Friday, June 24, 2011

FPJ - Denuclearization and Peace on the Korean Peninsula: The Role of the United States

ENGLISH
PORTUGUÊS
FPJ – FOREIGN POLICY JOURNAL
FPJ – FOREIGN POLICY  JOURNAL
Denuclearization and Peace on the Korean Peninsula: The Role of the United States
Desnuclearização e Paz na Península Coreana: O Papel dos Estados Unidos
by Young C. Kim
June 11, 2011
por Young C. Kim
11 de junho de 2011
In January 2009, North Korean leaders announced that they were renouncing existing political and military agreements between the two Koreas, and several months later, in May, they declared that the provisions of the 1953 armistice agreement were no longer binding upon them. Since then, the North Korean regime has engaged in several actions which have jeopardized peace and stability on the Korean peninsula and in the Asian Pacific region, including the launching of a long-range missile, a second nuclear test, the sinking of a South Korean warship, and the artillery bombardment of a South Korean island.  What emerges from the last two years is a picture of a North Korea that is becoming increasingly aggressive in its efforts to compel a redrawing of the Northern Limit Line, the maritime border between the two Koreas, and increasingly confident of its ability to stand its ground as a nuclear weapons state against the U.S. and its allies. U.S. officials have warned that North Korea may develop the capability to strike the continental United States with an Inter Continental Ballistic Missile loaded with nuclear weapons within five years.  At a press conference in Beijing last summer, Secretary of Defense Robert Gates declared that North Korea’s missile and nuclear programs were becoming a direct threat to U.S. national security. Several senior defense and intelligence officials in the U.S. provided congressional committees with similar assessments in recent months.  Leon Panetta, Gates’ successor, has recently confirmed a similar assessment.  There has been an intense debate over why North Korea is acting this way and what the U.S. should do about it.
Em janeiro de 2009 líderes norte-coreanos anunciaram estar renunciando aos acordos políticos e militares existentes entre as duas Coreias e, vários meses depois, em maio, declararam-se desobrigados das cláusulas do acordo de armistício de 1953. Desde então o regime norte-coreano deflagrou diversas ações que têm ameaçado a paz e a estabilidade na península coreana e na região asiática do Pacífico, inclusive o lançamento de míssil de longo alcance, um segundo teste nuclear, o afundamento de um navio de guerra sul-coreano e ataque de artilharia contra ilha sul-coreana. O que emerge dos últimos dois anos é o quadro de uma Coreia do Norte cada vez mais agressiva em seus esforços para compelir redelineamento da Linha Limítrofe Norte, a fronteira marítima entre as duas Coreias, e cada vez mais confiante em sua capacidade de afirmar sua condição de estado nuclear contra os Estados Unidos e seus aliados. Autoridades dos Estados Unidos já advertiram que a Coreia do Norte poderá desenvolver capacidade para atacar os Estados Unidos continentais com um Míssil Balístico Intercontinental carregado de armas nucleares dentro de cinco anos. Num encontro com a imprensa em Beijing no último verão o Secretário de Defesa Robert Gates declarou que os programas nuclear e de mísseis da Coreia do Norte estavam-se tornando ameaça direta à segurança nacional dos Estados Unidos. Diversas autoridades superiores de defesa e inteligência dos Estados Unidos forneceram a comissões do Congresso avaliações similares em meses recentes. Leon Panetta, sucessor de Gates, confirmou recentemente avaliação semelhante. Tem havido intenso debate acerca de por que a Coreia do Norte está agindo desta forma e o que os Estados Unidos deveriam fazer a respeito.
This paper addresses two aspects of North Korea-U.S. interactions in recent years.  First, it analyzes the meanings and motivations behind selected actions undertaken by North Korea in the last few years, as well as the Obama administration’s responses to these actions.  Second, it enumerates and discusses various policy options which the U.S. might consider adopting with regard to North Korea, with an eye to assessing the viability and risks associated with these options and their overall implications for U.S. interests.
Este ensaio aborda dois aspectos das interações Coreia do Norte - Estados Unidos em anos recentes. Primeiro, analisa os significados e motivações por trás de ações seletas empreendidas pela Coreia do Norte nos últimos anos, bem como as respostas da administração Obama a essas ações. Em segundo lugar, enumera e discute diversas opções de políticas que os Estados Unidos poderiam considerar adotar em relação à Coreia do Norte, visando a avaliar a viabilidade e os riscos relacionados com essas opções e suas implicações gerais relativamente aos interesses dos Estados Unidos.
In April 2009, the new Obama administration was still assembling its team of senior officials responsible for Asia policy when North Korea launched a Taepodong-2 missile, followed by a second nuclear test in May.  There are several possible explanations for North Korea’s actions:
Em abril de 2009 a nova administração Obama ainda estava formando sua equipe de autoridades de alto escalão responsáveis pela política em relação à Ásia quando a Coreia do Norte lançou um míssil Taepodong-2 seguido de um segundo teste nuclear em maio. Há diversas explicações possíveis para as ações da Coreia do Norte:
1. In anticipation of an important set of diplomatic negotiations, North Korea often resorts to brinkmanship with a view to extracting concessions from the other party. North Korea’s actions here may have been designed to achieve such a purpose vis-à-vis the new Obama administration.
1. Antes de conjunto importante de negociações diplomáticas a Coreia do Norte amiúde recorre a mostrar-se temerária com vista a obter concessões da outra parte. As ações da Coreia do Norte no caso podem ter sido planejadas para esse efeito face à nova administração Obama.
2. A second explanation foregrounds North Korea’s domestic political imperatives, specifically that the ill-health of Chairman Kim Jong Il following his stroke the prior August has rendered urgent the problem of political succession. North Korea’s actions may have been meant to satisfy the military, whose cooperation will be required for political succession to go smoothly.
2. Uma segunda explicação ressalta os imperativos políticos domésticos da Coreia do Norte, especificamente a saúde debilitada do Dirigente Kim Jong Il depois de seu derrame em agosto passado ter tornado urgente o problema de sucessão política. As ações da Coreia do Norte podem ter tido por objetivo satisfazer a instituição militar, cuja cooperação será necessária para que a sucessão política transcorra de modo tranquilo.
3.  A third explanation also highlights domestic political considerations. The North Korean leadership promised its people that 2012 would be the year that North Korea “will enter the gate leading to the status of a powerful and prosperous nation.” In this context, its military actions may have been intended to demonstrate Kim Jong Il’s success in developing nuclear weapons and long-range missiles—his realization of the philosophy of “Songun Jongchi” or military first politics, thereby shoring up the legitimacy of his regime.
3.  Terceira explicação também ressalta considerações políticas domésticas. A liderança da Coreia do Norte prometeu a seu povo que 2012 será o ano em que a Coreia do Norte “passará pelo portão conducente à condição de nação poderosa e próspera.” Nesse contexto, suas ações militares podem ter tido a intenção de evidenciar o sucesso de Kim Jong Il em desenvolver armamentos nucleares e mísseis de longo alcance — a compreensão, por ele, da filosofia de “Songun Jongchi” ou política de primeiro a força militar, assim robustecendo a legitimidade de seu regime.
4.  A fourth explanation views the actions in question as bona fide military maneuvers meant to strengthen North Korea’s military capabilities and deter potential U.S. attacks.
4.  Quarta explicação considera as ações em questão manobras militares executadas sem segundas intenções, visantes a fortalecer a condição militar da Coreia do Norte e a dissuadir os Estados Unidos de ataques em potencial.
5.  A fifth and final explanation suggests that North Korea was demonstrating its technical capabilities in order to promote the sale of North Korean weapons systems.
5.  Quinta e final explicação sugere que a Coreia do Norte estava exibindo sua capacidade técnica a fim de promover a venda de sistemas de armamentos norte-coreanos.
The prevailing view among specialists in the United States, Japan and South Korea–a view shared by U.S. government officials–is that while multiple factors may have been at play, the domestic political imperative associated with the challenge of political succession was probably the most important factor shaping North Korea’s actions. The linking of North Korea’s nuclear weapons activity and its domestic political dynamics of course raises the question of whether the current policies which the U.S., South Korea, and Japan are pursuing to bring about the denuclearization of North Korea are adequately addressing the domestic political dynamics or not.
O ponto de vista prevalecente entre especialistas em Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul – ponto de vista compartilhado por autoridades do governo dos Estados Unidos – é o de que, embora múltiplos fatores possam ter estado implicados, o imperativo político doméstico, associado ao desafio da sucessão política, foi provavelmente o fator mais importante a delinear as ações da Coreia do Norte. A vinculação entre a atividade de armamentos nucleares da Coreia do Norte e a dinâmica de sua política interna obviamente suscita a pergunta de se as atuais políticas perseguidas por Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão para obtenção da desnuclearização da Coreia do Norte estão considerando adequadamente a dinâmica política doméstica ou não.
The U.S. government organized responses to North Korea’s two actions at the international level. The UN Security council’s presidential statement addressed the missile launching in April, and UN Security Council Resolution 1874, adopted on June 12, addressed the nuclear test in May.  This resolution, designed to constrain North Korea’s missile and nuclear weapons development programs, complemented UN Security Council Resolution 1718, adopted shortly after North Korea’s first nuclear test in July 2006.  It is evident that the earlier resolution of 2006 failed to deter the North Korean actions in question.
O governo dos Estados Unidos organizou respostas, em nível internacional, para as duas ações da Coreia do Sul. A declaração presidencial ao Conselho de Segurança da ONU tratou do lançamento do míssil em abril, e a Resolução 1874 do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 12 de junho, versou acerca do teste nuclear de maio. Citada resolução, visante a tolher os programas de desenvolvimento de mísseis e de armamentos nucleares da Coreia do Norte, complementou a Resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU, adotada pouco depois do primeiro teste nuclear da Coreia do Norte em julho de 2006. É evidente que essa resolução anterior, de 2006, não conseguiu dissuadir a Coreia do Norte das ações em questão.
During the following year, 2010, tensions between the two Koreas reached a historically unprecedented level, leading to two dramatic events: the sinking of the South Korean warship Cheonan by a North Korean torpedo in March, and the North Korean artillery bombardment of the South Korean island of Yeongpyeongdo in November. These are unprecedented incidents, the worst violence on the peninsula since the Korean War.   Again, there are several possible explanations for the Cheonan incident:
No decurso do ano seguinte, 2010, as tensões entre as duas Coreias atingiram nível historicamente sem precedentes, levando a dois eventos dramáticos: o afundamento do navio de guerra sul-coreano Cheonan por meio de um torpedo norte-coreano em março, e fogo de artilharia norte-coreano contra a ilha sul-coreana de Yeongpyeongdo em novembro. São incidentes sem precedentes, a pior violência na península desde a Guerra da Coreia. De novo, há diversas explicações possíveis para o incidente do Cheonan:
1. The attack on the Cheonan was an act of revenge for the defeat suffered by the North Korean navy in the clash with the South Korean navy in November of the previous year.
1. O ataque contra o Cheonan foi um ato de vingança pela derrota sofrida pela marinha norte-coreana no embate com a marinha sul-coreana em novembro do ano anterior.
