Wednesday, July 6, 2011

C4SS - The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy (15-17)

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PORTUGUÊS
C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Center for a Stateless Society Paper No. 11 (Fourth Quarter 2010)
Centro por uma Sociedade sem Estado – Paper No. 11 (Quarto Trimestre de 2010)
The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy
O Grande Domínio do Custo Acrescido: A Economia de Produção de Desperdício
Kevin A. Carson
Kevin A. Carson
15-17/47
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Radical Monopoly
Monopólio Radical
The concept of radical monopoly overlaps heavily with that of privilege or artificial property rights. Radical monopoly, by subsidizing more costly ways of doing things and penalizing or imposing costs on cheaper alternatives, compels the individual to consume goods and services that are more costly to produce in terms of effort and disutility, when (had not such alternatives been artificially suppressed)
she might have preferred less effort- and disutility-intensive alternatives. It should be clear, therefore, that radical monopoly is closely related to the basic operating principle of privilege: requiring individuals to exert effort over and above what is required to produce a given consumption good.
O conceito de monopólio radical imbrica fortemente no de privilégio ou de direitos artificiais de propriedade. O monopólio radical, mediante subsidiar modos mais dispendiosos de fazer as coisas e de penalizar ou impor custos a alternativas mais baratas, compele o indivíduo a consumir bens e serviços mais dispendiosos para serem produzidos em termos de esforço e desutilidade, quando (não houvessem tais alternativas sido artificialmente suprimidas) ele poderia ter preferido alternativas menos intensivas em termos de esforço e desutilidade. Deve ficar claro, pois, que o monopólio radical está estreitamente relacionado com o princípio básico de funcionamento do privilégio: exigir que os indivíduos exerçam esforço superior ao requerido para a produção de determinado bem de consumo.
The state and its affiliated corporate system, by mandating minimum levels of overhead for supplying all human wants, create what Ivan Illich called “radical monopolies.”
O estado e seu sistema corporativo associado, ao estipular níveis mínimos de overhead(*) para a satisfação de todos os quereres(**) humanos, cria o que Ivan Illich chamou de “monopólios radicais.”

(*) Overhead - Os custos operacionais de um empreendimento, incluindo os custos de aluguel, serviços públicos, mobiliário/decoração interior e impostos, e não incluindo trabalho e suprimentos. Ver http://www.answers.com/topic/overhead

