Saturday, March 5, 2011

C4SS - Romans 13: Ordained by Sin, Ordered by Love

http://c4ss.org/content/6165
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building awareness of the market anarchist alternative
no despertamento da consciência da alternativa anarquista de mercado

Romans 13: Ordained by Sin, Ordered by Love

By Ricardo Rodriguez and Brennan Lester

Romanos 13: Instituído pelo Pecado, Posto em Ordem pelo Amor

Por Ricardo Rodriguez e Brennan Lester
Posted by Brennan Lester on Feb 17, 2011 in Feature Articles
Postado por Brennan Lester em 17 de fevereiro de 2011 em Artigos em Destaque
There it began – the Roman Emperor Theodosius I signed the decree, and all of Rome was coerced into Christianity. Ever since then, as economist Ludwig von Mises notes very well, Christianity has never been able to put down the sword on a large scale.[1] For politics eats away at a man – the politicization of something profoundly changes a man and his ideologies. Politics has changed Christendom as well – deeply and profoundly – and the end result is contradictions, as well as complete alienation. Romans 13, history shows, has been a central tenet of this politicization much like the tribute episode that was treated last time. Romans 13, however, by being interpreted with the intent of supporting the State, or seeing Christianity as supporting the State, lends itself as such to contradictions, alienation, misinterpretation, and most definitely mistranslation.
Lá começou – o imperador romano Teodósio I assinou o decreto, e todo mundo em Roma foi obrigado a tornar-se cristão. Desde então, como observa muito bem o economista Ludwig von Mises, o cristianismo nunca mais conseguiu depor a espada em larga escala.[1] Pois a política consome os homens – a politização de algo modifica profundamente o homem e suas ideologias. A política mudou também a cristandade – funda e profundamente – e o resultado final é contradições, bem como completa alienação. Romanos 13, mostra-o a história, tem sido credo central dessa politização, de modo muito análogo ao do episódio da tributação do qual tratamos da última vez. Romanos 13, entretanto, ao ser interpretado na intenção de apoiar o estado, ou de ver o cristianismo apoiando o estado, leva nessa medida a contradições, alienação, erros de interpretação e, mais inquestionavelomente, má tradução.
One should keep in mind how crucial this text is for the Christian anarchist – one cannot escape discussion of its contents when talking about anything involving Christian anarchism. Further, the anarchist movement is not very fond of it, and for very good reasons – it has been used for the Divine Right of Kings,[2] as well as the Christian Right for justifying government.[3] Monarch King James I called on its authority when he wrote in Chapter 20 of his Works (1609) that “[t]he state of monarchy is the supremest thing upon earth; for kings are not only God’s lieutenants upon earth, and sit upon God’s throne, but even by God himself are called ‘gods.’” Similarly, and more recently, US evangelical John MacArthur wrote that the principle of subjugation to governing authorities is “unqualified, unlimited, and unconditional… [t]he text makes no distinction between good rulers and bad rulers, or fair laws and unfair laws”: all the same “[e]very one of us should get in line to submit to those who are commanding us”[4]. It is not a pretty sight – the anarchist movement is very well justified in being naturally alienated away from really existing Christianity as a result. However, this alienation is not at all substantiated by the actual facts, and much to the movement’s detriment, as will be explained in detail before the end of our analysis.
Deve-se ter em mente o quanto esse texto é crucial para o anarquista cristão – não há como escapar da discussão de seu teor ao se falar de qualquer coisa envolvendo o anarquismo cristão. Ademais, o movimento anarquista não o tem em alta estima, e por muitos bons motivos – ele foi usado para o Direito Divino dos Reis,[2] bem como pela Direita Cristã para justificar o governo.[3] O monarca rei James I invocou sua autoridade ao escrever, no capítulo 20 de suas Obras (1609), que “[o] estado de monarquia é a mais suprema coisa sobre a Terra; pois os reis são não apenas lugares-tenentes de Deus na Terra, sentendo-se no trono de Deus, mas até pelo próprio Deus são chamados de ‘deuses.’” Similarmente, e mais recentemente, o pregador evangélico estadunidense John MacArthur escreveu que o princípio de submissão às autoridades governantes é “não qualificado, ilimitado e incondicional… [o] texto não faz distinção entre bons e maus governantes, ou leis justas e injustas”: indistintamente “[t]odos nós deveríamos por-nos em fila para submeter-nos àqueles que nos estejam comandando”[4]. Não é uma visão atraente – em decorrência, o movimento anarquista tem ampla justificativa para estar naturalmente alienado do cristianismo existente na prática. Entretanto, essa alienação não é, em absoluto, apoiada pelos fatos reais, e muito em detrimento do movimento, como será explicado em detalhe antes do final de nossa análise.
This interpretation created great hostility for Christianity in most anarchist circles throughout history, regarding the State and religion as one beast— that one cannot have church without state, that both are part of the same enslaving principle— perhaps most famously expressed by Mikhail Bakunin when he wrote, “[t]here is not, there cannot be, a State without a religion”[5], that under Christianity, “all men owe [the "legislators inspired by God himself"] passive and unlimited obedience; for against the divine reason there is no human reason… Slaves of God, men must also be slaves of Church and State, in so far as the State is consecrated by the Church” (emphasis Bakunin’s) — “his existence necessarily implies the slavery of all that is beneath him,” [6] and as such offered the now infamous inversion, “if God really existed, it would be necessary to abolish him.”[7] This opinion has been widely adopted by anarchists of most stripes, such as Benjamin Tucker, who translated Bakunin’s God and the State for English audiences and the criticism of religion by egoist Max Stirner.[8]
Essa interpretação criou grande hostilidade em relação ao cristianismo na maioria dos círculos anarquistas ao longo da história, que viram o estado e a religião como uma só besta — a ideia de que não se pode ter igreja sem estado, ambos parte do mesmo princípio escravizador — talvez mais famosamente expressa por Mikhail Bakunin quando escreveu: “[n]ão há, não pode haver estado sem religião”[5], pois que, sob o cristianismo, “todos os homens devem [sendo os "legisladores inspirados pelo próprio Deus"] obediência passiva e ilimitada; pois contra a razão divina não existe razão humana… Escravos de Deus, os homens precisam também ser escravos da igreja e do estado, na medida em que o estado é consagrado pela igreja” (ênfase de Bakunin) — “a existência dele implica necessariamente na escravização de tudo o que está abaixo dele,” [6] e nessa medida ofereceu a hoje famosa inversão, “se Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo.”[7] Essa opinião foi amplamente aceita por anarquistas da maioria dos vieses, como Benjamin Tucker, que traduziu Deus e o Estado de Bakunin para públicos falantes de inglês e pela crítica da religião do egoísta Max Stirner.[8]
Not only has it enraged atheists, but it has also caused scorn among Christian anarchists; most notably Leo Tolstoy, in his 1882 work “Church and State,” who asserts that Christianity “excludes the external worship of God [rulers and statesmanship]” and “positively repudiates mastership” but says that the link between the State and Christianity is a deviation and that “[t]his deviation begins from the times of the Apostles and especially from that hankerer after mastership Paul.”[9] This criticism is also echoed by figure of great significance to anarchist and modernist thought, though not an anarchist himself, Friedrich Nietzsche in The Antichrist who criticized the Apostles, and namely Paul, for falsifying the history of Christianity, Israel, and mankind for his purposes.[10] But this is all due to a lack of proper understanding, both the rejection of Christianity itself and the rejection of Paul’s message in the book of Romans by the anarchists is of detriment to a fuller understanding of Scripture, an understanding that this paper will assert comes to the aid of anarcho-pacifism, and rejects the notion of allegiance to a State ostensibly ordained by God.
