de cada indivíduo, avaliá-la, julgá-la, para calcular suas qualidades ou méritos.4
In the factory, this meant “distributing individuals in a space in which one might isolate them and map them...”5 The layout of the Oberkampf manufactory at Jouy, as designed by Toussaint Barre in 1791, for example, was such that it was
Na fábrica, isso significava “distribuir os indivíduos num espaço no qual fosse possível isolá-los e mapeá-los...”5 O leiaute da fábrica de Oberkampf em Jouy, tal como projetado por Toussaint Barre em 1791, por exemplo, era tal que tornava
possible to carry out a supervision that was both general and individual: to observe the worker's presence and application, and the quality of his work; to compare workers with one another, to classify them according to skill and speed; to follow the successive stages of the production process. All these serializations formed a permanent grid: confusion was eliminated: that is to say, production was divided up and the labour process was articulated, on the one hand, according to its stages or elementary operations, and, on the other hand, according to the individuals, the particular bodies, that carried it out: each variable of this force—strength, promptness, skill, constancy—would be observed, and therefore categorized, assessed, computed and related to the individual who was its particular agent. Thus, spread out in a perfectly legible way over the whole series of individual bodies, the work force may be analysed in individual units. At the emergence of large-scale industry, one finds, beneath the division of the production process, the individualizing fragmentation of labour power; the distributions of the disciplinary space often assured both.6
possível efetuar supervisão ao mesmo tempo geral e individual: detectar a presença e a aplicação do trabalhador e a qualidade de seu trabalho; comparar os trabalhadores uns com os outros, classificá-los conforme habilidade e velocidade; acompanhar os estágios sucessivos do processo de produção. Todas essas serializações formavam uma grade permanente: a confusão ficava eliminada: vale dizer, a produção era subdividida e o processo de trabalho tornava-se articulado, de um lado, de acordo com seus estágios ou operações elementares e, do outro, de acordo com os indivíduos, os corpos específicos, que os realizavam: cada variavel desse grupo — força, prontidão, habilidade, constância — seria observado, e portanto categorizado, avaliado, computado e relacionado com o indivíduo que era seu agente específico. Assim, pois, distribuída de maneira perfeitamente legível por toda a série de corpos individuais, a força de trabalho pode ser analisada em unidades individuais. Quando do surgimento da indústria de larga escala descobre-se, por baixo do processo de divisão da produção, a fragmentação individualizadora do poder de trabalho; as distribuições do espaço disciplinar amiúde asseguravam ambos.6
In every case the institution was an “observatory” in which power and discipline resulted from the ability to see:
A instituição era, sempre, um “observatório” no qual poder e disciplina resultavam da capacidade de ver:
The exercise of discipline presupposes a mechanism that coerces by means of observation; an apparatus in which the techniques that make it possible to see induce effects of power, and in which, conversely, the means of coercion make those on whom they are applied clearly visible.7
O exercício da disciplina pressupõe um mecanismo que exerce coerção por meio da observação; um aparato no qual as técnicas que tornam possível ver induzem efeitos de poder e no qual, inversamente, os meios de coerção tornam aqueles nos quais são aplicados claramente visíveis.7
Architecture was so designed as to “make people docile and knowable,” to “permit an internal, articulated and detailed control—“
A arquitetura era projetada de forma a “tornar as pessoas dóceis e cognoscíveis,” a “permitir controle interno, articulado e detalhado—“
to render visible those who are inside it; in more general terms, an architecture that would operate to transform individuals: to act on those it shelters, to provide a hold on their conduct, to carry the effects of power right to them, to make it possible to know them, to alter them.8
para tornar visíveis os que estejam dentro dela; em termos mais gerais, uma arquitetura a operar para transformar os indivíduos: atuar sobre os que abriga, exercer poder sobre sua conduta, levar os efeitos do poder até eles, tornar possível conhecê-los, alterá-los.8
“The perfect disciplinary apparatus,” in short, “would make it possible for a single gaze to see everything constantly.”9 That was, essentially, the purpose of Bentham's Panopticon: “to induce in the inmate a state of  conscious and permanent visibility that assures the automatic functioning of power.”10
“O perfeito aparato disciplinar,” em suma, “tornaria possível a um simples olhar a fito ver tudo constantemente.”9 Esse era, essencialmente, o propósito do Panopticon de Bentham: “induzir no recluso um estado de visibilidade cônscia e permanente que assegura o funcionamento automático do poder.”10
This principle applied above all to the relationship between the state and the citizenry in society at large. The Fourierist journal La Phalange, with deliberate irony, described the implicit philosophy behind a judge's remarks to a vagrant prosecuted in his court:
Esse princípio aplicava-se acima de tudo ao relacionamento entre o estado e os cidadãos da sociedade em geral. O jornal fourierista La Phalange, com deliberada ironia, descreveu a filosofia implícita por trás das observações de um juiz a um andarilho processado em seu tribunal:
There had to be a place, a location, a compulsory insertion: 'One sleeps at home, said the judge, because, in fact, for him, everything must have a home, some dwelling, however magnificent or mean; his task is not to provide one, but to force every individual to live in one.' Moreover, one must have a station in life, a recognizable identity, an individuality fixed once and for all: 'What is your station? This question is the simplest expression of the established order in society; such vagabondage is repugnant to it, disturbs it; one must have a stable, continuous long-term station, thoughts of the future, of a secure future, in order to reassure it against all such attacks.' In short, one should have a master, be caught up and situated within a hierarchy; one exists only when fixed in definite relations of domination....11
Havia necessidade de haver um lugar, uma localização, uma inserção compulsória: 'A pessoa dorme em casa, disse o juiz, porque, na verdade, para ele, tudo tem de ter uma casa, algum lugar para morar, esplêndido ou modesto; a tarefa dela não é proporcionar moradia, e sim forçar todo indivíduo a viver numa residência.' Mais que isso, uma pessoa tem de ter uma posição na vida, uma identidade reconhecível, uma individualidade fixada vez por todas: qual é sua posição? Essa pergunta é a expressão mais simples da ordem estabelecida na sociedade; tal nomadismo é repugnante para ele, perturba-o; uma pessoa precisa ter uma posição estável, contínua, de longo prazo, pensamentos acerca do futuro, um futuro seguro, para ficar a salvo de todos esses ataques.' Em suma, uma pessoa deve ter um senhor, ser apanhada por e situada dentro de uma hierarquia; a pessoa só existe quando inserida em relações definidas de dominação....11
Another work whose analysis overlaps considerably with Scott's is E.P. Thompson's “Time, Work-Discipline, and Industrial Capitalism.” Scott's treatment of legibility of the work-process, as an aid to managerial control, can be usefully compared to Thompson's treatment of objective, legible systems of timekeeping—like the clock and the pace of machinery—as means of pacing work to management's standards in preference to the traditional pattern of alternating bursts of intense labor and idleness, “Saint Monday,” the calendar of holy days, etc., chosen by self-employed labor.12
Outra obra cuja análise superpõe-se consideravelmente à de Scott é a de E.P. Thompson “Tempo, Disciplina de Trabalho e Capitalismo Industrial.” O tratamento de Scott da legibilidade do processo de trabalho, como auxílio do controle gerencial, pode ser proveitosamente comparado com o tratamento de Thompson dos sistemas objetivos e legíveis de Scott de marcação de tempo — como o relógio e o ritmo do maquinário — como meio de imprimir ao trabalho o padrão de ritmo da gerência de preferência ao padrão tradicional de alternar estirões de trabalho intenso e de ociosidade, da “Santa Segunda-Feria,” do calendário de dias santos etc., preferido pelo trabalho dos trabalhadores que se autoempregam.12
The emergence of an objective, legible system of timekeeping, as described by Thompson, is analogous to the legible systems of land title, weights and measures, money, surnames, etc., imposed by states. And the purpose was exactly the same—to increase the amount of appropriable labor. In the case of legible systems of timekeeping, that meant overcoming “the people's old working habits,”13 by which laborers typically worked only enough to procure necessities—as little as three or four days in the week. As the laboring classes were deprived of their previous independent access to the means of subsistence and production by such expedients as the Enclosures, and the factory system replaced self-employment, “[t]he leisured classes began to discover the problem... of the leisure of the masses.” The propertied, employing classes were horrified by the fact that so many manual workers, after finishing their day's work, still had “several hours in the day to be spent nearly as they please.”14
O surgimento de um sistema objetivo e legível de marcação de tempo, como descrito por Thompson, é análogo aos sistemas legíveis de título da terra, pesos e medidas, dinheiro, sobrenomes etc., impostos pelos estados. E o propósito era exatamente o mesmo —aumentar a quantidade de trabalho apropriável. No caso de sistemas legíveis de marcação do tempo, isso significou acabar com “os antigos hábitos de trabalho das pessoas,”13 nos quais os trabalhadores, normalmente, trabalhavam apenas o suficiente para comprar o necessário — apenas três ou quatro dias por semana. À medida que as classes trabalhadoras foram sendo privadas de seu antigo acesso independente aos meios de subsistência e de produção por expedientes tais como os Cercados [Enclosures], e o sistema de fábricas substituiu o autoemprego, “[a]s classes que gozavam de lazer começaram a perceber o problema... do lazer das massas.” As classes de donos de propriedades e de empregadores ficaram horrorizadas com o fato de tantos trabalhadores manuais, depois de findarem seu dia de trabalho, ainda terem “diversas horas do dia para gastar praticamente como quisessem.”14
As an example of the new systems of legible timekeeping imposed, Thompson cited the Law Book of the Crowley Iron Works, which states (Order 103): “To the end that sloath and villany should be detected and the just and diligent rewarded, I have thought meet to create an account of time by a Monitor....” The Monitor was to keep a time-sheet for each employee.15
Como exemplo dos novos sistemas de marcação legível do tempo impostos, Thompson citou o Livro Legal da Fundição de Ferro de Crowley, o qual determina (Ordem 103): “Para o fito de indolência e vilania serem identificadas e os justos e diligentes serem recompensados, concebi criar uma conta de tempo por meio de um Monitor....” O Monitor deveria manter uma folha de controle de tempo para cada empregado.15
In all these ways—by the division of labour; the supervision of labour; fines; bells and clocks; money incentives; preachings and schoolings; the suppression of fairs and sports—new labour habits were formed, and a new time-discipline was imposed.16
De todos esses modos — pela divisão do trabalho; a supervisão do trabalho; multas; campainhas e relógios; incentivos em dinheiro; doutrinação e instrução; a supressão de feiras e esportes — novos hábitos de trabalho foram formados, e uma nova disciplina referente ao tempo foi imposta.16
Scott and Hayek: Mētis and Hidden Knowledge.
Scott e Hayek: Mētis e Conhecimento Oculto.
Scott's concept of “mētis” (Μτις), in Seeing Like a State, is the culmination of a long line of previous thought. Mētis is “practical knowledge,” or “knowledge embedded in local experience,” as opposed to techne (a systematic body of formal, general, abstract knowledge which is deducible from fundamental principles).17 It “represents a wide array of practical skills and acquired intelligence in responding to a constantly changing natural and human environment.”18
O conceito de Scott de “mētis” (Μτις), em Vendo Como um Estado é a culminância de longa linha de pensamento anterior. Mētis é “conhecimento prático,” ou “conhecimento embutido em experiência local,” por oposição a techne (corpo sistemático de conhecimento formal, geral e abstrato dedutível de princípios fundamentais).17 “Representa largo séquito de habilidades práticas e inteligência adquirida na resposta a ambiente natural e humano em constante mudança.”18
Any experienced practitioner of a skill or craft will develop a large repertoire of moves, visual judgments, a sense of touch, or a discriminating gestalt for assessing the work as well as a range of accurate intuitions born of experience that defy being communicated apart from practice.19
Qualquer praticante de uma habilidade ou ofício desenvolverá vasto repertório de manobras, juízos visuais, sentido de tato ou gestalt discriminadora para avaliar o trabalho, bem como um espectro de intuições precisas, nascidas da experiência, difíceis de serem comunicados à parte da prática.19
Mētis is acquired through—and applicable to—“broadly similar but never precisely identical situations requiring a quick and practiced adaptation that becomes almost second nature to the practitioner.” It “resists simplification into deductive principles which can successfully be transmitted
through book learning...”20
Mētis é adquirido por meio — e é aplicável a —“situações similares no geral mas nunca exatamente idênticas que requerem rápida e experiente adaptação que se torna quase segunda natureza do praticante.” “Resiste a simplificação a princípios dedutivos que possam ser transmitidos bem-sucedidamente por aprendizado livresco...”20
The classic example of mētis is the received story of Squanto (or, variously, Massasoit) providing the English settlers with the Indians' local knowledge of climate and weather, soil and native plant growing cycles, and thereby averting mass starvation.21
O exemplo clássico de mētis é a amplamente tida por veraz história de Squanto (ou pela variante Massasoit) oferecendo aos colonos ingleses conhecimento local de clima e tempo, solo e ciclos de crescimento de plantas nativas, desse modo impedindo que ocorresse inanição em massa.21
This should sound familiar to any student of Friedrich Hayek. In his classic essay “The Use of Knowledge in Society,” Hayek wrote of “distributed knowledge”:
Isso deverá soar familiar a qualquer estudioso de Friedrich Hayek. Em seu clássico ensaio “O Uso do Conhecimento na Sociedade,” Hayek escreveu acerca de “conhecimento distribuído”:
If we possess all the relevant information, if we can start out from a given system of preferences, and if we command complete knowledge of available means, the problem which remains is purely one of logic. That is, the answer to the question of what is the best use of the available means is implicit in our assumptions. The conditions which the solution of this optimum problem must satisfy have been fully worked out and can be stated best in mathematical form: put at their briefest, they are that the marginal rates of substitution between any two commodities or factors must be the same in all their different uses. [Which amounts to a fair summary of the neoclassical view of the firm as a “black box” guided by a production function which is given.—K.C.]
Se possuirmos toda informação relevante, se pudermos começar a partir de dado sistema de preferências, e se dispusermos de conhecimento completo dos meios disponíveis, o problema remanescente será puramente de lógica. Isto é, a resposta à pergunta de qual é o melhor uso dos meios disponíveis estará implícita em nossas assunções. As condições que a solução desse problema colocado nos termos mais favoráveis tem de satisfazer já foram completamente equacionadas e melhor poderão ser enunciadas em forma matemática: dito do modo mais sucinto, são que as taxas marginais de substituição entre duas mercadorias ou fatores têm de ser as mesmas em todos os seus diferentes usos. [O que bem resume o ponto de vista neoclássico da firma como “caixa preta” guiada por uma função de produção que é um dado.—K.C.]
This, however, is emphatically not the economic problem which society faces....
Esse, entretanto, não é, enfaticamente, o problema econômico com o qual a sociedade se defronta....
The peculiar character of the problem of a rational economic order is determined precisely by the fact that the knowledge of the circumstances of which we must make use never exists in concentrated or integrated form but solely as the dispersed bits of incomplete and frequently contradictory knowledge which all the separate individuals possess. The economic problem of society is thus not merely a problem of how to allocate “given” resources—if “given” is taken to mean given a single mind which deliberately solves the problem set by these “data.” It is rather a problem of how to secure the best use of resources known to any of the members of society, for ends whose relative importance only these individuals know. Or, to put it briefly, it is a problem of the utilization of knowledge which is not given to anyone in its totality.22
O caráter peculiar do problema de uma ordem econômica racional é determinado precisamente pelo fato de que o conhecimento das circunstâncias das quais temos de fazer uso nunca existe em forma concentrada ou integrada, e sim tão-somente como os fragmentos dispersos de conhecimento incompleto e amiúde contraditório que todos os indivíduos separadamente possuem. O problema econômico da sociedade não é pois meramente um problema de como alocar recursos “dados” — se “dados” for entendido como uma mente única que deliberadamente resolve o problema colocado por esses “dados.” É, antes, o problema de como assegurar o melhor uso de recursos conhecidos por qualquer dos membros da sociedade, para fins cuja importância relativa só esses indivíduos conhecem. Ou, para dizer de maneira resumida, é um problema da utilização de conhecimento não dado a ninguém em sua totalidade.22
Today it is almost heresy to suggest that scientific knowledge is not the sum of all knowledge. But a little reflection will show that there is beyond question a body of very important but unorganized knowledge which cannot possibly be called scientific in the sense of knowledge of general rules: the knowledge of the particular circumstances of time and place. It is with respect to this that practically every individual has some advantage over all others because he possesses unique information of which beneficial use might be made, but of which use can be made only if the decisions depending on it are left to him or are made with his active co-operation. We need to remember only how much we have to learn in any occupation after we have completed our theoretical training, how big a part of our working life we spend learning particular jobs, and how valuable an asset in all walks of life is knowledge of people, of local conditions, and of special circumstances.23
Hoje em dia é quase heresia sugerir que o conhecimento científico não constitua a soma de todo conhecimento. Mesmo pouca reflexão, entretanto, mostrará haver, sem sombra de dúvida, um corpo de conhecimento muito importante mas não organizado ao qual não há como chamar de científico no sentido de conhecimento de regras gerais: o conhecimento das circunstâncias específicas de tempo e lugar. É no tocante a isso que praticamente todo indivíduo tem vantagem sobre todos os demais, por possuir informação exclusiva de qual o uso benéfico que poderia ser feito, mas cujo uso só poderá ser feito se as decisões respectivas forem deixadas para aquele indivíduo tomar, ou forem tomadas com sua cooperação ativa. Só precisamos lembrar do quanto temos de aprender em qualquer ocupação depois de termos completado nosso treinamento teórico, de quanto é grande a extensão de nossa vida de trabalho gasta no aprendizado de atividades específicas, e do quanto constitui ativo valioso em toda profissão o conhecimento das pessoas, das condições locais, e de circunstâncias especiais.23
If we can agree that the economic problem of society is mainly one of rapid adaptation to changes in the particular circumstances of time and place, it would seem to follow that the ultimate decisions must be left to the people who are familiar with the circumstances, who know directly of the relevant changes and of the resources immediately available to meet them. We cannot expect that this problem will be solved by first communicating all this knowledge to a central board which, after integrating all knowledge, issues its orders.24
Se pudermos concordar com que o problema econômico da sociedade diz respeito, principalmente, a rápida adaptação a mudanças nas circunstâncias específicas de tempo e lugar, poderíamos dizer parecer seguir-se que as decisões últimas tenham de ser deixadas para as pessoas familiarizadas com as circunstâncias, com conhecimento direto das mudanças relevantes e dos recursos imediatamente disponíveis para lidar com elas. Não podemos esperar que esse problema seja resolvido mediante primeiro a comunicação de todo esse conhecimento a uma diretoria centralizada que, depois de integrar todo o conhecimento, emita suas ordens.24
Mētis overlaps to a considerable extent with what Michael Polanyi calls “tacit knowledge”: skills acquired through muscle memory or otherwise through practice, that can only with difficulty (or not at all) be reduced to a verbal formula and conveyed in the form of spoken or written instruction.25 Scott gives the example of “trying to write down explicit instructions on how to ride a bike....”26 Hence “most crafts and trades requiring a touch or feel for implements and materials have traditionally been taught by long apprenticeships to master craftsmen.”27
Mētis superpõe-se em medida considerável ao que Michael Polanyi chama de “conhecimento tácito”: habilidades adquiridas por meio de memória de habilidades motoras ou também de prática, que só com dificuldade (ou nunca) pode ser reduzida a uma fórmula verbal e transmitida em forma de instrução falada ou escrita.25 Scott dá o exemplo de “tentar escrever instruções explícitas acerca de como andar de bicicleta....”26 Assim, pois, “a maior parte das artes e ofícios que requeiram sensibilidade em relação a implementos e materiais têm sido, tradicionalmente, ensinada mediante longos períodos de aprendizado oriundo de mestres artífices.”27
Alex Pouget suggests one reason that so much situational knowledge resists reduction to a verbal formula. Some neurologists believe the brain functions as a Bayesian calculating device, “taking various bits of probability information, weighing their relative worth, and coming to a good conclusion quickly”:
Alex Pouget sugere um motivo pelo qual tanto conhecimento situacional resiste redução a fórmula verbal. Alguns neurologistas acreditam que as funções do cérebro funcionam como um dispositivo de cálculo bayesiano, “tomando diversos fragmentos de informação, sopesando seu valor relativo, e chegando rapidamente a uma boa conclusão”:
...[I]f we want to do something, such as jump over a stream, we need to extract data that is not inherently part of that information. We need to process all the variables we see, including how wide the stream appears, what the consequences of falling in might be, and how far we know we can jump. Each neuron responds to a particular variable and the brain will decide on a conclusion about the whole set of variables using Bayesian inference.
...[S]e desejarmos fazer algo, tal como pular por sobre um regato, precisamos extrair dados não inerentemente parte daquela informação. Precisamos processar todas as variáveis que vemos, inclusive a largura aparente do regato, quais poderiam ser as consequências de cair dentro dele, e quão longe sabemos poder saltar. Cada neurônio responde a uma variável específica e o cérebro decidirá da conclusão acerca do conjunto total de variáveis, usando inferência bayesiana.
As you reach your decision, you'd have a lot of trouble articulating most of the variables your brain just processed for you. Similarly, intuition may be less a burst of insight than a rough consensus among your neurons.28
Ao a pessoa chegar a decisão, haverá muito transtorno para colocar em palavras a maioria das variáveis que o cérebro acabou de processar para a pessoa. Analogamente, a intuição bem poderá consistir menos numa explosão de percepção do que em um consenso tosco entre os neurônios.28
An interesting point Scott makes is that mētis is by no means necessarily a matter of purely traditional knowledge, nor is it conservative. Indeed he deliberately eschews terms like “traditional knowledge.”29 Rather, mētis frequently reflects a great deal of ingenuity and invention. The innovations and expedients produced by means of mētis are frequently a more rational and effective response to a presented situation than are those mediated by a managerial hierarchy.
Uma observação interessante de Scott é mētis não ser, em absoluto, necessariamente questão de conhecimento puramente tradicional, nem ser conservador. Em verdade, ele evita expressões tais como “conhecimento tradicional.”29 Antes, mētis frequentemente reflete muito engenho e invenção em alto grau. As inovações e expedientes produzidos por meio de mētis são amiúde uma resposta a uma situação apresentada mais racional e eficaz do que aquelas mediadas por uma hierarquia gerencial.
As Scott points out, “the poor and marginal are often in the vanguard of innovations that do not require a lot of capital. This is not at all surprising when one considers that, for the poor, a gamble often makes sense if their current practices are failing them.”30 He points to the hypothetical example of two fishermen,
Como destaca Scott, “os pobres e marginalizados estão amiúde na vanguarda de inovações que não requeiram muito capital. Isso não é, em absoluto, surpreendente ao se considerar que, para os pobres, uma aposta arriscada frequentemente faz sentido quando as práticas atuais deles estão fracassando.”30 Ele aponta para o exemplo hipotético de dois pescadores,
both of whom must make their living from a river. One fisherman lives by a river where the catch is stable and abundant. The other lives by a river where the catch is variable and sparse, affording only a bare and precarious subsistence. The poorer of the two will clearly have an immediate, life-and-death interest in devising new fishing techniques, in observing closely the habits of fish, in the careful siting of traps and weirs, in the timing and signs of seasonal runs of different species, and so forth.31
ambos os quais dependem de um rio para ganhar a vida. Um dos pescadores vive à beira de um rio onde a captura é estável e abundante. O outro mora ao lado de um rio onde o apanho é variável e esparso, proporcionando apenas magra e precária subsistência. O mais pobre dos dois claramente terá interesse imediato, de vida ou morte, em conceber novas técnicas de pescar, observando intimamente os hábitos dos peixes, situando cuidadosamente armadilhas e redes retentoras de peixes, registrando épocas e sinais de migrações sazonais de diferentes espécies, e assim por diante.31
This parallels my own line of analysis elsewhere. It is the privileged classes, with their large properties, and the large corporations with their heavily subsidized inputs, that can afford to expand production by extensive addition of inputs and to be relatively inefficient in terms of output per unit of input. Small-scale producers, without access to large amounts of capital, on the other hand must of necessity be extremely creative in finding ways to make more intensive use of limited inputs. Hence the countereconomy, or informal and household economy, is the source of a great deal of innovation in low-overhead, low-cost technologies. In Organization Theory: A Libertarian Perspective, I wrote:
Isso vai de par com minha própria linha de análise alhures. São as classes privilegiadas, com suas grandes propriedades, e as grandes corporações, com seus insumos fortemente subsidiados, que têm condições de expandir a produção mediante acréscimo extensivo de insumos e de ser relativamente ineficientes em termos de produção por unidade de insumo. Os produtores de pequena escala, por outro lado, sem acesso a grandes montantes de capital, têm de, necessariamente, ser extremamente criativos em encontrar meios de fazer uso mais intensivo de insumos limitados. Assim vem a ocorrer que a contraeconomia, ou economia informal e caseira, seja a fonte de muita inovação em tecnologias de baixo overhead e baixo custo. Em Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, escrevi:
...[T]he owning classes use less efficient forms of production precisely because the state gives them preferential access to large tracts of land and subsidizes the inefficiency costs of large-scale production. Those engaged in the alternative economy, on the other hand, will be making the most intensive and efficient use of the limited land and capital available to them. So the balance of forces between the alternative and capitalist economy will not be anywhere near as uneven as the distribution of property might indicate.
...[A]s classes proprietárias usam formas menos eficientes de produção precisamente por o estado dar-lhes acesso preferencial a grandes tratos de terra e subsidiar os custos de ineficiência da produção em larga escala. As pessoas engajadas na economia alternativa, por outro lado, farão o uso mais intensivo e eficiente dos limitados terra e capital disponíveis para elas. Assim, o equilíbrio de forças entre a economia alternativa e a capitalista não estará nem perto de ser tão desigual quanto a distribuição de propriedade poderia sugerir.
If everyone capable of benefiting from the alternative economy participates in it, and it makes full and efficient use of the resources already available, eventually we'll have a society where most of what the average person consumes is produced in a network of self-employed or worker-owned production, and the owning classes are left with large tracts of land and understaffed factories that are almost useless to them because it's so hard to hire labor except at an unprofitable price. At that point, the correlation of forces will have shifted until the capitalists and landlords are islands in a cooperative sea—and their land and factories will be the last thing to fall, just like the U.S Embassy in Saigon.32
Se toda pessoa capaz de beneficiar-se da economia alternativa participar dela, e fizer uso pleno e eficiente dos recursos já disponíveis, no final teremos uma sociedade onde a maior parte do que a pessoa média consome será produzido numa rede de produção de autoempregados ou de propriedade de trabalhadores, e as classes proprietárias serão deixadas com grandes tratos de terra e fábricas com falta de funcionários quase inúteis para elas por tornar-se extremamente caro empregar trabalho, exceto pagando preço não lucrativo. A essa altura a correlação de forças terá mudado até que capitalistas e proprietários de terras se tornem ilhas num mar cooperativo — e suas terras e fábricas se tornem a última coisa a cair, do mesmo modo que a Embaixada Estadunidense em Saigon.32
This is the same general principle that John Robb, drawing on engineering terminology, calls “STEMI compression,” what Bucky Fuller called “ephemeralization,” what Mamading Ceesay calls the “economics of agility,” and Nathan Cravens calls “productive recursion.” They all amount, in practical terms, to the more efficient extraction of outputs from inputs.33
Esse é o mesmo princípio geral que John Robb, recorrendo à terminologia da engenharia, chama de “compressão STEMI,” que Bucky Fuller chamou de “efemerização,” que Mamading Ceesay chama de “economia da agilidade,” e Nathan Cravens chama de “recursão produtiva.” Todas essas expressões equivalem, em termos práticos, a extração mais eficiente de produção a partir dos insumos.33
The official account, the received version of authorities like Schumpeter and Galbraith, tells us that the large, highly-capitalized, managerial organization is central to technological progress; the high modernist ideology of the managerial classes includes a “reflex” of “contempt for history and past knowledge.”34 As Schumpeter wrote:
O relato oficial, a versão tida por verdadeira/correta, oriunda de autoridades como Schumpeter e Galbraith, diz-nos que a grande organização, altamente capitalizada, gerencial, é fundamental para o progresso tecnológico; a ideologia altomodernista das classes gerenciais inclui um “reflexo” de “desdém pela história e pelo conhecimento do passado.”34 Como escreveu Schumpeter:
...[T]here are advantages which, though not strictly unattainable on the competitive level of enterprise, are as a matter of fact secured only on the monopoly level, for instance, because monopolization may increase the sphere of influence of the better, and decrease the sphere of influence of the inferior, brains, or because the monopoly enjoys a disproportionately higher financial standing....
...[H]á vantagens que, embora não estritamente inatingíveis no nível competitivo da empresa, são, na prática, asseguradas apenas por exemplo no nível de monopólio, porque monopolizar pode aumentar a esfera de influência dos melhores cérebros e diminuir a esfera de influência dos cérebros inferiores, ou pelo fato de o monopólio gozar de condição financeira desproporcionalmente mais elevada....
There cannot be any reasonable doubt that under the conditions of our epoch such superiority is as a matter of fact the outstanding feature of the large-scale unit of control.35
Não pode haver qualquer dúvida razoável de que, nas condições de nossa época, tal superioridade é, na prática, a característica preeminente da unidade de controle de larga escala.35
And Galbraith, developing the same theme, attributed to “a benign Providence” the rise of “the modern industry of a few large firms” as “an excellent instrument for inducing technical change.”
E Galbraith, desenvolvendo o mesmo tema, atribuiu a “uma benigna Providência” a ascensão da “moderna indústria de umas poucas grandes firmas” como “excelente instrumentalidade para induzir mudança técnica.”
....Technical development has long since become the preserve of the scientist and the engineer. Most of the cheap and simple inventions have... been made. Not only is development more sophisticated and costly but it must be on a sufficient scale so that successes and failures will in some small measure average out.
