Thursday, March 3, 2011

The Anti-Empire Report - The Enduring Mystique of the Marshall Plan

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The Anti-Empire Report O Relatório
Anti-Império
March 1st, 2011
by William Blum
1o. de março de 2011
por William Blum
The Enduring Mystique of the Marshall Plan A Persistente Mística do Plano Marshall
Amidst all the stirring political upheavals in North Africa and the Middle East the name "Marshall Plan" keeps being repeated by political figures and media around the world as the key to rebuilding the economies of those societies to complement the political advances, which hopefully will be somewhat progressive. But caveat emptor. Let the buyer beware. Em meio a todos os emocionantes levantes no Norte da África e no Oriente Médio o nome "Plano Marshall" continua a ser repetido por figuras políticas e pela mídia ao redor do mundo como a chave para a reconstrução das economias daquelas sociedades para complementar os avanços políticos que, espera-se, serão um tanto progressivos. Contudo, caveat emptor. O risco é do comprador.
During my years of writing and speaking about the harm and injustice inflicted upon the world by unending United States interventions, I've often been met with resentment from those who accuse me of chronicling only the negative side of US foreign policy and ignoring the many positive sides. When I ask the person to give me some examples of what s/he thinks show the virtuous face of America's dealings with the world in modern times, one of the things mentioned — almost without exception — is The Marshall Plan. This is usually described along the lines of: "After World War II, the United States unselfishly built up Europe economically, including our wartime enemies, and allowed them to compete with us." Even those today who are very cynical about US foreign policy, who are quick to question the White House's motives in Afghanistan, Iraq and elsewhere, have little problem in accepting this picture of an altruistic America of the period 1948-1952. But let's have a look at the Marshall Plan outside the official and popular versions. Em meus anos de escrever e falar acerca dos danos e da injustiça infligidos ao mundo por infindáveis intervenções dos Estados Unidos, fui amiúde alvo de ressentimento daqueles que me acusam de só fazer a crônica do lado negativo da política externa dos Estados Unidos, ignorando os muitos lados postivos. Quando peço à pessoa para dar-me alguns exemplos do que ela acha mostrar a face virtuosa das relações dos Estados Unidos com o mundo nos tempos modernos, uma das coisas mencionadas — quase sem exceção — é o Plano Marshall. Usualmente descrito em termos tais como: "Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, altruisticamente, erigiram economicamente a Europa, inclusive nossos inimigos do tempo de guerra, e permitiram-lhes competir conosco." Mesmo aqueles que hoje são muito cínicos acerca da política externa dos Estados Unidos, lestos em questionar os motivos da Casa Branca no Afeganistão, no Iraque e em outros lugares, têm pouco problema em aceitar esse quadro de Estados Unidos altruístas do período 1948-1952. Consideremos, porém, o Plano Marshall fora das versões oficial e popular.