2. The attack was intended to compel the U.S. to come to the negotiating table to discuss terms for a peace agreement to replace the existing armistice and to demarcate a new maritime border line (Northern Limit Line) between the two Koreas.
2. O ataque visou a forçar os Estados Unidos a virem para a mesa de negociações para discutir um acordo de paz em substituição ao armistício em vigor e para demarcarem uma nova linha fronteiriça marítima (Linha Limítrofe Norte) entre as duas Coreias.
3. The attack was a punitive action against South Korea for the latter’s “policy of hostility,” as well as a move to compel South Korea to restart its economic assistance to North Korea.
3. O ataque constituiu ação punitiva contra a Coreia do Sul pela “política de hostilidade” desta, bem como manobra para compelir a Coreia do Sul a recomeçar sua assistência econômica à Coreia do Norte.
4. The attack was meant to facilitate the process of Kim Jong Un’s political succession and power consolidation by magnifying the role he has played in the construction of a “powerful and prosperous North Korea.” Even though North Korea officially denies culpability, attacking the Cheonan may accomplish this in view of the presumption in North Korea that he was involved in the decision.   Manufacturing a sense of external threat also helped the state to justify its efforts to tighten control over North Korean citizens who have spoken out against measures associated with the so-called currency reform.
4. O ataque visou a facilitar o processo de sucessão política e consolidação de poder de Kim Jong Un, mediante agigantar o papel desempenhado por ele na construção de uma “poderosa e próspera Coreia do Norte.” Embora a Coreia do Norte oficialmente negue culpa, atacar o Cheonan pode servir a esse fim face à presunção, na Coreia do Norte, de Kim Jong Un ter estado envolvido na decisão. Fabricar sentimento de ameaça externa também ajudou o estado a justificar seus esforços para retesar controle sobre cidadãos norte-coreanos que têm falado contra medidas relacionadas com a assim chamada reforma da moeda.
Once again, the prevailing view among analysts, as well as U.S. government officials, is that while some or all of these explanations may be true, the North Korean leadership’s intense concern about the problem of succession was at the heart of its decision to attack the Cheonan. The attack could be portrayed to its people as a bold and confident decision made by Kim Jong Un.
Mais uma vez, o ponto de vista prevalecente entre os analistas, bem como entre autoridades do governo dos Estados Unidos, é o de que, embora algumas ou todas essas explicações possam ser verdadeiras, a intensa preocupação da liderança da Coreia do Norte com o problema da sucessão estava no cerne de sua decisão de atacar o Cheonan. O ataque poderia ser retratado para o povo como decisão ousada e serena tomada por Kim Jong Un.
Interestingly, relations between the U.S. and North Korea had warmed slightly prior to the Cheonan incident.  Former President Bill Clinton had visited North Korea in August 2009 to secure the release of two American journalists, providing for an indirect dialogue of sorts between the two nations.  North Korea clearly viewed Clinton’s visit as a significant step toward the resumption of bilateral talks with the U.S., and Ambassador Stephen Bosworth’s visit to Pyongyang several months later occurred in that context.  In addition, the U.S. government had decided to allow Kim Kye Kwan, a vice foreign minister and chief North Korean delegate to the 6 party talks, to visit the U.S. for talks with U.S. officials, but the Cheonan incident occurred just a few days before the approval of the visit was to be announced and prevented it from happening.
Interessante que as relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte haviam-se tornado ligeiramente mais calorosas antes do incidente do Cheonan. O ex-Presidente Bill Clinton visitou a Coreia do Norte em agosto de 2009 para conseguir a libertação de dois jornalistas estadunidenses, promovendo certa forma de diálogo indireto entre as duas nações. A Coreia do Norte claramente viu a visita de Clinton como passo significativo rumo a retomada de negociações bilaterais com os Estados Unidos, e a visita do Embaixador Stephen Bosworth a Pyongyang, vários meses depois, ocorreu nesse contexto. Além disso, o governo dos Estados Unidos havia decidido permitir permitir visita aos Estados Unidos de Kim Kye Kwan, vice-ministro do exterior e principal delegado da Coreia do Norte nas negociações envolvendo 6 países negociadores (negociações de 6 partes), para negociações com as autoridades dos Estados Unidos, mas o incidente de Cheonan ocorreu poucos dias antes de a aprovação da visita ser anunciada e impediu que o fosse.
Unsurprisingly, the U.S. government viewed the sinking of the Cheonan as an act of aggression against one of its allies.  From the perspective of U.S. officials, the attack constituted a violation of the armistice agreement, international law and the UN charter and had to be punished to deter future acts of aggression.  The Obama administration, consistently emphasizing the U.S.’s commitment to defending South Korea, has taken the position that the U.S. will provide full support for the policy decisions and countermeasures undertaken by the South Korean government vis-à-vis North Korea.  In fulfillment of this promise, U.S. officials engaged in extraordinary diplomatic efforts in support of South Korea at numerous international meetings such as the G-8, G-20, U.S.-China Strategic Dialogue, ASEAN Regional Forum and the UN Security Council.
Não surpreendentemente, o governo dos Estados Unidos viu o afundamento do Cheonan como ato de agressão contra um de seus aliados. Da perspectiva das autoridades dos Estados Unidos, o ataque constituiu violação do acordo de armistício, da lei internacional e da carta das Nações Unidas, e tinha de ser punido para desestimular futuros atos de agressão. A administração Obama, enfatizando consistentemente o compromisso dos Estados Unidos de defender a Coreia do Sul, assumiu a posição de que os Estados Unidos proporcionarão apoio pleno às decisões de políticas e contramedidas empreendidas pelo governo sul-coreano em relação à Coreia do Norte. Em cumprimento a essa promessa, as autoridades dos Estados Unidos lançaram-se a esforços diplomáticos extraordinários em apoio à Coreia do Sul em numerosas reuniões internacionais tais como G-8, G-20, Diálogo Estratégico Estados Unidos - China, Fórum Regional ASEAN e Conselho de Segurança da ONU.
Many commentators have accurately pointed out that the July 9th 2010 presidential statement of the UN Security Council addressing the attack on the Cheonan did not explicitly identify North Korea as the culpable party and in fact took note of North Korea’s protestations of innocence.  But official statements issued by the White House and the U.S. Dept of State on that same day point out that the UN Security Council, by a unanimous vote, took note of the conclusion of the joint international investigation group that the North Koreans had sunk the Cheonan, and expressed its deep concern about and condemnation of the attack. Indeed, China’s affirmative vote for the presidential statement may be construed as its concurrence that the North Koreans were culpable for the attack.
Muitos comentadores têm ressaltado, com exatidão, que a declaração presidencial de 9 de julho de 2010 do Conselho de Segurança da ONU tratando do ataque contra o Cheonan não identificou explicitamente a Coreia do Norte como parte culpada e, com efeito, registrou os protestos de inocência da Coreia do Norte. Contudo, declarações oficiais emitidas pela Casa Branca e pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos naquele mesmo dia ressaltam que o Conselho de Segurança da ONU, por votação unânime, registrou a conclusão do grupo conjunto internacional de investigação de que os norte-coreanos haviam afundado o Cheonan, e expressaram sua profunda preocupação acerca do e sua condenação do ataque. Em verdade, o voto afirmativo da China em relação à declaração presidencial pode ser entendido como concordância do país com os norte-coreanos serem culpados pelo ataque.
There is no doubt that the Cheonan incident significantly impacted U.S. policy toward North Korea in various ways. A series of statements by senior U.S. government officials about North Korea’s intentions and capabilities in the wake of the Cheonan incident showed the seriousness with which the Obama administration viewed the event.  Concretely, North Korea’s attack on the Cheonan prompted the U.S. and South Korea to conduct joint military exercises in the international waters of both sides of the peninsula in an effort to demonstrate the strength of the U.S.-South Korea alliance and deter North Korea from further provocations.  Following the Cheonan incident, the U.S. and South Korea also agreed to postpone by three years the turning over of wartime operational control to South Korea and to postpone as well the dissolution of the U.S.-Korea combined forces command.  In addition, the U.S. enacted more stringent financial sanctions against North Korea than those that had been in place, producing a deleterious impact on the North Korean economy.  Overall, the incident strengthened the alliance relationship among the U.S., South Korea, and Japan, enabling closer cooperation among all three countries.  For its part, South Korea took a number of countermeasures of its own including the so-called May 24, 2010 measures which severed most trade and economic relations and other exchanges with the North.
Não há dúvida de que o incidente do Cheonan teve impacto significativo sobre a política dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte, de várias maneiras. Uma série de declarações de autoridades de alto nível do governo dos Estados Unidos acerca de intenções e recursos da Coreia do Norte na esteira do incidente do Cheonan mostrou a seriedade com a qual a administração Obama viu o evento. Concretamente, o ataque da Coreia do Norte contra o Cheonan levou Estados Unidos e Coreia do Sul a conduzirem exercícios militares conjuntos nas águas internacionais de ambos os lados da península, num esforço de mostrarem a força da aliança Estados Unidos - Coreia do Sul e de dissuadir a Coreia do Norte de provocações adicionais. Em seguida ao incidente do Cheonan, os Estados Unidos e a Coreia do Sul concordaram também em adiar, por três anos, a devolução do controle operacional de tempo de guerra à Coreia do Sul e a adiar também a dissolução do comando de forças conjugadas Estados Unidos - Coreia. Além disso, os Estados Unidos aprovaram sanções financeiras contra a Coreia do Norte mais rigorosas do que as até então existentes, com impacto deletério sobre a economia norte-coreana. No todo, o incidente fortaleceu o relacionamento de aliança entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão, propiciando cooperação mais estreita entre esses três países. De sua parte, a Coreia do Sul tomou uma série de contramedidas por iniciativa própria, inclusive as assim chamadas medidas de 24 de maio de 2010, rompendo a maioria das relações de comércio e econômicas e outras transações com o Norte.
What about the other major incident of 2010? For the first time since the armistice of 1953 ending the Korean War, North Korea mounted a direct artillery shelling of South Korean territory, namely the South Korean island Yeongpyeongdo, located just off the NLL. It is likely that several factors were operative.
E quanto ao outro grande incidente de 2010? Pela primeira vez desde o armistício de 1953 que pôs fim à Guerra da Coreia, a Coreia do Norte fustigou diretamente com artilharia território sul-coreano, especificamente a ilha sul-coreana de Yeongpyeongdo, localizada exatamente depois da Linha Limítrofe Norte. É provável que diversos fatores tenham entrado em linha de conta.
1. North Korea wanted to compel the U.S. to engage in bilateral talks with an eye to completing a peace treaty which would eventually lead to the withdrawal of U.S. forces from the peninsula.
1. A Coreia do Norte quis compelir os Estados Unidos a se envolverem em negociações bilaterais visantes à consumação de um tratado de paz que finalmente levasse à retirada das forças dos Estados Unidos da península.
2. It also wanted to draw the attention of the international community to the alleged illegality and inequity of the present border demarcation line and to pressure the U.S. and South Korea to agree to a new maritime border which would bring strategic advantage to North Korea.
2. Também quis chamar a atenção da comunidade internacional para as alegadas ilegalidade e iniquidade da atual demarcação de fronteiras e pressionar Estados Unidos e Coreia do Sul a concordarem com nova fronteira marítima que trouxesse vantagem estratégica para a Coreia do Norte.
