Wednesday, February 2, 2011

FFF - Revolution in Egypt and Hypocrisy in the U.S.

The Future of Freedom Foundation
A Fundação Futuro de Liberdade
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Revolution in Egypt and Hypocrisy in the U.S.
by Andy Worthington, January 31, 2011
Revolução no Egito e Hipocrisia nos Estados Unidos
por Andy Worthington, 31 de janeiro de 2011
For the United States and other Western countries, the popular uprisings in Tunisia and Egypt (which threaten to spread to other countries, including Yemen and Algeria) are something of a nightmare. Just as the authorities in these countries are struggling — and failing — to cope with popular uprisings, so too the United States and other Western countries are rudderless when faced with an undefined enemy — and make no mistake about it, the people of foreign countries are the enemy when their revolts against dictatorship threaten Western interests.
Para os Estados Unidos e outros países ocidentais, os levantes populares na Tunísia e no Egito (que ameaçam espalhar-se para outros países, inclusive Iêmen e Argélia) são uma espécie de pesadelo. Do mesmo modo que as autoridades nesses países estão lutando — e fracassando — para gerir os levantes populares, os Estados Unidos e outros países ocidentais ficam desarvorados ao enfrentar um inimigo indefinido — e não nos enganemos, os povos de países estrangeiros são o inimigo quando sua revolta contra a ditadura ameaça os interesses ocidentais.
Only the most perceptive people in the West realize that, for decades, the perceived threat of communism, and, in recent years, the perceived threat of Islamists, has led their governments to support the dictatorial regimes that are now being challenged or overwhelmed by ordinary people whose eruptions of revolutionary anger are largely spontaneous and leaderless, and, as such, cannot easily be suppressed.
Apenas as pessoas mais perceptivas no Ocidente percebem que, durante décadas, a pretensa ameaça do comunismo e, nos anos recentes, a pretensa ameaça dos islamistas levou seus governos a apoiar os regimes ditatoriais que ora estão sendo desafiados ou derrubados por pessoas comuns cujas erupções de fúria revolucionária são em grande parte espontâneas e não conduzidas por líderes e, nessa medida, não podem ser suprimidas com facilidade.
What will happen next is unknown. Socialists, communists, and Islamists may yet find a way to make these movements coalesce under their leadership, or they may throw up new leaders with novel political agendas. It is no wonder that the West is getting jittery, but it is difficult to see how Western governments will be able to maintain their influence when the revolutionary movements know that, although they have been oppressed by their own rulers — kept in poverty, deprived of work, and often subjected to torture, arbitrary detention, disappearances, and extrajudicial execution — their rulers have largely been able to abuse them so thoroughly because of the backing of the West.
O que acontecerá em seguida não se sabe. Socialistas, comunistas e islamistas podem vir a descobrir algum modo de esses movimentos coalescerem sob sua liderança, ou poderão erigir novos líderes com agendas políticas novas. Não é de admirar que o Ocidente esteja ficando nervoso, mas é difícil ver como os governos do Ocidente possam ser capazes de manter sua influência quando os movimentos revolucionários sabem que, embora tenham sido oprimidos por seus próprios governantes — mantidos na pobreza, privados de trabalho e amiúde sujeitados a tortura, detenção arbitrária, desaparecimentos e execução extrajudicial — seus governantes têm conseguido abusar deles amplamente em grande parte graças ao apoio do Ocidente.
The horrors of the Cold War are behind us, but on the Islamist front, it is all too easy to see how the United States, in particular, enlisted the support of the dictatorial regimes in Egypt, Jordan, Syria, and Morocco in its “war on terror,” drawing on their expertise in torture to host secret torture prisons on behalf of the CIA, where dozens of men and boys — seized in other countries and subjected to “extraordinary rendition” — were delivered, some of whom have never been seen or heard from again.