Não apenas enraiveceu os ateus, mas também foi objeto de desdém por anarquistas cristãos; mais notavelmente Leo Tolstoy, em sua obra de 1882 “Igreja e Estado,” que assevera que o cristianismo “exclui a adoração externa de Deus [governantes e estadistas]” e “repudia francamente o senhorio” mas diz que o elo entre estado e cristianismo é um desvio e que “[e]sse desvio começa no tempo dos apóstolos e especialmente com aquele ávido por senhorio, Paulo.”[9] Essa crítica tem eco em figuras de grande importância para o pensamento anarquista e modernista; embora ele próprio não anarquista, Friedrich Nietzsche, em O Anticristo, criticou os apóstolos, e especificamente Paulo, por falsificar a história do cristianismo, de Israel, e do gênero humano para seus propósitos.[10] Tudo isso, porém, deve-se a falta de entendimento adequado: tanto a rejeição do cristianismo em si quanto da mensagem de Paulo no livro dos Romanos pelos anarquistas vem em detrimento de entendimento mais pleno da Escritura, entendimento que este texto afirmará vir em favor do anarcopacifismo, e que rejeitará a noção de lealdade a um estado pretensamente instituído por Deus.
What we intend in doing, then, is to take the Greek text of the verses, and begin translating and giving analysis of the passage.[11] We do not intend to critique other interpretations per se, as literature exists or will exist that does this better than we can. (see the “Further Reading” section) Rather, our intent is to show a historical-grammatical interpretation of the text – that in which necessarily ends at a position of Christian anarcho-pacifism – and attempts to to a conclusion immense both in its strength as well as its general cohesion. A theological analysis of a text is never perfect, but we do intend it to be strong enough to persuade another to get rid of their views that to be Christian must necessarily mean to support a State ordained by God.
O que pretendemos fazer, pois, é tomar o texto grego dos versículos e começar a traduzi-los e a analisar a passagem.[11] Não pretendemos criticar outras interpretações em si, visto já existir literatura, ou virá a existir, que faça isso melhor do que nós. (ver a secção de “Leituras Adicionais”) Antes, nosso intento é exibir uma interpretação histórica-gramatical do texto – a qual necessariamente desemboca numa posição de anarcopacifismo cristão – almejando conclusão imensa em sua força bem como em sua coesão geral. A análise teológica de um texto nunca é perfeita, mas pretendemos seja forte o bastante para persuadir outrem a abrir mão de seu ponto de vista de que ser cristão precisa necessariamente implicar em o cristão apoiar um estado ordenado por Deus.
One must start by making clear a few things. Romans 13 – as far as one can tell – was not written with any type of Stoic use in mind.[12] There is no exact metaphorical or allegorical way of looking about this text. In fact, some scholars consider Romans chapters 12-15 to be the “imperative” part of the book, as one can see by historical-grammatical analysis what Paul writes to the Christians.[13] Not only that, but this entire section of the book of Romans is written in such a manner that it is cohesive,[14] with each verse bound inextricably with the other; as a letter to Roman Christians, no fragment should be overlooked in analysis.[15]
Podemos começar tornando claras algumas coisas. Romanos 13 – tanto quanto se saiba – não foi escrito com qualquer tipo de uso estoico em mente.[12] Não há modo metafórico ou alegórico de considerar esse texto. Na verdade, alguns eruditos consideram Romanos capítulos 12-15 como a parte “imperativa” do livro, como se pode ver mediante análise histórica-gramatical do que Paulo escreve aos cristãos.[13] Não apenas isso, mas essa secção inteira do livro de Romanos é escrita de maneira coesiva,[14] com cada versículo ligado inextricavelmente ao outro; enquanto carta aos cristãos romanos, nenhum fragmento deve ser negligenciado na análise.[15]
It is therefore first important for us to notice Paul’s reiteration of Christ’s teachings of the Sermon on the Mount (Matt, 5:38-9, NIV) at the end of chapter 12: “Do not be overcome by evil, but overcome evil with good.” (Romans 12:21) To review the contents of Romans 13 without understanding Romans 12 is to strip away the context of the lessons preached— for at the heart of Romans 12 is the divine idea that the Christian must love one’s neighbor as one’s self, and to not resist evil with evil. It is not to love those you prefer to love but to even “[b]less those who persecute you; bless and do not curse.” (Romans 12:14) Those principles are the very foundation of Christ’s teachings, Christian pacifism, and Paul’s philosophy.
É pois primeiro importante para nós observar a reiteração, por Paulo, dos ensinamentos de Cristo no Sermão da Montanha (Mateus 5:38-9, NIV) no final do capítulo 12: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21) Examinar o teor de Romanos 13 sem entender Romanos 12 é extirpar o contexto das lições ensinadas— pois no cerne de Romanos 12 aninha-se a ideia divina de que o cristão tem de amar o próximo tanto quanto a si próprio, e não resistir ao mal com o mal. Não se trata de amar aqueles a quem se prefere amar, e sim até mesmo “[a]bençoai os que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis.” (Romanos 12:14) Esses princípios são o fundamento mesmo dos ensinamentos de Cristo, do pacifismo cristão, e da filosofia de Paulo.
