Friday, June 3, 2011

FPJ - Black 9/11: A Walk on the Dark Side (Part 3)

http://www.foreignpolicyjournal.com/2011/05/25/black-911-a-walk-on-the-dark-side-part-3/ http://www.foreignpolicyjournal.com/2011/05/25/black-911-a-walk-on-the-dark-side-part-3/
ENGLISH
PORTUGUÊS
FOREIGN POLICY JOURNAL JORNAL DE POLÍTICA EXTERNA

Black 9/11: A Walk on the Dark Side (Part 3)

Part 3: AIG and the Linkage to the Drug Trade

11/9 Negro: Caminhada no Lado Trevoso (Parte 3)

Parte 3: o AIG e o Vínculo com o Comércio de Drogas

by Mark H. Gaffney

May 25, 2011

por Mark H. Gaffney

25 de maio de 2011
The more one studies the dark history of the US national security state, the more transparent the CIA – Wall Street connections become. The links to the international drug trade are less obvious, but have existed from the beginning, that is, from the days of the Office of Strategic Services (OSS), the forerunner of the CIA. Time and again, the same pattern has played out: US military interventions in Southeast Asia, Central America and, since 2001, Afghanistan and Iraq, have been accompanied by a sharp increase in narco-trafficking, with all of the attendant evils. These include the plague of drug addiction, drug-related crime, the devastation of the family and as I hope to show, the corrupting of democratic institutions at home and abroad. Quanto mais se estuda a trevosa história do estado de segurança nacional dos Estados Unidos mais óbvias se tornam as conexões entre a CIA e Wall Street. Os vínculos com o comércio internacional de drogas são menos óbvios, mas existem desde o começo, isto é, os tempos da Secretaria de Serviços Estratégicos (OSS), a precursora da CIA. Muitas vezes o mesmo padrão teve lugar: intervenções militares dos Estados Unidos no Sudeste Asiático, na América Central e, desde 2001, no Afeganistão e no Iraque, foram acompanhadas de acentuado aumento do narcotráfico, com todos os males que o acompanham. Entre os quais se contam o flagelo do vício de drogas, o crime relacionado com drogas, a devastação da família e, como espero mostrar, a corrupção das instituições democráticas no país e no exterior.
The morally bankrupt policies that are responsible for all of the above have had another deleterious effect: They have crippled our nation’s capacity to play a positive role on the world stage. It is no wonder that foreigners no longer view the United States with admiration and respect, but increasingly with fear and loathing. But US elites are oblivious to such concerns. They do not care, and are quite candid about what they view as the CIA’s pragmatic “need” to associate with unsavory individuals and criminals in the interest of furthering US foreign policy goals. Their realpolitik can be read between the lines of the policy papers. Take, for instance, the 1996 intelligence report, already noted, prepared by Maurice “Hank” Greenberg for the Council on Foreign Relations (CFR), and for which Greenberg was nominated to replace John Deutch as director of the CIA. In the paper Greenberg affirms that “the capability to undertake [covert operations]….constitutes an important national security tool.” Later, in the section titled “Intelligence and Law Enforcement” he insists that As políticas moralmente falidas responsáveis por todo o acima têm tido outro efeito deletério: O de mutilar a capacidade de nossa nação de desempenhar papel positivo no cenário mundial. Não é de admirar estrangeiros não mais verem os Estados Unidos com admiração e respeito, e sim, crescentemente, com medo e asco. As elites dos Estados Unidos, contudo, não atentam para esse tipo de preocupação. Não se importam, e são bastante francas acerca do que veem como “necessidade” pragmática da CIA de associar-se a indivíduos repulsivos e a criminosos no interesse de promover os objetivos da política externa dos Estados Unidos. A realpolitik deles pode ser lida nas entrelinhas dos documentos de políticas. Tomemos, por exemplo, o relatório de inteligência de 1996, já referido, preparado por Maurice “Hank” Greenberg para o Conselho de Relações Exteriores (CFR), graças ao qual Greenberg foi indicado para substituir John Deutch como diretor da CIA. Em tal documento Greenberg afirma que “a capacidade de empreender [operações secretas].... constitui importante instrumento de segurança nacional.” Adiante, na secção intitulada “Inteligência e Imposição de Cumprimento da Lei” ele insiste em que
foreign policy ought to take precedence over law enforcement when it comes to overseas operations. The bulk of U.S. intelligence efforts overseas is devoted to traditional national security concerns; as a result, law enforcement must ordinarily be a secondary concern. FBI and Drug Enforcement Agency (DEA) agents operating abroad should not be allowed to act independently of either the ambassador or the CIA lest pursuit of evidence or individuals for prosecution cause major foreign policy problems or complicate ongoing intelligence and diplomatic activities. a política externa deve ter precedência em relação à imposição do cumprimento da lei no caso de operações no exterior. O grosso dos esforços de inteligência dos Estados Unidos no exterior está dedicado a preocupações tradicionais de segurança nacional; em decorrência, a imposição do cumprimento da lei terá de, ordinariamente, constituir preocupação secundária. Agentes do FBI e da Agência de Imposição de Cumprimento das Leis Contra Drogas (DEA) atuando no exterior não devem ter permissão de agir independentemente ou do embaixador ou da CIA, para que a busca de evidência ou de indivíduos a serem processados não cause problemas sérios de política externa ou compliquem atividades de inteligência e diplomáticas em andamento.
This means, over and above diplomacy, that when criminals are judged to be intelligence assets, they are granted protection from prosecution for narco-trafficking, money laundering, extortion, rape, even terrorism and murder. In 1982, the CIA and the US Department of Justice actually worked out a secret agreement to this effect.[1] The deal exempted the CIA from having to report drug trafficking by CIA assets, which, notice, made a mockery of then presidential wife Nancy Reagan’s much ballyhooed “just say no” anti-drug campaign. At the time, most Americans trusted Ronald Reagan and believed that his administration was serious about the so-called war on drugs. But hindsight shows that the Reagan White House badly abused the public’s good faith. Isso significa, além de diplomacia, que, quando criminosos sejam considerados como pessoas valiosas para a inteligência, terão concedida proteção para perpetrar narcotráfico, lavagem de dinheiro, extorsão, estupro, até terrorismo e assassínio. Em verdade, em 1982 a CIA e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos celebraram acordo secreto para esse efeito.[1] O acordo isentou a CIA de ter de informar tráfico de drogas praticado por pessoas valiosas para a CIA, o que, notemos, tornou um escárnio a muito decantada campanha antidrogas de Nancy Reagan, então mulher do presidente, do “simplesmente diga não.” À época, os estadunidenses, em sua maioria, acreditavam em Ronald Reagan e acreditavam que sua administração era séria no tocante à assim chamada guerra contra as drogas. Visão retrospectiva, todavia, mostra que a Casa Branca de Reagan abusou feiamente da boa fé do público.
The foreign policy advocated by Maurice Greenberg, above, is in large part responsible for the drug-related violence on the streets of our cities, and for the epidemic of narcotic addiction among our children, who have been sacrificed to the false god of national security. But the social carnage is not limited to the United States. Drug addiction in Muslim Iraq was almost unknown prior to the US invasion in 2003; but has since become a major problem. A similar recent explosion of heroin use has occurred in Iran, which, notice, is right next door to Afghanistan, where the poppies are grown with the blessing of the CIA. Such foreign policies are evil, a scourge upon the planet, yet, are intimately associated with US empire building. Quite simply, the US power elite has followed in the footsteps of the British and French who, in their day, also exploited the immensely profitable opium and heroin trade. The writer Chalmers Johnson has termed this descent into darkness the sorrow of empire. A política externa advogada por Maurice Greenberg, acima, é em grande parte responsável pela violência relacionada com drogas nas ruas de nossas cidades, e pela epidemia de vício em narcóticos entre nossas crianças, que têm sido sacrificadas ao falso deus da segurança nacional. A carnificina social, contudo, não fica limitada aos Estados Unidos. O vício de drogas no Iraque muçulmano era quase desconhecido antes da invasão pelos Estados Unidos em 2003; desde então, contudo, tornou-se problema sério. Explosão recente similar de uso de heroína ocorreu no Irã que, notemos, situa-se na porta ao lado do Afeganistão, onde a papoula é cultivada com a bênção da CIA. Tais políticas externas são malignas, flagelo no planeta, e no entanto estão intimamente associadas à construção do império dos Estados Unidos. Para dizer de modo bastante simples, a elite de poder dos Estados Unidos seguiu as pegadas dos britânicos e franceses que, em seu tempo, também exploravam o imensamente lucrativo comércio de ópio e heroína. O escritor Chalmers Johnson chamou esse descaimento nas trevas de a agonia do império.
The CIA’s secret collusion with the Department of Justice [sic] gave the CIA veto over law enforcement, effectively blunting the capacity of US drug enforcement agencies to interdict the flow of illegal drugs into the US. The timing was no accident. The deal coincided with the start of the CIA’s Contra war in Central America. This explains why, the next year, the Drug Enforcement Agency (DEA), under pressure from the Pentagon, closed its office in Tegucigalpa, Honduras.[2] The flow of drugs through Honduras had not diminished; in fact, just the opposite. For years, the country had been a transfer point for illegal drug smuggling into the US, a reality that Contra leaders readily exploited to finance their war against the Nicaraguan Sandinistas; and they did so with the full knowledge and approval of the CIA. For many years after, Langley’s veto blocked legitimate efforts by US law enforcement to curb the drug trade. A conivência secreta da CIA com o Departamento de Justiça [sic] deu à CIA poder de veto em relação à imposição do cumprimento da lei, na prática embotando a capacidade dos órgãos de imposição do cumprimento de leis contra drogas dos Estados Unidos de interditarem o fluxo de drogas ilegais para dentro dos Estados Unidos. O cronograma não foi acidente. O acordo coincidiu com o início da guerra dos Contras, da CIA, na América Central. Isso explica por que, no ano seguinte, a Agência de Imposição de Cumprimento das Leis Contra Drogas (DEA), sob pressão do Pentágono, fechou seu escritório em Tegucigalpa, Honduras.[2] O fluxo de drogas através de Honduras não havia diminuído; em verdade, acontecia o oposto. Durante anos aquele país havia sido ponto de transferência para o contrabando de drogas ilegais para dentro dos Estados Unidos, uma realidade que líderes Contras rapidamente exploraram para financiarem sua guerra contra os Sandinistas nicaraguenses; e o fizeram com plenos conhecimento e aprovação da CIA. Por muitos anos depois, o veto de Langley bloqueou esforços legítimos da área de imposição de cumprimento da lei dos Estados Unidos no sentido de conter o comércio de drogas.
I must emphasize that, meanwhile, the American people were kept in the dark about the policy and its effects, at every point in the chain: from the formulation of the policy to its implementation to the phony packaging of the policy for mass consumption. In fact, we only know about it, today, thanks to a courageous journalist named Gary Webb, who published a groundbreaking series of articles in 1996 in the San Jose Mercury News, exposing Contra links and CIA complicity in the crack cocaine epidemic that ravaged the black communities of Los Angeles in the 1980s.[3] The series, appropriately titled “Dark Alliance”, was one of the first big stories to be carried on the Internet; and later, Webb expanded it into an important book by the same name, in which he lays out the voluminous evidence in stark detail. But it was Webb’s series of articles in 1996 that initially focused media attention on the drug issue; and which compelled CIA director John Deutch to announce an internal investigation. Meanwhile, the agency simultaneously launched a disinformation campaign to discredit Webb, whom it viewed as a serious threat. Preciso enfatizar que, no entretempo, o povo estadunidense foi mantido no escuro acerca dessa política e de seus efeitos, no transcurso de cada elo da corrente: da formulação da política a sua implementação e à embalagem enganosa da política para consumo das massas. Na verdade, só sabemos da existência dela, hoje, graças a um corajoso jornalista chamado Gary Webb, que publicou, em 1996, uma pioneira série de artigos no San Jose Mercury News expondo vínculos com os Contras e cumplicidade da CIA na epidemia de cocaína crack que devastou as comunidades pretas de Los Angeles nos anos 1980.[3] A série, apropriadamente intitulada “Aliança Sombria”, foi uma das primeiras grandes histórias que seriam publicadas na Internet; posteriormente Webb a expandiu num importante livro de mesmo nome, no qual expõe a volumosa evidência em minudente detalhe. Foi porém a série de artigos de Webb em 1996 que pela primeira vez chamou atenção para a questão das drogas; e compeliu o diretor da CIA John Deutch a anunciar investigação interna. Enquanto isso, a agência, simultaneamente, deflagrou uma campanha de desinformação para desacreditar Webb, a quem via como séria ameaça.