3. North Korea hoped to demonstrate the unwillingness of the U.S. to go to war in defense of the 5 islands, thus straining the U.S.-South Korea and U.S.-Japan alliances.
3. A Coreia do Norte esperou deixar clara a falta de vontade dos Estados Unidos de irem à guerra para defender as 5 ilhas, causando assim tensão nas alianças Estados Unidos - Coreia do Sul e Estados Unidos - Japão.
4. North Korean officials wanted to intimidate South Korean President Lee Myung Bak into altering his “policy of hostility” toward the North and to coerce him into acceding to the North’s longstanding political, military, and economic demands.  Part of their strategy may have been to deepen fissures in South Korean politics, encouraging left-wing and pro-North Korean forces in the South to press for policies in North Korea’s interests and eventually helping the left-wing forces to win victories in the forthcoming local and presidential elections.
4. As autoridades norte-coreanas desejaram intimidar o Presidente sul-coreano Lee Myung Bak pressionando-o a alterar sua “política de hostilidade” em relação ao Norte e coagi-lo a atender as demandas políticas, militares e econômicas de longa data do Norte. Parte da estratégia delas pode ter consistido em aprofundar fissuras na política sul-coreana, estimulando forças de esquerda e favoráveis à Coreia do Norte no Sul a pressionarem por políticas no interesse da Coreia do Norte e, finalmente, ajudar as forças de esquerda a obterem vitórias nas vindouras eleições locais e presidencial.
5. As with the earlier incidents, the North Korean leadership wanted to ensure the survival of the Kim dynasty by placating the military and reinforcing the credentials of Kim Jong Un as a “brilliant strategist, and audacious and incomparable leader who has won a stunning victory over American imperialism and its puppet in the South.”
5. Como no caso dos incidentes anteriores, a liderança norte-coreana desejou assegurar a sobrevivência da dinastia Kim mediante aplacar a instituição militar e reforçar as credenciais de Kim Jong Un como “brilhante estrategista e audaz e incomparável líder que vem de obter estonteante vitória sobre o imperialismo estadunidense e seu títere no Sul.”
The prevailing view among U.S. analysts and officials is that while all these factors may have been operative, factors 1 and 5 were probably most important. There is good reason to think that while North Korea’s mid to long term objective is a peace agreement, its overriding short term goal here was to achieve the demarcation of a new maritime border by 2012.  Achieving that objective would give the regime an important strategic advantage vis-à-vis South Korea, validate North Korea’s strategy of using and threatening military power to secure diplomatic concessions, and enhance the legitimacy of Kim Jong Un’s leadership.
O ponto de vista prevalecente entre analistas e autoridades dos Estados Unidos é o de que, embora todos esses fatores possam ter influído, os fatores 1 e 5 foram provavelmente mais importantes. Há bom motivo para pensar-se que, embora o objetivo de médio e longo prazo da Coreia do Norte seja um acordo de paz, sua meta prioritária de curto prazo é a de conseguir a demarcação de nova fronteira marítima até 2012. Atingir esse objetivo daria ao regime importante vantagem estratégica face á Coreia do Sul, validaria a estratégia da Coreia do Norte de usar poderio militar ameaçador para obter concessões diplomáticas, e acentuaria a legitimidade da liderança de Kim Jong Un.
As for U.S. response to the bombardment of Yeongpyongdo, the U.S. government promptly condemned North Korea’s action and reaffirmed its commitment to the defense of South Korea.  Furthermore, it expressed its full support for the various countermeasures the South Korea government announced, which included its intention to conduct a military exercise involving artillery shelling off Yeongpyeongdo and south of the NLL with a warning to the North of its readiness to launch air strikes against should North Korea repeats provocations. This despite the fact that there was a serious concern in the U.S. that such a retaliatory air strike would carry serious risk of escalation into a larger military conflict. South Korea ignored Chinese opposition and the Russian warning  and went ahead with its planned military drill.  The U.S. stood firm with South Korea while taking appropriate actions on its own to forestall potential military moves by the North.   The U.S. was prepared for a possible military engagement.   Despite its repeated and explicit warnings that it would respond militarily if South Korea proceeded with its naval exercise off the NLL, North Korea chose not to respond when South Korea actually carried out the drill.
Quanto à resposta dos Estados Unidos ao fogo de artilharia contra Yeongpyongdo, o governo dos Estados Unidos prontamente condenou a ação da Coreia do Norte e reafirmou seu compromisso com a defesa da Coreia do Sul. Ademais, expressou seu apoio pleno às diversas contramedidas anunciadas pelo governo da Coreia do Sul, entre as quais sua intenção de conduzir exercício militar envolvendo fogo de artilharia ao largo de Yeongpyeongdo e ao sul da Linha Limítrofe Norte, com advertência ao Norte de sua prontidão para lançar ataques aéreos caso a Coreia do Norte repita as provocações. Isso a despeito do fato de haver, nos Estados Unidos, séria preocupação quanto a tal ataque aéreo retaliatório envolver sério risco de escalada para conflito militar. A Coreia do Sul ignorou a oposição da China e a advertência da Rússia e foi em frente com seu planejado exercício militar. Os Estados Unidos mantiveram-se firmes junto à Coreia do Sul desenvolvendo, ao mesmo tempo, ações adequadas de iniciativa própria para impedir manobras militares em potencial pelo Norte. Os Estados Unidos estavam prontos para possível engajamento militar. A despeito de suas repetidas e explícitas advertências de que reagiria militarmente se a Coreia do Sul prosseguisse com seu exercício naval ao largo da Linha Limítrofe Norte, a Coreia do Norte optou por não reagir quando a Coreia do Sul efetivamente levou a efeito o exercício.
The year 2011 began with what some analysts call North Korea’s “charm offensive,” referring to the regime’s rapid succession of calls for talks of various kinds with South Korea. This has emerged as a somewhat predictable pattern of North Korean actions: military provocations followed by diplomatic initiatives, presumably with the aim of increasing the regime’s leverage during negotiations. North Korea’s reasons for seeking inter-Korea talks at the start of this year were numerous and probably include the following:
O ano de 2011 começou com o que alguns analistas chamam de “ofensiva de sedução” da Coreia do Norte, referindo-se à rápida sucessão de propostas de negociação de vários tipos, pelo regime, com a Coreia do Sul. Essa forma de agir tem-se revelado um padrão até certo ponto previsível das ações norte-coreanas: provocações militares seguidas de iniciativas diplomáticas, presumivelmente com o objetivo de aumentar o poder de troca do regime durante as negociações. Os motivos da Coreia do Norte para procurar negociações com a Coreia do Sul no começo deste ano foram numerosos e provavelmente entre eles contam-se os seguintes:
1. Influencing the outcome of the U.S.-China summit which was to occur in mid-January.  North Korea’s declared willingness to enter into inter-Korea talks without conditions could be seen as strengthening President Hu’s position at the summit and possibly softening the U.S.’s stance toward North Korea prior to the summit.
1. Influenciar o resultado da cúpula Estados Unidos - China, que teria lugar em meados de janeiro. A declarada disposição da Coreia do Norte de iniciar negociações entre as duas Coreias sem condições poderia ser vista como fortalecedora da posição do Presidente Hu na cúpula, e possivelmente suavizadora da posição dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte anteriormente à cimeira.
2. Accommodating the condition articulated by the U.S. government that North Korea must begin and make progress in inter-Korea talks before the U.S. will consider bilateral talks with that nation. In other words, trying to get to Washington through Seoul.
2. Conformar-se à condição enunciada pelo governo dos Estados Unidos de que a Coreia do Norte terá de começar e avançar negociações entre as Coreias antes de os Estados Unidos cogitarem de negociações bilaterais com aquela nação. Em outras palavras, tentar chegar a Washington por meio de Seul.
3. Seeking an international forum via Seoul in which to press for the reduction of punishing economic sanctions which the North Korean regime finds intolerable.
3. Procurar um fórum internacional, via Seul, no qual pressionar no sentido de redução das punitivas sanções econômicas, que o regime norte-coreano considera intoleráveis.
4. Securing economic and financial assistance which the North Korean regime desperately needs in order to make progress towards “powerful and prosperous” nation status by April 2012, the 100th anniversary of Kim Il Sung’s birthday. North Korea perceives South Korea to be the most promising source of assistance given its vulnerability to the North’s actions.  The fact that North Korean officials in their official pronouncements frequently and explicitly discuss the importance of providing sufficient food and other basic necessities to their people indicates their awareness of the potential political ramifications of this issue, in particular for the smooth ascension to power of Kim Jong Un.
4. Obter assistência econômica e financeira da qual o regime norte-coreano precisa desesperadamente para progredir rumo à condição de nação “poderosa e próspera” até abril de 2012, o 1000 aniversário do nascimento de Kim Il Sung. A Coreia do Norte percebe a Coreia do Sul como a mais promissora fonte de assistência, dada sua vulnerabilidade às ações do Norte. O fato de as autoridades norte-coreanas em seus pronunciamentos oficiais frequente e explicitamente discutirem a importância do fornecimento suficiente de comida e da satisfação de outras necessidades básicas do povo revela estarem elas cônscias das potenciais implicações dessa questão, em particular com relação a ascensão tranquila ao poder de Kim Jong Un.
5. Strengthening the position of political opposition forces within South Korea who are advocating a return to the “sunshine policy” of the Kim Dae Jung and Ro Moo Hyun governments, thereby increasing pressure upon the Lee government to pursue a policy of accommodation toward the North and increasing the likelihood that left-wing and pro-North Korea forces will recapture the South Korean presidency next year.  North Korean leaders may think the latter event, should it occur, would help them solve their economic problems and move them toward their long-range objective of a united Korea on their terms.
5. Fortalecer a posição de forças políticas de oposição, dentro da Coreia do Sul, que defendem retorno à “política do sol reconfortante” dos governos de Kim Dae Jung e Ro Moo Hyun, aumentando assim a pressão sobre o governo Lee para que persiga uma política de transigência em relação ao Norte e aumento da probabilidade de forças de esquerda e pró-Coreia do Norte retomarem a presidência da Coreia do Sul no ano que vem. Pode ser que os líderes norte-coreanos achem que essa última hipótese, caso se concretize, os ajudará a resolver seus problemas econômicos e os faça avançar rumo a seu objetivo de longo prazo de uma Coreia unida sob as condições deles.
6. Playing an international public relations game where North Korea looks reasonable and constructive for asking for talks and South Korea looks intransigent for refusing them.
6. Jogar um jogo de relações públicas internacional onde a Coreia do Norte apareça como razoável e construtiva por solicitar negociações e a Coreia do Sul pareça intransigente por recusar-se a elas.
