Thursday, March 17, 2011

FFF - Commentaries - Obama Turns the Clock Back on Guantánamo

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COMMENTARIES COMENTÁRIOS
Obama Turns the Clock Back on Guantánamo
by Andy Worthington, March 10, 2011
Obama Faz Recuar o Relógio No Tocante a Guantánamo 
por Andy Worthington, 10 de março de 2011
Those of us who have been studying Guantánamo closely were not surprised when, on March 7, President Obama announced that he was lifting a ban on trials by military commission at Guantánamo, which he imposed on his first day in office in January 2009, and also issued an executive order establishing a periodic review of the cases of prisoners recommended for continued indefinite detention without charge or trial by the Guantánamo Review Task Force, a group of 60 officials and lawyers, from government department and the intelligence agencies, who reviewed all the Guantánamo cases in 2009. Aqueles dentre nós que vimos estudando Guantánamo de perto não ficamos surpresos quando, em 7 de março, o Presidente Obama anunciou estar revogando proibição de julgamentos por meio de comissões militares em Guantánamo, por ele imposta em seu primeiro dia no cargo em janeiro de 2009, e também emitiu decreto-lei estabelecendo revisão periódica dos casos de prisioneiros com recomendação de detenção continuada por tempo indefinido sem acusação ou julgamento, pela Força-Tarefa de Revisão de Guantánamo, grupo de 60 autoridades e advogados de departamentos do governo e de órgãos de inteligência que revisou todos os casos de Guantánamo em 2009.
Neither was surprising, because the president announced in May 2009, during a major speech on national security at the National Archives, that the military commissions were back on the table, joining federal court trials as an option for trying those held at Guantánamo, and in that same speech he also announced that some prisoners would continue to be held indefinitely without charge or trial. Nenhuma dessas duas medidas foi surpreendente porque o presidente anunciara, em maio de 2009, durante importante discurso referente a segurança nacional nos Arquivos Nacionais que as comissões militares estavam de em discussão, somando-se aos julgamentos em tribunal federal como opção para julgamento dos presos em Guantánamo, e naquele mesmo discurso anunciou também que alguns dos prisioneiros continuariam a ser mantidos presos indefinidamente sem acusação ou julgamento.
The return of the military commissions A volta das comissões militares
Since then, military commissions already established under President Bush have proceeded to trial — or, in fact, to plea deals instead of a trial — in the cases of three prisoners: Ibrahim al-Qosi in July last year, Omar Khadr in October, and Noor Uthman Muhammed last month, and it seems probable that the trials of three other men recommended for trial by military commission in November 2009 and January 2010 by Attorney General Eric Holder will now proceed swiftly. Desde então, comissões militares já criadas no tempo do Presidente Bush lograram julgar — ou, em verdade, firmar acordos em vez de julgamento — os casos de três prisioneiros: Ibrahim al-Qosi em julho do ano passado, Omar Khadr em outubro, e Noor Uthman Muhammed no mês passado, e parece provável que o julgamento de outros três homens com recomendação de julgamento por comissão militar em novembro de 2009 e janeiro de 2010 pelo Ministro da Justiça Eric Holder agora terá lugar rapidamente.
