Tuesday, July 12, 2011

C4SS - The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy (25-30/47)

building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Center for a Stateless Society Paper No. 11 (Fourth Quarter 2010)
Centro por uma Sociedade sem Estado – Paper No. 11 (Quarto Trimestre de 2010)
The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy
O Grande Domínio do Custo Acrescido: A Economia de Produção de Desperdício
Kevin A. Carson
Kevin A. Carson
Accounting Systems and Broken Windows
Sistemas de Contabilidade e Vitrines Quebradas
A large share of what's conventionally counted as “output” consists of waste production. Many areas of our national life are governed by accounting systems that count the consumption of inputs as an output.
Grande parcela do que é convencionalmente considerado “produção” consiste em produção de desperdício. Muitas áreas de nossa vida nacional são dominadas por sistemas de contabilidade que consideram o consumo de insumos como produção.
For example, economists' calculation of the Gross Domestic Product is a textbook illustration of the "broken window fallacy." That fallacy, according to Frédéric Bastiat, is the belief that a broken window is good because it creates work and revenue for the glaziers. True, said Bastiat, it employs glaziers. But that does not mean that the breaking of windows is a good thing; the owner of the broken window simply spends money to wind up in the same state that he would have been for free had the window not been broken at all. "Society loses the value of objects unnecessarily destroyed....”76
Por exemplo, o cálculo do Produto Interno Bruto pelos economistas é uma ilustração exemplar da "falácia da vitrine quebrada." Essa falácia, de acordo com Frédéric Bastiat, consiste na crença de que uma vitrine quebrada é algo positivo porque cria trabalho e receita para os vidraceiros. Verdade, disse Bastiat, ela dá emprego a vidraceiros. Isso, porém, não significa que quebrar vitrines seja algo positivo; o dono da vitrine quebrada simplesmente gasta dinheiro para acabar no mesmo estado em que estaria, de graça, se a vitrina não tivesse sido quebrada. "A sociedade perde o valor de objetos desnecessariamente destruídos....”76
As the authors of Natural Capitalism point out, anything that involves an expenditure of money adds to the GDP.77 Jonathan Rowe writes:
Como destacam os autores de Capitalismo Natural, qualquer coisa que envolva gasto de dinheiro acrescenta-se ao PIB.77 Jonathan Rowe escreve:
The GDP is simply a gross measure of market activity, of money changing hands. It makes no distinction whatsoever between the desirable and the undesirable, or costs and gain. On top of that, it looks only at the portion of reality that economists choose to acknowledge—the part involved in monetary transactions. The crucial economic functions performed in the household and volunteer sectors go entirely unreckoned. As a result the GDP not only masks the breakdown of the social structure and the natural habitats upon which the economy—and life itself—ultimately depend; worse, it portrays such breakdown as economic gain.78
O PIB é simplesmente uma medida bruta da atividade do mercado, do dinheiro mudando de mãos. Ele não faz distinção nenhuma entre o desejável e o indesejável, ou custos e ganho. Além disso, olha apenas para a porção da realidade que os economistas escolhem reconhecer — a parte envolvida em transações monetárias. As funções econômicas cruciais desempenhadas nos lares e nos setores voluntários ficam inteiramente sem ser computadas. Em decorrência, o PIB não apenas mascara a segmentação da estrutura social e os habitats naturais dos quais a economia — e a própria vida — em última análise dependem; pior, pinta tal segmentação como ganho econômico.78
Or as Scott Burns put it, "The value of a friend's services on his own car is excluded from GNP. But the cost of his accident, ambulance ride, and hospital stay is not."79
Ou, nas palavras de Scott Burns, "O valor dos serviços de um amigo no próprio carro dele é excluído do PIB. O custo do acidente dele, porém, a corrida da ambulância e a internação no hospital não o são."79
Everything that entails the expenditure of money adds to the GDP, even if most of the cost is waste that adds nothing to the actual production of use-value. A pileup on the expressway that totals out a dozen cars and results in several funerals or several people spending weeks on life support means millions of dollars added to the GDP. When you pay three times as much to buy food grown in another country with subsidized irrigation water and trucked to you on subsidized highways, as it would cost to buy food of identical quality grown by a local farmer and distributed in bulk without a brand-name markup, it adds three times as much to the GDP—even though you're just having to work three times as long to obtain identical (or inferior) use-values.