And that leads us to Romans 13:1 (NIV), a line that seals the deal for most in favor of statism: “Let everyone be subject to the governing authorities, for there is no authority except that which God has established. The authorities that exist have been established by God.” It appears to be a dead end for the Christian— thus we must bow to the State. But this is not what it seems, as shown by John Howard Yoder’s treatment of the passage in his stellar The Politics of Jesus. To start, it is wise to view the text in its Greek form and work from there:
E isso nos leva a Romanos 13:1 (NIV), numa linha que induz a maioria para uma posição favorável ao estatismo: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram instituídas por Deus.” Parece ser um beco sem saída para o cristão— portanto temos de curvar-nos ao estado. Isso, porém, não é o que parece, como mostrado pelo tratamento dessa passagem por John Howard Yoder em seu primoroso A Política de Jesus. Para começar, convém recorrer ao texto em sua forma grega e trabalhar a partir daí:
Πσα ψυχ ξουσίαις περεχούσαις ποτασσέσθω. ο γρ στιν ξουσία ε μ π θεο, α δ οσαι π θεο τεταγμέναι εσίν:
Πσα ψυχ ξουσίαις περεχούσαις ποτασσέσθω. ο γρ στιν ξουσία ε μ π θεο, α δ οσαι π θεο τεταγμέναι εσίν:
One of the words one must concentrate on, even if one can’t read it, is τεταγμέναι, which is normally translated as “ordained” or “established” in the King James and New International Version. In actuality, the word is a perfect passive participle of the word τάσσω, which one can conclude means to “order”, to “arrange”, or to “put into place” more so than it is translated as “establish”, or “ordained”. This changes the underlying implication, for as we go back to Chapter 12, one reads:
Uma das palavras na qual é preciso concentrar-se, mesmo mesmo quando não saibamos como lê-la, é τεταγμέναι, normalmente traduzida como “ordenado” ou “estabelecido” na King James e na Nova Versão Internacional. Em realidade, essa palavra é particípio passivo perfeito da palavra τάσσω, podendo assim concluir-se significar “colocar em ordem”, “organizar”, ou “pôr em funcionamento” mais do que como é traduzida, “estabelecer”, ou “ordenado”. Isso modifica a implicação subjacente pois, ao voltarmos ao capítulo 12, lemos:
“Do not take revenge, my dear friends, but leave room for God’s wrath, for it is written: “It is mine to avenge; I will repay,” says the Lord.” Romans 12:19
“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.” Romanos 12:19
One can begin to see a point to what Paul is exemplifying – submit because God arranges and fixes all, because for a Christian, God is ultimately in control. One reads in Yoder:
Já podemos começar a ver um começo do que Paulo está exemplificando – submetam-se, porque Deus organiza e conserta tudo, porque, para o cristão, em última análise Deus está no controle. Lemos em Yoder:
“God is not said to create or institute or ordain the powers that be, but only to order them, to put them in order, sovereignty to tell them where they belong, what is their place. It is not as if there was a time when there was no government and then God made government through a new creative intervention; there has been hierarchy and authority and power since human society existed. Its exercise has involved domination, disrespect for human dignity, and real or potential violence ever since sin has existed. Nor is it that by ordering this realm God specifically, morally approves of what a government does. The sergeant does not produce the soldiers he drills; the librarian does not create nor approve of the book she or he catalogs and shelves. Likewise God does not take responsibility for the existence of the rebellious ‘powers that be’ or for their shape or identity; they already are. What the text says is that God orders them, brings them into line, providentially and permissively lines them up with divine purposes.” [16]
“Não se diz que Deus cria ou institui ou ordena os poderosos do dia, mas sim que apenas os organiza, os põe em ordem, soberano a enquadrá-los, a dizer qual é o lugar deles. Não é que, no passado, tenha existido uma época na qual não havia governo e em seguida Deus tenha criado o governo por meio de nova intervenção criadora; desde que a sociedade humana existe há hierarquia e poder. O exercício deles, desde a existência do pecado, vem envolvendo dominação, desrespeito pela dignidade humana e violência real ou em potencial. Nem é que, ao colocar em ordem especificamente essa dimensão, Deus aprove moralmente o que os governos façam. O sargento não cria os soldados que treina; o bibliotecário não cria ou aprova o livro que cataloga e coloca na prateleira. Assim também Deus não assume responsabilidade pela existência dos ‘poderosos do dia’ rebeldes nem por sua forma ou identidade; eles já existem. O que o texto diz é que Deus os põe em ordem, os coloca em linha, providencial e flexivelmente os enfileira com objetivos divinos.” [16]
One can see Yoder’s point verified in 1 Samuel 8, which is the first time a government is truly mentioned in the Bible, as well as Hosea 8:4.
Pode-se ver a ideia de Yonder em I Samuel 8, a primeira vez em que um governo é de fato mencionado na Bíblia, e bem assim em Oseias 8:4.
However, let us go back to the Greek analysis of Romans 13:1 – we are not quite finished examining the vocabulary, as there are some more crucial things we must keep in mind: ποτασσέσθω in particular also comes from τάσσω, but combined also with the word πο, which means “under”, which then leads itself to mean to be “ordered under”, in a sense of voluntary submission – rather than the common dogma of being told to do it because it is a commandment. This harks back a few sentences in the text to the text of Romans 12. This does not give any implication of an absolute obedience – rather a very conditional, voluntary obedience.
Contudo, voltemos à análise do texto grego de Romanos 13:1 – ainda não terminamos de examinar o vocabulário, visto haver outras coisas cruciais mais que temos de ter em mente: ποτασσέσθω em particular vem também de τάσσω, mas desta vez combinado com a palavra πο, que significa “sob”, o que portanto leva ao significado de ser “organizado sob”, num sentido de submissão voluntária – em vez do dogma comum de receber ordem de fazer algo por ser mandamento. Isso remete algumas sentenças do texto ao texto de Romanos 12. Não encerra nenhuma implicação de obediência absoluta – trata-se de obediência extremamente condicional e voluntária.
This obedience is fleshed out in the word ξουσίαι, which is translated as “authorities”. N.T. Wright and Clinton Morrison both point out profoundly that the authorities in which Paul mentions is not a clear distinction between earthly and heavenly.[17] This does not simply account for Paul, but one can see the pervasive nature in even Roman currency, where the denarius stated, “Tiberius Caesar, Worshipful Son of the God, Augustus.”[18] This incredible mix makes it a confounding word to translate. Further, more specific words like ρχα and δυνάμεις – “rulers” and “powers” respectively – can indicate one half behind the meaning of the word ξουσίαι, and should be examined carefully.
Essa obediência ganha substância na palavra ξουσίαι, traduzida como “autoridades”. N.T. Wright e Clinton Morrison destacam, ambos, profundamente, que Paulo, ao mencionar as autoridades, não estabelece distinção clara entre as terrenas e as celestiais.[17] Isso não se aplica apenas a Paulo, mas pode-se ver a natureza impregnadora até na moeda romana, com o denário declarando: “Tibério César, Filho de Deus Digno de Adoração, Augusto.”[18] Essa incrível mistura torna a tradução da palavra tendente a confusão. Ademais, palavras mais específicas como ρχα e δυνάμεις – “governantes” e “poderes” respectivamente – podem indicar imperfeitamente o significado da palavra ξουσίαι, e devem ser examinadas cuidadosamente.