These men are: Abd al-Rahim al-Nashiri, a Saudi, and the alleged mastermind of the al-Qaeda attack on the USS Cole in 2000; Ahmed al-Darbi, a Saudi seized in Azerbaijan and accused of involvement in an unrealized plot to attack a ship in the Strait of Hormuz; and Obaidullah, an Afghan accused of playing a peripheral role in the insurgency against U.S. forces in Afghanistan. All the cases have problems — Darbi’s, because of his detailed allegations that he was subjected to torture; Obaidullah’s, because he was a nobody involved in an insurgency and did nothing that could remotely be described as a war crime; and al-Nashiri, in particular, because, after his capture in the UAE in the fall of 2002, he was rendered to secret CIA prisons in Thailand and Poland, where he was subjected to the torture technique known as waterboarding, a form of controlled drowning. Esses homens são: Abd al-Rahim al-Nashiri, saudita e alegadamente mentor do ataque contra o USS Cole, pela al-Qaeda, in 2000; Ahmed al-Darbi, saudita capturado no Azerbaijão acusado de envolvimento em conluio não consumado para atacar navio no Estreito de Ormuz; e Obaidullah, afegão acusado de desempenhar papel periférico na insurgência contra forças dos Estados Unidos no Afeganistão. Todos esses casos apresentam problemas — o de Darbi por causa suas detalhadas alegações de ter sido submetido a tortura; o de Obaidullah por ter sido um ninguém envolvido em insurgência sem nada ter feito que pudesse mesmo remotamente ser descrito como crime de guerra; e o de al-Nashiri, em particular, porque, depois de sua captura nos Emirados Árabes Unidos no outono de 2002, foi encaminhado para prisões secretas da CIA na Tailândia e na Polônia, onde submetido à técnica de tortura conhecida como waterboarding, forma de afogamento controlado.
In the cases of al-Darbi and Obaidullah, it seems probable that the administration will avoid, in one case, a torture-laced legal minefield, and in the other, a demonstration of how, embarrassingly, to equate the pursuit of terrorists with a legitimate insurgency, by reaching plea deals. However, it seems unlikely that anyone in a position of authority would want to strike plea deal with al-Nashiri, given the severity of his alleged crimes and his alleged role in al-Qaeda, and if this is the case then the authorities will not only be obliged to sidestep any mention of his torture, which may be difficult as it was covered in the CIA Inspector General’s report on torture in 2004, and al-Nashiri has also been granted “victim” status in an ongoing investigation of the CIA’s torture prison in Poland. Nos casos de al-Darbi e Obaidullah, parece provável que a administração evitará, num caso, um campo minado jurídico relacionado com tortura e, no outro, revelar, constrangedoramente, igualar a perseguição a terroristas com insurgência legítima, ao fazer acordos. Contudo, parece improvável que qualquer pessoa em posição de autoridade deseje fechar acordo com al-Nashiri, dada a gravidade de seus pretensos crimes e seu pretenso papel na al-Qaeda, e se assim for as autoridades ver-se-ão em situação de ter de evitar qualquer menção à tortura dele, o que poderá ser difícil visto esta ter sido incluída no relatório do Inspetor Geral da CIA acerca de tortura em 2004, e visto ter sido também concedida a condição de “vítima” a al-Nashiri em investigação em andamento acerca da prisão de tortura da CIA na Polônia.
Just as significant is the fact that an actual trial — rather than a plea deal — runs the very real risk of exposing that the supposed war crimes included in the military commissions — conspiracy and providing material support to terrorism, for example — are not legitimate war crimes at all, but were, instead, invented by Congress in 2006 and maintained, despite high-level criticism by Obama administration officials, when a revived version of the commissions was approved by Congress in the Military Commissions Act of 2009. Igualmente importante é o fato de um julgamento real — e não um acordo — correr o risco muito concreto de expor que os supostos crimes de guerra incluídos nas comissões militares — conspiração e fornecimento de suporte material ao terrorismo, por exemplo — não serem em absoluto crimes legítimos, e sim, em vez disso, inventados pelo Congresso em 2006 e mantidos, a despeito de críticas de autoridades de alto nível da administração Obama, quando uma versão revivescida das comissões foi aprovada pelo Congresso na Lei das Comissões Militares de 2009.