Tudo o que implica em gasto de dinheiro acrescenta-se ao PIB, mesmo se a maior parte do custo for desperdício que nada acrescenta à real produção de valor de uso. Uma colisão de diversos veículos numa rodovia envolvendo uma dúzia de carros e resultando em diversos funerais ou diversas pessoas passando semanas vivendo por aparelhos significa milhões de dólares acrescentados ao PIB. Quando, para comprarmos comida produzida em outro país com água de irrigação subsidiada e trazida a nós por caminhões em rodovias subsidiadas, pagamos três vezes o preço que pagaríamos para comprar comida de qualidade idêntica produzida por fazendeiro local e distribuída em grande quantidade sem acréscimo devido ao nome de marca, tal despesa acrescenta ao PIB valor correspondente ao triplo da despesa com compra de alimentos locais — embora o que ocorra seja apenas estarmos trabalhando três vezes em vez de uma para obtermos valores de uso idênticos (ou inferiores).
The internal accounting mechanism of the large corporation is similar to that entailed in calculating GDP, in that it counts expenditure on inputs as the creation of wealth. Given the pervasiveness of state cartelization, a major share of the economy is made up of oligopoly markets dominated by a handful of firms. Because oligopoly firms tend to be “price-givers” rather than “price-takers,” and to be able to pass their costs on as a markup to the consumer via administered pricing, they are largely insulated from competitive pressure for minimizing costs.
O mecanismo interno de contabilidade da grande corporação é semelhante àquele utilizado para calcular o PIB, na medida em que ele conta gastos com insumos como sendo criação de riqueza. Dada a universalidade da cartelização estatal, uma parcela majoritária da economia é formada de mercados oligopolistas dominados por um punhado de firmas. Como as firmas oligopolistas tendem a ser “estabelecedoras de preços” e não “sujeitas a preços,” e a ter como repassar seus custos como acréscimo para o consumidor via preços administrados, elas ficam em grande parte insuladas em relação à pressão competitiva por minimização de custos.
The dominant firms in an oligopoly market usually have similar internal cultures in most regards, and are likely to follow the same “best practices.” Many such aspects of their business models aren't matters for competition, because they are based on the same set of unquestioned assumptions common to the institutional culture of the entire industry.
As firmas dominantes num mercado oligopolizado têm, usualmente, sob diversos aspectos, culturas internas semelhantes, e tendem a observar as mesmas “melhores práticas.” Muitos desses aspectos de seus modelos de negócios não são objeto de competição, porque estão baseados no mesmo conjunto de premissas não questionadas comum à cultura institucional da indústria inteira.
Large corporations are also frequently isolated from pressures to minimize costs because of the superfluity of capital available for investment. Large corporations are rarely dependent either on new stock issues or capital markets to finance new investment, choosing instead to finance expansion of capacity or upgrades of plant and equipment through retained earnings. But as Martin Hellwig pointed out, far from serving as a constraint or imposing the need to ration investment, the value of retained earnings often exceeds the total value of opportunities for rational investment.80 Under such circumstances, the firm may well overinvest or be prodigal in the use of its funds for the sake of internal empire-building, rather than issue the surplus as dividends.
Grandes corporações também ficam amiúde isoladas de pressões para minimizar custos devido à superabundância do capital disponível para investimento. As grandes corporações raramente dependem ou de novas emissões de ações ou de mercados de capitais para financiarem novos investimentos, optando, em vez disso, por financiar expansão de capacidade ou melhoramentos de fábricas e equipamentos por meio de ganhos retidos. Como ressaltou, porém, Martin Hellwig, longe de servir como restrição ou de impor a necessidade de racionar investimentos, o valor dos ganhos retidos amiúde excede o valor total de oportunidades de investimento racional.80 Em tais circunstâncias, a firma bem poderá superinvestir ou ser pródiga no uso de seus fundos no intuito de aumento de poderio interno(*), em vez de emitir o excedente como dividendos.

(*) Literalmente, construção de império interna. Isto é, aumentar o tamanho ou a abrangência do poder ou da influência (de um indivíduo ou organização). A ideia é a de os gerentes valorizarem mais a expansão de suas unidades de negócios, os níveis da equipe e o valor dos ativos sob seu controle do que o desenvolvimento e a implementação de maneiras de beneficiar os acionistas. Ver Investopedia, ‘Empire Building’.