The campaign against Gary Webb has been called “one of the most venomous and factually inane assaults on a professional journalist’s competence in living memory.”[4] The fawning mainstream press, always eager to do the CIA’s bidding, appeared to take pleasure in savaging the messenger, even while tacitly conceding that his facts were basically correct. One of the low points occurred on live TV, on November 15, 1996, when NBC’s Andrea Mitchell, wife of Federal Reserve chairman Alan Greenspan, referred to Webb’s exhaustively documented expose as “a conspiracy theory,” the kiss of death for any serious journalist.[5] At this same time, as we know, Greenspan was busily engineering the deregulation of Wall Street, setting the stage for the 2008 financial meltdown of the global economy. A campanha contra Gary Webb foi chamada de “uma das agressões mais despeitadas e factualmente sem conteúdo contra a competência de um jornalista profissional de que se tem lembrança.”[4] A bajuladora imprensa majoritária, sempre pressurosa em fazer a vontade da CIA, parecia ter prazer em fustigar o mensageiro, mesmo enquanto tacitamente concedia que os fatos por ele relatados estavam basicamente corretos. Um dos piores momentos aconteceu na TV ao vivo, em 15 de novembro de 1996, quando Andrea Mitchell, da NBC, mulher do chairman do Federal Reserve Allan Greenspan, referiu-se à exposição exaustivamente documentada de Webb como “teoria da conspiração,” beijo da morte para qualquer jornalista sério.[5] Nessa mesma hora, como sabemos, Greenspan estava laboriosamente engendrando a desregulamentação de Wall Street, pavimentando o caminho para o despencamento financeiro da economia mundial de 2008.
CIA Inspector General Frederick Hitz led the internal probe, and even though his conclusions later confirmed Webb’s main thesis, the CIA suppressed Hitz’s report, even while leaking a denial of the allegations. The CIA’s minions in the press corps did the rest. On December 19, 1998, an article by Tim Weiner in the New York Times and another by Walter Pincus in the Washington Post cited “unnamed sources” who insisted that Hitz had found no “direct or indirect” links between the CIA and cocaine traffickers. This was a blatant lie; indeed, a breathtaking example of deception. But it had its intended effect. Neither reporter bothered to ask why Hitz’s report was still under wraps. O Inspetor-Geral da CIA Frederick Hitz chefiou a investigação interna e, embora suas conclusões posteriormenhte viessem a confirmar a tese principal de Webb, a CIA impediu a divulgação do relatório de Hitz, enquanto vazava uma negativa das alegações. Os serviçais da CIA no corpo de imprensa fizeram o resto. Em 19 de dezembro de 1998 um artigo de Tim Weiner no New York Times e outro de Walter Pincus no Washington Post citaram “fontes não nomeadas” as quais insistiam em que Hitz não havia descoberto vínculos “diretos ou indiretos” entre a CIA e traficantes de cocaína. Era uma mentira deslavada; na verdade, exemplo de indução a erro de tirar o fôlego. Teve, porém, o efeito pretendido. Nenhum dos dois repórteres deu-se ao trabalho de perguntar por que o relatório de Hitz ainda não tinha sido divulgado.
How could the mainstream press fumble the ball so badly? There are a number of reasons, but probably the main one is that, in the 1990s, the issue of CIA complicity in the drug trade was politically out of bounds, simply unthinkable, beyond the realm of the possible. Today, things are a little different. In 2011, the CIA’s support for Afghan drug lords is out of the closet. Even the major US papers have reported it.[6] However, in the 1990s, the political climate simply would not allow an honest airing of the issue (much as 9/11 is taboo, today). Webb’s publisher ultimately caved under pressure and threw his Pulitzer Prize winning reporter under the bus, even as Webb was turning up fresh confirmatory evidence which indicated that, if anything, he had under-stated the case against the CIA.[7] Como pôde a imprensa majoritária passar batido de modo tão lamentável? Há diversos motivos, mas provavelmente o principal é que, nos anos 1990, a questão da cumplicidade da CIA no comércio de drogas era algo politicamente proibido, simplesmente impensável, além da esfera do possível. Hoje as coisas são um pouco diferentes. Em 2011 o apoio da CIA aos barões da droga afegãos não é mais segredo. Até os principais jornais dos Estados Unidos já informaram a respeito.[6] Sem embargo, nos anos 1990 o clima político simplesmente não permitia menção honesta do problema (de modo muito semelhante ao tabu atualmente representado pelo 11/9). O publicador de Webb finalmente dobrou-se à pressão e jogou seu repórter ganhador do Prêmio Pulitzer às feras, ao mesmo tempo em que Webb descobria evidência confirmatória recente mostrando que pelo contrário, ele não havia sido suficientemente severo no arrazoado denunciador da CIA.[7]
When CIA Inspector General Fred Hitz finally testified before the House Intelligence Committee, in March, 1998, he admitted it was all true. Said Hitz: “Let me be frank about what we are finding. There are instances where CIA did not, in an expeditious or consistent fashion, cut off relationships with individuals supporting the Contra program who were alleged to have engaged in drug trafficking activity…”[8] On hearing this, Congressman Norman Dicks of Washington button-holed Hitz with the obvious next question: “Did any of these allegations involve trafficking in the United States?” “Yes,” Hitz replied, and went on to explain about the CIA’s secret arrangement with the Department of Justice. According to Webb, who was in attendance, at that point, a murmur swept through the hearing room as the meaning of Hitz’s testimony sank in.[9] Quando o Inspetor Geral da CIA Fred Hitz finalmente testemunhou diante da Comissão de Inteligência da Câmara, em março de 1998, admitiu que tudo era verdade. Disse Hitz: “Deixem-me ser franco acerca do que estamos descobrindo. Há casos em que a CIA não cortou, de maneira diligente ou consistente, relações com indivíduos, apoiadores do programa dos Contras, que alegadamente estariam engajados em atividade de tráfico de drogas…”[8] Ao ouvir isso, o Deputado Norman Norman Dicks, de Washington, interpelou Hitz com a óbvia pergunta seguinte: “Alguma dessas alegações envolve tráfico dentro dos Estados Unidos?” “Sim,” respondeu Hitz, e passou a explicar o acordo secreto da CIA com o Departamento de Justiça. De acordo com Webb, que estava presente, àquela altura um murmúrio perpassou pela sala de audiência ao o alcance do depoimento de Hitz ser percebido.[9]
Of course, by this time, Webb’s career as a journalist was over, destroyed. The CIA’s vilification campaign had produced the intended result; and, next day, the Washington Post buried its story about Hitz’s testimony deep in the paper, along with its own culpability for helping to trash the reputation of one of America’s bravest muckraking writers. And why? Quite simply: for the crime of telling the truth. Obviamente, àquela altura, a carreira de Webb como jornalista estava acabada, destruída. A campanha de difamação da CIA havia produzido o resultado pretendido; e, no dia seguinte, o Washington Post soterrou sua notícia acerca do depoimento de Hitz no fundo do jornal, ao lado de sua própria culpabilidade por ajudar a enxovalhar a reputação de um dos mais corajosos escritores investigativos dos Estados Unidos. E por quê? Dizendo de maneira simples: pelo crime de contar a verdade.
We need to ask: How can such a miscarriage happen in a nation that prides itself on being a free and open society? I suspect the reader is not prepared for my answer, which I will present on the following pages. I must admit I was not prepared for it myself. The truth, as the reader is about to learn, is that complicity with narco-trafficking is both insidious and inexorable. It affects a corrupting influence on government at all levels, for government officials are not immune to the temptations of the drug trade, which, after all, is the most profitable business on the planet by a wide margin. Arms smuggling comes in a distant second. As with derivatives and insider trading, the possibilities for abuse are as unlimited as the human imagination. The outcome of a secret policy of complicity was entirely predictable. I must admit, though, I was shocked to learn just how far up the food chain the rot extends. Temos de perguntar: Como pode tal injustiça acontecer num país que se orgulha de ser uma sociedade livre e aberta? Suspeito de o leitor não estar preparado para minha resposta, que apresentarei nas páginas seguintes. Tenho de admitir que eu próprio não estava preparado para ela. A verdade, como o leitor está prestes a saber, é que a cumplicidade com o narcotráfico é tanto insidiosa quanto inexorável. Ela exerce influência corruptora no governo em todos os níveis, pois as autoridades do governo não estão imunes às tentações do comércio de drogas o qual, afinal de contas, é o mais lucrativo negócio do planeta por larga margem. O contrabando de armas vem num distante segundo lugar. Do mesmo modo que com derivativos e insider trading [uso ilegal de informação privilegiada no mercado de ações], as possibilidades de abuso são tão ilimitadas quanto a imaginação humana. O resultado de uma política secreta de cumplicidade era inteiramente previsível. Tenho de admitir, fiquei escandalizado ao saber quão longe, na cadeia alimentar, a podridão alcança.
Background of American Insurance Group (AIG) Histórico do Grupo de Seguros Estadunidense (AIG)
AIG has always been an American-owned company, though it had its origins in China. Cornelius V. Starr founded AIG in Shanghai, in 1919, the first western insurance firm in the Far East. From the start, AIG’s international focus was made-to-order for intelligence operations. In 1939, the Japanese invasion of China compelled Starr to relocate to New York, where, in 1943, he joined with OSS chief William “Wild Bill” Donovan to form a special insurance unit to gather war-time intelligence about Nazi Germany and Japan. During the war, the OSS actually shared Starr’s offices in New York City. The special unit used Starr’s connections in China, including his Shanghai newspaper, as a spy network. Meanwhile, the special agents at the New York office sifted through mountains of insurance documents for blueprints of enemy bomb plants, the design of the Tokyo water supply, timetables for tide changes, and other details about shipping and manufacturing which aided the allied war effort. As World War II drew to a close, the special unit investigated how the Nazis might seek to launder their assets via phony insurance policies.[10] O AIG sempre foi empresa de propriedade estadunidense, embora tenha tido sua origem na China. Cornelius V. Starr fundou o AIG em Xangai em 1919, a primeira firma de seguros ocidental no Extremo Oriente. Desde o começo o foco internacional do AIG foi ideal para operações de inteligência. Em 1939 a invasão japonesa da China compeliu Starr a mudar-se para New York, onde, em 1943, associou-se ao chefe da OSS William “Wild Bill” Donovan para formar uma unidade especial de seguros para coletar inteligência de tempo de guerra a respeito da Alemanha nazista e do Japão. Durante a guerra, em realidade, a OSS compartilhava os escritórios de Starr em New York City. A unidade especial usava as conexões de Starr na China, inclusive seu jornal de Xangai, como rede de espionagem. Enquanto isso, os agentes especiais do escritório de New York examinavam montanhas de documentos de seguros procurando plantas de fábricas de bomba inimigas, o projeto de suprimento de água de Tóquio, cronogramas de mudanças de maré e outros detalhes acerca de embarque e manufatura que auxiliavam o esforço de guerra aliado. Ao se aproximar o fim da Segunda Guerra Mundial, a unidade especial investigou como os nazistas poderiam estar procurando lavar seus ativos via apólices falsas de seguros.[10]
In 1962, Cornelius Starr picked Maurice Greenberg to manage AIG’s holdings in the US, which were floundering at the time. Greenberg administered a quick turnaround and, in 1968, succeeded Starr as head of AIG.[11] The next year, he issued a public stock offering and began to expand the company. According to various reports, Greenberg was a long-time confidant of Ronald Reagan’s CIA Director William Casey, who had headed the Securities and Exchange Commission under Nixon. Casey attempted to recruit Greenberg to be his deputy at CIA, but Greenberg declined, preferring to remain at AIG.[12] Once, during a New York Times interview, Casey mentioned Greenberg as one of the few individuals outside of government whom he relied on for advice.[13] Henry Kissinger was another close friend and client. In 1987, Greenberg appointed Kissinger as chairman of AIG’s advisory board.[14] For years, both men lobbied China’s leaders to open the country to western investment, though Kissinger’s role is more widely known. In 1980, the Chinese finally granted Greenberg a license to sell insurance in Beijing, and in 1996 AIG reoccupied the same Shanghai offices originally used by C.V. Starr.[15] Em 1962 Cornelius Starr selecionou Maurice Greenberg para gerir o patrimônio do AIG nos Estados Unidos, que à época enfrentava problemas. Greenberg conseguiu rapidamente reverter a situação e, em 1968, sucedeu Starr como dirigente do AIG.[11] No ano seguinte, procedeu a oferta pública de ações e começou a expandir a companhia. De acordo com vários relatos, Greenberg era, havia longo tempo, íntimo do Diretor da CIA no governo de Ronald Reagan, William Casey, que havia presidido a Comissão de Valores Mobiliários na época de Nixon. Casey tentou recrutar Greenberg para ser seu adjunto na CIA, mas Greenberg declinou, preferindo continuar no AIG.[12] Uma vez, durante uma entrevista concedida ao New York Times, Casey mencionou Greenberg como uma das poucas pessoas fora do governo em quem ele confiava para ouvir conselhos.[13] Henry Kissinger era outro amigo íntimo e cliente. Em 1987, Greenberg nomeou Kissinger como chefe da equipe consultiva do AIG.[14] Durante anos os dois homens fizeram lobby junto aos líderes da China para que abrissem o país para investimento ocidental, embora o papel de Kissinger seja mais amplamente conhecido. Em 1980 os chineses finalmente concederam a Greenberg licença para vender seguros em Beijing e, em 1996, o AIG reocupou os mesmos escritórios de Xangai originalmente usados por C.V. Starr.[15]
For years, AIG generated profits at a rate that blew away the competition. Over a ten-year period, from 1988-1998, AIG’s earnings compounded at an average rate of 14%, an impressive figure in a business that tends to be cyclical.[16] While the rest of the insurance industry suffered periodic ups and downs, AIG behaved more like a “growth” company. Its consistently high earnings wowed investors. Some compared AIG to a perpetual money-making machine. In a column, David Schiff, publisher of an insurance industry newsletter, wrote that “AIG is to the insurance business what the Yankees are to baseball.” The comparison was based on more than whimsy. Rumor had it that Maurice “Hank” Greenberg drew his nickname from the first Jewish superstar of baseball, Hammerin’ Hank Greenberg, whom the Yankees recruited in 1929 (but who played first base, most of his career, for the Detroit Tigers). Durante anos o AIG gerou lucros em proporção que devastou a competição. No decurso de período de dez anos, de 1988 a 1998, os ganhos do AIG cresceram à taxa média de 14%, cifra respeitável num negócio que tende a ser cíclico.[16] Enquanto o resto da área de seguros sofria periódicas altas e baixas, o AIG comportava-se mais como uma empresa em “expansão.” Seus resultados consistentemente altos impressionavam os investidores. Algumas pessoas compararam o AIG a uma máquina de produção perpétua de dinheiro. Numa coluna, David Schiff, publicador de uma newsletter da área de seguros, escreveu que o “AIG está, para a área de seguros, como os Yankees estão para o beisebol.” A comparação baseou-se em mais do que imagem. Comentava-se que Maurice “Hank” Greenberg obtivera seu apelido do primeiro superastro judeu do basebol, Hammerin’ Hank Greenberg, a quem os Yankees haviam recrutado em 1929 (mas que jogou como first base, na maior parte de sua carreira, para os Detroit Tigers).