.... O desenvolvimento técnico tornou-se há longo tempo domínio do cientista e do engenheiro. A maioria das invenções baratas e simples já foram... feitas. Não apenas o desenvolvimento é mais sofisticado e dispendioso mas tem de ter escala suficiente para sucessos e fracassos não destoarem muito entre si.
Because development is costly, it follows that it can be carried on only by a firm that has the resources which are associated with considerable size. Moreover, unless a firm has a substantial share of the market it has no strong incentive to undertake a large expenditure on development....
Pelo fato de o desenvolvimento ser dispendioso, segue-se só poder ser levado a efeito por uma firma que disponha dos recursos vinculados a tamanho considerável. Ademais, a menos de a firma dispor de substancial fatia do mercado, não terá grande incentivo para empreender grandes gastos de desenvolvimento....
...[I]n the modern industry shared by a few large firms size and the rewards accruing to market power combine to insure that resources for research and technical development will be available. The power that enables the firm to have some influence on prices insures that the resulting gains will not be passed on to the public by imitators... before the outlay for development can be recouped....
...[N]a moderna indústria compartilhada por umas poucas grandes firmas, porte e as recompensas que se acrescem ao poder de mercado compõem-se para assegurar que os recursos para pesquisa e desenvolvimento técnico fiquem disponíveis. O poder que habilita a firma a ter alguma influência sobre os preços assegura que os ganhos resultantes não sejam passados para o público por imitadores... antes de o desembolso relativo ao desenvolvimento poder ser reembolsado....
The net of all this is that there must be some element of monopoly in an industry if it is to be progressive.36
O substantivo de tudo isso é ter de haver algum elemento de monopólio numa indústria, para que ela possa ser progressista.36
But nearly the opposite is often true. As Hayek suggested (see below in the section “Seeing Like a Boss and the Art of Not Being Managed”), and as is borne out in empirical evidence presented by such writers as Harvey Leibenstein and Barry Stein,37 tweaks and changes in the configuration of existing machinery, and more efficient organization of production with existing plant and equipment—things which cost little in the way of new investment, and which workers are usually best equipped to determine—can result in greater productivity increases than the introduction of a new generation of machinery. A large share of technical innovation consists of creative mashups of existing off-the-shelf building block technologies. And a disproportionate amount typically comes out of small skunk works which attempt to replicate the small shop within a corporate bureaucracy.
Entretanto, quase sempre a verdade é o oposto. Como Hayek sugeriu (ver abaixo na secção “Vendo Como Chefe e A Arte de Não Ser Gerido”), e como confirmado por evidência empírica apresentada por escritores tais como Harvey Leibenstein e Barry Stein,37 adaptações e mudanças na configuração de maquinário existente, e organização mais eficiente da produção de fábrica e equipamento já existentes — coisas que custam pouco em termos de investimento novo, e que os trabalhadores usualmente são quem tem melhores condições de determinar — podem resultar em maiores aumentos de produtividade do que a introdução de uma nova geração de maquinário. Grande parcela de inovação técnica consiste em mesclas criativas de tecnologias já existentes e à venda, usadas como blocos de construção. E fatia desproporcional dessa inovação provém de grupos trabalhando de maneira não convencional que procuram reproduzir a pequena oficina dentro de uma burocracia corporativa.
As often as not (or more often than not), it is large, capital-intensive oligopoly corporations that actively suppress competition from smaller-scale, lower-cost, more efficient technologies.
Tão amiúde quanto não (ou mais amiúde do que não), são as grandes corporações oligopolistas capital-intensivas quem suprime ativamente a competição de tecnologias de menor escala, menor custo e mais eficientes.
And it is precisely because of their privileged—and subsidized—access to large quantities of land, capital and other resources that large-scale producers can afford to be inefficient. Throughout most of the 20th century, American industry grew mainly through extensive addition of inputs rather than intensive extraction of more output per unit of input. The intensive cultivation practices of the Third World peasant or small American farmer typically produce several times more per acre than the large hacienda which holds 80% of its land out of cultivation, or the large agribusiness operation that makes more money holding land idle as a USDA-supported real estate investment than by actually farming it. Despite the “we feed the world” rhetoric of the USDA-agribusiness complex, the most productive use of land is John Jeavons' biointensive system of raised-bed farming, which can feed one person on only a tenth of an acre.
E é precisamente por causa de seu acesso privilegiado — e subsidiado — a grande quantidade de terra, capital e outros recursos que os produtores em larga escala podem dar-se ao luxo de ser ineficientes. Ao longo da maior parte do século 20, a indústria estadunidense aumentou principalmente por meio de acréscimo extensivo de insumos em vez de por extração intensiva de mais produção por unidade de insumo. As práticas de cultivo intensivo do camponês do Terceiro Mundo ou do pequeno agricultor estadunidense normalmente produzem várias vezes mais por acre do que a grande hacienda que mantém 80% de sua terra sem cultivo, ou do que a grande operação de agronegócio que ganha mais dinheiro mantendo terra ociosa como investimento imobiliário apoiado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - USDA do que efetivamente cultivando-a. A despeito da retórica de “nós alimentamos o mundo” do complexo USDA-agronegócios, o uso mais produtivo da terra é o sistema biointensivo de John Jeavons de agricultura de canteiros mais elevados que o solo em volta, que pode alimentar uma pessoa com apenas um décimo de acre.
In fact, contrary to Galbraith, it is often the market power of the large organization that enables it to suppress innovation. The large and inefficient producers, having cartelized an industry between themselves by erecting entry barriers against more efficient techniques, have thereby insulated themselves from the competitive ill effects of inefficiency. With the industry divided up between a handful of large producers with the same inefficient techniques and the same pathological organizational cultures, there is no competitive penalty for inefficiency because everyone is equally inefficient. The dominant firms can agree to delay adoption of new technology until their existing plant and equipment is worn out—a situation in which, in Paul Goodman's words, “[t]hree or four manufacturers control the automobile market, competing with fixed prices and slowly spooned-out improvements.”38
Na verdade, contrariamente a Galbraith, é amiúde o poder de mercado da grande organização que permite a ela suprimir inovação. Os produtores grandes e ineficientes, havendo cartelizado um setor industrial entre eles próprios mediante erguerem barreiras à entrada contra técnicas mais eficientes, desse modo se isolaram dos maus efeitos da ineficiência competitiva. Com a indústria dividida entre um punhado de grandes produtores com as mesmas técnicas ineficientes e as mesmas culturas organizacionais patológicas, não há penalidade competitiva para a ineficiência porque todo mundo é igualmente ineficiente. As firmas dominantes podem concordar em postergar a adoção de nova tecnologia até que suas fábricas e equipamentos existentes se exauram — uma situação na qual, nas palavras de Paul Goodman, “[t]rês ou quatro fabricantes controlam o mercado de automóveis, competindo com preços fixados independentemente dos custos reais de produção, e de aperfeiçoamentos dosadamente procedidos.”38
According to Walter Adams and James Brock, the consolidation of a comparatively large number of mid-sized firms into the Big Three after WWII led directly to a significant slackening in the pace of innovation. They sat on innovations like front-wheel drive, disc brakes, fuel injection, and the like, for years.39 To take one example, the major auto manufacturers entered into an agreement in the late '50s that no company would announce or install any innovation in antipollution exhaust devices without the concurrence of the others; they exchanged patents and agreed on a formula for sharing the costs of patents acquired from third parties.40
De acordo com Walter Adams e James Brock, a consolidação de número relativamente grande de firmas de tamanho médio nas Três Grandes - Big Three depois da Segunda Guerra Mundial levou diretamente a significativa desaceleração do ritmo de inovação. Elas atrasaram inovações tais como a tração dianteira, freios de disco, injeção de combustível e coisas da espécie, durante anos.39 Para tomar um exemplo, os maiores fabricantes de automóveis entraram num acordo no final dos anos 1950 segundo o qual nenhuma companhia anunciaria ou instalaria qualquer inovação em dispositivos exaustores antipoluição sem a concordância das outras; elas trocaram patentes e concordaram quanto a uma fórmula para compartilhar os custos de patentes adquiridas de terceiros.40
A major part of the regulatory code consists of measures, for all intents and purposes written by large incumbent firms in the regulated industries, to criminalize the introduction of new and more efficient techniques.
A maior parte do código regulamentador consiste de medidas para todos os intentos e propósitos escritas por grandes firmas das próprias indústrias regulamentadas, para criminalizar a introdução de técnicas novas e mais eficientes.
Scott and R. A. Wilson: Power and Communication.
Scott e R. A. Wilson: Poder e Comunicação.
Scott's Domination and the Art of Resistance41 is a study on how communications are distorted by power relations. The poor and subordinates, as he says in the Preface, say one thing in the present of the rich or of their superiors and another among themselves. The book's focus is primarily on the phenomenon as it occurs in class relations in society as a whole, and in quasi-feudal agrarian production relationships like slavery, serfdom and sharecropping—not in bureaucratic hierarchies like those of the government agency or large corporation. And the character of the communication itself which is distorted involves primarily the legitimacy of the class order rather than the information needed for optimal design of policies or organization of tasks. But the general principle he describes is certainly applicable to our area of interest here. You don't have to take his line of analysis much further to get R. A. Wilson's dictum that nobody speaks the truth to a man with a gun. As Wilson argued in “Thirteen Choruses for the Divine Marquis,”
Dominação e a Arte da Resistência41, de Scott, é um estudo acerca de como a comunicação é distorcida pelas relações de poder. Os pobres e subordinados, como ele diz no Prefácio, dizem uma coisa na presença dos ricos ou de seus superiores e outra entre eles próprios. O foco do livro é principalmente nesse fenômeno tal como ocorre nas relações de classe da sociedade como um todo e em relacionamentos de produção agrária quase-feudais tais como escravidão, servidão e meeiros — não em hierarquias burocráticas como as do órgão do governo ou da grande corporação. E o caráter da comunicação ele próprio que é distorcido envolve precipuamente a legitimidade da ordem de classes em vez de as informações necessárias para projeto ótimo de políticas ou organização de tarefas. O princípio geral que ele descreve, contudo, é certamente aplicável a nossa presente área de interesse. Não é preciso levar muito adiante a linha de análise dele para chegar-se ao dito de R. A. Wilson de que ninguém diz a verdade a um homem com uma arma de fogo. Como argumentou Wilson em “Treze Corais para o Divino Marquês,”
A civilization based on authority-and-submission is a civilization without the means of self-correction. Effective communication flows only one way: from master-group to servile-group. Any cyberneticist knows that such a one-way communication channel lacks feedback and cannot behave "intelligently."
Uma civilização baseada em autoridade e submissão é uma civilização sem meios de autocorreção. A comunicação eficaz flui apenas de um modo: do grupo dos senhores para o grupo dos servos. Qualquer ciberneticista sabe que tal canal de um único sentido de comunicação carece de feedback e não tem como comportar-se "inteligentemente."
The epitome of authority-and-submission is the Army, and the control-and-communication network of the Army has every defect a cyberneticist's nightmare could conjure. Its typical patterns of behavior are immortalized in folklore as SNAFU (situation normal—all fucked-up), FUBAR (fucked-up beyond all redemption) and TARFU (Things are really fucked-up). In less extreme, but equally nosologic, form these are the typical conditions of any authoritarian group, be it a corporation, a nation, a family, or a whole civilization.42
O epítome da autoridade-e-submissão é o Exército, e a rede de controle e comunicação do Exército tem todos os defeitos que um pesadelo de ciberneticista poderia conjurar. Seus padrões típicos de comportamento estão imortalizados no folclore como SNTF (situação normal: todos fornicados), FAQE (fornicados além de qualquer esperança) e ACERF (as coisas estão realmente fornicadas). Em forma menos extrema, mas igualmente nosológica, estão as condições típicas de qualquer grupo autoritário, seja ele uma corporação, uma nação, uma família, ou toda uma civilização.42
One-way communication creates opacity from above; two-way communication creates horizontal legibility. To quote Michel Bauwens:
A comunicação de sentido único cria opacidade a partir de cima; a comunicação de sentido duplo cria legibilidade horizontal. Para citar Michel Bauwens:
The capacity to cooperate is verified in the process of cooperation itself. Thus, projects are open to all comers provided they have the necessary skills to contribute to a project. These skills are verified, and communally validated, in the process of production itself. This is apparent in open publishing projects such as citizen journalism: anyone can post and anyone can verify the veracity of the articles. Reputation systems are used for communal validation. The filtering is a posteriori, not a priori. Anti-credentialism is therefore to be contrasted to traditional peer review, where credentials are an essential prerequisite to participate.
A capacidade de cooperar é verificada no próprio processo de cooperação. Portanto, os projetos estão abertos a todos os chegantes, desde que tenham as habilidades necessárias para contribuir para o projeto. Essas habilidades são verificadas, e comunalmente validadas, no próprio processo de produção. Isso fica claro em projetos abertos de publicação tais como o jornalismo participativo: qualquer pessoa pode afixar os, e qualquer pessoa pode verificar a veracidade dos, artigos. São usados sistemas de reputação para validação comunal. A filtragem dá-se a posteriori, não a priori. O anticredencialismo contrasta pois com a revisão tradicional por iguais, onde as credenciais são pré-requisito essencial para participar.
P2P projects are characterized by holoptism. Holoptism is the implied capacity and design of peer to [peer] processes that allows participants free access to all the information about the other participants; not in terms of privacy, but in terms of their existence and contributions (i.e. horizontal information) and access to the aims, metrics and documentation of the project as a whole (i.e. the vertical dimension). This can be contrasted to the panoptism which is characteristic of hierarchical projects: processes are designed to reserve 'total' knowledge for an elite, while participants only have access on a 'need to know' basis. However, with P2P projects, communication is not top-down and based on strictly defined reporting rules, but feedback is systemic, integrated in the protocol of the cooperative system.43
Os projetos P2P são caracterizados por holoptismo. O holoptismo envolve a capacidade implícita e o projeto de processos entre iguais, permitindo aos participantes livre acesso a todas as informações acerca dos outros participantes; não em termos de privacidade, mas em termos da existência e das contribuições deles (isto é, informações horizontais) e acesso aos objetivos, à métrica e à documentação do projeto como um todo (isto é, informações verticais). Isso pode ser contrastado com o panoptismo, característico dos projetos hierárquicos: os processos são projetados para reservar o conhecimento 'total' para uma elite, enquanto os participantes só têm acesso àquilo que é 'indispensável saber'. Entretanto, nos projetos P2P, a comunicação não é de cima para baixo e baseada em regras de relato estritamente definidas, e sim o feedback é sistêmico, integrado no protocolo do sistema cooperativo.43
Wilson (with Robert Shea) developed the same theme in The Illuminatus! Trilogy. “....[I]n a rigid hierarchy, nobody questions orders that seem to come from above, and those at the very top are so isolated from the actual work situation that they never see what is going on below.”44
Wilson (com Robert Shea) desenvolveu o mesmo tema em O Illuminatus! Trilogia. “....[E]m uma hierarquia rígida, ninguém questiona ordens que parecem vir de cima, e aqueles bem no cimo estão de tal modo isolados da situação real de trabalho que nunca vêem o que está acontecendo abaixo.”44
A man with a gun is told only that which people assume will not provoke him to pull the trigger. Since all authority and government are based on force, the master class, with its burden of omniscience, faces the servile class, with its burden of nescience, precisely as a highwayman faces his victim. Communication is possible only between equals. The master class never abstracts enough information from the servile class to know what is actually going on in the world where the actual productivity of society occurs.... The result can only be progressive deterioration among the rulers.45
Um homem com arma de fogo só fica sabendo do que as pessoas consideram não o provocará a puxar o gatilho. Visto que toda autoridade e governo estão baseados na força, a classe senhorial, com sua carga de onisciência, vê a classe servil, com seu fardo de necedade, precisamente como um assaltante de estrada vê sua vítima. A comunicação só é possível entre iguais. A classe senhorial nunca obtém da classe servil informação suficiente para saber o que realmente está acontecendo no mundo onde a produtividade real da sociedade acontece.... O resultado só pode ser deterioração progressiva entre os que mandam.45
As we shall see below in the section “Seeing Like a Boss and the Art of Not Being Managed,” this inability of the master class to abstract sufficient information, and this perception of management by workers as “a highwayman,” result in the hoarding of information by those below and their use of it as a source of rents.
Como veremos adiante na secção “Vendo Como Chefe e a Arte de Não Ser Gerido,” essa incapacidade da classe senhorial de abstrair informação suficiente, e essa percepção da gerência pelos trabalhadores como “um assaltante de estrada,” resulta no amealhamento de informação por aqueles que estão por baixo e o uso dessa informação como fonte de rents.
Radical organization theorist Kenneth Boulding, in similar vein, wrote of the value of “analysis of the way in which organizational structure affects the flow of information,”
O teórico da organização radical Kenneth Boulding, em veia similar, escreveu do valor da “análise da maneira pela qual a estrutura organizacional afeta o fluxo de informação,”
hence affects the information input into the decision-maker, hence affects his image of the future and his decisions.... There is a great deal of evidence that almost all organizational structures tend to produce false images in the decision-maker, and that the larger and more authoritarian the organization, the better the chance that its top decision-makers will be operating in purely imaginary worlds.46
portanto afeta o insumo da informação para o tomador de decisão.... Há muita evidência de que todas as estruturas organizacionais tendem a produzir falsas imagens no tomador de decisões, e de que quanto maior e mais autoritária a organização maior será a probabilidade de que seus tomadores de decisão de alto escalão estejam operando em mundos puramente imaginários.46
Or in the pithy phrasing of Bertram Gross: “A person with great power gets no valid information at all.”47
Ou na incisiva frase de Bertram Gross: “Uma pessoa com grande poder não obtém informação válida em absoluto.”47
In his discussion of mētis, Scott draws a connection between it and mutuality—“as opposed to imperative, hierarchical coordination”—and acknowledges his debt to anarchist thinkers like Kropotkin and Proudhon for the insight.48 Mētis flourishes only in an environment of two-way communication between equals, where the person in contact with the situation—the person actually doing the work—is in a position of equality.
Em sua discussão do mētis, Scott traça uma conexão entre ele e a mutualidade —“enquanto oposta a coordenação imperativa e hierárquica”—e reconhece sua dívida para com pensadores anarquistas como Kropotkin e Proudhon por essa percepção.48 Mētis só floresce num ambiente de comunicação nos dois sentidos entre iguais, onde a pessoa em contato com a situação — a pessoa que realmente faz o trabalho — está em situação de igualdade.
Interestingly, R.A. Wilson had previously noted the same connection between mutuality—bilateral communication between equals—and accurate information—in “Thirteen Choruses.” And he included his own allusion to Proudhon, no less:
Interessantemente, R.A. Wilson havia anteriormente notado a mesma conexão entre mutualidade — comunicação bilateral entre iguais — e informação precisa — em “Treze Corais.” E incluiu sua própria alusão a Proudhon, não menos:
Proudhon was a great communication analyst, born 100 years too soon to be understood. His system of voluntary association (anarchy) is based on the simple communication principles that an authoritarian system means one-way communication, or stupidity, and a libertarian system means two-way communication, or rationality.
Proudhon era grande analista da comunicação, nascido 100 anos cedo demais para ser compreendido. Seu sistema de associação voluntária (anarquia) está baseado nos princípios simples de comunicação de que um sistema autoritário significa comunicação num só sentido, ou estupidez, e um sistema libertário significa comunicação em dois sentidos, ou racionalidade.
The essence of authority, as he saw, was Law — that is, fiat — that is, effective communication running one way only. The essence of a libertarian system, as he also saw, was Contract — that is, mutual agreement — that is, effective communication running both ways. ("Redundance of control" is the technical cybernetic phrase.)
A essência da autoridade, como ele via, era a Lei — isto é, faça-se — isto é, comunicação eficaz num sentido apenas. A essência de um sistema libertário, como ele também via, era Contrato — isto é, acordo mútuo — isto é, comunicação eficaz em ambos os sentidos. ("Redundância de controle" é a expressão técnica cibernética.)
In his book Whose Reality Counts? Putting the First Last, Robert Chambers describes how authority relations distort information flow in the making of Third World development policy.
Em seu livro A Realidade de Quem Conta? Colocação do Primeiro em Último, Robert Chambers descreve como as relações de autoridade distorcem o fluxo de informação na elaboração da política de desenvolvimento do Terceiro Mundo.
The central focus of his book is what he calls “embedded” (as opposed to “embraced”) errors. An embraced error is one that, in the presence of a healthy feedback mechanism, is recognized and used as a learning tool to correct future attempts at policy-making. Embedded errors, on the other hand, “tend to spread, to be self-perpetuating, and to dig themselves in.” They do this because they “fit what powerful people want to believe,”49 and because powerful people are insulated from effective feedback.
O foco central de seu livro é o que ele chama de erros “enrustidos” (por oposição a “aceitos”). Aceito é um erro o qual, na presença de mecanismo saudável de feedback, é reconhecido e usado como ferramenta de aprendizado para corrigir futuras tentativas de elaboração de políticas. Erros enrustidos, por outro lado, “tendem a espalhar-se, a se autoperpetuar, e a se entranhar.” Fazem isso porque “se adaptam ao que as pessoas poderosas querem acreditar,”49 e pelo fato de as pessoas poderosas estarem insuladas em relação a feedback eficaz.
Not only do embedded errors fit what powerful people want to believe, but the powerful have a vested interest in the perpetuation of such errors insofar as they reinforce the power and resources available to them. The perpetuation of error depends, in part, on “who gains materially from what is believed.”
Não apenas os erros enrustidos se adaptam ao que as pessoas poderosas querem acreditar, mas os poderosos têm interesse velado na perpetuação de tais erros na medida em que eles reforçam o poder e os recursos disponíveis para eles. A perpetuação do erro depende, em parte, de “quem ganha materialmente com aquilo que as pessoas acreditam.”
When myth supports policies, projects and programmes, many stand to gain. These are both individuals and organizations: bureaucrats, politicians, contractors, consultants, scientists, researchers, and those who fund research; and their organizations—national and international bureaucracies, political systems, companies, firms of consultants, research institutes and research-funding agencies. Any one, or several, or all of these, can benefit from the acceptance of wrong ideas, projects or policies.50
Quanto o mito dá apoio a políticas, projetos e programas, muitos ficam em posição de ganhar. Tanto indivíduos quanto organizações: burocratas, políticos, empreiteiros, consultores, cientistas, pesquisadores e aqueles que financiam pesquisa; e suas organizações — burocracias nacionais e internacionais, sistemas políticos, companhias, firmas ou consultores, institutos de pesquisa e órgãos de financiamento de pesquisa. Qualquer um, ou diversos, ou todos esses podem beneficiar-se com a aceitação de ideias, projetos ou políticas errados.50
In the presence of hierarchical power relations, the flow of information is distorted—in addition to vested interests—by several somewhat overlapping factors. First is professionalism, in which “erroneous beliefs [are] embedded in the concepts, values, methods and behaviour normally dominant in disciplines and professions.” The embedded errors reflect “current dominant values and beliefs” reinforced by the professional culture and by contact among professional peers.51
Na presença de relações de poder hierárquicas, o fluxo de informação é distorcido — além dos interesses velados — por diversos fatores que de algum modo se imbricam. Primeiro o profissionalismo, no qual “crenças errôneas [ficam] embutidas nos conceitos, valores, métodos e comportamento normalmente dominantes em disciplinas e profissões.” Os erros enrustidos refletem “valores e crenças dominantes atuais” reforçados pela cultura profissional e por contato entre pares profissionais.51
Second is “distance,” in the sense of those in power being “physically, organizationally, socially and cognitively distant from the people and conditions they [are] analysing, planning and prescribing for, and making predictions about.” People in power are often physically distant, “centrally placed, in headquarters, in offices, in laboratories and on research stations,” far removed from the realities their policies are intended to deal with.52
Segundo, a “distância,” no sentido de aqueles no poder estarem “física, organizacional, social e cognitivamente distantes das pessoas e condições em relação às quais [estejam] analisando, planejando e prescrevendo, e acerca das quais estejam fazendo previsões.” As pessoas no poder estão amiúde fisicamente distantes, “situadas centralmente, em sedes, em escritórios, em laboratórios e em postos de pesquisa,” muito longe das realidades com as quais suas políticas são formuladas para lidar.52
Third is power. A position of power—being senior in authority, having control over funding or career prospects for those from whom one receives reports, etc.—tends to condition the perceptions of those at the top, and prevent them from learning.53
Terceiro, o poder. Um cargo de poder — estar em posição superior de autoridade, tendo controle do financiamento ou das perspectivas de carreira daqueles de quem recebem relatórios etc. — tende a condicionar as percepções daqueles no cimo, impedindo que aprendam.53
For learning, power is a disability. Part of the explanation of persistent error lies in interpersonal power relations. Powerful professionals can impose their realities.... Uppers' learning is impeded by personal dominance, distance, denial and blaming the victim. For their part, lowers defend themselves through what they select to show and tell, diplomacy, and deceit. Self-deception and mutual deception sustain myths. Questionnaire surveys tend to confirm the realities of uppers, imposing their constructs and mirroring their realities... All power deceives, and exceptional power deceives exceptionally....
Para o aprendizado, o poder é uma deficiência. Parte da explicação do erro persistente reside nas relações interpessoais de poder. Profissionais poderosos podem impor suas realidades.... O aprendizado dos que estão em cima é tolhido por domínio pessoal, distância, negação, e responsabilização da vítima. De sua parte, os que estão em baixo defendem-se por meio do que selecionam para mostrar e contar, da diplomacia, e da tapeação. Autoengano e engano mútuo sustentam os mitos. Pesquisas por questionário tendem a confirmar as realidades dos que estão em posição superior, impondo seus constructos e refletindo suas realidades... Todo poder tapeia, e poder excepctional tapeia excepcionalmente....
....All who are powerful are by definition uppers, sometimes uppers many times over. Others relate to them as lowers. In their daily lives multiple uppers are vulnerable to acquiescence, deference, flattery, and placation. They are not easily contradicted or corrected. 'Their word goes'. It becomes easy and tempting for them... to impose their realities and deny those of others. It becomes difficult for them to learn.54
....Todos os que são poderosos são por definição pessoas que estão no alto, por vezes muitas vezes no alto. As outras pessoas relacionam-se com eles na condição de pessoas que estão por baixo. Em suas vidas diárias muitos dos que estão no alto ficam vulneráveis a aquiescência, deferência, lisonja e aplacamento. Não são facilmente contraditos ou corrigidos. 'A palavra deles prevalece'. Torna-se fácil e tentador para eles... impor suas realidades e negar as dos outros. Torna-se difícil para eles aprender.54
Seeing Like a Boss, and the Art of Not Being Managed: Opacity and Mētis in the Corporate Hierarchy.
Vendo Como Chefe, e A Arte de Não Ser Gerido: Opacidade e Mētis na Hierarquia Corporativa.
Hayek, in “The Use of Knowledge in Society,” treated the market as the primary mechanism for aggregating dispersed or hidden knowledge. The problem is that the dominant actors in the market—large corporations—are islands of central planning in a market sea. And in much of the economy they are very large islands, with the domain of the market price mechanism relegated to narrow channels between them.
Hayek, em “O Uso do Conhecimento na Sociedade,” tratou o mercado como o mecanismo principal para agregar conhecimento disperso ou oculto. O problema é que os atores dominantes do mercado — grandes corporações — são ilhas de planejamento centralizado num mar de mercado. E em grande parte da economia são ilhas muito grandes, com o domínio do mecanismo de preços do mercado relegado a estreitos canais entre elas.
Now, as Ronald Coase argued, in a free market the boundaries between central planning and market price relations would be set at the point where the increased benefits from administrative control ceased to offset the inefficiencies resulting from the loss of the market mechanism. But this is not a free market. It is a corporatist economy in which the state subsidizes the operating costs of large size and protects enormous inefficient corporations from competitive pressure, so that the islands of central planning are many times larger—and more inefficient—than they would likely be in a free market.
Ora, como argumentou Ronald Coase, num livre mercado as fronteiras entre planejamento centralizado e relações de preços no mercado seriam traçadas no ponto onde o aumento de benefícios decorrentes de controle administrativo cessasse de anular as ineficiências resultantes da perda do mecanismo de mercado. Mas o que existe não é um livre mercado. É uma economia corporatista na qual o estado subsidia os custos operacionais do grande porte e protege enormes corporações ineficientes da pressão competitiva, de tal maneira que as ilhas de planejamento central ficam muitas vezes maiores — e mais ineficientes — do que provavelmente seriam num livre mercado.
A corporate hierarchy interferes with the judgment of what Hayek called “people-on-the-spot,” and with the collection of dispersed knowledge of circumstances, in exactly the same way a state does.
Uma hierarquia corporativa interfere nas avaliações do que Hayek chamou de “as pessoas no lugar,” e na coleta de conhecimento disperso de circunstâncias, exatamente da mesma maneira que o estado faz.
Most production jobs involve a fair amount of mētis, and depend on the initiative of workers to improvise, to apply skills in new ways, in the face of events which are either totally unpredictable or cannot be fully anticipated.55 Rigid hierarchies and rigid work rules only work in a predictable environment. When the environment is unpredictable, the key to success lies with empowerment and autonomy for those in direct contact with the situation.
A maioria das atividades de produção envolve considerável quantidade de mētis, e depende da iniciativa de trabalhadores para improvisar, aplicar habilidades de novas maneiras, diante de eventos ou totalmente imprevisíveis ou não totalmente previsíveis.55 Hierarquias rígidas e regras rígidas de trabalho funcionam num ambiente previsível. Quando o ambiente é imprevisível, a chave do sucesso reside na posse de poder e de autonomia por aqueles em contato direto com a situação.
