Wednesday, June 29, 2011

C4SS - The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy (1-6/47)

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C4SS – CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
C4SS - CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado
Center for a Stateless Society Paper No. 11 (Fourth Quarter 2010)
Centro por uma Sociedade sem Estado – Paper No. 11 (Quarto Trimestre de 2010)
The Great Domain of Cost-Plus: The Waste Production Economy
O Grande Domínio do Custo Acrescido: A Economia de Produção de Desperdício
Kevin A. Carson
Kevin A. Carson
Translator’s note – This is how Kevin defines ‘rent’, word that I prefer to keep in English: ‘More or less what the economists mean by "quasi-rents":  a producer surplus, or income higher than what would be required as an incentive
to bring a good to market (i.e., a price consistently higher than the marginal cost of production).  It's called "rent" by way of analogy, from Ricardo's law of rents on land.
Nota do Tradutor - Eis como o autor define ‘rent’: ‘Mais ou menos o que os economistas significam por “quase-renda”: o excedente do produtor, ou receita mais elevada do que a que seria necessária como incentivo para trazer um bem ao mercado (isto é, um preço consistentemente mais elevado do que o custo marginal de produção). Chama-se ‘rent’ por analogia, a partir da lei da renda/aluguel (rents) da terra de Ricardo.’ Esta nota vale para todas as diferentes postagens em que dividi o texto do presente estudo.
1-6/47
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But over and above this we must take into account all the labour that goes to sheer waste,—here, in keeping up the stables, the kennels, and the retinue of the rich; ... there, again, in forcing the consumer to buy what he does not need, or foisting an inferior article on him by means of puffery, and in producing on the other hand wares which are absolutely injurious, but profitable to the manufacturer. What is squandered in this manner would be enough to double the production of useful things....
—Pyotr Kropotkin, The Conquest of Bread
Acima de tudo, porém, temos de levar em conta todo o trabalho empregado em puro desperdício — aqui, na manutenção dos estábulos, dos canis, e dos acompanhantes dos ricos; ... lá, repetindo, forçando o consumidor a comprar o que não precisa, ou impingindo-lhe um artigo inferior por meio de bajulação, e por outro lado produzindo artigos absolutamente prejudiciais, mas lucrativos para o fabricante. O que é dissipado desse modo seria suficiente para duplicar a produção de coisas úteis....
—Pyotr Kropotkin, A Conquista do Pão
The rent is too damn high.
—Jimmy MacMillan
O aluguel é exageradamente alto.
—Jimmy MacMillan
Historically, given land of normal fertility, a work-week averaging twenty hours over the course of a year was sufficient to support a family of subsistence producers on those rare occasions when they were not overburdened with taxes and rents. Naturally, it has been a central aim of privileged classes throughout history to prevent this state of affairs from occurring.
Historicamente, dada terra de fertilidade normal, uma semana de trabalho de em torno de vinte horas no curso do ano era suficiente para manter uma família de produtores de subsistência naquelas raras ocasiões em que não sobrecarregada com impostos e rents. Naturalmente, tem sido objetivo prioritário das classes privilegiadas ao longo da história impedir a ocorrência desse estado de coisas.
The Times of November 1857 contains an utterly delightful cry of outrage on the part of a West-Indian plantation owner. This advocate analyses with great moral indignation—as a plea for the re-introduction of Negro slavery—how the Quashees (the free blacks of Jamaica) content themselves with producing only what is strictly necessary for their own consumption, and, alongside this 'use value', regard loafing (indulgence and idleness) as the real luxury good; how they do not care a damn for the sugar and the fixed capital invested in the plantations, but rather observe the planters' impending bankruptcy with an ironic grin of malicious pleasure, and even exploit their acquired Christianity as an embellishment for this mood of malicious glee and indolence. They have ceased to be slaves, but not in order to become wage labourers, but, instead, self-sustaining peasants working for their own consumption.1
The Times de novembro de 1857 publica um grito totalmente delicioso de indignação da parte de um proprietário de plantação das Índias Ocidentais. Esse defensor de causa analisa com grande indignação moral — como apelo no sentido do retorno da escravidão dos negros — como os Quashees (os pretos livres da Jamaica) contentam-se com produzir apenas o que é estritamente necessário para seu próprio consumo e, paralelamente a esse 'valor de uso', consideram o não fazer nada (satisfação dos desejos e ócio) como o real bem de luxo; como não dão a mínima para o açúcar e para o capital fixo investido nas plantações, e sim antes observam a iminente falência do plantador com uma risadinha irônica de prazer malicioso, e até exploram seu cristianismo adquirido como um adorno para esse estado de espírito de regozijo e indolência maliciosos. Pararam de ser escravos, mas não para se tornarem trabalhadores assalariados e sim, antes, camponeses autossustentados trabalhando para seu próprio consumo.1
To prevent such outrages, the propertied and employing classes have resorted to all sorts of artificial property rights and artificial scarcities to control producers' access to land and capital, so that in return for access to the means of production and subsistence they would be compelled to work to support someone else in addition to themselves.