After World War II, the United States, triumphant abroad and undamaged at home, saw a door wide open for world supremacy. Only the thing called "communism" stood in the way, politically, militarily, and ideologically. The entire US foreign policy establishment was mobilized to confront this "enemy", and the Marshall Plan was an integral part of this campaign. How could it be otherwise? Anti-communism had been the principal pillar of US foreign policy from the Russian Revolution up to World War II, pausing for the war until the closing months of the Pacific campaign, when Washington put challenging communism ahead of fighting the Japanese. This return to anti-communism included the dropping of the atom bomb on Japan as a warning to the Soviets. 1 Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, triunfantes no exterior e indenes em casa, viram uma porta escancarada para a supremacia mundial. Só a coisa chamada "comunismo" obstava o caminho, política, militar e ideologicamente. Todo o establishment de política externa dos Estados Unidos foi mobilizado para confrontar esse "inimigo", e o Plano Marshall foi parte integrante dessa campanha. Como poderia ser diferente? O anticomunismo havia sido o principal pilar da política externa dos Estados Unidos desde a Revolução Russa à Segunda Guerra Mundial, com pausa durante a guerra até os meses finais da campanha do Pacífico, quando Washington colocou o enfrentamento do comunismo acima de combater os japoneses. Essa volta ao anticomunismo incluiu o lançamento da bomba atômica no Japão como advertência para os soviéticos.1
After the war, anti-communism continued as the leitmotif of American foreign policy as naturally as if World War II and the alliance with the Soviet Union had not happened. Along with the CIA, the Rockefeller and Ford Foundations, the Council on Foreign Relations, certain corporations, and a few other private institutions, the Marshall Plan was one more arrow in the quiver of those striving to remake Europe to suit Washington's desires: Depois da guerra, o anticomunismo continuou como o leitmotiv da política externa estadunidense de modo tão natural quanto se a Segunda Guerra Mundial e a aliança com a União Soviética não tivessem acontecido. Juntamente com a CIA, as Fundações Rockefeller e Ford, o Conselho de Relações Exteriores, certas corporações e algumas outras instituições privadas, o Plano Marshall foi uma flecha a mais na aljava daqueles que se empenhavam em refazer a Europa de maneira a ela adaptar-se aos desejos de Washington:
1. Spreading the capitalist gospel — to counter strong postwar tendencies towards socialism. 1. Disseminar o evangelho capitalista — em oposição a fortes tendências pós-guerra no sentido do socialismo.
2. Opening markets to provide new customers for US corporations — a major reason for helping to rebuild the European economies; e.g., a billion dollars of tobacco at today's prices, spurred by US tobacco interests. 2. Abrir mercados para proporcionar novos clientes para as corporações dos Estados Unidos — um dos principais motivos para a ajuda na reconstrução das economias europeias; por exemplo, um bilião de dólares de tabaco, a preços atuais, por incitação dos interesses estadunidenses do tabaco.
3. Pushing for the creation of the Common Market and NATO as integral parts of the West European bulwark against the alleged Soviet threat. 3. Pressão para criação do Mercado Comum e da OTAN como partes integrantes do baluarte europeu ocidental contra a pretensa ameaça soviética.
4. Suppressing the left all over Western Europe, most notably sabotaging the Communist Parties in France and Italy in their bids for legal, non-violent, electoral victory. Marshall Plan funds were secretly siphoned off to finance this endeavor, and the promise of aid to a country, or the threat of its cutoff, was used as a bullying club; indeed, France and Italy would certainly have been exempted from receiving aid if they had not gone along with the plots to exclude the communists from any kind of influential role. 4. Suprimir a esquerda em toda a Europa Ocidental, principalmente sabotando os partidos comunistas de França e Itália em suas tentativas de vitória eleitoral legal e não violenta. Os fundos do Plano Marshall eram secretamente desviados para financiar esse esforço, e a promessa de ajuda a um país, ou a ameaça de corte, foi usada como instrumento de intimidação; em verdade, França e Itália certamente teriam cessado de receber ajuda se não tivessem concordado com as tramas para excluir os comunistas de qualquer tipo de papel influente.
The CIA also skimmed large amounts of Marshall Plan funds to covertly maintain cultural institutions, journalists, and publishers, at home and abroad, for the heated and omnipresent propaganda of the Cold War; the selling of the Marshall Plan to the American public and elsewhere was entwined with fighting "the red menace". Moreover, in its covert operations, CIA personnel at times used the Marshall Plan as cover, and one of the Plan's chief architects, Richard Bissell, then moved to the CIA, stopping off briefly at the Ford Foundation, a long time conduit for CIA covert funds. One big happy family. A CIA também lançou mão de grandes montantes de fundos do Plano Marshall para manter, secretamente, instituições culturais, jornalistas e editores, no país e fora, em favor da agitada e onipresente propaganda da Guerra Fria; a venda do Plano Marshall para o público estadunidense e de outros lugares estava prenhe do combate à "ameaça vermelha". Ademais, em suas operações secretas o pessoal da CIA por vezes usou o Plano Marshall como fachada, e um dos principais arquitetos do Plano, Richard Bissell, foi transferido para a CIA, com breve intervalo na Fundação Ford, conduíte, de longa dada, dos fundos secretos da CIA. Uma grande família feliz.