As with GDP calculations, Robin Marris wrote, the bureaucratic culture of the corporation
Do mesmo modo que com os cálculos do PIB, escreveu Robin Marris, a cultura burocrática da corporação
is likely to divert emphasis from the character of the goods and services produced to the skill with which these activities are organized.... The concept of consumer need disappears, and the only question of interest... is whether a sufficient number of consumers, irrespective of their "real need" can be persuaded to buy [a proposed new product]."81
tende a desviar a ênfase do caráter dos bens e serviços produzidos para o engenho com que essas atividades são organizadas.... O conceito de necessidade do consumidor desaparece, e a única questão de interesse... é se número suficiente de consumidores, independentemente de sua "necessidade real", pode ser persuadido a comprar [um novo produto proposto]."81
The result, as in the calculational chaos of the old Soviet Union, is not that technical progress stops or that production of a kind takes place, but that enormous sums are spent on capital outlays with no reliable way of knowing whether the expenditure was worth it. The large corporation is riddled with the same irrationality and uneven development that plagued the USSR.
O resultado, como no caos de cálculo da antiga União Soviética, não é o progresso técnico cessar ou ter lugar produção de determinado tipo, e sim enormes somas serem gastas em desembolsos de capital sem haver qualquer modo fidedigno se se saber se a despesa valeu a pena. A grande corporação está eivada da mesma irracionalidade e do mesmo desenvolvimento desigual que afligiram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS.
Richard Ericson remarked on the ability of communist systems to achieve great feats of engineering without regard to cost:
Richard Ericson fez observações acerca da capacidade dos sistemas comunistas de lograrem grandes feitos de engenharia sem preocupação com custo:
When the system pursues a few priority objectives, regardless of sacrifices or losses in lower priority areas, those ultimately responsible cannot know whether the success was worth achieving.82
Quando o sistema persegue uns poucos objetivos prioritários, independentemente de sacrifícios ou prejuízos em áreas de menor prioridade, as pessoas com responsabilidade final não têm como saber se valeu a pena alcançar sucesso.82
Consider also Hayek's prediction of the uneven development, irrationality, and misallocation of resources within a planned economy:
Consideremos também a previsão de Hayek acerca do desenvolvimento desigual, da irracionalidade e da alocação equivocada de recursos numa economia planificada:
There is no reason to expect that production would stop, or that the authorities would find difficulty in using all the available resources somehow, or even that output would be permanently lower than it had been before planning started.... [We should expect] the excess development of some lines of production at the expense of others and the use of methods which are inappropriate under the circumstances. We should expect to find overdevelopment of some industries at a cost which was not justified by the importance of their increased output and see unchecked the ambition of the engineer to apply the latest development elsewhere, without considering whether they were economically suited to the situation. In many cases the use of the latest methods of production, which could not have been applied without central planning, would then be a symptom of misuse of resources rather than a proof of success.
Não há motivo para esperar que a produção cesse, ou as autoridades encontrem dificuldade em usar de algum modo todos os recursos disponíveis, ou mesmo que a produção venha a tornar-se permanentemente mais baixa do que era antes de ter sido começado o planejamento.... [Devemos esperar] desenvolvimento excessivo de algumas linhas de produção a expensa de outras e o uso de métodos inadequados dadas as circunstâncias. Devemos esperar encontrar superdesenvolvimento de algumas indústrias a custo não justificado pela importância do aumento de sua produção e ver não ser contida a ambição do engenheiro de aplicar a técnica mais recente em algum ponto, sem considerar se economicamente adequada para a situação. Em muitos casos o uso dos métodos mais recentes de produção, que poderiam não ter sido aplicados não fora o planejamento centralizado, será pois sintoma de mau uso de recursos, em vez de prova de sucesso.
As an example he cited “the excellence, from a technological point of view, of some parts of the Russian industrial equipment, which often strikes the casual observer and which is commonly regarded as evidence of success....”83
Como exemplo ele citou “a excelência, de um ponto de vista tecnológico, de algumas partes do equipamento industrial russo, que amiúde deixa pasmado o observador descuidoso e é comumente visto como evidência de sucesso....”83
I'd be hard-pressed to find a better description of how capital is allocated under our corporatist economy. Entire categories of goods and production methods have been developed at enormous expense, either within military industry or by state-subsidized R&D in the civilian economy, without regard to cost. Production methods are radically distorted by such subsidies, as well. Economic centralization and capital-intensive, blockbuster production facilities become artificial profitable, thanks to the Interstate Highway System and civil aviation.
Eu teria dificuldade para encontrar melhor descrição de como o capital é alocado em nossa economia corporatista. Categorias inteiras de bens e métodos de produção foram desenvolvidas com enorme despesa, ou na indústria militar ou por pesquisa e desenvolvimento - R&D subsidiada pelo estado na economia civil, sem preocupação com custo. Os métodos de produção, bem assim, ficam radicalmente distorcidos por tais subsídios. Centralização econômica e instalações de produção maciça capital-intensivas tornam-se artificialmente lucrativas, graças ao Sistema de Rodovias Interestaduais e à aviação civil.