Para evitar tais ultrages, as classes de proprietários e empregadores têm recorrido a todo tipo de direitos artificiais de propriedade e escassez artificial para controlar o acesso dos produtores à terra e ao capital de tal maneira que, em troca de acesso aos meios de produção e subsistência, eles sejam compelidos a trabalhar para sustentar outrem além de a si próprios.
Those on the libertarian right frequently argue that people work less because of higher taxes. The shorter average work weeks and long vacations in Europe most decidedly stick in their craw. For example Will Wilkinson, in seeking an explanation for the fact that Europeans work so many fewer hours per year than Americans, speculated:
Os da direita libertária argumentam amiúde que as pessoas trabalham menos por causa dos altos impostos. As semanas mais curtas de trabalho médio e longas férias existentes na Europa claramente os deixam ressentidos. Por exemplo Will Wilkinson, procurando explicação para o fato de os europeus trabalharem tão mais poucas horas do que os estadunidenses, especula:
My wild guess at the story is that Europeans like to work just as much as anyone else if it pays. Taxes become extremely progressive due to the influence of the european [sic] left and the demand they fueled for welfarist programs of "social justice." Taxes went way up. With tax rates so high, hours of work became worth rather less than hours of leisure, so economically rational folks worked less. Working less became a norm, and was integrated into various conceptions of the "national character." This, in turn, along with bad thinking by the unions, led to caps on working hours.
Meu palpite acerca da notícia é que os europeus gostam de trabalhar tanto quanto qualquer outra pessoa, se valer a pena. Os impostos tornam-se extremamente progressivos devido à influência da esquerda europeia e à demanda que elas alimentaram de programas assistencialistas de "justiça social." Os impostos subiram. Com alíquotas de imposto tão altas, as horas de trabalho passaram a valer menos do que as horas de lazer e portanto, economicamente, pessoas racionais passaram a trabalhar menos. Trabalhar menos tornou-se a norma, e foi integrado em várias concepções de "caráter nacional." Isso, por sua vez, juntamente com pensamentos perversos dos sindicatos, levou a limitação das horas de trabalho.
So, my hypothesis is: europeans [sic] don't really appreciate leisure more, they're just taxed too much. If their taxes went down (and hour caps removed), people would start working more. They would complain about terrible Americanization, but they'd still work more. Soon enough, the norms would change, more folks would work more, growth would increase, and they'd do better at funding all those "social justice"
programs.2
Portanto, minha hipótese é: os europeus em realidade não apreciam mais o lazer, e sim apenas são muito tributados. Se seus impostos fossem reduzidos (e as limitações de horas revogadas), as pessoas começariam a trabalhar mais. Reclamariam de terrível americanização, mas mesmo assim trabalhariam mais. Logo as normas mudariam, mais pessoas trabalhariam mais, o crescimento aumentaria, e elas melhor poderiam financiar todos aqueles programas de "justiça social".2
Such people, apparently, have never heard of the backward-bending supply curve for labor—the tendency to substitute leisure for increased income as the rate of pay increases. The historical evidence is that people do indeed prefer, on the whole, to work less when their wages increase. Therefore it makes perfect sense from the employer's standpoint to extract more labor from people by reducing the share of their output that they keep, and by compelling them to support idle rentiers in addition to themselves.
Essa gente, aparentemente, nunca ouviu falar da curva de oferta invertida do trabalho — a tendência de substituir aumento de renda por lazer, à medida que aumente o valor da remuneração. A evidência histórica é as pessoas de fato preferirem, no todo, trabalhar menos à medida que sua remuneração aumente. Portanto, faz perfeito sentido do ponto de vista do empregador extrair mais trabalho das pessoas mediante reduzir a fatia de sua produção que elas mantenham consigo, e mediante compelirem-nas a sustentar rentistas ociosos além de si próprias.