Hierarchical organizations are—to borrow a wonderful phrase from Martha Feldman and James March—systematically stupid.56 For all the same Hayekian reasons that make a planned economy unsustainable, no individual is “smart” enough to manage a large, hierarchical organization. Nobody—not Einstein, not John Galt—possesses the qualities to make a bureaucratic hierarchy function rationally. Nobody’s that smart, any more than anybody’s smart enough to run Gosplan efficiently—that’s the whole point. As Matt Yglesias put it,
As organizações hierárquicas são — para tomar de empréstimo uma frase luzente de Martha Feldman e James March—sistematicamente estúpidas.56 Por todas as mesmas razões hayekianas que tornam uma economia planificada insustentável, nenhum indivíduo é “genial” o suficiente para administrar uma grande organização hierárquica. Ninguém — nem Einstein, nem John Galt — possui as qualidades para fazer uma hierarquia burocrática funcionar racionalmente. Ninguém é genial a esse ponto, do mesmo modo que ninguém é genial o bastante para administrar eficientemente o Gosplan — essa é toda a questão. Como disse Matt Yglesias,
I think it's noteworthy that the business class, as a set, has a curious and somewhat incoherent view of capitalism and why it's a good thing. Indeed, it's in most respects a backwards view that strongly contrasts with the economic or political science take on why markets work.
Creio ser digno de nota que a classe empresarial, como conjunto, tem uma visão curiosa e de certo modo incoerente do capitalismo e de por que ele é uma coisa boa. Na verdade, é, sob a maioria dos aspectos, uma visão retrógrada que contrasta fortemente com a abordagem da ciência econômica ou política acerca de por que os mercados funcionam.
The basic business outlook is very focused on the key role of the executive. Good, profitable, growing firms are run by brilliant executives. And the ability of the firm to grow and be profitable is evidence of its executives' brilliance. This is part of the reason that CEO salaries need to keep escalating—recruiting the best is integral to success. The leaders of large firms become revered figures.... Their success stems from overall brilliance....
A visão básica dos empresários está muito concentrada no papel fundamental do executivo. Firmas boas, lucrativas, em crescimento são administradas por executivos brilhantes. E a capacidade da firma de crescer e ser lucrativa é evidência do brilho de seus executivos. Esse é parte do motivo pelo qual os salários dos Executivos Principais - CEO precisam estar sempre subindo — recrutar o melhor é essencial para o sucesso. Os líderes de grandes firmas tornam-se figuras reverenciadas.... Seu sucesso decorre de genialidade total....
The thing about this is that if this were generally true—if the CEOs of the Fortune 500 were brilliant economic seers—then it would really make a lot of sense to implement socialism. Real socialism. Not progressive taxation to finance a mildly redistributive welfare state. But “let's let Vikram Pandit and Jeff Immelt centrally plan the economy—after all, they're really brilliant!”
O problema disso é que, se isso fosse geralmente verdade — se os CEOs da lista das 500 da Fortune fossem brilhantes videntes econômicos — então faria muito sentido implantar-se o socialismo. Socialismo real. Nada de tributação progressiva para financiar um levemente redistributivo estado assistencialista. E sim “vamos deixar Vikram Pandit e Jeff Immelt planejarem centralizadamente a economia — afinal de contas, eles realmente são brilhantes!”
But in the real world, the point of markets isn't that executives are clever and bureaucrats are dimwitted. The point is that nobody is all that brilliant.57
No mundo real, porém, a questão dos mercados não é que os executivos sejam espertos e os burocratas sejam broncos. A questão é que ninguém é tão brilhante assim.57
No matter how insightful and resourceful they are, no matter how prudent, as human beings in dealing with actual reality, nevertheless by their very nature hierarchies insulate those at the top from the reality of what’s going on below, and force them to operate in imaginary worlds where all their intelligence becomes useless. No matter how intelligent managers are as individuals, a bureaucratic hierarchy makes their intelligence less usable. The only solution is to give discretion to those in direct contact with the situation. As Bruce Schneier writes in regard to security against attack:
Não importa o quanto sejam esclarecidos e capazes, não importa o quanto competentes, como seres humanos na lide com a realidade efetiva, ainda assim, por sua própria natureza, as hierarquias insulam aqueles que estão no cume da realidade do que está acontecendo abaixo, e força-os a funcionar em mundos imaginários onde toda a sua inteligência se torna inútil. Não importa o quanto os gerentes sejam inteligentes enquanto indivíduos, uma hierarquia burocrática torna a inteligência deles menos usável. A única solução é dar discricionariedade àqueles em contato direto com a situação. Como escreve Bruce Schneier no tocante a segurança contra ataque:
Good security has people in charge. People are resilient. People can improvise. People can be creative. People can develop on-the-spot solutions.... People are the strongest point in a security process. When a security system succeeds in the face of a new or coordinated or devastating attack, it's usually due to the efforts of people.58
A boa segurança tem como encarregadas pessoas. As pessoas são resilientes. As pessoas conseguem improvisar. As pessoas conseguem ser criativas. As pessoas conseguem desenvolver soluções adaptadas ao local específico.... As pessoas são o ponto mais forte num processo de segurança. Quando um sistema de segurança é bem-sucedido perante ataque novo ou coordenado ou devastador, isso geralmente se deve aos esforços das pessoas.58
The problem with authority relations in a hierarchy is that, given the conflict of interest created by the presence of power, those in authority cannot afford to allow discretion to those in direct contact with the situation. Systematic stupidity results, of necessity, from a situation in which a bureaucratic hierarchy must develop some metric for assessing the skills or work quality of a labor force whose actual work they know nothing about, and whose material interests militate against remedying management's ignorance. When management doesn't know (in Paul Goodman's words) “what a good job of work is,” they are forced to rely on arbitrary metrics.
O problema das relações de autoridade numa hierarquia é que, dado o conflito de interesses criado pela presença do poder, aqueles com autoridade não podem permitir-se dar discricionariedade àqueles em contato direto com a situação. Resulta estupidez sistemática, inevitavelmente, de uma situação na qual uma hierarquia burocrática tem de desenvolver alguma métrica para avaliar as habilidades ou a qualidade do trabalho de uma força de trabalho acerca de cujo trabalho real ela nada sabe, e cujos interesses materiais militam contra sanar a ignorância da gerência. Quando a gerência não sabe (nas palavras de Paul Goodman) “o que significa um bom trabalho,” é forçada a confiar em métrica arbitrária.
Most of the constantly rising burden of paperwork exists to give an illusion of transparency and control to a bureaucracy that is out of touch with the actual production process. Most new paperwork is added to compensate for the fact that existing paperwork reflects poorly designed metrics that poorly convey the information they're supposed to measure. “If we can only design the perfect form, we'll finally know what's going on.”
A maior parte do constantemente crescente fardo de papelada existe para dar a ilusão de transparência e controle a uma burocracia que está fora de contato com o real processo de produção. A maioria da nova papelada é acrescentada para compensar o fato de a papelada já existente refletir métrica pobremente concebida que transmite pobremente a informação que supostamente mensura. “Se tão-somente conseguirmos conceber o formulário perfeito, saberemos finalmente o que está acontecendo.”
In a hierarchy, managers are forced to see “in a glass darkly” a process which is necessarily opaque to them because they are not directly engaged in it. They are forced to carry out the impossible task of developing accurate metrics for evaluating the behavior of subordinates, based on the self-reporting of people with whom they have a fundamental conflict of interest. All of the paperwork burden that management imposes on workers reflects an attempt to render legible a set of social relationships that by its nature must be opaque and closed to them, because they are outside of it. Each new form is intended to remedy the heretofore imperfect self-reporting of subordinates. The need for new paperwork is predicated on the assumption that compliance must be verified because those being monitored have a fundamental conflict of interest with those making the policy, and hence cannot be trusted; but at the same time, that paperwork relies on their self-reporting as the main source of information. Every time new evidence is presented that this or that task isn't being performed to management's satisfaction, or this or that policy isn't being followed, despite the existing reams of paperwork, management's response is to design yet another—and equally useless—form.
Numa hierarquia, os gerentes são forçados a ver “por espelho, em enigma” um processo necessariamente opaco para eles porque eles não estão diretamente envolvidos nele. Eles são forçados a realizar a tarefa impossível de desenvolver métrica precisa para avaliar o comportamento dos subordinados, com base em autorrelato de pessoas em relação às quais eles têm conflito fundamental de interesses. Toda a carga de papelada que a gerência impõe aos trabalhadores reflete tentativa de tornar legível um conjunto de relações sociais que, por sua natureza, tem de ser opaco e vedado a ela, porque ela está fora dele. Cada novo formulário visa a melhorar o até agora imperfeito autorrelato dos subordinados. A necessidade de nova papelada está baseada na premissa de que o cumprimento precisa ser verificado porque as pessoas que estão sendo monitoradas têm conflito fundamental de interesses com aqueles que elaboram as políticas, e portanto não se pode confiar nelas; ao mesmo tempo, porém, a papelada depende do autorrelato como principal fonte de informação. Toda vez que nova evidência é apresentada mostrando que esta ou aquela tarefa não está sendo desempenhada de modo satisfatório para a gerência, ou que tal política não está sendo observada, a despeito das já existentes resmas de papelada, a reação da gerência é conceber mais outro — e igualmente inútil — formulário.
Weberian work rules result of necessity when performance and quality metrics are not tied to direct feedback from the work process itself. It is a metric of work for someone who is neither a creator/provider not an end user. And they are necessary—again—because those at the top of the pyramid cannot afford to allow those at the bottom the discretion to use their own common sense. A bureaucracy cannot afford to allow its subordinates such discretion, because someone with the discretion to do things more efficiently will also have the discretion to do something bad. And because the subordinate has a fundamental conflict of interest with the superior, and does not internalize the benefits of applying her intelligence, she cannot be trusted to use her intelligence for the benefit of the organization. In such a zero-sum relationship, any discretion can be abused.
Regras weberianas de trabalho resultam como consequência inevitável quando métricas de desempenho e qualidade não estão ligadas a feedback direto oriundo do próprio processo de trabalho. Representam uma métrica de trabalho para alguém que não é nem criador/fornecedor nem usuário final. E são necessárias — repetindo — porque aqueles no cume da pirâmide não podem permitir-se deixar aqueles no sopé terem liberdade para usar seu próprio bom senso. Uma burocracia não pode permitir-se conceder a seus subordinados tal autonomia, porque alguém com discricionariedade para fazer as coisas mais eficientemente também terá discricionariedadel para fazer algo mau. E como o subordinado tem conflito fundamental de interesses com o superior, e não internaliza os benefícios de aplicar sua inteligência, não se torna confiável quanto a usar sua inteligência para benefício da organização. Em tal relacionamento de soma zero, qualquer discricionariedade pode levar a abuso.
Hence the bureaucratic nightmare—like something straight out of Brazil—that Paul Goodman described in the New York City public school system.
Daí o pesadelo burocrático— como algo diretamente saído de Brazil — que Paul Goodman descreveu no sistema de escolas públicas de Nova Iorque.
When the social means are tied up in such complicated organizations, it becomes extraordinarily difficult and sometimes impossible to do a simple thing directly, even though the doing is common sense and would meet with universal approval, as when neither the child, nor the parent, nor the janitor, not the principal of the school can remove the offending door catch.59
Quando os meios sociais ficam vinculados a organizações assim complicadas, torna-se extraordinariamente difícil e por vezes impossível fazer uma coisa simples diretamente, embora fazê-lo seja questão de bom senso e vá contar com aprovação geral, como quando nem o filho, nem o progenitor, nem o bedel, nem o diretor da escola podem retirar a trava de porta que está atrapalhando.59
Meanwhile, “[a]n old-fashioned type of hardware is specified for all new buildings, that is kept in production only for the New York school system.”60 Have you got a Form 27-B?
Enquanto isso, “[u]m tipo antiquado de ferragem está especificado para todos os novos edifícios, mantido em produção apenas para o sistema de escolas de Nova Iorque.”60 Você tem um Formulário 27-B?
On the other hand, subordinates cannot afford to contribute the knowledge necessary to design an efficient work process. R.A. Wilson's “highwayman” analogy quoted earlier is a good one. Workers see management as robbers who will use any information they obtain against them. Gary Miller, in Managerial Dilemmas, argued that trust was the main distinguishing feature of firms that made the most productive use of human capital. He cited work by behavioral economists and game theorists showing that relationships of trust are built up through repeated interactions, when the parties know they will be dealing with one another in the future. He used piece rates as an illustration. In the short run, management might have a rational incentive to elicit greater effort through piecework rates, and then cut the rates. But in the long run, it's only possible to elicit greater effort if the workers are confident that management won't change the rules of the game and screw them over; otherwise, the rational strategy is for workers to shirk and avoid ratebusting. Management can elicit greater effort through prolonged confidence-building measures to demonstrate their lack of intent to expropriate the productivity gains of greater effort. Management can only elicit workers' investment of effort and skill in the productivity of the enterprise by giving them long-term property rights in their share of productivity gains, with credible safeguards against expropriation. And the trust relationships on which worker willingness rests to invest effort and skill, to reveal their hidden knowledge, are all extremely fragile and easily disrupted if management betrays that trust.61 Relationships of trust built up painstakingly over time can be destroyed overnight by the typical idiot MBA who thinks he can goose his stock options by laying off half the work force.
Por outro lado, os subordinados não podem permitir-se contribuir com o conhecimento necessário para projeto de um processo eficiente de trabalho. É boa a analogia do “ladrão de estrada” de R.A. Wilson acima citada. Os trabalhadores veem os gerentes como assaltantes que usarão contra eles qualquer informação que obtenham.  Gary Miller, em Dilemas Gerenciais, argumentou que a confiança era a característica mais distinta das empresas que faziam uso mais produtivo do capital humano. Citou obras de economistas comportamentais e de teóricos de jogos mostrando que as relações de confiança são construídas ao longo de interações repetidas, quando as partes sabem que lidarão uma com a outra no futuro. Ele usou a remuneração por peça como ilustração. No curto prazo, a gerência poderia ter incentivo racional para obter maior esforço mediante pagamento por peça fabricada, cortando, mais tarde, esse tipo de remuneração. No longo prazo, porém, só será possível extrair maior esforço se os trabalhadores confiarem em que a gerência não mudará as regras do jogo, prejudicando-os; caso contrário, a estratégia racional será, no caso dos trabalhadores, fugir das obrigações e evitar produzir acima da média. A gerência poderá extrair maior esforço por meio de medidas prolongadas de construção de confiança demonstrando não ter a intenção de expropriar os ganhos de produtividade decorrentes de maiores esforços. A gerência só conseguirá extrair investimento de esforço e de habilidade dos trabalhadores em favor da produtividade da empresa se lhes der direitos de propriedade de longo prazo na parcela deles dos ganhos de produtividade, com garantias fidedignas contra expropriação. E os relacionamentos de confiança sobre os quais repousa a disposição do trabalhador para investir em esforço e habilidade, para revelar seus conhecimentos ocultos, são todos extremamente frágeis e passíveis de fácil rompimento se a gerência trair essa confiança.61 Relacionamentos de confiança penosamente construídos ao longo do tempo podem ser destruídos do dia para a noite pelo idiota típico com mestrado em administração de empresas que acha poder aumentar sua remuneração em opções de ações mediante demitir metade da força de trabalho.
In this light, the Japanese practice (at least until recently) of providing lifetime job guarantees, and the comparatively strong job security under American Consensus Capitalism, were not quite the stuff of “entitlement culture” and inefficiency the right-wing makes them out to be. They were almost ideal for managing human capital as a long-term investment, and eliciting the effort, skills and hidden knowledge of the workforce. As Waddell and Bodek point out, people “will not work harder if management has defined the ultimate goal to be a lights out factory, while they soar like hawks over the plant hunting for jobs to eliminate and people to lay off. People... will not work harder for someone who has defined them as a variable cost.”62 When workers are defined as a variable cost, “they find job security by making sure that the work is never complete.”63 To take just one example, before a Range Rover factory in the UK made a lifetime employment pledge in the early '90s, only 11% of employees entered the annual employee suggestions competition out of fear that increased efficiency would lead to downsizings. After the guarantee, the figure rose to 84%. And just one of those suggestions saved the company a million pounds.64
Sob esse aspecto, a prática japonesa (pelo menos até recentemente) de oferecer garantias vitalícias de trabalho, e a segurança no emprego relativamente forte no Capitalismo de Consenso Estadunidense, não foram propriamente o estofo da “cultura de direitos assegurados” e de ineficiência que a direita sugere. Foram quase ideais para a gerência de capital humano como investimento de longo prazo, e para extrair os esforços, as habilidades e o conhecimento oculto da força de trabalho. Como Waddell e Bodek destacam, as pessoas “não trabalharão mais arduamente se a gerência tiver definido como meta final uma fábrica completamente automatizada, enquanto incursiona pela fábrica caçando empregos a eliminar e pessoas a demitir. As pessoas... não trabalharão mais arduamente para alguém que as tenha definido como custo variável.”62 Quando os trabalhadores são definidos como custo variável, “criam segurança no emprego mediante darem um jeito de o trabalho nunca ser completado.”63 Para mencionar apenas um exemplo, antes de uma fábrica da Range Rover no Reino Unido fazer promessa de emprego vitalício, no início dos anos 90, apenas 11% dos empregados entravam na competição anual de sugestões de empregados, por medo de o aumento de eficiência levar a demissões. Depois da garantia, a cifra subiu para 84%. E só uma dessas sugestões valeu para a empresa, em economia, um milhão de libras.64
Sanford Grossman and Oliver Hart provide a theoretical basis for this, arguing that the firm's assignment of property rights affects productivity, because vesting residual claimancy in one party reduces the incentive of the other to invest in the firm. The party with residual claimancy will “use [its] residual rights of control to obtain a larger share of the ex post surplus,” which will cause the party without residual claimancy to underinvest. So residual claimancy should be distributed in accordance with contributions to productivity.65 Given that equity in a typical corporation is worth several times the book value of its physical assets, and given the enormous contribution to productivity made by human capital, the implication is clear.
Sanford Grossman e Oliver Hart oferecem base teórica para isso, argumentando que a atribuição de direitos de propriedade pela firma afeta a produtividade porque a atribuição de condição de requerente residual a uma parte reduz o incentivo da outra para investir na firma. A parte requerente residual “usará [seu] controle dos direitos residuais para obter fatia maior do excedente após excluídas as incertezas,” o que levará a parte sem direito residual a subinvestir. Portanto, os direitos residuais devem ser distribuídos de acordo com contribuições para a produtividade.65 Dado que as ações, numa corporação típica, valem diversas vezes o valor contábil dos haveres físicos, e dada a enorme contribuição do capital humano para a produtividade, a implicação fica clara.
According to Gary Miller, proper compensation not only serves as an efficiency wage for reducing turnover in human capital, but elicits hidden knowledge that otherwise might be exploited for information rents. The problem is the zero-sum relationship between management and labor:
De acordo com Gary Miller, remuneração adequada serve não apenas como salário acima da média para reduzir rotatividade de capital humano como, também, extrai conhecimento oculto que de outra maneira poderia ser explorada sob forma de rents de informação. O problema é o relacionamento de soma zero entre gerência e trabalhadores:
Since wages for subordinates are costs for the owner of residual profits, profit maximization by the center is an obstacle to the efficient resolution of both the hidden information and hidden action problem. The desire of owners to maximize revenues less payoffs for team members constantly tempts them to choose incentive schemes that encourage strategic misrepresentation and inefficient production methods by subordinates....
Visto que os salários de subordinados são custos para o dono dos lucros residuais, a maximização do lucro pelo centro é um obstáculo à resolução eficiente do problema tanto da informação oculta quanto da ação oculta. O desejo dos donos de maximizar receitas deduzidos os pagamentos de salários para os membros da equipe continuamente os induz os a optar por esquemas de incentivo que estimulam fornecimento capcioso de informações estratégicas e métodos de produção ineficientes por parte dos subordinados....
The central dilemma in a hierarchy is thus how to constrain the self-interest of those with a stake in the inevitable residual generated by an efficient incentive system.... There will be a set of managerial alternatives available to the owner that will decrease the overall size of the pie, while increasing the owner's share of that pie....
O dilema central numa hierarquia é pois como restringir o interesse próprio daqueles com algo a ganhar ou perder no inevitável resíduo gerado por um sistema de incentivos eficiente.... Haverá disponível, para o dono, um conjunto de alternativas gerenciais que fará decrescer o tamanho total do bolo, aumentando contudo a fatia do dono nesse bolo....
....A firm will be better off it can guarantee its subordinates a secure “property right” in a given incentive plan and a right to control certain aspects of their work environment and work pace.... Security in these property rights can give employees reason to make investments of time, energy, and social relationships that produce economic growth.66
.... Uma empresa ficará melhor se puder garantir a seus subordinados seguro “direito de propriedade” em dado plano de incentivos e o direito de controlar certos aspectos de seu ambiente de trabalho e ritmo de trabalho.... A segurança desses direitos de propriedade pode dar aos empregados motivo para fazer investimentos de tempo, energia e relacionamentos sociais que produzem crescimento econômico.66
This almost never happens, because as Miller argues it's in management's perceived self-interest to engage in self-dealing even at the expense of the overall productivity of the firm. So workers under the standard model of MBA-driven cowboy capitalism wind up essentially mirroring the strategies of the peasants in Zomia (see the section “State and Nonstate Spaces,” below), attempting to minimize their legibility to management and minimize the chance that the increased productivity resulting from their hidden knowledge will be used against them or expropriated. The hidden—or hoarded—knowledge of workers is directly analogous to the Zomian peasants' tubers hidden underground to avoid confiscation by the state's raiding armies.
Isso quase nunca acontece porque, como argumenta Miller, a gerência percebe como de seu interesse lançar-se à busca de interesses próprios mesmo a expensas da produtividade total da firma. Portanto os trabalhadores, no modelo padrão do capitalismo selvagem conduzido pelo mestre em administração de empresas, acaba essencialmente refletindo as estratégias dos camponeses de Zomia (ver a secção abaixo “Espaços Estatais e Não Estatais”), tentando minimizar sua legibilidade em relação à gerência e minimizar a probabilidade de aumento de produtividade resultante de seu conhecimento oculto ser usado contra eles ou expropriado. O conhecimento oculto — ou amealhado — dos trabalhadores é diretamente análogo aos tubérculos dos camponeses zomianos escondidos no subsolo para impedir confisco via incursões dos exércitos do estado.
The rents that result from the private knowledge of skilled workers, given the zero-sum relationship between management and labor, are an unacceptable barrier to the appropriation of labor's product.
Os rents que resultam de conhecimento privado detido por trabalhadores peritos, dado o relacionamento de soma zero entre gerência e trabalhadores, são barreira inaceitável impeditiva de apropriação do produto do trabalho.
Increasing management's control of the work process, and hence the appropriability of the output—making the organization more legible so as to increase the net appropriable product—is the real agenda at the heart of deskilling strategies like Taylorism. To repeat Miller's metaphor, when given a choice between efficiency and control—between a larger pie and a larger slice of a smaller pie—management usually prefers to maximize the size of their slice rather than the size of the pie. As Scott argues, control trumps efficiency:
O aumento do controle do processo de trabalho pela gerência, e portanto a apropriabilidade da produção — tornando a organização mais legível de maneira a aumentar o produto líquido apropriável — é a real agenda no cerne das estratégias de redução do nível de qualificação dos trabalhadores, como o taylorismo. Para repetir a metáfora de Miller, quando tendo opção entre eficiência e controle — entre um bolo maior e uma fatia maior de um bolo menor — a gerência usualmente prefere maximizar o tamanho de sua fatia em vez de o tamanho do bolo. Como Scott argumenta, o controle leva a melhor sobre a eficiência:
As Stephen Marglin's early work has convincingly shown, capitalist profit requires not only efficiency but the combination of efficiency and control. The crucial innovations of the division of labor at the subproduct level and the concentration of production in the factory represent the key steps in bringing the labor process under unitary control. Efficiency and control might coincide, as in the case of the mechanized spinning and weaving of cotton. At times, however, they might be unrelated or even contradictory. “Efficiency at best creates a potential profit,” notes Marglin. “Without control the capitalist cannot realize that profit. Thus organizational forms which enhance capitalist control may increase profits and find favor with capitalists even if they affect productivity and efficiency adversely. Conversely, more efficient ways of organizing production which reduce capitalist control may end up reducing profits and being rejected by capitalists.”
Como mostrou convincentemente a obra inicial de Stephen Marglin, o lucro capitalista requer não apenas eficiência mas a conjugação de eficiência e controle. As inovações cruciais da divisão do trabalho no nível de subproduto e a concentração da produção na fábrica representam os passos decisivos para colocar o processo de trabalho sob controle unitário. Eficiência e controle podem coincidir, como no caso da fiação e da tecelagem mecanizadas do algodão. Por vezes, porém, podem não estar relacionados e até ser contraditórios. “A eficiência, na melhor das hipóteses, cria um lucro potencial,” observa Marglin. “Sem controle o capitalista não tem como materializar tal lucro. Assim, pois, formas organizacionais que aumentem o controle capitalista poderão aumentar os lucros e ganhar o favor de capitalistas mesmo se afetarem adversamente a produtividade e a eficiência. Inversamente, maneiras mais eficientes de organizar a produção que reduzam o controle capitalista poderão acabar reduzindo os lucros e sendo rejeitadas pelos capitalistas.”
When artisanal production was more efficient, it was “difficult for the capitalist to appropriate the profits of a dispersed craft population.”67
Quando a produção artesanal era mais eficiente, era “difícil para o capitalista apropriar-se dos lucros de uma população dispersa de artífices.”67
In agriculture, likewise, “the mere efficiency of a form of production is not sufficient to ensure the appropriation of taxes or profits.”
Na agricultura, do mesmo modo, “a mera eficiência de uma forma de produção não é suficiente para assegurar a apropriação de tributos ou lucros.”
Independent smallholder agriculture may... be the most efficient way to grow many crops. But such forms of agriculture, although they may present possibilities for taxation and profit when their products are bulked, processed, and sold, are relatively illegible and hard to control. As is the case with autonomous artisans and petit-bourgeois shopkeepers, monitoring the commercial fortunes of small-fry farms is an administrative nightmare. The possibilities for evasion and resistance are numerous, and the cost of procuring accurate, annual data is high, if not prohibitive.68
A agricultura do pequeno proprietário independente poderá... ser o modo mais eficiente de plantar. Contudo, tais formas de agricultura, embora possam apresentar possibilidades para tributação e lucro quando seus produtos são juntados, processados e vendidos, são relativamente ilegíveis e difíceis de controlar. Como no caso de artesãos autônomos e lojistas pequeno-burgueses, monitorar os sucessos comerciais de peixes pequenos é um pesadelo administrativo. As possibilidades de evasão e resistência são numerosas, e o custo de conseguir dados precisos anuais é alto, se não proibitivo.68
Dispersed production by craft methods was almost always an impediment to control and appropriation. The goal of Taylorism was to abolish hidden knowledge and the attendant rents on it. Taylorism was a way by which “human labor as a mechanical system... could be decomposed into energy transfers, motion, and the physics of work.” This “simplification of labor into isolated problems of mechanical efficiencies” facilitated “scientific control of the entire labor process.” And scientific control meant legibility and expropriability.
A produção dispersa via métodos artesanais quase sempre representou obstáculo em relação a controle e apropriação. O objetivo do taylorismo era abolir o conhecimento oculto e os rents que o acompanhavam. O taylorismo era um modo pelo qual “o trabalho humano como sistema mecânico... podia ser decomposto em transferências de energia, movimento, e física do trabalho.” Essa “simplificação do trabalho em problemas isolados de eficiências mecânicas” facilitava “o controle científico de todo o processo de trabalho.” E controle científico significava legibilidade e expropriabilidade.
For the factory manager or engineer, the newly invented assembly lines permitted the use of unskilled labor and control over not only the pace of production but the whole labor process.69
Para o gerente da fábrica ou o engenheiro, as novas linhas de montagem inventadas tornavam possível o uso de trabalho não qualificado e de controle sobre não apenas o ritmo de produção mas de todo o processo de trabalho.69
The genius of modern mass-production methods, Frederick Taylor, saw the issue of destroying mētis and turning a resistant, quasi-autonomous, artisan population into more suitable units, or “factory hands,” with great clarity. “Under scientific management... the managers assume... the burden of gathering together all of the traditional knowledge which in the past has been possessed by the workmen and then of classifying, tabulating, and reducing this knowledge to rules, laws, formulae.... Thus all of the planning which under the old system was done by the workmen, must of necessity under the new system be done by management in accordance with the laws of science.” In the Taylorized factory, only the factory manager had the knowledge and command of the whole process, and the worker was reduced to the execution of a small, often minute, part of the overall process.
O gênio dos modernos métodos de produção em massa, Frederick Taylor, entendeu com grande clareza o problema de destruir mētis e de tornar uma população resistente, quase autônoma, de artesãos em unidades mais adequadas, ou “empregados de chão de fábrica.” “Na gerência científica... os gerentes assumem... o ônus de coletar todo o conhecimento tradicional que, no passado, era possuído pelos artífices e, em seguida, de classificar, tabular e reduzir esse conhecimento a regras, leis, fórmulas.... Assim, pois, todo o planejamento que, no antigo sistema, era feito pelos artífices precisa, inevitavelmente, ser feito pela gerência, em acordo com as leis da ciência.” Na fábrica taylorizada apenas o gerente da fábrica tinha o conhecimento e o comando do processo total, e o trabalhador era reduzido à execução de uma pequena, amiúde minúscula, parte do processo total.