(**) Wants - Desejos não satisfeitos relativos a si próprio e aos outros. Como as pessoas geralmente visam a satisfazer seus wants, a satisfação dos wants poderá tornar-se meta de política pública, ou diretamente ou mediante resposta aos interesses das pessoas. Ver http://www.answers.com/topic/wants
I speak about radical monopoly when one industrial production process exercises an exclusive control over the satisfaction of a pressing need, and excludes nonindustrial activities from competition....
Falo de monopólio radical quando um processo de produção industrial exerce controle exclusivo sobre a satisfação de uma necessidade premente, e exclui da competição atividades não industriais....
Radical monopoly exists where a major tool rules out natural competence. Radical monopoly imposes compulsory consumption and thereby restricts personal autonomy. It constitutes a special kind of social control because it is enforced by means of the imposed consumption of a standard product that only large institutions can provide.47
Existe monopólio radical quando uma ferramenta maior torna impossível a competência natural. O monopólio radical impõe consumo compulsório e portanto restringe a autonomia pessoal. Constitui tipo especial de controle social porque é tornado efetivo por meio da imposição de consumo de um produto que passa a ser considerado o normal, mas que só grandes instituições podem fornecer.47
Radical monopoly is first established by a rearrangement of society for the benefit of those who have access to the larger quanta; then it is enforced by compelling all to consume the minimum quantum in which the output is currently produced....48
O monopólio radical é estabelecido primeiramente por um rearranjo da sociedade efetuado em benefício daqueles que têm acesso às porções preponderantes da produção; em seguida ele é reforçado mediante todos serem compelidos a consumior a quantidade mínima em que aquilo que é produzido é produzido....48
The goods supplied by a radical monopoly can only be obtained at comparably high expense, requiring the sale of wage labor to pay for them, rather than direct use of one's own labor to supply one's own needs. The effect of radical monopoly is that capital-, credential- and tech-intensive ways of doing things crowd out cheaper and more user-friendly, more libertarian and decentralist, technologies. The individual becomes increasingly dependent on credentialed professionals, and on unnecessarily complex and expensive gadgets, for all the needs of daily life. She experiences an increased cost of
subsistence, owing to the barriers that mandatory credentialing erects against transforming one's labor directly into use-value (Illich's "convivial" production), and the increasing tolls levied by the licensing cartels and other gatekeeper groups.
Os bens fornecidos por um monopólio radical só podem ser obtidos com despesa comparavelmente alta, exigindo a venda de trabalho assalariado para pagá-los, em vez de a pessoa usar seu próprio trabalho diretamente para satisfazer suas próprias necessidades.O efeito do monopólio radical é que os modos intensivos de capital, credenciais e técnicos/tecnológicos de fazerem-se as coisas expulsam as tecnologias mais baratas e de mais fácil utilização, mais libertárias e de índole mais descentralizadora. O indivíduo torna-se cada vez mais dependente de profissionais credenciados e de dispositivos desnecessariamente complexos e caros, para todas as necessidades da vida diária. Ele passa a ter custo mais alto de subsistência, por causa das barreiras que credenciamentos obrigatórios erigem contra a transformação do trabalho da pessoa diretamente em valor de uso (a produção "convival" de Illich), e dos crescentes pedágios impostos pelos cartéis licenciadores e outros grupos de guardas de portões.
....The establishment of a radical monopoly happens when people give up their native ability to do what they can do for themselves and each other, in exchange for something "better" that can be done for them only by a major tool. Radical monopoly reflects the industrial institutionalization of values.... It introduces new classes of scarcity and a new device to classify people according to the level of their consumption. This redefinition raises the unit cost of valuable services, differentially rations privileges, restricts access to resources, and makes people dependent.49
....Ocorre a criação de um monopólio radical quando as pessoas abrem mão de sua capacidade inata de fazer o que podem fazer por si próprias e umas pelas outras, em troca de algo "melhor" que pode ser feito para elas apenas por meio de uma ferramenta maior. O monopólio radical reflete a institucionalização industrial dos valores.... Dá origem a novas classes de escassez e a um novo esquema de classificar pessoas de acordo com o nível de consumo delas. Essa redefinição aumenta o custo unitário de serviços importantes, atribui privilégios diferenciadamente, restringe acesso a recursos, e torna as pessoas dependentes.49
The result is an increased cost of  subsistence. Leopold Kohr observed that “what has actually risen under the impact of the enormously increased production of our time is not so much the standard of living as the level of subsistence.”50 Or as Paul Goodman put it, "decent poverty is almost impossible.”51 Expenditures which are not actually necessary for a given standard of living, have nevertheless been rendered artificially necessary by the effect of state policies which promote the crowding out of less expensive by more expensive ways of doing things.
O resultado é custo de subsistência mais alto. Leopold Kohr observou que “o que em realidade subiu diante do impacto da produção enormemente aumentada de nossa época não é tanto o padrão de vida, e sim o nível de subsistência.”50 Ou, nas palavras de Paul Goodman, "a pobreza decente torna-se quase impossível.”51 Dispêndios em realidade desnecessários para determinado padrão de vida foram todavia tornados artificialmente necessários por efeito de políticas estatais que promovem a expulsão de modos de fazer as coisas menos dispendiosos em favor de mais dispendiosos.
For example: Someone who lives in a walkable city like Florence, within convenient distance of where she shops and works, and has access to convenient public transport for visiting other parts of the city, is likely to view a car as a luxury. On the other hand subsidized fuel, freeways, and automobiles
generate distance between things, so that "[a] city built around wheels becomes inappropriate for feet."52 The car becomes an expensive necessity; feet and bicycle are rendered virtually useless, and the working poor are forced to earn the additional wages to own and maintain a car just to be able to work at all. The typical American suburbanite has been deprived of all alternatives to car ownership by subsidies to sprawl and the car culture. Having no choice, she must treat the car as a necessity. The
GDP is inflated by whatever amount she must spend on periodically buying a car, keeping it insured and in working order, and putting gas in the tank. That portion of the GDP is, essentially, the cost of a
window broken by the state. And it's a huge part of GDP. According to Bill McKibben, in compact, mixed-use communities that emphasize walkability, bike-friendliness and public transit, transportation costs amount to only 4 or 5% of local economic output. In American freeway-centered communities,it's more like 17%.53
Por exemplo: Alguém que viva numa cidade caminhável como Florença, a distância conveniente de onde compre e trabalhe, e tenha acesso a transporte público conveniente para visitar outras partes da cidade, provavelmente considerará um luxo ter carro. Por outro lado, combustível, autoestradas e automóveis subsidiados geram distância entre as coisas, de tal modo que "[uma] cidade construída em torno de rodas torna-se imprópria para caminhadas."52 O carro torna-se necessidade dispendiosa; pés e bicicletas são tornados praticamente inúteis, e os pobres que trabalham são forçados a obter remuneração adicional para possuir e manter um carro, isso apenas para terem como trabalhar. O morador típico de subúrbio estadunidense foi privado de todas as alternativas à propriedade do carro por subsídios ao alastramento urbano e à cultura do carro. Não tendo escolha, tem de tratar o carro como uma necessidade. O PIB é inflado por qualquer seja a quantia que ele tem de gastar periodicamente para comprar um carro, mantê-lo segurado e em condições de funcionar, e para abastecer o tanque. Essa porção do PIB é, essencialmente, o custo de uma vitrine quebrada(*) pelo estado. E é uma enorme porção do PIB. De acordo com Bill McKibben, em comunidades compactas com mescla de comércio e residências que enfatizam a caminhabilidade, o uso de bicicletas e o transporte público, os custos de transporte representam apenas 4 ou 5% da produção econômica local. Nas comunidades estadunidenses centradas em autoestradas, mais de 17%.53