How did AIG beat the trends? Writing in 1998, Schiff acknowledged that “No one quite knows the answer. Some who follow AIG have told us they can’t really analyze it.”[17] Many investors did not bother to try. They simply accepted the fact that Greenberg was brilliant, and that AIG was somehow unique. The view expressed in 2002 by Morgan Stanley analyst Alice Shroeder was typical: “What investors really want is for Hank to become immortal.”[18] Some probably felt the same way about Bernie Madoff, but there were significant differences. AIG was no Ponzi scheme. Whereas other large insurance firms like State Farm were fairly simple to understand, AIG, by comparison, was “fabulously complex,” virtually impenetrable from the outside. The reason: AIG had hundreds of affiliates in 130 countries and did most of its business offshore, in other words, beyond the scrutiny of US regulators. The Wall Street Journal once referred to AIG as a “black box.” (The same op-ed also mentioned Enron.) This helps to explain why Greenberg and AIG remained untouchable for so long. Como fazia o AIG para conseguir resultados independentemente das tendências? Escrevendo em 1998, Schiff reconheceu que “Ninguém sabe completamente. Algumas pessoas que acompanham o AIG já nos disseram que em realidade não conseguem analisá-lo.”[17] Muitos investidores não se deram ao trabalho de tentar fazê-lo. Simplesmente aceitaram o fato de que Greenberg era brilhante, e que o AIG era, de algum modo, ímpar. O ponto de vista expresso em 2002 pela analista do Morgan Stanley Alice Shroeder era típico: “O que os investidores realmente desejam é que Hank se torne imortal.”[18] Algumas pessoas certamente nutriam o mesmo sentimento em relação a Bernie Madoff, mas havia diferenças importantes. O AIG não era um esquema Ponzi. Enquanto outras grandes firmas de seguros, como a State Farm, eram bastante simples de entender, o AIG, em contraste, era “fabulosamente complexo,” praticamente impenetrável a partir de fora. O motivo: o AIG tinha centenas de afiliados em 130 países e praticava a maior parte de seus negócios no exterior - em outras palavras, além do escrutínio dos inspetores dos Estados Unidos. Uma vez o The Wall Street Journal referiu-se ao AIG como “caixa preta.” (O mesmo artigo assinado opinativo mencionou também a Enron.) Isso ajuda a explicar por que Greenberg e AIG permaneceram intocáveis por tanto tempo.
AIG was not solely an insurance firm. By the 1990s, Greenberg had diversified into other areas, such as derivatives trading, private banking, financial services, and asset management. Another division boasted the world’s largest airline rental company. But AIG achieved its lofty reputation by succeeding where others failed. I was surprised to read that most traditional insurance companies lose money underwriting policies. They turn a profit by shrewdly investing the premiums. AIG was different. It had a reputation for actually making money writing insurance policies; or so people thought. However, in the spring of 2005 when the dust finally settled, it was clear that AIG also lost money in the insurance business but obscured the fact through a myriad of creative accounting schemes that transformed AIG’s underwriting (business) losses to investment (capital) losses, a slick way to enhance AIG’s corporate balance sheets. One of Greenberg’s favorite expressions was: “All I want in life is an unfair advantage…” O AIG não era apenas uma firma de seguros. Ao chegarem os anos 1990 Greenberg havia efetuado diversificação para outras áreas, tais como negócios com derivativos, private banking, serviços financeiros e gestão de ativos. Outra divisão orgulhava-se da maior companhia aérea de aluguel do mundo. O AIG, porém, alcançou sua eminente reputação sendo bem-sucedido onde outros falharam. Fiquei surpreso ao ler que as companhias tradicionais de seguros, em sua maioria, perdem dinheiro com as apólices de seguro. Elas conseguem lucrar é ao investirem inteligentemente os prêmios. O AIG era diferente. Tinha a reputação de realmente ganhar dinheiro com apólices de seguro; ou pelo menos é o que as pessoas acreditavam. Entanto, na primavera de 2005, quando a poeira finalmente assentou, ficou claro que o AIG também perdia dinheiro no negócio de seguros mas disfarçava esse fato por meio de uma miríade de esquemas criativos de contabilidade que transformava os prejuízos da subscrição de apólices (negócios) em prejuízos de investimento (capital), maneira astuta de melhorar as folhas de balanço. Uma das expressões favoritas de Greenberg era: “Tudo o que quero na vida é uma vantagem desleal…”
After 9/11, it gradually became clear that not even AIG insiders were privy to the decisions being made at the top. In 2002, an internal audit committee reported that AIG’s financial accounting was suspect.[19] Later that same year, the Securities and Exchange Commission (SEC) uncovered evidence of securities fraud. In 2000, AIG marketed an insurance product that enabled a company named Brightpoint Inc to conceal $11.9 million in losses.[20] When the case was settled, the SEC doubled the fine to $10 million because AIG’s CEO Maurice Greenberg refused to cooperate. One of Hank’s tactics was to stall the investigation by delaying to hand over subpoenaed documents, including one internal white paper that “completely contradicted everything they’d been saying about how this was just the fault of one guy who wasn’t getting supervised.”[21] It turned out that scamming the system was company policy. In subsequent weeks, even as AIG sought to portray the Brightpoint case as an isolated incident, federal investigators uncovered another phony transaction that enabled a subsidiary of PNC Financial Services to remove problem loans and assets from its balance sheet, thus enhancing its financial position. AIG paid a $115 million fine. The shady transactions were reminiscent of Enron. Depois do 11/9 tornou-se gradualmente claro que nem mesmo os detentores de conhecimentos especiais internos à organização compartilhavam dos segredos das decisões tomadas na cúpula. Em 2002, comissão de auditoria interna informou que a contabilidade financeira do AIG era suspeita.[19] Mais tarde, no mesmo ano, a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) descobriu evidência de fraude mobiliária. Em 2000 o AIG vendeu um produto de seguros que possibilitou a uma empresa chamada Brightpoint Inc ocultar prejuízo de $11,9 milhões de dólares.[20] Quando o caso foi resolvido, a SEC dobrou a multa para $10 milhões porque a Autoridade Executiva Principal - CEO Maurice Greenberg recusou-se a cooperar. Uma das táticas de Hank foi protelar a investigação mediante delongar-se na entrega de documentos objeto de intimação, inclusive um documento explicativo interno que “contradizia completamente tudo o que eles andavam dizendo acerca de tudo ter sido culpa de uma única pessoa não supervisada.”[21] Ficou claro que fraudar o sistema era política da companhia. Em semanas subsequentes, embora o AIG buscasse retratar o caso da Brightpoint como incidente isolado, investigadores federais descobriram outra transação falsa que possibilitara a uma subsidiária do PNC Serviços Financeiros remover empréstimos e ativos problemáticos de sua folha de balanço, melhorando, assim, sua posição financeira. O AIG pagou multa de $115 milhões de dólares. As transações suspeitas lembravam a Enron.
But it was only the beginning. Soon, AIG and Marsh & McLennan were in the cross-hairs of a state probe launched by New York attorney general Elliot Spitzer. In October 2004 Spitzer sued Marsh for bid-rigging and numerous other fraudulent accounting practices. As the investigation widened, Ace (run by Greenberg’s other son Evan), AIG, Hartford, and several other insurance companies were also named.[22] Spitzer refused to negotiate with Jeffry Greenberg, Marsh’s CEO, whom the attorney general accused of stonewalling. The apple, as they say, falls close to the tree. In the end, the younger Greenberg was forced to step down and Marsh paid $850 million in restitution. Two AIG executives pled guilty to criminal charges. Era porém apenas o começo. Logo AIG e Mash & McLennan estavam na mira de uma investigação do estado deflagrada pelo secretário de justiça de New York Elliot Spitzer. Em outubro de 2004 Spitzer processou a Marsh por licitação fraudulenta e numerosas outras práticas fraudulentas. Ao a investigação alargar-se, Ace (administrada pelo outro filho de Greenberg, Evan), AIG, Hartford e diversas outras companhias de seguros também foram citadas.[22] Spitzer recusou-se a negociar com Jeffry Greenberg, CEO da Marsh, a quem o secretário de justiça acusou de obstrução. A maçã, como dizem, cai perto da macieira. No final, o Greenberg mais jovem foi forçado a renunciar e a Marsh pagou restituição no valor de $850 milhões de dólares. Dois executivos do AIG confessaram-se culpados face a acusações criminais.
It is notable that Marsh & McLennan purchased Kroll from AIG for $1.9 billion in July 2004, several months before Spitzer’s lawsuit. At the time, Kroll’s CEO was Michael Cherkasky who, years earlier, had been Spitzer’s boss at the Manhattan District Attorney’s office.[23] Cherkasky joined Kroll in 1994, became CEO in 2001, and replaced Jeffrey Greenberg as CEO when the younger Greenberg was forced out in late 2004.[24] Thus, it was Cherkasky who negotiated the final settlement with Spitzer. Did AIG pass Kroll on to Marsh to better shield the spy firm from Spitzer’s investigation, as Richard Grove has suggested? Possibly. It certainly does appear that Cherkasky was named to lead Marsh because of his previous relationship with Spitzer. É digno de nota a Marsh & McLennan ter comprado a Kroll do AIG por $1,9 bilião de dólares em julho de 2004, diversos meses antes do processo de Spitzer. À época, a CEO da Kroll era Michael Cherkasky que, anos antes, havia sido chefe de Spitzer no gabinete do Secretário Distrital de Justiça de Manhattan.[23] Cherkasky ingressou na Kroll em 1994, tornou-se CEO em 2001 e substituiu Jeffrey Greenberg como CEO quando o Greenberg mais jovem foi forçado a renunciar no final de 2004.[24] Assim, pois, foi Cherkasky quem negociou a resolução final com Spitzer. Será que, como sugeriu Richard Grove, a AIG passou a Kroll para a Marsh a fim de melhor proteger a firma espiã da investigação de Spitzer? Possivelmente. Certamente parece que Cherkasky foi escolhido para chefiar a Marsh por causa de seu relacionamento anterior com Spitzer.
By early 2005, separate SEC and Department of Justice investigations were closing in on the elder Hank. By this point, the AIG board was also pressuring Greenberg to name a successor and step down. But Greenberg, who was approaching his 80th birthday, had no intention of relinquishing control of the company he had dominated for 37 years. Maurice Greenberg had always viewed regulators with disdain, and he had generally succeeded in intimidating them, one way or another. In 1996, for instance, when the state of Delaware launched an investigation of AIG’s bizarre relationship with a Barbados-based reinsurance company named Coral Re, instead of cooperating Greenberg rang up the Delaware insurance commissioner and gave her a tongue-lashing over the telephone. Greenberg also sent Kroll detectives to harass the state regulators. The get-tough strategy produced the intended result. Even though state laws had been broken Delaware had no stomach for a fight. The regulators drew back. In the end, the state “whipped AIG with a feather.” AIG got off with a mildly-worded reprimand, and was not even required to pay a fine. No sooner had Coral Re been dissolved, as per the settlement, than AIG shifted its business to several new shell companies modeled in its image and likeness. The case of Coral Re is important because of possible links to the drug trade and to Arkansas Governor Bill Clinton, as the reader will shortly learn. No começo de 2005, investigações separadas da SEC e do Departamento de Justiça avizinhavam-se do Hank mais velho. A essa altura a diretoria do AIG também já pressionava Greenberg para que nomeasse sucessor e renunciasse. Greenberg, porém, que se aproximava de seu 80o. aniversário, não tinha intenção de ceder o controle da companhia que havia dominado por 37 anos. Maurice Greenberg sempre havia olhado com desdém para os inspetores, e de modo geral houvera sido bem-sucedido em intimidá-los, de um modo ou de outro. Em 1996, por exemplo, quando o estado de Delaware deflagrou investigação do esquisito relacionamento do AIG com uma companhia de resseguros de Barbados chamada Coral Re, em vez de cooperar Greenberg telefonou para a encarregada de seguros de Delaware e passou-lhe um pito por telefone. Greenberg também despachou detetives da Kroll para assediarem inspetores do estado. A estratégia de endurecimento produziu o resultado desejado. Embora as leis estaduais houvessem sido transgredidas, Delaware não teve estômago para uma briga. Os inspetores recuaram. No fim, o estado “fustigou o AIG com uma pena.” O AIG safou-se com uma repreensão em palavras brandas, e não lhe foi exigido sequer que pagasse multa. Nem bem a Coral Re foi dissolvida, nos termos do acordo, e o AIG passou a exercer suas atividades usando diversas novas empresas fictícias modeladas à imagem e semelhança dela. O caso da Coral Re é importante por causa dos possíveis vínculos com o comércio de drogas e com o Governador de Arkansas Bill Clinton, como o leitor logo verá.