What's more, as we shall see shortly, the quotes above on communist central planning also describe the pervasive irrationality within the large corporation: management featherbedding and self-dealing; “cost-cutting” measures that hollow out productive resources while leaving management's petty empires intact; the pouring of money down the ratholes of enormous capital projects undertaken primarily for their prestige value; and the tendency to extend bureaucratic domain while cutting maintenance and support for existing obligations. Management's allocation of resources may create use value of a sort—but with no reliable way to assess the opportunity costs or determine whether the benefit was worth it.
Mais ainda, como logo veremos, as citações acima acerca do planejamento centralizado comunista descrevem também a disseminada irracionalidade dentro da grande corporação: quantidade excessiva/desnecessária de gerentes e atuação deles em interesse próprio; medidas de “corte de custos” que esvaziam recursos produtivos deixando intactos os pequeninos impérios dos gerentes; o derramamento de dinheiro pelos bueiros de enormes projetos de capital empreendidos precipuamente por seu valor de prestígio; e a tendência de ampliar o domínio burocrático enquanto são cortados manutenção e suporte para as obrigações já existentes. A alocação de recursos pela gerência pode criar alguma espécie de valor de uso  — sem contudo haver modo fidedigno de avaliar os custos de oportunidade ou se o benefício valeu a pena.
The dominant corporate accounting model results, to a large extent, from the imperatives of mass production. The mass production industrial model is based on using extremely expensive, product-specific capital equipment, which in turn requires large batch production to run the machinery at full speed and spread capital amortization costs out over as many units as possible. This means that production is undertaken for the primary purpose of fully utilizing productive capacity and achieving economies of speed, without regard to spontaneous, preexisting demand. The accounting system used within the typical large corporation reflects this requirement.
O modelo dominante de contabilidade corporativa resulta, em grande medida, dos imperativos da produção em massa. O modelo industrial de produção em massa está baseado na utilização de equipamento-capital extremamente caro voltado para produto específico, o que, por sua vez, requer grande produção em lotes para fazer funcionar o maquinário em velocidade total e distribuir os custos de amortização do capital por tantas unidades quantas possível. Isso significa que a produção é empreendida com o propósito precípuo de utlizar plenamente capacidade produtiva e obter economias de velocidade, sem consideração para com a demanda espontânea preexistente. O sistema de contabilidade usado dentro da grande corporação típica reflete essa exigência.
In Sloanist management accounting, according to William Waddell and Norman Bodek, inventory is counted as an asset “with the same liquidity as cash.” Regardless of whether a current output is needed to fill an order, the producing department sends it to inventory and is credited for it. Under the practice of “overhead absorption,” all overhead costs are fully incorporated into the price of goods “sold” to inventory, at which point they count as an asset on the balance sheet.
Na contabilidade da gerência sloanista, de acordo com William Waddell e Norman Bodek, o estoque é contado como ativo “com a mesma liquidez do dinheiro.” Independentemente de um produto existente ser necessário ou não para atender a uma encomenda, o departamento produtor envia-o para o estoque e é creditado por ele. Dentro da prática de “absorção de overhead,” todos os custos de overhead são completamente incorporados ao preço dos bens “vendidos” para o estoque, que nesse momento passam a ser considerados como ativo na folha de balanço.
