Friday, July 22, 2011

C4SS - The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy (45-47/47)

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C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Center for a Stateless Society Paper No. 11 (Fourth Quarter 2010)
Centro por uma Sociedade sem Estado – Paper No. 11 (Quarto Trimestre de 2010)
The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy
O Grande Domínio do Custo Acrescido: A Economia de Produção de Desperdício
Kevin A. Carson
Kevin A. Carson
45-47/47
45-47/47
Conclusion
Conclusão
Consider the amount of the average worker's total labor that is expended not only to pay for the above-mentioned embedded costs of intellectual property and for the oligopoly markup, but to pay artificial scarcity rents to owners of land and capital. The cumulative effect of eliminating all such forms of privilege would likely equal that of eliminating subsidized waste in the production process. If, as seems plausible as a rough approximation, waste production and rents on intangible property each result in what amounts to a 100% markup, then their cumulative effect is to quadruple the number of work hours actually necessary to produce our current levels of consumption. Three quarters of our labor goes either to waste or to tribute.
Consideremos a quantidade de trabalho total do trabalhador médio gasta não apenas para pagar os acima mencionados custos embutidos de propriedade intelectual e de margem de acréscimo estipulada pelo oligopólio, mas para pagar rents de escassez artificial a proprietários de terra e capital. O efeito cumulativo de eliminarem-se todas tais formas de privilégio provavelmente seria equivalente ao valor da eliminação do desperdício/lixo subsidiado no processo de produção. Se, como parece plausível enquanto aproximação não precisa, a produção de desperdício/lixo e os rents sobre propriedade intangível resultam, cada um, no equivalente a margem estipulada de acréscimo de 100%, então seu efeito cumulativo é quadruplicar o número de horas realmente necessárias para produzir nossos atuais níveis de consumo. Três quartos de nosso trabalho vão ou para o desperdício/lixo ou para tributo.
Absent the unnecessary production that amounts to fixing Bastiat's broken windows, and other waste (including the deliberate choice of planned obsolescence over reparability by the state's industrial cartels), and absent the portion of commodity price that reflects embedded rents on "intellectual property" and other artificial property rights like artificially scarce land and capital, we could probably produce something like our current standard of living working an average of two days or less a week. We're working the other three days to dig holes and fill them back in again, or to pay protection money so parasitic rentiers won't use their artificial property rights to obstruct production.
Sem a produção desnecessária que equivale a consertar as vitrines quebradas de Bastiat, e de outros desperdícios (inclusive a escolha deliberada, pelos cartéis industriais do estado, de obsolescência planejada em vez de reparabilidade), e sem a porção do preço das mercadorias que reflete rents embutidos de "propriedade intelectual" e outros direitos artificiais de propriedade tais como terra e capital artificialmente escassos, poderíamos provavelmente produzir algo tal como nosso presente padrão de vida trabalhando em média dois dias ou menos por semana. Estamos trabalhando os outros três dias para cavar buracos e enchê-los novamente, ou para pagar dinheiro de proteção para que rentistas parasitários não usem seus direitos artificiais de propriedade para obstruir a produção.
The main barrier to achieving this is brilliantly summed up in the email signature line of Paul Fernhout, a member of the P2P Research and Open Manufacturing email lists: "The biggest challenge of the 21st century is the irony of technologies of abundance in the hands of those thinking in terms of scarcity."
A principal barreira ao atingimento disso é brilhantemente resumida na linha de assinatura de email de Paul Fernhout, membro das listas de email da Pesquisa P2P e da Fabricação Aberta: "O maior desafio do século 21 é a ironia de tecnologias de abundância nas mãos daqueles que pensam em termos de escassez."
I mentioned, earlier, the extent to which the power of hierarchical organizations results from their ability to ration scarce resources—and more than that, the extent to which the personal identity of those running them is positional, based on the significance that attaches to performing this function. In a world where (say) Star Trek matter-energy replicators enabled everyone to live in abundance, what importance would Bill Gates or David Rockefeller have?