E. P. Thompson quotes some indignant observations on the indolence of laborers by a contemporary observer in 1681:
E. P. Thompson cita algumas observações indignadas a respeito da indolência dos trabalhadores de um observador contemporâneo em 1681:
When the framework knitters or makers of silk stockings had a great price for their work, they have been observed seldom to work on Mondays and Tuesdays but to spend most of their time at the ale-house or ninepins... The weavers, 'tis common with them to be drunk on Monday, have their head-ache on Tuesday, and their tools out of order on Wednesday. As for the shoemakers, they'll rather be hanged than not remember St. Crispin on Monday... and it commonly holds as long as they have a penny of money or pennyworth of credit.3
Quando os tricoteiros ou produtores de meias compridas de seda obtinham alta remuneração por seu trabalho, raramente eram vistos trabalhar às segundas ou terças, pois gastavam a maior parte de seu tempo nas tabernas ou casas de boliche… Os tecelões, é comum estarem bêbados às segundas-feiras, terem suas dores de cabeça às terças, e terem suas ferramentas danificadas nas quartas. Quanto aos sapateiros, prefeririam ser enforcados a não se lembrar de São Crispim na segunda... que normalmente dura enquanto eles tiverem um centavo de dinheiro ou o equivalente a um centavo de crédito.3
It should be no surprise that lamentations over short hours and unwillingness to work have come mostly from the employing classes and their ideological sycophants.  And to repeat, their chief method
for enforcing longer hours has been to lower the remuneration of labor and raise the cost of selfemployed production, so that laborers must work longer and harder for the same level of subsistence.
Indeed, the literature from the period of the Enclosures in Britain is full of complaints from the propertied classes that the only way to get enough work out of the laboring classes was to close off the
possibility of comfortable subsistence through self-provisioning.4
Não deveriam causar surpresa as lamentações acerca de poucas horas de trabalho e de falta de vontade de trabalhar terem vindo principalmente das classes empregadoras e seus aduladores ideológicos. E repetindo, seu método principal para conseguir longas horas de trabalho tem sido reduzir a remuneração e aumentar o custo da produção autoempregada, de tal maneira que os trabalhadores tenham que trabalhar por mais tempo e mais duramente pelo mesmo nível de subsistência. Em verdade, a literatura do período dos Cercamentos [Enclosures] na Grã-Bretanha está cheia de reclamações das classes proprietárias de que a única maneira de extrair trabalho bastante das classes trabalhadoras era fechar a possibilidade de subsistência confortável por meio de autoaprovisionamento.4
...[I]t is the interest of all rich nations, that the greatest part of the poor should almost never be idle, and yet continually spend what they get.... Those that get their living by their daily labour... have nothing to stir them up to be serviceable but their wants which it is prudence to relieve, but folly to cure....  [Mandeville, Fable of the Bees]
... É interesse de todas as nações ricas que a maior parte dos pobres nunca esteja ociosa, e ao mesmo tempo gaste continuamente tudo o que ganhar…. Aqueles que obtêm seu sustento por meio de seu trabalho diário… nada têm a incitá-los a ser prestativos a não ser seus desejos que é sábio liberar, mas insensato satisfazer.... [Mandeville, Fábula das Abelhas]
...[To enforce industry and temperance it was necessary] "to lay them under the necessity of labouring all the time they can spare from rest and sleep, in order to procure the common necessities of life." [1739 pamphlet]
...[Para robustecer a industriosidade e a temperança foi necessário] "levá-los à necessidade de trabalhar todo o tempo que possam poupar do repouso e do sono, a fim de proverem as necessidades triviais da vida." [panfleto de 1739]
That mankind in general, are naturally inclined to ease and indolence, we fatally experience to be true, from the conduct of our manufacturing populace, who do not labour, upon an average, above four days in a week, unless provisions happen to be very dear.... The labouring people should never think themselves independent of their superiors.... The cure will not be perfect, till our manufacturing poor are contented to labour six days for the same sum which they now earn in four days.  [“Essay on Trade and Commerce” (1770)]
Que o gênero humano em geral esteja naturalmente inclinado ao sossego e à indolência fatalmente verificamos ser verdade, a partir da conduta de nossa população manufatureira, que não trabalha, em média, mais de quatro dias por semana a menos que o preço das provisões seja muito alto.... As pessoas que trabalham nunca deveriam pensar-se independentes de seus superiores.... A solução não será perfeita até que nossos manufatureiros pobres fiquem contentes em trabalhar seis dias pela mesma quantia que agora ganham em quatro dias. [“Ensaio Acerca de Transações e Comércio” (1770)]
...[E]very one but an idiot knows that the lower classes must be kept poor, or they will never be industrious. [Arthur Young, 1771]
...Todo mundo que não seja idiota sabe que as classes mais baixas têm de ser mantidas pobres, ou nunca serão industriosas. [Arthur Young, 1771]
So contrary to Wilkinson, it's at least as plausible that Americans work harder because their pay has remained stagnant for forty years, and “taxation” in the form of productivity gains being diverted upward to cowboy CEOs and coupon-clippers has compelled the average American to work harder to get the same level of income.