One sees these rulers and powers in Romans 8:38-39, showing profound contempt for them. In this vein, Paul writes that Christ has “disarmed the rulers and authorities (ρχς and ξουσίας) and made a public spectacle of them, triumphing over them in it.”(Colossians 2:15) Paul never stops to show that nothing stands between the Christian and God [19] – the authorities are disarmed and rendered useless. This voluntary submission proves itself to be a profound expansion of what Paul wrote after – with the submission of authorities occurring due to the fact that God puts them in their place, that Jesus has disarmed and rendered the authorities ineffectual, that one should save revenge for God, and resist evil not with evil: “Do not take revenge, my dear friends, but leave room for God’s wrath, for it is written: ‘It is mine to avenge; I will repay,’ says the Lord.” (Romans 12:19)
Vemos esses governantes e poderes em Romanos 8:38-39, mostrado profundo desprezo por eles. Nessa linha, Paulo escreve que Cristo “despojou os governantes e as autoridades (ρχς e ξουσίας) e publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.”(Colossenses 2:15) Paulo nunca cessa de mostrar que nada consegue se interpor entre o cristão e Deus[19] – as autoridades são despojadas e tornadas inúteis. Essa submissão voluntária revela-se profunda expansão do que Paulo escreveu depois – a submissão das autoridades ocorre devido ao fato de Deus as pôr em seu lugar, de Jesus ter despojado as autoridades e as tornado inefetivas, de se dever deixar a vingança a cargo de Deus, e de não se resistir ao mal com o mal: “Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: 'A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei', diz o Senhor.” (Romanos 12:19)
This line of thought does not lose its strength as one goes along, but rather continues to develop in Romans 13:2, which reads in the NIV:
Essa linha de pensamento não perde sua força ao prosseguirmos na leitura, e sim antes continua a desdobrar-se em Romanos 13:2, que reza, na NIV:
“Consequently, whoever rebels against the authority is rebelling against what God has instituted, and those who do so will bring judgment on themselves.”
“De modo que aquele que se opõe à autoridades resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.”
And in the Greek:
E em grego:
στε ντιτασσόμενος τ ξουσί τ το θεο διαταγ νθέστηκεν, ο δ νθεστηκότες αυτος κρίμα λήμψονται.
στε ντιτασσόμενος τ ξουσί τ το θεο διαταγ νθέστηκεν, ο δ νθεστηκότες αυτος κρίμα λήμψονται.
The word mentioned earlier which means “order”, “put into place”, “arrange”, etc. – τάσσω – is in this verse as well. The word τάσσω is a very crucial part of this entire passage, as one can tell – further, it is used here in the word ντιτασσόμενος, which combines both τάσσω and the participle ντι, which is connotative to “anti” thus leading to a combination which means literally to be “against order”, or to be against the order established by God.
A palavra mencionada anteriormente que significa “ordem”, “colocar em funcionamento”, “organizar”, etc. – τάσσω – também figura nesse versículo. A palavra τάσσω é parte muito crucial dessa passagem inteira, como podemos ver – ademais, é usada aqui na palavra ντιτασσόμενος, que combina τάσσω e o particípio ντι, conotativo de “anti” levando pois a uma combinação que significa literalmente ser “contra a ordem”, ou contra a ordem estabelecida por Deus.
One should be able to see the obvious at this point – this too harks back to what Paul was saying just before hand. Everything is falling into place – a Christian is in fact a person who should believe that revenge is God’s alone, and to not put anything into one’s own hands. A Christian must be pacifistic towards authorities. The question begs, however, if this voluntary submission is contingent to also allowing them to reign and submitting to whoever comes by with a big gun.
A esta altura o óbvio já deveria estar visível – tudo isso remete ao que Paulo dizia logo anteriormente. Tudo vai se encaixando no lugar adequado – o cristão é, de fato, uma pessoa que deveria lembrar-se de que a vingança é exclusiva de Deus, e de não tomar nada em suas próprias mãos. O cristão tem de ser pacifista em relação às autoridades. Surge a pergunta, porém, de se essa submissão voluntária implica também em permitir que elas dominem e em submeter-se a quem quer que apareça com uma grande arma de fogo.
It is simple: Resist evil not with evil means exactly what Jesus meant for it to say. It does not mean that one should not resist evil at all, as Adin Ballou points out wonderfully,[20] but to resist evil with good – with Christian love. Paul explains this heavily in Romans 12 – but what does this entail per se? It entails turning away from evil, and to love one’s enemies and pray for them. Early Christianity is known for martyrs that never fought back, but certainly many were running, fleeing, while preaching, praying, and loving.[21] This is what it means to resist evil not with evil – very much so must a Christian turn away from what the Bible teaches as evil,[22] and to pursue one’s faith in God. One must not forget that last part, for as Acts 5:29 states: “Peter and the other apostles replied: ‘We must obey God rather than human beings!’ (NIV)
É simples: Não resistir ao mal com o mal tem exatamente o significado que Jesus quis atribuir à ideia. Não significa que alguém não deva em absoluto resistir ao mal, como Adin Ballou destaca esplendidamente,[20] e sim que resista ao mal com o bem – com amor cristão. Paulo explica isso laboriosamente em Romanos 12 – mas em que isso, de per si, implica? Implica em dar as costas ao pecado, e em amar os inimigos e orar por eles. O cristianismo primitivo é conhecido por mártires que nunca reagiram, mas certamente muitos correram e fugiram ao mesmo tempo em que pregavam, oravam e amavam.[21] Isso é o que significa não resistir ao mal com o mal – portanto, é imperativo que o cristão volte as costas ao que a Bíblia ensina ser perversidade,[22] e siga sua fé em Deus. Não se pode esquecer essa última parte, pois como declara Atos 5:29: “Pedro e os outros apóstolos responderam: ‘Temos de obedecer a Deus em vez de a seres humanos!’ (NIV)
One need not harken back to the Greek to see that again and again is the topic of resistance to evil through evil means addressed by Paul. This point of resisting evil with evil is further exemplified in the translation, for the NIV reads in verses 3-5:
Não é preciso recorrer ao grego para ver que outra e outra vez Paulo trata do tópico da resistência à perversidade lançando-se mão de recursos perversos. Esse ponto de resistir ao mal com o mal é adicionalmente exemplificado na tradução, pois a NIV diz, nos versos 3-5:
“3 For rulers hold no terror for those who do right, but for those who do wrong. Do you want to be free from fear of the one in authority? Then do what is right and you will be commended.
“3 Porque os governantes não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás o louvor dela.
4 For the one in authority is God’s servant for your good. But if you do wrong, be afraid, for rulers do not bear the sword for no reason. They are God’s servants, agents of wrath to bring punishment on the wrongdoer.
4 Pois o que exerce autoridade é servo de Deus para teu bem. Se porém fizeres o mal, teme, pois os governantes não trazem a espada sem motivo. Eles são servos de Deus, agentes da ira para trazer punição para o que pratica o mal.
5 Therefore, it is necessary to submit to the authorities, not only because of possible punishment but also as a matter of conscience.”
5 Portanto, é indispensável submeter-se às autoridades, não apenas por causa da possível punição como também por questão de consciência.”
So it is here that the contents of the first two verses become intertwined: Resist evil not with evil, but instead let God have revenge, for it is His to take; and He will take it “for all who draw the sword will die by the sword” (Matthew 26:52) . It also connects itself to many things, especially the idea that a soft answer turns away wrath (Proverbs 15:1), along with many other verses showing that love stops evil. There is a profound idea here that Paul is showing, and it is to resist evil not with evil, which will set one free.
