Monday, May 30, 2011

FFF - Commentaries - The Only Way Out of Guantánamo Is In a Coffin

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COMMENTARIES COMENTÁRIOS
The Only Way Out of Guantánamo Is In a Coffin
by
Andy Worthington, May 20, 2011
O Único Modo de Sair de Guantánamo é num Esquife
por Andy Worthington, 20 de maio de 2011
Despite sweeping into office promising to close Guantánamo, President Obama now oversees a prison that may well stay open forever, from which the only exit route is in a coffin. A despeito de assumir o cargo prometendo fechar Guantánamo, o Presidente Obama agora supervisa uma prisão que bem poderá ficar aberta para sempre, de onde a única rota de saída é num esquife.
The last living prisoner to be released from Guantánamo was Farhi Saeed bin Mohammed, an Algerian who was repatriated against his will in January. Since then, an Afghan prisoner, Awal Gul, died in February after taking exercise, and on Wednesday the U.S. military announced that another Afghan prisoner, Inayatullah, who was 37 years old, “died of an apparent suicide,” early on the morning of May 18. O último prisioneiro vivo a ser libertado de Guantánamo foi Farhi Saeed bin Mohammed, argelino repatriado contra a própria vontade em janeiro. Desde então um prisioneiro afegão, Awal Gul, morreu em fevereiro após fazer exercício, e na quarta-feira a instituição militar dos Estados Unidos anunciou que outro prisioneiro afegão, Inayatullah, de 37 anos, “morreu de aparente suicídio,” de manhã cedinho em 18 de maio.
A U.S. Southern Command news release explained, “While conducting routine checks, the guards found the detainee unresponsive and not breathing. The guards immediately initiated CPR [cardiopulmonary resuscitation] and also summoned medical personnel to the scene. After extensive lifesaving measures had been exhausted, the detainee was pronounced dead by a physician.” Um comunicado à imprensa do Comando do Sul dos Estados Unidos explicou: “Enquanto conduzindo verificações de rotina, os guardas encontraram o detento imóvel e sem respirar. Os guardas iniciaram imediatamente CPR [ressuscitação cardiopulmonar] e também convocaram pessoal médico para o local. Depois de exauridas abrangentes providências de salvamento, médico declarou o detento morto.”
Later, a Guantánamo spokesperson, Army Lt. Col. Tanya Bradsher, said that Inayatullah was discovered “hanging from his neck by what appear[ed] to be bed linen” in one of the prison’s recreation yards — a scenario that surely raises the question of how, in a prison where the detainees are closely monitored all the time, he was allowed to spend enough time unmonitored in a recreation yard to be able to kill himself. Posteriormente porta-voz de Guantánamo, a Tenente-Coronel do Exército Tanya Bradsher, disse que Inayatullah fora descoberto “pendendo, pelo pescoço, do que parecia ser roupa de cama” num dos pátios de recreação da prisão — cenário que seguramente suscita a pergunta acerca de como, numa prisão onde os detentos são acompanhados de perto o tempo todo, ele teve permissão para passar tempo suficiente num pátio de recreação não vigiado de modo a conseguir matar-se.
Unlike the majority of the remaining 171 prisoners at Guantánamo, Inayatullah had not spent nearly ten years of his life in the prison. The penultimate detainee to arrive at Guantánamo, he was flown in from Afghanistan in September 2007, but no information about him had been released after a press release was issued by the Pentagon announcing his arrival. Diversamente da maioria dos 171 prisioneiros restantes em Guantánamo, Inayatullah não havia passado perto de dez anos de sua vida na prisão. Penúltimo detento a chegar a Guantánamo, foi mandado de avião do Afeganistão em setembro de 2007, mas nenhuma informação a seu respeito foi divulgada depois de um comunicado à imprensa ter sido divulgado pelo Pentágono anunciando a chegada dele.
It is not known if he had ever been subjected to a Combatant Status Review Tribunal — the review process used by President Bush to assess whether prisoners had been correctly designated, on capture, as “enemy combatants” who could be held indefinitely — but it was noticeable that, in the recent release by WikiLeaks of classified military documents relating to the Guantánamo prisoners, Inayatullah’s was one of 14 files that were missing from the documents that were initially handed over to WikiLeaks, suggesting that he had not, in fact, been subjected to any type of process that claimed to legitimize his presence at Guantánamo. Não se sabe se ele alguma vez foi submetido a Tribunal de Revisão de Situação de Combatente — o processo de revisão usado pelo Presidente Bush para avaliar se prisioneiros haviam sido corretamente designados como “combatentes inimigos” que poderiam ser mantidos presos indefinidamente — mas ficou visível que, na recente divulgação, pelo WikiLeaks, de documentos militares secretos relacionados com os prisioneiros de Guantánamo, o de Inayatullah foi um dos 14 arquivos faltantes nos documentos inicialmente entregues ao WikiLeaks, fato a sugerir que ele não havia, na verdade, sido submetido a qualquer tipo de processo que visasse a legitimar sua presença em Guantánamo.