Já mencionei, antes, a medida em que o poder das organizações hierárquicas resulta da capacidade que elas têm de ratear recursos escassos — e, mais que isso, a medida em que a identidade pessoal daqueles que as administram está vinculada a suas posições, baseada na importância atrelada ao desempenho de tal função. Num mundo onde (digamos) multiplicadores de matéria-energia da Jornada nas Estrelas capacitassem todo mundo a viver em abundância, que importância teriam Bill Gates ou David Rockefeller?
The character of “The Major,” in Daniel Suarez’s “Daemon” novels, saw his role as defending a system of authority and subordination, and keeping the institutional wheels turning efficiently.
O personagem de “O Major,” nas obras de ficção “Daemon”, de Daniel Suarez, viu seu papel como consistindo em defender um sistema de autoridade e subordinação, e em manter as rodas institucionais girando eficientemente.
And that [the murder of the Central American trade unionist] began his awakening—his realization that the Western World was a bedtime story of comforting humanistic bullshit. Slavery existed everywhere—even in the United States. We were all slaves in one way or another. Slavery was just control, and control kept things running in an orderly fashion. It was what made progress possible.143
E aquilo [o assassínio do sindicalista centro-americano] deu início ao despertamento dele — a sua compreensão de que o Mundo Ocidental era uma história para a hora de dormir de bobagens humanísticas confortadoras. A escravidão existia em toda parte — mesmo nos Estados Unidos. Éramos todos escravos de um modo ou de outro. A escravidão era simplesmente controle, e o controle mantinha as coisas correndo de maneira organizada. Foi o que tornou o progresso possível.143
“’Bastards like me’ serve a purpose. People need order…. They need to be told what to think, what to do, what to believe, or everything will fall apart. This miracle of modern civilization doesn’t just happen. It requires careful management by professionals willing to do whatever is necessary to keep things running smoothly.”144
“’Canalhas como eu servem a um propósito. As pessoas precisam de ordem.... É preciso ser dito a elas o que pensar, o que fazer, no que acreditar, ou tudo desmoronará. Esse milagre da civilização não acontece simplesmente. Requer cuidadosa administração por profissionais dispostos a fazer o que for necessário para manter as coisas fluindo lisamente.”144
This function meant, above all, keeping the populace dependent on the existing institutional framework for their survival. Confronted with the threat from an economy of abundance — the superefficient, high-tech local economies of the “holons,” based on micromanufacturing and intensive agriculture — his reaction was that of a body's immune system rejecting an intruder. Because of its subversive effect in demonstrating that people could live without authority, the alternative economy had to be eliminated.
Essa função significava, acima de tudo, manter a população dependente, para sua sobrevivência, da estrutura institucional existente. Confrontado com a ameaça de uma economia de abundância — as supereficientes, de alta tecnologia, economias locais dos “holons,” baseadas em microfabricação e agricultura intensiva — a reação dele era a do sistema imune de um corpo rejeitando um intruso. Por causa de seu efeito subversivo em evidenciar que as pessoas poderiam viver sem autoridade, a economia alternativa tinha de ser eliminada.
“…kill everyone you can find, burn every structure, and destroy every vehicle. Without exception. The knowledge and equipment that makes these communities work must be eradicated. The cultural memory that they ever existed must be erased….145
“…mate todo mundo que possa encontrar, incendeie toda estrutura e destrua todo veículo. Sem exceção. O conhecimento e o equipamento que fazem essas comunidades funcionar tem de ser erradicado. A memória cultural de que eles tenham jamais existido precisa ser apagada….145
This problem—how to maintain the power of the old ruling hierarchies where there is no longer a material need for them—is a recurring theme in literature. Something like it was the thesis of “Goldstein’s Book,” in 1984. The industrial economies of the 20th century created the problem of abundance: a populace with enough leisure to remove their noses from the grindstone and start asking pointed questions about the age-old systems of authority they observed in their world. In order to maintain the power of the old ruling hierarchies — the kings and priests, the bureaucrats, the owners and employers — it was necessary to destroy the subversive threat of abundance, and to keep the general public poor and stupid. The beauty of perpetual war with Eurasia and Eastasia was that it enabled Oceania to blast unlimited amounts of economic output into the stratosphere or sink them to the bottom of the sea, and push everyone down to the margin of subsistence so they’d be too busy staying alive to ask all sorts of impertinent questions.