This could sometimes result in an increase in efficiency, Scott said—but was always “a great boon to control and profit.”70
Isso poderia, por vezes, resultar em aumento de eficiência, disse Scott — mas foi sempre “um grande benefício para o controle e o lucro.”70
Taylorism not only disempowered workers; just as importantly, it empowered managers and technicians. It was a subspecies of what Scott calls the “high modernist ideology,” and more specifically of its American branch (the Progressive movement of the early 20th century that was the direct progenitor of mid-20th century liberalism). Progressivism and its Taylorist component reflected, and served as a legitimizing instrument for, the will to power of the white collar managerial-professional classes. Industry was to be governed by a set of “best practices,” Weberian work rules, which were best knowable to the specialists at the top of the hierarchy. And the regime of efficiency and rationality—what Scott calls “slide rule authoritarianism”—would replace class conflict with “class collaboration” by increasing production and rationally promoting the common interests of all.71
O taylorismo não apenas tirou poder dos trabalhadores; tão importante quanto isso, deu poder aos gerentes e técnicos. Foi uma subespécie do que Scott chama de “ideologia altomodernista,” e mais especificamente de sua vertente estadunidense (o movimento Progressista do início do século 20, precursor direto do liberalismo de meados do século 20). O Progressismo e seu componente taylorista refletiam, e serviam como instrumento de legitimação de, o desejo de poder das classes gerenciais-profissionais de colarinho branco. A indústria deveria ser governada por um conjunto de “melhores práticas,” regras weberianas de trabalho, melhor conhecidas pelos especialistas no alto da hierarquia. E o regime de eficiência e racionalidade — o que Scott chama de “autoritarismo de régua de cálculo — substituiria o conflito de classes pela “colaboração de classes” mediante crescentes produção e racionalidade promovendo os interesses comuns de todos.71
In this regard, Taylorism within the corporation was a microcosm of the high modernist ideology of Progressivism in society at large.
Sob esse aspecto, o taylorismo dentro da corporação era um microcosmo da ideologia altomodernista do Progressismo na sociedade em geral.
High modernist ideologies embody a doctrinal preference for certain social arrangements.... Most of the preferences can be deduced from the criteria of legibility, appropriation, and centralization of control. To the degree that the institutional arrangements can be readily monitored and directed from the center and can be easily taxed (in the broadest sense of taxation), then they are likely to be promoted.72
As ideologias altomodernistas incorporam preferência doutrinária por certas formas de organização social... A maioria das preferências pode ser deduzida dos critérios de legibilidade, apropriação e centralização de controle. Na medida em que os arranjos institucionais possam ser facilmente monitorados e dirigidos a partir do centro e possam ser facilmente tributados (no mais amplo sentido de tributação), provavelmente serão fomentados.72
This set of preferences is as true of corporate management as it is of the political and social system as a whole.
Esse conjunto de preferências é tão verdadeiro da gerência corporativa quanto do sistema político e social como um todo.
If there was one apostle of the mid-20th century model of industrial organization—the model associated with the politico-economic organization variously called “corporate liberalism” or “consensus capitalism”—it was Alfred Chandler.
Se houve um apóstolo do modelo de meados do século 20 da organização industrial — o modelo associado à organização política-econômica chamada ou de “liberalismo corporativo” ou de “capitalismo de consenso” — foi Alfred Chandler.
Where the underlying technology of production permitted, increased throughput from technological innovation, improved organizational design, and perfected human skills led to a sharp decrease in the number of workers required to produce a single unit of output. The ratio of capital to labor, materials to labor, energy to labor, and managers to labor for each unit of output became higher. Such high-volume industries soon became capital-intensive, energy-intensive, and manager-intensive.73
Onde a tecnologia subjacente de produção permitiu, o aumento da produção-por-período-de-tempo [throughput] por meio de inovação tecnológica, o aperfeiçoamento do projeto organizacional e o aperfeiçoamento das habilidades humanas levaram a agudo decréscimo do número de trabalhadores necessários para produzir cada unidade produzida. A proporção de capital em relação aos trabalhadores, de materiais em relação aos trabalhadores e de gerentes em relação aos trabalhadores, para cada unidade produzida, tornou-se maior. Tais indústrias de alto volume logo se tornaram intensivas em termos de capital, energia e gerência.73
But I suspect such capital-intensive mass production methods were not as efficient in so many cases as even Scott imagines. Such methods, as pointed out by such writers on lean production as John Womack, or William Waddell and Norman Bodek, tend to be more efficient at each individual stage of production—minimizing the unit cost of each particular machine and maximizing its—while creating a more than offsetting cost increase from overall inventory, overhead, and marketing and distribution.
Suspeito, porém, de que tais métodos de produção em massa intensivos em termos de capital não eram tão eficientes em tantos casos quanto Scott imagina. Tais métodos, como ressaltado por autores que escreveram sobre produção enxuta como John Womack, ou William Waddell e Norman Bodek, tendem a ser mais eficientes em cada estágio individual da produção — minimizando o custo unitário de cada máquina específica e maximizando sua [?] — criando ao mesmo tempo aumento de custo mais do que anulador daquela economia, oriundo de estoque, overhead e marketing e distribuição em geral.
In any case, mētis and dispersed knowledge can never be completely Taylorized out of the production process. Attempts by those in authority to minimize discretion by reducing tasks to standardized routines and anticipating all possible contingencies in the rules can only result in a serious degrading of efficiency, precisely because it is impossible to anticipate all contingencies or to come up with general rules that will not require exceptions in the face of unexpected circumstances.
De qualquer forma, mētis e conhecimento disperso nunca podem ser completamente taylorizados a partir do processo de produção. Tentativas daqueles em posição de autoridade de minimizar a discricionariedade mediante redução das tarefas a rotinas padronizadas e previsão de todas as contingências possíveis em regras só podem redundar em séria degradação da eficiência, precisamente por ser impossível prever todas as contingências ou conceber regras gerais que não requeiram exceções diante de circunstâncias inesperadas.
The utopian dream of Taylorization—a factory in which every pair of hands was more or less reduced to automatic movements, on the model of programmed robots—was unrealizable. Not that it wasn't tried. David Noble has described the well-funded attempt to make machine tools through numerical controls because it promised “emancipation from the human worker.” Its ultimate failure came precisely because the system had designed out mētis—the practical adjustments that an experienced worker would make to compensate for slight changes in material, temperatures, the wear on or irregularities in the machine, mechanical malfunction, and so forth. As one operator said, “Numerical controls are supposed to be like magic, but all you can do automatically is produce scrap.” This conclusion could be generalized. In a brilliant ethnography of the work routines of machine operators whose jobs appeared to have been thoroughly de-skilled, Ken Kusterer has shown how the workers nevertheless had to develop individual skills that were absolutely necessary to successful production but that could never be reduced to formulas a novice could immediately use.
O sonho utópico da taylorização — uma fábrica na qual todo par de mãos fosse mais ou menos reduzido a movimentos automáticos, à moda de robôs programados — era irrealizável. Não que isso não tenha sido tentado. David Noble descreveu a bem-financiada tentativa de fabrico de máquinas operatrizes por meio de controles numéricos porque isso prometia “emancipação em relação ao trabalhador humano.” O fracasso final aconteceu precisamente porque o projeto do sistema havia excluído mētis — os ajustes práticos que um trabalhador experiente faria para compensar pequenas mudanças em material, temperaturas, a fadiga ou irregularidades na máquina, mau funcionamento mecânico, e assim por diante. Como disse um operador, “Pretende-se que os controles numéricos sejam como mágica, mas tudo o que se consegue produzindo automaticamente é sucata.” Essa conclusão poderia ser generalizada. Numa brilhante etnografia das rotinas de trabalho de operadores de máquina cujas tarefas pareciam ter sido completamente destituídas de qualificação, Ken Kusterer mostrou como os trabalhadores, todavia, tiveram de desenvolver habilidades individuais as quais eram absolutamente indispensáveis para produção bem-sucedida, mas que nunca poderiam ser reduzidas a fórmulas que um novato pudesse usar imediatamente.
In the incident Scott alluded to, as Noble described it, “[t]he workers increasingly refused to take any initiative”
No incidente a que Scott aludiu, como descrito por Noble, “[o]s trabalhadores cada vez mais recusaram-se a tomar qualquer iniciativa”
—to do minor maintenance (like cleaning lint out of the tape reader), help in diagnosing malfunctions, repair broken tools, or even prevent a smash-up. The scrap rate soared... along with machine downtime, and low morale produced the highest absenteeism and turnover rates in the plant. Walkouts were common and, under constant harassment from supervisors, the operators developed ingenious covert methods of retaining some measure of control over their work, including clever use of the machine overrides.
— para fazer manutenção simples (tal como tirar fiapos do leitor de fita), ajudar a diagnosticar mau funcionamento, consertar ferramentas quebradas, e até evitar uma colisão. A taxa de produção de refugo disparou... juntamente com tempo de máquinas paradas, e baixo moral produziu as taxas mais altas de absenteísmo e rotatividade de pessoal. Tornou-se comum empregados ausentarem-se do local de trabalho e, sob constante assédio dos supervisores, os operadores desenvolveram engenhosos métodos secretos de manter alguma medida de controle do próprio trabalho, inclusive uso astuto de controles manuais interferentes no funcionamento automático de máquinas.
....The part of the plant with the most sophisticated equipment had become the part of the plant with the highest scrap rate, highest turnover, and lowest productivity....74
....A parte da fábrica com o equipamento mais sofisticado tornara-se a parte da fábrica com mais alta taxa de refugo, de rotatividade de pessoal, e de mais baixa produtividade....74
In fact hierarchical organizations depend for their continued functioning on the willingness of workers to treat authority-based rules as a form of irrationality and route around them. Scott gives the example of the USSR, where a congress of agricultural specialists who met during Gorbachev's perestroika
Na verdade, as organizações hierárquicas dependem, para continuação de funcionamento, da disposição dos trabalhadores para tratar regras baseadas em autoridade como uma forma de irracionalidade e passar ao largo delas. Scott dá o exemplo da URSS, onde num congresso de especialistas em agricultura durante a perestroika de Gorbachev
were nearly unanimous in their despair over what three generations had done to the skills, initiative, and knowledge of the kolkhozniki.... Suddenly a woman from Novosibirsk scolded them: “How do you think the rural people survived sixty years of collectivization in the first place? If they hadn't used their initiative and wits, they wouldn't have made it through!75
houve quase unanimidade dos participantes na exasperação acerca do que três gerações haviam feito com as habilidades, a iniciativa e o conhecimento dos kolkhozniki.... Subitamente uma mulher de Novosibirsk os repreendeu: “Como vocês acham, para começo de conversa, que as pessoas do campo sobreviveram durante sessenta anos de coletivização? Se elas não tivessem usado sua iniciativa e sagacidade, não teriam chegado até aqui!75
Exactly. For our purposes, the Soviet Union can be treated as a case in which a single corporation owned an entire national economy, with the Politburo as board of directors, the KGB as Pinkertons, and the industrial ministries as production divisions within a gargantuan M-form structure. Because the entire Soviet economy was owned by a single conglomerate, with autarkic barriers to competition from outside, the only limits on the level of inefficiency it could afford were set by the need to prevent economic or political collapse. Or to invert the comparison, the large corporation is a microcosm of the Soviet planned economy, in which workers use their initiative to work around the bureaucratic irrationality imposed from above.
Exatamente. Para nossos objetivos, a União Soviética pode ser tratada como um caso em que uma única corporação era dona de uma economia nacional inteira, com o Politburo como diretoria, a KGB como os sabotadores dos movimentos dos trabalhadores e os ministérios industriais como divisões de produção dentro de uma gigantesca estrutura de formato multidivisional. Pelo fato de a economia soviética inteira ser de propriedade de um único conglomerado, com barreiras autárquicas à competição vinda de fora, os únicos limites ao nível de ineficiência que ela podia tolerar eram estabelecidos pela necessidade de impedir colapso econômico ou político. Ou, para inverter a comparação, a grande corporação é um microcosmo da economia planificada soviética, na qual os trabalhadores usam sua iniciativa para contornar a irracionalidade burocrática imposta de cima.
The large corporation tacitly depends on the workers who develop work-arounds and disregard irrational rules, to keep production going in spite of management, in the same way that the Ministry of Central Services in Brazil depended on people like Harry Tuttle. The disappearance of the black market and nalevo activity would have had the same practical effect in the USSR as a work-to-rule strike in a corporation.
A grande corporação tacitamente depende dos trabalhadores que desenvolvem meios de contornar e de desprezar regras irracionais para manterem a produção em andamento a despeito da gerência, do mesmo modo que o Ministério de Serviços Centrais, em Brazil, dependia de pessoas como Harry Tuttle. O desaparecimento do mercado paralelo e da atividade nalevo teria tido o mesmo efeito na URSS que uma greve tipo operação padrão numa corporação.
Scott writes that it is impossible, by the nature of things, for everything entailed in the production process to be distilled, formalized or codified into a form that is legible to management.
Scott escreve ser impossível, devido à natureza das coisas, toda pessoa implicada no processo de produção ser destilada, formalizada ou codificada em forma legível pela gerência.
...[T]he formal order encoded in social-engineering designs inevitably leaves out elements that are essential to their actual functioning. If the [East German] factory were forced to operate only within the confines of the roles and functions specified in the simplified design, it would quickly grind to a halt. Collectivized command economies virtually everywhere have limped along thanks to the often desperate improvisation of an informal economy wholly outside its schemata.
...[A] ordem formal codificada nos projetos de engenharia social inevitavelmente deixa de fora elementos essenciais a seu funcionamento real. Se a fábrica [da Alemanha Oriental] fosse forçada a funcionar apenas dentro da raia dos papéis e funções especificados no projeto simplificado, rapidamente pararia. Economias de comando coletivizado praticamente em toda parte só conseguiram avançar mal e mal graças à amiúde desesperada improvisação de uma economia informal totalmente fora de sua representação diagramática.
Stated somewhat differently, all socially engineered systems of formal order are in fact subsystems of a larger system on which they are ultimately dependent, not to say parasitic. The subsystem relies on a variety of processes—frequently informal or antecedent—which alone it cannot create or maintain. The more schematic, thin, and simplified the formal order, the less resilient and the more vulnerable it is to disturbances outside its narrow parameters....
Enunciado de forma um tanto diferente, todos os sistemas socialmente engendrados de ordem formal são, na verdade, subsistemas de um sistema maior do qual são, em última análise, dependentes, para não dizer parasitários. O subsistema depende de uma gama de processos — frequentemente informais ou antecedentes — que sozinho ele não consegue criar ou manter. Quanto mais esquemática, enxuta e simplificada a ordem formal, menos resiliente e mais vulnerável fica ela a perturbações externas a seus estreitos parâmetros....
It is, I think, a characteristic of large, formal systems of coordination that they are accompanied by what appear to be anomalies but on closer inspection turn out to be integral to that formal order. Much of this might be called “mētis to the rescue....” A formal command economy... is contingent on petty trade, bartering, and deals that are typically illegal.... In each case, the nonconforming practice is an indispensable condition for formal order.76
É, acredito, característico de grandes sistemas formais de coordenação serem acompanhados de aparentes anomalias as quais, porém, quando inspecionadas mais de perto, revelam-se parte integrante daquela ordem formal. Grande parte disso poderia ser chamado de “mētis em operação de socorro....” Uma economia de comando formal... depende de comércio miúdo, escambo e acordos normalmente ilegais.... Em cada caso, a prática em desacordo com as normas é condição indispensável para a ordem formal.76
...In each case, the necessarily thin, schematic model of social organization and production animating the planning was inadequate as a set of instructions for creating a successful social order. By themselves, the simplified rules can never generate a functioning community, city, or economy. Formal order, to be more explicit, is always and to some considerable degree parasitic on informal processes, which the formal scheme does not recognize, without which it could not exist, and which it alone cannot create or maintain.77
... Em cada caso, o necessariamente delgado, esquemático modelo de organização e produção social inspirador do planejamento era inadequado como conjunto de instruções para criação de uma ordem social bem-sucedida. Por si próprias, as regras simplificadas nunca conseguem gerar uma comunidade, cidade ou economia que funcione. A ordem formal, para ser mais explícito, é sempre e em algum grau considerável parasitária de processos informais, que o esquema formal não reconhece, sem os quais não conseguiria existir, e que sozinho não consegue criar ou manter.77
The same is true, of course, in the “collectivized command economy” of the large Western corporation. A good example is the hidden knowledge of call center workers at a privatized utility.
O mesmo é verdade, naturalmente, na “economia de comando coletivizado” da grande corporação ocidental. Bom exemplo é o conhecimento oculto de trabalhadores de central telefônica de um serviço público privatizado.
As successive problems with the systems emerged, it became clear to the staff that the people who had designed the systems had an inadequate knowledge of the content of clerical work, and assumed it to be far less complex than it was in reality. Somewhat ironically, the introduction of systems intended to simplify and standardize clerical work actually drew the clerks' attention to the fact that they provided the company with a kind of expertise that cannot easily be written into a computer programme. As one clerk noted, “Each section involved knowledge that has to be picked up, that can't be built into the systems”.... A supply clerk explained:
À medida que surgiram sucessivos problemas nos sistemas, ficou claro para a equipe que as pessoas que haviam projetado os sistemas tinham conhecimento inadequado do conteúdo do trabalho dos funcionários, achando ser ele muito menos complexo do que em realidade era. De certo modo ironicamente, a introdução de sistemas visantes a simplificar e padronizar o trabalho dos funcionários em realidade chamou a atenção dos funcionários para o fato de eles emprestarem à empresa determinado tipo de competência técnica que não pode facilmente ser escrito dentro de um programa de computador. Como observou um funcionário, “Cada secção envolvia conhecimento que tem de ser obtido pela experiência, que não pode ser embutido nos sistemas”.... Um funcionário de suprimento explicou:
....I don't think we realized before just how much management depends on us knowing about the job.... They thought they knew all what we did, they said “We know the procedures, we've got it written down.” I think it's been a bit of a shock to them to find out they didn't know, that procedure is not necessarily how you do the job, job descriptions can't cover everything.”78
.... Não acredito termos entendido, antes, o quanto a gerência depende do que nós conhecemos acerca do trabalho.... Ela supunha saber tudo o que nós fazíamos, dizia “Sabemos os procedimentos, temo-los por escrito.” Acredito ter sido forte choque para ela descobrir que não sabia, que o procedimento escrito não é necessariamente como a gente faz o trabalho, as descrições de tarefas não têm como abranger tudo.”78
And, formal disobedience aside, the difference between what Oliver Williamson called “consummate cooperation” and merely “perfunctory cooperation—a distinction that hinges on the worker's active contribution of her dispersed knowledge or mētis to the production process, as opposed to doing the bare minimum necessary to avoid being fired—makes an enormous difference in its level of functioning.
E, desobediência formal à parte, a diferença entre o que Oliver Williamson chamou de “cooperação consumada” e apenas “cooperação perfunctória — distinção que gira em torno da contribuição ativa, pelo trabalhador, de seu conhecimento disperso ou mētis para o processo de produção, por oposição a fazer apenas o mínimo necessário para evitar ser demitido — faz enorme diferença para o nível de funcionamento de referido processo.
Consummate cooperation is an affirmative job attitude—to include the use of judgment, filling gaps, and taking initiative in an instrumental way. Perfunctory cooperation, by contrast, involves job performance of a minimally acceptable sort.... The upshot is that workers, by shifting to a perfunctory performance mode, are in a position to “destroy” idiosyncratic efficiency gains.79
A cooperação consumada é uma atitude de trabalho afirmativa — de incluir o uso do discernimento, preencher lacunas, e tomar iniciativa de maneira fundamental. A cooperação perfunctória, em contraste, envolve desempenho de trabalho de tipo minimamente aceitável.... O resultado é que os trabalhadores, ao passarem a adotar um modo de desempenho perfunctório, ganham condições de “destruir” ganhos idiossincrásicos de eficiência.79
As J. E. Meade argues, it's simple utility-maximizing behavior: A wage employee “will have to observe the minimum standard of work and effort in order to keep his job; but he will have no immediate personal financial motive... to behave in a way that will promote the profitability of the enterprise.... [A]ny extra profit due to his extra effort will in the first place accrue to the entrepreneur....”80
Como argumenta J. E. Meade, trata-se de simples comportamento de maximização de utilidade: Empregado assalariado “terá de observar o padrão mínimo de trabalho e esforço a fim de manter seu emprego; mas não terá motivo financeiro pessoal imediato... para comportar-se de modo que promova a lucratividade da empresa.... [Q]ualquer lucro extra devido a seu esforço extra será creditado, em princípio, ao empresário....”80
And hidden knowledge means, Williamson writes, that it's impossible to “determine whether workers put their energies and inventiveness into the job in a way which permits task-specific cost-savings to be fully realized....”81 As Paul Milgrom and John Roberts put it, “only the agent knows what action he has taken in pursuit of his or the principal's goals, or only the agent has access to the specialized knowledge on which his action is based.”82
E conhecimento oculto significa, escreve Williamson, ser impossível “descobrir se os trabalhadores põem sua energia e inventividade no trabalho de maneira que possibilite ser plenamente materializada economia de custos específica de tarefas....”81 Nas palavras de Paul Milgrom e John Roberts, “apenas o agente tem conhecimento da ação que praticou na persecução de seus próprios objetivos ou dos do chefe, ou apenas o agente tem acesso ao conhecimento específico no qual sua ação está baseada.”82
Williamson's concepts of consummate and perfunctory cooperation are implicit in this passage from Hayek:
Os conceitos de Williamson de cooperação consumada e perfunctória estão implícitos nesta passagem de Hayek:
To know of and put to use a machine not fully employed, or somebody's skill which could be better utilized, or to be aware of a surplus stock which can be drawn upon during an interruption of supplies, is socially quite as useful as the knowledge of better alternative techniques.83
Conhecer e colocar em uso uma máquina não completamente empregada, ou a habilidade de alguém que poderia ser melhor utilizada, ou estar consciente de um excedente de estoque ao qual se possa recorrer durante uma interrupção do suprimento, é socialmente tão útil quanto o conhecimento de técnicas alternativas melhores.83
....Is it true that, once a plant has been built, the rest is all more or less mechanical, determined by the character of the plant, and leaving little to be changed in adapting to the ever-changing circumstances of the moment?
.... Será verdade que, uma vez tendo sido construída uma fábrica, o resto é mais ou menos mecânico, determinado pelo caráter da fábrica, ficando pouco por ser mudado na adaptação às sempre cambiantes circunstâncias do momento?
....In a competitive industry, at any rate... the task of keeping cost from rising requires constant struggle, absorbing a great part of the energy of the manager. How easy it is for an efficient manager to dissipate the differentials on which profitability rests and that it is possible, with the same technical facilities, to produce with a great variety of costs are among the commonplaces of business experience which do not seem to be equally familiar in the study of the economist.84
.... Numa indústria competitiva, de qualquer forma... a tarefa de impedir que os custos subam requer luta constante, absorvendo grande parte da energia do gerente. O quanto é fácil para um gerente eficiente dissipar os diferenciais sobre os quais repousa a lucratividade e o ser possível, com as mesmas facilidades técnicas, produzir com grande variedade de custos contam-se entre os lugares-comuns da experiência de negócios que não parecem ser igualmente encontradiços no estudo do economista.84
And Oliver Williamson wrote, in the same vein, that “[a]lmost every job involves some specific skills.”
E Oliver Williamson escreveu, na mesma tecla, que “[q]uase todo trabalho envolve algumas habilidades específicas.”
Even the simplest custodial tasks are facilitated by familiarity with the physical environment specific to the workplace in which they are being performed. The apparent routine operation of standard machines can be importantly aided by familiarity with the particular piece of operating equipment.... In some cases workers are able to anticipate the trouble and diagnose its source by subtle changes in the sound or smell of the equipment. Moreover, performance in some production or managerial jobs involves a team element, and a critical skill is the ability to operate effectively with the given members of the team....85
Mesmo os mais simples trabalhos de guarda/manutenção são facilitados pela familiaridade com o ambiente físico específico do local de trabalho nos quais estejam sendo realizados. O funcionamento aparentemente rotineiro de máquinas padronizadas pode ser auxiliado, de modo importante, pela familiaridade com o equipamento operacional específico.... Em alguns casos os trabalhadores são capazes de prever o problema e diagnosticar sua origem graças a sutis mudanças no som ou cheiro do equipamento. Ademais, o desempenho em alguns empregos de produção ou de gerência envolve um elemento de equipe, e constitui habilidade crítica a capacidade de trabalhar eficazmente com os membros existentes da equipe....85
The willingness of the workforce to cooperate consummately rather than perfunctorily, to contribute their dispersed knowledge, is arguably the primary determining factor in the potential range of costs with a given set of technical facilities. And the human capital of the enterprise—the hidden knowledge and repertory of task-specific skills that management is seldom even aware of because they cannot be communicated through a hierarchy, the network of personal relationships on which production depends—is the source of a great deal of a firm's equity, and accounts for the gap between its equity value and book value (i.e., the market value of its physical assets). Yet, as we shall see below, management treats labor and its skills as a direct cost under the conventions of Sloanist accounting, rather than as a capital asset that costs money to replace, and does its best to periodically decimate its human capital.
A disposição da força de trabalho de cooperar consumadamente em vez de perfunctoriamente, de contribuir com seu conhecimento disperso, é possivelmente o principal fator determinante na amplitude potencial de custos de determinado conjunto de recursos técnicos. E o capital humano da empresa — conhecimento e repertório ocultos de habilidades específicas de tarefa dos quais a gerência raramente sequer tem conhecimento pelo fato de não haver como comunicá-los por meio de hierarquia, a rede de relacionamentos pessoais da qual a produção depende — é a fonte de grande parte do patrimônio de uma firma, e responde pela lacuna entre seu valor patrimonial e seu valor escriturado nos livros (isto é, o valor de mercado de seus haveres físicos). Nada obstante, como veremos adiante, a gerência, dentro das convenções da contabilidade sloanista, trata o trabalhador e suas habilidades como custo direto, em vez de haver de capital que custa dinheiro para substituir, e faz tudo o que pode para periodicamente dizimar seu capital humano.
When workers decide to stop propping up the system by disregarding its irrational rules they can in effect, by their very obedience, step back and allow it to destroy itself through its own irrationality. We already saw David Noble's account of workers' withdrawing their consummate cooperation in the case of numerically controlled machinery. More generally, Scott points to the work-to-rule strike as a practical application, from the worker's point of view, of the dependence of formal organization on the larger system of informal processes:
Quando resolvem parar de escorar o sistema mediante desconsiderar suas regras irracionais os trabalhadors podem, com efeito, por meio de sua própria obediência, ficar imóveis e permitir que ele se destrua por meio de sua própria irracionalidade. Já vimos a descrição de David Noble de os trabalhadores retirarem sua cooperação consumada no caso de maquinário numericamente controlado. Mais geralmente, Scott destaca a greve tipo operação padrão como aplicação prática, do ponto de vista do trabalhador, da dependência da organização formal do sistema mais amplo de processos informais:
In a work-to-rule action... employees begin doing their jobs by meticulously observing every one of the rules and regulations and performing only the duties stated in their job descriptions. The result, fully intended in this case, is that the work grinds to a halt, or at least to a snail's pace.... In the long work-to-rule action against Caterpillar, the large equipment manufacturer, for example, workers reverted to following the inefficient procedures specified by the engineers, knowing they would cost the company valuable time and quality, rather than continuing the more expeditious practices they had long ago devised on the job. They were relying on the tested assumption that working strictly by the book is necessarily less productive than working with initiative.86
Numa ação de operação padrão... os empregados começam a executar suas atividades mediante observarem meticulosamente cada uma das regras e regulamentações, cumprindo apenas as obrigações enunciadas nas descrições de suas tarefas. O resultado, plenamente deliberado nesse caso, é que o trabalho para, ou pelo menos anda a passos lentos.... Na longa operação padrão contra a Caterpillar, a grande fabricante de equipamentos, por exemplo, os trabalhadores reverteram à observância dos ineficientes procedimentos especificados pelos engenheiros, sabendo que eles custariam à empresa valiosos tempo e qualidade, em vez de continuarem a usar as práticas mais rápidas e eficazes que havia longo tempo tinham concebido para as atividades. Basearam-se na assunção testada de que trabalhar estritamente de acordo com as normas é necessariamente menos produtivo do que trabalhar com iniciativa.86
Unfortunately, workers trying to degrade the efficiency of production by working to rule may find that they can't keep up with management. The practice of corporate downsizing in recent years has amounted to a systematic destruction—by management!—of the set of informal processes that the productivity of the organization depends on.
Infelizmente, trabalhadores que tentam degradar a eficiência da produção mediante trabalhar de acordo com as regras poderão descobrir que não conseguem competir com a gerência. A prática de redução corporativa de pessoal para reduzir custos [downsizing] em anos recentes tem equivalido a destruição sistemática — pela gerência! — do conjunto de processos informais do qual a produtividade da organização depende.
David Jenkins, back in 1973, argued that the “[i]mpressive short-term results” achieved by downsizing generally come at the cost of “a long-term catastrophe.”
David Jenkins, em 1973, argumentou que os “[a]dmiráveis resultados de curto prazo” conseguidos pelo downsizing geralmente acontecem ao preço de “uma catástrofe no longo prazo.”
Such conduct, says [Rensis] Likert, is encouraged by company reward systems that “enable a manager who is a 'pressure artist' to achieve high earnings over a few years, while destroying the loyalties, favorable attitudes, cooperative motivations, etc., among the supervisory and non-supervisory members of the organization.”....
Tal conduta, diz [Rensis] Likert, é estimulada por sistemas empresariais de recompensa que “permitem a um gerente que seja um 'artista da pressão' obter altos ganhos em poucos anos, enquanto destrói lealdades, atitudes favoráveis, motivações cooperativas etc. entre os membros supervisores e não supervisores da organização.”....