Portanto, contrariamente a Wilkinson, é pelo menos igualmente plausível que os estadunidenses trabalhem mais por sua remuneração ter sido mantida estagnada durante quarenta anos, e a “tributação” em forma de ganhos de produtividade desviada para cima para Executivos Principais desabridos e para recortadores de cupons ter compelido o estadunidense médio a trabalhar mais duramente para obter o mesmo nível de renda.
A recurring theme, from the Enlightenment on, has been the radically reduced work week that would be necessary to support the average person if production were organized efficiently and the producing classes didn't have to work to support the idle in addition to themselves.
Tema recorrente, a partir do Iluminismo, tem sido o da semana de trabalho radicalmente reduzida que seria necessária para sustentar a pessoa média se a produção fosse organizada eficientemente e as classes produtoras não tivessem de trabalhar para sustentar os ociosos além de elas próprias.
Although I can't track it down I recall reading, as a child, an essay in my father's anthology of Poor Richard's Almanack in which Franklin described how the work day could be shortened to four or five hours by eliminating waste and irrationality.
Embora eu não saiba dizer exatamente onde, lembro-me de ter lido, quando criança, um ensaio na coleção de meu pai do Almanaque do Pobre Ricardo no qual Franklin descreveu como o dia de trabalho poderia ser reduzido para quatro a cinco horas mediante a eliminação do desperdício e da irracionalidade.
In 1913 Pyotr Kropotkin estimated the labor time necessary to produce the actual food, clothing and housing that the average working family consumed at around 150 half-days' labor a year. The average
worker's additional labor-time went either to waste or directly harmful production, or to supporting parasitic consumption by the privileged classes.5
Em 1913 Pyotr Kropotkin avaliou que o tempo de trabalho necessário para produzir a real quantidade de comida, roupas e abrigo que a família trabalhadora média consumia era de 150 meias jornadas de trabalho por ano. O tempo adicional de trabalho do trabalhador médio ia-se na produção ou de coisas inúteis ou de coisas diretamente prejudiciais, ou para sustentar consumo parasitário da parte das classes privilegiadas.5
Bob Black's widely reproduced 1985 essay “The Abolition of Work” covered similar ground, arguing both for the elimination of waste production and for the combination of work wherever possible with play.
O amplamene reproduzido ensaio de Bob Black de 1985  “A Extinção do Trabalho” cobriu terreno semelhante, argumentado tanto no sentido da eliminação da produção inútil quanto, sempre que possível, da conjugação de trabalho com divertimento.