Esse problema — como manter o poder das velhas hierarquias dominantes onde não há mais necessidade material delas — é tema recorrente na literatura. Algo da espécie foi a tese do “Livro de Goldstein,” em 1984. As economias industriais do século 20 criaram o problema da abundância: uma população com lazer suficiente para tirar seus narizes do rebolo e começar a fazer perguntas incisivas acerca dos vetustos sistemas de autoridade que observavam em seu mundo. Para ser mantido o poder das antigas hierarquias dominantes — os reis e sacerdotes, os burocratas, os proprietários e os empregadores — era necessário destruir a ameaça subversiva da abundância, e manter o público em geral pobre e estúpido. O bom da guerra perpétua com a Eurásia e a Lestásia era ela permitir a Oceania despejar quantidade ilimitada de produção econômica na estratosfera ou jogá-la no fundo do oceano e arrastar todo mundo para o nível de subsistência de tal modo que todos ficassem ocupados demais mantendo-se vivos para formular qualquer tipo de pergunta impertinente.
The satirical Report from Iron  Mountain, published in 1967, was a fictitious government document addressing the need for some moral equivalent of war to maintain public deference to the ruling and owning classes in the face of the subversive effects of world peace. The primary benefit of a society organized for war was not the ability of the society to conduct wars resulting from conflicts with foreign powers; such wars were an outgrowth of the internal imperatives of societies organized for war, rather than any external dynamic. Rather, it was necessary that a society be organized for war—justified by some foreign “threat” real or contrived—in order to preserve a domestic system of power.
O satírico Relatório da Montanha de Ferro, publicado em 1967, era um documento fictício do governo tratando da necessidade de algum equivalente moral da guerra para manter a deferência do público em relação às classes dominante e proprietária face aos efeitos subversivos da paz mundial. O principal benefício de uma sociedade organizada para a guerra não era a capacidade da sociedade de conduzir guerras resultantes de conflitos com potências estrangeiras; tais guerras eram uma consequência dos imperativos internos de sociedades organizadas para a guerra, em vez de qualquer dinâmica externa. Antes, era necessário que uma sociedade fosse organizada para a guerra — justificada por alguma “ameaça” externa real ou inventada — para preservar um sistema doméstico de poder.
Without [war], no government has ever been able to obtain acquiescence in its "legitimacy," or right to rule its society. The possibility of war provides the sense of external necessity without which no government can long remain in power. The historical record reveals one instance after another where the failure of a regime to maintain the credibility of a war threat led to its dissolution, by the forces of private interest, of reactions to social injustice, or of other disintegrative elements. The organization of a society for the possibility of war is its principal political stabilizer.
Sem [guerra], nenhum governo foi jamais capaz de obter aquiescência quanto a sua "legitimidade," ou ao direito de governar sua sociedade. A possibilidade de guerra oferece o sentimento de necessidade externa sem o qual nenhum governo pode permanecer por longo tempo no poder. O registro histórico revela um exemplo atrás do outro no qual a incapacidade de um regime de manter a credibilidade de uma ameaça de guerra levou a sua dissolução, pelas forças do interesse privado, de reações contra a injustiça social, ou de outros elementos desintegradores. A organização de uma sociedade para a possibilidade de guerra é o principal estabilizador político dele.