Greenberg also resorted to Kroll after AIG’s general counsel Michael Joye resigned in 1992 to protest fraudulent accounting practices. Joye kept the facts secret for many years. But here is the gist: In the early 1990s, Joye was shocked to learn that AIG was cheating several states, including New York, out of tens of millions in workers’ compensation funds; and it was happening with the full knowledge and consent of CEO Greenberg. After conducting his own internal investigation, Joye sent Greenberg a bluntly worded memo informing him that AIG’s “intentional violations” could lead to “criminal fraud and racketeering charges,” in addition to exposing the company to astronomical civil penalties.[25] Joye determined that for AIG to become legal the company “would have to hire about 40 new people to do filings properly. It would also have to charge clients more and pay ‘much higher’ assessment frees.” But according to the New York Times, Greenberg was not interested. When the issue came up in a meeting, Greenberg famously asked “Are we legal?” An employee responded: “If we were legal we wouldn’t be in business.” Hearing this, “M.R.G. [Greenberg] began laughing and that was the end of it.”[26] After Joye tended his resignation, Greenberg sent Kroll a copy of Joye’s personnel file. It is not known what Kroll detectives did with it, but the case illustrates Greenberg’s temperament and autocratic style. Greenberg também recorreu à Kroll depois de o advogado geral do AIG Michael Joye ter renunciado em 1992 em protesto contra práticas fraudulentas de contabilidade. Joye manteve os fatos em segredo durante muitos anos. Aqui está, porém, a ideia central: No início dos anos 1990 Joye ficou escandalizado ao saber que o AIG estava trapaceando diversos estados, inclusive New York, em dezenas de milhões de dólares em fundos de indenização de trabalhadores; e isso acontecia com pleno conhecimento e consentimento da CEO Greenberg. Depois de conduzir sua própria investigação interna, Joye enviou a Greenberg memorando em palavreado rude informando-o de que as “violações intencionais” do AIG poderiam levar a “acusações de fraude criminosa e enriquecimento ilícito,” além de expor a companhia a penalidades civis astronômicas.[25] Joye determinou que, para o AIG tornar-se legal, a companhia “teria de contratr 40 novas pessoas para proceder a arquivamentos de maneira adequada. Teria também de cobrar mais dos clientes e pagar taxas de avaliação ‘muito mais altas.” De acordo com o New York Times, todavia, Greenberg não se interessou pelo assunto. Quando o tema surgiu numa reunião, Greenberg fez a pergunta famosa “Estamos atuando legalmente?” Um empregado respondeu: “Se estivéssemos atuando legalmente não estaríamos no negócio.” Ao ouvir isso, “M.R.G. [Greenberg] começou a rir e a coisa ficou por aí.”[26] Depois de Joye ter providenciado a renúncia dele, Greenberg mandou à Kroll cópia do arquivo pessoal de Joye. Não se sabe o que os detetives da Kroll fizeram com ele, mas o caso ilustra o temperamento de Greenberg e seu estilo autocrático.
By early 2005, AIG’s directors were pursuing their own internal investigation which eventually led offshore to several Greenberg-controlled corporations that were a part of the AIG empire. One was the Starr Investment Corporation (SICO), a mysterious holding company which dated to AIG’s original founding by Cornelius Starr. The other firm, C.V. Starr (also named after the founder), was no less mysterious. Both were based in Bermuda, which is famous for having no corporate income tax. The island also attracts insurance companies because of the welcome absence of regulation. Both SICO and C.V. Starr held substantial amounts of AIG stock, and were used by Greenberg to reward top AIG executives. But C.V. Starr was also reserved for an inner circle who received lavish compensation.[27] The inner group included Howard Smith, AIG’s chief financial officer, and Mike Murphy, SICO’s treasurer. It is curious that Smith had previously worked for PricewaterhouseCoopers, the company that, for many years, conducted AIG’s annual audits. How convenient. No início de 2005 dos diretores do AIG perseguiam sua própria investigação interna a qual, finalmente, levou ao exterior, com diversas corporações controladas por Greenberg que compunham parte do império do AIG. Uma era a Starr Investment Corporation (SICO), misteriosa companhia holding que datava da fundação original do AIG por Cornelius Starr. A outra firma, C.V. Starr (também com o nome do fundador), não era menos misteriosa. Ambas tinham sede na Bermuda, famosa por não ter imposto de renda corporativo. A ilha atrai também companhias de seguros devido à bem-vinda ausência de regulamentação. Tanto SICO quanto C.V. Starr tinham substancial quantidade de ações do AIG, e eram usadas por Greenberg para recompensar executivos de alto escalão do AIG. A C.V. Starr, contudo, também ficava reservada para um círculo interno que recebia pródiga remuneração.[27] Esse grupo íntimo incluía Howard Smith, autoridade financeira principal do AIG, e Mike Murphy, tesoureiro da SICO. É curioso que Smith havia anteriormente trabalhado para a PricewaterhouseCoopers, a companhia que, por muitos anos, conduziu as auditorias no AIG. Que conveniente.
The final showdown began on March 23, 2005 when a team of AIG lawyers arrived in Bermuda to examine SICO records and conduct interviews. The same facility housed both SICO and AIG employees. Martin Sullivan had already replaced Greenberg as AIG’s CEO. Greenberg still remained as chairman. However, by this point, a rift was developing between Greenberg’s supporters and the rest of the board, all of whom wanted the public relations disaster simply to end. The plot thickened when the directors issued a company-wide order to cooperate with regulators. The next day, AIG employees in the company’s Dublin office seized a SICO computer and placed it under lock and key. (Both firms also shared the Dublin office.) Things quickly escalated. Mike Murphy, a Greenberg loyalist, led a group of SICO employees into the Bermuda office, under cover of night, using a passkey, and hustled 82 boxes of SICO documents out of the building to a separate location. SICO was incorporated in Panama, a major center of money laundering, and there was concern that Murphy might attempt to move evidence beyond the reach of US law enforcement. The next day, an SEC official in New York received a message: “Looks like they’re destroying documents in Bermuda.”[28] It was the last straw. O confronto final começou em 23 de março de 2005, quando uma equipe de advogados do AIG chegou a Bermuda para examinar registros da SICO e conduzir entrevistas. A mesma dependência hospedava empregados da SICO e do AIG. Martin Sullivan já havia substituído Greenberg como CEO do AIG. Greenberg ainda continuava como chairman. Entretanto, a essa altura, desenvolvia-se uma fissura entre os partidários de Greenberg e o resto da diretoria, o qual desejava apenas que o desastre de relações públicas terminasse. A trama engrossou quando os diretores emitiram ordem para toda a companhia para que cooperasse com os inspetores. No dia seguinte, os empregados do AIG no escritório de Dublin da companhia apossaram-se de um computador da SICO e puseram-no a sete chaves.(Ambas as firmas compartilhavam também o escritório de Dublin.) Rapidamente houve escalada. Mike Murphy, inflexível apoiador de Greenberg, liderou um grupo de empregados da SICO no escritório da Bermuda, na calada da noite, usando uma chave de acesso, e tirou do edifício 82 caixas de documentos da SICO levando-os para local separado. A SICO havia sido tornada corporação no Panamá, centro importante de lavagem de dinheiro, e havia a preocupação de Murphy poder tentar colocar evidência fora do alcance dos órgãos de imposição do cumprimento da lei dos Estados Unidos. No dia seguinte, uma autoridade da SEC em New York recebeu mensagem: “Parece que estão destruindo documentos na Bermuda.”[28] Foi a gota d'água.
When word reached Spitzer he issued a stern warning to Sullivan, and also subpoenaed the SICO and AIG records. Sullivan personally flew to Bermuda, summarily fired Mike Murphy, and took possession of the documents. The AIG board, now under threat of criminal prosecution, had no choice but to demand Greenberg’s immediate resignation. Quando a notícia chegou a Spitzer ele emitiu severa advertência a Sullivan, e também emitiu intimação referente aos registros da SICO e do AIG. Sullivan voou pessoalmente para a Bermuda, demitiu sumariamente Mike Murphy, e tomou posse dos documentos. A diretoria do AIG, agora sob ameaça de processo criminal, não teve escolha a não ser exigir a imediata renúncia de Greenberg.
In subsequent months, the court proceedings played out in the press. The details gradually emerged about Greenberg’s largest deception: a $500 million deal “in which various AIG insiders staged an elaborate artificial transaction with the Gen Re Corporation,” a major reinsurer owned by Warren Buffet. AIG ostensibly bought $600 million in reinsurance from Gen Re for a $500 premium, indicating a risk of $100 million.[29] However, because Greenberg wanted zero risk exposure, the deal’s “purported terms were all undone” by his staff “in undisclosed side agreements” that rendered the transaction “a sham,” according to the SEC. Papers were altered to distort the nature of the transaction.[30] Buffet’s subsidiary provided records to Spitzer documenting everything. The records showed that AIG’s purpose had been to generate a large tax write-off, in order to make the company look more prosperous than it was. The documents also proved Greenberg’s personal involvement.[31] One of the investigators told the New York Times that the intent may have been “to mask the the activities of murky offshore entities that AIG used extensively during Mr. Greenberg’s tenure at the company.” Em meses subsequentes os procedimentos em tribunal chegaram à imprensa. Gradualmente emergiram os detalhes acerca da maior das trapaças de Greenberg: um negócio de $500 milhões de dólares “no qual vários insiders do AIG encenaram uma elaborada transação artificial com a Gen Re Corporation,” importante resseguradora de propriedade de Warren Buffet. A AIG, teoricamente, comprara $600 milhões de dólares em resseguros da Gen Re por prêmio de $500 dólares, sugerindo risco de $100 milhões de dólares.[29] Entretanto, pelo fato de Greenberg querer zero de exposição a risco, os “pretensos termos” do acordo “foram todos desfeitos” pela equipe dele “em acordos paralelos não divulgados” que tornaram a transação “um engodo,” de acordo com a SEC. Documentos foram alterados para distorcer a natureza da transação.[30] A subsidiária de Buffet ofereceu registros para Spitzer documentar tudo. Os registros mostravam que o objetivo da AIG havia sido gerar grandes deduções de impostos, a fim de fazer a companhia parecer mais próspera do que era. Os documentos provavam também o envolvimento pessoal de Greenberg.[31] Um dos investigadores disse ao New York Times que o intento poderá ter sido o de “mascarar as atividades de entidades nebulosas no exterior que o AIG usou extensamente durante o período de atuação do Sr. Greenberg na companhia.”
In 2006, AIG reached a $1.6 billion settlement with state and federal authorities: the largest ever paid by any financial services company, in US history.[32] In February 2008, four former executives of Gen Re and one from AIG were convicted of conspiracy, securities fraud, mail fraud, and making false statements to the SEC.[33] Em 2006, o AIG conseguiu um acordo de $1,6 biliões de dólares com as autoridades federais e estaduais: a maior quantia jamais paga por qualquer companhia de serviços financeiros na história dos Estados Unidos.[32] Em fevereiro de 2008, quatro ex-executivos da Gen Re e um do AIG foram condenados por conspiração, fraude mobiliária, fraude postal e falsas declarações à SEC.[33]
It is important to remember that Maurice Greenberg is not some run-of-the-mill hoodlum. As noted, he served as chairman of the Federal Reserve Bank of New York, is a director of the New York Stock Exchange, is the vice-chairman of the Council on Foreign Relations, and is a member of the Trilateral Commission. He also served as vice-chairman of the Center for Strategic and International Studies, and is the Director of the Institute for International Economics, is the Director of the US-China Business Council, the vice-chairman of the US-ASEAN Business Council, the Director of Project Hope, founding chairman of the US-Philippine Business Committee, and, until his forced retirement, was a Trustee of the Asia Society. While this is not a comprehensive list of Greenberg’s credits, it should suffice to lend new meaning to the old adage that scum rises to the top. É importante lembrar que Maurice Greenberg não é qualquer malfeitor ordinário. Como já observado, atuou como chairman do Banco da Reserva Federal de New York, é diretor da Bolsa de Valores de New York, é vice-chairman do Conselho de Relações Exteriores, e membro da Comissão Trilateral. Também foi vice-chairman do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais e é Diretor do Instituto de Economia Internacional, Diretor do Conselho Empresarial Estados Unidos-China, vice-chairman do Conselho Empresarial Estados Unidos-ASEAN, Diretor do Projeto Esperança, chairman fundador da Comissão Empresarial Estados Unidos-Filipinas e, até sua renúncia forçada, era Membro do Conselho de Administração da Sociedade Ásia. Embora essa não seja uma lista abrangente dos créditos de Greenberg, deveria bastar para dar novo significado ao velho adágio de que a escória sobe para o topo.