Beyond these difficulties, where Obama’s announcement breaks new ground is in opening up the probability that many of the other 30 prisoners still held who were recommended for trials by the Task Force will also be tried by military commission — perhaps even Khalid Sheikh Mohammed and four other men accused of involvement in the 9/11 attacks. These men were put forward for federal court trials in November 2009, but the plans were shelved in the wake of a backlash by Republicans and members of Obama’s own party. Além dessas dificuldades, onde o anúncio de Obama avança em terreno novo é na inauguração da probabilidade de muitos dos outros 30 prisioneiros ainda mantidos com recomendação da Força-Tarefa para serem levados a julgamento serem também julgados por meio de comissão militar — talvez até Khalid Sheikh Mohammed e outros quatro homens acusados de envolvimento nos ataques do 11 de setembro. Esses homens tiveram propostos julgamentos em tribunais federais em novembro de 2009, mas os planos foram engavetados na esteira de forte reação dos Republicanos e de membros do próprio partido de Obama.
Personally, I think that the military commissions remain illegitimate, but given Congress’s refusal to allow any Guantánamo prisoners to be brought to the U.S. mainland to face trials (which was included in a major military defense spending bill last December, and was a nakedly political move, as well as being blatantly unconstitutional), military commissions are, at present, the only option for trials available to the prisoners. Pragmatically, if these continue to involve plea deals in exchange for short sentences — and the administration honors those plea deals — then, despite being fundamentally flawed, they provide what may be the only way in which prisoners can ever leave Guantánamo. Pessoalmente acho que as comissões militares continuam ilegítimas mas, dada a recusa do Congresso de permitir que qualquer prisioneiro de Guantánamo seja levado para o continente dos Estados Unidos para enfrentar julgamento (incluída em importante projeto de lei de defesa militar em dezembro último, óbvia manobra política além de flagrantemente inconstitucional), as comissões militares são, no momento, a única opção de julgamento disponível para os prisioneiros. Pragmaticamente, se continuarem a envolver acordos em troca de sentenças curtas — e a administração cumpre esses acordos — então, a despeito de serem fundamentalmente defectivas, proporcionam o que poderá ser o único modo de prisioneiros poderem sair de Guantánamo.
To understand why this is the case, it is necessary to reflect on the fact that 89 of the remaining 172 prisoners were cleared for release by the Task Force, but are going nowhere either because they are Yemenis, and Obama issued a moratorium on the release of any of the 58 cleared Yemenis last January, after it was discovered that the failed Christmas Day plane bomber, Umar Farouk Abdulmutallab, had been recruited in Yemen, or because they cannot be repatriated because they face the risk of torture or other ill-treatment in their home countries. These 31 men cannot be resettled in the United States because of opposition by the president, by the D.C. Circuit Court, and by Congress, and it is uncertain if third countries will be prepared to offer them new homes. As a result, all 89 prisoners appear to have less chance of leaving Guantánamo than their fellow prisoners who reach plea deals in their trials by military commission, and can, as I have been explaining all year, be legitimately be described as political prisoners. Para entender por que é assim, é necessário refletir no fato de 89 dos 172 prisioneiros restantes terem sido liberados para libertação pela Força-Tarefa, sem contudo irem a parte alguma, ou pelo fato de serem iemenitas, e Obama ter emitido moratória concernente à libertação de qualquer dos 58 iemenitas liberados em janeiro último, depois de ter sido descoberto que o fracassado explodidor de bomba em avião do dia de Natal, Umar Farouk Abdulmutallab, tinha sido recrutado no Iêmen, ou por não poderem ser repatriados por causa de risco de tortura ou maus tratos em seus países de residência. Esses 31 homens não podem ser reacomodados nos Estados Unidos por causa de oposição do presidente, do Tribunal de Circuito do D.C., e do Congresso, e é incerto se terceiros países estarão dispostos a oferecer-lhes novos lares. Em decorrência, parece que todos os 89 prisioneiros têm menos chance de sair de Guantánamo do que seus colegas prisioneiros que conseguem acordos em seus julgamentos pelas comissões militares, e podem, como tenho explicado o ano todo, ser legitimamente descritos como prisioneiros políticos.