(*) Broken window – Pode ser referência à parábola da vitrine quebrada de Bastiat (ver Wikipedia, Parable of the Broken Window) ou à tese da janela quebrada de James Q. Wilson e George Kelling (ver http://www.answers.com/topic/broken-window-thesis)  
As Hoeschele describes the process: “As a result of the widespread adoption of the new product, infrastructural changes become necessary—changes that often impede the activities of those people who have not yet adopted the new technology. These changes force even the laggards to accept the new technology, whether they want to or not. What began as a want has become a need.”54
Como Hoeschele descreve o processo: “Como resultado da adoção disseminada do novo produto, tornam-se indispensáveis mudanças infraestruturais — mudanças que amiúde tolhem as atividades daquelas pessoas que ainda não tenham adotado a nova tecnologia. Essas mudanças forçam até os retardatários a aceitar a nova tecnologia, queiram ou não. O que começou como um desejo tornou-se uma necessidade.”54
Radical monopoly is associated with a crowding-out process, as standard practices gravitate toward where the rents are.
O monopólio radical está associado a um processo de expulsão, na medida em que práticas padrão tendem para onde estejam os rents(*).

(*) Mantenho o termo original, ‘rents’, lembrando que o autor, em outra parte, refere-se a ‘rents or unearned income’, algo como ‘rents ou renda não decorrente do trabalho’, ou ‘rents ou renda imerecida’. Palavras únicas aceitáveis em português, mas nunca exatas, seriam aluguel, renda e ganho.
47 Ivan Illich, Tools for Conviviality (New York, Evanston, San Francisco, London: Harper & Row, 1973), pp. 52-53.
47 Ivan Illich, Ferramentas para Afabilidade (New York, Evanston, São Francisco, Londres: Harper & Row, 1973), pp. 52-53.
48 Illich, Energy and Equity (1973), Chapter Six (online edition courtesy of Ira Woodhead and Frank Keller)
<http://www.cogsci.ed.ac.uk/~ira/illich/texts/energy_and_equity/energy_and_equity.html>.
48 Illich, Energia e Equidade (1973), Capítulo Seis (edição online cortesia de Ira Woodhead e Frank Keller)
<http://www.cogsci.ed.ac.uk/~ira/illich/texts/energy_and_equity/energy_and_equity.html>.
49 Illich, Tools for Conviviality, p. 54.
49 Illich, Ferramentas para Afabilidade, p. 54.
50 Leopold Kohr, The Overdeveloped Nations: The Diseconomies of Scale (New York: Schocken Books, 1978, 1979), pp. 27-28.
50 Leopold Kohr, As Nações Superdesenvolvidas: As Deseconomias de Escala (New York: Schocken Books, 1978, 1979), pp. 27-28.
51 Goodman, Compulsory Miseducation, in Compulsory Miseducation and The Community of Scholars (New York:
Vintage books, 1964, 1966), p. 108.
51 Goodman, Deseducação Compulsória, em Deseducação Compulsória e A Comunidade dos Eruditos (New York:
livros Vintage, 1964, 1966), p. 108.
52 Illich, Disabling Professions (New York and London: Marion Boyars, 1977), p. 28.
52 Illich, Profissões Incapacitantes (New York e Londres: Marion Boyars, 1977), p. 28.
53 McKibben, Deep Economy: The Wealth of Communities and the Durable Future (New York: Times Books, 2007), p. 154.
53 McKibben, Economia Profunda: A Riqueza das Comunidades e o Futuro Estável (New York: Times Books, 2007), p.154.
54 Hoeschele, The Economics of Abundance, p. 61.
54 Hoeschele, A Economia da Abundância, p. 61.
Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.

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