Os horrores da Guerra Fria ficaram para trás de nós mas, na frente islamista, é muito fácil ver como os Estados Unidos, em especial, ofereceram apoio aos regimes ditatoriais de Egito, Jordânia, Síria e Marrocos em sua “guerra contra o terror,” recorrendo à especialização deles em tortura para hospedar prisões secretas de tortura em nome da CIA, às quais dezenas de homens e garotos — apanhados em outros países e sujeitados a “cessão extraordinária” — foram encaminhados, não tendo alguns deles sido vistos ou não se tendo deles ouvido falar novamente.
It is also easy to see how numerous countries, including the U.K. and France, responded to the Islamic Salvation Front’s first-round electoral victory in Algeria in 1991 by backing a military takeover that led to an almost unspeakably horrendous civil war, while protecting Western interests in Algeria’s supplies of oil and gas, and how Libya — previously a pariah — was also drawn into the “war on terror,” when Colonel Gaddafi, with his plenteous supplies of oil, also joined the Western alliance.
É também fácil ver como numerosos países, inclusive Reino Unido e França, reagiram ao primeiro turno de vitória eleitoral da Frente Islâmica de Salvação na Argélia em 1991 apoiando golpe militar que levou a guerra civil quase indizivelmente horrenda, enquanto protegiam os interesses ocidentais nos suprimentos de petróleo e de gás da Argélia, e como a Líbia — antes pária — também foi empurrada para a “guerra contra o terror,” quando o Coronel Gaddafi, com seus copiosos suprimentos de petróleo, juntou-se também à aliança ocidental.
With Libya, the hypocrisy was laid bare — although few realize it — when political refugees to the U.K., whose claims for asylum had been accepted, were suddenly labeled as terrorist suspects and imprisoned, or held under control orders (a pernicious form of house arrest) without charge or trial, and on the basis of secret evidence, after Gaddafi became a British ally in 2005.
No caso da Líbia, a hipocrisia ficou evidente — embora poucos o percebam — quando refugiados políticos no Reino Unido, cujos pedidos de asilo haviam sido aceitos, foram subitamente rotulados de suspeitos de terrorismo e presos, ou mantidos sob ordens de controle (perniciosa forma de prisão domiciliar) sem acusação ou julgamento, e com base em evidência secreta, depois de Gaddafi ter-se tornado aliado dos britânicos em 2005.
Although judges intervened independently to prevent the involuntary repatriation of these men, ruling that “diplomatic assurances,” which were supposed to guarantee humane treatment on their return, were fundamentally untrustworthy, the control orders against the men were only finally dropped in the last few years when the Gaddafi regime began a program of reconciliation with its former opponents.
Embora juízes tenham intervindo independentemente para impedir a repatriação involuntária daqueles homens, sentenciando que “garantias diplomáticas” que pretensamente garantiriam tratamento humanitário ao eles retornarem eram fundamentalmente indignas de confiança, as ordens de controle contra aqueles homens só foram finalmente revogadas nos últimos anos recentes, quando o regime de Gaddafi encetou programa de reconciliação com seus antigos opositores.
The West’s hypocrisy in the “war on terror” also included Tunisia and the brutal regime of President Zine El-Abidine Ben Ali (whose fall is leading to hopes that the terrorist stigma attached to his former political opponents might now be exposed for what it was), and, of course, Syria, whose fearsome Mukhabarat (secret police) tortured at least nine CIA “ghost prisoners” in 2001 and 2002, even as Bush’s speechwriters were including the regime in an “axis of evil.” A few of these prisoners — who included teenagers rendered from Pakistan — have resurfaced (most notably, the Canadian citizen Maher Arar), but others remain unaccounted for.
A hipocrisia do Ocidente na “guerra contra o terror” incluiu também a Tunísia e o brutal regime do Presidente Zine El-Abidine Ben Ali (cuja queda leva a esperança de o estigma terrorista aplicado a seus antigos opositores políticos poder quem sabe ser agora ser visto conforme o que realmente era) e, obviamente, a Síria, cuja temida Mukhabarat (polícia secreta) torturou pelo menos nove “prisoneiros fantasmas” da CIA em 2001 e 2002, mesmo quando os escritores de discursos de Bush incluíam aquele regime num “eixo do mal.” Alguns desses prisioneiros— inclusive adolescentes trazidos do Paquistão — voltaram à superfície (mais visivelmente o cidadão canadense Maher Arar), mas de outros não mais se teve notícia.