After Hank’s departure from AIG, the new CEO Martin Sullivan told the press that the insurance giant would now prosper “with the right controls and checks and balances in place, and the right level of compliance.”[34] However, as we know, things turned out rather differently. By 2008, AIG was in dire financial straits, largely because of the company’s exposure to the sub-prime mortgage market (the outcome of zero regulation of derivatives). By September 16, 2008, AIG stock had fallen by more than 95% to just $1.25/share, from a one-year high of $70.13. For the year, AIG reported a $99 billion loss, and received a controversial $85 billion bailout.[35] Greenberg pointed an accusatory finger at the current directors, and told the press that AIG’s sales of credit default swaps had exploded after he left. Sullivan denied this, insisting that AIG actually stopped writing credit default stops in 2005. By March 2009, AIG’s federal bailout had expanded to $150 billion, making it the largest single bailout by far in US history. AIG also set another dubious record when it posted a $61.7 billion loss for the final three months of 2008, the largest quarterly loss in corporate history.[36] That same month, AIG announced that it would disperse $1.2 billion in bonus packages to its employees, 73 of whom would receive checks of at least $1 million.[37] Depois da saída de Hank da AIG, a nova CEO Martin Sullivan disse à imprensa que o gigante de seguros agora prosperaria “com os controles corretos e os freios e contrapesos no lugar, e com o nível correto de conformidade.”[34] Contudo, como sabemos, as coisas se revelaram bastante diferentes. Em 2008 o AIG encontrava-se em situação financeira muito difícil, em grande parte por causa da exposição da companhia ao mercado hipotecário subprimário (resultado da regulamentação zero dos derivativos). Em 16 de setembro de 2008 as ações do AIG haviam caído mais de 95% para apenas $1,25/ação, de um pico em um ano de $70,13. Para o ano o AIG informou prejuízo de $99 biliões de dólares, e recebeu controvertido socorro financeiro de $85 biliões de dólares.[35] Greenberg apontou dedo acusador para os diretores atuais, e disse à imprensa que a venda de permutas (swaps) de inadimplência de crédito do AIG havia explodido depois de ele ter saído. Sullivan negou, insistindo em que o AIG realmente parara de emitir stops de inadimplência de crédito em 2005. Em março de 2009, o socorro federal ao AIG expandira-se para $150 biliões, tornado assim o maior socorro financeiro isolado, de longe, na história dos Estados Unidos. O AIG estabeleceu também outro recorde duvidoso ao declarar prejuízo de $61,7 biliões de dólares relativos aos três meses finais de 2008, o maior prejuízo trimestral da história corporativa.[36] Naquele mesmo mês, o AIG anunciou que distribuiria $1,2 biliões em pacotes de bônus para seus empregados, 73 dos quais receberiam cheques de pelo menos $1 milhão de dólares.[37]
The bonus announcement stirred understandable outrage. But the press failed to ask the really important questions. The investigations of the Greenberg empire showed that AIG was no different than the rest of the industry: AIG also lost money, at times, in the insurance business. Given that AIG managed its risks by ceding as much as 70% of its premiums to various reinsurers, this means that most of AIG’s insurance revenue was unavailable for investment. Nor can the remaining 30% account for AIG’s impressive earnings, over many years.[38] The question, therefore, is: how did Maurice Greenberg manage for so long to produce a silk purse from a sow’s ear? Did Greenberg succumb to the temptations of the powerful, and step over the line? What is clear is that AIG’s offshore dealings were key to the company’s profitability, even during the downturns that affected the rest of the industry but to which AIG seemed largely immune. David Schiff, a Greenberg admirer, put it this way: “AIG’s unique global franchise obscured the reality of the company’s financial condition.”[39] O anúncio de bônus despertou compreensível indignação. A imprensa, porém, deixou de formular as perguntas realmente importantes. As investigações do império Greenberg mostraram que o AIG não era diferente do resto da indústria: o AIG também perdeu dinheiro, por vezes, no negócio de seguros. Dado que o AIG geria seus riscos mediante ceder até 70% de seus prêmios a diversos resseguradorrs, isso significa que a maior parte da receita do AIG ficava indisponível para investimento. Nem podem os restantes 30% explicar os impressionantes ganhos ao longo de muitos anos.[38] A pergunta, portanto, é: como conseguiu Maurice Greenberg durante tanto tempo produzir bolsa de seda a partir de orelha de porca? Teria Greenberg sucumbido às tentações dos poderosos e ultrapassado os limites? O que fica claro é que os negócios do AIG no exterior eram fundamentais para a lucratividade da companhia, mesmo durante os maus tempos que afetavam o resto da indústria mas aos quais o AIG parecia em grande parte imune. David Schiff, admirador de Greenberg, disse-o do seguinte modo: “A imagem mundial sem par do AIG turvou a realidade da condição financeira da companhia.”[39]
Former LAPD narcotics detective Michael Ruppert arrived at a different conclusion. In August 2001, just weeks before 9/11, Ruppert posted an article exploring possible AIG involvement in the drug trade.[40] Ruppert was astounded to learn that Coral Talavera Baca, the wife (or girlfriend, it is not clear which) of Medellin drug lord Carlos Lehder was, at the time, employed at AIG’s San Francisco office, ostensibly as AIG’s office manager, a position for which Talavera had neither the requisite training nor the credentials. What was she doing there? O ex-detetive da narcóticos do Departamento de Polícia de Los Angeles - LAPD Michael Ruppert chegou a conclusão diferente. Em agosto de 2001, apenas semanas antes do 11/9, Ruppert afixou um artigo expondo possível envolvimento do AIG no comércio de drogas.[40] Ruppert ficou perplexo ao saber que Coral Talavera Baca, mulher (ou namorada, não fica claro qual dos dois) do barão da droga de Medellin Carlos Lehder era, à época, funcionária do AIG no escritório de San Francisco, teoricamente como gerente do escritório do AIG, cargo para o qual Talavera não tinha nem o treinamento exigido nem as qualificações. O que estava ela fazendo lá?
Amazingly, as it turns out, Coral Talavera Baca was the very same woman who in 1995 supplied investigative reporter Gary Webb with the initial lead that resulted in his groundbreaking series of articles in the San Jose Mercury News about CIA links to Latin American drug traffickers.[41] Talavera’s husband, Carlos Lehder, was one of the central figures in the notorious Medellin drug cartel, led by Pablo Escobar, which in the mid-1980s grew into the world’s largest cocaine smuggling ring. At the time of Lehder’s 1987 arrest in a Columbian jungle, he reportedly cut a deal with US officials and was allowed to keep much of his estimated $2.5 billion fortune amassed from the drug trade.[42] Lehder was extradited to the US, where he entered a witness protection program. But why would the US government negotiate with a man who had been public enemy number one? Lehder and his cohorts in Medellin are believed to have ordered the assassination of numerous Columbian officials, newspaper editors, journalists, informants, as well as 600 policemen; but are probably best known for their involvement in the grisly attack on the country’s Palace of Justice in November 1985 that left nearly 100 people dead, including eleven of Columbia’s supreme court justices. Lehder was a bad apple. Incrivelmente, como se vem a saber, Coral Talavera Baca era exatamente a mesma mulher que, em 1995, fornecera ao repórter investigativo Gary Webb as informações iniciais que resultaram em sua inovadora série de artigos no San Jose Mercury News acerca dos vínculos da CIA com traficantes de drogas latino-americanos.[41] O marido de Talavera, Carlos Lehder, era uma das figuras centrais do notório cartel de drogas de Medellin, chefiado por Pablo Escobar o qual, em meados dos anos 1980, constituiu a maior rede de contrabando de cocaína do mundo. Ao Lehder ser preso em 1987 num matagal da Colômbia ele teria feito acordo com as autoridades dos Estados Unidos tendo-lhe sido permitido manter consigo grande parte de sua fortuna estimada em $2,5 biliões de dólares acumulada graças ao comércio de drogas.[42] Lehder foi extraditado para os Estados Unidos onde entrou num programa de proteção a testemunhas. Sem embargo, por que o governo dos Estados Unidos negociaria com um homem que havia sido inimigo público número um? Lehder e seus companheiros de quadrilha de Medellin teriam, acredita-se, ordenado o assassínio de numerosas autoridades colombianas, editores de jornais, jornalistas, informantes e de, bem assim, 600 policiais; essas pessoas são, porém, provavelmente mais conhecidas por seu envolvimento no pavoroso ataque contra o Palácio da Justiça do país em novembro de 1985 o qual deixou perto de 100 pessoas mortas, inclusive onze juízes do supremo tribunal da Colômbia. Lehder era um problemão.
According to the Pittsburgh Post-Gazette, it was none other than Vice President George H.W. Bush who negotiated the deal with Lehder.[43] I was shocked to read this, until I recalled that Ronald Reagan named Bush in 1982 to head up his so called war on drugs. As we will discover, this explains many things. De acordo com o Pittsburgh Post-Gazette, não foi outro que não o Vice-Presidente George H.W. Bush quem negociou o acordo com Lehder.[43] Fiquei escandalizado ao ler isso, até lembrar-me de que Ronald Reagan escolhera Bush, em 1982, para chefiar sua assim chamada guerra contra as drogas. Como descobriremos, isso explica muitas coisas.
Although Lehder testified for US prosecutors at the 1992 trial of Manuel Noriega, his testimony proved of little value to the prosecution. According to knowledgeable observers, Noriega’s conviction was a foregone conclusion, with or without Lehder’s testimony. Some wondered why the US was so interested in Noriega, in the first place, since Lehder was a much bigger fish in the drug world. Narcotics expert Alfred McCoy may have provided the answer when he speculated that the US prosecution of Noriega probably had nothing to do with curbing the drug trade and everything to do with projecting US power in Central America. Noriega’s crime was that he turned nationalist, developed his own power base, and sought to chart an independent path, much like his predecessor, General Omar Torrijos, who died in a mysterious plane crash, probably orchestrated by the CIA.[44] Embora Lehder tenha testemunhado para os promotores dos Estados Unidos no julgamento de Manuel Noriega em 1992, seu depoimento revelou-se de pouco valor para a promotoria. De acordo com observadores bem informados, a condenação de Noriega era fatal, com ou sem o testemunho de Lehder. Algumas pessoas perguntaram-se por que, para começo de conversa, os Estados Unidos estavam tão interessados em Noriega, visto que Lehder era peixe muito maior no mundo das drogas. O especialista em narcóticos Alfred McCoy poderá ter dado a resposta quando especulou que o processo dos Estados Unidos contra Noriega provavelmente nada teve a ver com conter o comércio de drogas e teve tudo a ver com fortalecer o poder dos Estados Unidos na América Central. O crime de Noriega foi ele ter-se tornado nacionalista, ter desenvolvido sua própria base de poder e ter procurado traçar um caminho independente, de modo muito parecido com o que fizera seu predecessor, General Omar Torrijos, que morreu num misterioso acidente de avião, provavelmente orquestrado pela CIA.[44]
Three years after the Noriega trial, Lehder complained in a letter to U.S. District Judge William Hoeveler of Miami that he had been double-crossed by the US government. Weeks later, according to eyewitnesses, Lehder was whisked into the night from the witness protection center at Mesa, Arizona. He was not seen again for ten years, until 2005, when Lehder appeared in a Florida courtroom to appeal his life-in-prison-sentence-plus-135-years. The judge dismissed the appeal out of hand. No mystery there. But what about the $2.5 billion in assets that Lehder reportedly retained? I had hoped to interview Coral Talavera Baca who, no doubt, has the answers. Unfortunately, I was not successful in contacting her. In 2011, the questions raised a decade ago by Mike Ruppert about Baca’s connections with AIG, and AIG’s possible involvement in the drug trade, remain unresolved. Três anos depois do julgamento de Noriega Lehder reclamou, numa carta ao Juiz Distrital dos Estados Unidos William Hoeveler, de Miami, de ter sido traído pelo governo dos Estados Unidos. Semanas depois, de acordo com testemunhas oculares, Lehder foi rapidamente removido, à noite, do centro de proteção de testemunhas em Mesa, Arizona. Não foi mais visto durante dez anos, até 2005, quando apareceu numa sala de tribunal da Flórida para apelar de sua sentença de prisão perpétua acrescida de 135 anos. O juiz descartou rapidamente a apelação. Nenhum mistério quanto a isso. Mas e quanto aos $2,5 biliões de dólares de patrimônio que Lehder teria mantido? Eu tive esperança de entrevistar Coral Talavera Baca que, sem dúvida, tem as respostas. Infelizmente não tive sucesso em conseguir contato com ela. Em 2011, as perguntas suscitadas há uma década por Mike Ruppert acerca das conexões de Baca com o AIG, e o possível envolvimento do AIG no comércio de drogas, permanecem sem resposta.