With inventory declared to be an asset with the same liquidity as cash, it did not really matter whether the next 'cost center,' department, plant, or division actually needed the output right away in order to consummate one of these paper sales. The producing department put the output into inventory and took credit.84
Com o estoque declarado como ativo com a mesma liquidez que o dinheiro, realmente não importa se o próximo 'centro de custos,' departamento, fábrica ou divisão em realidade precisava do produto de imediato para consumar uma dessas vendas no papel. O departamento produtor colocou o produto no estoque e ganhou crédito.84
...Expenses go down..., while inventory goes up, simply by moving a skid full of material a few operations down the stream. In fact, expenses can go down and ROI can improve even when the plant pays an overtime premium to work on material that is not needed; or if the plant uses defective material in production and a large percentage of the output from production must be scrapped.85
...As despesas diminuem..., enquanto o estoque aumenta, simplesmente movendo-se um palete cheio de material para algumas operações adiante no fluxo. Na verdade, as despesas podem diminuir e o retorno do investimento - ROI pode melhorar mesmo quando a fábrica paga horas extras para trabalho com material não necessário; ou se a fábrica usar material defeituoso e grande percentagem dos resultados da produção tenha de ser descartada.85
...By defining the creation of inventory, including work-in-process, as a money-making endeavor, any incentive to encourage flow went out the window. The 1950s saw the emergence of warehouses as a logical and necessary adjunct to manufacturing. Prior to that, the manufacturing warehouse was typically a small shed out behind the plant.... By the 1960s warehouse space often equaled, or exceeded, production space in many plants....86
...Com a definição da criação de estoque, inclusive produtos não acabados, como atividade geradora de dinheiro, qualquer incentivo para estimular o fluxo é jogado pela janela. Os anos 1950 viram o surgimento de depósitos como acessório lógico e indispensável da fábrica. Antes disso, o depósito da fábrica era geralmente uma pequena construção externa atrás da fábrica... Nos anos 1960 o espaço de depósitos amiúde era igual a, ou excedia, o espaço de produção em muitas fábricas....86
In other words, by the Sloanist accounting principles predominant in American industry, the expenditure of money on inputs is by definition the creation of value. As Waddell described it at his blog,
Em outras palavras, pelos princípios da contabilidade sloanista predominantes na indústria estadunidense, o dispêndio de dinheiro em insumos é, por definição, a criação de valor. Como descreveu em seu blog Waddell,
companies can make a bunch of stuff, assign huge buckets of fixed overhead to it and move those overheads over to the balance sheet, making themselves look more profitable.
as empresas podem fazer um monte de coisas, atribuir enormes baldes de overhead fixo a essas coisas e transferir esses overheads para a folha de balanço, fazendo-se parecer mais lucrativas.
Paul Goodman's phrase “great domain of cost-plus” sums it up perfectly. The culture of cost-plus is traditionally associated with the public utility, and (in the brilliant work of Seymour Melman) the military contractor.87 The firm is insulated from market competition, and has a guaranteed revenue source, so that it can set its prices on a cost-plus markup basis. There is, accordingly, no incentive to minimize costs. The higher the production cost is padded with waste and featherbedding, the higher the firm can set its prices. This is the cost-maximizing incentive structure that resulted in the Pentagon's notorious $600 toilet seats. But it prevails as well, in kind if not to quite the same degree, in the large firms in civilian oligopoly markets. The large corporation has a significant portion of its operating costs subsidized by the state, and typically operates with a superfluity of investment capital from retained earnings. It exists in a market of restricted competition in a state-fostered cartel. Not only is most competition in terms of brand image and minor variations in features rather than price, but even the competition in features is limited by the ability of oligopoly firms to collude in rationing technical improvements over time—with the help, of course, of government regulations in limiting the range of competition in product features and quality (remember that Paul Goodman quote about “fixed prices and slowly spooned-out improvements”?).
A frase de Paul Goodman “grande domínio do custo-acrescido” resume isso perfeitamente. A cultura do custo-acrescido está tradicionalmente associada aos serviços públicos, e (na brilhante obra de Seymour Melman) aos empreiteiros militares.87 A firma fica isolada da competição do mercado, e tem fonte garantida de receita, de tal modo que pode fixar seus preços em base de margem estipulada somada ao custo. Acordemente, não há qualquer incentivo para minimizar custos. Quanto mais o custo de produção for incrementado com desperdício e supercontratação, mais altos preços a firma poderá estabelecer. Essa é a estrutura de incentivo à maximização de custos que resultou nos notórios vasos sanitários de $600 dólares do Pentágono. Essa estrutura prevalece também, contudo, em espécie, se não exatamente no mesmo grau, nas grandes firmas dos mercados civis oligopolistas. A grande corporação tem significativa porção de seus custos operacionais subsidiados pelo estado, e normalmente opera com abundância de capital de investimento oriundo de ganhos retidos. Existe num mercado de competição restrita num cartel fomentado pelo estado. Não apenas a maior parte da competição ocorre em termos de imagem de marca e de variações menores em características, em vez de em preço, mas até a competição em características é limitada pela capacidade das firmas oligopolizadas de conluiarem-se para racionar os aperfeiçoamentos técnicos ao longo do tempo — com a ajuda, naturalmente, das regulamentações do governo limitando o âmbito da competição em características e qualidade do produto (lembram-se da citação de Paul Goodman acerca de “preços fixos e aperfeiçoamentos vagarosamente procedidos”?).