What is happening, in effect, is that valuable resources are being disposed of and earnings given a short-term,
artificial boost. No management would stand for such cavalier treatment of physical assets.... Since human resources do not appear on the balance sheet, they can be liquidated at will by managers oriented to “the bottom line” ...in order to give a spurious injection to earnings.87
O que acontece nesses casos, com efeito, é recursos valiosos estarem sendo descartados, e estar sendo dado impulso artificial de curto prazo aos ganhos. Nenhuma gerência concordaria com tratamento assim desdenhoso em relação a haveres físicos.... Como os recursos humanos não aparecem na folha de balanço, podem ser destroçados à vontade por gerentes voltados para “os finalmente” ...para efeito de uma injeção espúria nos ganhos.87
Two decades later, during the downsizing wave of the '90s, Kim Cameron listed the problems that
typically resulted from downsizing:
Duas décadas depois, durante a onda de downsizing dos anos 1990, Kim Cameron arrolou os problemas que normalmente resultavam do downsizing:
...(1) loss of personal relationships between employees and customers; (2) destruction of employee and customer trust and loyalty; (3) disruption of smooth, predictable routines in the firm; (4) increases in formalization (reliance on rules), standardization, and rigidity; (5) loss of cross-unit and cross-level knowledge that comes from longevity and interactions over time; (6) loss of knowledge about how to respond to nonroutine aberrations faced by the firm; (7) decrease in documentation and therefore less sharing of information about changes; (8) loss of employee productivity; and (9) loss of a common organizational culture.88
...(1) perda de relacionamentos pessoais entre empregados e clientes; (2) destruição de confiança e lealdade entre empregados e clientes; (3) ruptura de rotinas tranquilas e previsíveis na firma; (4) aumento de formalização (dependência de regras), estandardização, e rigidez; (5) perda de conhecimento interunidades e interníveis que advém de longevidade e interações ao longo do tempo; (6) perda de conhecimento acerca de como reagir a aberrações fora da rotina enfrentadas pela firma; (7) decréscimo de documentação e portanto menos compartilhamento de informação acerca de mudanças; (8) perda de produtividade do empregado; e (9) perda de cultura organizacional comum.88
Alex Markels quotes a management consultant to the effect that downsizings mean “a company is set back severely by the loss of 'knowledge and judgment earned over the years.'”89
Alex Markels cita consultor de gerência dizendo que, em ocorrendo downsizing, “uma empresa tem gravemente afetado seu progresso por causa de perda de 'conhecimento e capacidade de tomada de decisões acertadas adquiridos ao longo dos anos.'”89
A good example is staffing practice in the retail industry. Forty years ago, the sales staff at clothing and shoe retailers were commonly career employees who made a living wage, and who knew customer tastes and the product lines inside and out. Retailers have since replaced such career staff with unskilled minimum wage workers out of high school.
Bom exemplo é a prática de contratação na área de varejo. Há quarenta anos o pessoal de vendas em lojas de roupas e sapatos era geralmente formado de empregados de carreira que ganhavam salário suficiente para viver, e que conheciam os gostos dos clientes e as linhas de produtos por dentro e por fora. Daquela época em diante, os donos de lojas substituíram aqueles empregados de carreira por trabalhadores de salário mínimo egressos do curso médio.
That's essentially the performance of Bob Nardelli at Home Depot, for which he got a $210 million severance. According to Tom Blumer of BizzyBlog, the means by which Nardelli increased short-term earnings included the following:
Esse foi essencialmente o desempenho de Bob Nardelli, do Home Depot - HD, pelo qual ganhou $210 milhões de dólares na rescisão de contrato. De acordo com Tom Blumer, do BizzyBlog, o meio pelo qual Nardelli aumentou os ganhos de curto prazo envolveu o seguinte:
His consolidation of purchasing and many other functions to Atlanta from several regions caused buyers to lose touch with their vendors....
A consolidação que ele fez da função de compras e de muitas outras funções em Atlanta, a partir de diversas regiões, levou compradores a perderem contato com as pessoas que vendiam para eles....
Firing knowledgeable and experienced people in favor of uninformed newbies and part-timers greatly reduced payroll and benefits costs, but has eventually driven customers away, and given the company a richly-deserved reputation for mediocre performance.90
A demissão de pessoas com conhecimento e experiência em favor de novatos desinformados e empregados em tempo parcial reduziu grandemente os custos de folha de pagamento e de benefícios, mas no final fez a empresa perder clientes, e deu à empresa reputação altamente merecida de desempenho medíocre.90
Nardelli and his minions played every accounting, acquisition, and quick-fix angle they could to keep the numbers looking good, while letting the business deteriorate.91
Nardelli e seus subordinados manipularam toda contabilidade, aquisição e esquemas de meia-sola que puderam para manter os números parecendo bons, enquanto deixavam os negócios deteriorarem-se.91
I have since learned that Nardelli, in the last months before he walked, took the entire purchasing function out of Atlanta and moved it to...India—Of all the things to pick for foreign outsourcing.
Desde então fiquei sabendo que Nardelli, nos últimos meses antes de ir-se, tirou a função de compras inteiramente para fora de Atlanta e a transferiu para... a Índia — dentre todas as possibilidades de terceirização estrangeira.
I am told that “out of touch” doesn't even begin to describe how bad it is now between HD stores and Purchasing, and between HD Purchasing and suppliers.
Dizem-me que “sem contato” nem começa a descrever o quanto as coisas estão ruins agora entre as lojas do HD e Compras, e entre Compras do HD e os fornecedores.
Not only is there a language dialect barrier, but the purchasing people in India don't know the “language” of American hardware—or even what half the stuff the stores and suppliers are describing even is.
Não apenas há uma barreira de dialeto linguístico como, também, as pessoas que trabalham em compras na Índia não conhecem a “língua” dos equipamentos estadunidenses — e nem sabem sequer como é a metade dos produtos que lojas e fornecedores descrevem.
I am told that an incredible amount of time, money, and energy is being wasted—all in the name of what was in all likelihood a bonus-driven goal for cutting headcount and making G&A expenses look low (“look” low because the expenses have been pushed down to the stores and suppliers).92
Dizem-me que incrível quantidade de tempo, dinheiro e energia está sendo gasta — tudo em nome do que era, de toda verossimilhança, meta alimentada por recompensas para corte de pessoal e para fazer as despesas gerais e administrativas parecerem baixas (“parecerem” baixas porque as despesas foram empurradas para baixo para as lojas e fornecedores).92
The practice was parodied on King of the Hill in the person of the pimply-faced teenager in the blue smock at “Megalo-Mart,” who lacked the most basic clue as to where Hank could find a hammer. Unfortunately, it wasn't really a parody. I've seen it with my own eyes in the garden department at Lowe's. The staff's invariable response to a request for any help in finding a product is something like “I dunno. I guess if you don't see it we ain't got it.”
Essa prática foi parodiada em Rei da Colina na pessoa do adolescente com cara coberta de espinhas e vestindo guarda-pó azul do “Megalo-Mart,” que não se fazia a menor ideia de onde Hank poderia encontrar um martelo. Infelizmente, não se tratou, em realidade, de uma paródia. Já vi isso com meus próprios olhos no departamento de jardinagem da Lowe's. A resposa invariável do pessoal a pedido de qualquer ajuda para achar um produto é algo como “Não sei. Acho que se o senhor não está vendo, é porque não tem.”
That kind of deliberate deskilling of service workers at the expense of quality, in order to shift resources upward from customer support staffing to CEO salaries and bonuses, could only occur in an industry where competition in quality of customer services has been suppressed by cartelization. When the market is controlled by a handful of giant oligopoly firms with the same dysfunctional culture, firms can afford shoddy, half-assed service.
Esse tipo de diminuição deliberada da competência dos trabalhadores de serviços a expensas da qualidade, para transferir recursos para cima, tirando-os da equipe de apoio ao cliente em favor dos salários e bônus do Executivo Principal, só pode ocorrer numa área na qual a competição em qualidade de serviços ao cliente tenha sido suprimida pela cartelização. Quando o mercado é controlado por um punhado de firmas oligopolistas gigantescas com a mesma cultura disfuncional, as firmas podem permitir-se serviço reles e de meia-tigela.
As mentioned earlier, all of this reflects the Sloanist metrics by which senior corporate management measures cost and efficiency, which are roughly comparable to the metrics by which the folks in Gosplan tried to manage the Soviet economy.
Como mencionado anteriormente, tudo isso reflete a métrica sloanista pela qual a gerência corporativa superior mensura custo e eficiência, em termos aproximados comparável à métrica pela qual os integrantes do Gosplan tentavam gerir a economia soviética.
Ludwig von Mises argued, in Bureaucracy, that the corporate hierarchy as such wasn't a bureaucracy in the strict sense. Bureaucracy of necessity was rules-based management, with processes defined along Weberian lines, rather than profit-based management, because produced no marketable product and its output had no market price. The large business enterprise, on the other hand, was—thanks to the miracle of double-entry bookkeeping—an extension of the entrepreneur's will. The entrepreneur could track the profits and losses of each subdivision, and act in accordance with the data to shift investment from one division to another and discipline or replace managers.93 This amounted to a mirror-image of the neoclassical approach of treating the firm as a unitary actor in the marketplace and its internal workings as a black box.
Ludwig von Mises argumentou, em Burocracia, que a hierarquia corporativa enquanto tal não era uma burocracia em sentido estrito. A burocracia, necessariamente, era uma gerência baseada em regras, com processos definidos ao longo de linhas weberianas, em vez de gerência baseada no lucro, por não produzir nenhum produto comercializável e por sua produção não ter preço de mercado. A grande empresa comercial, por outro lado, era — graças ao milagre da escrituração por partidas dobradas — uma extensão da vontade do empresário. O empresário podia rastrear os lucros e prejuízos de cada subdivisão e atuar de acordo com os dados para transferir o investimento de uma divisão para outra e disciplinar ou substituir gerentes.93 Isso equivalia a um reflexo da abordagem neoclássica de tratar a firma como ator unitário no mercado e seu funcionamento interno como caixa preta.
Mises' emphasis of the entrepreneurial nature of the corporation neglects a number of facts. First, the internal transfer pricing of the corporation amounts to that proposed by the market socialist Oskar Lange, which Mises dismissed as “playing at capitalism.” Because most of the intermediate goods produced by a firm—product components, components of components, and the like—are product-  specific, there is no external market for them. So the internal transfer prices must be estimated indirectly, on a cost markup basis, at several removes from any actual market prices—exactly the same way that the Soviet economic planners relied indirectly on market price information from the Western economies for setting their own prices.94
A ênfase de Mises quanto à natureza empresarial da corporação negligencia diversos fatos. Primeiro, o preço de transferência interno da corporação equivale ao proposto pelo socialista de mercado Oskar Lange, que Mises desqualificou como “dando uma de capitalista.” Pelo fato da maioria dos bens intermediários produzidos por uma firma — componentes de produto e coisas que tais — serem específicos de produto, não há mercado externo para eles. Portanto, os preços de transferência internos têm de ser estimados indiretamente, em base de acréscimo sobre o custo, muito longe de quaisquer preços reais de mercado — exatamente do mesmo modo que os planejadores econômicos soviéticos dependiam indiretamente de informações de preços de mercado das economias ocidentais para estabelecer seus próprios preços.94
Second, the management of the typical large corporations are not, de facto, hired servants of the entrepreneur or investor. In the real world, proxy fights almost always fail, hostile takeovers have been rare since management developed countermeasures in the 1980s, and most new investment—as opposed to mergers and acquisitions—is financed internally through retained earnings. In reality, the shareholder is just another class of contractual claimant that's entitled to whatever dividend management sees fit to issue (if any) and to participate in the empty ritual of a shareholder's meeting. The real residual claimant, at least in large, publicly held “mature corporations” where stock ownership is diffuse, is senior management. In practice, the management of such corporations is a selfperpetuating
oligarchy in control of a free-floating mass of unowned capital—much like the
bureaucratic management of the old USSR. So senior management, like Lange's market socialist factory managers, are “playing entrepreneur”—gambling capital which they did not contribute from their own past efforts, and which they do not stand personally to lose, on the chance that they might win big if the gamble pays off.
Segundo, a gerência das grandes corporações típicas não é formada, de facto, por servos contratados do empreendedor ou investidor. No mundo real, lutas entre representantes/procuradores quase sempre fracassam, tomadas hostis tornaram-se raras desde que a gerência desenvolveu contramedidas nos anos 1980, e a maior parte do investimento novo — em contraste com fusões e aquisições — é financiada internamente por meio de ganhos retidos. Em realidade, o acionista é apenas outra classe de requerente contratual com direito a que dividendo a gerência considerar adequado emitir (se considerar) e a participar do ritual vazio da reunião de acionistas. O real requerente residual, pelo menos em grandes “corporações consumadas” de propriedade do público onde a propriedade das ações é difusa, é a gerência superior. Na prática, a gerência de tais corporações é uma oligarquia que se autoperpetua, em controle de massa livremente flutante de capital sem dono — de modo muito parecido com a gerência burocrática da antiga URSS. Assim, a gerência superior, como os gerentes da fábrica socialista de Lange, está “dando uma de empresária” — fazendo jogos de azar com capital para o qual não contribui a partir de seus próprios esforços do passado, e não correndo o risco de prejuízos pessoais, tendo por outro lado a possibilidade de ganhar muito dinheiro se a aposta der certo.
Third, there is no politically neutral or immaculate metric, whether “double-entry bookkeeping” or aything else. The information processing functions of a hierarchy frequently impede the aggregation f dispersed knowledge—in the corporation as well as the state. The metrics of efficiency, profit and loss in the large corporation reinforce the interests of management. In the dominant Sloanist management accounting model, as described by William Waddell and Norman Bodek, labor is virtually the only direct, variable cost which management attempts to minimize. Administrative costs like management salaries, general overhead, inventory warehousing costs, etc., are treated as fixed, direct costs. Maximizing the ROI of each stage of production, by maximizing flow-through and minimizing direct labor hours, is virtually the only cost-cutting measure which is considered. Management salaries and other administrative costs, wasteful or irrational capital outlays, etc., don't count because, as overhead, they're incorporated (by the miracle of “overhead absorption”) into the transfer prices of finished goods which are “sold” to inventory. And under Sloanist accounting, inventory is a liquid asset which adds to the book value of the company—even if there are no orders for it and it winds up being marked down and sold at a loss, or even written off as unsellable. The practice amounts to “goosing the numbers by sweeping overhead under the rug and into inventory.”95
Terceiro, não existe métrica politicmente neutra ou imaculada, seja a “escrituração por partidas dobradas” ou o que mais seja. As funções de processamento de informação de uma hierarquia amiúde tolhem a agregação de conhecimento disperso — na corporação, tanto quanto no estado. A métrica de eficiência, lucro e prejuízo numa grande corporação reforça os interesses da gerência. No modelo dominante de contabilidade gerencial sloanista, como descrito por William Waddell e Norman Bodek, o trabalho é praticamente o único custo direto variável que a gerência tenta minimizar. Custos administrativos como salários da gerência, overhead geral, custos de armazenamento de estoque etc., são tratados como custos diretos fixos. Maximizar o retorno sobre o investimento - ROI de cada estágio da produção, mediante maximizar o fluxo e minimizar as horas diretas de trabalho é praticamente a única medida de corte de custos considerada. Salários da gerência e outros custos administrativos, desembolsos desperdiçadores ou irracionais de capital etc. não contam porque, como overhead, são incorporados (pelo milagre da “absorção de overhead”) aos preços de transferência de bens acabados que são “vendidos” ao estoque. E, na contabilidade sloanista, o estoque é um haver líquido que se acresce ao valor escriturado da empresa — mesmo que não haja encomendas dele e ele acabe tendo o preço baixado e sendo vendido com prejuízo, ou até baixado como de venda impossível. Essa prática equivale a “aumentar os números mediante varrer o overhead para baixo do tapete e para dentro do estoque.”95
So despite the fact that production workers' wages and benefits are typically ten percent or less of total unit costs, without fail you see the MBAs obsessively straining with a sieve to eliminate every spare second of direct labor—meanwhile gulping down overhead from administrative costs and capital-spending ratholes by the oceanful.96 The corporation's administrative costs and Rube Goldberg-style organization typically resemble those of the Ministry of Central Services in Brazil, and the allocation of investments in physical plant and equipment typically resemble the uneven development of a centrally planned economy.
Assim, a despeito do fato de os salários e benefícios dos trabalhadores de produção representarem normalmente dez por cento ou menos do custo unitário total, sistematicamente vemos mestres em administração de empresas - MBA obsessivamente manejando a peneira para eliminar todo segundo livre de trabalho direto — enquanto deixam passar batido overhead oriundo de custos administrativos e buracos de ratazanas de gastos de capital em quantidade oceânica.96 Os custos administrativos da corporação e a organização de estilo Rube Goldberg tipicamente parecem-se com aqueles do Ministério de Serviços Centrais de Brazil, e a alocação de investimentos em fábricas e equipamentos físicos tipicamente assemelham-se ao desenvolvimento irregular de uma economia centralizadamente planificada.
The irrational capital investments in the large corporation resemble Mises' predictions for planning under state socialism—i. e., it “would involve operations the value of which could neither be predicted beforehand nor ascertained after they had taken place.”97 As Richard Ericson said of the communist regimes, the corporation can achieve great feats of engineering without regard to cost.
Os investimentos irracionais de capital na grande corporação guardam semelhança com as predições de Mises relativas ao planejamento sob o socialismo de estado — isto é, “envolveriam operações o mérito das quais não poderia nem ser previsto antecipadamente nem ser aferido depois de terem ocorrido.”97 Como Richard Ericson disse dos regimes comunistas, a corporação tem como realizar grandes feitos de engenharia sem considerar o custo.
When the system pursues a few priority objectives, regardless of sacrifices or losses in lower priority areas, those ultimately responsible cannot know whether the success was worth achieving.98
Quando o sistema persegue um poucos objetivos prioritários, independentemente dos sacrifícios ou prejuízos em áreas de menor prioridade, os responsáveis últimos não têm como saber se alcançar o sucesso valeu a pena.98
I regularly see examples of this in the hospital where I work. Money is poured into multi-million dollar expansions of the Emergency Room, and remodelings of entire floors that radically alter the layouts—limited only by the presence of load-bearing walls—in ways that make them less functional. Management procures enormously expensive high-tech machinery like a Da Vinci surgical robot, and expands its range of expensive high-tech procedures like heart catheterization—all for the public prestige value—while cutting nursing staff and turning the patient care wards into squalid, understaffed shitholes and causing costs from falls and MRSA infections to go through the roof.
Vejo regularmente exemplos disso no hospital onde trabalho. O dinheiro é despejado em expansões multimilionárias da Sala de Emergência, e em reformas de andares inteiros que alteram radicalmente os leiautes — limitadas apenas pela presença de paredes mestras — de maneiras que os tornam menos funcionais. A gerência adquire maquinário enormemente dispendioso como o robô cirúrgico Da Vinci, e expande seu leque de procedimentos dispendiosos de alta tecnologia tais como cateterismo cardíaco — tudo em busca de valor de prestígio público — enquanto faz cortes na equipe de enfermagem e transforma as alas de cuidados aos pacientes em pocilgas infectas e com falta de pessoal de atendimento, levando os custos decorrentes de quedas e de estafilococos áureos resistentes à meticilina para as alturas.
In short, the internal allocation of capital in the large corporation follows a pattern very much like Hayek's description of the state socialist planned economy:
Em suma, a alocação interna de capital na grande corporação segue um padrão muito parecido com a descrição de Hayek da economia planificada do socialismo de estado:
There is no reason to expect that production would stop, or that the authorities would find difficulty in using
all the available resources somehow, or even that output would be permanently lower than it had been before planning started.... [We should expect] the excessive development of some lines of production at the expense of others and the use of methods which are inappropriate under the circumstances. We should expect to find overdevelopment of some industries at a cost which was not justified by the importance of their increased output and see unchecked the ambition of the engineer to apply the latest development elsewhere, without considering whether they were economically suited in the situation. In many cases the use of the latest methods of production, which could not have been applied without central planning, would then be a symptom of a misuse of resources rather than a proof of success.
Não há motivo para esperar que a produção pare, ou que as autoridades tenham dificuldade em usar os recursos disponíveis de alguma forma, ou mesmo que a produção seja permanentemente menor do que era antes do início da planificação.... [Devemos esperar] é o desenvolvimento excessivo de algumas linhas de produção a expensas de outras e o uso de métodos inadequados consideradas as circunstâncias. Devemos esperar encontrar superdesenvolvimento de algumas indústrias a um custo não justificável pela importânica do aumento de sua produção e ver incontida a ambição do engenheiro de aplicar os mais recentes progressos alhures, sem considerar se economicamente adequados face à situação. Em muitos casos o uso dos métodos mais recentes de produção, que não poderiam ter sido aplicados sem planejamento centralizado, seria então sintoma de mau uso do recursos em vez de prova de sucesso.
One example he cites—“the excellence, from a technological point of view, of some parts of the Russian industrial equipment, which often strikes the casual observer and which is commonly regarded as evidence of success”—is directly comparable to the above-mentioned Da Vinci robot.99
Um exemplo que ele cita — “a excelência, do ponto de vista tecnológico, de algumas partes do equipamento industrial russo, que amiúde impressiona o observador superficial e é comumente vista como evidência de sucesso” — é diretamente comparável ao acima mencionado robô Da Vinci.99
The problem Hayek describes is complicated by the fact that “output” itself is a meaningless metric under these circumstances. With Sloanist “overhead absorption” as with Soviet central planning, the system of internal transfer pricing based on the consumption of inputs, and the passing on of costs to the consumer via cost-plus markup, mean that any consumption of inputs that can be incorporated into the “price” of finished goods—as such—is an output.
O problema que Hayek descreve é complicado pelo fato de a própria “produção” ser uma métrica sem sentido nessas circunstâncias. Na “absorção de overhead” sloanista, do mesmo modo que no planejamento centralizado soviético, o sistema de preços de transferência internos baseado no consumo de insumos, e o repasse de custos para o consumidor via margem acrescida ao custo, significa que qualquer consumo de insumos que possa ser incorporado ao “preço” dos bens acabados — na acepção da palavra — é produção.
The dominant players in an oligopoly market can get away with all these forms of irrationality—the suppression of newer, more efficient technologies, deskilling their workforce and substituting techne for mētis, because the big boys share the same organizational culture.
Os atores dominantes de um mercado oligopolizado podem ficar impunes em relação a todas essas formas de irracionalidade — a supressão de tecnologias mais novas e eficientes, a desqualificação da força de trabalho e a substituição de mētis por techne porque os grandões compartilham da mesma cultura organizacional.
The Art of Not Being Governed: State Spaces and Nonstate Spaces.
A Arte de Não Ser Governado: Espaços Estatais e Não Estatais.
What Scott calls “state spaces and nonstate spaces” are the central theme of The Art of Not Being Governed. State spaces, Scott wrote in Seeing Like a State, are geographical regions with high-density population and high-density grain agriculture, “producing a surplus of grain... and labor which was relatively easily appropriated by the state.” The conditions of nonstate spaces were just the reverse, “thereby severely limiting the possibilities for reliable state appropriation.”100
O que Scott chama de “espaços estatais e espaços não estatais” é o tema central de A Arte de Não Ser Governado. Os espaços estatais, escreveu Scott em Vendo Como um Estado, são regiões geográficas com população de alta densidade e agricultura de grãos de alta densidade, “produzindo um excedente de grãos... e de trabalho de apropriação relativamente fácil pelo estado.” As condições dos espaços não estatais eram exatamente o inverso, “daí limitando severamente as possibilidade de apropriação fidedigna pelo estado.”100
This might have served as the topic sentence for his next book, The Art of Not Being Governed. In fact, according to Scott,101 Seeing Like a State was actually an offshoot of the research that eventually led to The Art of Not Being Governed. His original line of inquiry was “to understand why the state has always seemed to be the enemy of 'people who move around'....” In his studies of “the perennial tensions between mobile, slash-and-burn hill peoples on one hand and wet-rice, valley kingdoms on the other,” along with assorted nomads and runaway slaves, Scott was diverted into a study of legibility as a motive for state policies of sedentarization. Having developed that topic, he came back to his original focus in The Art of Not Being Governed.
Essa poderia ter servido como a sentença resumidora de seu livro seguinte, A Arte de Não Ser Governado. Na verdade, de acordo com Scott,101 Vendo Como um Estado foi em realidade uma ramificação da pesquisa que por fim levou a A Arte de Não Ser Governado. A linha original de investigação dele era “compreender por que o estado sempre pareceu ser inimigo das 'pessoas que se locomovem'....” Em seus estudo das “perenes tensões entre, de um lado, povos móveis das colinas, de agricultura de corte e queimada, de um lado, e reinos dos vales encharcados produtores de arroz, de outro,” juntamente com diferentes tipos de nômades e de escravos foragidos, Scott foi desviado para um estudo da legibilidade como motivo das políticas estatais de sedentarização. Havendo desenvolvido esse tópico, voltou a seu foco original em A Arte de Não Ser Governado.
In the latter book, Scott surveys the populations of “Zomia,” the highland areas spanning the countries of Southeast Asia, which are largely outside the reach of the governments there. He suggests areas of commonality between the Zomians and people in nonstate areas around the world, upland and frontier people like the Cossacks, Highlanders and “hillbillies,” nomadic peoples like the Gypsies and Tinkers, and runaway slave communities in inaccessible marsh regions of the American South.
Nesse livro posterior, Scott vistoria as populações de “Zomia,” as áreas altas que se estendem pelos países do Sudeste Asiático, as quais se situam, em grande parte, fora do alcance dos governos da região. Ele sugere pontos em comum entre os zomianos e pessoas em áreas não estatais em todo o mundo, povos de terras altas e de fronteira como os cossacos, habitantes das terras altas escocesas e “caipiras” estadunidenses, povos nômades tais como ciganos e itinerantes escoceses/irlandeses, e comunidades de escravos foragidos em regiões pantanosas inacessíveis do sul dos Estados Unidos.
States attempt to maximize the appropriability of crops and labor, designing state space so as “to guarantee the ruler a substantial and reliable surplus of manpower and grain at least cost...” This is achieved by geographical concentration of the population and the use of concentrated, high-value forms of cultivation, in order to minimize the cost of governing the area as well as the transaction costs of appropriating labor and produce.102 State spaces tend to encompass large “core areas” of highly concentrated grain production “within a few days' march from the court center,” not necessarily contiguous with the center but at least “relatively accessible to officials and soldiers from the center via trade routes or navigable waterways.”103 Governable areas are mainly areas of high-density agricultural
production linked either by flat terrain or watercourses.104
Os estados tentam maximizar a apropriabilidade de colheitas e de trabalho delimitando o espaço estatal de maneira a “garantir, para o governante, excedente substancial e fidedigno de mão de obra e de grãos a custo o mais baixo possível...” Isso é conseguido por meio de concentração geográfica da população e uso de formas concentradas, de alto valor, de cultivo, a fim de serem minimizados o custo de governar a área e bem assim os custos de transação de apropriação de trabalho e de produtos da terra.102 Os espaços estatais tendem a abranger grandes “áreas-cernes” de grande produção concentrada de grãos “a poucos dias de marcha a partir do centro da corte,” não necessariamente contíguas ao centro mas pelo menos “relativamente acessíveis a autoridades e soldados oriundos do centro via estradas ou águas navegáveis.”103 As áreas governáveis são principalmente áreas de produção agrícola de alta densidade ligadas ou por terreno plano ou por cursos de água.104
The nonstate space is a direct inversion of the state space: it is “state repelling,” i.e. “it represents an agro-ecological setting singularly unfavorable to manpower- and grain-amassing strategies of states. States “will hesitate to incorporate such areas, inasmuch as the return, in manpower and grain, is likely to be less than the administrative and military costs of appropriating it.”105
O espaço não estatal é inversão direta do espaço estatal: “repele o estado,” isto é, “representa um cenário agroecológico singularmente desfavorável às estratégias amealhadoras de mão de obra e de grãos dos estados. Os estados “hesitarão em incorporar tais áreas, visto que o retorno, em mão de obra e grãos, provavelmente será menor do que os custos administrativos e militares de apropriação.”105
The greater the dispersal of the crops, the more difficult they are to collect, in the same way that a dispersed population is more difficult to grab. To the degree that such crops are part of the swiddener's portfolio, to that degree will they prove fiscally sterile to states and raiders and be deemed “not worth the trouble” or, in other words, a nonstate space.106
Quanto maior a dispersão das plantações, mais difícil é coletar sua produção, do mesmo modo que uma população dispersa é mais difícil de sequestrar. Na medida em que tais plantações sejam parte do portfólio de um produtor usuário da técnica de corte e queimada, nesse grau revelar-se-ão fiscalmente estéreis para estados e predadores e julgadas “não pagar a pena” ou, em outras palavras, constituirão espaço não estatal.106
Nonstate spaces benefit from various forms of “friction” that increase the transaction costs of appropriating labor and output, and of extending the reach of the state's enforcement arm into such regions. These forms of friction include the friction of distance107 (which amounts to a distance tax on centralized control), the friction of terrain or altitude, and the friction of seasonal weather.108 In regard to the latter, for example, the local population might “wait for the rains, when supply lines broke down (or were easier to cut) and the garrison was faced with starvation or retreat.”109
Os espaços não estatais beneficiam-se de diversas formas de “fricção/atrito” que aumentam os custos de transação de apropriação do trabalho e da produção, e da extensão do alcance do braço impositor do estado até tais regiões. Essas formas de fricção incluem a fricção da distância107 (equivalente a um tributo incidente sobre a distância para o controle centralizado), a fricção do terreno ou da altitude, e a fricção do tempo sazonal.108 No tocante a essa última, por exemplo, a população local poderá “esperar pelas chuvas, quando as linhas de suprimento se rompem (ou são mais fáceis de ser rompidas) e a guarnição terá de optar entre morrer de fome ou retirar-se.”109
In Zomia, as Scott describes it:
Em Zomia, como Scott descreve:
Virtually everything about these people's livelihoods, social organization, ideologies, ...can be read as strategic positionings designed to keep the state at arm's length. Their physical dispersion in rugged terrain, their mobility, their cropping practices, their kinship structure, their pliable ethnic identities, and their devotion to prophetic, millenarian leaders effectively serve to avoid incorporation into states and to prevent states from springing up among them.110
Praticamente tudo concernente ao meio de vida, organização social e ideologias dessas pessoas ...pode ser visto como posicionamentos estratégicos projetados para manter o estado à distância. A dispersão física delas em terreno acidentado, a mobilidade delas, suas práticas agrícolas, sua estrutura de relacionamento familiar, suas identidades étnicas maleáveis e sua devoção a líderes proféticos, de índole milenária, servem, com efeito, para impedir a incorporação em estados e para impedir que estados se lancem sobre elas.110
In order to avoid taxes, draft labor and conscription, they practiced “escape agriculture: forms of cultivation designed to thwart state appropriation.” Their social structure, likewise, “was designed to aid dispersal and autonomy and to ward off political subordination.”111
Para evitar tributos, trabalho recrutado e conscrição, praticavam a “agricultura de escape: formas de cultivo concebidas para impedir apropriação pelo estado.” Analogamente, sua estrutura social “estava projetada para facilitar dispersão e autonomia e para proteger contra subordinação política.”111
I suggest that the concepts of “state space” and “nonstate space,” if removed from Scott's immediate spatial context and applied by way of analogy to spheres of social and economic life that are more or less amenable to state control, can be useful for us in the kinds of developed Western societies where to all appearances there are no geographical spaces beyond the control of the state.