Yet, it is curious that Maurice Greenberg chose to expand into the financial services sector in 1987, the year of Lehder’s arrest in Columbia. Not only does the timing correspond with the sharp upsurge in the volume of revenues from the international drug trade, which by the late 1980s exceeded an estimated trillion dollars a year,[45] that same year, AIG also entered into a bizarre relationship with a Barbados-based reinsurance company named Coral Re. The details, as I have noted, came to light in the mid-1990s when Delaware state regulators discovered that AIG secretly controlled Coral Re. In the insurance world, companies often reduce their exposure to underwriting losses by passing on a percentage of the risk to insurance wholesalers, also known as reinsurance companies. As payment, the reinsurance companies receive a percentage of the premiums. Wholesalers are generally based offshore in places like Bermuda, Barbados, the Caymans, and Luxembourg, where taxes are minimal or nonexistent and accounting records can legally be kept secret. Although US state laws require insurance companies to keep a certain amount of capital in reserve to cover losses, the amount is less if a company has reinsurance. AIG was a major user of reinsurance because it specialized in high-risk policies. For regulatory reasons, however, both parties to such a transaction, i.e., the insurer and reinsurer, must be independent of one another, for obvious reasons. If the two are affiliated, then there is no true risk reduction. This was the issue with Coral Re, and what attracted state regulators in the first place, because, despite persistent denials by AIG, Coral Re turned out to be a shell company created by AIG for reasons that have never been made clear. At the time Coral Re was established, the broker Goldman Sachs sent around a confidential memo which cautioned that the whole business must be kept secret. Indeed, the memo stipulated that all copies of the memo were to be returned to Goldman Sachs. When Delaware state regulators nevertheless managed to obtain a copy, they were incredulous.[46] The dozen or so investors who lent their names put up no money of their own, yet were guaranteed a profit, a sweet deal if there ever was one. Within days of its creation, Coral Re recorded $475 million in losses, which soon topped $1 billion. Between 1987 and 1993, AIG ceded $1.6 billion of insurance premiums to the new reinsurer. Yet, Coral Re’s total equity capital never exceeded $52 million.[47] In addition to being severely under-capitalized, the new company had no actual offices of its own. In fact, it was managed by a subsidiary of AIG. Coral Re’s board of directors made no decisions and conducted no business. At the time, the chief operating officer at Goldman Sachs was Robert Rubin, who later served as President Bill Clinton’s Treasury Secretary. Não obstante, é curioso que Maurice Greenberg tenha optado por ingressar no setor de serviços financeiros em 1987, o ano da prisão de Lehder na Colômbia. Não apenas o momento coincidiu com acentuado surto no volume de receita oriunda do comércio internacional de drogas o qual, na parte final dos anos 1980, excedia, estima-se, um trilião de dólares por ano,[45] como, naquele mesmo ano, o AIG também entrou num extravagante relacionamento com uma companhia de resseguros de Barbados chamada Coral Re. Os detalhes, como já observei, vieram à luz em meados dos anos 1990, quando inspetores do estado de Delaware descobriram que o AIG controlava secretamente a Coral Re. No mundo dos seguros as companhias amiúde reduzem sua vulnerabilidade a prejuízos de subscrição mediante repassarem percentual do risco a atacadistas de seguros, também conhecidos como companhias de resseguros. Como pagamento, as companhias de resseguros recebem percentual dos prêmios. Os atacadistas em geral ficam sediados no exterior, em lugares como Bermuda, Barbados, as ilhas Caimã e Luxemburgo, onde os impostos são mínimos ou não existem e registros de contabilidade podem legalmente ser mantidos em segredo. Embora as leis estaduais dos Estados Unidos exijam que as companhias de seguros mantenham certo montante de capital como reserva para cobertura de prejuízos, esse montante é menor se a companhia tem resseguros. O AIG era grande usuário de resseguros pelo fato de ter-se especializado em apólices de alto risco. Por motivo de regulamentação, contudo, ambas as partes de tal transação, isto é, o segurador e o ressegurador, têm de ser independentes um do outro, por razões óbvias. Se os dois estiverem associados não haverá real redução de risco. Esse era o problema no caso da Coral Re, e foi o que, antes de tudo, chamou a atenção dos inspetores do estado porque, a despeito de persistente negação do AIG, ficou claro que a Coral Re era uma empresa fictícia criada pelo AIG por motivos que nunca foram deixados claros. Na ocasião em que a Coral Re foi criada a corretora Goldman Sachs fez circular um memorando confidencial prevenindo que o negócio todo deveria ser mantido em segredo. Em verdade, o memorando estipulava que todas as cópias do memorando deveriam ser devolvidas à Goldman Sachs. Quando, apesar disso, os inspetores do estado de Delaware conseguiram obter uma cópia, ficaram incrédulos.[46] A dúzia ou por aí de investidores que emprestaram seus nomes não aportou nenhum dinheiro próprio e, no entanto, tinha lucro garantido, um negócio divino, se é que já existiu algum. Poucos dias depois de sua criação, a Coral Re registrou $475 milhões de dólares de prejuízo, que logo aumentou para $1 bilião de dólares. Entre 1987 e 1993 o AIG cedeu $1,6 bilião de dólares em prêmios de seguros para a nova resseguradora. No entanto, o patrimônio líquido total da Coral Re nunca excedeu $52 milhões de dólares.[47] Além de ser severamente subcapitalizada, a nova empresa não dispunha de qualquer escritório próprio. Na verdade, era administrada por uma subsidiária do AIG. A diretoria da Coral Re não tomava decisões nem conduzia negócios. À época, a principal autoridade de operações da Goldman Sachs era Robert Rubin, que posteriormente foi Secretário do Tesouro do Presidente Bill Clinton.
Rubin’s main “achievement” during his tenure at Treasury was persuading Clinton to support repeal of the 1933 Glass-Steagall Act, a key part of Franklin Delano Roosevelt’s New Deal program. Glass-Steagall had created a regulatory firewall between commercial and investment banking, for the soundest of reasons: to prevent conflicts of interest and other abuses within the banking system. But Robert Rubin, Alan Greenspan, and others on Wall Street viewed the New Deal as an aberration, and by 1999, they brought Clinton around.[48] In 1998, Rubin also joined with Greenspan in blocking attempts by Brooksley Born, chairman of the Commodities Futures Trading Commission, to regulate derivatives, which Born and others correctly saw as a threat to the stability of financial markets.[49] The result was the disaster we have witnessed in recent years. The defeat of every attempt to regulate derivatives, together with the repeal of Glass-Steagall, opened the floodgates to the wild speculation that characterized the G.W. Bush years, and is responsible for the derivative schemes, real estate bubble, collateral debt obligations, sub-primes, credit default swaps, legalized skimming rackets and, ultimately, the global financial meltdown in 2008. In short, we have suffered a replay of the roaring twenties when bankers showed they were incapable of regulating themselves. A principal “realização” de Rubin durante sua permanência no Tesouro foi persuadir Clinton a apoiar a revogação da Lei Glass-Steagall de 1933, parte fundamental do programa Novo Pacto de Franklin Delano Roosevelt. A Glass-Steagall havia criado uma barreira regulamentar entre os bancos comerciais e de investimento, pelo mais sadio dos motivos: evitar conflitos de interesse e outros abusos dentro do sistema bancário. Porém Robert Rubin, Alan Greenspan e outras pessoas de Wall Street viam o Novo Pacto como uma aberração e, em 1999, convenceram Clinton.[48] Em 1998, Rubin também juntou-se a Greenspan no bloqueio a tentativas de Brooksley Born, chairman da Commodities Futures Trading Commission, para regulamentar os derivativos, que Born e outros viam, corretamente, como ameaça à estabilidade dos mercados financeiros.[49] O resultado foi o desastre que testemunhamos nos anos recentes. A derrota de todas as tentativas de regulamentar os derivativos, juntamente com a revogação da Glass-Steagall, abriu as comportas para a especulação selvagem que caracterizou os anos de G.W. Bush, e é responsável pelos esquemas com derivativos, bolha imobiliária, obrigações garantidas por dívidas, subprimários, swaps de inadimplência de crédito, evasão fiscal legalizada e, em última análise, o desabamento financeiro mundial de 2008. Em suma, sofremos uma reedição dos vibrantes anos 20, quando os banqueiros mostraram-se incapazes de autorregulamentar-se.
After Rubin’s departure from Treasury he joined the board of Citigroup, the largest US bank, which had recently been rocked by several huge money laundering scandals, one involving Mexican President Salinas. In 2001, the pattern repeated itself when Citigroup paid $12 billion to acquire the second largest bank in Mexico, Banamex, whose owner Roberto Hernandez Ramirez was known to be deeply involved in the international drug trade. In December 1998, the daily Por Esto!, Mexico’s third largest newspaper, reported that Ramirez’s estate on the coast of Yucatan was a regular transshipment point for tons of South American cocaine. According to local fishermen, the coke arrived by boat during the night and, after being offloaded, was sent to the US via small planes operating out of a private airstrip on Ramirez’s sizable estate. The property is located on the tip of Punta Pajaros, which in English means Bird Point.[50] So flagrant was the trafficking that local people dubbed it “la peninsula de la coca,” i.e., the cocaine peninsula. When Ramirez sued Por Esto! for libel, a Mexican court threw out the case after finding that the evidence for narco-trafficking was genuine.[51] A succession of Mexican presidents, including Ernesto Zedillo and Vicente Fox, reportedly vacationed with the drug lord banker at his lavish estate, as did President Bill Clinton in February 1999. Depois da saída de Rubin do Tesouro ele ingressou na diretoria do Citigroup, o maior banco dos Estados Unidos, o qual havia recentemente sido abalado por diversos grandes escândalos de lavagem de dinheiro, um deles envolvendo o Presidente mexicano Salinas. Em 2001, o padrão repetiu-se quando o Citigroup pagou $12 biliões de dólares para adquirir o segundo maior banco do México, o Banamex, cujo dono Roberto Hernandez Ramirez sabidamente estava profundamente envolvido no comércio internacional de drogas. Em dezembro de 1998 o diário Por Esto!, terceiro maior jornal do México, informou que imóvel de Ramirez na costa de Iucatã era ponto regular de baldeação de toneladas de cocaína da América do Sul. De acordo com pescadores locais, a cocaína chegava por barco durante a noite e, depois de desembarcada, era mandada para os Estados Unidos via pequenos aviões que operavam a partir de uma pista de decolagem na propriedade de tamanho considerável de Ramirez. A propriedade está localizada na extremidade de Punta Pajaros, que em inglês é Ponta dos Pássaros.[50] O tráfico era tão flagrante que os habitantes locais chamavam aquele lugar de “la peninsula de la coca,” isto é, a península da cocaína. Quando Ramirez processou o Por Esto! por difamação, um tribunal mexicano rejeitou a argumentação depois de descobrir que a evidência de narcotráfico era genuína.[51] Uma sucessão de presidentes mexicanos, inclusive Ernesto Zedillo e Vicente Fox, teriam passado férias com o banqueiro barão de drogas em sua opulenta propriedade, como fez o Presidente Bill Clinton em fevereiro de 1999.