Indefinite detention at Gitmo Detenção por tempo indefinido em Gitmo
Also less fortunate than those facing trials by military commission are the 47 men designated for indefinite detention without charge or trial. The executive order formalizing their detention and providing for periodic reviews of their status, which was issued on March 7, was flagged up before Christmas, but was clearly on the cards from January 2010, when the Task Force submitted its report to the president, recommending that 48 of the remaining prisoners — one of the 48 died in Guantánamo last month — should continue to be held indefinitely without charge or trial because “prosecution is not feasible in either federal court or a military commission.” Também menos afortunados do que aqueles que enfrentam julgamento por comissão militar são os 47 homens aos quais atribuída detenção por tempo indefinido sem acusação ou julgamento. O decreto-lei formalizador de sua detenção e proporcionador de revisões periódicas de sua condição, emitido em 7 de março, foi mencionado antes do Natal, mas claramente exibia muita probabilidade de acontecer a partir de janeiro de 2010, quando a Força-Tarefa submeteu seu relatório ao presidente, recomendando que 48 dos prisioneiros remanescentes — um dos 48 morreu em Guantánamo no mês passado — deveriam continuar a ser mantidos presos indefinidamente sem acusação ou julgamento porque “não é factível ação nem em tribunal federal nem em comissão militar.”
There are several problems with this proposal, of course — beyond their distressing reinforcement of the very basis on which George W. Bush established Guantánamo in the first place — not the least of which concerns the Task Force’s belief that these men can be regarded as dangerous without evidence that can be used to prove their case. As I explained in December: Há naturalmente diversos problemas nessa proposta — além de seu desanimador reforço da própria base sobre a qual George W. Bush, antes de tudo, estabeleceu Guantánamo — não sendo a menor das preocupações a crença da Força-Tarefa de que esses homens podem ser vistos como perigosos sem evidência que possa ser usada para provar sua argumentação. Como expliquei em dezembro:
The Task Force attempted to explain that “the principal obstacles to prosecution in the cases deemed infeasible by the Task Force typically did not stem from concerns over protecting sensitive sources or methods from disclosure, or concerns that the evidence against the detainees was tainted,” but its explanations were unconvincing. Behind claims that “the intelligence about them may be accurate and reliable,” even though it was gathered in dubious circumstances, and that, in many cases, “there are no witnesses who are available to testify in any proceedings against them,” lies a blunter truth, as I explained [in an analysis of the Task Force’s report in June 2010]: “that the intelligence, and whatever witness availability there might be, are both tainted by the circumstances under which ‘the gathering of intelligence’ took place — the coercive interrogations, and in some cases the torture, of the prisoners themselves, or of their fellow prisoners.”
A Força-Tarefa tentou explicar que “os principais obstáculos a processo nos casos considerados impraticáveis pela Força-Tarefa normalmente não derivam de preocupações com proteção de fontes sensíveis ou métodos de obtenção de informações, ou de preocupações de a evidência contra os detentos estar maculada,” mas suas explicações não foram convincentes. Por trás de asseverações de que “a inteligência acerca deles poderá ser acurada e fidedigna,” embora obtida em circunstâncias duvidosas, e de que, em muitos casos, “não há testemunhas disponíveis para depor em quaisquer procedimentos com eles relacionados,” assenta-se uma verdade mais crua, como expliquei [numa análise do relatório da Força-Tarefa em junho de 2010]: “que a inteligência, e qualquer disponibilidade de testemunha que pudesse haver, estão ambas conspurcadas pelas circunstâncias nas quais ‘a obtenção de inteligência’ teve lugar — os interrogatórios coercitivos e, em alguns casos, a tortura dos próprios prisioneiros ou de prisioneiros seus colegas.”