The very idea of “marginal productivity” is meaningless in such an environment. “Marginal productivity” is defined as the portion which a given expenditure adds to the additional revenue stream which is realized when the product is sold. But in an atmosphere of cost-plus markup, every expenditure on administrative overhead or wastefully allocated capital increases the final price of the good on (at least) a one-to-one basis.
A própria ideia de “produtividade marginal” fica sem sentido nesse ambiente. “Produtividade marginal” é definida como a porção que determinada despesa acrescenta ao fluxo adicional de receita concretizado ao o produto ser vendido. Ocorre que, numa atmosfera de margem estipulada acrescida ao custo, toda despesa em overhead administrativo ou capital desperdiçadoramente alocado aumenta o preço final do bem na base de (pelo menos) um para um.
And even if internal bureaucratic waste and overhead do have a detrimental effect on productivity and the nominal profit margin, management is the de facto residual claimant and management remuneration is the de facto profit for whose sake the enterprise actually exists. The shareholder, in reality, is at best a contractual claimant with even fewer actionable rights than a bondholder; whether management issues a dividend at all is entirely at their discretion, while they can set their own salaries virtually without limit in mutual logrolling with the Board of Directors. So management may very well choose, entirely rationally, to take a large slice of a small pie in preference to maximizing the size of the whole pie.
E mesmo se o desperdício burocrático interno e o overhead tiverem efeito nocivo sobre a produtividade e a margem de lucro nominal, a gerência é a reivindicadora residual de fato e a remuneração da gerência é o lucro de fato para o qual a empresa realmente existe. O acionista, na realidade, é, na melhor das hipóteses, um reivindicador contratual com direitos litigáveis ainda menores do que os de um detentor de título de renda fixa; se a gerência em absoluto emitirá dividendos é algo que fica inteiramente à discrição dela própria, e ao mesmo tempo ela pode estabelecer seus próprios salários praticamente sem limite em troca mútua de favores com a Diretoria. Assim, a gerência pode muito bem escolher, de maneira inteiramente racional, tomar grande fatia de um pequeno bolo em lugar de maximizar o tamanho do bolo.
It's interesting to consider the parallels between the management accounting system of the typical large American corporation and the old Soviet planned economy. Both equated the using up of inputs to the creation of value. “Selling to inventory,” under standard management accounting rules, is equivalent to the incentive systems for production under a Five-Year Plan: there is no incentive to produce goods that will actually work or be consumed.
É interessante considerar os paralelismos entre o sistema de contabilidade gerencial da corporação estadunidense típica e a antiga economia planificada soviética. Ambas fazem equivaler o consumo de insumos à criação de valor. “Vender para o estoque,” de acordo com as regras-padrão de contabilidade gerencial, é equivalente aos sistemas de incentivo à produção num Plano Quinquenal: não há incentivo para produzir bens que realmente funcionarão ou serão consumidos.
Another parallel between corporate management accounting and state socialism is that the transfer prices assigned to intermediate goods, and credited to the sub-processes that produce them, bear a strong resemblance to the pricing system in the Soviet planned economy.
Outro paralelo entre a contabilidade gerencial corporativa e o socialismo de estado é que os preços de transferência atribuídos a bens intermediários, e creditados aos subprocessos que os produzem, guardam forte semelhança com o sistema de atribuição de preços na economia planificada soviética.
Ludwig von Mises argued that the Soviet economy could more or less stagger along, without being utterly destroyed by the calculation problem, by assigning prices to producer goods in their economy based on price data from external markets.88 Likewise, Murray Rothbard argued, the need for an external market in producer goods was a constraint on the size of a corporation; a monopoly that was vertically integrated to the point that it absorbed all producers of some intermediate good, would face calculational chaos in attempting to rationally allocate inputs of that particular intermediate good.89 But Austrian scholar Peter Klein, developing Rothbard's hints regarding potential calculation problems within the large corporation, argued that the existence of any external market at all for an intermediate good was sufficient.90 But if this is so, if meaningful calculation simply requires the existence of an outside market as a reference source for establishing internal transfer prices, without prices in that external market necessarily reflecting the spot conditions of supply and demand within the firm, then the Soviet economy stood and fell on the same terms as the American corporation when it came to establishing the prices it used internally based on rough approximations from distant markets.