Sugiro que os conceitos de “espaço estatal” e “espaço não estatal,” se removidos do contexto espacial imediato de Scott e aplicados, por analogia, a esferas da vida social e econômica mais ou menos dúcteis para efeito de controle estatal, podem ser úteis para nós nos tipos de sociedades ocidentais onde, de toda aparência, não existem espaços geográficos situados além do controle do estado.
State spaces in our economy are sectors which are closely allied to and legible to the state. Nonstate spaces are those which are hard to monitor and where regulations are hard to enforce. State spaces, especially, are associated with legible forms of production. In the Western economies, the economic sectors most legible to and closely allied to the state are those dominated by large corporations in oligopoly markets.
Os espaços estatais em nossa economia são setores estreitamente aliados do e legíveis pelo estado. Os espaços não estatais são aqueles difíceis de monitorar e onde as regulamentações são difíceis de ser feitas cumprir. Os espaços estatais, especificamente, estão associados a formas legíveis de produção. Nas economias ocidentais, os setores econômicos mais legíveis pelo e mais estreitamente aliados do estado são aqueles dominados pelas largas corporações nos mercados oligopolizados.
In general, the state has a strong affinity for large-scale, centrally organized forms of production. In the case of agriculture, Scott writes:
De modo geral o estado guarda forte afinidade com formas de produção organizadas centralizadamente. No caso da agricultura, escreve Scott:
In agriculture, as in manufacturing, the mere efficiency of a form of production is not sufficient to ensure the appropriation of taxes or profits. Independent smallholder agriculture may, as we have noted, be the most efficient way to grow many crops. But such forms of agriculture, although they may present possibilities for taxation and profit when their products are bulked, processed, and sold, are relatively illegible and hard to control. As is the case with autonomous artisans and petit-bourgeois shopkeepers, monitoring the commercial fortunes of small-fry farms is an administrative nightmare. The possibilities for evasion and resistance are numerous, and the cost of procuring accurate, annual data is high, if not prohibitive.
Na agricultura, como na indústria, a mera eficiência de uma forma de produção não é suficiente para assegurar a apropriação de tributos e lucros. A agricultura do pequeno proprietário independente pode, como já observamos, ser a forma mais eficiente de cultivar muitas lavouras. Tais formas de agricultura, porém, embora possam apresentar possibilidades de tributação e lucro quando seus produtos são ajuntados, processados e vendidos, são relativamente ilegíveis e difíceis de controlar. Como no caso de artífices autônomos e lojistas pequeno-burgueses, o monitoramento das fortunas comerciais de pequenas propriedades rurais é um pesadelo administrativo. As possibilidades para evasão e resistência são numerosas, e o custo de obtenção de dados anuais precisos é alto, se não proibitivo.
A state mainly concerned with appropriation and control will find sedentary agriculture preferable to
pastoralism or shifting agriculture. For the same reasons, such a state would generally prefer largeholding to
smallholding and, in turn, plantation or collective agriculture to both.... Although collectivization and plantation agriculture are seldom very efficient, they represent... the most legible and hence appropriable forms of agriculture.112
Um estado preocupado principalmente com apropriação e controle considerará a agricultura sedentária preferível ao pastorialismo ou à agricultura itinerante. Pelos mesmos motivos, tal estado geralmente preferirá a grande propriedade à pequena e, por seu turno, a plantação maciça ou a agricultura coletiva a ambas aquelas.... Embora a coletivização e a agricultura de plantio maciço raramente sejam muito eficientes, representam... as mais legíveis e pois apropriáveis formas de agricultura.112
The state has a similar affinity for the large corporate form in general, and not just in agriculture, according to Benjamin Darrington. If the large corporation depends for its survival on the state, the state—even aside from the fact that it is composed largely of representatives of the corporate ruling
class—has a rational interest in promoting the large corporation as the dominant economic form.
O estado guarda afinidade similar com a grande forma corporativa em geral, e não apenas em agricultura, de acordo com Benjamin Darrington. Se a grande corporação depender, para sua sobrevivência, do estado, este — mesmo à parte o fato de ser ele próprio em grande parte composto de representantes da classe corporativa dominante — tem interesse racional em promover a grande corporação como forma econômica dominante.
Large centrally organized firms facilitate the government’s task of maintaining its hegemonic position in society. The ability of the government to effectively regulate the economy depends on the existence of economic institutions with organizational structures that can be easily monitored and controlled. The regulation of a large number of small businesses requires greater duplication of effort to inspect financial records, ensure regulatory compliance, and collect taxes. Small organizations are harder to punish for not cooperating with the law because they have less total value to seize and the owners are more likely to fight the government since it is their money and business directly at stake, not to mention the fact that small business are looked upon more favorably by the general population than seemingly faceless and distant corporations. The equipment used by small enterprises does not lend itself to certification, regulation, and safety testing, and the labor employed does not lend itself to the effective enforcement of laws concerning things like labor negotiations, minimum wage, minimum age, professional licensing, racial and sexual quotas, citizenship requirements, maximum hours, etc. Informal and small scale economic relationships are almost beyond the range of government efforts to enforce its mandates and collect taxes. By making business an agent of policy the state also creates a useful scapegoat for diverting the ire of the public towards the iniquity and exploitation of existing economic relations and positions the state to act as “white knight” to protect the public and avenge the evils and excesses of “private enterprise.”113
Grandes firmas centralizadamente organizadas facilitam a tarefa do governo de manter sua posição hegemônica na sociedade. A capacidade do governo de regulamentar eficazmente a economia depende da existência de instituições econômicas com estruturas organizacionais que possam ser facilmente monitoradas e controladas. A regulamentação de grande número de pequenas empresas requer maior duplicação de esforços para fiscalizar registros financeiros, assegurar obediência às normas, e coletar tributos. É mais difícil punir pequenas organizações por não cooperarem com a lei porque elas têm menos valor total para ser confiscado e os proprietários mais provavelmente combaterão o governo visto ser deles o dinheiro e a empresa diretamente em jogo, para não mencionar o fato de as pequenas empresas gozarem de maior estima junto à população do que corporações aparentemente sem face e distantes. O equipamento usado pelas pequenas empresas não se presta facilmente a certificação, regulamentação e testes de segurança, e o trabalho empregado não favorece fiscalização/repressão eficaz no tocante a leis concernentes a coisas tais como negociações trabalhistas, salário mínimo, licenciamento profissional, quotas raciais e sexuais, exigências de cidadania, horas máximas de trabalho etc. Relações informais e econômicas de pequena escala situam-se quase além do âmbito dos esforços do governo para fazer cumprir seus éditos e para coletar tributos. Mediante tornar a empresa agente de política o estado também cria útil bode expiatório para desviar a ira do público voltada para a iniquidade e exploração das relações econômicas existentes e cria condições para o estado atuar como “cavaleiro do bem” protetor do público e vingador das perversidades e excessos da “empresa privada.”113
The same effects achieved through spatial distance and isolation and the high costs of physical transportation in Scott's Zomia can be achieved in our economy, without all the inconvenience, through expedients such as encryption and the use of darknets. Recent technological developments have drastically expanded the potential for non-spatial, non-territorially based versions of the nonstate spaces that Scott describes. People can remove themselves from state space by adopting technologies and methods of organization that make them illegible to the state, without any actual movement in space.
Os mesmos efeitos conseguidos por meio de distância e isolamento espaciais e os altos custos do transporte físico na Zomia de Scott podem ser logrados em nossa economia, sem toda a inconveniência, por meio de expedientes tais como criptografia e uso de darknets. Recentes progressos tecnológicos expandiram drasticamente o potencial para versões não espaciais, não territorialmente sediadas dos espaços não estatais que Scott descreve. As pessoas podem retirar-se do espaço estatal por meio da adoção de tecnologias e métodos de organização que as tornam ilegíveis para o estado, sem qualquer movimento real no espaço.
Such technologies and methods of organization include encrypted e-currencies like Ripple and Bitcoin as the medium of exchange in darknet economies, Daniel de Ugarte's “phyles” (distributed civil societies which provide networked platforms for supporting business enterprises, certification and reputational mechanisms, arbitration and adjudication services, insurance and legal services, etc.), and John Robb's “Economy as a Software Service.”114
Tais tecnologias e métodos de organização incluem moedas eletrônicas tais como Ripple e Bitcoin como meio de trocas em economias darknet, os “phyles” de Daniel de Ugarte (sociedades civis distribuídas que oferecem plataformas redeadas para apoio a empresas de negócios, mecanismos de certificação e reputacionais, serviços de arbitramento e adjudicação, serviços de seguros e jurídicos etc.), e a “Economia como Serviço de Software” de John Robb.114
In the realm of physical production, new micromanufacturing technologies offer unprecedented potential to evade enforcement of industrial patents and other similar state entry barriers. In the case traditional mass-production industry, the transaction costs of patent enforcement were lowered by a state of affairs in which a handful of oligopoly manufacturers in a cartelized industry produced a limited range of competing products (often further restriction product competition by pooling or exchanging patents among themselves), and marketed their limited product lines through a handful of national chain retailers. When $10,000 worth of homebrew CNC tools in a garage factory can produce output comparable to that of a million-dollar factory, in small batches distributed through neighborhood markets, the transaction costs of suppressing knockoffs will skyrocket—at the very same time the abundance economy is destroying the state's tax base for enforcement.
No domínio da produção física, novas tecnologias de microfabricação oferecem potencial sem precedentes para escape da imposição dle patentes industriais e outras barreiras estatais similares à entrada no mercado. No caso da indústria tradicional de produção em massa, os custos de transação de fiscalizar/reprimir no tocante a patentes foram diminuídos por um estado de coisas no qual um punhado de fabricantes oligopolistas de uma área cartelizada havia passado a produzir leque limitado de produtos competidores (amiúde restringindo ainda mais a competição entre os produtos mediante consórcio ou troca de patentes entre eles próprios), comercializando suas linhas limitadas de produtos por meio de um punhado de varejistas com cadeias nacionais. Quando o equivalente a $10.000 dólares de ferramentas de controle numérico por computador - CNC numa fábrica de garagem consegue produção comparável à de uma fábrica de um milhão de dólares, em pequenos lotes distribuídos por meio de mercados de bairro, os custos de transação de suprimir cópias piratas disparam — exatamente no mesmo momento em que a economia de abundância destrói a base tributária do estado usada para imposição/exação.
Other affordable technologies for small-scale household production, coupled with informal exchange via barter network, offer new potential for home-based, low-overhead microenterprises—e. g. home-based microbakeries using an ordinary kitchen oven, cab services using a family car, etc.—to evade local zoning, licensing, “health” and “safety” codes.
Outras tecnologias acessíveis a produção caseira de pequena escala, juntas com trocas informais via rede de escambo, oferecem novo potencial para microempresas sediadas em casa, de baixo overhead — por exemplo micropadarias caseiras usando forno comum de cozinha, serviços de táxi usando carro da família etc. — para evasão do zoneamento, licenciamento, códigos de “saúde” e de “segurança” locais.
The transaction costs of overcoming opacity and illegibility, and enforcing obedience in an atmosphere of non-compliance, function as a tax, making some “spaces” (i.e. sectors or areas of life) more costly to govern than they're worth. Scott argues that for a ruler, the relevant metric is not GDP but “State-Accessible Product” (SAP). The greater an area's distance from the center, the higher the concentration of value or value-to-weight ratio a unit of output must have to be worth appropriating and carrying off to the capital. The further from the center an area is, the larger the share of its economy will cost more than it's worth to exploit.115 It's somewhat analogous to the concept of EROEI in the field of energy; if the purpose of the state is to extract a surplus on behalf of a privileged class, the “governance tax” reduces the amount of surplus which is extracted per input of enforcement effort.
Os custos de transação de superar a opacidade e a ilegibilidade, e de impor obediência numa atmosfera de não obediência, funcionam como um tributo, tornando alguns “espaços” (isto é, setores ou áreas da vida) mais dispendiosos de governar do que valem. Scott argumenta que, para um governante, a métrica relevante não é o PIB, e sim o “Produto Acessível pelo Estado” (PAE). Quanto maior a distância de uma área em relação ao centro, maior terá de ser a concentração de valor ou a relação valor monetário/peso de uma unidade de produção para que a apropriação e o transporte para a capital valham a pena. Quanto mais longe do centro estiver uma área, maior será a parcela de sua economia que custará mais do que vale a pena explorar.115 É algo de certa forma análogo ao conceito de EROEI [energia retornada em relação a energia investida] na área de energia; se a intenção do estado é extrair um excedente em benefício de uma classe privilegiada, o “tributo de governança” reduz o montante do excedente extraído por insumo de esforço para fiscalizar/reprimir.
Anything that reduces the “EROEI” of the system, the size of the net surplus which the state is able to extract, will cause it to shrink to a smaller equilibrium scale of activity. The more costly enforcement is and the smaller the revenues the state (and its corporate allies, as in the case of enforcing digital copyright law or suppressing shanzhai knockoffs) can obtain per unit of enforcement effort, the hollower the state capitalist or corporatist system becomes and the more areas of life it retreats from as not worth the cost of governing.
Qualquer coisa que reduza a “EROEI” do sistema, o tamanho do excedente líquido que o estado consegue extrair, levá-lo-á a encolher-se para uma escala de equilíbrio de atividade menor. Quanto maior for o custo de fiscalizar/reprimir e menor a receita que o estado (e seus aliados corporativos, como no caso de fazer cumprir a lei de copyright digital ou reprimir a pirataria chinesa) possa obter por unidade de esforço de fiscalizar/reprimir, mais vazio tornar-se-á o sistema capitalista de estado ou corporatista e de mais áreas da vida ele se retirará, considerando-as não valerem o custo de governar.
Our strategy, in attacking the state's enforcement capabilities as the weak link of state capitalism, should be to create metaphoric nonstate spaces like darknets, as well as forms of physical production which are so small-scale and dispersed as to present serious surveillance and enforcement costs, and thereby to shift the correlation of forces between nonstate and state “spaces.”
Nossa estratégia, ao atacarmos a capacidade de fiscalizar/reprimir do estado como ponto fraco do capitalismo de estado, deve ser criar espaços não estatais metafóricos tais como as darknets, bem como formas de produção física de escala pequena demais e demasiado dispersas para valerem custos de fiscalização e repressão sérios, desse modo alterando a correlação de forças entre “espaços” não estatais e estatais.
From our standpoint, technologies of liberation reduce the cost and inconvenience of evasion. In Scott's work, for people in state spaces the more labor they have sunk into their fields over generations, the more reluctant they are to leave in order to escape the state's taxation.116 In Zomia, “not being governed” frequently entailed adopting “subsistence strategies aimed to escape detection and maximize their physical mobility should they be forced to flee again at a moment's notice.” This could involve a real sacrifice in quality of life, in terms of the categories of goods which could not be produced, the categories of food that were unavailable, etc.117 Historically, when not being governed required spatial distance and inaccessibility, creating a nonstate space meant a choice of technologies of living based on the need to be less legible. In many cases this translated into “abandoning fixed cultivation to take up shifting agriculture and foraging,” the deliberate choice of a more “primitive” lifestyle for the sake of autonomy, and the conscious choice of less productive methods of cultivation and a smaller surplus.118
De nosso ponto de vista, as tecnologias de libertação reduzem o custo e a inconveniência da evasão. Na obra de Scott, para as pessoas que vivem em espaços estatais, quanto mais trabalho elas tiverem enterrado em seus campos ao longo de gerações, mais relutantes estarão em sair a fim de escapar da tributação do estado.116 Em Zomia, “não ser governado” frequentemente envolvia adotar “estratégias de subsistência voltadas para escapar de detecção e maximizar a mobilidade física para o caso de ser forçado a fugir de novo de um momento para o outro.” Isso podia envolver real sacrifício em qualidade de vida, em termos das categorias de bens que não poderiam ser produzidos, das categorias de alimentos que se tornariam indisponíveis, etc.117 Historicamente, quando não ser governado requeria distância espacial e inacessibilidade, criar um espaço não estatal significava uma escolha de tecnologias de vida baseada na necessidade de ser menos legível. Em muitos casos isso se traduzia em “abandonar cultivo fixo para adotar agricultura itinerante e cata de comida,” a escolha deliberada de estilo de vida mais “primitivo” para efeito de autonomia, e a escolha consciente de métodos de cultivo menos produtivos e de excedente menor.118
To put this in Western economic terms, liberatory technologies now offer the potential to eliminate the necessity for this tradeoff between autonomy and standard of living. We want to render ourselves as ungovernable as the people of Zomia, without the inconvenience of living in the mountains and swamps or living mostly on root crops. The more areas of economic life that are rendered illegible to the state through liberatory technology, the less the differential in standard of living between state and nonstate areas.
Para dizê-lo em termos ocidentais, as tecnologias libertadoras agora oferecem o potencial para eliminação da necessidade desse compromisso entre autonomia e padrão de vida. Desejamos tornar-nos tão ingovernáveis quanto o povo de Zomia, sem a inconveniência de viver nas montanhas e charcos ou de viver em grande parte comendo raízes. Quanto mais áreas da vida econômica forem tornadas ilegíveis para o estado por meio de tecnologia de libertação, menor o diferencial de padrão de vida entre áreas estatais e não estatais.
Scott names mobility as his “second principle of evasion.” Mobility, “the ability to change location,” renders a society inaccessible through the ability to “shift to a more remote and advantageous site.” It is “a relatively frictionless ability to shift location....”119 In terms of our analogous nonspatial “nonstate spaces” in Western societies, this is mirrored by the agility, resilience and flexibility of
networks.
Scott nomeia a mobilidade como seu “segundo princípio de evasão.” Mobilidade, “a capacidade de mudar de localização,” torna uma sociedade inacessível por meio do expediente de “mudar para local mais remoto e vantajoso.” É “uma capacidade relativamente não atritiva de mudar de lugar....”119 Em termos de nossos análogos “espaços não estatais” não espaciais nas sociedades ocidentais, isso se reflete na agilidade, resiliência e flexibilidade das redes.
Unlike the corporation and state, which require the laborious processing of information and proposals through a bureaucratic hierarchy, network organization facilitates the near-instantaneous adoption of new information and technique wherever it is useful. Networks eliminate the administrative and other transaction costs involved in getting ideas to those who can benefit from them.
Diferentemente da corporação e do estado, que requerem laborioso processamento de informação e de propostas através de uma hierarquia burocrática, a organização em rede facilita a adoção quase instantânea de novas informações e técnicas onde for útil. As redes eliminam os custos administrativos e outros custos de transação envolvidos em levar ideias àqueles que possam beneficiar-se delas.
Many open-source thinkers, going back to Eric Raymond in The Cathedral and the Bazaar, have pointed out the nature of open-source methods and network organization as force-multipliers.120 Open-source design communities pick up the innovations of individual members and quickly distribute them wherever they are needed, with maximum economy. This is a feature of the stigmergic organization that we considered earlier.
Muitos pensadores do código aberto, remontando a Eric Raymond em A Catedral e o Bazar, já assinalaram a natureza dos métodos de código aberto e de organização em rede como multiplicadores de força.120 As comunidades de projeto de código aberto tomam as inovações dos membros individuais e rapidamente as distribuem para onde forem necessárias, com o máximo de economia. Essa é uma característica da organização stigmérgica que consideramos anteriormente.
This principle is at work in the file-sharing movement, as described by Cory Doctorow. Individual innovations immediately become part of the common pool of intelligence, universally available to all.
Esse princípio está em ação no movimento do compartilhamento de arquivos, como descrito por Cory Doctorow. Inovações individuais tornam-se imediatamente parte do repositório comum de inteligência, universalmente disponíveis para todos.
Raise your hand if you're thinking something like, “But DRM doesn't have to be proof against smart attackers, only average individuals!...”
Levante sua mão se você estiver pensando em algo como, “Mas a gestão de direitos digitais - GDD não tem de ser prova contra atacantes geniais, só contra indivíduos médios!...”
...I don't have to be a cracker to break your DRM. I only need to know how to search Google, or Kazaa, or any of the other general-purpose search tools for the cleartext that someone smarter than me has extracted.121
... Não tenho de ser um cracker para vazar sua GDD. Só preciso saber como pesquisar no Google, ou Kazaa, ou qualquer outra máquina de pesquisa de propósito geral em busca do código descriptografado que alguém mais talentoso do que eu já extraiu.121
It used to be that copy-prevention companies' strategies went like this: “We'll make it easier to buy a copy of this data than to make an unauthorized copy of it. That way, only the uber-nerds and the cashpoor/time rich classes will bother to copy instead of buy.” But every time a PC is connected to the Internet and its owner is taught to use search tools like Google (or The Pirate Bay), a third option appears: you can just download a copy from the Internet.....122
No passado, as estratégias das empresas para impedimento de cópias eram do tipo: “Tornaremos mais fácil comprar uma cópia destes dados do que fazer uma cópia não autorizada deles. Desse modo, apenas as classes de uber-sabichões e de pobres de dinheiro/ricos de tempo se darão ao trabalho de copiar em vez de comprar.” Toda vez, porém, que um PC é conectado à Internet e seu dono aprende a usar ferramentas de pesquisa como Google (ou Baía dos Piratas), surge uma terceira opção: basta baixar uma cópia da Internet.....122
Bruce Schneier describes it as automation lowering the marginal cost of sharing innovations.
Bruce Schneier descreve isso como a automação reduzindo o custo marginal de compartilhar inovações.
Automation also allows class breaks to propagate quickly because less expertise is required. The first attacker is the smart one; everyone else can blindly follow his instructions. Take cable TV fraud as an example. None of the cable TV companies would care much if someone built a cable receiver in his basement and illicitly watched cable television. Building that device requires time, skill, and some money. Few people could do it. Even if someone built a few and sold them, it wouldn't have much impact.
A automação também permite que classes novas de ataques se propaguem rapidamente, por ser requerida menos especialização. O primeiro atacante é o especialista; todo mundo mais pode seguir cegamente as instruções dele. Tomemos como exemplo a fraude da TV por cabo. Nenhuma das empresas de TV por cabo se importará muito se alguém construir um receptor de cabo em seu porão e assistir televisão por cabo ilicitamente. Construir tal dispositivo requer tempo, perícia e algum dinheiro. Mesmo se alguém construir uns poucos e os vender, isso não terá muito impacto.
But what if that person figured out a class break against cable television? And what if the class break required someone to push some buttons on a cable box in a certain sequence to get free cable TV? If that person published those instructions on the Internet, it could increase the number of nonpaying customers by millions and significantly affect the company's profitability.123
E se, porém, essa pessoa conceber uma nova forma de ataque à televisão por cabo? E se o novo tipo de ataque exigir que alguém pressione alguns botões numa caixa de conversão de cabo em certa sequência para obter televisão por cabo de graça? Se essa pessoa publicar essas instruções na Internet, poderá aumentar o número de clientes não pagantes em milhões e afetar de maneira significativa a lucratividade da empresa.123
Open-source insurgencies or fourth generation warfare organizations, as described by John Robb, are quickly adaptable because any individual contribution, or any information adopted by a single cell (e.g. an improved IED design or placement strategy developed by a cell in Al Qaeda Iraq), quickly becomes available to the entire network without any administrative intermediation.
As insurgências de código aberto, ou organizações de guerra de quarta geração, tais como descritas por John Robb, são rapidamente adaptáveis porque qualquer contribuição individual, ou qualquer informação adotada por uma única célula (por exemplo um projeto melhorado de dispositivo explosivo improvisado - IED ou de estratégia para sua colocação desenvolvida por uma célula da Al Qaeda Iraque) rapidamente se torna disponível para a rede inteira sem qualquer intermediação administrativa.
The decentralized, and seemingly chaotic guerrilla war in Iraq demonstrates a pattern that will likely serve as a model for next generation terrorists. This pattern shows a level of learning, activity, and success similar to what we see in the open source software community. I call this pattern the bazaar. The bazaar solves the problem: how do small, potentially antagonistic networks combine to conduct war? Lessons from Eric Raymond's "The Cathedral and the Bazaar" provides a starting point for further analysis. Here are the factors that apply (from the perspective of the guerrillas):
A descentralizada, e aparentemente caótica guerra de guerrilha no Iraque põe à mostra um padrão que provavelmente servirá como modelo para os terroristas da próxima geração. Esse padrão revela um nível de aprendizado, atividade e sucesso similar ao que vemos na comunidade de software de código aberto. Chamo esse padrão de o bazar. O bazar resolve o seguinte problema: como redes pequenas, potencialmente antagônicas, podem conjugar-se para conduzir a guerra? Lições do livro de Eric Raymond "A Catedral e o Bazar" oferecem um ponto de partida para análise ulterior. Eis aqui alguns fatores que se aplicam (da perspectiva dos guerrilheiros):
* Release early and often. Try new forms of attacks against different types of targets early and often. Don’t wait for a perfect plan.
* Libere logo e frequentemente. Tente novas formas de ataque contra diferentes tipos de alvos logo e frequentemente. Não espere até conseguir um plano perfeito.
* Given a large enough pool of co-developers, any difficult problem will be seen as obvious by someone, and solved. Eventually some participant of the bazaar will find a way to disrupt a particularly difficult target. All you need to do is copy the process they used.
* Dado um grupo suficientemente grande de codesenvolvedores, qualquer problema difícil será visto como óbvio por alguém. No final algum participante do bazar descobrirá um jeito de subverter algum alvo particularmente difícil. Tudo o que você precisará fazer será copiar o processo que ele usou.
* Your co-developers (beta-testers) are your most valuable resource. The other guerrilla networks in the bazaar are your most valuable allies. They will innovate on your plans, swarm on weaknesses you identify, and protect you by creating system noise.124
* Seus codesenvolvedores (testadores beta) são seu recurso mais valioso. As outras redes de guerrilheiros do bazar são seus aliados mais valiosos. Eles acrescentarão inovações a seus planos, pulularão em volta dos pontos fracos que você identificar e protegerão você criando ruído de sistema.124
The rapid innovation in Improvised Explosive Devices (IEDs) achieved by open-source warfare networks in Iraq and Afghanistan is a case in point.125 Any innovation developed by a particular cell of Al Qaeda Iraq, if successful, is quickly adopted by the entire network.
A rápida inovação em Dispositivos Explosivos Improvisados (IED) conseguida por redes de guerra de código aberto no Iraque e no Afeganistão é um caso ilustrativo.125 Qualquer inovação desenvolvida por uma célula específica da Al Qaeda do Iraque, se bem-sucedida, é rapidamente adotada pela rede inteira.
In the file-sharing movement, it's not enough that DRM be sufficiently hard to circumvent to deter the average user. The cracks developed by geeks for circumventing DRM quickly becomes part of the common pool of resources. CDs and DVDs which are cracked by a geek today are freely available on a torrent site for download tomorrow by any average user who can use Google.
No movimento de compartilhamento de arquivos, não é bastante que a gestão de direitos digitais - DDD seja suficientemente difícil de burlar para dissuadir o usuário médio. As fendas [cracks] desenvolvidas por aficcionados em computador [geeks] para burlar a GDD tornam-se rapidamente parte do repositório comum de recursos. CDs e DVDs craqueados por um geek hoje ficam disponíveis de graça num site torrent para download amanhã por qualquer usuário médio que saiba como usar o Google.
Consider this practical example of the agility and responsiveness of the Bazaar in operation, from Thomas Knapp:
Considerem este exemplo prático da agilidade e responsividade do Bazar em funcionamento, de Thomas Knapp:
During the G-20 summit in the Pittsburgh area last week, police arrested two activists. These particular activists weren’t breaking windows. They weren’t setting cars on fire. They weren’t even parading around brandishing giant puppets and chanting anti-capitalist slogans.
Durante a reunião de cúpula do G-20 na área de Pittsburgh, na semana passada, a polícia deteve dois ativistas. Esses ativistas, especificamente, não estavam quebrando vitrines. Não estavam incendiando carros. Não estavam sequer desfilando balançando bonecos gigantes e entoando slogans anticapitalistas.
In fact, they were in a hotel room in Kennedy, Pennsylvania, miles away from “unsanctioned” protests in Lawrenceville … listening to the radio and availing themselves of the hotel’s Wi-Fi connection. Now they stand accused of “hindering apprehension, criminal use of a communication facility and possessing instruments of crime.”
Na verdade, estavam num num quarto de hotel em Kennedy, Pennsylvania, a milhas de distância dos protestos “não sancionados” em Lawrenceville … ouvindo rádio e aproveitando-se da conexão sem fio Wi-Fi do hotel. Agora estão sendo acusados de “dificultar detenção de outras pessoas, uso criminoso de recurso de comunicação e posse de instrumentos de crime.”
The radio they were listening to was (allegedly) a police scanner. They were (allegedly) using their Internet access to broadcast bulletins about police movements in Lawrenceville to activists at the protests, using Twitter....
A rádio que eles estavam ouvindo era (alegadamente) um escaneador da polícia. Estavam (alegadamente) usando seu acesso à Internet para divulgar boletins acerca dos movimentos da polícia em Lawrenceville para ativistas que participavam dos protestos, usando o Twitter....
Government as we know it is engaged in a battle for its very survival, and that battle, as I’ve mentioned before, looks in key respects a lot like the Recording Industry Association of America’s fight with peer-to-peer “file-sharing” networks. The RIAA can — and is — cracking down as hard as it can, in every way it can think of, but it is losing the fight and there’s simply no plausible scenario under which it can expect to emerge victorious. The recording industry as we know it will change its business model, or it will go under.