During the period leading up to the U.S.-China summit of mid-January 2011 and since, there had been a discernible change in U.S. thinking on the need to return to a dialogue mode with North Korea. In a sense, North Korea’s provocative actions over the past few years have paid off. When Secretary of Defense Gates visited Beijing in the summer of 2010, he commented that North Korea’s missile and nuclear weapons development programs pose a direct threat to the United States and that there is an urgent need to move towards talks with the North Koreans, not least to avoid future provocations from them that could potentially escalate into major warfare. Several considerations seem to be behind this apparent shift:
Durante o período até a conferência de cúpula Estados Unidos - China de meados de janeiro de 2011 e desde então houve discernível mudança no modo de pensar dos Estados Unidos acerca da necessidade de retorno a um clima de diálogo com a Coreia do Norte. De certo modo, as ações provocadoras da Coreia do Norte nos anos recentes deram resultado. Quando o Secretário de Defesa Gates visitou Beijing no verão de 2010 comentou que os programas da Coreia do Norte de desenvolvimento de mísseis e de armamentos nucleares representam ameaça direta aos Estados Unidos e que há urgente necessidade de caminhar-se no sentido de negociações com os norte-coreanos, sendo não o menor dos motivos para isso impedir futuras provocações por parte daquele país as quais poderiam potencialmente redundar em escalada, transformando-se em guerra de grandes proporções. Diversas considerações parecem estar por trás dessa visível mudança:
1. The desire to avoid the future escalation of military conflict of the kind that occurred in 2010.  Even if no meaningful result can be expected out of talks—whether bilateral or multilateral— there is an expectation among U.S. policymakers that North Korea would at least refrain from further provocative actions while talks were underway.
1. O desejo de evitar futura escalada de conflito militar do tipo ocorrido em 2010. Mesmo não sendo de esperar resultado consequente oriundo das negociações — quer bilaterais, quer multilaterais — há expectativa, entre os formuladores de políticas dos Estados Unidos, de que a Coreia do Norte pelo menos abstenha-se de ações adicionais de provocação enquanto as negociações estiverem em andamento.
2. The desire to forestall the further strengthening of the missile and nuclear capabilities of North Korea.  There is a belief that North Korea may soon acquire the capability to strike a target in the continental U.S. with an Inter Continental Ballistic Missile loaded with miniaturized nuclear weapons, which would pose a direct threat to U.S. national security.  There is an assessment that North Korea would agree to suspend some of its activities in this regard while talks were underway.
2. O desejo de agir por antecipação para impedir maior fortalecimento da capacidade de mísseis e nuclear da Coreia do Norte. Há crença de que a Coreia do Norte possa logo ter condições para lançar no continente dos Estados Unidos um Míssil Balístico Intercontinental carregado de armamentos nucleares miniaturizados, o que representaria ameaça direta às segurança nacional dos Estados Unidos. Avalia-se que a Coreia do Norte concordaria em suspender algumas de suas atividades a respeito enquanto as negociações estivessem em andamento.
3. The desire to buy time while the U.S. deals with more pressing international and domestic problems coupled with the hope that the North’s leadership after Kim Jong Il may be more amenable to a negotiated settlement about the nuclear issue.
3. O desejo de ganhar tempo enquanto os Estados Unidos lidam com problemas internacionais e domésticos mais urgentes, acoplado à esperança de que a liderança do Norte depois de Kim Jong Il possa ser mais flexível em relação a um acordo negociado acerca da questão nuclear.
4. The ability to argue plausibly to the American people that the Obama administration is cooperating with relevant global actors to advance the denuclearization of North Korea and that lack of progress in this area is not due to diplomatic ineptitude on the part of the Obama administration but rather to North Korean intransigence.
4. A capacidade de argumentar plausivelmente com o povo estadunidense no sentido de que a administração Obama está cooperando com os agentes mundiais cabíveis para lograr a desnuclearização da Coreia do Norte e que falta de progresso nessa área não se deve a inépcia diplomática por parte da administração Obama e sim, antes, à intransigência da Coreia do Norte.
5. The January 19 summit meeting of Presidents Hu and Obama and the joint communiqué that emerged out of that meeting are worth close examination in terms of their implications for U.S.-North Korea relations.  The U.S. achieved its goal of having China endorse a joint statement expressing concern about North Korea’s uranium enrichment program (UEP).  Prior to the summit, the Chinese government had expressed neither interest in nor concern about this issue.  The joint statement, along with Obama’s strong additional comments on the UEP at the joint news conference, signal the depth of U.S. concern with North Korea’s growing nuclear capability and the threat it potentially poses to U.S. national security.  It is noteworthy that a White House official cited the joint statement’s reference to the UEP as a factor that prompted North Korea to ask for high level military talks with the South just one day after the summit meeting.  The Obama administration expressed satisfaction that South Korea promptly agreed to talks with the North as U.S. government officials have made progress in inter-Korea talks a precondition of U.S. talks with North Korea.
5. A cimeira de 19 de janeiro entre os Presidentes Hu e Obama e o comunicado conjunto que emergiu de citada reunião são dignos de exame cuidadoso em termos de suas implicações para as relações Estados Unidos - Coreia do Norte. Os Estados Unidos atingiram sua meta de conseguir que a China endossasse declaração conjunta expressando preocupação em relação ao programa de enriquecimento de urânio da Coreia do Norte (UEP). Antes do encontro de cúpula o governo chinês não havia manifestado nem interesse nem preocupação em relação a essa questão. A declaração conjunta, juntamente com os enfáticos comentários adicionais de Obama acerca do UEP no encontro conjunto com a imprensa indicam a profundidade da preocupação dos Estados Unidos com a crescente capacidade nuclear da Coreia do Norte e com a ameaça que ela potencialmente representa para a segurança nacional dos Estados Unidos. É digno de nota uma autoridade da Casa Branca ter citado a referência da declaração conjunta ao UEP como fator que induziu a Coreia do Norte a pedir negociações militares de alto nível com o Sul apenas um dia depois do encontro de cúpula. A administração Obama expressou satisfação com a Coreia do Sul ter prontamente concordado com negociações com o Norte, visto as autoridades do governo dos Estados Unidos terem estabelecido como precondição para negociações dos Estados Unidos com a Coreia do Norte progresso em negociações entre as duas Coreias.
From the South Korean perspective, the U.S.-China summit was disappointing since the joint statement not only did not condemn but in fact did not explicitly mention North Korean actions such as the Cheonan attack or the Yeongpyeongdo bombardment.  The statement refers to these incidents vaguely as “recent developments.”  Still, South Korean leaders noted with satisfaction that Obama declared at the joint press conference that “further provocations” on the part of North Korea should be avoided. Additionally, South Korean leaders almost certainly anticipated that the summit would intensify international pressure, including pressure from the U.S., upon South Korea to soften its stance and commence talks with North Korea.  Though displeased  with the joint statement’s reference to an “early return” to the 6 party talks, which dealt with the denuclearization of North Korea, they endorsed its point about the importance of taking “measures” to facilitate the resumption of inter-Korea talks, since this could reasonably be read as an exhortation to the North to take certain measures to fulfill South Korea’s conditions for holding talks as well as justification for South Korea’s holding firm until such measures are taken.  The preconditions South Korea has laid out include a) North Korea taking responsibility for and apologizing for the Cheonan and Yeongpyeongdo incidents; b) North Korea pledging not to commit aggressive actions again; and c) North Korea demonstrating its recommitment to the goal of denuclearization through concrete actions such as the suspension of all activities at nuclear facilities, the readmission of IAEA inspectors to all facilities, and movement toward the disablement program begun under the administration of George W. Bush.
Da perspectiva sul-coreana, o encontro de cúpula Estados Unidos - China foi decepcionante, visto que a declaração conjunta não apenas não condenou como, em verdade, não mencionou explicitamente ações norte-coreanas tais como o ataque ao Cheonan ou o fogo de artilharia contra Yeongpyeongdo. A declaração refere-se vagamente a esses incidentes como “desdobramentos recentes.” Ainda assim, líderes sul-coreanos observaram, com satisfação, Obama ter declarado no encontro conjunto com a imprensa que “provocações ulteriores” por parte da Coreia do Norte deverão ser evitadas. Adicionalmente, os líderes sul-coreanos quase certamente previram que o encontro de cúpula intensificaria a pressão internacional, inclusive pressão oriunda dos Estados Unidos, sobre a Coreia do Sul para que amenizasse sua posição e iniciasse negociações com a Coreia do Norte. Embora insatisfeitos com a referência da declaração conjunta a “breve retorno” das negociações de 6 partes, que versava acerca da desnuclearização da Coreia do Norte, endossaram o ponto dela acerca da importância de serem tomadas “medidas” para facilitação da retomada de negociações entre as Coreias, visto que isso poderia ser razoavelmente lido como exortação para que o Norte tome certas providências para preencher as condições da Coreia do Sul para poder haver negociações, bem como como justificativa para a Coreia do Sul manter-se firme até tais providências serem tomadas. Entre as precondições estipuladas pela Coreia do Sul contam-se: a) A Coreia do Norte assumir responsabilidade e desculpar-se pelos incidentes do Cheonan e de Yeongpyeongdo; b) Promessa solene da Coreia do Norte de não cometer ações agressivas de novo; e c) A Coreia do Norte deixar claro seu novo compromisso com a meta de desnuclearização por meio de ações concretas tais como a suspensão de todas as atividades em dependências nucleares, a readmissão de inspetores da IAEA em todas as dependências, e caminhar rumo ao programa de desmantelamento começado na administração de George W. Bush.
North Korean leaders were likely disturbed by two aspects of the summit’s outcome.  First, they must have been unpleasantly surprised by Obama’s remarks at the joint press conference about how he and Hu had agreed that “further provocations” must be avoided.  This strongly suggested that Hu was endorsing the view that the Cheonan and Yeongpyeong attacks constituted North Korean “provocations.”  North Korean leaders have denied any involvement in the Cheonan attack and have claimed that the Yeongpyeong bombardment was a legitimate self-defense measure against South Korean provocations.  North Korean leaders may have interpreted the joint press conference remarks to mean that Hu intended to increase pressure upon them to proceed with inter-Korea talks.  Indeed, this may be why North Korea moved so quickly to call for military talks after the summit was over.  Also, the joint statement’s mention of enacting measures to facilitate the 6 party talks and its call for “sincere and constructive talks” between the two Koreas were clearly concessions to the South Koreans, who emphasize these issues and this particular language.  That North Korea proposed just one day after the summit to hold military level talks with South Korea and proposed five days after the summit to hold military level talks with the U.S., suggests the North’s sense of urgency in gaining some control over events after the summit.
Os líderes norte-coreanos ficaram provavelmente aborrecidos com dois aspectos do resultado do encontro de cúpula. Em primeiro lugar, eles podem ter ficado desagradavelmente surpresos com as observações de Obama no encontro conjunto com a imprensa acerca de como ele e Hu haviam concordado em ser necessário evitar “provocações adicionais.” O que sugeria fortemente Hu estar endossando o ponto de vista de que os ataques de Cheonan e Yeongpyeong haviam constituído “provocações” norte-coreanas. Os líderes norte-coreanos têm negado qualquer envolvimento no ataque ao Cheonan e afirmando que o fogo de artilharia contra Yeongpyeong foi medida legítima de autodefesa contra provocações da Coreia do Sul. Os líderes norte-coreanos poderão ter interpretado as observações no encontro conjunto com a imprensa como significando que Hu pretendia aumentar a pressão sobre eles para que procedessem a negociações entre as Coreias. Em verdade, pode ter sido por isso que a Coreia do Norte moveu-se tão rapidamente para pedir negociações militares depois do fim do encontro de cúpula. Também a menção, na declaração conjunta, de aprovação de medidas para facilitar as negociações de 6 partes e seu apelo no sentido de “negociações sinceras e construtivas” entre as duas Coreias foram claramente concessões aos sul-coreanos, que enfatizam essas questões e essa linguagem específica. O fato de a Coreia do Norte ter proposto, apenas um dia depois da cimeira, negociações de nível militar com a Coreia do Sul e proposto, cinco dias depois da cúpula, manter negociações de nível militar com os Estados Unidos sugere o sentimento de urgência do Norte para ganhar algum controle sobre os eventos depois da reunião de cúpula.