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The permanent possibility of war is the foundation for stable government; it supplies the basis for general acceptance of political authority. It has enabled societies to maintain necessary class distinctions, and it has ensured the subordination of the citizen to the state, by virtue of the residual war powers inherent in the concept of nationhood. No modern political ruling group has successfully controlled its constituency after failing to sustain the continuing credibility of an external threat of war.146
A possibilidade permanente de guerra é o fundamento do governo estável; ela fornece a base para aceitação geral da autoridade política. Ela tem permitido às sociedades manterem imprescindíveis distinções de classe, e assegurado a subordinação do cidadão ao estado, em virtude dos poderes de guerra residuais inerentes ao conceito de nação. Nenhum grupo político dominante moderno controlou de modo bem-sucedido seus eleitores depois de não conseguir manter a contínua credibilidade de uma ameaça externa de guerra.146
In the more succinct phrasing of Randolph Bourne, “War is the health of the state.” The putative “study group's” perspective was much like that of the equally fictional Emanuel Goldstein, who saw the warring superpowers of 1984 as three sheaves of wheat propping each other up. Or as Noam Chomsky put it nonfictionally: “Putting second-order complexities to the side, for the USSR the Cold War has been primarily a war against its satellites, and for the US a war against the Third World. For each, it has served to entrench a particular system of domestic privilege and coercion.”147
No fraseado mais sucinto de Randolph Bourne, “A guerra é a saúde do estado.” A perspectiva dos putativos “grupos de estudo” era muito parecida com o do igualmente ficcional Emanuel Goldstein, que viu as superpotências em guerra do 1984 como três feixes de trigo cada um escorando os outros. Ou como não-ficcionalmente expressou Noam Chomsky: “Pondo-se de lado complexidades de segunda ordem, para a URSS a Guerra Fria tem sido principalmente uma guerra contra seus satélites, e para os Estados Unidos uma guerra contra o Terceiro Mundo. Para cada um dos dois, ela tem servido para robustecer um sistema doméstico específico de privilégio e coerção.”147
One might imagine a similar “study group,” confronted with the destabilizing effects of abundance on systems of authority conditioned on scarcity, formulating an agenda for maintaining artificial scarcity after the material necessity for it has disappeared. The Iron Mountain study group contemptuously dismissed the myth that organization for war is functionally subordinate to the social system that wars allegedly serve. It is likewise a myth that the management of scarcity is a function carried out on behalf of society, in the face of objective necessity. Rather, the management of scarcity—the rationing of scarce resources—serves the primary purpose of maintaining a system of power which could not exist without scarcity. If scarcity does not exist naturally, therefore, it must be manufactured.
Pode-se imaginar um “grupo de estudo” similar confrontado pelos efeitos desestabilizadores da abundância em sistemas de autoridade dependentes de escassez formulando uma agenda para a manutenção de escassez artificial depois da necessidade material dele ter desaparecido. O estudo de grupo A Montanha de Ferro desconsiderou desdenhosamente o mito de que a organização para a guerra está funcionalmente subordinada ao sistema social aos quais as guerras pretensamente servem. É analogamente um mito a gerência da escassez ser uma função levada a efeito em benefício da sociedade, face a necessidade objetiva. Pelo contrário, a gerência da escassez — o rateio dos recursos escassos — serve ao propósito precípuo de manter um sistema de poder que não poderia existir sem escassez. Portanto, se a escassez não existir naturalmente, terá de ser criada.
The good news is that the ability to manufacture scarcity does not follow from the need. The rentiers and managers are confronting the harsh reality of their increasing inability to manufacture scarcity. The productivity of new technologies of abundance is outstripping their ability to suppress them. The recording industry's attack on file-sharers was the opening salvo in the war to suppress abundance. Its outcome is a paradigmatic illustration of how all such attacks will fare.
A boa notícia é que a capacidade de manufaturar escassez não decorre da necessidade. Os rentistas e gerentes estão-se deparando com a dura realidade de sua crescente incapacidade de criar escassez. A produtividade de novas tecnologias de abundância está superando a capacidade deles de suprimi-las. O ataque da indústria de gravação contra os compartilhadores de arquivos foi a salva de abertura da guerra para suprimir a abundância. Seu resultado é ilustração paradigmática de qual será o resultado de todos os ataques da espécie.
143 Daniel Suarez, FreedomTM (New York: Dutton, 2010), p. 86.
143 Daniel Suarez, LiberdadeTM (Nova Iorque: Dutton, 2010), p. 86.
144 Ibid., p. 336.
144 Ibid., p. 336.
145 Ibid., p. 293.
145 Ibid., p. 293.
146 Leonard Lewin, Report from Iron Mountain (1967). Online version at Mega.Nu <http://www.mega.nu/ampp/ironmtn.html>.
146 Leonard Lewin, Relatório da Montanha de Ferro (1967). Versão online em  Mega.Nu <http://www.mega.nu/ampp/ironmtn.html>.
Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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