O governo, tal como o conhecemos, está engajado numa batalha por sua própria sobrevivência, e essa batalha, como já mencionei, parece-se muito, em aspectos fundamentais, com a luta da Associação da Indústria de Gravação dos Estados Unidos - RIAA contra as redes ponto-a-ponto [entre pares, par-a-par] de “compartilhamento de arquivos”. A RIAA pode exercer — e está exercendo — a repressão mais dura de que é capaz, de todas as maneiras que consegue conceber, mas está perdendo a luta e simplesmente não há cenário plausível no qual possa esperar terminar vitoriosa. A indústria da gravação, como a conhecemos, ou mudará seu modelo de negócios ou será extinta.
The Pittsburgh Two are wonderfully analogous to the P2P folks. Their arrest boils down, for all intents and purposes, to a public debugging session. Pittsburgh Two 2.0 will set their monitoring stations further from the action (across jurisdictional lines), use a relay system to get the information to those stations in a timely manner, then retransmit that information using offshore and anonymizing proxies. The cops won’t get within 50 miles of finding Pittsburgh Two 2.0, and anything they do to counter its efficacy will be countered in subsequent versions.126
Os Dois de Pittsburgh são esplendidamente análogos ao pessoal da P2P. A detenção deles acaba equivalendo, para todos os intentos e propósitos, a uma sessão pública de depuração de programa. Os Dois de Pittsburgh 2.0 montarão suas estações de monitoramento mais longe do local da ação (atravessando linhas jurisdicionais), usarão um sistema de relés para trazer a informação a tais estações de maneira tempestiva, e depois retransmitirão essa informação usando servidores proxies ['procuradores'] estrangeiros anonimizadores. Os policiais não chegarão sequer a 50 milhas dos Dois de Pittsburgh 2.0, e o que fizerem para contrapor-se à eficácia deles será por sua vez anulado em versões seguintes.126
Two other fairly recent examples are the use of Twitter in Maricopa County to alert the Latino community to raids by Sherrif Joe Arpaio, and to alert drivers to sobriety checkpoints.127
Dois outros exemplos relativamente recentes são o uso do Twitter no Condado de Maricopa para alertar a comunidade latina de incursões do Xerife Joe Arpaio e para alertar motoristas acerca de barreiras montadas para controle do cumprimento da lei seca.127
Robb uses the term “individual superempowerment” to describe the radical shift in the balance of capabilities between one and a few individuals, and traditional large hierarchical organizations. The
desktop revolution has had an enormous effect in blurring the distinction in quality between work done within large organizations and that done by individuals at home. The individual has access to a wide array of infrastructures formerly available only through large organizations. As Felix Stalder writes:
Robb usa a expressão “superatribuição individual de poder” para descrever a mudança radical no equilíbrio de recursos entre um e [ou] alguns indivíduos[, de um lado,] e as grandes organizações hierárquicas tradicionais[, do outro]. A revolução do desktop teve enorme efeito em toldar a distinção em qualidade entre trabalho feito dentro de grandes organizações e o feito por indivíduos em casa. O indivíduo tem acesso a amplo espectro de infraestruturas antes só disponível por meio de grandes organizações. Como escreve Felix Stalder:
There is a vast amount of infrastructure—transportation, communication, financing, production—openly available that, until recently, was only accessible to very large organisations. It now takes relatively little—a few dedicated, knowledgeable people—to connect these pieces into a powerful platform from which to act.128
Há vasta quantidade de infraestrutura — transporte, comunicação, financiamento, produção — abertamente disponível que, até recentemente, só era acessível a organizações muito grandes. Agora são precisas relativamente poucas pessoas — umas poucas pessoas dedicadas e com conhecimento — para conectar essas partes numa poderosa plataforma a partir da qual agir.128
The result, in Robb's words: “the ability of one individual to do what it took a large company or government agency to do a couple of decades ago...”129 Open-source warfare “enables individuals and groups to take on much larger foes,” as
O resultado, nas palavras de Robb: “a capacidade de um só indivíduo de fazer aquilo que só podia ser feito, há poucas décadas, por uma grande empresa ou órgão do governo...”129 A guerra de código aberto “capacita indivíduos e grupos a enfrentar inimigos de porte muito maior,” visto
the power of individuals and small groups is amplified via access to open networks (that grow in value according to Metcalfe's law = Internet growth + social networks running in parallel) and off the shelf technology (that grows rapidly in power due to the onslaught of Moore's law and the market's relentless productization).130
o poder dos indivíduos e pequenos grupos ser ampliado via acesso a redes abertas (que aumentam de valor de acordo com a lei de Metcalfe = Crescimento da Internet + redes sociais correndo em paralelo) e tecnologia posta à venda normalmente (que aumenta rapidamente de poder devido ao paroxismo do cumprimento da lei de Moore e à implacável produtização do mercado).130
The economies of agility are analogous to the principle in the military realm—in Saxe's words—that victory is about legs rather than arms. Robb's open-source insurgencies are a form of asymmetric warfare—and it's called “asymmetric” for a reason. One side is a lot bigger than the other, and a lot stronger by conventional metrics of military strength. When Goliath outnumbers David ten-to-one, and David fights by Goliath's conventional tactics, Goliath generally wins about seven times in ten. When David adopts unconventional techniques that target Goliath's weaknesses, David wins six times in ten. And the Bazaar is an incomparable venue for facilitating the rapid, widespread sharing of knowledge about Goliath's weaknesses and the adoption of the most effective tactics for targeting those weaknesses.131
As economias de agilidade são análogas ao princípio do âmbito militar — nas palavras de Saxe — de que a vitória tem a ver com pernas, mais do que com braços/armas [trocadilho em inglês: arms significa tanto 'braços' quanto 'armas']. As insurgências de código aberto de Robb são uma forma de guerra assimétrica — e há motivo para esta ser chamada de “assimétrica.” Um lado é muito maior do que o outro, e muito mais forte pela métrica convencional de força militar. Quando Golias supera numericamente Davi em dez para um, e Davi combate usando as táticas convencionais de Golias, Golias geralmente vence cerca de sete vezes em dez. Quando Davi adota técnicas não convencionais que exploram os pontos fracos de Golias, Davi vence seis vezes em dez. E o Bazar é local incomparável para facilitar o rápido e disseminado compartilhamento de conhecimentos acerca dos pontos fracos de Golias e a adoção das táticas mais eficazes para visar tais fraquezas.131
Network organization and open-source design obtain resilience from redundancy and modularity. Modular design is a way of extracting more benefit from each R&D dollar by maximizing use of a given innovation across an entire product ecology, and at the same time building redundancy into the system through interchangeable parts.132
A organização em rede e o projeto de código aberto conseguem resiliência a partir de redundância e de modularidade. O projeto modular é uma forma de extrair mais benefício de cada dólar em pesquisa e desenvolvimento - R&D mediante a maximização do uso de dada inovação ao longo da ecologia de um produto inteiro, construindo ao mesmo tempo redundância no sistema por meio de peças intercambiáveis.132
As the saying goes, the Internet treats censorship as damage and routes around it. Many-to-many networks are able to route around any particular node which is shut down. When Napster was shut down its successors responded by eliminating their dependence on central servers. Seizure of Wikileaks' domain names resulted in the global proliferation of mirror sites and defiant direct linking to their numbered IP addresses.
Como se costuma dizer, a Internet trata a censura como prejuízo, e passa ao largo dela. Redes muitos-para-muitos conseguem contornar qualquer nodo específico que seja fechado. Quando o Napster foi fechado, seus sucessores reagiram mediante eliminar sua dependência de servidores centrais. O sequestro dos nomes de domínio do Wikileaks resultou na proliferação global de sites-espelhos e provocadora linkagem direta com seus endereços numerados IP.
We already discussed the alternative economy's more efficient extraction of outputs from inputs, as a matter of sheer necessity. This, coupled with greater speed and agility, is a tremendous force multiplier.
Já discutimos a extração mais eficiente de produção a partir de insumos na economia alternativa, como matéria de pura necessidade. Isso, juntamente com maiores velocidade e agilidade, é um tremendo multiplicador de forças.
The alternative economy generally makes better and more efficient use of the technologies which the state capitalist economy developed for its own purposes. [Hunting on modular design] An incredible amount of innovation results from mashups of cheap off-the-shelf technologies which can modularized and mixed-and-matched for any purpose. According to Cory Doctorow,
A economia alternativa geralmente faz uso melhor e mais eficiente das tecnologias que a economia capitalista de estado desenvolveu para seus próprios propósitos. [Fazendo uso de projeto modular] Incrível quantidade de inovação resulta de mesclas de tecnologias baratas à venda que podem ser modularizadas e misturadas e combinadas para qualquer objetivo. De acordo com Cory Doctorow,
It's not that every invention has been invented, but we sure have a lot of basic parts just hanging around, waiting to be configured. Pick up a $200 FPGA chip-toaster and you can burn your own microchips. Drag and drop some code-objects around and you can generate some software to run on it.133
Não é que toda invenção já tenha sido inventada, mas seguramente temos muitas peças básicas por aí, só esperando para ser configuradas. Pegue um semicondutor programável FPGA de $200 dólares e você poderá gravar seus próprios microchips. Arraste e solte alguns códigos-objetos em torno de você e poderá gerar algum software para executar naqueles.133
Murray Bookchin, in Post-Scarcity Anarchism, anticipated the same principle almost forty years ago:
Murray Bookchin, em Anarquismo Pós-Escassez, previu o mesmo princípio há quase quarenta anos:
Suppose, fifty years ago, that someone had proposed a device which would cause an automobile to follow a white line down the middle of the road, automatically and even if the driver fell asleep.... He would have been laughed at, and his idea would have been called preposterous.... But suppose someone called for such a device today, and was willing to pay for it, leaving aside the question of whether it would actually be of any genuine use whatever. Any number of concerns would stand ready to contract and build it. No real invention would be required. There are thousands of young men in the country to whom the design of such a device would be a pleasure. They would simply take off the shelf some photocells, thermionic tubes, servomechanisms, relays, and, if urged, they would build what they call a breadboard model, and it would work. The point is that the presence of a host of versatile, reliable, cheap gadgets, and the presence of men who understand all their cheap ways, has rendered the building of automatic devices almost straightforward and routine. It is no longer a question of whether they can be built, it is a question of whether they are worth building.134
Suponhamos que, há cinquenta anos, alguém tivesse proposto um dispositivo capaz de fazer um automóvel seguir uma linha branca no meio da estrada, automaticamente e mesmo que o motorista pegasse no sono.... Teriam rido dele, e sua ideia teria sido chamada de descabida.... Suponhamos, porém, que alguém hoje dissesse precisar desse dispositivo, e estar disposto a pagar para tê-lo, deixando de lado a questão de se ele teria qualquer uso genuíno que fosse. Certo número de empresas se disporia a receber a encomenda e atendê-la. Não seria necessária qualquer invenção real. Há milhares de jovens do sexo masculino no país para os quais o projeto de tal dispositivo seria um prazer. Eles simplesmente comprariam algumas fotocélulas, tubos termiônicos, servomecanismos, relés e, se instados, fabricariam o que chamam de um modelo placa de ensaio, e funcionaria. A questão é que a presença de uma porção de engenhocas versáteis, fidedignas e baratas, e a presença de homens que conhecem todos os modos baratos de usá-las tornaram a fabricação de dispositivos automáticos quase direta e rotineira. Não mais se trata de se é possível fabricá-las, é questão de se vale a pena fabricá-las.134
Scott versus the Market.
Scott contra o Mercado.
In the Introduction to Seeing Like a State, Scott expresses some concern lest his book be seen, in light of the collapse of the Soviet bloc and the disappearance of state socialism and state planning as a viable ideology, as largely irrelevant. He points out that “large-scale capitalism is just as much an agency of homogenization, uniformity, grids, and heroic simplification as the state is,” and implicitly equates Hayek's “politically unfettered market coordination” to “large-scale capitalism and market-driven standardization.”135
Na Introdução de Vendo Como um Estado, Scott expressa alguma preocupação com seu livro vir a ser visto, à luz do colapso do bloco soviético e o desaparecimento do socialismo de estado e do planejamento de estado como ideologia viável, como, em grande parte, irrelevante. Ele destaca que “o capitalismo de larga escala é um agente de homogeneização, uniformidade, enquadramento e simplificação heroica tanto quanto o estado,” e implicitamente iguala a “politicamente desimpedida coordenação do mercado” de Hayek a “capitalismo de larga escala e padronização impulsionada pelo mercado.”135
Scott freely admits that some destruction of mētis is desirable, resulting from technological progress. Aside from antiquarians with a purely historical interest, nobody laments the disappearance of skill at cleaning laundry with rocks or a washboard after washing machines became available—least of all those who had to do it the old way. But Scott denies that all destruction of mētis is of this type. “The destruction of mētis and its replacement by standardized formulas legible only from the center is virtually inscripted in the activities of both the state and large-scale bureaucratic capitalism.”136 And as suggested earlier, in his use of Marglin's work on deskilling, the destruction of mētis is driven by the need to make the corporation internally more legible and controllable, and hence to make the product of labor more appropriable.
Scott boamente admite que alguma destruição de mētis é desejável, resultando do progresso tecnológico. Fora antiquários com interesse puramente histórico, ninguém lamenta o desaparecimento do recurso consistente em lavagem de roupa mediante uso de pedras ou de tábua de lavar roupa, depois de as máquinas de lavar terem-se tornado disponíveis — especialmente aqueles que tinham de lavar roupa à moda antiga. Scott porém nega que toda destruição de mētis seja desse tipo. “A destruição de mētis e sua substituição por fórmulas padronizadas só legíveis a partir do centro está praticamente insculpida nas atividades tanto do estado quanto no capitalismo burocrático de larga escala.”136 E, como sugerido anteriormente, em seu uso da obra de Marglin acerca da desqualificação de empregados, a destruição de mētis é impelida pela necessidade de tornar a corporação internamente mais legível e controlável, e portanto para tornar o produto do trabalho mais apropriável.
The problem is that Scott makes little distinction between “large-scale bureaucratic capitalism,” on the one hand, and the market as such.
O problema é que Scott faz pouca distinção entre o “capitalismo burocrático de larga escala,” de um lado, e o mercado enquanto tal.
He comments pointedly on the “curiously resounding unanimity on this point [i.e. calculation problems of socialist central planning], and on no others, between such right-wing critics of the command economy as Friedrich Hayek and such left-wing critics of Communist authoritarianism as Prince Peter Kropotkin” (emphasis mine).137 The “no others,” presumably, is a jab at Hayek's obliviousness to a similar failure of planning to account for uncertainty and complexity within “bureaucratic state capitalism.” Even when he Hayek's critique of state central planning coincides with Scott's own, the latter's concession that Hayek was correct—even so far as he went—is grudging. Having described, with apparent—if grudging—approval, the insight of “liberal political economy”
that “the economy was far too complex for it ever to be managed in detail by a hierarchical administration,”138 he snarks in an endnote that Hayek was “the darling of those opposed to postwar planning and the welfare state.”139
Ele comenta de modo direcionado acerca da “curiosamente retumbante unanimidade a respeito deste ponto [isto é, problemas de cálculo no planejamento centralizado socialista], e não a respeito de outros, entre críticos direitistas da economia de comando como Friedrich Hayek e críticos esquerdistas do autoritatismo comunista como o Príncipe Peter Kropotkin” (ênfase minha).137 O “não a respeito de outros,” presumivelmente, é uma estocada na cegueira de Hayek para o fato de fracasso semelhante de planejamento explicar a incerteza e a complexidade dentro do “capitalismo burocrático de estado.” Mesmo quando a crítica de Hayek do planejamento centralizado do estado coincide com a do próprio Scott, o reconhecimento deste de que Hayek estava correto — até o ponto em que o fez — é de má vontade. Havendo descrito, com aparente — embora resmungadora — aprovação a percepção da “economia política liberal” de que “a economia era complexa demais para algum dia chegar a ser gerida em detalhe por uma administração hierárquica,”138 ele comenta sarcasticamente numa nota de rodapé que Hayek era “o queridinho dos que se opunham ao planejamento pós-guerra e ao estado assistencialista.”139
Interestingly, Brad DeLong, in a review of Seeing Like a State, frames the alternatives in almost exactly the same way as Scott (i.e., that “market-driven processes are as harmful to human freedom as state-led high modernism”). Only, for DeLong “market-driven processes,” while essentially equivalent to corporate capitalism, are a good thing.
Interessante que Brad DeLong, num exame de Vendo Como um Estado, estrutura as alternativas quase da mesma forma que Scott (isto é, “processos impulsionados pelo mercado são tão nocivos à liberdade humana quanto o alto modernismo liderado pelo estado”). Apenas que, para DeLong, “processos impulsionados pelo mercado,” embora essencialmente equivalentes a capitalismo corporativo, são uma boa coisa.
How can market-driven standardization have the same consequences as the commands of architects who have never lived in the cities they design, or as the collectivization of Soviet agriculture, or as the forced "villagization" of Tanzanian peasants?
Como pode a padronização impulsionada pelo mercado ter as mesmas consequências dos comandos de arquitetos que nunca residiram nas cidades que projetam, ou que a coletivização da agricultura soviética, ou que a "vilaização" forçada dos camponeses tanzanianos?
It is unclear.
Isso não é claro.
“...[W]hen we look around at modern large-scale bureaucratic capitalism,” he goes on, “we see what Scott calls 'metis' everywhere.”.140
“...[Q]uando olhamos para o capitalismo burocrático moderno de larga escala,” continua ele, “vemos em toda parte aquilo que Scott chama de 'metis'.”.140
What's notable here is that DeLong agrees with Scott that “rubber tomatoes” are an example of “market-driven standardization,” and that what Scott calls “large-scale bureaucratic capitalism” is essentially the market. The difference is that DeLong treats them as a positive example of the spontaneous order of the market and sees such large-scale bureaucratic capitalism as mētis-friendly. People buy rubber tomatoes, he says, because they're cheaper—they require less labor to grow.
O notável aqui é que DeLong concorda com Scott em que os “tomates de borracha(*)” são um exemplo de “padronização impulsionada pelo mercado,” e em que o que Scott chama de “capitalismo burocrático de larga escala” ser essencialmente o mercado. A diferença é que DeLong trata-os como exemplo positivo da ordem espontânea do mercado e vê tal capitalismo burocrático de larga escala como amigável em relação a mētis. As pessoas compram tomates de borracha, diz ele, porque eles são mais baratos — requerem menos trabalho para ser cultivados.

(*) A expressão me era desconhecida. Depois de muita pesquisa, entendo ser referência aos tomates da agricultura industrial/estandardizada, capazes de sofrer quedas da carreta que os transporta na estrada sem se estragarem, mas também sem nutrientes e sem sabor. Algumas das referências que encontrei:
It never occurs to either of them that “large-scale bureaucratic capitalism” and the pathologies it creates—such as the rubber tomato—have about as much to do with genuine markets as did Lenin's high-modernist state. Whatever you think of massive highway subsidies that reduce the relative cost of shipping produce by long-haul trucks, or of large-scale access to subsidized irrigation water, it's hard to dispute that they shift the balance from local community-supported agriculture and truck-farming to large-scale agribusiness. And that's not exactly a “free market” phenomenon.
Nunca ocorre a nenhum dos dois que o “capitalismo burocrático de larga escala” e as patologias que cria — tal como o tomate de borracha — têm mais ou menos tanto a ver com mercados genuínos quanto tinha o estado altomodernista de Lênin. O que quer que pensemos de maciços subsídios para estradas que reduzem o custo relativo de embarcar hortifrutigranjeiros por meio de grandes carretas, ou do acesso de larga escala a água de irrigação subsidiada, é difícil discordar de eles mudarem o equilíbrio da agricultura local apoiada pela comunidade e da fazenda de produção de verduras para o mercado em favor do agronegócio de larga escala. E esse não é exatamente um fenômeno de “livre mercado”.
And Scott in particular neglects the potential for applying free market analysis to a critique of corporate capitalism—i.e., “using the master's tools to tear down the master's house”—and the actual existence of a diverse strand of socialist or anticapitalist versions of free market analysis. Genuine free market concepts offer an enormous potential for recuperation as weapons against neoliberalism and corporate domination. There is an important body of work, in the broad spectrum that includes the market-friendly wing of classical socialism and the left wing of classical liberalism, that treats artificial scarcity, artificial property rights, and privilege as the fundamental cause of economic exploitation. Such thinkers include Thomas Hodgskin, who is conventionally ranked among the Ricardian Socialists but was an influential figure in early classical liberalism;141 Henry George, with his theories of land rent; the early, left-wing Herbert Spencer (whose mentors included Hodgskin); Boston anarchists like Benjamin Tucker (he of the Four Monopolies);142 the Georgist Franz Oppenheimer (responsible for the
distinction between the “economic means” and “political means” to wealth);143 thinkers like Albert Jay Nock and Ralph Borsodi,144 who developed the economic ideas of  George and Oppenheimer in the context of American industrial capitalism; and the individualist anarchist R.A. Wilson, who saw privilege as the distinguishing factor between capitalism and truly free markets.
E Scott em particular negligencia o potencial de aplicação de análise do livre mercado a uma crítica do capitalismo corporativo — isto é, “usar as ferramentas do senhor para demolir a casa do senhor” — e a real existência de uma cepa diversa de versões socialistas ou anticapitalistas de análise do livre mercado. Conceitos de livre mercado genuíno oferecem enorme potencial de reutilização como armas contra o neoliberalismo e a dominação corporativa. Há importante conjunto de obras, no amplo espectro que inclui a ala amigável em relação ao mercado do socialismo clássico e a ala esquerda do liberalismo clássico, que trata escassez artificial, direitos artificiais de propriedade e privilégio como sendo a causa fundamental da exploração econômica. Tais pensadores incluem Thomas Hodgskin, que é convencionalmente inserido entre os socialistas ricardianos mas foi figura influente no liberalismo clássico precoce;141 Henry George, com suas teorias do rent da terra; o inicial, esquerdista, Herbert Spencer (cujos mentores incluem Hodgskin); anarquistas de Boston como Benjamin Tucker (o dos Quatro Monopólios);142 o georgista Franz Oppenheimer (responsável pela distinção entre “meios econômicos” e “meios políticos” para a riqueza);143 pensadores como Albert Jay Nock e Ralph Borsodi,144 que desenvolveram as ideias econômicas de George e de Oppenheimer no contexto do capitalismo industrial estadunidense; e o anarquista individualista R.A. Wilson, que viu o privilégio como o fator distintivo entre capitalismo e mercados verdadeiramente livres.
Conclusion.
Conclusão.
We've seen how Scott's major concepts—legibility and opacity, mētis, state and nonstate spaces—dovetail and relate to one another. They all reflect a common underlying theme: the conflicts of interest and social contradictions created by authority.
Vimos como os principais conceitos de Scott — legibilidade e opacidade, mētis, espaços estatais e não estatais — samblam-se e relacionam-se um com o outro. Todos eles refletem um tema subjacente comum: os conflitos de interesse e as contradições sociais criados pela autoridade.
Power, or authority, creates a fundamental conflict of interest. Just as the hidden knowledge and hidden action problem—the information and agency problems of a corporate hierarchy—result from the conflict of interest created by power, the state's authority creates a conflict of interest in which the citizenry has an interest in rendering itself as opaque as possible. Power, whether in a corporate hierarchy or a society ruled by a state, is a way of externalizing costs on others and appropriating advantages for oneself.
O poder, ou a autoridade, cria um conflito de interesses fundamental. Do mesmo modo que o problema do conhecimento oculto e da ação oculta — os problemas de informação e de ação de uma hierarquia corporativa — resulta do conflito de interesses criados pelo poder, a autoridade do estado cria um conflito de interesses no qual os cidadãos têm interesse em tornarem-se tão opacos quanto possível. O poder, seja numa hierarquia corporativa ou numa sociedade governada por um estado, é uma forma de externalizar custos para os outros e apropriar-se das vantagens para si próprio.
The state and the ruling class that controls it have an interest in maximizing their extraction of rents and taxes, even at the expense of making society less productive in an absolute sense, just as the management of a corporation has an interest in maximizing its salaries and perks at the expense of overall productivity. Those in a position of authority, in both cases, attempt to structure the institution or society as a whole so as to maximize its legibility and the absolute net amount of wealth extracted—even at the cost of suboptimal efficiency. And the people of a state-ruled society, like the production workers in a corporation, do their best to render themselves opaque to their superiors and reduce their vulnerability to wealth extraction—even at the cost of using less productive techniques.
O estado e a classe dominante que o controla têm interesse em maximizar sua extração de rents e de tributos, mesmo ao custo de tornar a sociedade menos produtiva em sentido absoluto, do mesmo modo que a gerência de uma corporação tem interesse em maximizar seus salários e benefícios a expensas da produtividade geral. Os que se encontram em posição de autoridade, em ambos os casos, tentam estruturar a instituição ou sociedade como um todo de maneira a maximizarem a legibilidade dela e o montante líquido absoluto de riqueza extraída — mesmo ao custo de eficiência subótima. E o povo de uma sociedade governada pelo estado, do mesmo modo que os trabalhadores de produção de uma corporação, fazem o melhor que podem para tornarem-se opacos em relação a seus superiores e reduzirem sua vulnerabilidade à extração de riqueza — mesmo ao custo de usarem técnicas menos produtivas.
In every case, power distorts the flow of information and the incentive to produce as efficiently as possible. The existence of people in authority who exist in a zero-sum relationship economically with those from whom they extract rents, whether in the state or in the hierarchy that governs an institution, creates an incentive for those below to minimize their legibility (and hence the extractability of rents) to those above. It creates an incentive to structure their productive activity so as to minimize the extractability of rents, even at the cost of producing less efficiently. In a zero-sum relationship, the producers—just as much as the parasites—have an incentive to maximize the size of their share of the pie at the expense of the size of the pie as a whole.
Em todos os casos, o poder distorce o fluxo de informação e o incentivo para produzir tão eficientemente quanto possível. A existência de pessoas em autoridade que existem num relacionamento de soma zero economicamente com aqueles de quem extraem rents, seja no estado ou na hierarquia que governa as instituições, cria incentivo para os que estão abaixo minimizarem sua legibilidade (e portanto a extratividade de rents) em relação aos que estão acima. Cria incentivo para estruturarem sua atividade produtiva de maneira a minimizar a extratividade de rents, mesmo ao custo de produzir menos eficientemente. Num relacionamento de soma zero, os produtores — tanto quanto os parasitas — têm incentivo para maximizar o tamanho de sua fatia do bolo a expensas do tamanho do bolo como um todo.
In short authority, far from being the remedy for the war of all against all, is its cause. And in so doing, it destroys rationality, knowledge, and cooperation.
Em suma a autoridade, longe de ser a solução para a guerra de todos contra todos, é a causa dela. E, ao sê-lo, destrói racionalidade, conhecimento, e cooperação.
1 James Scott, Seeing Like a State (New Haven and London: Yale University Press, 1998), p. 2.
1 James Scott, Vendo Como um Estado (New Haven e Londres: Imprensa da Universidade de Yale, 1998), p. 2.
2 Ibid., p. 24.
2 Ibid., p. 24.
3 Ibid., p. 378n11.
3 Ibid., p. 378n11.
4 Michel Foucault, Discipline and Punish: The Birth of the Prison, Translated by Alan Sheridan 1977. Second Vintage
Edition (New York: Vintage Press, 1995), p. 143.
4 Michel Foucault, Disciplina e Punição: O Nascimento da Prisão, Traduzido por Alan Sheridan, 1977. Edição Second Vintage (Nova Iorque: Vintage Press, 1995), p. 143.
5 Ibid., p. 144.
5 Ibid., p. 144.
6 Ibid., p. 145.
6 Ibid., p. 145.
7 Ibid., pp. 170-171.
7 Ibid., pp. 170-171.
8 Ibid., p. 172.
8 Ibid., p. 172.
9 Ibid., p. 173.
9 Ibid., p. 173.
10 Ibid., p. 201.
10 Ibid., p. 201.
11 Ibid., p. 291.
11 Ibid., p. 291.
12 E. P. Thompson, “Time, Work-Discipline, and Industrial Capitalism,” Past and Present 37 (1968): pp. 56-97.
12 E. P. Thompson, “Tempo, Disciplina de Trabalho e Capitalismo Industrial,” Passado e Presente 37 (1968): pp. 56-97.
13 Ibid., p. 85.
13 Ibid., p. 85.
14 Ibid., p. 90.
14 Ibid., p. 90.
15 Ibid., pp. 81-82.
15 Ibid., pp. 81-82.
16 Ibid., p. 90.
16 Ibid., p. 90.
17 Scott, Seeing Like a State, pp. 311, 320.
17 Scott, Vendo Como um Estado, pp. 311, 320.
18 Ibid., p. 313.
18 Ibid., p. 313.
19 Ibid., p. 329.
19 Ibid., p. 329.
20 Ibid., pp. 315-316.
20 Ibid., pp. 315-316.
21 Ibid., pp. 311-312.
21 Ibid., pp. 311-312.
22 Friedrich Hayek, “The Use of Knowledge in Society,” Individualism and Economic Order (Chicago: University of
Chicago Press, 1948), pp. 77-78.
22 Friedrich Hayek, “O Uso do Conhecimento na Sociedade,” Individualismo e Ordem Econômica (Chicago: Imprensa da Universidade de Chicago,1948), pp. 77-78.
23 Ibid., p. 80.
23 Ibid., p. 80.
24 Ibid., pp. 83-84.
24 Ibid., pp. 83-84.
25 Michael Polanyi. Personal Knowledge: Toward a Post-Critical Philosophy (University of Chicago Press, 1958).
25 Michael Polanyi. Conhecimento Pessoal: Rumo a uma Filosofia Pós-Crítica (University of Chicago Press, 1958).
26 Scott, Seeing Like a State, p. 313.
26 Scott, Vendo Como um Estado, p. 313.
27 Ibid., p. 314.
27 Ibid., p. 314.
28 Alex Pouget, “Mysterious 'neural noise' actually primes brain for peak performance,” EurekAlert, November 10, 2006
<http://www.eurekalert.org/pub_releases/2006-11/uor-mn111006.php>.