No question, Citigroup acquired Banamex to gain easy access to drug money, which many US banks now depend on for liquidity. In 2009, Antonia Maria Costa, head of the UN Office on Drugs and Crime, told the press that billions of dollars of laundered drug money had saved the financial system during the 2008 meltdown on Wall Street.[52] But not even laundered drug money could save Citigroup. The bank suffered enormous losses due to its sub-prime exposure, and at the height of the crisis received a $45 billion transfusion from the Federal Reserve, the second largest bailout after AIG’s. By December 2008 Citigroup’s stock had plummeted to $8/share from a high of $55 in 2006. Angry shareholders filed a lawsuit charging that Robert Rubin and other insiders not only lied to them about the bank’s losses, but had also cashed in their own inflated stock options before the collapse. Later, the SEC agreed with shareholders that Rubin and other bank officials knew about the losses. Which, of course, means that they are guilty of both defrauding investors and insider trading.[53] At last report, however, none had been indicted, although one bank officer was fined $100,000. But the hand-slap is laughable given Rubin’s reported earnings of $120 million while at Citigroup.[54] Não há dúvida de que o Citigroup adquiriu o Banamex para ganhar acesso fácil a dinheiro de drogas, do qual muitos bancos dos Estados Unidos agora dependem para terem liquidez. Em 2009 Antonia Maria Costa, chefe da Secretaria das Nações Unidas para Drogas e Crime, disse à imprensa que biliões de dólares de dinheiro de drogas lavado haviam salvo o sistema financeiro durante o colapso de 2008 em Wall Street.[52] Nem mesmo porém dinheiro de drogas lavado podia salvar o Citigroup. O banco sofrera enormes prejuízos devido a sua vulnerabilidade aos subprimários, e no ápice da crise recebeu uma transfusão de $45 biliões de dólares oriunda da Reserva Federal, o segundo maior socorro financeiro depois do ao AIG. Ao chegar dezembro de 2008 a ação do Citigroup havia despencado para $8 dólares/ação a partir de um pico de $55 dólares em 2006. Acionistas raivosos moveram processo denunciando que Robert Rubin e outras pessoas detentoras de informações privilegiadas haviam não apenas mentido para eles a respeito dos prejuízos do banco como, também, transformado em dinheiro suas próprias opções infladas de ações antes do colapso. Mais tarde, a SEC concordou com os acionistas em que Rubin e outras autoridades do banco sabiam dos prejuízos. O que, obviamente, significa que eles são culpados tanto de fraudar os investidores quanto de insider trading [uso ilegal de informação privilegiada].[53] Até as últimas notícias, entretanto, ninguém havia sido indiciado, embora uma autoridade do banco tivesse sido multada em $100.000. O tapa, porém, é risível, dados os ganhos informados de Rubin de $120 milhões de dólares quando no Citigroup.[54]
Citigroup may be the largest, but it is not the only big US bank involved in narco-trafficking. Others include Bank of America, American Express Bank, Wells Fargo and Wachovia, none of which has ever been criminally prosecuted in a US court for their participation in the drug trade. Recently, Bloomberg reporter Michael Smith learned the answer to the question why when he interviewed Jack Blum, a long-time US Senate investigator and banking industry consultant. Said Blum: “There’s no capacity to regulate or punish them [the big banks] because they are too big to be threatened with failure.” This explains why “they seem….willing to do anything that improves their bottom line, until they’re caught.” Blum called their too-big-to-fail status “a get-out-of-jail-free-card for big banks.”[55] O Citigroup pode ser o maior, mas não é o único grande banco dos Estados Unidos envolvido em narcotráfico. Outros são Bank of America, American Express Bank, Wells Fargo e Wachovia, nenhum dos quais foi jamais processado criminalmente em tribunal dos Estados Unidos por sua participação no comércio de drogas. Recentemente o repórter da Bloomberg Michael Smith encontrou a resposta para a pergunta quando entrevistou Jack Blum, investigador de longa data do Senado dos Estados Unidos e consultor da indústria bancária. Disse Blum: “Não há como legalmente regulamentá-los ou puni-los [os grandes bancos] porque eles são grandes demais para serem ameaçados por falência.” Isso explica por que “eles parecem….dispostos a fazer qualquer coisa que melhore sua última linha do balanço, até serem apanhados.” Blum chamou a condição deles de grandes-demais-para-falir de “um cartão de saída da cadeia [do jogo Monopoly] para os grandes bancos.”[55]
That is certainly how it played out when Wachovia was caught red-handed in “the biggest money-laundering scandal of our time.” [56] The plot began to thicken in 2006 when Mexican authorities discovered 5.7 tons of cocaine packed in 128 black suitcases (estimated street value: $100 million) in a DC-9 at the international airport of Ciudad del Carmen, located 500 miles east of Mexico City. Authorities later learned that narco-traffickers had purchased the plane with funds laundered through Wachovia Corp. and Bank of America. It was no isolated incident. A 22-month federal investigation disclosed that during a three-year period alone, from May 2003 to May 2007, Wachovia had processed $378 billion in questionable transfers from Mexican currency exchange houses, in the form of wire transfers, traveler’s checks and cash shipments. The whopping figure is the equivalent of roughly one-third of Mexico’s gross domestic product. Isso foi sem dúvida o que aconteceu quando o Wachovia foi apanhado com a boca na botija no “maior escândalo de lavagem de dinheiro de nosso tempo.” [56] A trama começou a engrossar em 2006, quando autoridades mexicanas descobriram 5,7 toneladas de cocaína empacotadas em 128 malas (valor de rua estimado: $100 milhões de dólares) num DC-9 no aeroporto internacional de Ciudad del Carmen, localizada a 500 milhas da Cidade do México. As autoridades posteriormente ficaram sabendo que os narcotraficantes haviam comprado o avião com recursos lavados por meio de Wachovia Corp. e Bank of America. Não foi incidente isolado. Investigação federal de 22 meses revelou que, só durante um período de três anos, de maio de 2003 a maio de 2007, o Wachovia havia processado $378 biliões de dólares em transferências questionáveis a partir de casas de câmbio de moeda mexicana, na forma de transferências por cabo, cheques de viagem e remessas de dinheiro. Essa enorme cifra é o equivalente, em termos aproximados, de um terço do produto interno bruto do México.
The noose began to tighten on May 16, 2007, when DEA agents raided Wachovia’s international offices in Miami, seizing bank records. A “back look” at the transactions confirmed that drug cartels had used Wachovia’s correspondent banking services to launder a minimum of $110 million in drug profits. Doubtless, this was only the tip of the iceberg, but was still the largest violation of US money-laundering laws in history.[57] The cartels had used the laundered cash to purchase weapons, safe-houses, and aircraft for the narcotics trade. During the investigation, authorities also seized 22 tons of cocaine. According to Jeffrey Sloman, a federal prosecutor involved in the case, “Wachovia’s blatant disregard for our banking laws gave international cocaine cartels a virtual carte blanche to finance their operations.”[58] O nó começou a apertar em 16 de maio de 2007, quando agentes da DEA invadiram os escritórios internacionais do Wachovia em Miami, apreendendo registros do banco. Um “exame retrospectivo” das transações confirmou que cartéis de drogas haviam usado correspondentes de serviços bancários do Wachovia para lavar no mínimo $110 milhões de dólares em lucros provenientes de drogas. Sem dúvida era apenas a ponta do iceberg, mas ainda assim a maior violação das leis de lavagem de dinheiro dos Estados Unidos da história.[57] Os cartéis haviam usado o dinheiro lavado para comprar armamentos, esconderijos e aviões para o comércio de narcóticos. Durante a investigação as autoridades também apreenderam 22 toneladas de cocaína. De acordo com Jeffery Sloman, promotor federal envolvido no caso, “o descarado desprezo do Wachovia por nossas leis bancárias deu, na prática, carta branca aos cartéis internacionais de cocaína para financiarem suas operações.”[58]
When Wachovia’s own anti money-laundering officer, Martin Woods, attempted to bring the problem to the attention of bank officials, the same officials told him to keep quiet. Woods persisted, to his credit, and became the target of internal harassment and bullying by bank officials. He lost his job and, even though later vindicated by the federal probe, ultimately, had to bring suit against the bank to get restitution. In the end, Wachovia refused to curb its lucrative dealings with the dubious Mexican currency houses, that is, until the financial media began to report the ongoing federal investigation.[59] But then, Wachovia has a long history of caring more about the almighty dollar than the people it serves. Founded in Charlotte, North Carolina in 1879, Wachovia foreclosed on so many farms and businesses during the Great Depression that the bank became known in the Southeast as Walk-over-ya.[60] Quando a própria autoridade contra lavagem de dinheiro do Wachovia, Martin Woods, tentou levar o problema à atenção das autoridades do banco, essas mesmas autoridades disseram a ele para calar a boca. Woods persistiu, louvavelmente, e tornou-se alvo de assédio e intimidação internamente, por parte de autoridades do banco. Perdeu o emprego e embora posteriormente tenha sido inocentado por investigação federal, teve que no fim mover processo contra o banco para ser readmitido. No final, o Wachovia recusou-se a renunciar a seu lucrativo relacionamento com as suspeitas casas de câmbio mexicanas, ou melhor, fez isso até que a mídia financeira começou a informar acerca da investigação federal em andamento.[59] Assim, pois, o Wachovia tem longa história de cuidar mais do todo-poderoso dólar do que das pessoas a quem serve. Fundado em Charlotte, Carolina do Norte, em 1879, o Wachovia executou tantas hipotecas de fazendas e firmas durante a Grande Depressão que o banco tornou-se conhecido no Sudeste como Walk-over-ya.[60][Eu pisoteio você, trocadilho com o nome do banco.]
Although federal authorities threatened Wachovia with criminal prosecution, the case never went to court. Despite its profits from money laundering, Wachovia suffered huge losses in 2008 as a result of the sub-prime fiasco, and was rescued by Wells Fargo for a reported $12.7 billion. The merger happened within days of Wells Fargo’s $25 billion federal bailout—which, notice, means that the US taxpayer footed the bill for the acquisition (and then some). In 2010, Wells Fargo settled with the US government on behalf of Wachovia by paying $160 million in fines and penalties. Wells Fargo agreed to upgrade its money laundering detection efforts; and, after a year’s probation, the federal government dropped all charges in March 2011.  Although the $160 million fine was a hefty sum, it was still less than 2% of Wells Fargo’s reported earnings in 2009. Indeed, bank officials probably viewed the fine as just another cost of doing business. Embora as autoridades federais tenham ameaçado o Wachovia de processo criminal, o caso nunca chegou ao tribunal. A despeito de seus lucros com lavagem de dinheiro, o Wachovia sofreu enormes prejuízos em 2008 em decorrência do fiasco do subprimário, e foi resgatado pelo Wells Fargo por informados $12,7 biliões. A fusão aconteceu dias depois do socorro financeiro federal de socorro ao Wells Fargo de $25 biliões de dólares — o que, notemos, significa que o contribuinte dos Estados Unidos bancou a conta da aquisição (e muito mais do que isso). Em 2010, o Wells Fargo fez acordo com o governo dos Estados Unidos em nome do Wachovia pagando $160 milhões de dólares em multas e penalidades. O Wells Fargo concordou em aperfeiçoar seus esforços de detecção de lavagem de dinheiro; e, depois de um ano de período probatório, o governo retirou todas as queixas em março de 2011. Embora a multa de $160 milhões tenha sido soma substancial, ainda assim representou menos de 2% dos ganhos do Wells Fargo informados em 2009. Na verdade, as autoridades do banco provavelmente viram a multa como apenas outro custo de fazer negócios.
Notes Notas
[1] Gary Webb, Dark Alliance, Seven Stories Press, New York, 1998, p. 482. [1] Gary Webb, Dark Alliance, Seven Stories Press, New York, 1998, p. 482.
[2] Peter Dale Scott and Jonathan Marshall, Cocaine Politics, University of California Press, Berkeley, 1991, p 57. [2] Peter Dale Scott and Jonathan Marshall, Cocaine Politics, University of California Press, Berkeley, 1991, p 57.
[3] Gary Webb, “Dark Alliance: The Story Behind the Crack Explosion,” San Jose Mercury News, August 1996. Series archived at http://www.narconews.com/darkalliance/drugs/start.htm [3] Gary Webb, “Dark Alliance: The Story Behind the Crack Explosion,” San Jose Mercury News, August 1996. Series archived at http://www.narconews.com/darkalliance/drugs/start.htm
[4] Alexander Cockburn and Jeffrey St. Clair, Whiteout, Verso, New York, 1998, p 29. [4] Alexander Cockburn and Jeffrey St. Clair, Whiteout, Verso, New York, 1998, p 29.
[5] Ibid., p. 31. [5] Ibid., p. 31.
[6] Dexter Filkins, Mark Mazetti and James Risen, “Brother of Afghan Leader Said to Be Paid by C.I.A.,” New York Times, October 27, 2009. Posted at http://www.nytimes.com/2009/10/28/world/asia/28intel.html?adxnnl=1&adxnnlx=1301436779-la8vOSwZTeQilE0VwwLONQ [6] Dexter Filkins, Mark Mazetti and James Risen, “Brother of Afghan Leader Said to Be Paid by C.I.A.,” New York Times, October 27, 2009. Posted at http://www.nytimes.com/2009/10/28/world/asia/28intel.html?adxnnl=1&adxnnlx=1301436779-la8vOSwZTeQilE0VwwLONQ
[7] Dark Alliance, p. 471-472. [7] Dark Alliance, p. 471-472.
[8] Statement of Frederick P. Hitz, Inspector General CIA before the Permanent Select Committee on Intelligence, US House of Representatives, regarding investigation of allegations of connections between CIA and the Contras in drug trafficking to the US, March 16, 1998. Posted at http://www.fas.org/irp/congress/1998_hr/980316-ps.htm [8] Statement of Frederick P. Hitz, Inspector General CIA before the Permanent Select Committee on Intelligence, US House of Representatives, regarding investigation of allegations of connections between CIA and the Contras in drug trafficking to the US, March 16, 1998. Posted at http://www.fas.org/irp/congress/1998_hr/980316-ps.htm
[9] Dark Alliance, p 482. [9] Dark Alliance, p 482.
[10] Mark Fritz, “The Secret (Insurance) Agent Men,” Los Angeles Times, September 22, 2000. [10] Mark Fritz, “The Secret (Insurance) Agent Men,” Los Angeles Times, September 22, 2000.
[11] David Schiff, “AIG’s Relationship with Three Starr Entities,” Schiff’s Insurance Observer, March 30, 2005. [11] David Schiff, “AIG’s Relationship with Three Starr Entities,” Schiff’s Insurance Observer, March 30, 2005.
[12] http://spitfirelist.com/for-the-record/ftr-531-interview-with-lucy-komisar-about-offshore/ [12] http://spitfirelist.com/for-the-record/ftr-531-interview-with-lucy-komisar-about-offshore/
[13] Ronald Shelp, Fallen Giant, John Wiley & Sons, Hoboken, 2006, p.10. [13] Ronald Shelp, Fallen Giant, John Wiley & Sons, Hoboken, 2006, p.10.