É aqui pois que o teor dos primeiros dois versos se entrelaçam: Não resistir ao mal com o mal, mas antes deixar Deus praticar a vingança, pois esse é terreno dele; e ele a praticará “pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” (Mateus 26:52). A passagem também se liga a muitas coisas, especialmente à ideia de que a palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira (Provérbios 15:1), juntamente com muitos outros versos mostrando que o amor detém a perversidade. Há uma ideia profunda que Paulo mostra, a de que resistir ao mal sem usar o mal tornará a pessoa livre.
Additionally, verse four says essentially to do right and not transgress Jesus’ teaching, for they do not wear their swords without a cause ( εκ is the word that is translated to “no reason”, though one could have a stronger wording with “without a cause”). Another mistranslation is in verse 4 – “They are God’s servants”, in which the word servant (διάκονος), is actually singular. It is more or less translated to “He is God’s servant”, with the word “rulers” not even being in the Greek text for verse four. Further, the fourth verse does not mention rulers, but rather making it clear that whoever does have a sword is under God’s control and arrangement (vengeance and all), and that transgressing resist evil not with evil will carry consequences.
Ademais, o versículo quatro diz para essencialmente fazermos o que é direito e não transgredirmos o ensinamento de Jesus, pois a autoridade não porta a espada sem motivo (εκ é a palavra traduzida como “sem motivo”, embora palavreado mais robusto pudesse ser “sem causa”). Outra má tradução está no versículo 4 – “Eles são servos de Deus”, onde a palavra servo (διάκονος) é em verdade singular. Pode ser mais ou menos traduzida como “Ele é servo de Deus”, pois a palavra “governantes” sequer é mencionada, em grego, no versículo quatro. Ademais, o quarto versículo não menciona governantes, e sim antes torna claro que quem tenha uma espada está sob controle e organização de Deus (vingança e tudo o mais), e que transgredir o resistir ao mal sem recorrer ao mal acarretará consequências.
The fifth verse then seals the lid on this interpretation, showing why we should voluntarily submit to authorities – possible punishment, but also conscience for not letting God handle the situation. One should turn away from evil, but do so in love, for it is God’s commandment.
O quinto versículo em seguida dá o fecho dessa interpretação, mostrando por que devemos submeter-nos voluntariamente às autoridades – possível punição, mas também consciência, ao não deixarmos Deus administrar a situação. A pessoa deve dar as costas ao pecado, mas fazê-lo em amor, pois esse é o mandamento de Deus.
One is not left with clean air after this, however, for one has one more obstacle to overcome before having a completely clear understanding of the text – that is, Romans 13:6. However, this obstruction shows itself to be illusory when subjected to closer analysis, where a massive mistranslation befuddles what is the true expression of the text.
Não dá porém para respirar em paz depois disso, pois há ainda mais um obstáculo a ser superado antes de podermos ter entendimento completamente claro do texto – isto é, Romanos 13:6. Entretanto, essa obstrução mostra-se ilusória quando sujeitada a análise mais estrita, onde crassa má tradução confunde a verdadeira expressão do texto.
It reads in the NIV:
Reza a NIV:
“This is also why you pay taxes, for the authorities are God’s servants, who give their full time to governing.”
“Por isso também pagais tributos, pois as autoridades são servas de Deus, as quais devotam seu tempo integral a governar.”
However, one reads in the Greek:
Todavia, lemos no grego:
δι τοτο γρ κα φόρους τελετε, λειτουργο γρ θεο εσιν ες ατ τοτο προσκαρτεροντες.
δι τοτο γρ κα φόρους τελετε, λειτουργο γρ θεο εσιν ες ατ τοτο προσκαρτεροντες.
One should see two things missing here: “authorities”, and “governing”. The former is translated from λειτουργο, however this has nothing to do with authorities. Rather, this has everything to do with a minister, a priest, or a servant – nothing of authoritative power. “Governing”, on the other hand, seems to come from ες ατ τοτο, which translates to “with this very thing”, while “προσκαρτεροντες” translates to “adhere to”.
Deveria-se notar a falta de duas coisas: “autoridades” e “governar”. A primeira é traduzida de λειτουργο, mas essa palavra nada tem a ver com autoridades. Antes, tem tudo a ver com ministro, clérigo ou servo – nada de poder autoritário. “Governar”, por outro lado, parece vir de ες ατ τοτο, que se traduz como “com essa coisa mesma”, enquanto “προσκαρτεροντες” traduz-se como “apoiar firmemente”.
The icing on the cake is that this passage turns into, “For this is why you pay taxes, because God’s priests (or ministers or servants) adhere to this very thing.” For supplementary proof of this translation of “ες ατ τοτο” without any Greek grammatical explanations, one can cross-reference with 2 Corinthians 2:3, Philippians 1:6, and 2 Corinthians 5:5 – all of which uses “τοτο ατ”, “ες ατ τοτο”, or plain “ατ τοτο”, but it also translates to “this very thing”.
A cobertura do bolo é que essa passagem se transforma em “Por isso pagais impostos, porque os clérigos de Deus (ou ministros, ou servos) apoiam firmemente essa coisa mesma.” Para prova suplementar dessa tradução de “ες ατ τοτο” sem quaisquer explicações gramaticais de grego, pode-se fazer referência cruzada com II Coríntios 2:3, Filipenses 1:6, e II Coríntios 5:5 – todos os quais usam “τοτο ατ”, “ες ατ τοτο”, ou simplesmente “ατ τοτο”, mas também os traduzem como “esta coisa mesma”.
It is clear that this passage cannot be a pro-taxation statement. Even if one were to take the translation as it is, one would find major historical inaccuracy considering the amount of resources showing that taxes did not go to governing in the Roman Empire. Rather, it should be a known fact that the taxes went to military expansion before concentration on governing [23]— to recall the advice Emperor Septimius Severus gave to his heirs, “live in harmony; enrich the troops; ignore everyone else.”[24] As early as Nero did emperors debase the currency in order to fund the increasing costs of military and bureaucracy.[25] This indirect tax on cash balances became worse and worse under succeeding emperors Aurelius, with prices higher than ever before in the Empire’s history when Severus’s heir, Carcacalla took over.[26] The Roman Empire would periodically confiscate property, and towns would be forced to feed, lodge, and provide transport for the troops— the soldiers were even allowed to loot as they pleased.[27]
Fica claro que essa passagem não pode ser uma declaração favorável à tributação. Mesmo se tomada a tradução tal como existe, incorreríamos em importante imprecisão histórica ao considerarmos o montante de recursos, mostrando que os tributos não eram usados para governar, no Império Romano. Antes, deveria ser fato sabido que os tributos iam para expansão militar antes de concentração em governar[23]— para lembrar o conselho do imperador Septímio Severo a seus herdeiros: “vivam em harmonia; enriqueçam as tropas; ignorem todo mundo mais.”[24] Desde tão cedo quanto Nero os imperadores passaram a desvalorizar a moeda a fim de financiar os custos crescentes da instituição militar e da burocracia.[25] Esse tributo indireto dos saldos de caixa tornou-se cada vez pior sob o imperadores sucessores de Aurélio, com preços mais altos do que qualquer época anterior da história do Império quando o herdeiro de Severo, Carcacalla, assumiu.[26] O Império Romano periodicamente confiscava propriedade, e cidadezinhas eram forçadas a alimentar, alojar e providenciar transporte para as tropas — era permitido até que os soldados pilhassem como se lhes aprouvesse.[27]
To give solidify the interpretation of 13:1-6, one should look at the concluding verse right after the passages – “Give to everyone what you owe them: If you owe taxes, pay taxes; if revenue, then revenue; if respect, then respect; if honor, then honor”. This drives the point home– to voluntarily submit and to resist evil not with evil. Give to everyone their due – which is in the end is summed up in the Golden Rule of loving one’s neighbor as yourself. It is clear that in the book of Romans, Paul is outlining how the pious Christian is to deal with those who it is hardest to love: the corrupt, violent, and degenerate “authorities” who make up the State, they are a test of the Christian’s obedience to God’s command of universal love.