28 Alex Pouget, “Misterioso 'ruído neural' em realidade prepara o cérebro para desempenho máximo,” EurekAlert, 10 de novembro de 2006
<http://www.eurekalert.org/pub_releases/2006-11/uor-mn111006.php>.
29 Scott, Seeing Like a State, p. 331.
29 Scott, Vendo Como um Estado, p. 331.
30 Ibid., p. 429n65.
30 Ibid., p. 429n65.
31 Ibid., p. 324.
31 Ibid., p. 324.
32 Carson, Organization Theory: A Libertarian Perspective (Booksurge, 2008), p. 475.
32 Carson, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária (Booksurge, 2008), p. 475.
33 All these concepts are discussed in the first section of Chapter Seven in my book The Homebrew Industrial Revolution:A Low-Overhead Manifesto (CreateSpace, 2010).
33 Todos esses conceitos são discutidos na primeira secção do Capítulo Sete em meu livro A Revolução Industrial Gestada em Casa:Um Manifesto de Baixo Overhead (CreateSpace, 2010).
34 Scott, Seeing Like a State, p. 305.
34 Scott, Vendo Como um Estado, p. 305.
35 Joseph A. Schumpeter, Capitalism, Socialism, and Democracy (New York and London: Harper & Brothers Publishers, 1942), pp. 100-101.
35 Joseph A. Schumpeter, Capitalismo, Socialismo, e Democraccia (Nova Iorque e Londres: Publicadora Harper & Brothers, 1942), pp. 100-101.
36 John Kenneth Galbraith, American Capitalism: The Concept of Countervailing Power (Boston: Houghton Mifflin, 1962), pp. 86-88.
36 John Kenneth Galbraith, Capitalismo Estadunidense: O Conceito de Poder Compensatório (Boston: Houghton Mifflin, 1962), pp. 86-88.
37 Harvey Leibenstein, “Allocative Efficiency vs. 'X-Efficiency,'” American Economic Review 56 (June 1966); Barry Stein, Size, Efficiency, and Community Enterprise (Cambridge: Center for Community Economic Development, 1974).
37 Harvey Leibenstein, “Eficiência Alocativa versus Eficiência X,'” Revista Econômica Estadunidense 56 (Junho 1966); Barry Stein, Porte, Eficiência e Empresa Comunitária (Cambridge: Centro para Desenvolvimento Econômico Comunitário, 1974).
38 Paul Goodman, People or Personnel, in People and Personnel and Like a Conquered Province (New York: Vintage Books, 1963,1965), p. 58.
38 Paul Goodman, Pessoas ou Pessoal, em Pessoas e Pessoal e Como uma Província Conquistada (New York: Vintage Books, 1963,1965), p. 58.
39 Walter Adams and James Brock, The Bigness Complex: Industry, Labor and Government in the American Economy. Second edition (Stanford: Stanford University Press, 2004), pp. 48-49.
39 Walter Adams e James Brock, O Complexo de Tamanho: Indústria, Trabalho e Governo na Economia Estadunidense. Segunda edição (Stanford: Imprensa da Universidade de Stanford, 2004), pp. 48-49.
40 Mark J. Green, Beverly C. Moore, Jr., and Bruce Wasserstein, The Closed Enterprise System: Ralph Nader's Study Group on Antitrust Enforcement (New York: Grossman Publishers, 1972), pp. 254-256.
40 Mark J. Green, Beverly C. Moore, Jr., e Bruce Wasserstein, O Sistema de Empresa Fechada: Estudo de Grupo de Ralph Nader acerca de Fazer Cumprir o Antitruste (Nova Iorque: Publicadora Grossman, 1972), pp. 254-256.
41 James C. Scott, Domination and the Art of Resistance: Hidden Transcripts (New Haven and London: Yale University Press, 1990).
41 James C. Scott, Dominação e a Arte da Resistência: Transcrições Ocultas (New Haven e Londres: Imprensa da Universidade de Yale, 1990).
42 R. A. Wilson, “Thirteen Choruses for the Divine Marquis,” from Coincidance – A Head Test (1988) <http://www.deepleafproductions.com/wilsonlibrary/texts/raw-marquis.html>.
42 R. A. Wilson, “Treze Corais para o Divino Marquês,” de Coincidance – A Head Test (1988) <http://www.deepleafproductions.com/wilsonlibrary/texts/raw-marquis.html>.
43 Michel Bauwens, “The Political Economy of Peer Production,” Ctheory.net, December 1, 2005 <http://www.ctheory.net/articles.aspx?id=499>.
43 Michel Bauwens, “A Economia Política da Produção por Pares,” Ctheory.net, 1o. de dezembro de 2005 <http://www.ctheory.net/articles.aspx?id=499>.
44 Robert Shea and Robert Anton Wilson, The Illuminatus! Trilogy (New York: Dell Publishing, 1975), p. 388.
44 Robert Shea e Robert Anton Wilson, O Illuminatus! Trilogia (New York: Dell Publishing, 1975), p. 388.
45 Ibid., p. 498.
45 Ibid., p. 498.
46 Kenneth Boulding, “The Economics of Knowledge and the Knowledge of Economics,” American Economic Review 56:1/2 (March 1966), p. 8.
46 Kenneth Boulding, “A Economia do Conhecimento e o Conhecimento de Economia,” Revista Econômica Estadunidense 56:1/2 (March 1966), p. 8.
47 Quoted in Hazel Henderson, “Coping With Organizational Future Shock,” Creating Alternative Futures: The End of Economics (New York: G. P. Putnam's Sons, 1978), p. 225.
47 Citado em Hazel Henderson, “Para Lidar Com Choque Organizacional Futuro,” Criação de Futuros Alternativos: O Fim da Economia (New York: G. P. Putnam's Sons, 1978), p. 225.
48 Scott, Seeing Like a State, pp. 6-7.
48 Scott, Vendo Como um Estado, pp. 6-7.
49 Robert Chambers, Whose Reality Counts? Putting the First Last (London: Intermediate Technology Publications, 1997), p. 15.
49 Robert Chambers, A Realidade de Quem Conta? Colocação do Primeiro em Último Lugar (London: Intermediate Technology Publications, 1997), p. 15.
50 Ibid., p. 30.
50 Ibid., p. 30.
51 Ibid., p. 31.
51 Ibid., p. 31.
52 Ibid., p. 31.
52 Ibid., p. 31.
53 Ibid., p. 32.
53 Ibid., p. 32.
54 Ibid., p. 76.
54 Ibid., p. 76.
55 Scott, Seeing Like a State, p. 314.
55 Scott, Vendo Como um Estado, p. 314.
56 Martha S. Feldman and James G. March, "Information in Organizations as Signal and Symbol," Administrative Science Quarterly 26 (April 1981).
56 Martha S. Feldman e James G. March, "Informação em Organizações como Sinal e Símbolo," Ciência Administrativa Trimestral 26 (abril 1981).
57 Matthew Yglesias, “Two Views of Capitalism,” Yglesias, November 22, 2008 <http://yglesias.thinkprogress.org/2008/11/two_views_of_capitalism/>.
57 Matthew Yglesias, “Duas Visões do Capitalismo,” Yglesias, 22 de novembro de 2008 <http://yglesias.thinkprogress.org/2008/11/two_views_of_capitalism/>.
58 Bruce Schneier, Beyond Fear: Thinking Sensibly About Security in an Uncertain World (New York: Copernicus Books, 2003), p. 133.
58 Bruce Schneier, Além do Medo: Pensamento Sensato Acerca de Segurança num Mundo Incerto (New York: Copernicus Books, 2003), p. 133.
59 Goodman, People or Personnel, p. 88.
59 Goodman, Pessoas ou Pessoal, p. 88.
60 Ibid., p. 52.
60 Ibid., p. 52.
61 Gary Miller, Managerial Dilemmas: The Political Economy of Hierarchy (New York: Cambridge University Press, 1992), pp. 201-202.
61 Gary Miller, Dilemas Geranciais: A Economia Política da Hierarquia (Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Cambridge, 1992), pp. 201-202.
62 William Waddell and Norman Bodek, The Rebirth of American Industry (Vancouver: PCS Press, 2005), p. 158.
62 William Waddell e Norman Bodek, O Renascimento da Indústria Estadunidense (Vancouver: PCS Press, 2005), p. 158.
63 Ibid., p. 169.
63 Ibid., p. 169.
64 John Micklethwait and Adrian Wooldridge, The Witch Doctors: Making Sense of the Management Gurus (New York: Times Books, 1996), p. 209.
64 John Micklethwait e Adrian Wooldridge, Os Médicos Feiticeiros: Como Entender os Gurus da Administração (Nova Iorque: Livros Times, 1996), p. 209.
65 Sanford J. Grossman and Oliver D. Hart, “The Costs and Benefits of Ownership: A Theory of Vertical and Lateral Integration,” Journal of Political Economy 94:4 (1986), pp. 716-717.
65 Sanford J. Grossman e Oliver D. Hart, “Custos e Benefícios da Condição de Proprietário: Uma Teoria da Integração Vertical e Lateral,” Jornal de Economia Política 94:4 (1986), pp. 716-717.
66 Miller, Managerial Dilemmas, pp. 154-155, 157.
66 Miller, Dilemas Gerenciais, pp. 154-155, 157.
67 Scott, Seeing Like a State, p. 336.
67 Scott, Vendo Como um Estado, p. 336.
68 Ibid., pp. 337-338.
68 Ibid., pp. 337-338.
69 Ibid., p. 98.
69 Ibid., p. 98.
70 Ibid., pp. 336-337.
70 Ibid., pp. 336-337.
71 Ibid., p. 99.
71 Ibid., p. 99.
72 Ibid., p. 219.
72 Ibid., p. 219.
73 Alfred D. Chandler, Jr., The Visible Hand: The Managerial Revolution in American Business (Cambridge and London: The Belknap Press of Harvard University Press, 1977), p. 241.
73 Alfred D. Chandler, Jr., A Mão Visível: A Revolução Gerencial na Empresa Estadunidense (Cambridge e Londres: Imprensa Belknap da Imprensa da Universidade de Harvard, 1977), p. 241.
74 David F. Noble, Forces of Production: A Social History of Industrial Automation (New York: Alfred A. Knopf, 1984), p. 277.
74 David F. Noble, Forças de Produção: História Social da Automação Industrial (Nova Iorque: Alfred A. Knopf, 1984), p. 277.
75 Scott, Seeing Like a State, p. 350.
75 Scott, Vendo Como um Estado, p. 350.
76 Ibid., pp. 351-352.
76 Ibid., pp. 351-352.
77 Ibid., p. 310.
77 Ibid., p. 310.
78 Julia O'Connell Davidson, “The Sources and Limits of Resistance in a Privatized Utility,” in J. Jermier and D. Knight, eds., Resistance and Power in Organizations (London: Routledge, 1994), pp. 82-83.
78 Julia O'Connell Davidson, “As Fontes e Limites de Um Serviço Público Privatizado,” em J. Jermier e D. Knight, eds., Resistência e Poder nas Organizações (Londres: Routledge, 1994), pp. 82-83.
79 Oliver Williamson, Markets and Hierarchies, Analysis and Antitrust Implications: A Study in the Economies of Internal Organization (New York: Free Press, 1975), p. 69.
79 Oliver Williamson, Mercados e Hierarquias, Análise e Implicações Antitruste: Estudo nas Economias de Organização Interna (Nova Iorque: Imprensa Livre, 1975), p. 69.
80 J.E. Meade, "The Theory of Labour-Managed Firms and Profit Sharing," in Jaroslav Vanek, ed., Self-Management:
Economic Liberation of Man (Hammondsworth, Middlesex, England: Penguin Education, 1975), p. 395.
80 J.E. Meade, "A Teoria das Firmas Geridas por Trabalhadores e de Compartilhamento de Lucros," em Jaroslav Vanek, ed., Autogerência: Libertação Econômica do Homem (Hammondsworth, Middlesex, Inglaterra: Penguin Education, 1975), p. 395.
81 Williamson, Markets and Hierarchies, p. 69.
81 Williamson, Mercados e Hierarquias, p. 69.
82 Paul Milgrom and John Roberts, “An Economic Approach to Influence Activities in Organizations,” American Journal of Sociology, supplement to vol. 94 (1988), p. S155.
82 Paul Milgrom e John Roberts, “Uma Abordagem Econômica para Influenciar Atividades nas Organizações,” Jornal de Sociologia Estadunidense, suplemento ao vol. 94 (1988), p. S155.
83 Hayek, “The Use of Knowledge in Society,” p. 80.
83 Hayek, “O Uso do Conhecimento na Sociedade,” p. 80.
84 Ibid., p. 82.
84 Ibid., p. 82.
85 Williamson, Markets and Hierarchies, pp. 62-63.
85 Williamson, Mercados e Hierarquias, pp. 62-63.
86 Scott, Seeing Like a State, pp. 310-311.
86 Scott, Vendo como um Estado, pp. 310-311.
87 David Jenkins, Job Power: Blue and White Collar Democracy (Garden City, New York: Doubleday & Company, Inc., 1973), p. 237.
87 David Jenkins, Poder do Emprego: Democracia de Colarinho Azul e Branco (Garden City, Nova Iorque: Doubleday & Company, Inc., 1973), p. 237.
88 Kim S. Cameron, “Downsizing, Quality and Performance,” in Robert E. Cole, ed., The Death and Life of the American Quality Movement (New York: Oxford University Press, 1995), p. 97.
88 Kim S. Cameron, “Downsizing, Qualidade e Desempenho,” em Robert E. Cole, ed., A Morte e a Vida do Movimento de Qualidade Estadunidense (Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Oxford, 1995), p. 97.
89 Alex Markels and Matt Murray, “Call It Dumbsizing: Why Some Companies Regret Cost-Cutting,” Wall Street Journal, May 14, 1996 <http://www.markels.com/management.htm>.
89 Alex Markels e Matt Murray, “Chamem Isso de Estupidisizing: Por Que Algumas Empresas Arrependem-se do Corte de Custos,” Wall Street Journal, 14 de maio de 1996 <http://www.markels.com/management.htm>.
90 Tom Blumer, “Disarming Nardelli's Defenders Part I,” BizzyBlog, January 8, 2007 <http://www.bizzyblog.com/2007/1/
08/disarming-nardellis-defenders-part-1/>.
90 Tom Blumer, “Para Desarmar os Defensores de Nardelli Parte I,” BizzyBlog, 8 de janeiro de 2007 <http://www.bizzyblog.com/2007/1/
08/disarming-nardellis-defenders-part-1/>.
91 Blumer, “Disarming Nardelli's Defenders Part 3,” BizzyBlog, January 8, 2007 <http://www.bizzyblog.com/2007/1/08/
disarming-nardellis-defenders-part-3/>.
91 Blumer, “Para Desarmar os Defensores de Nardelli Parte 3,” BizzyBlog, 8 de janeiro de 2007 <http://www.bizzyblog.com/2007/1/08/
disarming-nardellis-defenders-part-3/>.
92 Blumer comment under Kevin Carson, “Economic Calculation in the Corporate Commonwealth, Part II: Hayek vs. Mises on Distributed Knowledge (Excerpt),” Mutualist Blog: Free Market Anti-Capitalism, March 16, 2007
<http://mutualist.blogspot.com/2007/03/economic-calculation-in-corporate.html>.
92 Comentário de Blumer abaixo de Kevin Carson, “Cálculo Econômico na Comunidade Corporativa, Parte II: Hayek vs. Mises acerca de Conhecimento Distribuído (Excerto),” Blog Mutualista: Anticapitalismo de Livre Mercado, 16 de março de 2007
<http://mutualist.blogspot.com/2007/03/economic-calculation-in-corporate.html>.
93 Ludwig von Mises, Bureaucracy. Edited and with a Foreword by Bettina Bien Greaves (Yale University Press, 1944: renewed by Liberty Fund, 1972; Editorial editions Liberty Fund, 2007).
93 Ludwig von Mises, Burocracia. Editado e com Prefácio de Bettina Bien Greaves (Imprensa da Universidade de Yale, 1944: renovado por Liberty Fund, 1972; Edições Editoriais Liberty Fund, 2007).
94 See Chapter Seven (“Economic Calculation in the Corporate Commonwealth: The Corporation as Planned Economy”)
94 Ver Capítulo Sete (“Cálculo Econômico na Comunidade Corporativa: A Corporação Enquanto Economia Planificada”)
95 See Waddell and Bodek, pp. 135-140, 143.
95 Ver Waddell e Bodek, pp. 135-140, 143.
96 Back in the Nineties, David Noble said labor costs were typically around 10% of total unit costs in the metalworking industries, compared to 35% for overhead. But 75% of management cost-cutting effort went into cutting labor, compared to 10% to cutting overhead. Noble, Progress Without People: New Technology, Unemployment, and the Message of Resistance (Toronto: Between the Lines, 1995), p. 105.
96 Voltando aos Noventa, David Noble disse que os custos do trabalho situavam-se normalmente em torno de 10% do custo unitário total nas indústrias de metalurgia, em comparação com 35% de overhead. Mas 75% do esforço de corte de custos pela gerência dirigiam-se para cortar trabalho, em comparação com 10% para cortar overhead. Noble, Progresso Sem Pessoas: Nova Tecnologia, Desemprego e a Mensagem de Resistência (Toronto: Entre as Linhas, 1995), p. 105.
97 Ludwig von Mises, Socialism: An Economic and Sociological Analysis. Translated by J. Kahane. New edition,
enlarged with an Epilogue (New Haven: Yale University Press, 1951). [Look up page no.]
97 Ludwig von Mises, Socialismo: Análise Econômica e Sociológica. Traduzido por J. Kahane. Nova edição, ampliada por um Epílogo (New Haven: Imprensa da Universidade de Yale, 1951). [Procure o número da página.]
98 Richard Ericson, “The Classical Soviet-Type Economy: Nature of the System and Implications for Reform,” Journal of Economic Perspectives 5:4 (1991), p. 21.
98 Richard Ericson, “A Economia Clássica de Tipo Soviético: Natureza do Sistema e Implicações para Reforma,” Jornal de Perspectivas Econômicas 5:4 (1991), p. 21.
99 Friedrich Hayek, “Socialist Calculation II: The State of the Debate (1935),” in Hayek, Individualism and Economic
Order (Chicago: University of Chicago Press, 1948), pp. 149-150.
99 Friedrich Hayek, “Cálculo Socialista II: O Estado e o Debate (1935),” em Hayek, Individualismo e Ordem Econômica (Chicago: Imprensa da Universidade de Chicago, 1948), pp. 149-150.
100 Scott, Seeing Like a State, p. 186.
100 Scott, Vendo Como um Estado, p. 186.
101 Ibid., pp. 1-2.
101 Ibid., pp. 1-2.
102 James C. Scott, The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia (New Haven &
London: Yale University Press, 2009), pp. 40-41.
102 James C. Scott, A Arte de Não Ser Governado: História Anarquista das Terras Altas do Sudeste Asiático (New Haven &
Londres: Imprensa da Universidade de Yale, 2009), pp. 40-41.
103 Ibid., p. 53.
103 Ibid., p. 53.
104 Ibid., p. 58.
104 Ibid., p. 58.
105 Ibid., p. 178.
105 Ibid., p. 178.
106 Ibid., p. 196.
106 Ibid., p. 196.
107 Ibid., p. 51.
107 Ibid., p. 51.
108 Ibid., p. 61.
108 Ibid., p. 61.
109 Ibid., p. 63.
109 Ibid., p. 63.
110 Ibid., x.
110 Ibid., x.
111 Ibid., p. 23.
111 Ibid., p. 23.
112 Scott, Seeing Like a State, p. 338.
112 Scott, Vendo Como um Estado, p. 338.
113 Benjamin Darrington, “Government Created Economies of Scale and Capital Specificity” Paper presented at Austrian
Student Scholars Conference, 2007
(Please see the link in the original of this article; here, it distorts the table.)
113 Benjamin Darrington, “Economias de Escala Criadas pelo Governo e Especificidade de Capital” Paper apresentado na Conferência dos Acadêmicos Estudantes Austríacos, 2007
(Por favor veja o link no original deste artigo; se inserido aqui, ele distorce a tabela.)
114 Daniel de Ugarte, Phyles: Economic Democracy in XXIst Century <http://deugarte.com/gomi/phyles.pdf>; “Phyles,” P2P Foundation Wiki <http://p2pfoundation.net/Phyles>. John Robb, “EaaS (ECONOMY as a SERVICE),” Global Guerrillas, November 7, 2010 <http://globalguerrillas.typepad.com/globalguerrillas/2010/11/eaas-economy-as-aservice.html>. Phyles and Economy as a Software Service are discussed in Chapter Two of my online draft manuscript Open Source Government, under the subsection “Legibility, Reputational and Verification Mechanisms” <http://dl.dropbox.com/u/4116166/Open%20Source%20Government/2.%20%20Open%20Source%20Regulatory
%20State.pdf>.
114 Daniel de Ugarte, Phyles: Democracia Econômica no Século XXI <http://deugarte.com/gomi/phyles.pdf>; “Phyles,” P2P Foundation Wiki <http://p2pfoundation.net/Phyles>. John Robb, “EaaS (ECONOMIA como SERVIÇO),” Guerrilheiros Globais, 7 de novembro de 2010 <http://globalguerrillas.typepad.com/globalguerrillas/2010/11/eaas-economy-as-aservice.html>. Phyles e Economy como Serviço de Software são discutidos no Capítulo Dois de minha minut manuscrit online Governo de Código Aberto, sob a subsecção “Legibilidade, Mecanismos de Reputação e de Verificação” <http://dl.dropbox.com/u/4116166/Open%20Source%20Government/2.%20%20Open%20Source%20Regulatory
%20State.pdf>.
115 Scott, The Art of Not Being Governed, p. 73.
115 Scott, A Arte de Não Ser Governado, p. 73.
116 Ibid., p. 65.
116 Ibid., p. 65.
117 Ibid., p. 181.
117 Ibid., p. 181.
118 Ibid., p. 188.
118 Ibid., p. 188.
119 Ibid., p. 184.
119 Ibid., p. 184.
120 Eric S. Raymond, The Cathedral and the Bazaar <http://catb.org/~esr/writings/homesteading>.
120 Eric S. Raymond, A Catedral e o Bazar <http://catb.org/~esr/writings/homesteading>.
121 Doctorow, “Microsoft DRM Research Talk,” in Content: Selected Essays on Technology, Creativity, Copyright, and the Future of the Future (San Francisco: Tachyon Publications, 2008), pp. 7-8.
121 Doctorow, “Palestra de Pesquisa GDD Microsoft,” em Conteúdo: Ensaios Seletos sobre Tecnologia, Criatividade, Copyright, e o Futuro do Futuro (São Francisco: Publicações Táquion, 2008), pp. 7-8.
122 Doctorow, “It's the Information Economy, Stupid,” in Ibid., p. 60.
122 Doctorow, “É a Economia da Informação, Estúpido,” em Ibid., p. 60.
123 Schneier, Beyond Fear, p. 95.
123 Schneier, Além do Medo, p. 95.
124 John Robb, “THE BAZAAR'S OPEN SOURCE PLATFORM,” Global Guerrillas, September 24, 2004 (Please see link in the original; for some reason, if inserted here it changes the width of this table.)
124 John Robb, “A PLATAFORMA DE CÓDIGO ABERTO DO BAZAR,” Guerrilheiros Globais, 24 de setembro de 2004 (Por favor veja o link no texto original; por algum motivo, se inserido aqui, ele muda a largura da tabela.)
125 Adam Higginbotham, “U.S. Military Learns to Fight Deadliest Weapons,” Wired, July 28, 2010 (Please see link in the original)
125 Adam Higginbotham, “Instituição Militar dos Estados Unidos Aprende a Combater as Armas Mais Letais,” Wired, 28 de julho de 2010 (Por favor veja o link no texto original)
126 Thomas L. Knapp, “The Revolution Will Not Be Tweeted,” Center for a Stateless Society, October 5, 2009 (Please see link in the original)
126 Thomas L. Knapp, “A Revolução Não Será Proclamada no Twitter,” Centro por uma Sociedade Sem Estado, 5 de outubro de 2009 
(Por favor veja o link no texto original)
127 Katherine Mangu-Ward, “The Sheriff is Coming! The Sheriff is Coming!” Reason Hit & Run, January 6, 2010 (Please see link in the original) Brad Branan, “Police: Twitter used to avoid DUI checkpoints,” Seattle Times, December 28, 2009 (Please see link in the original)
127 Katherine Mangu-Ward, “Lá Vem o Xerife! Lá Vem o Xerife!” Razão Bata e Corra, 6 de janeiro de 2010 (Por favor veja o link no texto original) Branan, “Polícia: Twitter usado para evitar barreiras da lei seca,” Seattle Times, 28 de dezembro de 2009 (Por favor veja o link no texto original)
128 Felix Stalder, “Leaks, Whistle-Blowers and the Networked News Ecology,” n.n., November 6, 2010 (Please see link in the original)
128 Felix Stalder, “Vazamentos, Denunciantes e a Ecologia das Notícias Redeadas,” n.n., 6 de novembro de 2010 (Por favor veja o link no texto original)
129 John Robb, “Julian Assange,” Global Guerrillas, August 15, 2010 (Please see link in the original)
129 John Robb, “Julian Assange,” Guerrilheiros Globais, 15 de agosto de 2010 (Por favor veja o link no texto original)
130 Robb, “Open Warfare and Replication,” Global Guerrillas, September 20, 2010 (Please see link in the original)
130 Robb, “Guerra Aberta e Replicação,” Guerrilheiros Globais, 20 de setembro de 2010 (Por favor veja o link no texto original)
131 Malcolm Gladwell, “How David Beats Goliath,” The New Yorker, May 11, 2009 (Please see link in the original)
131 Malcolm Gladwell, “Como Davi Vence Golias,” O Novaiorquino, 11 de maio de 2009 (Por favor veja o link no texto original)
132 Jonathan Dugan, for example, stresses Redundancy and Modularity as two of the central principles of resilience. Chris Pinchen, “Resilience: Patterns for thriving in an uncertain world,” P2P Foundation Blog, April 17, 2010. (Please see link in the original)
132 Jonathan Dugan, por exemplo, enfatiza Redundância e Modularidade como dois dos princípios fundamentais da resiliência. Chris Pinchen, “Resiliência: Padrões para prosperar num mundo incerto,” Blog da Fundação P2P, 17 de abril de 2010. (Por favor veja o link no texto original)
133 Cory Doctorow, “Cheap Facts and the Plausible Premise,” Locus Online, July 5, 2009 (Please see link in the original)
133 Cory Doctorow, “Fatos Baratos e a Premissa Plausível,” Locus Online, 5 de julho de 2009 (Por favor veja o link no texto original)
134 Murray Bookchin, “Toward a Liberatory Technology,” in Post-Scarcity Anarchism (Berkeley, Calif.: The Ramparts Press, 1971), pp. 49-50.
134 Murray Bookchin, “Rumo a uma Tecnologia Libertadora,” em Anarquismo Pós-Escassez (Berkeley, Calif.: Imprensa Os Baluartes, 1971), pp. 49-50.
135 Scott, The Art of Not Being Governed, pp. 7-8.
135 Scott, A Arte de Não Ser Governado, pp. 7-8.
136 Ibid., p. 335.
136 Ibid., p. 335.
137 Ibid., p. 344.
137 Ibid., p. 344.
138 Ibid., p. 102.
138 Ibid., p. 102.
139 Ibid., p. 381n51.
139 Ibid., p. 381n51.
140 J. Bradford DeLong, “Forests, Trees, and Intellectual Roots” (created March 15, 1999, last modified March 18, 1999) (Please see link in the original)
140 J. Bradford DeLong, “Florestas, Árvores e Raízes Intelectuais” (criado em 15 de março de 1999, modificado pela última vez em 18 de março de 1999) (Por favor veja o link no texto original)
141 Thomas Hodgskin. The Natural and Artificial Right of Property Contrasted. A Series of Letters, addressed without permission to H. Brougham, Esq. M.P. F.R.S. (London: B. Steil, 1832); Popular Political Economy: Four Lectures Delivered at the London Mechanics' Institution (London: Printed for Charles and William Tait, Edinburgh, 1827).
141 Thomas Hodgskin. O Direito Natural e o Artificial de Propriedade Contrastados. Uma Série de Cartas, dirigidas sem permissão a H. Brougham, Esq. M.P. F.R.S. (Londres: B. Steil, 1832); Economia Política Popular: Quatro Palestras Proferidas na Instituição de Mecânica de Londres (Londres: Impresso para Charles e William Tait, Edinburgo, 1827).
142 Benjamin Tucker, “State Socialism and Anarchism: How Far They Agree, and Wherein They Differ” (1888). Reproduced at Molinari Institute website (Please see link in the original)
142 Benjamin Tucker, “Socialismo de Estado e Anarquismo: Até Que Ponto Concordam, e Onde Diferem” (1888). Reproduzido no website do Instituto Molinari (Por favor veja o link no texto original)
143 Franz Oppenheimer, “I. The Genesis of the State,” in The State (New York: Free Life Editions, 1975). Reproduced in Online-Bibliothek at Franz-Oppenheimer.de (Please see link in the original)
143 Franz Oppenheimer, “I. A Gênese do Estado,” em O Estado (Nova Iorque: Edição Vida Livre, 1975). Reproduzido em Online-Bibliothek em Franz-Oppenheimer.de (Por favor veja o link no texto original)
144 Ralph Borsodi. The Distribution Age (New York and London: D. Appleton and Company, 1929).
144 Ralph Borsodi. A Era da Distribuição (Nova Iorque e Londres: D. Appleton e Companhia, 1929).
Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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