Of all the allies in torture, however, Egypt was the most prominent, the final bloody destination for those seized in America’s first forays into “extraordinary rendition” under President Clinton, and the place where, in the “war on terror,” an untold number of men were disappeared.
De todos os aliados em tortura, entanto, o Egito foi o mais destacado, destino sangrento final daqueles apanhados nas primeiras incursões dos Estados Unidos na “cessão extraordinária” no governo do Presidente Clinton e o lugar onde, na “guerra contra o terror,” desconhecido número de homens desapareceu.
Just a few of these stories are known, but they expose the true horrors of America’s relationship with Egypt. One prominent victim is Mamdouh Habib, an Australian citizen, seized on a bus in Pakistan, who was rendered to Egypt before being sent to Guantánamo (and released in January 2005). Providing a dark insight into why Hosni Mubarak’s decision to appoint intelligence chief Omar Suleiman as vice president on Saturday is the worst possible move for Egyptians seeking total regime change, the author and journalist Richard Neville, drawing on Habib’s memoir,reported:
Poucas dessas histórias são conhecidas, porém elas expõem os verdadeiros horrores do relacionamento dos Estados Unidos com o Egito. Vítima eminente é Mamdouh Habib, cidadão australiano, apanhado num ônibus no Paquistão, entregue ao Egito antes de ser mandado para Guantánamo (e libertado em janeiro de 2005). Oferecendo sombria compreensão de por que a decisão de Hosni Mubarak de nomear o chefe da inteligência Omar Suleiman como vice-presidente no sábado é a pior manobra possível para os egípcios que buscam mudança de regime, o autor e jornalista Richard Neville, recorrendo às memórias de Habib, informou:
Habib was interrogated by the country’s Intelligence Director, General Omar Suleiman.… Suleiman took a personal interest in anyone suspected of links with Al-Qaeda. As Habib had visited Afghanistan shortly before 9/11, he was under suspicion. Habib was repeatedly zapped with high-voltage electricity, immersed in water up to his nostrils, beaten, his fingers were broken and he was hung from metal hooks.... To loosen Habib’s tongue, Suleiman ordered a guard to murder a gruesomely shackled Turkistan prisoner in front of Habib — and he did, with a vicious karate kick.
Habib foi interrogado pelo Diretor de Inteligência do país, General Omar Suleiman.… Suleiman tinha interesse pessoal em qualquer pessoa suspeita de laços com a Al-Qaeda. Como Habib havia visitado o Afeganistão pouco antes do 11/9, tornou-se suspeito. Habib foi repetidamente submetido a eletricidade de alta voltagem, imerso em água até as fossas nasais, espancado, seus dedos foram quebrados e foi pendurado em ganchos de metal.... Para soltar a língua de Habib, Suleiman mandou um guarda matar um prisioneiro turquestano horrivelmente agrilhoado na frente de Habib — e ele o fez, com violento chute de caratê.
Another prominent torture victim is Abu Omar (Osama Mustafa Hassan Nasr), an Egyptian cleric who was brazenly seized from a street in Milan in February 2003, by CIA operatives and their Italian counterparts. In November 2009, an Italian judge handed down, in absentia, prison sentences of between five and eight years to 22 CIA agents and a U.S. Air Force colonel for their part in Abu Omar’s kidnap and rendition (and two Italian agents received three-year sentences), but not before Abu Omar had been imprisoned in Egypt for four years, and, during much of that time, subjected to torture.
Outra preeminente vítima de tortura é Abu Omar (Osama Mustafa Hassan Nasr), clérigo egípcio impudentemente apanhado numa rua de Milão em fevereiro de 2003 por agentes da CIA e suas contrapartes italianas. Em novembro de 2009 juiz italiano emitiu, in absentia, sentenças de prisão de cinco a oito anos para 22 agentes da CIA e um coronel da Força Aérea dos Estados Unidos pelo sequestro e cessão de Abu Omar (e dois agentes italianos receberam sentenças de três anos), mas não antes de Abu Omar ter ficado preso no Egito por quatro anos e, durante grande parte desse período, ter sido sujeitado a tortura.