Only a small and diminishing fraction of work serves any useful purpose independent of the defense and
reproduction of the work-system and its political and legal appendages. Twenty years ago, Paul and Percival Goodman estimated that just five percent of the work then being done—presumably the figure, if accurate, is lower now—would satisfy our minimal needs for food, clothing, and shelter. Theirs was only an educated guess but the main point is quite clear: directly or indirectly, most work serves the unproductive purposes of commerce or social control. Right off the bat we can liberate tens of millions of salesmen, soldiers,managers, cops, stockbrokers, clergymen, bankers, lawyers, teachers, landlords, security guards, ad-men and everyone who works for them. There is a snowball effect since every time you idle some bigshot you liberate his flunkeys and underlings also. Thus the economy implodes.6
Apenas pequena e declinante fração do trabalho serve a qualquer propósito útil independente da defesa e da reprodução do sistema de trabalho e de seus apêndices políticos e jurídicos. Há vinte anos Paul e Percival Goodman avaliaram que apenas cinco por cento do trabalho então sendo efetuado — presumivelmente esse percentual, se preciso, é hoje menor — satisfariam nossas necessidades mínimas de alimento, vestuário e abrigo. No caso tratou-se apenas de um palpite culto, mas o ponto principal é bastante claro: direta ou indiretamente, a maior parte do trabalho serve a propósitos improdutivos do comércio ou a controle social. Podemos instantaneamente liberar dezenas de milhões de vendedores, soldados, gerentes, policiais, corretores de ações, clérigos, banqueiros, advogados, professores, proprietários rurais, guardas de segurança, agentes de propaganda e todo mundo que trabalha para eles. Há efeito de bola de neve, visto que toda vez que uma pessoa importante é tornada ociosa seus lacaios e subordinados também o são. Assim, pois, a economia implode.6
A number of scholarly writers have dealt with the scale of waste production in the economy in recent years. Edward Wolff, in Growth, Accumulation and Unproductive Activity, classifies economic activity as either productive or unproductive. Waste output includes the portion of the economic surplus which is absorbed by the unproductive “surplus class” (essentially the rents on artificial property I write about below), and unproductive activities (activities which “use labor power but
produce no directly usable output....”).7 Wolff's main shortcoming is that his entire survey of waste production is sector by sector, with entire sectors being assigned either to the “productive” or “unproductive” category. It is almost completely silent on waste in the form of suboptimal allocation of resources or waste of inputs within an industry. Many production inputs are necessary, in some
quantity, for production, but are used wastefully. Wolff classifies an entire industry as “productive” if its output has use value, no matter how wastefully production is organized.
Diversos escritores eruditos já lidaram com a escala de produção inútil na economia em anos recentes. Edward Wolff, em Crescimento, Acumulação e Atividade Improdutiva classifca a atividade econômica em ou produtiva ou improdutiva. A produção improdutiva inclui a porção do excedente econômico absorvida pela improdutiva “classe excedente” (essencialmente rents provenientes da propriedade artificial acerca das quais escrevo adiante), e atividades improdutivas (atividades que usam “força de trabalho mas não produzem resultado diretamente útil....”).7 A principal deficiência de Wolff é que toda a sua pesquisa de produção improdutiva é feita setor por setor, com setores inteiros sendo enquadrados na categoria “produtiva” ou “improdutiva”. E ele também silencia quase completamente acerca do desperdício na forma de alocação subótima de recursos ou desperdício de insumos internamente a uma indústria. Muitos insumos de produção são necessários, em alguma quantidade, para a produção, mas são usados esbanjadoramente. Wolff classifica uma indústria inteira como “produtiva” se sua produção tiver valor de uso, não importa o quanto a produção esteja organizada esbanjadoramente.
The Overburdened Economy, by Lloyd Dumas, directly addresses the area in which Wolff is most deficient: waste within industries or sectors of the economy (for example administrative overhead within a business firm). He distinguishes “contributive” from “non-contributive” activity within the production process. To be contributive, an activity must be “part of a process that results in the production of a good or service that has inherent economic value,” and must also “perform a function necessary to the efficient operation of that process.” Activities which meet the first test but not the second are “neutral” (the expansion of administrative overhead is his premier example), and eliminating the waste from them is “simply a matter of an efficiency adjustment.” On the other hand activities which fail both tests are “distractive,” and require eliminating the process itself and shifting elsewhere all resources wasted in it.8