Para dar solidez à interpretação de Romanos 13:1-6, devemos olhar para o versículo de conclusão logo depois da passagem – “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem renda, renda; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.”. Isso deixa a coisa clara– submeter-se voluntariamente e não resistir ao mal com o mal. Dar a cada um o que lhe é devido – o que, no final, está resumido na Regra de Ouro de amar o próximo como a si próprio. Fica claro que, no livro de Romanos, Paulo está delineando como o cristão piedoso deve lidar com aqueles a quem é mais difícil amar: as corruptas, violentas e degeneradas “autoridades” que constituem o estado, as quais são um teste da obediência do cristão ao mandamento de Deus de amor universal.
If anarchism alienates itself away from religion – never accepting its existence, but always wanting it to push it away, then there is no reason to be an anarchist. A political ideology that pushes away over 3 billion people in the world should not be a political ideology worth having. The ideas that anarchism must be absolutely contingent with any type of personal conviction – whether irreligious or religious – is one in vain. Anarchism is about the factual order of human beings and understanding how human beings order naturally. For as David Hume said, “… the stability of possession, its translation by consent, and the performance of promises. These are, therefore, antecedent to government.”[28] One must not forget that anarchism is about the natural order of human society – to say religion is not a part of human society would be horribly ignorant of thousands of years of civilization. To say religion naturally does harm to a society is equally ignorant – for history shows profoundly that it was never religion that has caused the problems, as much as it was the political power absorbing religion. Theodisius I is just one example of many, along with well thought out arguments for as to how Christianity’s desperate need to seek political power hurts the church more than anything. [29]
Se o anarquismo se alienar da religião – nunca aceitando sua existência, e sim sempre desejando empurrá-la para longe, então não haverá motivo para ser anarquista. Uma ideologia política que empurra para longe 3 biliões de pessoas no mundo não deveria ser uma ideologia política que valesse a pena ter. A ideia de que o anarquismo nada tenha a ver com qualquer tipo de convicção pessoal – irreligiosa ou religiosa – é vã. O anarquismo diz respeito à ordem efetiva dos seres humanos e ao entendimento de como os seres humanos se organizam naturalmente. Pois, como disse David Hume, “… a estabilidade da propriedade, sua transferência por consentimento, e o cumprimento de promessas. Esses são, portanto, anteriores ao governo.”[28] É preciso não esquecer que o anarquismo diz respeito à ordem natural da sociedade humana – dizer que a religião não é parte da sociedade humana seria ignorar horrivelmente milhares de anos de civilização. Dizer que a religião naturalmente causa danos à sociedade é igualmente ignorância – pois a história mostra profundamente nunca ter sido a religião a causadora dos problemas, e sim o poder político ao absorver a religião. Teodósio I é apenas um exemplo dentre muitos, e quanto a isso argumentações bem elaboradas mostram como a necessidade desesperada do cristianismode de procurar poder político fere a igreja mais do que qualquer outra coisa.[29]
Christianity necessarily goes in line with anarchism; Christianity necessarily is anarchism. It is a form of anarcho-pacifism – it submits to pacify, but resists in love, compassion, and with deep religious introspection. It shows that there is no genuine authority but God, and everything is under God’s control – wrath and revenge is His, not the Christian’s. Anarchists should welcome the chance to connect Christianity with anarchism, or any religion for that matter, as it pushes forward the importance of peace and the fundamental understanding of the benefits felt from cooperation, as opposed to the parasitism of the State. To ignorantly toss away an entire group of people is to defeat the purpose of spreading information. With love, respect, and keen understanding can anarchists truly spread the basis of anarchism. Fear of confronting religion only leads to fear in accepting anarchist ideology, and a bitter rejection of what is held dear to many of “the people” is to insulate the movement of the people with intellectual dogmatism.
O cristianismo perfila-se necessariamente em linha com o anarquismo; o cristianismo é necessariamente anarquismo. É uma forma de anarcopacifismo – ele se submete a pacificar, mas resiste em amor, compaixão e com profunda introspecção religiosa. Mostra que a única autoridade genuína é Deus, e tudo está sob o controle de Deus – ira e vingança pertencem a Ele, não ao cristão. Os anarquistas deveriam saudar a oportunidade de vincular o cristianismo ao anarquismo, ou por falar nisso a qualquer religião, pois ele destaca a importância da paz e o entendimento fundamental dos benefícios decorrentes da cooperação, em oposição ao parasitismo do estado. Lançar fora, ignorantemente, um grupo inteiro de pessoas é sabotar o objetivo de disseminar informação. Com amor, respeito e lúcido entendimento os anarquistas podem verdadeiramente disseminar os fundamentos do anarquismo. O medo de confrontar a religião só leva a medo de aceitar a ideologia anarquista, e rejeitar com animosidade algo que é acalentado afetuosamente por muitas pessoas dentro do “povo” equivale a isolar o movimento do povo por meio de dogmatismo intelectual.
In desperation to conform to society’s ways of thinking, many Christians – whose main objective should be to obtain salvation – desperately cling onto the State. With amazing leaps of apologetics, many Christians will attempt to justify the State through the use of Scripture, no matter what the costs of doing so may be. The deaths of millions upon millions of innocent people in history matters not – one will still assume the State does not directly attempt to hinder their relationship with God. The desperate attempt to use the sword to express Christianity is in vain – in the end, it will push people out of faith completely. If one must love Christ, one must abandon the sword, and by abandoning the sword, they must abandon their allegiance with any State, whose origins start by forcing others into fear and submission to a singular human will; the State elevates its law above all else, its supremacy over the land it possesses lays claim to a totality over the spirit that could only be rightfully claimed by God— and no Christian can preach fidelity to a force such as that. By breaking down Romans 13 into a passage of resisting evil with Christian love, the Christian should reflect on who their allegiance truly belongs to. The question then remains: Does the Christian tacitly give more allegiance to the temporal State, or allegiance to their faith in an eternal God? The former asks for allegiance until death, and the latter asks for all your heart, mind, and body, and condemns the idea of being lukewarm. The choice is for the Christian – choose wisely.
