Thursday, August 25, 2011

The Anti-Empire Report - The Berlin Wall — Another Cold War Myth

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The Anti-Empire Report
O Relatório Anti-Império
July 28th, 2011
28 de julho de 2011
by William Blum
por William Blum
The Berlin Wall — Another Cold War Myth
O Muro de Berlim — Outro Mito da Guerra Fria
The Western media will soon be revving up their propaganda motors to solemnize the 50th anniversary of the erecting of the Berlin Wall, August 13, 1961. All the Cold War clichés about The Free World vs. Communist Tyranny will be trotted out and the simple tale of how the wall came to be will be repeated: In 1961, the East Berlin communists built a wall to keep their oppressed citizens from escaping to West Berlin and freedom. Why? Because commies don't like people to be free, to learn the "truth". What other reason could there have been?
A mídia ocidental logo estará acelerando seus motores de propaganda para sacralizar o 50o. aniversário da ereção do Muro de Berlim, em 13 de agosto de 1961. Todos os clichês da Guerra Fria acerca de O Mundo Livre versus a Tirania Comunista serão propalados e a história trivial de como o muro passou a existir será repetida: Em 1961, os comunistas de Berlim Oriental construíram um muro para impedir que seus oprimidos cidadãos escapassem para Berlim Ocidental e para a liberdade. Por quê? Porque os comunas não gostam de as pessoas serem livres, de elas ficarem sabendo da "verdade". Que outro motivo poderia ter havido?
First of all, before the wall went up thousands of East Germans had been commuting to the West for jobs each day and then returning to the East in the evening; many others went back and forth for shopping or other reasons. So they were clearly not being held in the East against their will. Why then was the wall built? There were two major reasons:
Primeiro de tudo, antes de o muro ser erigido milhares de alemães orientais viajavam diariamente para o Ocidente para trabalhar e voltavam para o Oriente à noite; muitos outros iam e vinham para fazer compras ou por outros motivos. Assim, obviamente eles não estavam sendo mantidos no Oriente contra a vontade. Então, por que foi construído o muro? Houve dois motivos principais:
1) The West was bedeviling the East with a vigorous campaign of recruiting East German professionals and skilled workers, who had been educated at the expense of the Communist government. This eventually led to a serious labor and production crisis in the East. As one indication of this, the New York Times reported in 1963: "West Berlin suffered economically from the wall by the loss of about 60,000 skilled workmen who had commuted daily from their homes in East Berlin to their places of work in West Berlin." 1
1) O Ocidente estava infernizando o Oriente com vigorosa campanha de recrutamento de profissionais e trabalhadores qualificados da Alemanha Oriental, que haviam obtido instrução a expensas do governo comunista. Isso finalmente levou a séria crise de trabalho e produção no Oriente. Como indício disso, o New York Times informou em 1963: "Berlim Ocidental sofreu economicamente com o muro por causa da perda de cerca de 60.000 trabalhadores qualificados que viajavam diariamente de seus lares em Berlim Oriental para seus locais de trabalho em Berlim Ocidental." 1
In 1999, USA Today reported: "When the Berlin Wall crumbled [1989], East Germans imagined a life of freedom where consumer goods were abundant and hardships would fade. Ten years later, a remarkable 51% say they were happier with communism." 2  Earlier polls would likely have shown even more than 51% expressing such a sentiment, for in the ten years many of those who remembered life in East Germany with some fondness had passed away; although even 10 years later, in 2009, the Washington Post could report: "Westerners say they are fed up with the tendency of their eastern counterparts to wax nostalgic about communist times." 3
Em 1999, o USA Today informou: "Quando o Muro de Berlim desmoronou [1989], os alemães orientais imaginaram uma vida de liberdade onde bens de consumo seriam abundantes e as agruras cessariam. Dez anos depois, significativos 51% dizem que eram mais felizes no comunismo." 2 Pesquisas anteriores teriam provavelmente mostrado até mais de 51% expressando tal sentimento pois, em dez anos, muitos daqueles que se lembravam da vida na Alemanha Oriental com algum apreço haviam falecido; embora mesmo 10 anos mais tarde, em 2009, o Washington Post pudesse informar: "Os ocidentais dizem estar fartos da tendência de seus concidadãos orientais de expressarem saudade dos tempos do comunismo." 3
It was in the post-unification period that a new Russian and eastern Europe proverb was born: "Everything the Communists said about Communism was a lie, but everything they said about capitalism turned out to be the truth." It should also be noted that the division of Germany into two states in 1949 — setting the stage for 40 years of Cold War hostility — was an American decision, not a Soviet one. 4