Faced with North Korea’s persistent calls for talks as well as the explicit mention of the need for inter-Korea talks prior to the 6 party talks by the U.S.-China joint communiqué issued at the conclusion of the Obama-Hu summit meeting of January 19, 2011, the South Korean government agreed to set up military level talks.  However, the preliminary meeting held to arrange a high level military meeting broke down on February 9 after a day and a half when the North Korean delegation walked out as both sides could not agree on prioritizing agenda items.  Whereas South Korea insisted on placing the issue of apologies for the two attacks before other issues, North Korea insisted that all issues be discussed simultaneously with the emphasis placed on the issue of the reduction of military tensions.
Diante dos persistentes convites da Coreia do Norte para negociação, bem como da menção explícita da necessidade de negociações entre as Coreias antes das negociações de 6 partes no comunicado conjunto Estados Unidos - China divulgado na conclusão da reunião de cúpula Obama-Hu em 19 de janeiro de 2011, o governo sul-coreano concordou em organizar negociações em nível militar. Sem embargo, a reunião preliminar mantida para efeito de ser organizada reunião militar de alto nível frustrou-se em 9 de fevereiro, depois de um dia e meio, quando a delegação norte-coreana saiu do recinto ao ambos os lados não conseguirem concordar com as prioridades dos itens da agenda. Enquanto a Coreia do Sul insistiu em colocar as desculpas pelos dois ataques acima das outras questões, a Coreia do Norte insistiu em todas as questões serem discutidas simultaneamente, com ênfase na questão da redução das tensões militares.
At first glance, it seems puzzling that North Korea would walk out of the talks given its view of the inter-Korea talks as a stepping stone to direct bilateral North Korea-U.S. talks.  However, North Korean officials may have reached the conclusion during negotiations with the South that progress during the inter-Korea talks, stipulated by the U.S. as a precondition for bilateral North Korea-U.S. talks, was impossible given the South’s unwavering insistence upon calling North Korea to account for its military provocations.  Since the breakdown of the talks, South Korea has shown no sign of softening its position.  Despite its hopes for a reduction in tension with and the initiation of dialogue with North Korea, the U.S. maintains its position that the resumption of the 6 party talks as well as bilateral U.S.-North Korea talks depend upon progress in the inter-Korea talks.
À primeira vista parece difícil de entender que a Coreia do Norte tenha deixado as negociações, dado ela considerar as negociações entre as Coreias como degrau para negociações bilaterais diretas Coreia do Norte - Estados Unidos. Entretanto, as autoridades norte-coreanas podem ter chegado à conclusão, durante as negociações com a Coreia do Sul, que o progresso nas negociações entre as Coreias, estipulado pelos Estados Unidos como precondição para negociações bilaterais Coreia do Norte - Estados Unidos, era impossível, dada a insistência inflexível do Sul de chamar a Coreia do Norte à responsabilidade por suas provocações militares. Desde o fracasso das negociações a Coreia do Sul não mostrou nenhum sinal de abrandar sua posição. A despeito de sua esperança de redução de tensão e de início de diálogo com a Coreia do Norte, os Estados Unidos mantêm sua posição segundo a qual a retomada das negociações envolvendo 6 partes, e bem assim negociações bilaterais Estados Unidos - Coreia do Norte, dependerão de progresso em negociações entre as Coreias.
In late April of 2011, former U.S. president Jimmy Carter traveled to Pyongyang with other members of the Elder Group in an attempt to play a mediating role on the denuclearization and humanitarian aid issues.  Although his requests for a meeting with Chairman Kim Jong Il and Kim Jong Un were rebuffed, Carter somewhat controversially carried a message from Kim Jong Il to the South Korean government stating that Kim stood ready to meet anywhere with any of the parties to the 6 party talks without preconditions, and specifically with South Korea on any level and about any subjects.   The South Korean government dismissed the message as an insincere and empty gesture.  Even before President Carter arrived in Seoul, the South Korean Foreign Minister Kim wondered aloud why North Korea was sending a message through a private third party when so many official channels of communication existed, and also stated that he didn’t expect much to come of Carter’s visit as a private citizen to Pyongyang. At a press conference in Seoul, President Carter was asked whether he had raised the issue of human rights during his visit to Pyongyang.  He responded that outsiders cannot force change in internal matters relating to human rights and added that the most important human rights issue in North Korea was the provision of adequate food to its people. He then declared that the U.S. and South Korea “deliberately withhold food aid to the North Korean people because of political and military issues” and that this constituted a human rights violation.  Carter also conveyed that the North Korean military expressed deep regrets for the loss of life connected to the Yeongpyeongdo incident, although they stopped short of an apology. News commentators in South Korea and the U.S. characterized Carter’s personal diplomacy as biased and naïve. It was telling that President Lee did not grant Carter’s request for a meeting. Carter’s visit has had little impact on the prospects for inter-Korea talks. Despite the message entrusted to Carter by the North Korean leader, at the time of this writing, North Korea has not made a formal proposal directly to South Korea regarding inter-Korea talks.
No final de abril de 2011 o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter viajou a Pyongyang com outros membros do Grupo dos Mais Velhos, numa tentativa de exercer papel mediador em questões de desnuclearização e ajuda humanitária. Embora seus pedidos de reunião com o Dirigente Kim Jong Il e com Kim Jong Un tenham sido rejeitados, Carter, de modo um tanto controverso, levou uma mensagem de Kim Jong Il ao governo sul-coreano declarando que Kim estava pronto para encontrar-se, em qualquer lugar, com qualquer das partes da negociação de 6 partes sem precondições, e especificamente com a Coreia do Sul em qualquer nível e acerca de quaisquer temas. O governo sul-coreano desqualificou a mensagem, considerando-a como gesto insincero e vazio. Mesmo antes de o Presidente Carter ter chegado a Seul o Ministro do Exterior sul-coreano Kim perguntou-se em voz alta por que a Coreia do Norte estaria mandando mandando mensagem por meio de um terceiro privado quando existiam tantos canais oficiais de comunicação, e também disse não esperar muita coisa da visita de Carter a Pyongyang como cidadão privado. Num encontro com a imprensa em Seul foi perguntado ao Presidente Carter se ele havia suscitado a questão de direitos humanos durante sua visita a Pyongyang.  Ele respondeu que pessoas de fora não podem forçar mudanças em assuntos internos relacionados com direitos humanos e acrescentou que a questão mais importante de todas em direitos humanos na Coreia do Norte era o fornecimento de comida adequada para o povo daquele país. Em seguida declarou que os Estados Unidos e a Coreia do Sul “retêm deliberadamente ajuda alimentar ao povo norte-coreano por causa de questões políticas e militares” e que isso constituía violação de direitos humanos. Carter também transmitiu que os militares norte-coreanos haviam expressado profundo pesar pela perda de vidas conexas com o incidente de Yeongpyeongdo, embora não tivessem chegado ao ponto de pedir desculpas. Comentadores de notícias na Coreia do Sul e nos Estados Unidos caracterizaram a diplomacia pessoal de Carter de tendenciosa e ingênua. Foi significativo o Presidente Lee não ter acedido a pedido de Carter de uma reunião. A visita de Carter tem tido pouco impacto sobre as perspectivas de negociações entre as duas Coreias. A despeito da mensagem confiada a Carter pelo líder norte-coreano, à ocasião da escrita deste ensaio a Coreia do Norte ainda não fez nenhuma proposta formal diretamente à Coreia do Sul a respeito de negociações entre as duas Coreias.
What are the prospects for the resumption of inter-Korea talks?  There is a strong sense among South Korean officials that North Korea must not be allowed to commit military attacks with impunity.  While South Korean officials think that it is unlikely that North Korea will meet South Korea’s preconditions fully, they will not move ahead without this because they are unwilling to face the disapproval that the South Korean public would almost certainly express.  The possibility that North Korea may face political instability and regime collapse in the near future, resulting in a united Korea on South Korean terms, also discourages South Korean officials from pursuing a policy of reconciliation and accommodation at the present time. However, depending upon a possible policy shift by the U.S. toward a flexible stance, which seems to be happening, the Lee Myung Bak government might nevertheless be open to pursuing a policy of reconciliation with the North, especially if a compromise solution could be found which allowed South Korea to claim that its preconditions had been met.
Quais são as perspectivas de retomada das negociações entre as Coreias? Há forte percepção, entre as autoridades da Coreia do Sul, de ser preciso não permitir à Coreia do Norte o cometimento de ataques militares impunemente. Embora as autoridades sul-coreanas acreditem ser improvável a Coreia do Norte vir a satisfazer plenamente as precondições da Coreia do Sul, não irão em frente sem isso, por não estarem a fim de enfrentar a desaprovação que o público sul-coreano quase certamente expressaria. A possibilidade de a Coreia do Norte vir a enfrentar instabilidade política e colapso do regime no futuro próximo, disso resultando uma Coreia unida sob as condições sul-coreanas, também desestimula as autoridades sul-coreanas a perseguir uma política de reconciliação e de acomodação no momento presente. Entretanto, dependendo de possível mudança de política dos Estados Unidos rumo a uma posição flexível, o que parece estar acontecendo, o governo de Lee Myung Bak poderá ficar aberto para perseguir uma política de reconciliação com o Norte, especialmente se puder ser encontrada uma solução de compromisso permitindo à Coreia do Sul afirmar terem sido satisfeitas suas precondições.
While the Obama administration would like to see progress in inter-Korea talks so that it can move into a dialogue phase with North Korea, manage relations with that nation at a tolerable risk level, and forestall the enhancement of its nuclear and missile capabilities, it is unwilling to put any public pressure on President Lee because it might cause President Lee domestic difficulty and antagonize South Korean public opinion.  Indeed, a senior State Department official said at a press conference following Carter’s visit to Pyongyang that he rejected Carter’s characterization of the food aid issue as a human rights issue, and that the U.S. and South Korea are unified in their stance on inter-Korea and U.S.-North Korea talks. While the U.S. maintains its public support for South Korea’s stance, Secretary of State Clinton and other senior officials are reported to have tried in vain to persuade President Lee to show greater flexibility.  It should also be noted that the U.S. has lately been moving toward the provision of food aid to North Korea despite continued misgivings on the part of the South Korean government. After consulting with South Korea, the U.S. dispatched in late May a mission led by Ambassador Robert King, US special envoy on North Korean human rights, to Pyongyang to discuss food aid and other humanitarian issues. The official US denial notwithstanding, such a move by the U.S. is viewed by the officials of South Korea, Japan, and North Korea as the beginning of the US- North Korea political dialogue.