In describing Inayatullah after his death, the U.S. military recycled information from its initial press release announcing his arrival at the prison three years and eight months ago, claiming that he was “an admitted planner for Al-Qaeda terrorist operations, and attested to facilitating the movement of foreign fighters, significantly contributing to transnational terrorism across multiple borders.” It was also claimed that he “met with local operatives, developed travel routes and coordinated documentation, accommodation and vehicles for smuggling Al-Qaeda belligerents through Afghanistan, Iran, Pakistan and Iraq.” Ao descrever Inayatullah depois de sua morte, a instituição militar dos Estados Unidos reciclou informação de seu comunicado à imprensa inicial, anunciando a chegada dele à prisão três anos e oito meses antes, afirmando ser ele “confesso planejador de operações terroristas da al-Qaeda, e comprovadamente ter facilitado o movimento de combatentes estrangeiros, contribuindo significativamente para terrorismo transnacional através de múltiplas fronteiras.” Também foi asseverado que ele “encontrou-se com agentes locais, desenvolveu rotas de viagem e coordenou documentação, acomodação e veículos para contrabandear beligerantes da al-Qaeda através de Afeganistão, Paquistão e Iraque.”
Noticeably, however, what was missing was another claim, also aired in the military’s September 2007 press release, that he had “admitted that he was the Al-Qaeda Emir of Zahedan, Iran,” and that he had been transferred to Guantánamo “[d]ue to the continuing threat [he] represents and his high placement in Al-Qaeda.” Claramente, porém, ficou faltando outra asseveração, também veiculada no comunicado à imprensa de setembro de 2007, de ele ter “confessado ser o Emir de Zahedan, no Iran, da al-Qaeda,” e ter sido transferido para Guantánamo “por causa da contínua ameaça que representa e sua alta posição na Al-Qaeda.”
This was perhaps because that hyperbole had been punctured. Of the six prisoners who arrived in Guantánamo between March 2007 and March 2008, just two — whose files were also missing from the documents made available to Wikileaks — are regarded as “high-value detainees.” Isso talvez pelo fato de a hipérbole ter sido punçada. Dos seis prisioneiros que chegaram a Guantánamo entre março de 2007 e março de 2008, apenas dois — cujos arquivos também não estavam presentes entre os documentos tornados disponíveis para o Wikileaks — são vistos como “detentos de alto valor.”
These two are Nashwan Abd Al-Razzaq Abd Al-Baqi, more commonly known as Abd Al-Hadi Al-Iraqi, and Muhammad Rahim, an Afghan, and they join the 14 “high-value detainees” sent to Guantánamo from secret CIA prisons in September 2006, who include Khalid Sheikh Mohammed, the alleged mastermind of the 9/11 attacks, as the only “high-value detainees” at Guantánamo — a grand total of 16 out of the remaining 171 prisoners. Esses dois são Nashwan Abd Al-Razzaq Abd Al-Baqi, mais comumente conhecido como Abd Al-Hadi Al-Iraqi, e Muhammad Rahim, afegão, e eles se juntam aos 14 “detentos de alto valor” mandados para Guantánamo vindos de prisões secretas da CIA em setembro de 2006, dentre os quais Khalid Sheikh Mohammed, o pretenso mentor dos ataques do 11/9, como únicos “detentos de alto valor” em Guantánamo — um total geral de 16 entre os restantes 171 prisioneiros.
It is too late for Inayatullah or Awal Gul to receive anything that resembles justice, as it is for the six other men who have died at Guantánamo in the last five years — the three disputed suicides in June 2006, the fourth alleged suicide in May 2007, the death by cancer of an unacknowledged Afghan hero in December 2007, and the fifth alleged suicide in June 2009. É tarde demais para Inayatullah ou Awal Gul receberem qualquer coisa parecida com justiça, como também para os outros seis homens que morreram em Guantánamo nos últimos cinco anos — os três pretensamente suicidas em junho de 2006, o quarto alegado suicida em maio de 2007, a morte de câncer de não reconhecido herói afegão em dezembro de 2007, e o quinto alegado suicida em junho de 2009.
More depressingly, it is unlikely that the evident truth about Obama’s Guantánamo — that the only way out is by dying — will shift public opinion either at home or abroad. Although the president is not entirely to blame for his failure to close the prison, as he has been confronted by unprincipled Republican opposition on a colossal scale, and also by cowardice in his own party, it ought to be unacceptable that his early promise has turned to such paralysis. Mais deprimentemente, é improvável que a verdade evidente acerca da Guantánamo de Obama — a de que o único modo de sair é morrendo — venha a modificar a opinião pública tanto dentro quanto fora do país. Embora o presidente não tenha toda a culpa por não fechar a prisão, visto vir sendo confrontado em escala colossal por uma oposição Republicana sem princípios morais, e também por covardia em seu próprio partido, deveria ser inaceitável sua promessa inicial ter redundado em tal paralisia.