To demonstrate this, I referred to the 59 habeas petitions examined by judges in the District Court in Washington D.C., in which 38 have been won by the prisoners, noting: Para mostrar isso, referi-me às 59 petições de habeas examinadas por juízes no Tribunal Distrital de Washington D.C., das quais 38 foram decididas em favor dos prisioneiros, observando:
[T]hese problems have been highlighted again and again by judges, with an objectivity that eluded the Task Force — as, for example, in the cases of Fouad al-Rabiah, a Kuwaiti put forward by President Bush for a trial by military commission, who was freed after a judge ruled that the entire case against him rested on a false narrative that he had come up with after torture and threats, and, to cite just two more examples, Alla Ali Bin Ali Ahmed, a Yemeni seized in a student guest house in Pakistan, and Mohammed El-Gharani, a Chadian national, who was just 14 when he was seized in a raid on a mosque in Pakistan. In both cases, they were freed after judges ruled that the government’s witnesses -- the men’s fellow prisoners — were irredeemably unreliable, and were, if not subjected to violence, then bribed to produce false statements.
[E]sses problemas foram nova e novamente postos em destaque pelos juízes, com uma objetividade que desconcertou a Força-Tarefa — como, por exemplo, nos casos de Fouad al-Rabiah, cueitiano objeto de recomendação do Presidente Bush para ser julgado por comissão militar, libertado depois de um juiz decidir que toda a argumentação contra ele assentava-se numa falsa narrativa a que ele recorreu depois de tortura e ameaças e, para citar apenas mais dois exemplos, Alla Ali Bin Ali Ahmed, iemenita capturado numa pensão para estudantes no Paquistão, e Mohammed El-Gharani, cidadão do Tchad, com apenas 14 anos quando capturado numa incursão numa mesquita no Paquistão. Em ambos os casos eles foram libertados depois de juízes decidirem que as testemunhas do governo -- prisioneiros colegas desses homens — eram irremediavelmente indignas de confiança e haviam sido, se não submetidas a violência, subornadas para proferir afirmações falsas.
It is, therefore, rather disingenuous of the Task Force to claim that “the principal obstacle to prosecution” for these [47] men “typically did not come from … concerns that the evidence against the detainee[s] was tainted,” when, to be frank, the record is replete with examples proving the opposite. É, pois, bastante insincero da Força-Tarefa alegar que “o principal obstáculo a processo” no tocante a esses [47] homens “normalmente não ter derivado de ... preocupações de a evidência contra o detento(s) estar viciada,” quando, para sermos francos, o histórico está repleto de exemplos provando o contrário.
Another problem is that the executive order establishes a review process for the 47 men, consisting of Periodic Review Boards (PRBs), which are remarkably similar to the review process established by the Bush administration — the Combatant Status Review Tribunals (CSRTs) — that the Supreme Court found inadequate when it recognized the prisoners’ constitutionally guaranteed habeas corpus rights in June 2008. Outro problema é o decreto-lei criar um processo de revisão para os 47 homens consistente em Juntas de Revisão Periódica (PRBs), notavelmente similares ao processo de revisão criado pela administração Bush — os Tribunais de Revisão da Condição de Combatente (CSRTs) — que o Supremo Tribunal julgou inadequados ao reconhecer, em junho de 2008, os direitos de habeas corpus constitucionalmente garantidos aos prisioneiros.
As with the CSRTs, the men will be presented with an unclassified summary of the allegations against them, will be represented by a “personal representative” (not a lawyer), will be allowed to refute the charges against them (although without the means to do so), will be able to “call witnesses who are reasonably available,” and will also run up against classified evidence that they will not be allowed to see — although there is a provision for them to “receive a sufficient substitute or summary, rather than the underlying information,” if the government plans to rely on classified evidence (as it undoubtedly will, or trials would be going ahead in these cases). Como no caso dos CSRTs, aos homens será apresentado sumário, não classificado, das alegações contra eles, serão representados por um “representante pessoal” (não por advogado), terão permissão de refutar as acusações contra eles (embora sem os meios para fazê-lo), poderão “chamar testemunhas que estejam disponíveis de modo razoável,” e também terão contra si evidência classificada que não terão permissão de ver — embora haja cláusula no sentido de “receberem substituto ou sumário suficiente, em vez da informação subjacente,” se o governo planejar basear-se em evidência secreta (como indubitavelmente fará, pois caso contrário os julgamentos, nesses casos, iriam adiante).