A Economia Sobrecarregada, de Lloyd Dumas, trata diretamente da área na qual Wolff é mais deficiente: desperdício dentro das indústrias ou de setores da economia (por exemplo, despesas gerais administrativas dentro de uma empresa comercial). Ele distingue atividades “contributivas” e “não contributivas” dentro do processo de produção. Para ser contributiva uma atividade precisa ser  “parte de um processo que resulte na produção de um bem ou serviço que tenha valor econômico inerente,” e precisa também “desempenhar função necessária para eficiente funcionamento desse processo.” Atividades aprovadas no primeiro teste mas não no segundo são “neutras” (a expansão das despesas gerais administrativas é seu exemplo principal), e eliminar delas o desperdício é “simplesmente questão de ajustamento de eficiência.” Por outro lado, atividades que não passem em ambos os testes são “distrativas,” e exigem a eliminação do próprio processo e a transferência, para outro lugar, de todos os recursos desperdiçados nele.8
Dumas also makes a clear connection between such waste and the externalization of cost. Wasteful spending on management featherbedding occurs, he suggests, because of “a discrepancy between the value of an activity or output to the decision maker who authorizes its purchase and its value to those who actually pay the price.”9 “...[A]s long as the value of expansion exceeds its costs from their [management's] perspective, they will continue to expand the bureaucracy.10
Dumas também estabelece clara conexão entre tal desperdício e a externalização do custo. Gastos pródigos em contratação excessiva de gerentes ocorrem, sugere ele, por causa de “uma discrepância entre o valor de uma atividade ou prodção para o tomador de decisão que autoriza sua compra e seu valor para aqueles que em realidade pagam o preço.”9 “...Enquanto o valor de expansão exceder seus custos da perspectiva dela [a gerência], ela continuará a expandir a burocracia.10
But while Dumas is good on Wolff's weak point of waste from internal inefficiencies within the productive process, he also neglects Wolff's strong point: unproductive consumption by the privileged classes. The enormous portion of the economy made up of artificial scarcity rents on land, capital and “intellectual property” goes largely unremarked on.
Todavia, embora Dumas seja bom no ponto fraco de Wolff no tocante a desperdício decorrente de ineficiências internas ao processo produtivo, também negligencia o ponto forte de Wolff:  consumo improdutivo pelas classes privilegiadas. A enorme porção da economia feita de rents auferidos de escassez artificial de terra, capital e “propriedade intelectual” passa em grande parte sem observações.
Finally, Douglas Dowd, in The Waste of Nations, elaborates on Dumas' central theme of noncontributive activity. He includes entire sectors of the economy that fall under the heading of Dumas'
“distractive activities,” like the military-industrial complex. But he also focuses heavily on neutral or distractive functions in the civilian economy like all those associated with push distribution: highpressure marketing, mass advertising, planned obsolescence, brand-name markups, purely cosmetic model changes and product differentiation, etc. His examples range from the ninety percent of
toothpaste price made up of marketing costs to the $800 of a 1939 Chevy's $950 market price that didn't reflect actual production costs.11 Dowd also points to the waste from lower productivity of labor,
as a result of the incentive problems in a hierarchical enterprise.12 Dowd's biggest shortcoming is his overly narrow definition of “production costs” and his failure to distinguish productive from unproductive distribution costs. He lumps all the costs of “marketing and distribution” into a single
category of waste, without distinguishing the waste transportation resulting from subsidies to economic centralization from the necessary transportation which would be necessary to move goods to the point
of consumption in even the most efficient economy.
Finalmente Douglas Dowd, em O Desperdício das Nações, desenvolve o tema central de Dumas de atividade não-contributiva. Ele inclui setores inteiros da economia que recaem sob o título de Dumas de “atividades distrativas,” tais como o complexo industrial-militar. Mas também focaliza fortemente funções neutras ou distrativas na economia civil tais como todas aquelas associadas a distribuição impingida: mercado de alta pressão, anúncios em massa, obsolescência planejada, acréscimos por causa de nome de marca, mudanças de modelo e diferenciação de produtos puramente cosméticas etc. Os exemplos dele vão dos noventa por cento do preço da pasta de dente formado por custos de anúncios até os $800 dólares de um preço de mercado de $950 dólares de um Chevrolet 1939 que não refletem custos reais de produção.11 Dowd também ressalta o desperdício da produtividade mais baixa do trabalho, como resultado dos problemas de incentivo numa empresa hierárquica.12 A maior deficiência de Dowd é sua definição exageradamente estreita de “custos de produção” e o não conseguir distinguir custos de distribuição produtivos e não produtivos. Ele engloba todos os custos de “marketing e distribuição” numa única categoria de desperdício, sem distinguir o transporte desperdiçador resultante de subsídios à centralização econômica do transporte necessário que seria indispensável para movimentar bens até o ponto de consumo mesmo na mais eficiente das economias.