My hope is that there will eventually be a mobilization of high-level international criticism about Guantánamo, as there was under President Bush, with international bodies and world leaders realizing that Guantánamo has become, once more, a place of indefinite arbitrary detention, and moreover, one that will remain open forever without concerted effort to close it. Minha esperança é que venha por fim a ocorrer mobilização de críticas internacionais de alto nível acerca de Guantánamo, como havia no tempo do Presidente Bush, com órgãos internacionais e líderes mundiais percebendo que Guantánamo tornou-se, uma vez mais, lugar de detenção arbitrária por tempo indefinido e, mais, lugar que continuará aberto para sempre a menos de esforços concertados para fechá-lo.
Until that time, decent people must be wondering who, at Guantánamo, will be next to die, and reflecting that, whatever Inayatullah’s alleged crimes, it was inappropriate that, because of President Obama’s embrace of his predecessor’s detention policies, he died neither as a convicted criminal serving a prison sentence for activities related to terrorism, nor as a prisoner of war protected by the Geneva Conventions. Até que chegue essa hora pessoas decentes estar-se-ão perguntando quem, em Guantánamo, será o próximo a morrer e refletindo em que, quaisquer os crimes alegados de Inayatullah, foi inadequado que, por causa da adoção, pelo Presidente Obama, das políticas de detenção de seu predecessor, ele tenha morrido nem como criminoso condenado cumprindo pena de prisão por atividades ligadas a terrorismo, nem como prisioneiro de guerra protegido pelas Convenções de Genebra.
The Obama administration cunningly dropped the use of the term “enemy combatant” in its legal dealings regarding the prisoners, but that is essentially what they remain, and if Inayatullah’s death were to be marked by words, he could, in all fairness, be described as follows: A administração Obama astuciosamente descartou o uso da expressão “combatente inimigo” em seus procedimentos legais em relação aos prisioneiros, mas isso é o que essencialmente estes continuam a ser, e devera a morte de Inayatullah ser celebrada por palavras, ele poderia, com toda a justiça, ser descrito como segue:
Inayatullah — enemy combatant: held and died without charge or trial, to America’s undying shame. Inayatullah — combatente inimigo: preso e morto sem acusação nem julgamento, para perene vergonha dos Estados Unidos.
Andy Worthington is the author of The Guantánamo Files: The Stories of the 774 Detainees in America’s Illegal Prison (published by Pluto Press) and serves as policy advisor to the Future of Freedom Foundation. Visit his website at: www.andyworthington.co.uk. Andy Worthington é autor de Os Arquivos de Guantánamo: As Histórias dos 774 Detentos da Prisão Ilegal dos Estados Unidos (publicado pela Pluto Press) e atua como conselheiro de políticas da Fundação Futuro de Liberdade. Visite o website dele em: www.andyworthington.co.uk.
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Andy Worthington is the author of The Guantánamo Files: The Stories of the 774 Detainees in America’s Illegal Prison (published by Pluto Press, distributed by Macmillan in the US, and available from Amazon — click on the following for the US and the UK) and of two other books: Stonehenge: Celebration and Subversion and The Battle of the Beanfield. To receive new articles in your inbox, please subscribe to my RSS feed (and I can also be found on Facebook and Twitter). Also see my definitive Guantánamo prisoner list, updated in July 2010, details about the new documentary film, “Outside the Law: Stories from Guantánamo” (co-directed by Polly Nash and Andy Worthington, and available on DVD here), my definitive Guantánamo habeas listthe chronological list of all my articles, and, if you appreciate my work, feel free to make a donation. Andy Worthington é autor de Os Arquivos de Guantánamo: As Histórias dos 774 Detentos da Prisão Ilegal dos Estados Unidos (publicado pela Pluto Press, distribuído pela Macmillan nos Estados Unidos, e disponível pela Amazon — clique nos seguintes para Estados Unidos e Reino Unido) e de outros dois livros: Stonehenge: Comemoração e Subversão e A Batalha de Beanfield. Para receber novos artigos em sua caixa de entrada por favor assine meu RSS feed (e também posso ser encontrado em Facebook e Twitter). Veja também minha lista definitiva de prisioneiros de Guantánamo, atualizada em julho de 2010, detalhes acerca do novo filme documentário, “Fora da Lei: Histórias de Guantánamo” (codirigida por Polly Nash e Andy Worthington, e disponível em DVD aqui), minha lista definitiva de habeas de Guantánamo e a lista cronológica de todos os meus artigos, e, se você aprecia meu trabalho, sinta-se à vontade para fazer uma doação.

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