Although I am reassured that, as the administration describes it, the executive order “is intended solely to establish, as a discretionary matter, a process to review on a periodic basis the executive branch’s continued, discretionary exercise of existing detention authority in individual cases,” and also that it “does not create any additional or separate source of detention authority,” and “does not affect the scope of detention authority under existing law,” it is disingenuous of the administration to follow up by stating, “Detainees at Guantánamo have the constitutional privilege of the writ of habeas corpus, and nothing in this order is intended to affect the jurisdiction of Federal courts to determine the legality of their detention.” Embora eu seja tranquilizado quanto a, como a administração descreve, o decreto-lei “pretender unicamente estabelecer, como matéria discricionária, um processo de revisão, em base periódica, do exercício continuado e discricionário do poder executivo da atual autoridade de detenção em casos individuais,” e também quanto a ele “não criar qualquer fonte adicional ou separada de autoridade de detenção,” e “não afetar a abrangência da autoridade de detenção sob a lei atual,” é insincero da administração continuar, asseverando que “Os detentos de Guantánamo têm o privilégio constitucional do mandado de habeas corpus, e nada neste decreto-lei visa a afetar a jurisdição dos tribunais federais para determinarem a legalidade da detenção deles.”
This is because, despite its reassurances, the administration has always behaved as though the habeas legislation is a distraction, and it has only ever believed in the Task Force’s findings — hence its decision to pre-judge 48 men whose habeas petitions might have delivered different outcomes, obviating the need for executive review. Isso porque, a despeito de suas reafirmações, a administração sempre comportou-se como se a legislação de habeas corpus fosse um distúrbio, e sempre acreditou somente nas conclusões da Força-Tarefa — daí sua decisão de prejulgar 48 homens cujas petições de habeas corpus poderiam ter levado a resultados diferentes, obviando a necessidade de revisão pelo executivo.
In addition, the executive order demonstrates another fundamental problem with the administration’s approach to Guantánamo — and one that has also eluded the District Court dealing with the men’s habeas petitions. This relates to the legislation that underpins the Guantanamo detentions in the first place — the Authorization for Use of Military Force, passed by Congress the week after the 9/11 attacks, which authorized the president “to use all necessary and appropriate force against those nations, organizations, or persons he determines planned, authorized, committed, or aided the terrorist attacks that occurred on September 11, 2001,” or harbored them, but failed to distinguish between al-Qaeda (a terrorist group) and the Taliban (a government, however reviled). Além disso, o decreto-lei mostra outro problema fundamental na abordagem da administração a Guantánamo — e um que também passou batido no Tribunal Distrital que tratou das petições de habeas daqueles homens. Diz respeito, antes de tudo, à legislação que ampara as detenções em Guantánamo — a Autorização para Uso da Força Militar - AUMF, aprovada pelo Congresso na semana posterior aos ataques do 11/9, a qual autorizou o presidente “a usar toda força indispensável e adequada contra aquelas nações, organizações ou pessoas que ele determinar planejaram, autorizaram, cometeram ou auxiliaram os ataques terroristas que ocorreram em 11 de setembro de 2001,” ou os abrigaram, mas deixou de distinguir entre a al-Qaeda (grupo terrorista) e o Talibã (um governo, por mais vilipendiado que fosse).
As the habeas legislation has showed, the majority of the men who have lost their petitions are nothing more than foot soldiers for the Taliban, who had no knowledge of al-Qaeda’s international terrorist operations, and who should, as a result, have been held as prisoners of war protected by the Geneva Conventions. Como a legislação de habeas já mostrou, a maioria dos homens que perdeu em sua petição é formada de nada mais do que soldados rasos do Talibã, sem conhecimento das operações terroristas internacionais da al-Qaeda, os quais portanto, em decorrência, deveriam ter sido mantidos como prisioneiros de guerra protegidos pelas Convenções de Genebra.