Ludwig von Mises argumentou que a economia soviética podia mais ou menos cambalear sem ser completamente destruída pelo problema dos cálculos mediante atribuir preços aos bens de produção em sua economia baseando-se em dados de preços de mercados externos.88 Do mesmo modo, argumentou Murray Rothbard, a necessidade de um mercado externo em bens de produção representava uma restrição ao tamanho de uma corporação; um monopólio verticalmente integrado a ponto de absorver todos os produtores de algum bem intermediário deparar-se-ia com caos de cálculo ao tentar alocar racionalmente insumos daquele bem intermediário específico.89 Contudo, o acadêmico austríaco Peter Klein, desenvolvendo as observações de Rothbard acerca de problemas potenciais de cálculo dentro da grande corporação, argumentou que a existência de qualquer mercado externo, em absoluto, para um bem intermediário, era suficiente.90 Se porém for assim, se cálculo viável simplesmente requerer a existência de um mercado externo como fonte de referência para o estabelecimento de preços de transferência internos, sem os preços naquele mercado externo necessariamente refletirem as condições imediatas de oferta e demanda dentro da firma, então a economia soviética manteve-se e desabou nos mesmos termos da corporação estadunidense quando esta veio a estabelecer os preços que usava internamente com base em aproximações toscas oriundas de mercados distantes.
What's more, there is in fact no external market for a large portion of the intermediate goods used in production by the typical large American corporation, because so many product components are unique to a particular company's design. If there is no external market for generic versions of some product component, then its internal transfer price must be established (through the kind of bureaucratic process it's best not to imagine) on some sort of cost-plus basis loosely derived the external market price of the producer goods that the component is made out of (or perhaps that those producer goods are made out of). In 1961 John Menge found that “integral, nonsubstitutable, components of the finished product,” for which no external market existed, amounted to some 65% of intermediate goods.91 There is no reason to doubt that a significant share of intermediate goods today is similarly product-specific.
Mais ainda, não há em realidade mercado externo para grande parcela dos bens intermediários usados na produção pela grande corporação estadunidense típica, porque certo número de componentes de produto é exclusivo de um projeto específico da empresa. Se não houver mercado externo para versões genéricas de algum componente de produto, segue-se que seu preço interno de transferência terá que ser estabelecido (por aquele tipo de processo burocrático que é melhor não imaginar) por algum tipo de base de custo acrescido frouxamente derivada do preço de mercado externo dos bens de produção a partir dos quais o componente é feito (ou talvez daqueles a partir dos quais tais bens de produção são feitos). Em 1961 John Menge descobriu que “componentes integrantes, não substituíveis, do produto final” para os quais não existia mercado externo representavam cerca de 65% dos bens intermediários.91 Não há motivo para duvidar de que significativa parcela dos bens intermediários nos dias de hoje seja similarmente específica de produto.
A good example comes from Waddell and Bodek: the “price” assigned to each steering wheel produced on an assembly line. It's a product-specific component, a “good” for which there is no competitive external market hence for which no real external market price exists. It's assigned a “price” in a fake internal market. “Credit for that work—it looks like a payment on the manufacturing budget—is given for performing that simple task because it moves money from expenses to assets.”92
Bom exemplo vem de Waddell e Bodek: o “preço” assinalado a cada volante produzido numa linha de montagem. É um componente específico de produto, um “bem” para o qual não há mercado externo competitivo, portanto para o qual não existe preço real de mercado externo. É-lhe atribuído “preço” num falso mercado interno. “É dado crédito por esse trabalho, pelo desempenho dessa simples tarefa — parece-se com um pagamento no orçamento de fabricação — pelo fato de ela transferir dinheiro de despesas para ativos.”92
76 Frédéric Bastiat, “What is Seen and What is not Seen,” Selected Essays on Political Economy (1848). Trsns. Seymour Cain. Foundation for Economic Education edition, 1995. Hosted at Library of Economics and Liberty <http://www.econlib.org/library/Bastiat/basEss1.html>
76 Frédéric Bastiat, “O Visto e o Não Visto,” Ensaios Escolhidos de Economia Política (1848). Traduções Seymour Cain. Edição da Fundação de Educação Econômica, 1995. Hospedado na Biblioteca de Economia e Liberdade <http://www.econlib.org/library/Bastiat/basEss1.html>
77 Natural Capitalism, pp. 59-60.
77 Capitalismo Natural, pp. 59-60.
78 T. Halstead, Jonathan Rowe, and C. Cobb, "If the GDP is Up, Why is America Down?," The Atlantic Monthly 276(4): 59-78, Oct. 1995, in Natural Capitalism, p. 60.
78 T. Halstead, Jonathan Rowe, e C. Cobb, "Se o PIB está Lá em Cima, Por Que Estão os Estados Unidos Lá em Baixo?," The Atlantic Monthly 276(4): 59-78, outubro de 1995, em Capitalismo Natural, p. 60.