Embora a administração Obama ficasse satisfeita caso houvesse progresso nas negociações entre as Coreias de tal modo que ela pudesse movimentar-se para fase de diálogo com a Coreia do Norte, gerir as relações com aquela nação em nível de risco tolerável e impedir antecipadamente o aumento dos recursos nucleares e de mísseis daquele país, ela não está disposta a fazer qualquer pressão sobre o Presidente Lee porque isso poderia causar dificuldades domésticas para ele e antagonizar a opinião pública sul-coreana. Com efeito, autoridade de alto nível do Departamento de Estado disse, num encontro com a imprensa em seguida à visita de Carter a Pyongyang, rejeitar a caracterização de Carter da questão da ajuda alimentar como questão de direitos humanos, e os Estados Unidos e a Coreia do Sul estarem unificados em sua posição a respeito de negociações entre as Coreias e entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Embora os Estados Unidos mantenham seu apoio público à posição da Coreia do Sul, a Secretária de Estado Clinton e outras autoridades de alto nível teriam, diz-se, tentado em vão persuadir o Presidente Lee a mostrar maior flexibilidade. Deve-se notar, também, que os Estados Unidos vêm-se recentemente movimentando no sentido de fornecimento de ajuda alimentar à Coreia do Norte a despeito de continuada apreensão da parte do governo sul-coreano. Depois de consultarem-se com a Coreia do Sul, os Estados Unidos, no final de maio, despacharam uma missão liderada pelo Embaixador Robert King, enviado especial dos Estados Unidos para direitos humanos na Coreia do Norte, para Pyongyang, para discutir ajuda alimentar e outras questões humanitárias. Apesar da negação oficial dos Estados Unidos, tal movimento dos Estados Unidos é visto pelas autoridades de Coreia do Sul, Japão e Coreia do Norte como o começo do diálogo político Estados Unidos - Coreia do Norte.
On his visit to Seoul in late April of 2011, Special Representative Wu Dawei expressed China’s support for the 3-stage formula, wherein inter-Korea talks are followed by bilateral U.S.-North Korea talks, which are followed by renewed 6 party talks.   At this moment, however, the prospects for inter-Korea talks are dim.  Neither Korea has shown an inclination to be flexible on the issue of apologies. Also, while North Korea appears willing to recommit to denuclearization in principle, it is not clear what kinds of concrete actions it is prepared to take to demonstrate its sincerity on this issue.  Then, on June 1, 2011, North Korea claimed that at a secret meeting held with South Korea on May 9, the latter had pleaded for a series of summit meetings with the North and that despite this, North Korean would no longer deal with South Korea and threatened to launch an all-out military retaliation for South Korea’s use of the portraits of Kim Il Sung, Kim Jong Il and Kim Jong Un as targets for shooting practice at a few South Korean army reservist training camps. The statement, issued in the name of the National Defense Commission, condemned the South Korean action as constituting the disparagement of the “supreme dignity” of their nation, i.e., its top leadership, and vowed to retaliate for the “heinous crime.”  North Korea is demanding South Korea’s apologies and punishment of South Korean officials responsible for these actions.  While North Korea’s outpouring of outrages may reflect genuine sentiments by the North Korean leaders and would impede the reconciliation with the South, South Korean analysts are suggesting that such manifestation of outrages may also be a function of competitive demonstration of the loyalty to the top leader on the part of the North Korean officials.
Em sua visita a Seul no final de abril de 2011, o Representante Especial Wu Dawei manifestou apoio da China à fórmula de 3 estágios, na qual negociações entre as Coreias são seguidas de negociações renovadas de 6 partes. No presente momento, porém, as perspectivas de negociações entre as Coreias são anêmicas. Nenhuma das Coreias tem mostrado inclinação para ser flexível na questão do pedido de desculpas. Ademais, embora a Coreia do Norte pareça disposta a em princípio recomprometer-se com a desnuclearização, não está claro que tipo de ações concretas está disposta a desenvolver para mostrar sua sinceridade com relação ao assunto. Então, em 1o. de junho de 2011, a Coreia do Norte afirmou que, numa reunião secreta mantida na Coreia do Sul em 9 de maio, esta última solicitara uma série de reuniões de cúpula com o Norte mas, a despeito disso, a Coreia do Norte não mais negociaria com a Coreia do Sul e ameaçou lançar uma retaliação militar maciça devido ao uso, pela Coreia do Sul, de retratos de Kim Il Sung, Kim Jong Il e Kim Jong Un como alvos para prática de tiro em alguns campos de treinamento de reservistas do exército sul-coreano. A afirmação, emitida em nome da Comissão de Defesa Nacional, condenou a ação sul-coreana como constituindo menosprezo pela “suprema dignidade” de seu país, isto é, de sua liderança máxima, e prometia retaliação pelo “crime hediondo.” A Coreia do Norte está reclamando da Coreia do Sul desculpas e punição das autoridades responsáveis por essas ações. Embora a efusão de insultos possa refletir sentimentos genuínos dos líderes norte-coreanos e possa impedir a reconciliação com o Sul, analistas sul-coreanos sugerem que tal manifestação de sentimentos afrontados possa também função de demonstração competitiva de lealdade ao líder máximo por parte das autoridades da Coreia do Norte.
Still, there are formidable obstacles that must be overcome at every one of the three stages of the 3-stage formula.  Ultimately, North Korea’s core demand that the U.S. cease its policy of hostility includes the demand for a virtual abrogation of the U.S.-South Korea relationship, a demand no U.S. administration will seriously entertain.  Then there is the issue of whether and when the 6 party talks will resume.  Since the presidential statement of the UN Security Council was issued on July 9, 2010 concerning the Cheonan incident, the Chinese government has exerted persistent diplomatic efforts to get the U.S., South Korea and North Korea to agree to resume the 6 party talks.  Its objectives are to reassert its dominant role in Korean affairs, prevent the collapse of the North Korean regime, and forestall any U.S., South Korean and Japanese countermeasures against North Korea which might heighten tensions in the region, thereby adversely affecting China’s economic and developmental goals and strengthening U.S. military and political influence in the Asia Pacific region to the detriment of Chinese interests.
Ainda assim, há obstáculos formidáveis que precisarão ser superados em cada um dos três estágios da fórmula de 3 estágios. Em última análise, a exigência central da Coreia do Norte de que os Estados Unidos desistam de sua política de hostilidade inclui exigência de praticamente ab-rogação do relacionamento Estados Unidos - Coreia do Sul, exigência que nenhuma administração estadunidense considerará seriamente. Depois há a questão de se e quando as negociações de 6 partes serão retomadas. Desde que a declaração presidencial do Conselho de Segurança da ONU relativa ao incidente com o Cheonan foi divulgada em 9 de julho de 2010, o governo chinês vem exercendo persistentes esforços diplomáticos para convencer Estados Unidos, Coreia do Sul e Coreia do Norte a concordarem com a retomada das negociações de 6 partes. Seus objetivos são reafirmar seu papel dominante em assuntos coreanos, impedir o colapso do regime norte-coreano e impedir antecipadamente quaisquer contramedidas estadunidenses, sul-coreanas e japonesas contra a Coreia do Norte que possam aumentr tensões na região, afetando assim adversamente as metas econômicas e de desenvolvimento da China e fortalecendo a influência militar e política dos Estados Unidos na região Ásia Pacífico em detrimento dos interesses chineses.
One intriguing question is whether North Korean officials really want to return to the 6 party talks.  Until December 2010, North Korea consistently stated that it would not return to the 6 party talks unless its preconditions were met.  These preconditions include assurances from the U.S.—concretized through bilateral U.S.-North Korea talks—about the removal of sanctions and the achievement of a peace agreement.  These are precisely the conditions which Kim Jong Il stipulated in his meeting with Chinese premier Wen Jiabao in October 2009. It is significant that even in the most recent official statement issued by the North Korean government on May 26, 2011 following the summit between Chairman Kim and President Hu in Beijing on May 25, 2011, there is a conspicuous absence of any mention of North Korea’s willingness to return to the 6 party talks.  According to the statement, Chairman Kim shares a view with Hu that North Korea’s adherence to the objective of denuclearization of Korea—of all of the Korean peninsula, not just North Korea—and the pursuit of the peaceful resolution of issues through dialogue such as the 6 party talks are consistent with the overall interests of the Northeast Asia region.  This reflects no change from North Korea’s prior position on the subject of 6 party talks and contrasts sharply with the China News Agency report that Chairman Kim had argued for an early resumption of the 6 party talks at the summit meeting.
Pergunta intrigante é se as autoridades norte-coreanas realmente desejam voltar às negociações de 6 partes. Até dezembro de 2010 a Coreia do Norte declarava consistentemente que só voltaria às negociações de 6 partes caso suas precondições fossem satisfeitas. Entre essas precondições está promessa dos Estados Unidos — concretizável mediante negociações bilaterais Estados Unidos - Coreia do Norte — acerca da remoção de sanções e atingimento de um acordo de paz. Essas são precisamente as condições que Kim Jong Il estipulou em sua reunião em outubro de 2009 com o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao. É significativo que mesmo na mais recente declaração oficial emitida pelo governo norte-coreano em 26 de maio de 2011, em seguida ao encontro de cúpula entre o Dirigente Kim e o Presidente Hu em Beijing em 25 de maio de 2011, há conspícua ausência de qualquer menção à disposição da Coreia do Norte de retornar às negociações de 6 partes. De acordo com a declaração, o Dirigente Kim compartilha com Hu a opinião de que a aderência, pela Coreia do Norte, ao objetivo de desnuclearização da Coreia — de toda a península coreana, não apenas Coreia do Norte — e a busca de resolução pacífica de questões, por meio de diálogo tal como as negociações de 6 partes, são consistentes com os interesses gerais da região do Nordeste da Ásia. Isso não reflete nenhuma mudança em relação à posição anterior da Coreia do Norte no tocante ao tema das negociações de 6 partes e contrasta agudamente com a informação da Agência Notícias da China de que o Dirigente Kim argumentara no sentido de breve retomada das negociações de 6 partes na reunião de cúpula.
Some academic and media commentators in the West assume that North Korea is genuinely interested in resuming the 6 party talks, and there is some basis for this interpretation.  First, North Korean officials are aware that the U.S., and especially China, favor the resumption of talks, so they want to at least project the image that they are ready to comply and work toward denuclearization.  Second, resumption of the 6 party talks would reduce the degree of North Korea’s international isolation, potentially leading to the reduction of sanctions currently in force and enhancing North Korea’s international trade and economic relations.  It might also assist in getting South Korea to modify its hard line position of denying economic aid to North Korea. All of this would presumably facilitate North Korea’s declared objective of becoming a “powerful and prosperous” nation by 2012.