Foi no período pós-unificação que surgiu um novo provérbio russo e oriental: "Tudo o que os comunistas diziam acerca do comunismo era mentira, mas tudo o que disseram acerca do capitalismo veio a revelar-se verdade." Deve ser notado também que a divisão da Alemanha em dois estados em 1949 — preparando o terreno para 40 anos de hostilidade de Guerra Fria — foi decisão estadunidense, não soviética. 4
2) During the 1950s, American coldwarriors in West Germany instituted a crude campaign of sabotage and subversion against East Germany designed to throw that country's economic and administrative machinery out of gear. The CIA and other US intelligence and military services recruited, equipped, trained and financed German activist groups and individuals, of West and East, to carry out actions which ran the spectrum from juvenile delinquency to terrorism; anything to make life difficult for the East German people and weaken their support of the government; anything to make the commies look bad.
2) Na década de 1950, os guerreiros-frios estadunidenses na Alemanha Ocidental deflagraram uma campanha crua de sabotagem e subversão contra a Alemanha Oriental, concebida para emperrar a máquina econômica e administrativa daquele país. A CIA e outros serviços estadunidenses de inteligência e militares recrutaram, equiparam, treinaram e financiaram grupos e indivíduos ativistas alemães, do Ocidente e do Oriente, para levarem a efeito ações que percorriam o espectro da delinquência juvenil ao terrorismo; qualquer coisa que tornasse a vida difícil para o povo da Alemanha Oriental e enfraquecesse o apoio dele ao governo; qualquer coisa que fizesse os comunas aparecerem sob luz desfavorável.
It was a remarkable undertaking. The United States and its agents used explosives, arson, short circuiting, and other methods to damage power stations, shipyards, canals, docks, public buildings, gas stations, public transportation, bridges, etc; they derailed freight trains, seriously injuring workers; burned 12 cars of a freight train and destroyed air pressure hoses of others; used acids to damage vital factory machinery; put sand in the turbine of a factory, bringing it to a standstill; set fire to a tile-producing factory; promoted work slow-downs in factories; killed 7,000 cows of a co-operative dairy through poisoning; added soap to powdered milk destined for East German schools; were in possession, when arrested, of a large quantity of the poison cantharidin with which it was planned to produce poisoned cigarettes to kill leading East Germans; set off stink bombs to disrupt political meetings; attempted to disrupt the World Youth Festival in East Berlin by sending out forged invitations, false promises of free bed and board, false notices of cancellations, etc.; carried out attacks on participants with explosives, firebombs, and tire-puncturing equipment; forged and distributed large quantities of food ration cards to cause confusion, shortages and resentment; sent out forged tax notices and other government directives and documents to foster disorganization and inefficiency within industry and unions ... all this and much more. 5
Foi uma empresa digna de nota. Os Estados Unidos e seus agentes usaram explosivos, incêndios deliberados, curto-circuitos e outros métodos para danificar usinas elétricas, estaleiros, canais, docas, edifícios públicos, postos de gasolina, transporte público, pontes etc.; descarrilaram trens de carga, ferindo seriamente trabalhadores; queimaram 12 vagões de um trem de carga e destruíram mangueiras de ar pressurizado de outros; usaram ácido para danificar máquinas vitais de fábricas; puseram areia na turbina de uma fábrica, levando-a à paralisação; incendiaram uma fábrica de telhas; promoveram trabalho lento em fábricas; mataram 7.000 vacas de uma cooperativa de laticínios por meio de envenenamento; puseram sabão em leite em pó destinado a escolas da Alemanha Oriental; estavam de posse, ao serem detidos, de grande quantidade do veneno cantaridina com o qual planejavam produzir cigarros envenenados para matar alemães orientais importantes; explodiram bombas de fedor para dispersar reuniões políticas; tentaram inviabilizar o Festival da Juventude Mundial em Berlim Oriental mediante mandarem convites forjados, falsas promessas de alojamento e comida grátis, falsas notícias de cancelamentos etc.; levaram a cabo ataques contra participantes com explosivos, bombas incendiárias e equipamento de punção de pneus; forjaram e distribuíram grande quantidade de cartões de ração de comida para causar confusão, desabastecimento e ressentimento; disseminaram notícias forjadas a respeito de impostos e diretrizes e documentos governamentais outros para fomentar desorganização e ineficiência dentro da indústria e dos sindicatos ... tudo isso e muito mais. 5
The Woodrow Wilson International Center for Scholars, of Washington, DC, conservative coldwarriors, in one of their Cold War International History Project Working Papers (#58, p.9) states: "The open border in Berlin exposed the GDR [East Germany] to massive espionage and subversion and, as the two documents in the appendices show, its closure gave the Communist state greater security."
O Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos, de Washington, DC, guerreiros-frios conservadores, em um de seus Documentos de Trabalho de Projeto de História Internacional da Guerra Fria (no. 58, p.9) declara: "A fronteira aberta em Berlim expôs a GDR [Alemanha Oriental] a maciças espionagem e subversão e, como os dois documentos nos apêndices mostram, seu fechamento deu ao estado comunista maior segurança."
Throughout the 1950s, the East Germans and the Soviet Union repeatedly lodged complaints with the Soviets' erstwhile allies in the West and with the United Nations about specific sabotage and espionage activities and called for the closure of the offices in West Germany they claimed were responsible, and for which they provided names and addresses. Their complaints fell on deaf ears. Inevitably, the East Germans began to tighten up entry into the country from the West, leading eventually to the infamous Wall. However, even after the wall was built there was regular, albeit limited, legal emigration from east to west. In 1984, for example, East Germany allowed 40,000 people to leave. In 1985, East German newspapers claimed that more than 20,000 former citizens who had settled in the West wanted to return home after becoming disillusioned with the capitalist system. The West German government said that 14,300 East Germans had gone back over the previous 10 years. 6
Ao longo dos anos 1950 os alemães orientais e a União Soviética repetidamente reclamaram junto aos antigos aliados ocidentais dos soviéticos e às Nações Unidas acerca de atividades específicas de sabotagem e espionagem e demandaram o fechamento dos escritórios na Alemanha Ocidental que, afirmavam, eram os responsáveis, e dos quais forneceram nomes e endereços. Suas queixas caíram em ouvidos moucos. Inevitavelmente, os alemães orientais começaram a dificultar a entrada no país de quem viesse do Ocidente, o que levou, por fim, ao ignominioso muro. Entretanto, mesmo depois de o muro ter sido construído havia emigração regular legal, embora limitada, do oriente para o ocidente. Em 1984, por exemplo, a Alemanha Oriental permitiu a saída de 40.000 pessoas. Em 1985, os jornais da Alemanha Oriental asseveraram que mais de 20.000 antigos cidadãos que se haviam estabelecido no Ocidente desejavam voltar para casa depois de terem ficado desiludidos com o sistema capitalista. O governo da Alemanha Ocidental disse que 14.300 alemães orientais haviam voltado nos 10 anos anteriores. 6
Let's also not forget that Eastern Europe became communist because Hitler, with the approval of the West, used it as a highway to reach the Soviet Union to wipe out Bolshevism forever, and that the Russians in World War I and II, lost about 40 million people because the West had used this highway to invade Russia. It should not be surprising that after World War II the Soviet Union was determined to close down the highway.
Não nos esqueçamos, também, de que a Europa Oriental tornou-se comunista porque Hitler, com a aprovação do Ocidente, usou-a como via de acesso para atingir a União Soviética a fim de varrer o bolchevismo para sempre, e de que os russos, na Primeira e na Segunda Guerra Mundial, perderam cerca de 40 milhões de pessoas porque o Ocidente havia usado aquela via de acesso para invadir a Rússia. Não deveria ser supresa que, depois da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética estivesse decidida a fechar aquela via de acesso.