79 Scott Burns, The Household Economy: Its Shape, Origins, & Future (Boston: The Beacon Press, 1975), pp. 61-62.
79 Scott Burns, A Economia Familiar: Sua Forma, Origens e Futuro (Boston: The Beacon Press, 1975), pp. 61-62.
80 Martin Hellwig, “On the Economics and Politics of Corporate Finance and Corporate Control,” in Xavier Vives, ed., Corporate Governance: Theoretical and Empirical Perspectives (Cambridge: Cambridge University Press, 2000), pp. 114-115.
80 Martin Hellwig, “Acerca da Economia e da Política da Finança Corporativa e do Controle Corporativo,” in Xavier Vives, ed., Governança Corporativa: Perspectivas Teóricas e Empíricas (Cambridge: Cambridge University Press, 2000), pp. 114-115.
81 Quoted in Stein, Size, Efficiency, and Community Enterprise, p. 55.
81 Citado em Stein, Porte, Eficiência, e Empresa Comunitária, p. 55.
82 Richard Ericson, “The Classical Soviet-Type Economy: Nature of the System and Implications for Reform,” Journal of Economic Perspectives 5:4 (1991), p. 21.
82 Richard Ericson, “A Economia Clássica de Tipo Soviético: Natureza do Sistema e Implicações para Reforma,” Jornal de Perspectivas Econômicas 5:4 (1991), p. 21.
83 F. A. Hayek, “Socialist Calculation II: The State of the Debate (1935),” in Hayek, Individualism and Economic Order (Chicago: University of Chicago Press, 1948), pp. 149-150.
83 F. A. Hayek, “Cálculo Socialista II: O Estado do Debate (1935),” in Hayek, Individualismo e Ordem Econômica (Chicago: Imprensa da Universidade de Chicago, 1948), pp. 149-150.
84 William H. Waddell and Norman Bodek, Rebirth of American Industry: A Study of Lean Management (Vancouver, WA: PCS Press, 2005), p. 75. The term “Sloanism” refers to the central role of Alfred Sloan and chief accountant Donaldson Brown, first at DuPont and then at General Motors, in formulating the management accounting rules that govern large corporations today.
84 William H. Waddell e Norman Bodek, Renascimento da Indústria Estadunidense: Um Estudo Acerca de Gerência Enxuta (Vancouver, WA: PCS Press, 2005), p. 75. O termo “sloanismo” refere-se ao papel central de Alfred Sloan e do contador-chefe Donaldson Brown, primeiro na DuPont e depois na General Motors, na formulação das regras de contabilidade gerencial que orienta as grandes corporações dos dias de hoje.
85 Ibid., p. 140.
85 Ibid., p. 140.
86 Ibid., p. 97.
86 Ibid., p. 97.
87 Seymour Melman, The Permanent War Economy: American Capitalism in Decline (New York: Simon and Schuster, 1974).
87 Seymour Melman, A Economia da Guerra Permanente: Capitalismo Estadunidense em Declínio (New York: Simon and Schuster, 1974).
88 Ludwig von Mises, Human Action: A Treatise on Economics. Third Revised Edition (Chicago: Henry Regnery Company, 1949, 1963, 1966), p. 703.
88 Ludwig von Mises, Ação Humana: Tratado de Economia. Terceira Edição Revisada (Chicago: Henry Regnery Company, 1949, 1963, 1966), p. 703.
89 Rothbard, Man, Economy, and State, pp. 549, 585.
89 Rothbard, Homem, Economia e Estado, pp. 549, 585.
90 Peter Klein, “Economic Calculation and the Limits of Organization,” The Review of Austrian Economics 9:2 (1996), p. 14n.
90 Peter Klein, “Cálculo Econômico e os Limites da Organização,” A Revisão da Economia Austríaca 9:2 (1996), p. 14n.
91 John A. Menge, “The Backward Art of Interdivisonal Transfer Pricing,” The Journal of Industrial Economics 9:3 (July 1961), pp. 218-225.
91 John A. Menge, “A Arte Retrógrada de Preço de Transferência Interdivisional,” O Jornal de Economia Industrial 9:3 (julho de 1961), pp. 218-225.
92 Waddell and Bodek, The Rebirth of American Industry, pp. 89, 92.
92 Waddell e Bodek, O Renascimento da Indústria Estadunidense, pp. 89, 92.
Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

No comments:

Post a Comment