Alguns comentadores acadêmicos e da mídia, no Ocidente, assumem que a Coreia do Norte está genuinamente interessada em retomar as negociações de 6 partes, e há alguma base para essa interpretação. Em primeiro lugar, as autoridades da Coreia do Norte estão cônscias de que os Estados Unidos, e especialmente a China, são favoráveis à retomada das negociações e, portanto, desejam pelo menos projetar a imagem de estarem prontos para fazer isso e trabalharem rumo à desnuclearização. Em segundo lugar, a retomada das negociações de 6 partes reduziria o grau de isolamento internacional da Coreia do Norte, levando, potencialmente, à redução das sanções atualmente vigentes e à melhoria do comércio e das relações econômicas internacionais da Coreia do Norte. Poderá também ajudar para levar a Coreia do Sul a modificar sua posição de linha dura de negar ajuda econômica à Coreia do Norte. Tudo isso presumivelmente facilitaria o objetivo declarado da Coreia do Norte de tornar-se nação “poderosa e próspera” até 2012.
n the other hand, contrary to some of its public rhetoric, North Korea may not be in a hurry to resume the 6 party talks, unless of course its preconditions were to be met.  North Korean officials may well see their domestic political interests as better served by not resuming these talks in the near future. The North Korea military does not favor the resumption of the 6 party talks, for one thing, and North Korea could use the time to enhance its nuclear and missile capabilities.  Moreover, Kim Jong Il’s paramount short term priority is managing the political succession issue and consolidating Kim Jong Un’s power, which may require, in his view, a strategy of engaging in bellicose actions toward other states rather than engaging in diplomatic negotiations with them.  Besides, North Korea is aware that the Obama administration is under a series of constraints so much so that it will not be in a position to provide any major incentives of the sort North Korea wants.  Moreover, the recent massive outpouring of North Korean tirades against South Korea over the use of the portraits of the top leadership will remain a serious impediment to the resumption of inter-Korea dialogue in the near term, thus blocking the movement toward bilateral US-North Korea talks, which would be required prior to the resumption of 6 party talks. It is possible that North Korea is prepared to wait for the expiration of President Lee’s term of office.
Por outro lado, contrariamente a parte de sua retórica pública, a Coreia do Norte poderá não estar com pressa de retomar as negociações de 6 partes a menos, naturalmente, que suas precondições fossem atendidas. Autoridades norte-coreanas bem poderão ver seus interesses políticos domésticos como melhor servidos mediante a não retomada dessas negociações no futuro próximo. Um dos motivos é a instituição militar da Coreia do Norte não ser favorável à retomada das negociações, e a Coreia do Norte poderia usar o tempo para melhorar sua capacidade nuclear e de mísseis. Ademais, a prioridade máxima de curto prazo de Kim Jong Il é gerir a questão da sucessão política e consolidar o poder de Kim Jong Un, o que poderá exigir, do ponto de vista dele, uma estratégia de engajamento em ações belicosas em relação a outros estados em vez de engajamento em negociações diplomáticas com eles. Ademais, a Coreia do Norte está cônscia de que a administração Obama sofre uma série de restrições, de modo que não terá condições de oferecer quaisquer incentivos maiores dos do tipo desejado pela Coreia do Norte. Ademais, a recente maciça efusão de ataques verbais da Coreia do Norte contra a Coreia do Sul a respeito do uso de retratos da liderança máxima permanecerá sendo sério obstáculo à retomada do diálogo entre as Coreias no curto prazo, bloqueando assim o movimento rumo a negociações bilaterais Estados Unidos - Coreia do Norte, as quais seriam necessárias antes da retomada das negociações de 6 partes. É possível que a Coreia do Norte esteja disposta a esperar pela expiração do mandato do Presidente Lee.
Even if the 6 party talks were to resume, there is no assurance that they would lead to meaningful results.  From their beginning in 2003 to their breakdown in 2008, these talks produced no significant achievement on the denuclearization of North Korea. The future task for the parties to the talks, formulating a roadmap for the implementation of the September 19, 2005 agreement, will be a difficult one. The most formidable obstacle to progress is North Korea’s demand that all future negotiations be premised on the finding that North Korea is already a nuclear weapons state.  This is precisely what the Obama administration pledged it would never acknowledge because doing so would undermine the non-proliferation regime with devastating implications for U.S. interests.  The Obama administration’s apparent acquiescence alone would be damaging to the nonproliferation regime.
Mesmo se as negociações de 6 partes fossem retomadas não há garantia de que levassem a resultados consequentes. Desde seu início em 2003 até seu colapso em 2008 essas negociações não produziram nenhum resultado importante para a desnuclearização da Coreia do Norte. A tarefa futura das partes em negociação, desenhar um mapa para a implementação do acordo de 19 de setembro de 2005, será difícil. O mais formidável obstáculo ao progresso é a exigência da Coreia do Norte de que todas as negociações futuras tenham como premissa a constatação de a Coreia do Norte ser já um estado com armamentos nucleares. Isso é precisamente o que a administração Obama prometeu nunca virá a reconhecer porque fazê-lo solaparia o regime de não-proliferação com implicações devastadoras para os interesses dos Estados Unidos. A simples aparência de aquiescência da administração Obama seria nociva ao regime de não-proliferação.
Few officials in the Obama administration believe that the 6 party talks, when and if they are resumed, will achieve their declared objective of denuclearizing North Korea.  Most experts in and out of the U.S. government believe that North Korea will never voluntarily relinquish its nuclear weapons and programs.  So why does the U.S. still favor the resumption of the 6 party talks, even if it is not actively pressing for this development?  It is possible that U.S. officials believe that the tension and instability of the current situation should be managed with short term strategies, while they expect and hope for a significant political transformation in North Korea which would enable the U.S. to deal with the denuclearization issue more effectively. In any case, of the multiple factors that will shape future scenarios, the role that the U.S. chooses to play will be among the most decisive. It remains to be seen whether, when, and to what degree the U.S. government will be willing to commit its national resources to achieving the objective of a denuclearized North Korea despite the substantial risks and costs associated with this endeavor.  North Korean officials are confident that sooner or later the US government will realize that it has no realistic option but to acknowledge de facto nuclear weapons state status of North Korea. They are optimistic that eventually North Korea will become another Pakistan.
Poucas autoridades da administração Obama acreditam que as negociações de 6 partes, quando e se retomadas, atingirão seu objetivo declarado de desnuclearizar a Coreia do Norte. Os especialistas dentro e fora do governo dos Estados Unidos, em sua maioria, acreditam que a Coreia do Norte nunca abrirá mão voluntariamente de seus armamentos e programas nucleares. Se é assim, por que, então, os Estados Unidos ainda são favoráveis à retomada das negociações de 6 partes, mesmo sem pressionar ativamente nesse sentido? É possível que as autoridades dos Estados Unidos acreditem que a tensão e a instabilidade da situação atual devam ser geridas com estratégias de curto prazo, enquanto nutrem expectativa e esperança de transformação política importante na Coreia do Norte que proporcione aos Estados Unidos condições para lidar com a questão da desnuclearização mais eficazmente. Qualquer seja o caso, dos múltiplos fatores que darão contornos a cenários futuros, o papel que os Estados Unidos escolherem desempenhar estará entre os mais decisivos. Fica por ser visto se, quando e em que grau o governo dos Estados Unidos se disporá a comprometer seus recursos nacionais para atingir o objetivo de uma Coreia do Norte desnuclearizada a despeito dos substanciais riscos e custos associados a esse esforço. As autoridades norte-coreanas estão confiantes em que, mais cedo ou mais tarde, o governo dos Estados Unidos compreenderá não ter opção realista exceto reconhecer a condição da Coreia do Norte de estado detentor, na prática, de armamentos nucleares. Elas estão otimistas quanto a a Coreia do Norte tornar-se, no final, outro Paquistão.
Since no U.S. administration is likely to ever publicly acknowledge North Korea as a nuclear weapons state, one can expect the U.S. government to continue espousing its current policy of pursuing CVID—that is, complete, verifiable, and irreversible dismantlement of all the nuclear weapons and programs in North Korea.  How to accomplish this goal will remain a matter of serious debate within policymaking circles.  Once the U.S. rules out the option of acquiescence, de facto acknowledging North Korea’s nuclear weapons state status, as well as the option of using force against that regime, what alternatives are left?  One strategy is that of seeking regime change in North Korea through all available means, save the direct engagement of military forces.  It should be noted here that Secretary Gates declared in early June 2011 at the Shangri-La Dialogue in Singapore, that the US is not interested in regime change in North Korea or destabilizing North Korea.  Whether the remark is to be taken as a mere diplomatic rhetoric is not clear.  At any rate, the serious quest for regime change in North Korea, in addition to carrying substantial risks, rests on the unwarranted assumption that the succeeding regime would be more amenable to a negotiated settlement with the U.S. on the nuclear weapons issue. An alternative,” unthinkable” policy of pursuing a genuine rapprochement with North Korea with a view to bringing  about a fundamental restructuring of the relations with North  is theoretically conceivable, but not realistic given the current configuration of domestic and international forces within which U.S. policymakers have to operate. It is reasonable to argue then that for the time being the “dual sanctions plus dialogue” policy that is currently in force—which is equivalent to what a Council of Foreign Relations Study calls the option of “manage and contain”—is a reasonable course for safeguarding U.S. interests, though it, too, risks degenerating into a policy of acquiescence involving the de facto acceptance of North Korea’s nuclear weapon’s state status. Both Japan and South Korea would strongly oppose this outcome as clearly detrimental to their respective national interests.  U.S. efforts at promoting nuclear non-proliferation around the globe would also be damaged.  It should be possible to consider a variation of the current policy, namely, a long-term strategy of “expanded sanctions and flexible engagement” involving the imposition of a more stringent set of financial sanctions with more rigorous and effective implementation of the existing and additional sanctions plus simultaneous and flexible pursuit of expanded engagement with a broader spectrum of the North Korean society.  It should be kept in mind that a range of options available to the US could become broader depending on the longer time frame within which the US feels compelled to address the North Korean nuclear issue seriously.
Visto que nenhuma administração dos Estados Unidos provavelmente venha a reconhecer um dia ser a Coreia do Norte estado com armamentos nucleares, é de se esperar que o governo dos Estados Unidos continue a esposar sua política atual de perseguir CVID — isto é, desmantelamento completo, verificável e irreversível de todos os armamentos e programas nucleares da Coreia do Norte. Como atingir essa meta permanecerá tema de debate sério dentro dos círculos de formulações de políticas. Uma vez que os Estados Unidos descartam a opção de aquiescência, de reconhecimento da condição de fato da Coreia do Norte, bem como a opção de usar a força contra aquele regime, que alternativas são deixadas? Uma estratégia é buscar mudança de regime na Coreia do Norte por todos os meios disponíveis, salvo o engajamento direto de forças militares. Deve-se notar, a esta altura, que o Secretário Gates declarou, no início de junho de 2011, no Diálogo Shangri-La em Cingapura, que os Estados Unidos não estão interessados em mudança de regime na Coreia do Norte ou em desestabilizar a Coreia do Norte. Não fica claro se a observação deve ser entendida como mera retórica diplomática. De qualquer modo, a busca séria de mudança de regime na Coreia do Norte, além de implicar em riscos substanciais, assenta-se na assunção sem base de que o regime sucessor seria mais flexível em relação a um acordo negociado acerca da questão dos armamentos nucleares. Uma alternativa, a política “impensável” de perseguir genuína reaproximação com a Coreia do Norte com vista a efetivação de reestruturação fundamental das relações com o Norte é teoricamente concebível, mas não realista, dada a atual configuração de forças domésticas e internacionais dentro da qual os formuladores de política dos Estados Unidos têm de atuar. É razoável argumentar então que, por enquanto, a política de “sanções duplas mais diálogo” atualmente em vigor — equivalente ao que um estudo do Conselho de Relações Exteriores chama de “gerir e conter” — representa curso razoável para a salvaguarda dos interesses dos Estados Unidos embora, também ela, corra o risco de degenerar numa política de aquiescência envolvendo a aceitação de fato da condição da Coreia do Norte de estado detentor de armamentos nucleares. Tanto o Japão quanto a Coreia do Sul opor-se-iam fortemente a esse resultado como claramente prejudicial a seus respectivos interesses nacionais. Os esforços dos Estados Unidos para promover não-proliferação nuclear em todo o mundo também ficariam prejudicados. Seria possível cogitar de uma variante da política atual, isto é, uma estratégia de longo prazo de “sanções expandidas e engajamento flexível” envolvendo a imposição de conjunto mais severo de sanções financeiras com implementação mais rigorosa e eficaz das sanções existentes e adicionais, mais busca simultânea e flexível de engajamento expandido com espectro mais amplo da sociedade norte-coreana. Dever-se-á ter em mente que um espectro de opções disponível para os Estados Unidos poderia tornar-se mais amplo dependendo do período mais longo de tempo dentro do qual os Estados Unidos se sentissem compelidos a tratar seriamente da questão nuclear norte-coreana.