The Marshall Plan imposed all kinds of restrictions on the recipient countries, all manner of economic and fiscal criteria which had to be met, designed for a wide open return to free enterprise. The US had the right to control not only how Marshall Plan dollars were spent, but also to approve the expenditure of an equivalent amount of the local currency, giving Washington substantial power over the internal plans and programs of the European states; welfare programs for the needy survivors of the war were looked upon with disfavor by the United States; even rationing smelled too much like socialism and had to go or be scaled down; nationalization of industry was even more vehemently opposed by Washington. The great bulk of Marshall Plan funds returned to the United States, or never left, to purchase American goods, making American corporations among the chief beneficiaries. O Plano Marshall impôs toda sorte de restrições aos países recipientes, todo tipo de critério econômico e fiscal a ser obrigatoriamente observado, planejados para amplo retorno sem volta à livre empresa. Os Estados Unidos tinham o direito de controlar não apenas como os dólares do Plano Marshall eram gastos mas, também, de aprovar o gasto de montante equivalente de moeda local, dando a Washington substancial poder sobre os planos e programas internos dos estados europeus; programas de assistência para sobreviventes necessitados da guerra eram vistos com desfavor pelos Estados Unidos; até a distribuição de rações cheirava demasiado a socialismo e teve de ser reduzida; a nacionalização da indústria recebeu oposição ainda mais veemente de Washington. O grosso dos fundos do Plano Marshall retornou aos Estados Unidos, ou nunca dali saiu, para a compra de bens estadunidenses, tendo corporações estadunidenses figurado entre as principais beneficiárias.
The program could be seen as more a joint business operation between governments than an American "handout"; often it was a business arrangement between American and European ruling classes, many of the latter fresh from their service to the Third Reich, some of the former as well; or it was an arrangement between Congressmen and their favorite corporations to export certain commodities, including a lot of military goods. Thus did the Marshall Plan help lay the foundation for the military industrial complex as a permanent feature of American life. O programa poderia ser visto mais como operação conjunta de negócios entre governos do que "doação" estadunidense; amiúde era esquema de negócios entre as classes dominantes estadunidenses e europeias, muitas dessas últimas recém-saídas de seu serviço ao Terceiro Reich, e bem assim algumas daquelas primeiras; ou era um esquema entre membros do Congresso e suas corporações favoritas para exportação de certas commodities, inclusive muitos produtos militares. Assim o Plano Marshal ajudou a serem fincados os alicerces do complexo industrial militar como característica permanente da vida estadunidense.
It is very difficult to find, or put together, a clear, credible description of how the Marshall Plan played a pivotal or indispensable role in the recovery in each of the 16 recipient nations. The opposing view, at least as clear, is that the Europeans — highly educated, skilled and experienced — could have recovered from the war on their own without an extensive master plan and aid program from abroad, and indeed had already made significant strides in this direction before the Plan's funds began flowing. Marshall Plan funds were not directed primarily toward the urgently needed feeding of individuals or rebuilding their homes, schools, or factories, but at strengthening the economic superstructure, particularly the iron, steel and power industries. The period was in fact marked by deflationary policies, unemployment and recession. The one unambiguous outcome was the full restoration of the propertied class. 