It is not my purpose, given the time and space constraints of a quarterly research paper, to examine the waste economy on the same level of details as these writers. My intent, rather, is to provide a comprehensive overview that synthesizes all their strong points, to include areas of waste production that all of them overlook, and to supply an analytical framework based on free market principles.
Não é meu propósito, dadas as restrições de tempo e espaço de um paper trimestral de pesquisa, examinar a economia de desperdício no mesmo nível de detalhe de citados autores. Meu intento, antes, é oferecer uma visão geral abrangente que sintetize todos os pontos fortes por eles destacados a fim de incluir áreas de produção desperdiçadora que todos eles negligenciam, e fornecer um arcabouço analítico baseado em princípios de livre mercado.
1 Karl Marx, Grundrisse: Foundations of the Critique of Political Economy (Rough Draft) (Penguin Books, 1973), pp. 325-326.
1 Karl Marx, Delineamentos: Fundamentos da Crítica da Economia Política (Esboço Tosco) (Penguin Books, 1973), pp. 325-326.
2 Will Wilkinson, “Who Likes Leisure?” The Fly Bottle, November 8, 2004 <http://web.archive.org/web/20050311193336/
http://www.willwilkinson.net/flybottle/archives/2004/11/who_likes_leisu.html>.
2 Will Wilkinson, “Quem Gosta do Lazer?” A Mosca na Garrafa, 8 de novembro, 2004 <http://web.archive.org/web/20050311193336/
http://www.willwilkinson.net/flybottle/archives/2004/11/who_likes_leisu.html>.
3 E. P. Thompson, “Time, Work Discipline, and Industrial Capitalism,” Past and Present  38:1 (1967), p. 72.
3 E. P. Thompson, “Tempo, Trabalho, Disciplina e Capitalismo Industrial,” Passado e Presente  38:1 (1967), p. 72.
4 All quotes are from Kevin Carson, Studies in Mutualist Political Economy (Booksurge, 2007), pp. 124-125 (where I S provide more detailed citations).
4 Todas as citações são de Kevin Carson, Estudos de Economia Política Mutualista (Booksurge, 2007), pp. 124-125 (onde faço citações mais detalhadas).
5 Peter Kropotkin, The Conquest of Bread (New York: Vanguard Press, 1926), pp. 87-94.
5 Peter Kropotkin, A Conquista do Pão (New York: Vanguard Press, 1926), pp. 87-94.
6 Bob Black, “The Abolition of Work” (1985) <http://www.zpub.com/notes/black-work.html>.
6 Bob Black, “A Extinção do Trabalho” (1985) <http://www.zpub.com/notes/black-work.html>.
7 Edward N. Wolff, Growth, Accumulation, and Unproductive Activity (Cambridge, London, New York, New Rochelle,
Melbourne, Sydney: Cambridge University Press, 1987), p. 3.
7 Edward N. Wolff, Crescimento, Acumulação e Atividade Improdutiva (Cambridge, Londres, New York, New Rochelle, Melbourne, Sydney: Cambridge University Press, 1987), p. 3.
8 Lloyd Dumas, The Overburdened Economy: Uncovering the Causes of Chronic Unemployment, Inflation, and National Decline (Berkeley, Los Angeles, London: University of California Press, 1986), pp. 53-54, 57.
8 Lloyd Dumas, A Economia Sobrecarregada: Desvelamento das Causas de Desemprego Crônico, Inflação e Declínio Nacional (Berkeley, Los Angeles, Londres: University of California Press, 1986), pp. 53-54, 57.
9 Ibid., pp. 42-43.
9 Ibid., pp. 42-43.
10 Ibid., pp. 66-67.
10 Ibid., pp. 66-67.
11 Douglas Dowd, The Waste of Nations: Dysfunction in the World Economy (Boulder and London: Westview Press, 1989), pp. 64-65.
11 Douglas Dowd, O Desperdício das Nações: Disfunção na Economia Mundial (Boulder e Londres: Westview Press, 1989), pp. 64-65.
12 Ibid., p. 70.
12 Ibid., p. 70.
Research Associate Kevin Carson is a contemporary mutualist author and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation and his own Mutualist Blog.
O Associado de Pesquisa do C4SS Kevin Carson é autor mutualista e anarquista individualista contemporâneo cuja obra escrita inclui Estudos de Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Um Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson também tem escrito para publicações impressas tais como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para diversas publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P e seu próprio Blog Mutualista.



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