A few additional observations are in order about the policy currently in place under the Obama administration.  As mentioned earlier, officials in the Obama administration have become convinced that Kim Jong Il will never give up his nuclear weapons on his own volition.  This conviction, coupled with the Obama administration’s preoccupation with domestic and international issues of higher priority, has sustained the current policy.  Yet the sanctions plus dialogue approach contains an element of settling in to wait for a political change in Pyongyang, and the concern here is that by attempting to manage the situation in this way rather than taking a more proactive approach, the U.S. may be missing an opportunity to achieve a meaningful political settlement with Kim Jong Il.  The failure to gain control over North Korean nuclear materials in a period marked by social and political instability related to the problem of political succession in that nation could potentially be catastrophic for the interests of the U.S. and its Asian allies.  Nor will Kim Jong Un or any other possible successor possess enough authority in the short term to make a crucial decision about nuclear weapons and programs against the opposition of the North Korean military.
Algumas observações adicionais são cabíveis acerca da política atualmente vigente sob a administração Obama. Como mencionado antes, autoridades da administração Obama estão convencidas de que Kim Jong Il nunca renunciará a suas armas nucleares por vontade própria. Essa convicção, juntamente com o assoberbamento da administração Obama com questões domésticas e internacionais de maior prioridade, tem sustentado a atual política. No entanto, a abordagem de sanções mais diálogo contém um elemento de comodismo, à espera da mudança política em Pyongyang, e a preocupação no caso é que, ao tentar gerir a situação desse modo em vez de adotar uma abordagem mais proativa, os Estados Unidos possam estar perdendo oportunidade de conseguir um acordo político consequente com Kim Jong Il.  O fracasso em obter controle sobre os materiais nucleares norte-coreanos num período marcado por instabilidade social e política relacionada com o problema de sucessão política naquela nação poderá ser potencialmente catastrófico para os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados asiáticos. Nem Kim Jong Un ou qualquer outro possível sucessor possuirá autoridade suficiente, no curto prazo, para tomar decisão crucial acerca de armamentos e programas nucleares contra a oposição da instituição militar norte-coreana.
The Obama administration has articulated a set of broad principles that could potentially serve as the basis for a negotiated settlement of the nuclear weapons issue with North Korea. However, the U.S. has not yet defined a comprehensive set of compensatory programs that the U.S. and other powers would be willing to place on the table in serious, intensive talks with North Korea. At this moment, the U.S. government appears prepared to hold bilateral U.S.-North Korea talks if and only if meaningful inter-Korea talks have taken place with results that satisfy the South Korean government and if and only if North Korea first demonstrates through concrete actions a willingness to denuclearize.  How long the U.S. will insist on this set of preconditions remains to be seen. This will in part depend on the actions North Korea takes in order to compel the U.S. to come to the negotiation table, as well as the development of other factors affecting the perceived urgency of the North Korean nuclear issue. For example, a significant enhancement of North Korean nuclear and missile capabilities or an imminent transfer of its WMDs to groups intensely hostile to the U.S. could force the U.S. to embrace other options such as the use of force against North Korean targets and a negotiated resolution to the nuclear issue that falls short of CVID objectives. Likewise, a fundamental transformation in Japan’s foreign/security policy orientation toward China and/or North Korea, albeit unlikely in the near future, might cause the U.S. to ponder a rapprochement with North Korea and seek a comprehensive political settlement involving a fundamental restructuring of the U.S.-North Korea relationship. There are various scenarios under which the current delay in moving toward diplomatic engagement with North Korea might become untenable for the U.S. For example, the enactment of a new set of North Koran provocations against South Korean and US targets might compel the US to revise the current stance and move on to a dialogue with North Korea. Under a similar scenario, it is conceivable that the US might opt for a collaborative effort with China to impose on their respective allies the semblance of peace and stability in the region at the expense of the interests of their allies.
A administração Obama já formulou um conjunto de princípios amplos que poderá, potencialmente, servir de base para acordo negociado da questão dos armamentos nucleares com a Coreia do Norte. Contudo, os Estados Unidos ainda não definiram um conjunto abrangente de programas compensatórios que os Estados Unidos e outras potências estariam dispostos a colocar em cima da mesa em negociações sérias e intensivas com a Coreia do Norte. No presente momento o governo dos Estados Unidos parece disposto a manter negociações bilaterais Estados Unidos - Coreia do Norte se, e apenas se, negociações consequentes entre as Coreias tiverem tido lugar com resultados que satisfaçam o governo sul-coreano e se e apenas se a Coreia do Norte mostrar primeiro, por meio de ações concretas, desejo de desnuclearizar-se. Por quanto tempo os Estados Unidos insistirão nesse conjunto de precondições é algo ainda por ser visto. Em parte isso dependerá das ações que a Coreia do Norte empreender para compelir os Estados Unidos a aproximarem-se da mesa de negociações, bem como do desdobramento de outros fatores que afetam a percepção de urgência da questão nuclear norte-coreana. Por exemplo, aumento significativo da capacidade norte-coreana nuclear e de mísseis, ou transferência iminente de suas armas de destruição em massa para grupos intensamente hostis aos Estados Unidos poderiam forçar os Estados Unidos a adotar outras opções tais como o uso da força contra alvos norte-coreanos e uma resolução negociada da questão nuclear que fiquem aquém dos objetivos CVID. Analogamente, uma transformação fundamental da orientação da política exterior/de segurança do Japão em relação a China e/ou Coreia do Norte, embora improvável no futuro próximo, poderia levar os Estados Unidos a ponderar de reaproximação com a Coreia do Norte e buscar acordo político abrangente envolvendo reestruturação fundamental das relações Estados Unidos - Coreia do Norte. Há diversos cenários nos quais o atual deferimento da movimentação rumo a envolvimento diplomático com a Coreia do Norte poderá tornar-se insustentável para os Estados Unidos. Por exemplo, o desencadeamento de novo conjunto de provocações norte-coreanas contra alvos sul-coreanos e estadunidenses poderia compelir os Estados Unidos a revisarem a atual posição e a caminharem para um diálogo com a Coreia do Norte. Em cenário similar, é concebível que os Estados Unidos pudessem optar por esforço cooperativo com a China para imposição aos respectivos aliados de aparência de paz e estabilidade na região a expensas dos interesses desses aliados.
In due course, the U.S. government should enter into direct and serious diplomatic engagement with North Korea, leading to a possible summit meeting and the working out of a comprehensive political settlement.  Existing preconditions put forward by both the U.S. and North Korea could be worked through in the course of unpublicized bilateral talks. A meaningful political settlement would depend upon getting Kim Jong Il involved at an early stage of bilateral talks since he alone can authorize the necessary decisions.  U.S.-North Korea bilateral talks could be conducted concurrently with inter-Korea talks and possibly Japan-North Korea talks as well.  In any event, U.S.-North Korea talks would be preceded by meaningful consultation on the part of the U.S. with South Korea, Japan, China, and Russia—after all, a final political settlement between the U.S. and North Korea would be subject to the endorsement of these key regional players—and could take place within the 6 party talks or a new multilateral framework. This is the most viable route toward the effective interim management of the nuclear issue aimed at a possible, eventual achievement of a denuclearized North Korea and a safer, more stable Asia Pacific region.  If these diplomatic efforts to contain and denuclearize North Korea prove futile, the U.S. will be on firmer political and moral grounds to pursue other means of achieving this objective.
No momento apropriado o governo dos Estados Unidos deverá entrar em engajamento diplomático direto e sério com a Coreia do Norte, levando a possível reunião de cúpula e à elaboração de acordo político abrangente. Precondições hoje existentes formuladas tanto pelos Estados Unidos quanto pela Coreia do Sul poderiam ser resolvidas no curso de negociações bilaterais não divulgadas. Acordo político consequente dependerá de se conseguir que Kim Jong Il fique envolvido em estágio precoce das negociações bilaterais, visto que só ele poderá tornar efetivas as decisões necessárias. As negociações bilaterias Estados Unidos - Coreia do Norte poderiam ser conduzidas paralelamente a negociações entre as Coreias e possivelmente também a negociações Japão-Coreia do Norte. Em qualquer hipótese, as negociações Estados Unidos - Coreia do Norte seriam precedidas de consultas sérias dos Estados Unidos junto a Japão, China e Rússia — afinal, um acordo político final entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte estaria sujeito ao endosso desses atores regionais decisivos — e poderiam ter lugar dentro das negociações de 6 partes ou num novo arcabouço multilateral. Esse é o caminho mais viável rumo a gerência interina eficaz da questão nuclear voltada para atingimento possível e final de uma Coreia do Norte desnuclearizada e uma região Ásia Pacífico mais estável. Se esses esforços diplomáticos para conter e desnuclearizar a Coreia do Norte revelarem-se inúteis, os Estados Unidos estarão em condições políticas e morais mais firmes para perseguir outros meios de atingir esse objetivo.
Young C. Kim is a professor of political science, emeritus, George Washington University, and a visiting professor at Keio University in Tokyo, Japan. He has a Ph.D in political science and is the author/editor of numerous books and monographs. He has published about 70 articles in professional journals in the U.S., including World Politics and the American Political Science Review. He served as Director of the Gaston Sigur Center for Asian Studies at George Washington University and was in charge of the US-DPRK academic exchange program for 1986-1996. Read more articles by Young C. Kim.
Young C. Kim é professor de ciência política, emérito, da George Washington University, e professor visitante na Keio University em Tóquio, Japão. É Doutor em ciência política e autor/editor de numerosos livros e monografias. Já publicou cerca de 70 artigos em publicações profissionais nos Estados Unidos, inclusive World Politics e American Political Science Review. Foi Diretor do Centro Gaston Sigur de Estudos Asiáticos da George Washington University e encarregado do programa de intercâmbio acadêmico Estados Unidos - República Democrática Popular da Coreia no período 1986-1996. Leia mais artigos de Young C. Kim.

No comments:

Post a Comment