2 É muito difícil encontrar, ou montar, descrição clara e digna de crédito de como o Plano Marshall desempenhou papel fundamental ou indispensável na recuperação de cada uma das 16 nações recipientes. O ponto de vista oposto, pelo menos igualmente claro, é que os europeus — altamente cultos, hábeis e experientes — poderiam ter-se recuperado da guerra por si próprios, sem extensos plano mestre e programa de ajuda do exterior, e em verdade já haviam dado passos significativos nessa direção antes de os fundos do Plano começarem a fluir. Os fundos do Plano Marshall não estavam dirigidos principalmente para a urgentemente necessária alimentação dos indivíduos ou para a reconstrução de suas casas, escolas ou fábricas, e sim para fortalecer a superestrutura econômica, particularmente as indústrias de ferro, aço e energia. Aquele período foi marcado, com efeito, por políticas deflacionárias, desemprego e recessão. O único resultado indiscutível foi a plena restauração da classe proprietária.2
Notes Notas
1. See William Blum's essay on the use of the atomic bomb 1. Ver o ensaio de William Blum acerca do uso da bomba atômica
. For discussion of various aspects of the Marshall Plan see, for example, Joyce & Gabriel Kolko, The Limits of Power: The World and US Foreign Policy 1945-1954 (1972), chapters 13, 16, 17; Sallie Pisani, The CIA and the Marshall Plan (1991) passim; Frances Stoner Saunders, The Cultural Cold War: The CIA and the world of arts and letters (2000) passim 2. Para discussão dos vários aspectos do Plano Marshall ver, por exemplo, Joyce & Gabriel Kolko, Os Limites do Poder: O Mundo e a Política Externa dos Estados Unidos 1945-1954 (1972), capítulos 13, 16, 17; Sallie Pisani, A CIA e o Plano Marshall (1991) passim; Frances Stoner Saunders, A Guerra Fria Cultural: A CIA e o mundo das artes e das letras (2000) passim
http://www.foreignpolicyjournal.com/writers/
William Blum left the State Department in 1967, abandoning his aspiration of becoming a Foreign Service Officer, because of his opposition to what the United States was doing in Vietnam. He then became one of the founders and editors of the Washington Free Press Mr.  Blum has been a freelance journalist in the United States, Europe, and South America and was one of the recipients   of Project Censored’s awards for “exemplary journalism” in 1999. He is the author of numerous books, including: Freeing the World to Death: essays on the American EmpireKilling Hope: U.S. Military and C.I.A. Interventions Since World War II, and Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower. Mr. Blum writes a free monthly newsletter, the Anti-Empire Report, which you may subscribe to by contacting him at via e-mail. Visit his website at: www.killinghope.org. Contact him at: bblum@aol.com. Read articles by William Blum.

http://www.foreignpolicyjournal.com/writers/
William Blum deixou o Departamento de Estado em 1967, abandonando sua aspiração   de tornar-se Autoridade de Serviço Exterior por causa de sua oposição ao que os Estados Unidos estavam fazendo no Vietnã. Tornou-se então um dos fundadores e editores do Imprensa Livre de Washington. O Sr. Blum tem sido jornalista autônomo em Estados Unidos, Europa e América do Sul e foi um dos recebedores dos prêmios de Projetos Censurados de “jornalismo exemplar” em 1999. É autor de numerosos livros, incluindo: A Libertação do Mundo para a Morte: ensaios acerca do Império EstadunidenseAssassínio da Esperança: Intervenções da Instituição Militar dos Estados Unidos e da C.I.A. desde a Segunda Guerra Mundial, e Estado Sem Escrúpulos: Guia Referente à Única Superpotência do Mundo. O Sr. Blum escreve um boletim mensal grátis, o Relatório Anti-Império, que você pode subscrever entrando em contato com ele via email. Visite o website dele em: www.killinghope.org. Entre em contato com ele via: bblum@aol.com. Leia artigos de William Blum
William Blum is the author of: William Blum é autor de:
- Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War 2 - A Morte da Esperança: A Instituição Militar dos Estados Unidos e as Intervenções da CIA Desde a Segunda Guerra Mundial
- Rogue State: A Guide to the World's Only Superpower - Estado Sem Escrúpulos: Guia Para a Única Superpotência do Mundo
- West-Bloc Dissident: A Cold War Memoir - Dissidente do Bloco Ocidental: Uma Memória da Guerra Fria
Freeing the World to Death: Essays on the American Empire - Libertação do Mundo para a Morte: Ensaios Acerca do Império Estadunidense
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