The most significant story of all, however, is that of Ibn al-Shaykh al-Libi, the emir of the Khaldan training camp in Afghanistan, which was closed down by the Taliban in 2000, when he refused to cooperate with Osama bin Laden. After his capture in December 2001 — in Afghanistan, or crossing the border into Pakistan — al-Libi was rendered to Egypt by the CIA, where, under torture, he falsely confessed that al-Qaeda representatives had been meeting Saddam Hussein to discuss the use of chemical and biological weapons. Despite the fact that al-Libi later recanted his false testimony, it was used by the United States to justify the invasion of Iraq in March 2003, figuring prominently in Colin Powell’s presentation to the U.N. the month before.
A mais eloquente história de todas, entanto, é a de Ibn al-Shaykh al-Libi, emir do campo de treinamento Khaldan no Afeganistão, fechado pelo Talibã em 2000, quando ele se recusou a cooperar com Osama bin Laden. Depois de sua captura em dezembro de 2001 — no Afeganistão, ou cruzando a fronteira rumo ao Paquistão — al-Libi foi entregue ao Egito pela CIA onde, sob tortura, confessou falsamente que representantes da al-Qaeda andavam encontrando-se com Saddam Hussein para discutir o uso de armas químicas e biológicas. A despeito do fato de al-Libi ter-se posteriormente retratado de seu falso depoimento, este foi usado pelos Estados Unidos para justificar a invasão do Iraque em março de 2003, figurando com destaque na apresentação de Colin Powell  às Nações Unidas no mês anterior.
After visits to other torture prisons run by or on behalf of the CIA, al-Libi was eventually returned to Libya, where he died in prison in May 2009, allegedly by committing suicide — although no one who knows anything about “suicides” in Libyan jails believed that particular story. His death was convenient for at least three countries — Libya itself, and the two countries responsible for the deadly lie about Iraq; namely, Egypt and the United States.
Depois de visitas a outras prisões de tortura geridas por ou em nome da CIA, al-Libi foi finalmente devolvido à Líbia, onde morreu na prisão em maio de 2009, alegadamente por ter-se suicidado — embora ninguém que saiba alguma coisa acerca de “suicídios” em prisões líbias tenha acreditado nessa história em particular. A morte dele foi conveniente para pelo menos três países — a própria Líbia e os dois países responsáveis pela letal mentira a respeito do Iraque; isto é, Egito e Estados Unidos.
More than anything else, the story of Ibn al-Shaykh al-Libi defines the blood-soaked relationship between the Bush administration and the brutal regime of Hosni Mubarak, and if there is to be genuine change in Egypt and throughout the Middle East, then the Obama administration and other Western governments need to step back from supporting torturers or enlisting their torture assistance or making convenient arrangements with them to establish secret dungeons in their countries to pursue their own repulsive agendas.
Mais que qualquer outra coisa, a história de Ibn al-Shaykh al-Libi define o relacionamento encharcado de sangue entre a administração Bush e o brutal regime de Hosni Mubarak e, se houver mudança genuína no Egito e no Oriente Médio, então a administração Obama e outros governos ocidentais precisarão parar de apoiar torturadores ou de recorrer à assistência deles para tortura ou de fazer arranjos convenientes com eles para estabelecer calabouços secretos em seus países na persecução de suas próprias agendas repulsivas.
Andy Worthington is the author of The Guantánamo Files: The Stories of the 774 Detainees in America’s Illegal Prison (published by Pluto Press) and serves as policy advisor to the Future of Freedom Foundation. Visit his website at: www.andyworthington.co.uk.
Andy Worthington é autor de Os Arquivos de Guantánamo: As Histórias dos 774 Detentos na Prisão Ilegal dos Estados Unidos (publicado pela Pluto Press) e atua como conselheiro de políticas de A Fundação Futuro de Liberdade. Visite o website dele em: www.andyworthington.co.uk.

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