Included in the 47 men designated for indefinite detention, these soldiers remain tainted by the administration’s claims that they are “too dangerous to release,” when the truth is that the AUMF remains the flawed foundation document of the “war on terror,” and those held at Guantánamo should either be released (without delay), charged in connection with terrorist offenses (which are crimes and not “acts of war”), or re-designated as prisoners of war, who can be held until the end of hostilities. Incluídos entre os 47 homens assinalados para detenção por tempo indefinido, esses soldados permanecem maculados pelas asseverações da administração de serem “perigosos demais para ser soltos,” quando a verdade é que a AUMF permanece sendo o documento falho de fundamento da “guerra contra o terror,” e aqueles que estão presos em Guantánamo deveriam ou ser libertados (sem demora), acusados em conexão com ofensas terroristas (que são crimes e não “atos de guerra”), ou reassinalados como prisioneiros de guerra, que podem ser mantidos presos até o fim das hostilidades.
This, however, would involve recognizing them as soldiers, and not as the kind of shadowy, ill-defined terrorist threats that were invoked so successfully by the Bush administration, and that Obama has done nothing to dispel. This refusal to tackle the foundational problems of Guantánamo not only continues to fuel hysteria in the United States about the soldiers held in Guantánamo, but has also led to a shameful indifference towards putting on trial the handful of people genuinely accused of involvement in acts of international terrorism (including the 9/11 attacks), even though bringing these men to justice ought to have been the purpose of the “war on terror” all along. Isso, todavia, envolveria reconhecê-los como soldados, e não como a espécie de ameaça tenebrosa e maldefinida tão bem-sucedidamente invocada pela administração Bush, e que Obama nada fez para dissipar. Essa recusa de enfrentar os problemas dos fundamentos de Guantánamo não apenas continua a alimentar histeria nos Estados Unidos acerca dos soldados mantidos presos em Guantánamo como, também, tem levado a vergonhosa indiferença acerca de levar a julgamento o punhado de pessoas genuinamente acusadas de envolvimento em atos de terrorismo internacional (inclusive os ataques do 11/9), embora levar esses homens à justiça devesse ter sido o propósito da “guerra contra o terror” o tempo todo.
From www.andyworthington.co.uk : De www.andyworthington.co.uk :
Andy Worthington is the author of The Guantánamo Files: The Stories of the 774 Detainees in America’s Illegal Prison (published by Pluto Press, distributed by Macmillan in the US, and available from Amazon — click on the following for the US and the UK) and of two other books: Stonehenge: Celebration and Subversion and The Battle of the Beanfield. To receive new articles in your inbox, please subscribe to my RSS feed (and I can also be found on Facebook and Twitter). Also see my definitive Guantánamo prisoner list, updated in July 2010, details about the new documentary film, “Outside the Law: Stories from Guantánamo” (co-directed by Polly Nash and Andy Worthington, and available on DVD here), my definitive Guantánamo habeas listthe chronological list of all my articles, and, if you appreciate my work, feel free to make a donation. Andy Worthington é autor de Os Arquivos de Guantánamo: As Histórias dos 774 Detentos da Prisão Ilegal dos Estados Unidos (publicado pela Pluto Press, distribuído pela Macmillan nos Estados Unidos, e disponível pela Amazon — clique nos seguintes para Estados Unidos e Reino Unido) e de outros dois livros: Stonehenge: Comemoração e Subversão e A Batalha de Beanfield. Para receber novos artigos em sua caixa de entrada por favor assine meu RSS feed (e também posso ser encontrado em Facebook e Twitter). Veja também minha lista definitiva de prisioneiros de Guantánamo, atualizada em julho de 2010, detalhes acerca do novo filme documentário, “Fora da Lei: Histórias de Guantánamo” (codirigida por Polly Nash e Andy Worthington, e disponível em DVD aqui), minha lista definitiva de habeas de Guantánamo e a lista cronológica de todos os meus artigos, e, se você aprecia meu trabalho, sinta-se à vontade para fazer uma doação.

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