[14] Walter Isaacson, Kissinger: A Biography, New York, Simon & Schuster, 2005, pp. 739-40. [14] Walter Isaacson, Kissinger: A Biography, New York, Simon & Schuster, 2005, pp. 739-40.
[15] http://investmentwatchblog.com/some-history-of-aig-maybe-china-would-like-to-see-the-aig-bailout-continue/ [15] http://investmentwatchblog.com/some-history-of-aig-maybe-china-would-like-to-see-the-aig-bailout-continue/
[16] David Schiff, “A Darkness on the Edge of Town,” Schiff’s Insurance Observer, October 1998. [16] David Schiff, “A Darkness on the Edge of Town,” Schiff’s Insurance Observer, October 1998.
[17] Ibid. [17] Ibid.
[18] Devon Leonard, “All I Want In LIfe is an Unfair Advantage,” Fortune, August 8, 2005, posted at http://money.cnn.com/magazines/fortune/fortune_archive/2005/08/08/8267642/index.htm [18] Devon Leonard, “All I Want In LIfe is an Unfair Advantage,” Fortune, August 8, 2005, posted at http://money.cnn.com/magazines/fortune/fortune_archive/2005/08/08/8267642/index.htm
[19] David Schiff, “AIG, Audit Committees, Legends, and P/E Ratios,” Schiff’s Insurance Observer, July 25, 2002; also see Carrie Johnson and Dean Starkman, “Accountants Missed AIG Group’s Red Flags,” Washington Post, May 26, 2005. [19] David Schiff, “AIG, Audit Committees, Legends, and P/E Ratios,” Schiff’s Insurance Observer, July 25, 2002; also see Carrie Johnson and Dean Starkman, “Accountants Missed AIG Group’s Red Flags,” Washington Post, May 26, 2005.
[20] Kurt Eichenwald and Jenny Anderson, “How a Titan of Insurance Ran Afoul of the Government,” The New York Times, April 4, 2005. [20] Kurt Eichenwald and Jenny Anderson, “How a Titan of Insurance Ran Afoul of the Government,” The New York Times, April 4, 2005.
[21] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.” [21] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.”
[22] David Schiff, “Spitzer sues Marsh: Bid Rigging, Fraud, Collusion,” Schiff’s Insurance Observer, October 15, 2004. Also see Spitzer’s press release, posted at http://www.ins.state.ny.us/press/2005/p0501311.htm [22] David Schiff, “Spitzer sues Marsh: Bid Rigging, Fraud, Collusion,” Schiff’s Insurance Observer, October 15, 2004. Also see Spitzer’s press release, posted at http://www.ins.state.ny.us/press/2005/p0501311.htm
[23] Peter Lattman and Anupreeta Das, “Marsh & McLennan Sells Kroll for $1.3 Billion,” Wall Street Journal, June 8, 2010. [23] Peter Lattman and Anupreeta Das, “Marsh & McLennan Sells Kroll for $1.3 Billion,” Wall Street Journal, June 8, 2010.
[24] http://www.altegrityrisk.com/management/cherkasky [24] http://www.altegrityrisk.com/management/cherkasky
[25] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.” [25] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.”
[26] “Excerpts From Complaint Against A.I.G. by New York,” New York Times, May 27, 2005. Posted at
h
ttp://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=
9A07E3D61039F934A15756C0A9639C8B63 
[26] “Excerpts From Complaint Against A.I.G. by New York,” New York Times, May 27, 2005. Posted at 
h
ttp://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=
9A07E3D61039F934A15756C0A9639C8B63
[27] Ibid. [27] Ibid.
[28] Ibid. [28] Ibid.
[29] http://www.delawarelitigation.com/uploads/file/int8B.PDF [29] http://www.delawarelitigation.com/uploads/file/int8B.PDF
[30] Timothy O’Brien and Jenny Anderson, “AIG Documents Said to be Altered,” New York Times, April 8, 2005. [30] Timothy O’Brien and Jenny Anderson, “AIG Documents Said to be Altered,” New York Times, April 8, 2005.
[31] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.” [31] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.”
[32] Ron Shelp, Fallen Giant, John Wiley & Sons, Hoboken, 2006, p.173. [32] Ron Shelp, Fallen Giant, John Wiley & Sons, Hoboken, 2006, p.173.
[33] http://lawprofessors.typepad.com/whitecollarcrime_blog/aig/ [33] http://lawprofessors.typepad.com/whitecollarcrime_blog/aig/
[34] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.” [34] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.”
[35] Andrew Simpson, “Greenberg: AIG’s Risky Subprime Activity ‘Exploded’ After He Left,” Insurance Journal, October 10, 2008. [35] Andrew Simpson, “Greenberg: AIG’s Risky Subprime Activity ‘Exploded’ After He Left,” Insurance Journal, October 10, 2008.
[36] http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/7918643.stm [36] http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/7918643.stm
[37] Elizabeth MacDonald, “American Inconscionable Group,” FOX Business, March 17, 2009. Posted at http://www.foxbusiness.com/markets/2009/03/17/american-inconscionable-group/ [37] Elizabeth MacDonald, “American Inconscionable Group,” FOX Business, March 17, 2009. Posted at http://www.foxbusiness.com/markets/2009/03/17/american-inconscionable-group/
[38] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.” [38] “All I want in LIfe is an Unfair Advantage.”
[39] David Schiff, “AIG and the Art of Financial Prestidigitation,” Schiff’s Insurance Observer, April 4, 2005, p.3. [39] David Schiff, “AIG and the Art of Financial Prestidigitation,” Schiff’s Insurance Observer, April 4, 2005, p.3.
[40] http://www.fromthewilderness.com/free/ciadrugs/part_2.html [40] http://www.fromthewilderness.com/free/ciadrugs/part_2.html
[41] Gary Webb, Dark Alliance, Seven Stories Press, New York, 1998. [41] Gary Webb, Dark Alliance, Seven Stories Press, New York, 1998.
[42] Bill Moushey, “Protected Witness,” Pittsburgh Post-Gazette, June 15, 1996. Posted at http://www.fear.org/carlos1.html [42] Bill Moushey, “Protected Witness,” Pittsburgh Post-Gazette, June 15, 1996. Posted at http://www.fear.org/carlos1.html
[43] Ibid. [43] Ibid.
[44] McCoy also pointed out in the same interview that Panama, once part of Columbia, is home to a miniature version of Wall Street. Panama City has a number of large banks, whose primary purpose is to launder money for Columbia drug lords. In short, the replacement of Noriega was an administrative move. The flow of drugs and drug money through Panama hardly paused, and may even have increased.
An Interview with Alfred McCoy by David Barsamian, conducted at University of Wisconsin-Madison, February 17,1990. Posted at http://www.druglibrary.org/schaffer/heroin/McCoy2.htm
[44] McCoy also pointed out in the same interview that Panama, once part of Columbia, is home to a miniature version of Wall Street. Panama City has a number of large banks, whose primary purpose is to launder money for Columbia drug lords. In short, the replacement of Noriega was an administrative move. The flow of drugs and drug money through Panama hardly paused, and may even have increased.
An Interview with Alfred McCoy by David Barsamian, conducted at University of Wisconsin-Madison, February 17,1990. Posted at http://www.druglibrary.org/schaffer/heroin/McCoy2.htm
[45] William Engdahl, Gods of Money, Engdahl Press, Wiesbaden, 2009, p. 272. [45] William Engdahl, Gods of Money, Engdahl Press, Wiesbaden, 2009, p. 272.
[46] To view a copy of the memo go to David Schiff, “Have We Got a Deal for You,” Emerson, Reid’s, March 1996, p. 7. Posted at http://www.insuranceobserver.com/PDF/1996/030196.pdf [46] To view a copy of the memo go to David Schiff, “Have We Got a Deal for You,” Emerson, Reid’s, March 1996, p. 7. Posted at http://www.insuranceobserver.com/PDF/1996/030196.pdf
[47] David Schiff, “Coral Re: AIG’s $1-Billion Secret,” Emerson, Reid’s, July 1996, pp. 10-13. [47] David Schiff, “Coral Re: AIG’s $1-Billion Secret,” Emerson, Reid’s, July 1996, pp. 10-13.
[48] The 1999 repeal legislation was known as the Gramm-Leach-Bliley Act. [48] The 1999 repeal legislation was known as the Gramm-Leach-Bliley Act.
[49] Matthew Leising and Roger Runningen, “Brooksley Born `Vindicated’ as Swap Rules Take Shape,” Bloomberg, November 13, 2008. Posted at http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=aVYf8XDXiSZM&refer=home [49] Matthew Leising and Roger Runningen, “Brooksley Born `Vindicated’ as Swap Rules Take Shape,” Bloomberg, November 13, 2008. Posted at http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=newsarchive&sid=aVYf8XDXiSZM&refer=home
[50] http://www.narconews.com/newboss1.html [50] http://www.narconews.com/newboss1.html
[51] Mike Ruppert, Crossing the Rubicon, New Society Publishers, 2004, p.79. [51] Mike Ruppert, Crossing the Rubicon, New Society Publishers, 2004, p.79.
[52] Rajeev Syal, “Drug money saved banks in global crisis, claims UN advisor,” Guardian (UK),  December 13, 2009. Posted at http://www.guardian.co.uk/global/2009/dec/13/drug-money-banks-saved-un-cfief-claims [52] Rajeev Syal, “Drug money saved banks in global crisis, claims UN advisor,” Guardian (UK),  December 13, 2009. Posted at http://www.guardian.co.uk/global/2009/dec/13/drug-money-banks-saved-un-cfief-claims
[53] Joshua Gallu and Donal Griffin, “SEC Says Prince, Rubin Knew of Losses on Assets at Suit’s Focus,” Bloomberg, September 9, 2008. Posted at http://www.bloomberg.com/news/2010-09-09/prince-rubin-knew-assets-at-focus-of-sec-claim-fueled-losses-agency-says.html [53] Joshua Gallu and Donal Griffin, “SEC Says Prince, Rubin Knew of Losses on Assets at Suit’s Focus,” Bloomberg, September 9, 2008. Posted at http://www.bloomberg.com/news/2010-09-09/prince-rubin-knew-assets-at-focus-of-sec-claim-fueled-losses-agency-says.html
[54] Martha Graybow, “Investors accuse Citi execs of ‘suspicious’ trades,” Reuters, December 3, 2008. Posted at http://www.reuters.com/article/idUSTRE4B26JN20081203
Also see Zach Carter, “Why Robert Rubin and Citibank Execs Should Be in Deep Trouble,” Alternet, September 9, 2010.
[54] Martha Graybow, “Investors accuse Citi execs of ‘suspicious’ trades,” Reuters, December 3, 2008. Posted at http://www.reuters.com/article/idUSTRE4B26JN20081203
Also see Zach Carter, “Why Robert Rubin and Citibank Execs Should Be in Deep Trouble,” Alternet, September 9, 2010.
[55] Michael Smith, “Banks Financing Mexico Gangs Admitted in Wells Fargo Deal,” Bloomberg, June 28, 2010. Posted at http://www.bloomberg.com/news/2010-06-29/banks-financing-mexico-s-drug-cartels-admitted-in-wells-fargo-s-u-s-deal.html [55] Michael Smith, “Banks Financing Mexico Gangs Admitted in Wells Fargo Deal,” Bloomberg, June 28, 2010. Posted at http://www.bloomberg.com/news/2010-06-29/banks-financing-mexico-s-drug-cartels-admitted-in-wells-fargo-s-u-s-deal.html
[56] Ed Vulliamy, “How a big US bank laundered billions from Mexico’s murderous drug gangs,” The Observer, April 3, 2011. Posted at http://www.guardian.co.uk/world/2011/apr/03/us-bank-mexico-drug-gangs [56] Ed Vulliamy, “How a big US bank laundered billions from Mexico’s murderous drug gangs,” The Observer, April 3, 2011. Posted at http://www.guardian.co.uk/world/2011/apr/03/us-bank-mexico-drug-gangs
[57] Banks Financing Mexico Gangs Admitted in Wells Fargo Deal.” [57] Banks Financing Mexico Gangs Admitted in Wells Fargo Deal.”
[58] “How a big US bank laundered billions from Mexico’s murderous drug gangs,” [58] “How a big US bank laundered billions from Mexico’s murderous drug gangs,”
[59] Ibid. [59] Ibid.
[60] “Banks Financing Mexico Gangs Admitted in Wells Fargo Deal,” [60] “Banks Financing Mexico Gangs Admitted in Wells Fargo Deal,”
Mark H. Gaffney is the author of The 9/11 Mystery Plane and the Vanishing of America (2008). His next book, Black 9/11, will be released later this year. 9/11 Whistleblowers are encouraged to contact Mark at markhgaffney@earthlink.net Read more articles by Mark H. Gaffney. Mark H. Gaffney é autor de O Avião Misterioso do 11/9 e o Fenecimento dos Estados Unidos (2008). Seu próximo livro, 11/9 Negro, será publicado este ano. Denunciantes do 11/9 são estimulados a entrar em contato com Mark em markhgaffney@earthlink.net Leia mais artigos de Mark H. Gaffney.

No comments:

Post a Comment