Notes
Notas
1. New York Times, June 27, 1963, p.12 
1. New York Times, 27 de junho de 1963, p.12 
2. USA Today, October 11, 1999, p.1
2. USA Today, 11 de outubro de 1999, p.1
3. Washington Post, May 12, 2009; see a similar story November 5, 2009
3. Washington Post, 12 de maio de 2009; ver artigo similar em 5 de novembro de 2009
4. Carolyn Eisenberg, Drawing the Line: The American Decision to Divide Germany, 1944-1949 (1996); or see a concise review of this book by Kai Bird in The Nation, December 16, 1996
4. Carolyn Eisenberg, O Traçamento da Linha: A Decisão Estadunidense de Dividir a Alemanha, 1944-1949 (1996); ou ver revisão concisa desse livro por Kai Bird em The Nation, 16 de dezembro de 1996
5. See William Blum, Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War II, p.400, note 8, for a list of sources for the details of the sabotage and subversion.
5. Ver William Blum, Assassínio da Esperança: Intervenções da Instituição Militar dos Estados Unidos e da CIA Desde a Segunda Guerra Mundial, p.400, nota 8, para lista de fontes para os detalhes da sabotagem e subversão.
6. The Guardian (London), March 7, 1985
6. The Guardian (Londres), 7 de março de 1985
http://www.foreignpolicyjournal.com/writers/
William Blum left the State Department in 1967, abandoning his aspiration of becoming a Foreign Service Officer, because of his opposition to what the United States was doing in Vietnam. He then became one of the founders and editors of the Washington Free Press Mr.  Blum has been a freelance journalist in the United States, Europe, and South America and was one of the recipients   of Project Censored’s awards for “exemplary journalism” in 1999. He is the author of numerous books, including: 
Freeing the World to Death: essays on the American EmpireKilling Hope: U.S. Military and C.I.A. Interventions Since World War II, and Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower. Mr. Blum writes a free monthly newsletter, the Anti-Empire Report, which you may subscribe to by contacting him at via e-mail. Visit his website at: www.killinghope.org. Contact him at: bblum@aol.com. Read articles by William Blum.
http://www.foreignpolicyjournal.com/writers/
William Blum deixou o Departamento de Estado em 1967, abandonando sua aspiração   de tornar-se Autoridade de Serviço Exterior por causa de sua oposição ao que os Estados Unidos estavam fazendo no Vietnã. Tornou-se então um dos fundadores e editores do Imprensa Livre de Washington. O Sr. Blum atuado como jornalista autônomo em Estados Unidos, Europa e América do Sul e foi um dos recebedores dos prêmios de Projetos Censurados de “jornalismo exemplar” em 1999. É autor de numerosos livros, incluindo: A Libertação do Mundo para a Morte: ensaios acerca do Império EstadunidenseAssassínio da Esperança: Intervenções da Instituição Militar dos Estados Unidos e da C.I.A. desde a Segunda Guerra Mundial, e Estado Sem Escrúpulos: Guia Referente à Única Superpotência do Mundo. O Sr. Blum escreve um boletim mensal grátis, o Relatório Anti-Império, que você pode subscrever entrando em contato com ele via email. Visite o website dele em: www.killinghope.org. Entre em contato com ele via: bblum@aol.com. Leia artigos de William Blum
William Blum is the author of:
William Blum é autor de:
- Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War 2
- A Morte da Esperança: A Instituição Militar dos Estados Unidos e as Intervenções da CIA Desde a Segunda Guerra Mundial
- Rogue State: A Guide to the World's Only Superpower
- Estado Sem Escrúpulos: Guia Para a Única Superpotência do Mundo
- West-Bloc Dissident: A Cold War Memoir
- Dissidente do Bloco Ocidental: Uma Memória da Guerra Fria
Freeing the World to Death: Essays on the American Empire
- Libertação do Mundo para a Morte: Ensaios Acerca do Império Estadunidense
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