Em desespero para conformar-se com os modos de pensar da sociedade, muitos cristãos – cujo primeiro objetivo deveria ser o de obter salvação – aferram-se desesperadamente ao estado. Com cabriolas inacreditáveis de apologética, muitos cristãos tentam justificar o estado por meio do uso das escrituras, não importa quais possam ser os custos de o fazerem. A morte de milhões de pessoas inocentes na história não importa – ainda assim eles assumem que o estado não tenta diretamente atrapalhar a relação deles com Deus. A tentativa desesperada de usar a espada para expressar o cristianismo é vã – no final, empurrará pessoas para longe da fé completamente. Se alguém tem de amar Cristo, terá de abandonar a espada, e ao abandonar a espada terá de abandonar sua lealdade a qualquer estado, cujas origens começam com forçar outras pessoas a uma vontade singular humana por meio de medo e submissão; o estado eleva sua lei acima de tudo o mais, sua supremacia em relação à terra que possui reclama uma totalidade em relação ao espírito que só pode de direito ser reclamada por Deus— e nenhum cristão pode pregar fidelidade a uma força dessa espécie. Mediante analisar Romanos 13 como passagem relativa a resistir ao mal por meio de amor cristão, o cristão deve refletir acerca de a quem pertence sua lealdade. A pergunta permanece pois: Dará o cristão tacitamente mais lealdade ao estado temporal, ou lealdade a sua fé num Deus eterno? O primeiro pede lealdade até à morte, e o último pede todo o seu coração, mente e corpo, e condena a ideia de ser pusilânime. A escolha é do cristão – escolha sabiamente.
Further Reading:
Stark, Thom. Peace and Security: Two Rival Gospels in Romans 13 (A History of Interpretation and Critical Appropriation).
Pickwick Publications, forthcoming.
Leitura adicional:
Stark, Thom. Paz e Segurança: Dois Evangelhos Rivais em Romanos 13 (Uma História da Interpretação e da Apropriação Crítica).
Pickwick Publications, no prelo.
Citations:
Citações:
[1] Mises, Ludwig Von. Theory and History: An Interpretation of Social and Economic Evolution. Auburn, Ala.: Ludwig Von Mises Institute, 2007. 43. Print.
[1] Mises, Ludwig Von. Teoria e História: Uma Interpretação da Evolução Social e Econômica. Auburn, Ala.: Ludwig Von Mises Institute, 2007. 43. Print.
[2] One can see some defense in this in Martin Luther’s Commentary on the Epistle to the Romans.
[2] Pode-se ver alguma defesa disso no Comentário de Martinho Lutero da Epístola aos Romanos.
[3] An interesting sermon indicating that “Christians have a holy obligation to be the best citizens we can possibly be”: “God and Country Sermon, God and Country Sermon by Brian La Croix, Romans 13:1-13:5 – SermonCentral.com.” SermonCentral.com – Free Sermons, Illustrations, Videos, and PowerPoints for Preaching. Web. 06 Feb. 2011.
[3] Interessante sermão sugerindo que “Os cristãos têm obrigação sagrada de ser os melhores cidadãos que puderem”: “Sermão Acerca de Deus e País por Brian La Croix, Romanos 13:1-13:5 – SermonCentral.com.” SermonCentral.com – Sermões Grátis, Ilustrações, Vídeos e PowerPoint para Pregações. Web. 06 Feb. 2011.
[4] MacArthur, John. “The Christian’s Responsibility to Government—Part 1 — John MacArthur.” Bible Bulletin Board. Web. 09 Feb. 2011.
[4] MacArthur, John. “A Responsabilidade do Cristão Perante o Governo—Parte 1 — John MacArthur.” Bible Bulletin Board. Web. 09 Feb. 2011.
[5] Bakunin, Mikhail Aleksandrovich. God and the State. [S.l.]: Cosimo, 2008. 84. Print.
[5] Bakunin, Mikhail Aleksandrovich. Deus e o Estado. [S.l.]: Cosimo, 2008. 84. Print.
[6] Ibid., pg. 24.
[6] Ibid., pg. 24.
[7] Ibid., pg 27-8.
[7] Ibid., pg 27-8.
[8] Tucker, Benjamin R. “State Socialism and Anarchism: How Far They Agree and Wherein They Differ.” Instead of a Book by a Man Too Busy to Write One: A Fragmentary Exposition of Philosophical Anarchism. Adamant Media Corporation, 2005. 14. Print.
See also Stirner, Max. The Ego and its Own.
[8] Tucker, Benjamin R. “Socialismo de Estado e Anarquismo: No Quanto Concordam e Onde Discrepam.” Em vez de um Livro de Autoria de um Homem Ocupado Demais para Escrever Livros: Uma Exposição Fragmentária do Anarquismo Filosófico. Adamant Media Corporation, 2005. 14. Print.
See also Stirner, Max. The Ego and its Own.
[9] Tolstoy, Leo. “Church and State.” Wikisource, the Free Library. Web. 31 Jan. 2011.
[9] Tolstoy, Leo. “Igreja e Estado.” Wikisource, the Free Library. Web. 31 Jan. 2011.
[10] Nietzsche, Friedrich. Twilight of the Idols/The Anti-Christ. Tr. R.J. Hollingdale. pg. 165-169 for a brief overlook, though Paul is mentioned many more times.
[10] Nietzsche, Friedrich. Crepúsculo dos Ídolos/O Anticristo. Tr. R.J. Hollingdale. pg. 165-169 para breve consulta, embora Paulo seja mencionado muito mais vezes.
[11] One can join in and follow: http://www.greekbible.com/ offers a very well done Greek Bible, at the same http://biblelexicon.org/ is a strong lexicon. However, as Ricardo did when writing the Scriptural analysis, it is best to buy an authoritative lexicon, along with Google searching continually and cross-referencing. Immense scrutiny and thought should be applied at all times.
[11] Pode-se inscrever e seguir: http://www.greekbible.com/ oferece bíblia grega muito bem feita, e também http://biblelexicon.org/ é robusto léxico. Entretanto, como fez Ricardo quando escrevendo a análise das escrituras, é melhor comprar um léxico credenciado, juntamente com pesquisa contínua e referências cruzadas por meio do Google. O tempo todo são necessários imensos escrutínio e reflexão.
[12] There is a lot of back and forth thoughts on how much (or if at all) Stoicism is used in Paul’s writings, but there is hardly anything at all giving evidence that Paul used it for Romans 13. One can see this in Stoicism: Traditions and Transformations, where authors Steven K. Strange and Jack Zupko try to use Stoicism in the core of Paul’s teaching, but give no reference to Romans 13 using Stoic terms. Further, there is a strong rebuttal on the notion that Paul used Stoic language at all by Joseph Spencer called “Stoic Influence in the Writings of Saint Paul”. In James Hastings’ Encyclopedia of Religion and Ethics, he writes that “[Paul's] views of the divine birth of Jesus, and of His resurrection…are unintelligible except in terms of Stoicism”, bur give no reference to the notion that Paul’s political views should be viewed in such a way.
[12] Há muita discussão acerca de o quanto (ou se) o estoicismo é usado nos escritos de Paulo, mas dificilmente se encontrará algo dando qualquer evidência de Paulo tê-lo usado ao escrever Romanos 13. Pode-se ver isso em Estoicismo: Tradições e Transformações, onde os autores Steven K. Strange e Jack Zupko tentam usar o estoicismo no cerne do ensimanto de Paulo, mas não fazem referência a Romanos 13 usar termos estoicos. Ademais, há forte rejeição à noção de Paulo alguma ver ter usado linguagem estoica da parte de Joseph Spencer em “Influência Estoica nos Escritos de São Paulo”. Na Enciclopédia de Religião e Ética, James Hastings escreve que “os pontos de vista [de Paulo] acerca do nascimento divino de Jesus, e da ressurreição dele … são ininteligíveis exceto em termos de estoicismo”, mas não dá referência para a noção de que os pontos de vista políticos de Paulo devam ser vistos dessa maneira.
[13] Thorsteinsson, Runar M. Roman Christianity and Roman Stoicism: a Comparative Study of Ancient Morality. Oxford [u.a.: Oxford UP, 2010. 92. Print.
[13] Thorsteinsson, Runar M. Cristianismo Romano e Estoicismo Romano: Estudo Comparativo da Moralidade Antiga. Oxford [u.a.: Oxford UP, 2010. 92. Print.
[14] One should not forget that verses and chapters were not in the original manuscripts of the Bible, and was developed after. There are many different ministries that offer an overlook of this development, for example Rowland Croucher’s “Chapters and Verses in the Bible”.
[14] Não se deve esquecer que versículos e capítulos não figuram nos manuscritos originais da Bíblia, e foram desenvolvidos depois. Há muitos ministérios diferentes que oferecem vislumbre desse desenvolvimento, por exemplo, por Rowland Croucher, “Capítulos e Versículos na Bíblia”.
[15] Bear in mind our scrutiny of the verses stops at 13:7, however, and that one can give analysis later in the chapter. Thom Stark wonderfully points out in The Human Faces of God, pg. 201-202, that Romans 13 also had much to do with the eschatological viewpoints Paul had, which is shown later in the chapter.
[15] Tenham em mente que nosso escrutínio dois versículos termina em 13:7, entretanto, e que se pode encontrar análise posterior do capítulo. Thom Stark esplendidamente destaca, em As Faces Humanas de Deus, páginas 201-202, que Romanos 13 também teve muito a ver com os pontos de vista escatológicos de Paulo, o que é exibido mais adiante no capítulo.
[16] Yoder, John Howard. The Politics of Jesus; Vicit Agnus Noster. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972. 203. Print.
[16] Yoder, John Howard. A Política de Jesus; Vicit Agnus Noster. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972. 203. Print.
[17] See N.T. Wright’s “Paul and Caesar: A New Reading of Romans”, along with Clinton Morrison’s The Powers That Be.
[17] Ver, de N.T. Wright, “Paulo e César: Uma Nova Leitura de Romanos”, juntamente com Os Poderes do Dia, de Clinton Morrison.
[18] Tolstoy, Leo, and Constance Garnett. The Kingdom of God Is Within You. Mineola, NY: Dover Publications, 2006. 11-14. Print.
[18] Tolstoy, Leo, e Constance Garnett. O Reino de Deus Está Dentro de Vós. Mineola, NY: Dover Publications, 2006. 11-14. Print.
[19] Smith, Mahlon H. “Tiberius.” Virtual Religion Network. Web. 31 Jan. 2011.
[19] Smith, Mahlon H. “Tibério.” Rede Virtual de Religião. Web. 31 Jan. 2011.
[20] Romans 8:38-39
[20] Romanos 8:38-39
[21] Balasundaram, Franklyn J. Martyrs in the History of Christianity. New Delhi: Publ. for The United Theological College, Bangalore by ISPCK, 1997. Print.
[21] Balasundaram, Franklyn J. Mártires na História do Cristianismo. New Delhi: Publicado por The United Theological College, Bangalore by ISPCK, 1997. Print.
[22] 1 Peter 3:11, Psalm 34:14, Psalm 37:27-29, Proverbs 3:7, Zechariah 1:4 to name a few passages.
[22] I Pedro 3:11, Salmos 34:14, Salmos 37:27-29, Provérbios 3:7, Zacarias 1:4 para citar algumas passagens.
[23] Bartlett, Bruce. “How Excessive Government Killed Rome”. The Cato Journal, Volume 14 Number 2, Fall 1994.
[23] Bartlett, Bruce. “Como o Excesso de Governo Destruiu Roma”. The Cato Journal, Volume 14 Number 2, Fall 1994.
[24] Peden, Joseph R. “Inflation and the Fall of the Roman Empire.” Ludwig Von Mises Institute. 7 Sept. 2009. Web. 31 Jan. 2011.
[24] Peden, Joseph R. “A Inflação e a Queda do Império Romano.” Ludwig Von Mises Institute. 7 Sept. 2009. Web. 31 Jan. 2011.
[25] Bailey, M.J. “The Welfare Cost of Inflationary Finance.” Journal of Political Economy 64(2): 93-110.
[25] Bailey, M.J. “O Custo da Finança Inflacionária para o Bem-Estar Social.” Journal of Political Economy 64(2): 93-110.
[26] Schuettinger, Robert Lindsay, and Eamonn Butler. “The Roman Republic and Empire.” Forty Centuries of Wage and Price Controls: How Not to Fight Inflation. Washington, D.C.: Heritage Foundation, 1979. 19-20. Print.
[26] Schuettinger, Robert Lindsay, e Eamonn Butler. “A República e o Império Romanos.” Quarenta Séculos de Controle de Salários e Preço: Como Não Combater a Inflação. Washington, D.C.: Heritage Foundation, 1979. 19-20. Print.
[27] Haskell, H.J. The New Deal in Old Rome: How Government in the Ancient World Tried to Deal with Modern Problems. New York: Alfred A. Knopf, 1939. 216. Print.
[27] Haskell, H.J. O Novo Pacto na Roma Antiga: Como o Governo do Mundo Antigo Tentou Lidar com Problemas Modernos. New York: Alfred A. Knopf, 1939. 216. Print.
[28] Hume, David. “Book III.” A Treatise of Human Nature. New York, NY: Barnes & Noble, 2005. Print.
[28] Hume, David. “Livro III.” Um Tratado da Natureza Humana. New York, NY: Barnes & Noble, 2005. Print.
[29] Boyd, Gregory A. The Myth of a Christian Nation How the Quest for Political Power Is Destroying the Church. Grand Rapids (Michigan): Zondervan, 2005. Print.
[29] Boyd, Gregory A. TO Mito de uma Nação Cristã - Como a Busca de Poder Político Está Destruindo a Igreja. Grand Rapids (Michigan): Zondervan, 2005. Print.
Brennan Lester is a high school senior and market anarchist hailing from Baltimore, Maryland.
Brennan Lester cursa o último ano do ensino médio e é anarquista de mercado residente em Baltimore, Maryland.

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